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Contemplações: A Violência e a Capoeira 1ª Parte

Contemplações: A Violência e a Capoeira 1ª Parte

Vendo as rodas onde eu fui e vou, ouvindo os discursos de vários mestres, grupos e estilos que encontro, uma coisa me parece mais e mais clara: a relação entre violência e capoeira é bem ambígua.

Há golpes e quedas numa roda que são violentos, ao mesmo tempo que em outras rodas não são; há discursos que falam da não-violência, e lutam pela paz; existem tapas educados e comportamentos brutos. Se fala que um estilo de capoeira é mais violento que o outro; que hoje em dia a capoeira já não é mais tão violenta que já era (nos anos ‘80s e ‘90s), ou até mais violenta mas menos perigosa (o saudoso mestre João Pequeno), e que não deveria bater no aluno, porque aluno cresce (então pode bater no professor?).

Há mestres que dizem que capoeira é luta até a morte, e há outros que querem eliminar dela qualquer signo de violência. Há buscas de influências das outras artes marciais, e capoeiristas que querem se meter nas lutas de ringue. E há movimentos ‘pelo paz’, literalmente – como o ‘Ginga pela paz’ – e outros influenciados pelas teorias e práticas não violentas como a de Rosenberg.[1]

Capoeira é dito um jogo, e a gente diz que quando se torna briga, para de ser capoeira. Mas capoeira também é um arte marcial – talvez a arte marcial com a relação mais problemática à violência – então é luta também. E luta não tem violência não? Então, como é que é?

Contemplações: A Violência e a Capoeira - Capoeira Portal CapoeiraPara tentar entender, voltamos primeira para a história da nossa arte: A relação entre a capoeira e a violência na história sempre parece ser de ambiguidade. capoeira nasceu de uma situação violenta, que era a opressão e exploração do cativeiro. A gente conhece as histórias; capoeira é luta, ela precisava se adaptar ao contexto, até que no início de desenvolvimento dela, usava golpes simples mas violentos, como a cabeçada, o coice e a banda, fora das várias armas às vezes usadas também. Era uma coisa violenta mesma, que precisava ser, para sobreviver.

Isto não parou depois da abolição – a capoeira se encontrou sempre nos períodos e situações violentas: as maltas de Rio de Janeiro, as bandas no Recife, a guerra do Paraguai, a proibição da prática durante o Império, os valentões, e a própria marginalidade em que ela se desenvolveu e dentro ela sempre se movimentava, mesmo depois a divulgação dela fora das classes populares e a expansão pelo mundo.

Como um arte marcial, como luta pela liberdade, capoeira sempre teve uma ligação forte com a violência, será a violência do opressor, de estado ou da rua. E é por isso que os golpes dela primeiramente eram eficaz antes de ser bonito, e um capoeirista não era qualquer um: deveria poder lidar com a violência que ela(e)encontrava no percurso. Foi uma razão principal do porque o mestre Bimba decidiu desenvolver a luta regional Baiana; porque achava que a capoeira da sua época não podia mais enfrentar esta violência real, nem a competição das outras artes marciais estrangeiras que fizeram fama no Brasil na época.

Só que isto não é a história toda. Porque antes de fugir a senzala, de lutar com o opressor, o escravo também precisava viver e suportar a sua situação. Quer dizer que além de ser luta, a capoeira também é visto com uma forma de resistência cultural, uma expressão Afro-Brasileira que reforça a identidade e o espírito do Africano capturado, trazido para Brasil nas condições horríveis e destinado para fazer trabalhar forçado até o morte. Uma expressão cultural como a do candomblé e o samba. Expressões que ajudavam ele(a) a suportar essa condição e de não entregar a alma.

Uma resistência de alma, ou de espírito, não se faz com a violência; ela é uma resistência contra a violência física, muitas vezes por falta das outras medidas. É uma resistência do oprimido, do submetido. Então a estratégia deve ser diferente. É por isto que nesta interpretação – ou perspectiva – da capoeira, a violência é muitas vezes visto como algo alheia, algo de uma sociedade opressora que deveria se batalhar de outras formas. Algo que não deveria se copiar, para não incorporar o estado espiritual de opressor. Vem de lá a interpretação da capoeira como jogo, onde o lúdico virou um elemento muito mais importante. Porque a gargalhada desarma qualquer poder opressivo.

Os desenvolvimentos mais recentes de capoeira mostra uma flutuação entre essas duas interpretações: Quando a capoeira era mais violenta e marcial nos anos ’80 e ’90, nas últimas décadas vimos mais foco na perspectiva do jogo e o lúdico. Hoje em dia acho que podemos ver essas duas linhas de pensamento e interpretação nos vários estilos e tradições de capoeira. Sempre entrelaçadas; não há uma capoeira que é só lúdico, sem nenhum aspecto marcial, nem uma capoeira que é só de bater. Porque nos dois extremos costumamos dizer que ‘não é mais capoeira’.

Tudo bem. Mais então é isto? O estilo e a interpretação da capoeira determinam a relação com a violência dentro a capoeira? E um estilo é então quase nunca violento, e o outro quase sempre? Talvez é um pouco mais complicado que isto. Voltamos na próxima.

 


[1] Rosenberg, M.B. (2015) Non-Violent Communication: A language of life. Third Edition, Encinitas, PuddleDancer Press.

A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

Marcia Lomardo será homenageada neste sábado

Neste sábado, a partir das 16h, 23 lutas formam a segunda etapa do circuito promovido pela Associação Carioca de Boxe (ACB), na academia Vittoria Club, no Pechincha. O torneio é simples, cumpre os requesitos básicos de segurança e está na base da pirâmide de um esporte que trouxe quatro medalhas olímpicas para o país nas últimas duas edições do megaevento. No card, apenas duas lutas serão entre mulheres. Mas o que chama atenção mesmo o nome do evento: Copa Marcia Lomardo.

Poeta, avô da Maya, nascida em Niterói, criada na Zona Sul carioca, Marcia Lomardo, de 59 anos e 1,54m de altura, não se considera uma pioneira nas artes marciais, mas foi a primeira árbitra de boxe do país. Por isso, a homenagem no Pechincha. Os eventos da ACB costumam levar nomes de pessoas que foram importantes para a evolução do esporte.

A relação de Marcia com a luta, entretanto, não se limita ao boxe. Tudo começou em 1978, quando ela era uma das raras mulheres a lutar capoeira, um esporte que ainda convivia com o rótulo de marginal.

– Lembro que uma vez, eu liguei para um amigo e o pai dele atendeu. Quando disse que eu era a Marcia, da capoeira, o pai dele me censurou. Disse que era um esporte marginalizado e que eu não poderia sair falando por aí que lutava capoeira. Digo lutar porque capoeira é uma luta – diz Marcia, que até hoje pratica o esporte.

Preconceitos e rótulos não preocupam Marcia, que vê a arte marcial como uma forma de expressão corporal. Em 1979, nasceu sua filha Ananda D’Ecanio, que desde cedo já acompanhava a mãe nas rodas de capoeira. Nos anos 1980, ela ingressou no jiu jitsu. Na década seguinte, procurou o boxe inglês e acabou vendo ainda mais de perto a rixa entre academias de jiu jistu e vale tudo, que marcaram os primeiros anos de um esporte que hoje é conhecido como MMA.

– Entrei na academia do Marco Ruas. E lá ela já estava fazendo uma certa revolução no esporte. Antes, existiam desafios entre lutadores para ver qual arte marcial era a mais eficiente. O Ruas foi um dos caras que começou a ver a importância de se treinar mais de uma arte marcial para ser um lutador mais completo – lembra Marcia.

Ruas se recorda bem de sua convivência com Marcia.

– A Marcia foi uma das minha primeiras alunas. Era muito dedicada. E assim como Pedro Rizzo deu continuidade ao esporte, dando aula, formando novos alunos – conta Ruas.

DE TOQUINHO A ‘THE WAILERS’

Na academia de Ruas, Marcia acabou se destacando a ponto de virar professora depois que ele se mudou para os Estados Unidos. Com uma noção mais completa de boxe, em 1997, Marcia viu um anúncio de um curso de arbitragem. Foi quando achou que estava sendo vítima de preconceito por ser mulher pela primeira vez desde que entrou no mundo das lutas.

– Me inscrevi e nada de me chamarem. A única coisa que me vinha na cabeça é que não estavam me chamando por eu ser mulher. Nunca sofri preconceito. Vitimismo também não combina comigo, mas eu não conseguia ver qualquer outro motivo para não me chamarem além do fato de eu ser mulher. Mas aí eu fui chamada e descobri que a demora foi porque a turma demorou a se fechar, não tinha quorum – explica.

Marcia nunca lutou em competições de boxe ou vale tudo. Sua carreira como árbitra de boxe encerrou-se em 2009. Na capoeira, ela fez apresentações importantes, que incluíam até facões. Perdeu a conta de quantas vezes se apresentou em rodas de capoeiras no palco para abrir shows no Circo Voador e Fundição Progresso, em uma lista de apresentações que vai de Toquinho a “The Wailers”, a banda do Bob Marley.

ÔNIBUS 174

Durante todo esse tempo, Marcia nunca deixou de dar aulas de capoeiras. Em determinado momento, ensinou crianças e adolescentes carentes no projeto “Se essa rua fosse minha”, do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Lá, conseguiu dar momentos de alegrias a um personagem marcante da história recente da cidade.

– Tinha um menino que ficava no canto da sala, se chamava Sandro. Ele era um dos mais velhos, tinha 12 anos, mas corpo franzino, mais parecia uma criança de seis anos. Os alunos faziam bullying com ele. Era meio arredio e muito carente. Ele gostava das aulas e sempre me cumprimentava na rua. Não acreditei, quando anos mais tarde, ele sequestrou o ônibus 174 e foi morto pela polícia. Reconheci assim que a televisão mostrou o rosto dele – lembra Marcia.

Marcia e sua filha Ananda, em 2007 – Berg Silva/4-5-2007

Marcia, aos poucos, foi criando um estilo diferenciado de dar aula unindo as artes marciais que domina com meditação e arte. O método ainda não tem nome, mas é conhecido como “aula da Marcinha”. Hoje, as rodas de capoeira foram trocadas por rodas de poesia, paixão que já cultivava desde antes de começar nas lutas – suas redações costumavam ir parar no mural do colégio.

“minhas datas pessoais

nunca coincidiram

com as datas da humanidade

inclusive

nesse momento

dentro de mim é reveillon”, diz uma das poesias desta pioneira do boxe nacional. Esta e outras mais podem ser vistas em seu site: marcialomardo.blogspot.com.br/.

Cronologia de Marcia nas artes marciais:

1978 – Início na capoeira

1982 – Começou a dar aulas de capoeira

1985 – Ministrou a palestra “A Mulher na Capoeira”, Circo Voador

1989 a 1991 – fez jiu jitsi com Carlson Gracie

1992 – Início no Boxe com Marco Ruas

1993 e 1994 – Deu aulas no projeto “Se essa rua fosse minha”

1997 a 2009 – Árbitra pela Confederação Brasileira de Boxe


Fonte: O Globo – http://oglobo.globo.com/esportes

por Victor Costa

A Capoeira em Debate?

“O Capoeira, sempre de bom coração
Louva em oração, aquilo que tem amor.
Sempre louva a liberdade, a luta contra a escravidão
Mas o que é não ter correntes numa vida sem paixão”

Desde que aqui chegou o primeiro navio negreiro, houve resistências por parte dos negros trazidos da África. Desde o primeiro o dia, o primeiro momento o negro africano lutou pra se libertar. Luta cruenta e cruel, sem armas na sua defesa, perseguido como animal, só lhes restava a reação fisica, corporal. Usar suas mãos e pernas, cabeças, troncos e membros como arma na sua luta diária pela sobrevivência e na busca pela liberdade.

Assim surgiu a Capoeira. Os negros foram levados para quase todas as partes do mundo e em nenhum lugar surgiu tal arte marcial. Foi aqui onde ela nasceu e só aqui que ela adquiriu este conteúdo libertário e progressista. A história da luta pela liberdade do negro. Pelo fim da escravidão e pelo fim da opressão em todo o periodo colonial e depois até o surgimento da República, sua consolidação, passando pelo Estado Novo, é a história da Capoeira. Sua participação em vários episódios das lutas que ocorreram em nosso país tiveram destaques. Claro que na sua grande maioria foram tratadas pelos historiadores oficiais ou não, sempre de forma marginal e subliminar.

Mas estava lá ela, na guerra do Paraguai, na revolta da vacina, no surgimento da Guarda Negra. Nas revoltas do Maranhão, Pará, Pernambuco e Bahia. Nas maltas e nas resistências nas ruas do Rio de Janeiro, seja como capital federal ou seja como grande centro cultural e histórico do nosso país.

Foi criminalizada com o nascimento da República, incompreendida foi marginalizada. Entendida foi tratada com preconceito. Foi chamada de ginástica brasileira e cantada em versos e prosas. 

Presença marcante na literatura progressista checou a ser tratada como mero foclore por alguns “iluminados”. Mas a Capoeira permanece sendo um instrumento de luta que transformada em esporte tem um imenso potencial incluidor. Como cultura é parte indissoluvel do estudo e da busca do conhecimento da nossa identidade. Como elemento de composição da nação brasileira reclama seu lugar por merecimento.

Hoje busca, através de seus lideres hoje, bem mais maduros e consciente, ter o respaldo de uma lei, cujo projeto trâmita no Congresso Nacional em sua fase final.

E o que trata este PL que é motivo de polêmica e resistência de alguns? O Projeto de Lei 33/09 trata justamente de garantir em lei o direito, já apontado, corretamente no Estatuto da Igualdade Racial, sancionado pelo então Presidente Luis Inacio Lula da Silva.

O direito a que me refiro é de qualquer brasileiro poder praticar com plena liberdade a Capoeira seja ela como esporte, cultura, apresentação artistica ou uma mera vadiação. O Estado deve garantir o direito a quem quiser se profissionalizar com sua prática. Aquele que assim o quiser deverá ter este direito garantido por lei. Ainda o PL em trâmitação busca garantir o financiamento de forma democrática e regular das atividades sociais que a Capoeira e só ela, se permite fazer.

A Capoeira é um poderoso instrumento de inclusão social. Seu carater multifacetário permite que ela estimule, oriente e eduque a formação de cidadãos e cidadãs.

Incluir a Capoeira nas escolas como parte do curriculo escolar só será possível em sua plenitude quando tivermos profissionais preparados e capacitados em condições de dar aulas. É isso que prega o PL, é isso que permite o projeto.

Assim sendo cabe a Comunidade se organizar e lutar para que tal objetivo seja alcançado. Cabe a Comunidade dos Capoeiras assumir seu papel de protagonista do processo e depurar-se dos que infelizmente não acreditam no futuro.

A coexistência pacifica e harmoniosa que hoje impera entre as varias correntes que atuam na Capoeira no Brasil é a base que nos permite sonhar e ter convicção num futuro em que a exemplo do que ocorre em vários outros países do mundo, possamos ver em cada escola do nosso país, nossos filhos e netos descobrindo e aprendendo a nossa história. Entendendo e sabendo que vivemos momentos terrivéis e que a nossa luta é contra a opressão sobre nossa história, nosso passado e para que no nosso futuro, nunca mais, ninguém seja cativo de ninguém. Que ninguém seja prejudicado ou descriminado por ser diferente. Que a cor da pele não seja referência de carater e nem de indole!

Isso é o que prega e o que pensa os organizadores do 3° Congresso Nacional Unitário de Capoeira!

Axé!!

* Presidente Associação Brasil Angola (AABA); Diretor do Centro Cultural Africano (CCA); Coordenador do Congresso Nacional de Capoeira (CNC)

 

Fonte: http://www.vermelho.org.br/

“A Victoria do Jogo Brasileiro: Capoeira Versus Jiu-Jitsu”

Estávamos em 1909. A Marinha de Guerra do Brasil tinha acabado de contratar, diretamente do Japão,  um grande campeão e professor de jiu-jitsu, o Senhor Sada Miako. Foi o que bastou para despertar, em atuante grupo de acadêmicos de medicina, a idéia de um tira-teima com a capoeiragem brasileira. Apresentaram, como oponente ao japonês, o campista (Município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro), o Senhor Francisco da Silva Cyríaco, mais conhecido como Cyríaco Macaco Velho. Francisco da Silva,  mestre de vários desses universitários,  era considerado um dos maiores, senão o maior capoeira brasileiro da época.

Depois de natural relutância, autoridades (inclusive autoridades militares) e o Sr. Pachoal Segreto, proprietário-administrador do  Pavilhão Internacional, resolveram aceitar o desafio.

Em muito pouco tempo, Brasil e Japão tomaram conhecimento do resultado da luta.   Cyriaco, com surpreendente rabo-de-arraia  vencera o campeão que, perplexo, não aceitou a revanche que, ainda no tablado, lhe foi oferecida pelo capoeira.

Dentre as diversas reflexões que o episódio e os registros fotográficos sugerem, neste momento, destaco quatro:

1. Se houve  luta pública de capoeira, aprovada e presenciada por autoridades civis e militares, como continuar afirmando que a Capoeira só foi liberada (?) pelo Presidente Getúlio Vargas, décadas mais tarde,  através de decreto específico (e fantasma), logo após o presidente assistir roda exemplar?

2. A adoção de um grande capoeirista por grupo de acadêmicos de medicina, coincidência ou não, voltou a acorrer algumas décadas mais tarde, em Salvador. Talvez um grupo menor de acadêmicos, mas extremamente dedicado e competente, sendo impossível e injusto não destacar a importância de dois deles:1. O cearense José Cisnando Lima, estudioso também de  outras lutas e conhecedor, como Bimba, do precioso livro  de Annibal ZUMA Burlamaqui); e 2. Ângelo Decânio Filho, também praticante de judô, que hoje em dia, forte e atuante, no alto de seus 83 anos, é considerado a mais importante fonte de informação e intérprete da chamada Luta Regional Baiana.

3. Pelo tipo de ginga e pela  distinção dos trajes de Cyriaco realmente faz sentido considerar, como fez o Jornal do Capoeira (com muito humor), se esta não seria a linhagem do sempre elegante Mestre Leopoldina.

4. A deplorável insensibilidade crônica da grande maioria dos mestres, contramestres e pesquisadores do Rio de Janeiro para a importância da Capoeira do Rio Antigo em geral, e da capoeira de Cyriaco em particular. Pena que tenha faltado um Decânio no grupo de alunos de Cyriaco, pois, neste caso, ele não estaria tão esquecido pelos cariocas, fluminenses e brasileiros em geral (com as raras e honrosas exceções de sempre). Em que pese, é claro, o histórico movimento que fizeram os alunos de Cyriaco que culminou no confronto em tela.

A victoria do jogo brasileiro: capoeira versus jiu-jitsu

Ironicamente ouço falar mais deste passado heróico do Rio de Janeiro quando viajo. Foi o que aconteceu em visita recente a Aracaju, Sergipe (para detalhes recomendo navegada no Jornal do Capoeira, editado pelo Miltinho Astronauta), onde fui agraciado com valioso presente: um pacote de revistas antigas, publicadas no Rio, então capital federal e distribuídas por todo Brasil. Por elas, entre outras preciosidades, verifico que o famoso conjunto de fotos publicado na Revista Careta (sobre Cyriaco), foi também publicado, em várias outras. Com mais ou menos fotos.  Como está havendo crescente interesse para esta parte ainda encoberta da História da Capoeira, aproveito essa crônica para publicar uma variante do famoso conjunto de fotos feito por ocasião da histórica vitória do  Capoeira sobre o Campeão de Jiu-Jitsu:

“Cyriaco, como todos sabem, venceu em poucos minutos, no tablado do Concerto Avenida, o até então invencível Miaco, professor japonez da luta jiu-jitsu. Cyriaco, natural de bom gênio, mas destro e conhecedor de capoeiragem como poucos quis repetir a dose, no que não consentiu o japonez vencido. Isto vem provar mais uma vez as vantagens da capoeiragem como exercício, que há longo tempo preconizamos pelas columnas do Jornal do Brasil, vantagens que subiriam mais se fosse methodizado o exercício, expurgados os golpes misteriosos e mortaes”. (Revista da Semana, 30 de maio de 1909 – Domingo – Anno IX – 472)

André Luiz Lacé Lopes – Fórum Virtual – fevereiro/2006

 

 

Salvador sediará um dos maiores festivais internacionais de Capoeira

De 15 a 18 de janeiro ocorrerá na cidade da cultura afro-brasileira o IV Festival Internacional de Capoeiragem, que reunirá pessoas de mais de 15 nacionalidades.

O IV Festival Internacional de Capoeiragem, promovido pelo grupo CTE Capoeiragem, acontecerá no Forte da Capoeira – Santo Antônio, de 15 a 18 de janeiro e contará com a presença da elite mundial da capoeira. Em pleno verão da Bahia, Capoeiristas de todos os continentes se farão presentes no evento.

Educadores, estudantes, pesquisadores e adeptos da arte/luta Capoeira, vivenciarão e trocarão experiências por meio de palestras, cursos, turismo e muita festa. Serão realizadas oficinas de movimentos, percussão, música e ritmo; palestra, mesa redonda e mostra de filmes abordando a cultura, a arte e a história da capoeira. No evento terão tendas com artesanato e comidas típicas locais, além do Espaço Criança (06 a 12 anos), sendo uma das grandes novidades desta edição. No coquetel de abertura, que contará com a presença de autoridades, duas grandes personalidades serão homenageadas, Fred Abreu (in memoriam), historiador e Mestre Gigante, o Mestre mais antigo do mundo. Estas ações contribuirão para fortalecer a cultura e o turismo locais e oferecer aos participantes uma maior integração com a cidade e as pessoas reforçando o papel histórico/cultural de Salvador como centro das culturas e artes afro-brasileiras.

As inscrições acontecerão no local do evento até 30 minutos antes de iniciar as atividades do dia. As oficinas do Espaço Criança serão gratuitas e todos aqueles interessados em ver o evento terão acesso livre no local.

Este tipo de evento atrai capoeiristas do mundo inteiro, pois muitos deles têm interesse em conhecer o local e a cultura onde nasceu a capoeira e de vivenciar experiências com Mestres renomados conhecidos apenas por meio de filmes e/ou livros. A capoeira, que se expandiu nos cinco continentes e em mais de 160 países é a arte/luta/esporte que mais dissemina a cultura brasileira e a língua portuguesa, portanto é um instrumento histórico e educativo muito interessante, afirma Mestre Balão, líder do CTE Capoeiragem e responsável pelo Festival. Ele acrescenta que o objetivo do evento também é fomentar o turismo e a economia do estado incluindo uma nova ferramenta para atração de demanda turística ao calendário oficial e incluir a capoeira nos setores educacionais como atividade lúdico-educativa.

A Capoeira

A Capoeira, originária das populações afro-brasileiras, é uma arte/luta que desenvolve o aspecto psicomotor, educacional e social em todos os níveis sociais e faixas etárias. Ela é o sexto esporte mais praticado no Brasil e foi reconhecida, em 2008, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

Existem muitas academias de capoeira no exterior e uma popularização da sua música e história. Nos últimos anos, filmes, livros e documentários têm sido apresentados e divulgados com mais intensidade internacionalmente.

A Capoeira vem crescendo como elemento para o fortalecimento da cidadania dos povos do mundo inteiro com projetos que envolvem crianças e adolescentes em situação de risco. Desta forma, a arte/luta tem contribuído muito e pretende continuar ajudando na humanização dos espaços sociais em que ela se desenvolve.

 

Programação

15/01 (quarta-feira)

19h – Coquetel de abertura

16/01 (quinta-feira)

10h às 12h – Oficinas de Capoeira

15h às 18h – Oficinas de Capoeira e Samba de Roda

19h às 20:30h – Palestra “O Legado de Fred Abreu” com Carlos Eugênio L. Soares

17/01 (sexta-feira)

10h às 12h – Oficinas de Capoeira

15h às 18h – Oficinas de Capoeira e Percussão

19h às 20:30h – Mesa Redonda “O empreendedorismo na Capoeira”, com Mestres internacionais

18/01 (sábado)

9h às 12h – Tour Capoeirístico da Praça da Sé ao Santo Antônio

15h às 18:30h – Batizado, troca de graduação e formatura

20h – Festa de encerramento

Mestres Oficineiros: Mestre Lua Rasta, Mestre Olavo, Mestre Nenel, Mestre Bamba, Mestre Macaco, Mestre Balão, Mestre Papa e Mestre Dilaho | Samba de Roda: Nalvinha / Mediador da Mesa Redonda: Mestre Itapoan

Serviço: IV Festival Internacional de Capoeiragem
Data e local: 15 a 18 de janeiro, no Forte da Capoeira – Santo Antônio.
Horário: ver programação

Cartaz e Programação

Para esclarecimentos adicionais, favor contatar:

Mestre Balão – 71 9179 0025 | E-mails: mestrebalao@gmail.com

Fanpage: facebook.com/festivalinternacionaldecapoeiragem

MS: Professor de Campo Grande ensina a capoeira em projeto comunitário

Professor de Campo Grande ensina a capoeira em projeto comunitário

Por meio da luta, capoeirista superou infância difícil.

Josimar de Araújo começou a dar aulas de capoeira aos 16 anos. A luta o fez superar uma infância difícil e agora, aos 37 anos, tenta devolver à comunidade, por meio de projetos sociais, os benefícios que o esporte trouxe para ele. Além do trabalho comunitário, desenvolveu ainda técnicas para ensinar a modalidade a pessoas com deficiência.

Campanhas, projetos e ações solidárias como essa são tema de uma série que está sendo exibida durante a semana pela TV Morena. Um assunto comum que inspira nessa época de Natal: a generosidade. Exemplos de quem ajuda pedindo nada em troca.

O resultado de anos de trabalho em prol do próximo foi colocado em um livro publicado em mais de 20 países. “Chega em uma quadra como essa, você não vê quem é rico ou quem é pobre, quem tem dinheiro e quem não tem. Vê um monte de gente de abadá, com a corda na cintura e descalço”, fala o professor.

E quem participa das ações desenvolvidas por Josimar sabe bem sobre a importância da capoeira.

Adelaide Negrão, por exemplo, perdeu a visão na infância por conta de um erro médico. Hoje, aos 59 anos, pratica o esporte com o professor há sete anos.”Através da capoeira eu consegui me libertar, tanto para falar, como para agir. Adquiri uma confiança muito grande”, diz.

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul

Grupo “Capoeira Vip” convida cuiabanos para evento no colégio Presidente Médici

Fim de tarde. Pessoas saindo do trabalho, trânsito frenético, pontos de ônibus lotados, a cidade iluminada apenas pelos postes de luz. E em frente ao Colégio Presidente Médici, um tipo de rotina peculiar se desenvolve por volta deste horário.

Jovens, adultos, senhores, todos em frente à construção histórica andam de um lado para o outro ou ficam em rodas e grupos, seja esperando o transporte público, indo para casa, matando o tempo até uma apresentação ou participando do que podemos chamar de festa particular no posto do outro lado da rua. Mas no espaço redondo próximo a estrutura metálica precária que usamos como ponto de ônibus, um grupo com calças brancas, tocando berimbau, faz um tipo de dança, um tipo de luta, uma confraternização.

É o grupo “Capoeira Vip”, que em roda e cantando, praticam os movimentos harmônicos e sincronizados da capoeira. O que começou como uma arte própria dos descendentes de escravo agora convida a todos, independente de cor, classe ou ascendência para a sétima edição do “Fest Capoeira Vip”.

Neste sábado (23), com a presença de mestres que alcançaram a fama internacional, como Moreno e Juju, o grupo fará apresentações durante o dia todo, começando às 8h, no mesmo colégio onde praticam a capoeira. O evento também inclui oficinas sobre movimento e musicalidade da capoeira.

No período da tarde, com início às 15 horas, haverá show de maculelê, dança afro, dobradinha de berimbau com viola de cocho, roda de apresentações dos mestres de capoeira, formaturas e batizados.

O organizador do festival, professor Visk, acredita que a capoeira é uma arte que forma cidadãos e que hoje alcança todas as classes sociais. “Os festivais proporcionam maior credibilidade aos participantes da arte capoeira, mostrando ao público o passado, o presente e o futuro”, destaca.

A origem da capoeira

No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação das jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n’golo (que significa “zebra” nalíngua quimbunda). 

Dentro da cerimônia, os homens disputavam uma competição de luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. 

Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, esta modalidade de luta foi trazida, através do porto de Benguela, para a América, especialmente para o Brasil, onde se fixou a maior parte dos escravos africanos trazidos à América.
No Brasil, assim como no restante da América, os escravos africanos eram submetidos a um regime de trabalho forçado. Eram também forçados à adoção da língua portuguesa e da religião católica.

Como expressão da revolta contra o tratamento violento a que eram submetidos, os escravos passaram a praticar a luta tradicional do sul de Angola nos terrenos de mata mais rala conhecidos como “capoeiras” (termo que vem do tupi kapu’era, que significa “mata que foi”, se referindo aos trechos de mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para as plantações dos índios).

A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática.

Serviço

Fest Capoeira Vip
Local: Colégio Presidente Médici
Horário: A partir das 8h
Data: Sábado (23)
Entrada: 3Kg de alimentos não perecíveis.

 

http://www.olhardireto.com.br

Acre: Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Acreana que se destaca pela beleza é apaixonada pelo ringues e pela passarela. Conheça a musa do MMA acreano: Thayrine Mello, 19 anos

A atleta ressalta que no início teve dificuldades em ajustar os horários e o cansaço físico, mas os benefícios trazidos pelo esporte a fizeram superar os obstáculos. Para a acadêmica de direito, os três tipos de luta se complementam.

A beleza é o principal atributo, mas ela chama atenção mesmo é pela versatilidade no esporte. A acreana Thayrine Mello, de 19 anos, adiou suas competições no MMA, mas continua apaixonada por lutas. Agora, além do boxe, ela pratica capoeira e kung fu, em Rio Branco. O que começou por diversão virou vício. Sete meses após a estreia nos ringes, a bela jovem concilia os treinos das três modalidades, os estudos e a profissão de modelo.

VEJA ENSAIO FOTÓGRAFICO COM A MUSA DO MMA ACREANO!

– No começo foi difícil, mas com o tempo meu corpo se adaptou. Sou apaixonada pelo boxe, é meu preferido, ele me deu postura e defesa e isso ajudou nas outras modalidades. O kung fu me deu mais concentração. Surpreendeu-me. É uma arte aparentemente fácil, mas todos os movimentos são calculados e exigem muita força e resistência – explica.

Thayrine reconhece o valor da arte no esporte e define a importância da capoeira no seu dia a dia: uma mistura de todos os movimentos que pratica no boxe e no kung fu, com uma pitada a mais de ritmo e agilidade.

– A capoeira faz parte da cultura brasileira. Além de mesclar todas as artes é uma luta mais completa, mais artística, porque envolve um ritmo, uma dança, além de toda energia que existe nas rodas – frisa.

Pausa nos ringues

Thayrine estreou no MMA em abril deste ano contra a boliviana Miliane. Mas com apenas três meses de treino, a atleta perdeu o duelo. Apesar da derrota, ela destaca que a luta representa uma vitória pessoal.

– Lutei comigo mesma e contra o cansaço. Foi difícil, mas desci com a sensação de trabalho cumprido, com pouco tempo treinando, perdi por pontuação no ultimo Fight para alguém bem mais experiente.  Quando minha adversária me deu o primeiro knock down, logo no final do segundo Fight, meu corpo pedia para parar, mas não ia desistir, eu queria lutar até o fim – lembra.

A modelo afirma que a falta de tempo para treinar  para as competições adiou seu sonho de lutar profissionalmente. No entanto, a atleta  faz planos para voltar às disputas estaduais e destaca o aprendizado que obteve quando enfrentou a rival.

-No momento, não tenho condições de treinar para competir. Ano que vem talvez eu arrisque. Tirei uma grande lição da luta, adquiri mais disciplina e aprendi que derrotas também são necessárias. Foi um grande desafio absolver, mas teve grande importância no meu crescimento na arte – conclui.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse

Fortaleza: Guardas Municipais recebem aulas de capoeira e técnicas de defesa pessoal

Aumentar a sensação de segurança da população nos equipamentos públicos municipais. Com esse objetivo, a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec) ministra aulas com técnicas de defesa pessoal para as guardas municipais. O curso, Defesa Pessoal com Manuseio de Tonfa para Mulheres, receberá a Escola de Capoeira Fortaleza, nesta sexta-feira (19), das 9h30 às 11 horas. O encontro ocorrerá no jardim da instituição.

A aula contará com a participação de 15 integrantes da Escola de Capoeira Fortaleza. Atabaque, berimbau e pandeiro farão a percussão e emprestarão ritmo ao encontro. Márcio Wagner Mesquita de Paulo, contra-mestre da Escola, explica que a Capoeira aumenta a autoconfiança, o equilíbrio, a coordenação motora e a agilidade na resposta a ataques. “As técnicas reúnem golpes como Vingativa, Tesoura, Pisão e Martelo, que são muito eficientes para serem aplicados por mulheres, por serem contundentes e atingirem diversos pontos do corpo, em uma luta”, ressalta Wagner, conhecido na capoeira como Tropeço.

Cerca de 30 mulheres, incluindo integrantes de Guardas Municipais da Região Metropolitana de Fortaleza, participam do curso, que ocorre de 15 de julho a 9 de agosto, às segundas, quartas e sextas-feiras. As aulas incluem, além da Capoeira, técnicas de imobilização com a tonfa (cassetete), Muay Thai, Judô, Krav Magá, Luta Olímpica, Karatê e Hapkido. A coordenadora do curso, Denice Braga, é guarda municipal, faixa preta em Hapkido e instrutora Nível 2 de tonfa.

 

http://www.fortaleza.ce.gov.br