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Nota de Falecimento: Mestre Peixinho – Senzala

“Mestre Peixinho: Agora uma Lenda”

Até assim ele foi capoeira, nos deu uma” finta” do seu golpe no dia 15-05-2011, quando da primeira noticia, mas desferiu seu  golpe mortal em todos nós capoeiras, amigos e irmão , nesta madrugada do dia 16-05-2011.

A capoeira chora: Mestre Peixinho, nosso camarada, passa para o plano astral se consagrando definitivamente  uma ESTRELA.

Nosso camarada, ele que sempre conseguiu transitar num mundo de luta sem criar inimigos… com seu jeito de jogar a capoeira técnicamente perfeito, capaz de superar sempre a violência.

Há apenas dois dias num telefonema meu, tive como retorno, uma receptividade de quem sabia dar a volta do mundo na doença que o acomedia.

Mas esse tal de câncer, consegue separar para sempre, Mestre de alunos, amigo de amigo, irmão de irmão.

Agora meu irmão, você tem a grande chance de jogar uma capoeira de alto astral, com mestre Bimba, mestre Pastinha e muitos outros que são iluminados por essa luz que nós mortais chamamos de “ESTRELA”.

Boa viagem meu irmão,  abraços, axé e Salve.

 

Mestre Peixinho nasceu em Vitória, Espírito Santo, em 1947. Iniciou a capoeira em 1964, entrando para o grupo que veio a ser denominado Grupo Senzala, em 1965, sendo um de seus fundadores. Participou do torneio Berimbau de Ouro em 1967, 1968 e 1969. Ministrou aulas de capoeira na UFRJ de 1973 a 1980, na UERJ de 1979 a 1983. Participou de exibições e shows no teatro Municipal (1971) e Sala Cecília Meireles (1969), Festival Internacional na Ilha de Reunion (1977), Projeto Brasil em Preto e Branco, durante seis meses na Europa, em 1987, organizador dos primeiros encontros europeus de capoeira a partir de 1987 e dos Encontros Escandinavos de Capoeira, a partir de 1990.

Mestre Peixinho coordenava um extenso grupo de professores que ensinam em diversas cidades brasileiras, européias e americanas do norte.

 

O Grupo Senzala constituiu-se nos anos sessenta. Cresceu procurando aperfeiçoar-se por meio de contactos com outros capoeiristas, através do treinamento intensivo e na procura dos fundamentos com a “Velha Guarda da Capoeira”, passando vários períodos em Salvador, Bahia.Foi em 1967, que o grupo à procura de outras experiências, se inscreveu no torneio “Berimbau de Ouro”. Para surpresa geral, venceu o torneio, e repetiu o feito por três anos consecutivos. Além de maturidade, ganhou o respeito e destaque nacionais ( Brasileiros ). Mais tarde, o grupo descentralizou-se, com seus membros ensinando em diferentes clubes, academias e universidades, e a reunir-se aquando da formação de novos ‘Mestres” e graduação de alunos.Actualmente, está representado em todo o Brasil e em muitos outros países e apesar de ter tido milhares de alunos durante esse período, formou pouco mais de dez “Mestres”. É esta exigêcia de qualidade e nível técnico, aliada à dedicação consciência dos valores históricos da Capoeira que tem feito e mantido o nome “Senzala”, como grande referência no Brasil e em todo Mundo.

 

Nos do Portal Capoeira assim como toda a comunidade capoeirística deseja a toda a família “Peixinho” e a todos os amigos e parceiros do Grupo Senzala muita força e harmonia para superar este momento tão delicado…

Desejamos paz e muita luz para este grande homem e capoeira: Mestre Peixinho

Homenagem: O céu esta mais cheio de Luz!

O céu esta mais cheio de Luz!
(por Robson de Almeida, formado Leopardo)
Cheguei as 5h da manhã. Estava fotografando uma festa de Debutante, na Faria Lima, em SP.

O cansaço me consumia e em pouquíssimos minutos já estava em um sono profundo.

As 11h24 acordo com o toque do meu celular. Assustado, olhei no visor e vi que era uma ligação da Marinheira, grande amiga e irmã de capoeira.

Há aproximadamente dez dias o Mestre Carapau, meu primeiro Mestre de Capoeira, a quem devo boa parte da minha jornada como praticante desta arte, teve um agravamento muito forte de sua saúde. Afligido pela Diabetes e com os dois rins sem funcionar, além de diversas outras enfermidades e circunstâncias adversas, o Mestre Carapau foi internado e entrou em coma. Passados alguns dias ele saiu do coma por si só, porém teve que ser induzido novamente para que pudesse dar continuidade ao tratamento necessário.

Mediante a situação em que se encontrava, os temores de uma notícia pior começaram a rondar a todos. Uma onda de fé e energia positiva tomou conta daqueles que o conheciam, mas não se pode negar que um sinal de alerta passou a rondar nossas vidas.

Enfim, foi hoje, ao receber o telefonema da Marinheira, que soube da triste notícia. Mestre Carapau partira, por conta de uma parada cardíaca e de morte cerebral.

Nosso Mestre Maior, “um grande capoeira”, se foi na madrugada do dia 12 para o dia 13 de março de 2010.

José Paulo Dias Carapau, Mestre Carapau como era conhecido, nasceu em 12 de fevereiro de 1948, só sendo registrado no mesmo dia de 1951, na cidade de Porto Ferreira, SP.

Iniciou sua vida nos esportes com seis anos de idade, treinando Judô, arte na qual seguiu até a faixa preta, segundo dan, e leciou no período de 1965 a 1970. Um aluno de Judô, o “baianinho”, capoeirista discipulo do mestre Traíra, o apresentou a capoeira, e foi ai que tudo começou.

Mestre Carapau iniciou suas aulas de capoeira com Antônio Gonçalves de Mello, o Mestre Mello, em Porto Ferreira mesmo, e foi lá que treinou, ajudou o Mestre Mello a dar aulas, se formou e, em 5 de abril de 1975 fundou o Grupo de Capoeira Angolinha.

Em 28 de fevereiro de 1980, o Mestre Carapau fundou a Academia Sindicato dos Eletricitários, em São Paulo.

Mestre Carapau foi um dos precursores da Capoeira no ABC Paulista. Foi secretário e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Paulista de Capoeira. Criou normas, regulou campeonatos, festivais e representou a capoeira paulista, assim como a do Grupo Angolinha de Capoeira, em diversas oportunidades, sempre com vigor, astúcia e determinação.

Mestre Carapau é um daqueles homens que não mediu esforços para ver um sonho de honestidade e honra ser realizado. Muitas vezes tirou da própria família para ajudar irmãos de capoeira. Em outras foi duro, rígido, porém consciente de que aquele era o caminho necessário para que o respeito fosse a pedra fundamental de um sonho que nasceu com seu Mestre, o Mestre Mello, mas que se tornou sua luta, seu objetivo de vida.

Mestre Carapau é um daqueles homens que merecem ter ladainhos contando suas paripécias, ter homenagens em títulos de eventos, ter seu nome resguardado como tantos já passados pela história dessa arte libertadora.

Mestre Carapau é como um ícone na Capoeira. Triste daquele que não sabe de sua idônea história. Feliz daquele que teve o prazer de conhecer um homem de tamanha luz, um verdadeiro guerreiro.

A comunidade capoeira, em especial o Grupo Angolinha e principalmente a Assossiação de Capoeira Angolinha – Rudge Ramos, chora sua ida, porém tem o orgulho de dizer que em nossa luta houve um guerreiro de tamanha sabedoria e coragem, um homem-mito, que fez história e agora será uma lenda.

Salve Mestre Carapau. Que em sua nova morada o senhor tenha a oportunidade de rever e reviver momentos memoráveis de sua vida, encontrar certos “mandioquinhas” e proliferar seus “ditos pirulitus”.

“Eu até chorei, quando vieram me avisar…..”

Fonte: http://cidadaoeu.blogspot.com/2010/03/obrigado-mestre.html

4º Mundial Muzenza de Capoeira, Lançamento de Livros e Palestras

O Grupo Muzenza estará lançando no 4º Mundial Muzenza Aberto de Capoeira na cidade de Saquarema – RJ  os Livros:
 
1 – Os Benefícios Psicofisiológico da Capoeira – Autora Professora Criança – RJ
2 – Manual Educacional de Capoeira – Professor Fabinho – Espanha Muzenza
3 – DVD Muzenza no Mundo série 1 – Autor Mestre Burguês.
E haverá também as seguintes palestras :
 
  • Historiador Carlos Eugênio com o tema \" A Capoeira no Rio de Janeiro \".
  • Palestra com Dr. Odilon Góes com o Tema \" A Capoeira a Luz do Direito Desportivo\" ( Lei e incentivo Fiscal nº 9715/98.
Atenciosamente Conto com a Presença de todos. Mestre Burguês

www.mundialmuzenza2007.com.br

Mestra Cigana: “Feliz Natal de Luz a todos!”

Quero falar do real significado deste momento de amor, compaixão e paz.

Vou escolher meus presentes de maneira diferente.

Vou lembrar de todas as pessoas que um dia já passaram pela minha vida e mandarei a elas uma mensagem com meu profundo amor.

Lembrarei a todos do poder real que temos. Poder de escolher, de criar, de manifestar nossa divindade. O primeiro é de fazer parte de um enorme grupo e circundar o mundo num abraço de Luz, envolvendo a todos indistintamente numa energia vibrante, brilhante, que carregará afeto e alegria verdadeiras a todos nossos irmãos e irmãs, sobretudo aos que estiverem sozinhos, cansados e deprimidos.

Ninguém estará ou se sentirá sozinho se conseguir se conectar com esta Luz que irá emanar dos corações de tantos e tantos seres humanos despertos, abertos e cada vez mais conscientes da Unidade, do Amor Incondicional e da urgente necessidade de paz. Paz em todos os corações, a começar pelo nosso, que poderá estar mais capaz – dia após dia, de romper barreiras, de gerar tréguas cada vez mais longas e por todo lado, a começar pelo nosso núcleo familiar e de relacionamentos, se espalhando como semente poderosa por toda a Terra.

Este ano quero convidar a todos a fazerem este pensamento de amor. Mesmo que seja por apenas alguns minutos. Façam com intenção, lembrando sempre que o amor que mandamos aos outros, enche primeiro o nosso coração!

Que neste Natal nossos presentes sejam para a Alma.

Que se multipliquem ao infinito os abraços, os sorrisos, os perdões, os carinhos, os beijos, enfim, todos os gestos de boa vontade e que este abraço de Luz se torne a grande e verdadeira corrente do bem.

Que possamos lembrar de manter esta conexão de Luz a cada dia, com clareza e perseverança. Com ardor e humildade. Que façamos desta aliança na Luz nossa sintonia constante, para que o Natal se torne presente permanente em nós e à nossa volta, se manifestando em todos os corações todos os dias de nossa vida.

Feliz Natal de Luz a todos!

Mestra Cigana, iê!

CD Boa voz Vol 2

Lançamento de qualidade!!!
CD Boa voz Vol 2
Músicas:
01 – Lenda viva
02 – Lamento do berimbau
03 – Livre arbítrio
04 – Pau que nasce torto (papagaio velho)
05 – Peleja de riachão
06 – O sabiá
07 – Berimbau viola
08 – Vadiação
09 – Baleiro
10 – Coisa mandada
11 – Acende a luz
12 – Mundo enganador
13 – Graúna
14 – Eu vi relampear
15 – A moça do sobrado
16 – A carta de besouro
17 – Abalou cachoeira

LEI ÁUREA

"Lei 3.353 de 13 de Maio de 1888 Declara Extinta A Escravidão no Brasil".

A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Magestade o Imperador, o senhor D. Pedro II faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

Art 1o – É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art 2o – Revogam-se as disposições em contrário.

Manda portanto a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário de Estado dos Negócios da Arquitetura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Magestada o Imperador, a faça imprimir e correr.

Dada no palácio do Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1888, 67 da Independência e do Império. Princesa Regente Imperial – Rodrigo Augusto da Silva.

Desde 1 hora da tarde de anteontem começou a afluir no Arsenal da Marinha da corte grande número de senhoras e cavalheiros que ali iam esperar a chegada de Sua Alteza a Princesa Imperial Regente.

As 2 horas e 3/4 da tarde chegou a galeota imperial trazendo a seu bordo Sua Alteza a Princesa Regente acompanhada de seu augusto esposo Sua Alteza o Sr. Conde d’Eu, general Miranda Reis, e chefe de divisão João Mendes Salgado e dos ministros de agricultura e império.

Sua Alteza trajava um vestido de sêda cor de pérolas, guarneado de rendas valencianas. Ao saltar no Arsenal foi Sua Alteza vistoriada pelas senhoras que ali se achavam, erguendo-se vivas a Sua Alteza e a Sua Magestade o Imperador.

Às 2 1/2 horas da tarde já era difícil atravessar-se o perímetro compreendido nas proximidades do paço da cidade. Calculamos para mais de 10.000 o número de cidadãos, que ali aguardavam a chegada de Sua Alteza Princesa Regente. (…)

Pouco antes das 3 horas da tarde, anunciada a chegada de Sua Alteza por entusiasmáticos gritos do povo, que em delírio a aclamava, abrindo alas, ministério, camaristas e damas do paço vieram recebê-la à porta.

Acompanhada de seu augusto esposo, subiu a princesa, tendo formado alas na sacada grande número de senhoras que atiravam flores sobre a excelsa Regente.

Em seguida a comissão do senado fez a sua entrada na sala do trono para apresentar a Sua Alteza os autógrafos da lei. Nesta raia acham-se à direita do trono ministros e à esquerda os semanários e damas do paço. A comissão colocou-se em frente ao trono, junto ao qual estava Sua Alteza, de pé, então o sr. Senador Dantas, relator da comissão, depois de proferir algumas palavras, entregou os autógrafos ao presidente do conselho, para que este, por sua vez, os entregasse a Sua Alteza.

O sr. ministro da agricultura, depois de traçar por baixo dos autógrafos o seguinte: – Princesa Imperial Regente em nome de S.M. o Imperador, consente – entregou-os a Sua Alteza que os assinou bem como o decreto, servindo-se da riquíssima e delicada pena de ouro que lhe foi oferecida.

O povo que se aglomerava em frente do paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas. (…)"
Gazeta da Tarde, 15 de maio de 1888.

"Durante o dia e a noite de ontem continuavam cheios de animação as festas comemorativas da liberdade nacional. A rua do Ouvidor, constantemente cheia de povo, apresentava o belo aspecto dos grandes dias fluminenses. As casas marginais primorosamente ornamentadas estavam repletas de senhoras. De tempos em tempos, aqui, alí, acorria um viva aos heróis da abolição cortava os ares estridentes.

De ocasiões em ocasiões, um prestito passava saudando as redações dos diversos jornais. Geral o contentamento, enfim, transbordando da grande alma popular, que andava cantando a epopéia homerica da redenção."
Cidade do Rio, 18 de maio de 1888.

"A sessão do senado foi das mais imponentes e solenes que se tem visto. Antes de abrir-se a sessão, o povo que cercava todo o edifício, com justificada avidez de assistir ao que ali se ia passar, invadiu os corredores e recintos da câmara vitalícia.

As galerias, ocupadas por senhoras, davam um aspecto novo e entusiasmático ao senado, onde reina a calma imperturbável da experiencia.

Ao terminar o seu discurso, o senador Correia, que se congratulou com o país pela passagem do projeto, teve uma ovação por parte do povo.

Apenas o senado aprovou quase unanimemente o projeto, irrompeu uma salva prolongada de palmas, e vivas e saudações foram levantadas ao senado, ao gabinete 10 de março, à absolvição, aos senadores abolicionistas e a S.A. Imperial Regente.

Sobre os senadores caiu nessa ocasião uma chuva de flores, que cobriu completamente o tapete; foram saltados muitos passarinhos e pombas. (…)
Gazeta de Notícias, 14 de maio de 1888.

"Continuavam ontem com extraordinária animação os festejos populares. Ondas de povo percorriam a rua do Ouvidor e outras ruas e praças, em todas as direções, manifestando por explosões do mais vivo contentamento o seu entusiasmo pela promulgação da gloriosa lei que, extingüindo o elemento servil, assinalou o começo de uma nova era de grandeza, de paz e de prosperidade para o império brasileiro. (…) Em cada frase pronunciada acerca do faustoso acontecimento traduzia-se o mais alto sentimento patriótico, e parecia que vinham ela do coração, reverberações de luz.

Mal podemos descrever o que vimos. Tão imponente, tão deslumbrante e magestoso é o belíssimo quado de um povo agitado pela febre do patriotismo, que só d’ele poderá fazer idéia quem o viu, como nós vimos. Afigura-se-nos que raríssimas são as histórias das nações os fatos comemorados pelo povo com tanta alegria, com tanto entusiasmo, como o da promulgação da gloriosa lei de 13 de maio de 1888." – Gazeta de Notícias, 15 de maio de 1888.
"Carbonário – Rio 14 de maio de 1888 : –

Coube ainda a muito dos descrentes desta reforma vê-la realizada em nossos dias. Daí essa alegria imensa, maior mesmo do que era dado esperar, de fato tão auspicioso. Maior, porque a alegria de nossa população é tão sincera, que não tem dado lugar a mais leves exprobação ao povo em sua expansão. Muitos eram os que desejavam de coração, ardentemente, anciosamente, mas não supunham vê-la tão cedo realizada. Foi talvez a isso devido a expansão relativamente acanhada do primeiro momento da lei. O golpe era muito profundo, a transformação era tão grande como se fosse um renovamento da sociedade.

Hoje como que nos sentimos em uma pátria nova, respirando um ambiente mais puro, lobrigando mais vastos horizontes. O futuro além se nos mostra risonho e como que nos acena para um abraço de grandezas.

Nós caminhavamos para a luz, através de uma sombra enorme e densa, projetada por essa assombrosa barreira colocada em meio da estrada que trilhavamos – a escravidão. Para que sobre nós se projetasse um pouco dessa luz interna, que se derrama pelas nações cultas, era preciso que essa barreira caisse.

Então, apareceram para a grande derrubada os operários do bem – uns fortes operários, no parlamento e nas associações ateram ombros à assombrosa derrubada. E venceram! Foi ontem! Quando a grande barreira monstruosa da escravidão desabou e caiu, sentiu-se a projeção de uma luz, que nos ilumina. Ficamos atônitos, deslumbrados, como se saissemos de um recinto de trevas para um campo de luz. Bem hajam os que tanto trabalharam por essa grande lei! Não se poderia descrever o entusiasmo do povo desde o momento da promulgação da lei. A cidade vestiu-se de galas, o povo encheu-se goso, o governo cobriu-se de glória!

Nas casas, como nas ruas, a alegria tem sido imensa, indizível, franca e cordeal. Nenhum festejo organizado, nenhuma estudada e falsa manifestação de regozijo; de cada peito rompe um brado, de cada canto surge um homem, de cada homem sai um entusista. E por toda a parte o regozijo é o mesmo, imenso, impossível de descrever.

É que a felicidade que rebentou nesse dia imensamente grande, que completou para o Brasil a obra da sua independência real, é do tamanho de muitos anos de escravidão.

Devia ter sido assim tão grande, tão santa, tão bela, a alegria do povo hebreu quando para além das margens do Jordão, perdida nas névoas do caminho à terra do martírio, ele pôde dizer ao descansar da fuga:

– Enfim, estamos livres, e no seio de Abraham!

Tanto podem hoje dizer os ex-escravos do Brasil, que longe do cativeiro, encontram-se finalmente no seio de irmãos.

Grande e santo dia esse em que se fez a liberdade da nossa pátria!
O Carbonário, 16 de maio de 1888.

"Está extinta a escravidão no Brasil. Desde ontem, 13 de maio de 1888, entramos para a comunhão dos povos livres. Está apagada a nódoa da nossa pátria. Já não fazemos exceção no mundo.

Por uma série de circunstâncias felizes fizemos em uma semana uma lei que em outros países levaria nos. Fizemos sem demora e sem uma gota de sangue. (…)

Para o grande resultado de ontem concorreram todas as classes da comunhão social, todos os partidos, todos os centros de atividade intelectual, moral, social do país.

A glória mais pura da abolição ficará de certo pertencendo ao movimento abolicionista, cuja história não é este o momento de escrever, mas que libertou províncias sem lei, converteu ambos os partidos à sua idéia, deu homens de Estado a ambos eles e nunca de outra coisa se preocupou senão dos escravos, inundando de luz a consciência nacional.(…)"

"Em todos os pontos do império repercutiu agradavelmente a notícia da promulgação e sanção da lei que extingüiu no Brasil a escravidão. Durante a tarde e a noite de ontem fomos obsequiados com telegramas de congratulações em número avultado e é com prazer que publicamos todas essas felicitações, que exprimem o júbilo nacional pela áurea lei que destruiu os velhos moldes da sociedade brasileira e passou a ser a página mais gloriosa da legislação pátria."

"O júbilo popular explodiu ontem como bem poucas vezes temos presenciado. Nenhum coração saberia conter a onda entusiasmo que o inundava, altaneira, grandiosa, efervescente.

Desde pela manhã, o grande acontecimento, que será sempre o maior da história brasileira, agitava as massas e as ruas centrais da cidade e imediações do senado e paço imperial tinham festivo aspecto, constante e crescente movimento de povo, expansivo, radiante. Era finalmente chegado de atingir-se ao termo da grande conquista, campanha renhida, luta porfiada, sem tréguas, em que a parte honesta da população de todo o império se tinha empenhado desde há dez anos.O decreto da abolição tinha de ser assinado e para isso reuniu-se o senado extraordinariamente. (…)

É inútil dizer que no rosto de toda gente transparecia a alegria franca, a boa alegria com que o patriota dá mais um passo para o progresso da sua pátria. Fora como dentro o povo agitava-se irrequieto, em ondas movediças, à espera do momento em que se declarasse que apenas faltava a assinatura da princesa regente para que o escravo tivesse desaparecido do Brasil. (…)

Logo que se publicou a notícia da assinatura do decreto, as bandas de música estacionadas em frente ao palácio executaram o hino nacional, e as manifestações festivas mais se acentuaram prolongando-se até a noite. O entusiamo popular cresceu e avigorou-se rapidamente, e a instâncias do povo Sua Alteza a Princesa Imperial assomou a uma das janelas do palácio, em meio de ruídos e unânime saudação de mais de 10.000 pessoas que enchiam a praça D. Pedro II . (…)" –
O Paiz, 14 de maio de 1888.

"No meio do entusiasmo do povo pelo sucesso do dia, revelava a multidão a sincera satisfação pelas boas notícias que se haviam recebido acerca do estado de Sua Magestade o Imperador. O povo brasileiro não podia esquecer, nessa hora em que o pátria festejava a iniciação de uma nova era social, que em país estrangeiro estava enfermo o seu Monarca, aquele que, verdadeiramente dedicado aos interesses nacionais, tem o seu nome inscrito nos fatos da história do progresso do Brasil. (…)" –
Diário de Notícias, 14 de maio de 1888.

"Continuaram ontem os festejos em regozijo pela passagem da lei áurea da extinção da escravidão. A rua do Ouvidor esteve cheia de povo todo o dia e durante uma grande parte da noite, sendo impossível quase transitar-se por esta rua.

Passaram encorporados os estudantes da Escola Politécnica, os empregados da câmara municipal e o Club Abrahão Lincoln, composto de empregados da estrada de ferro D. Pedro II, todos acompanhados de bandas de música.

Uma comissão desta última sociedade, composta dos Srs. Henrique do Carmo, Lourenço Viana, Bartolomeu Castro e Eduardo Dias de Moura, subiu ao nosso escritório, sendo nessa ocasião abraçada pela redação. (…)"

"O tribunal do juri, ontem, manifestou de maneira eloqüente que também se associava no regozijo geral pela extinção da escravidão. (…)

Os empregados e despachantes da câmara municipal organizaram ontem uma esplêndida e estrondosa manifestação aos vereadores, em regozijo à extinção total dos escravisados no Brasil.

À 1 hora da tarde mais ou menos, achando-se presentes todos os srs. vereadores, penetraram os manifestantes na sala das sessões, precedidos pela banda de música do 1o batalhão de infanteria. (…)" –
O Paiz, 15 de maio de 1888
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Fonte: www.escoladeartecapoeira.com.br

"Lei 3.353 de 13 de Maio de 1888 Declara Extinta A Escravidão no Brasil".