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Jornalista lança livros de capoeira no Museu Capixaba

Uma das obras instrumentaliza a capoeira na luta contra as drogas. Outra obra conta em 4 idiomas a história da capoeira no Brasil

O jornalista e mestre em Educação Mano Lima lança no dia 22 de janeiro, a partir das dezoito horas, no Museu Capixaba, o livro SEJA UM CRAQUE SEM PEDRA (a capoeira que dá rasteira nas drogas).

O evento é uma promoção da Federação de Capoeira do Espírito Santo, com o apoio da prefeitura municipal de Vitória.

Mano Lima é historiador e autor de outros livros, como o DICIONÁRIO DE CAPOEIRA, A GINGA DOS MAIS VIVIDOS (capoeira na terceira idade) e e “EU, VOCÊ E A CAPOEIRA”, que conta a historia da escravidao no Brasil e da capoeira, e foi editado em português, inglês, francês e espanhol.

Os livros do escritor já foram lançados em três continentes (Europa, Asisa e América) e em paises como Espanha, Holanda, Alemanha, Belgica, França, Portugal, Paraguai e Cabo Verde.

Além de escritor, o autor é diretor de jornalismo da TV Portal Capoeira e colaborador no mesmo site.

 

Serviço: O escritor está à disposição de outros grupos de capoeira para dar palestras e fazer o lançamento do seu livro. Para receber o livro, via correio, ou convidar o escritor para eventos de capoeira, no Brasil, ou exterior, os interessados podem fazer contato direto com o mesmo, nos telefones (61) 8101 0915 e (61) 9190 4256, ou no e-mail dicionariocapoeira@gmail.com.

Aguardo seu contato.
MANO LIMA    Jornalista(61) 9190 4256      OI (61) 8101 0915      TIM(27)30192707

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Frede Abreu: O Grande pesquisador da Capoeira

Todos aqueles que amam a capoeira e se interessam em conhecê-la mais a fundo, suas histórias, seus personagens, os fatos importantes, enfim, todos aqueles que buscam compreender melhor essa rica manifestação da cultura afro-brasileira, devem muito àquele que foi um dos maiores, senão o maior pesquisador da capoeira de todos os tempos: Frederico José de Abreu, ou simplesmente Frede Abreu, como era conhecido no meio.

Frede Abreu não está mais entre nós, partiu pras “terras de Aruanda” em julho de 2013, mas deixou como legado uma obra importantíssima, através dos muitos livros, artigos, crônicas e textos que escreveu, além de um enorme e rico acervo organizado por ele composto de documentos, livros, fotografias, filmes, revistas, jornais, etc., que pode ser considerado o maior acervo sobre capoeira existente.

Mas o mais importante, é que Frede sempre foi um sujeito muito generoso. Ele sempre abriu as portas de sua casa – onde todo esse acervo era guardado – pra qualquer um que desejasse pesquisar e se aprofundar no conhecimento sobre a capoeira. Ele sempre acolheu de forma muito amável todos que o procuravam: pesquisadores, estudantes, capoeiristas, historiadores, e contribuiu de forma efetiva para a maior parte de toda a pesquisa produzida sobre capoeira no Brasil e também no exterior. É muito difícil encontrar algum livro, artigo, documentário, tese de mestrado ou doutorado sobre capoeira no qual ele não seja citado ou não tenha colaborado de alguma forma.

Frede viajou por todo o Brasil e também para o exterior, onde sempre era convidado a participar de eventos, conferências, seminários, palestras ou simples “bate-papos” sobre capoeira. E fazia isso sempre com muita boa vontade, prazer, simpatia e bom humor que caracterizavam esse baiano que nunca se recusou a dividir o seu amplo conhecimento sobre a nobre arte da capoeiragem, quando era requisitado, por quem quer que fosse.

Mas a contribuição de Frede Abreu para a capoeira vai ainda mais além: ele foi um dos responsáveis pelo retorno do mestre João Pequeno à capoeira. João tinha se afastado  da capoeira no início da década de 1980, depois da morte de Pastinha, e se dedicava a vender legumes e verduras numa barraca na Feira de São Joaquim, junto com sua esposa, a querida  “Mãezinha” como é conhecida por todos. Frede então articulou a volta de João, e foi o responsável pela organização da sua academia, que foi instalada no Forte Santo Antonio além Carmo, e se constituiu como o centro de todo o movimento de recuperação da capoeira angola, que nessa época passava por um momento difícil, num processo de franca decadência. Pela academia e sob a liderança de João Pequeno, passaram todos os mestres que foram importantes para o movimento de renovação e revigoramento da capoeira angola, desse período histórico em diante.

Há alguns anos, Frede conseguiu apoio do governo federal para enfim organizar o seu vasto acervo, criando o Instituto Jair Moura que durante algum tempo funcionou no bairro do Garcia em Salvador. Mas esse apoio não teve continuidade e todo o acervo voltou para a sua casa, num quarto onde tudo continua a ser guardado com muito zelo pela sua família.

Esperamos que as autoridades se sensibilizem com a importância da preservação e organização desse verdadeiro tesouro sobre a memória da capoeira que Frede reuniu com  tanto carinho e dedicação, durante tantos anos, e está ameaçado de se degradar pela falta de um local adequado sob a orientação de profissionais especializados.

Frede se foi, mas seu sorriso franco, seu fino senso de humor, sua disponibilidade e generosidade, seu carisma como ser humano e seus inestimáveis serviços prestados à capoeira ficarão eternizados entre todos aqueles que valorizam a memória social de um país que sofre de “esquecimento crônico”, como é o caso do Brasil.

Um axé meu amigo, onde quer que você esteja !

A capoeira dá rasteira no craque

Professor de História do Distrito Federal lança livro inspirado na capoeira que mostra como um esporte pode ser uma importante arma na luta contra o crack.

No livro “Seja um craque sem pedra”, que será lançado hoje as 19 horas, no colégio rogacionista do Guará II, o autor, que também é Mestre em Educação e jornalista, conta a comovente história de um adolescente que, mergulhado no submundo das drogas, evade da escola, é expulso de casa e encontra na capoeira a possibilidade de reinclusão social.

Autor de diversas obras de capoeira inspiradas na lei 10.639/2003, dentre elas “Dicionário de Capoeira”, “Eu, você e a capoeira” e “A ginga dos mais vividos”, o escritor tem livros editados em inglês, francês e espanhol.

“Seja um craque sem pedra” é recomendado, especialmente, pra professores, orientadores educacionais, psicólogos e profissionais que atuam com capoeira. E é, claro, é um livro que não pode faltar nas bibliotecas escolares e nas mãos das nossas crianças e adolescentes, que hoje são, criminosamente, assediados para a dependência química do crack e de outros entorpecentes.

O escritor está a disposição para palestras e lançamento do livros. 
Contato: (61) 9190 4256 (oi) e 8101 0915 (tim), 
mano.lima@yahoo.com.br

I Mostra Nacional de Produção Científica em Lutas

1.ª Mostra Nacional de Produção Científica em Lutas é a novidade mais aguardada da 4ª Convenção Internacional de Artes Marciais (2013).

Sucesso de público e crítica por 3 anos consecutivos, a 4ª Convenção Internacional de Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate será agraciada por uma novidade imperdível: A 1ª Mostra Nacional de Produção Científica em Lutas.

Os organizadores esperam com isso, não só constituir novo espaço físico e virtual de divulgação sobre os avanços na Ciência das Artes Marciais, como disponibilizar aos participantes da Convenção, atualização in loco, com os mais recentes trabalhos publicados.

Além disso, segundo Leandro Paiva, coordenador geral da convenção, existem três vantagens adicionais em participar da Mostra: a primeira é a seriedade e competência com que será conduzida, pois o coordenador técnico, Fabrício Boscolo Del Vecchio, além de faixa preta, é considerado o maior pesquisador brasileiro sobre o tema, com participação em mostras científicas no exterior, mais de 50 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, além de livros e capítulos de livros.

A segunda vantagem é que os trabalhos serão organizados, registrados em cartório e publicados em PDF como “Anais da 1ª Mostra Nacional de Produção Científica em Lutas”, com a possibilidade de alocar em futuro próximo os resumos e artigos completos na plataforma Scielo ou em Revista Online especialmente desenvolvida para isso.

Por fim, quem se inscrever na Mostra Científica automaticamente poderá participar neste dia da Convenção, gratuitamente, de todos os cursos com certificado.

 

Para saber mais e se inscrever, direto pelo site oficial: http://eventos.tatame.com/

Manuscritos de Mestre Pastinha trazem a Sabedoria dos Velhos Mestres da Capoeira

MANUSCRITOS DE MESTRE PASTINHA TRAZEM A SABEDORIA DOS VELHOS MESTRES DA CAPOEIRA

Mestre Pastinha deixou manuscritos onde reflete sobre questões relacionadas não só a capoeira, mas também sobre a vida. A série manuscritos, organizado pelo historiador Frede Abreu traz dois livros: Improviso de PastinhaMestre Pastinha: Como eu penso? Despeitados?, este último realizado junto com Greg Downey. Os dois livros têm tradução em inglês, levando a sabedoria do mestre pelo mundo a fora.

O nome Improviso de Pastinha foi escolhido pelo próprio mestre ao receber do discípulo João Grande uma caderneta para escrever ladainhas e corridas. Segundo João Grande esses escritos foram feitos nas décadas de 50 e 60. No verão de 2007, o Instituto Jair Moreira recebeu a autorização de João Grande para publicação dos improvisos do Mestre Pastinha, “um acervo artístico muito rico para quem deseja conhecer coisas temporais e atemporais da capoeira”, escreve Frede Abreu na apresentação. O livro traz os improvisos originais, com a letra do mestre.

Tendo como origem documentos guardados por Emília Biancardi, Mestre Pastinha: Como eu Penso? Despeitados? traz depoimento inédito do Mestre Pastinha. Mais uma vez, a sabedoria do velho mestre é mostrada para o mundo da capoeira com esse manuscrito, que está no livro com o texto original, sem “correção”. O livro também traz os comentários de Frede Abreu, que destaca alguns pontos presentes nas reflexões do mestre como religiosidade, desabafos, e conceitos, lições, precauções e bons exemplos sobre a capoeira.

Os livros são uma realização do Acervo Frede Abreu de Capoeira e apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Mais informações no e-mail elzinhadeabreu@gmail.com.

Sobre o autor – Frede Abreu foi um estudioso da capoeira, criando um acervo com mais de 40 mil títulos, entre livros, recortes de jornais, revistas, CDs, fotos e vídeos sobre capoeira e a cultura afrobrasileira. Também foi fundador do Instituto Jair Moura, membro fundador da Academia de Capoeira Angola de João Pequeno de Pastinha, e da Fundação Mestre Bimba.

Nota de Falecimento: Frede Abreu

Morreu hoje o Professor Frede Abreu, aos 66 anos, em Salvador, vítima de Hepatite C

Considerado por muitos o maior estudioso de capoeira do mundo, morreu ontem o pesquisador Frederico José de Abreu, 66 anos, que faria aniversário amanhã, faleceu hoje no Hospital Portugês. Autor dos principais livros sobre capoeira do país.

A memória dos principais mestres de capoeira da Bahia deve a ele, que nas últimas décadas se tornou referência internacional. Fundador do Instituto Jair Moura, Frede tinha um acervo com mais de 40 mil títulos, entre livros, recortes de jornais, revistas, CDs, fotos e vídeos. A partir de documentos e jornais antigos, Frede construiu obras obras importantes como Capoeiras: Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: capoeira no ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, o Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão… Mesmo doente nos últimos meses, Frede não parou de produzir. Tinha pelo menos três livros editados para ser lançado:  Manuscritos do Mestre Pastinha, Como Eu Penso (Livro de poesias de Pastinha), além de Mestre Najé, o capoeirista que Lutou até a Morte.

Trabalhou no projeto Axé, ajudou financeiramente e intelectualmente mestre João Pequeno, Fundação Mestre Bimba, Projeto Mandinga e diversos outros grupos…

Frede foi consultor do inventário que tombou a capoeira como patrimônio cultural do Brasil, em 2008.

Ultimamente, trabalhava na biblioteca do Instituto Mauá, no Pelourinho… Frede lutava havia um ano contra uma hepatite C. Ontem, não resistiu a uma infecção generalizada.

O corpo será cremado amanhã (sexta) no Cemitério Jardim da Saudade, as 13hs.

 

O Legado e a Obra de um dos mais carismaticos personagens da nossa capoeiragem... Mestre Frede

Compilação da Imagem: Vinícius Heime

Amigos lamentam a morte de Fred Abreu

  • Hélio, morador do Rio Vermelho:

“A Capoeira perde um grande capoeirista, o amigo Fred Abreu. Um capoeirista pertencente a todos os grupos e a elite da grande roda das idéias. Um pesquisador, escritor, amigo, orientador, detentor de um grande acervo de Capoeira, sempre de bom humor e acolhendo com seu dialogo amigo brasileiros e estrangeiros. Fred entre tantas homenagens pertence ao QUADRO DE HONRA DA FUNDAÇÃO MESTRE BIMBA, homenagem recebida no último dia 7/7/2013. Mas, a grande homenagem é pertencer ao coração de cada capoeirista por ser um homem de bem. Uma perda imensurável para a Capoeira.”

 

 

  • Vinicius Heime, Professor e Discipulo de Gladson

 

Fez sua passagem hoje o Mestre Frede Abreu, um dos mais atuantes ativistas, pesquisador, estudioso e escritor da Capoeira. Autor de uma vasta obra sobre temas diversos relacionados à Capoeira, todas escritas com muita competência e dedicação! Idealizador e gestor do maior acervo (com mais de 40 mil títulos) em livros, jornais, revistas e documentos relacionados à Capoeira. 

Entre suas obras estão os livros Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: Capoeira no Ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, O Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão, entre outros. Participou de diversos projetos relacionados à Capoeira! 

O seu legado estará sempre vivo como exemplo de dedicação, de valorização, de zelo e de amor pela Capoeira, sua história e seus atores! Que Mestre Bimba, Pastinha, Canjiquinha, Ezequiel e tantos outros lhe recebam de braços abertos numa grande Roda lá no céu! Axé e Luz!

 

  • Luciano Milani, Editor do Portal Capoeira:

Pesquisador incansável, e confesso, um dos pilares motores do meu trabalho, Frede nunca irá deixar de estar presente em todas as rodas, encontros e onde quer que a nossa capoeira se fizer presente…

Frede era uma destas pessoas que fazia tanta pela nossa capoeiragem… fazia sem olhar a quem… fazia pelo simples e mais lindo dos motivos… fazia apenas por que tinha um coração enorme de capoeirista… repleto de vontade de compartilhar suas preciosidades… era capaz de abrir as portas de sua casa de forma apaixonada podia passar horas falando sobre a nossa cultura, nossa arte…

Foi assim que conheci Frede e me deslumbrei com o seu acervo, sua generosidade, a sua paixão e pluralidade por todas as manifestações da cultura popular….

 

  • Pedro Abib, Professor, Pesquisador e Colunista do Portal Capoeira:

O grande FREDE ABREU nos deixou na tarde de ontem. Tristeza enorme !!!

Um dos maiores conhecedores da nobre arte da capoeiragem…mas acima de tudo, um homem generoso, que a todos acolhia e ajudava. Minha dívida com ele é enorme !!!

Um ser humano daqueles que deixam marcas que não se apagarão jamais na sua passagem pela terra. Fique em paz, aí nas terras de Aruanda !!!!

 

Nós do Portal Capoeira prestamos a nossa homenagem assim como as mais sinceras condolências a todos os amigos e principalmente a família Abreu…. por esta perda.

Barra Mansa: Capoeira incentiva a integração social

BARRA MANSA

Quem passou pela antiga biblioteca na Gare da Estação, na Rua Orozimbo Ribeiro, nos últimos dias presenciou um cenário diferente das atividades rotineiras da cidade. São os participantes da Associação Abadá de Barra Mansa praticando capoeira no local. Ao som característico do berimbau e do atabaque, crianças, adultos, idosos, portadores de necessidades físicas ou Síndrome de Down, todos se reúnem para praticar o esporte.

Segundo o professor do grupo, Luiz Carlos Rocha, conhecido como Mestre Pretinho, o objetivo é trazer às pessoas para conhecer e entender a história da cidade. “Nós iniciamos o projeto com o objetivo de passar aos nossos alunos a história da capoeira no Brasil e incentivar a leitura. Porém, aqui na biblioteca não tinha livros específicos da área, foi quando entramos em parceria com a instituição, doando os livros para aprimorar o conhecimento da cidade sobre essa cultura”, contou.

O professor ressaltou ainda a ligação do município com a Capoeira. “Este foi o berço de grandes capoeiristas, como Mestre Branco, Mestre Bueira, Mestre Carlão e Mestre Boa Viagem”, explicou.

Além da valorização histórica do esporte e da cidade, o projeto, que existe há mais de nove anos, impressiona pela diversidade de alunos. “A capoeira é a maior prova de integração social. Nós temos participantes de todas as idades, crianças e jovens especiais, trabalhamos também com a melhor idade. Todos respeitam cada espaço conquistado”, disse.

A conquista ainda é comprovada pela satisfação das mães de crianças especiais ao trazer os filhos para a aula. É o caso da dona de casa Marlene Martins de Oliveira, 62 anos. Há três anos ela traz a filha para freqüentar as aulas e aprender o esporte. O resultado ela percebe em casa. “A comunicação dela melhorou muito, melhorou o comportamento. Sem contar que é uma atividade maravilhosa, trabalha a coordenação motora e ainda promove a integração social”, relatou.

Intensificando ainda mais o caráter de diversidade do esporte, o projeto recebe amanhã a vinda de alunos franceses. Hoje, eles se uniram a várias escolas e entidades com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) para uma grande roda de capoeira. “Esse intercâmbio de estudantes é muito bom para todos. Eles vêm para cá, conhecem nossa realidade, os alunos daqui e também tem gente daqui que vai pra lá. Isso ajuda a trabalhar o corpo e a mente”, explicou Marlene.

Outra mãe que tece elogios à iniciativa é Maria Orília da Silva Rocha, 69 anos. A filha dela também tem Síndrome de Down e ainda sofre com os sintomas da colite, uma doença inflamatória do intestino. Há dez anos nas aulas, diversas vezes ela falta por causa do mal estar. “Mesmo ela tendo que faltar tanto, eu percebo as melhoras em casa. Quando ela vem ela se sente muito melhor. A gente faz uma preparação alimentar para que ela venha e não passe mal”, contou.

Segundo os organizadores, as atividades terminam hoje, às 17 horas. Durante a semana as pessoas receberam aulas de canto, atabaque, dança e berimbau. A estimativa era alcançar cerca de 1.500 pessoas entre alunos e visitantes. No local, estão expostos vários livros sobre treinamento e a história da capoeira no Brasil, troféus e instrumentos para conhecimento do público. O grupo de capoeira também se destaca por outras colaborações à sociedade, como campanhas de doação de sangue e combate às drogas e se prepara para ano que vem, trazer à Barra Mansa a ‘Semana Internacional de Capoeira’.

Fonte: http://www.avozdacidade.com

Centenário de Jorge Amado relembra escritor que ‘melhor escreveu um país’

“Não tenho nenhuma ilusão sobre a importância de minha obra”, afirmou Jorge Amado. “Mas, se nela existe alguma virtude, é essa fidelidade ao povo brasileiro.”

A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram um dos fatores por trás da popularidade de que Amado desfrutou em vida.

Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, celebrado nesta sexta-feira, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.

Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países.

O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.

Países como Romênia, Alemanha, Espanha, Bulgária, Sérvia, China, Estados Unidos e Rússia são alguns dos que firmaram contratos recentes para lançar seus livros, diz Nogueira.

Para marcar a data, a prestigiosa coleção Penguin Classics está lançando dois de seus livros em inglês, A morte e a morte de Quincas Berro d’água e A descoberta da América pelos turcos. Amado é o segundo autor brasileiro publicado pelo selo, o primeiro foi Euclides da Cunha.

O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris.

A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas.

“Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país”, afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.

Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele morreu em 2001.

A fazenda de cacau em que nasceu, os terreiros de candomblé, a mistura de crenças religiosas, a pobreza nas ruas de Salvador, a miscigenação, o racismo velado da sociedade brasileira são alguns dos elementos que compõem sua obra, caracterizada por uma “profunda identificação com o povo brasileiro”, diz Eduardo de Assis Duarte.

“Ele tinha o compromisso de ser uma espécie de narrador do Brasil, alguém que quer passar o país a limpo”, diz o pesquisador, professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de Jorge Amado: Romance em tempos de utopia.

O baiano destacou a herança africana e a mistura que compõe a sociedade brasileira como valores positivos do país.

Ele adotava uma postura crítica dos problemas sociais do país e ao mesmo tempo retratava “um povo alegre, trabalhador, que não desiste”, diz Assis Duarte. “Para os críticos, ele faz uma idealização do povo.”

Amado leva para o centro de suas histórias heróis improváveis para seus tempos – um negro, uma prostituta, um faxineiro, meninos de rua, mulheres protagonistas.

“Ele traz o homem do povo para o centro do livro. Coloca-o como herói de suas histórias e ganha o homem do povo como leitor”, diz Assis Duarte.

Comunismo

Tanto a vida quanto a obra de Amado foram marcadas por sua militância no comunismo. Os livros do início de sua carreira eram fortemente ideológicos.

“Saíram livros bons dessa fase, mas também livros muito panfletários, maniqueístas, em que os ricos são todos maus e os pobres são todos bons”, comenta a antropóloga Ilana Goldstein, autora de O Brasil best seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional.

O baiano chegou a se eleger deputado em 1945 – seu slogan, lembra Ilana, era “o romancista do povo”. Apenas dois anos depois, porém, teve que partir para o exílio na França. Sob pressão da Guerra Fria, o Partido Comunista Brasileiro fora banido e seu mandato, cassado.

Durante os cinco anos de exílio, passados com a esposa Zélia Gattai na França e na antiga Tcheco-eslováquia, Amado viajou e ampliou seu círculo de amizades – conheceu Pablo Picasso, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir.

Nos anos 1950, época em que os crimes do líder soviético Josef Stalin vieram à tona, Amado rompeu com o partido. Iniciou-se uma nova fase em sua literatura, mais leve e bem-humorada, menos ideológica.

Para as massas

Amado gostava de se definir como um “contador de causos”. Mais do que explorar novas linguagens literárias, seu objetivo era conquistar leitores e alcançar a massa, diz Assis Duarte.

Sua linguagem era coloquial, simples, como a língua falada; sua forma de contar histórias era folhetinesca, com muitos personagens, ápices e acontecimentos.

Isso ajuda a explicar a rejeição da crítica acadêmica durante muitos anos. Também ajuda a entender as prolíficas adaptações de sua obra para filmes, novelas, peças e séries de TV.

“Sua literatura se aproxima da cultura de massa. São textos que parecem ter sido escritos para serem adaptados”, diz Assis Duarte.

Com a preocupação de proporcionar uma leitura agradável, Amado fez o que queria: conquistar leitores e contar suas histórias.

“Ele foi um escritor popular em um país onde não se lê muito, e que não tem uma tradição de leitura apesar de ter grandes escritores”, diz Milton Hatoum.

O escritor amazonense leu Jorge Amado pela primeira vez na escola de Manaus, aos 14 anos. A professora apresentou Capitães da Areia, logo cativando o interesse da classe ao contar que o livro havia sido queimado em Salvador em 1937, durante o Estado Novo.

“Eu era de Manaus, e para mim o Brasil era aquele mundo cercado de água e de floresta. A leitura de Capitães da Areia foi uma revelação de outra paisagem social e geográfica no mesmo país.”

Para Hatoum, o universo ficcional rico em tramas e personagens de Amado parece dar conta de toda a pirâmide social do Brasil, da elite política e econômica aos mais desvalidos.

Ele afirma quase poder tocar os lugares e personagens quando lê a obra de Amado. “O mundo que ele criou é cheio de personagens muito vivos, de um colorido, uma sensualidade que não é exótica. Quer dizer, é exótica, talvez, para quem não conhece a Bahia ou o Brasil.”

BBC – Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese

Mestre Decânio

Ângelo Augusto Decânio Filho, Mestre Decânio, o mais “idoso” dos discípulos de Mestre Bimba ainda vivos, a maior autoridade no mundo sobre a Capoeira Regional de Mestre Bimba. Médico de profissão, esteve ao lado do Mestre desde 1938, dispensando-lhe atenção filial, cuidados médicos, assessoramento em assuntos relacionados com a administração da Academia, estudo de novos golpes e contragolpes, e o estabelecimento de normas e regras destinadas ao aperfeiçoamento do ensino da luta. Em decorrência deste relacionamento, tinha o privilégio de ser o único detentor dos segredos e das manhas do Mestre. Escreveu vários livros sobre Capoeira, agrupados na Coleção São Salomão, editada por ele próprio. Sua obra é citada (por Mestre Damião) como “a verdadeira Bíblia da Capoeira”. Privar de sua companhia é sempre um grande prazer. Mantém uma página na Internet que é sem dúvida um dos melhores sites para quem quiser saber tudo sobre Capoeira:
Medico. Professor Universitário, Capoeirista.  Aluno de Mestre Bimba desde 1938

Os nossos verdadeiros Heróis

A capoeira, como se sabe, está presente em mais de 150 países no mundo todo. É motivo de grande orgulho para todos nós, brasileiros, vermos a nossa cultura, a nossa língua e a nossa história, serem motivo de respeito e admiração por parte de todos aqueles que de alguma forma, conhecem e reconhecem essa nossa nobre arte pelos quatro cantos do planeta, onde quer que ela se encontre.

Mas a capoeira é motivo de orgulho, sobretudo, para todo o povo oprimido do Brasil: os negros escravos e seus descendentes, os analfabetos, os pobres e miseráveis, os espoliados, os sem-terra, sem-teto, sem-educação, os índios, os trabalhadores, enfim, todos aqueles que ajudaram a escrever a história do nosso país, mas que sempre foram vítimas de preconceitos e discriminações, que sempre foram explorados, marginalizados, violentados, perseguidos e humilhados, separados da dignidade humana por esse abismo social que divide a injusta e excludente sociedade brasileira.

O que antes era vista como coisa de vagabundos, de vadios e marginais, hoje é reconhecida como Patrimônio da Cultura Brasileira, título que a capoeira recebeu recentemente do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). E mais do que isso, está presente como tema de numa enorme quantidade de teses e dissertações nas universidades do Brasil e do mundo, em livros, filmes, discos, revistas, obras de arte, enfim como uma importante referência para todas as áreas do conhecimento humano.

Mas o mundo deve esse legado a quem ?

Justamente aos marginalizados desse país: os negros, quase negros ou quase brancos, os pobres marginalizados, analfabetos, os perseguidos pela polícia, arruaceiros, desordeiros, valentões e artistas da fome. Foram eles que lutaram bravamente para que essa cultura fosse preservada, para que a capoeira resistisse a uma violenta perseguição por parte dos poderes constituídos, sendo até considerada como crime pelo Código Penal Brasileiro durante quase quatro décadas. Foram esses sujeitos despossuídos que garantiram que a capoeira chegasse até os nossos dias, e alcançasse o respeito e a dignidade em todo o mundo. Devemos isso a eles !!!

Por isso, o povo simples e marginalizado do Brasil, deve estufar o peito e sentir orgulho de saber que a capoeira – hoje um dos maiores símbolos da cultura brasileira no mundo – é a sua herança, é o seu passado, é a sua tradição e a sua dignidade. É a cara e o rosto dos nossos heróis, que infelizmente, ainda não estão nos nossos livros de História, que não são lembrados nas escolas, que ainda não são louvados e reconhecidos pela memória nacional. Mas cabe a nós, sujeitos envolvidos de alguma forma com a prática e a divulgação da capoeira pelo mundo, lutarmos para que essa memória e para que esses sujeitos sociais sejam valorizados  nesse país que precisa aprender a respeitar a sua própria história, sobretudo a história do nosso povo simples e marginalizado. São eles os nossos verdadeiros heróis !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.