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Taís Araújo tem aulas de capoeira com mestre de Lázaro Ramos

Para viver a golpista Sheila no seriado “O Dentista Mascarado”, Taís Araújo recorreu à capoeira. A revelação foi feita pela atriz durante coletiva para apresentar o seriado realizada nesta segunda (18) em um hotel na zona sul do Rio.

“O seriado tem muitas cenas de ação e sento necessidade de ter um melhor condicionamento físico”, contou Taís, que tem feito aulas com o mesmo professor que treinou o marido, Lázaro Ramos, para a novela “Lado a Lado”. Na trama o ator interpretou o capoeirista Zé Maria.

“Eu já havia feito capoeira quando fiz a Preta de ‘Da Cor do Pecado’. Está sendo ótimo”, frisou a atriz, que abriu mão das férias de três meses pelo seriado.

“Tinha planejado viajar com o Lázaro e o João, mas não consegui recusar esse trabalho. O texto é maravilhoso e o elenco incrível. É também uma coisa nova na minha carreira”, opinou ela referindo-se a fazer parte de uma série cômica.

“Lázaro é um grande parceiro e entendeu que era importante para mim”, disse Taís quando indagada se o parceiro não ficou decepcionado em adiar a viagem.

Sobre o filho, João Vicente, ela garantiu que o menino é “levado” e que tem tido tempo para acompanhar todo seu desenvolvimento.

“Ele já fala e é uma graça. Ainda não colocamos ele na escola, mas tenho tempo para ficar com ele, em um seriado gravamos menos”, explicou a atriz que afirmou que a mudança de visual não confundiu o filho.

“João já é um bofe, nem repara nessas coisas de cabelo. Cheguei em casa depois de ter cortado e ele me pegou na mão e me levou ao quarto dele como se nada tivesse acontecido”, relembrou Taís aos risos.

“O Dentista Mascarado” é escrito por Alexandre Machado e Fernanda Young e tem direção de José Alvarenga. A estreia acontece no dia 5 de abril.

 

Fonte: http://celebridades.uol.com.br

Nestor capoeira: Encontros com grandes mestres – Caiçaras e Canjiquinha

Meu encontro com mestre Caiçaras

Mas nem tudo era “academicismo” entre os mestres mais reconhecidos de Salvador.  É verdade que os “valentões” e os “disordeiros”, os “bambas da era de 1922”, tinham sido desbancados pelos “educadores” como mestre Bimba, seguido de vários outros, entre os quais o famoso mestre Pastinha.Mas os disordeiros não partiram sem deixar herdeiros que eram encontrados nas ruas, no Mercado Modelo, etc.  O mais famoso entre eles era Mestre Caiçaras (Antonio Conceição Moraes, 1923-1997), “o dono da capoeira de rua”, com sua impressionante voz, grave e profunda.

O vozeirão de Caiçaras ressoava como o dos possantes cantores de ópera; tanto pelo volume, quanto pela afinação, e também por um natural e sadio exibicionismo.  Na música brasileira, seria o equivalente de um Orlando Silva – “o cantor das multidões” -, um Cauby Peixoto, ou um Nelson Gonçalves, que dominaram o cenário da música e do rádio com seus vozeirões, até aproximadamente 1960, quando foram finalmente destronados pela Bossa Nova com seus cantores de voz baixinha, suave e “intimista” como João Gilberto, Nara Leão, Tom Jobin, Vinicius de Moraes, etc. -, todos influencidos pelo jazz norte-americano e seus cantores cool, tipo Chet Baker. 
Mas Caiçaras não era apenas um falastrão cheio  de presepadas e (o que soava como) lorotas (aos ouvidos do iniciante): levantava sua camisa e mostrava a marca dos tiros,  das facadas, das navalhadas; cada uma com sua história, que ele contava de bom grado se o convidassem para beber uma cerveja gelada acompanhada de cachaça e tira-gosto.  Alem disso, no candomblé não se brincava com ele. As múltiplas e vistosas guias que adornavam seu pescoço taurino não estavam ali apenas para fazer bonito.

Quando o conheci – eu, um iniciante de 23 anos de idade; ele, um homem maduro e mestre renomado de 46 anos -, após inúmeras cervejas super-geladas (algo que não é sempre fácil  de achar em Salvador) e tiragostos variados, estávamos  sentados numa área de má reputação, do lado  de fora de um botequim pé-sujo – ele, sentado, balançando para a frente e para trás como se numa cadeira-de-balanço; eu, num banquinho -, quando subitamente uma patrulhinha da polícia brecou no meio da rua e dela desceu um sargento tamanho geladeira que, a passos largos, se encaminhou cheio de decisão na nossa direção.Eu trinquei.Fiquei mais gelado que a meia dúzia de louras que havíamos consumido.É que havia um pequeno problema.  Aliás, pequeno não: mestre Caiçaras segurava displicentemente, na mão repleta de anéis, um itaba di ungira de fazer inveja a qualquer charuto cubano de Fidel Castro.  Rapidamente, por entre os vapores alcoólicos – tínhamos temperado a cerveja com algumas bem servidas doses de cachaça -, e o fumacê da cannabis sativa, vislumbrei meu futuro próximo: ver o sol nascer quadrado por entre as grades de uma janelinha da penitenciária soteropolitana.

Olhei rápido para mestre Caiçaras e me preparei para o que desse e viesse.  Será que ele, com seu passado de rufião, ia dar testa aos homens da lei?  Ele continuava impávido no seu balanço na cadeira do bar, e a única atitude radical que tomou foi dar mais um profundo trago no charo, empestando mais ainda o odorífico do ambiente.O sargento chegou, parou em frente a Caiçaras, tocou um joelho no chão, traçou uns pontos riscados no chão, osculou a mão do mestre e pediu:- Sua benção, meu pai.Caiçaras, bateu a cinza do charuto e traçou, com a mesma mão enfumaçada, alguns sinais cabalísticos sobre a cabeça do sargento enquanto murmurava algumas frases em nagô.O sargento levantou-se, agradeceu, entrou na patrulhinha, e partiu.

Meu encontro com mestre Canjiquinha

Mestre Canjiquinha era conhecido por estar sempre de bom humor; era exímio contador de piadas com as quais recheava suas apresentações de capoeira, fazendo sucesso entre turistas e gringos. Mas isto despertava a ira (e inveja) de seus colegas, e o desprezo do estudioso purista; achavam que um mestre devia se enquadrar num “molde” de seriedade.Seus alunos, no entanto, o adoravam e apelidaram-no “a alegria da capoeira”.Waldeloir Rego, ao descrever as qualidades de cada mestre no Capoeira Angola (um livro de 1968 que marcou época, inaugurou uma nova fase dos estudo sobre capoeira, e é básico até hoje) -, cita uns 12 mestres que atuavam, ensinavam, e faziam apresentações para turistas, em Salvador na década de 1960 -, ressalta que Canjiquinha era jogador e ensinava “porém seu maior destaque é no canto e no toque”.Aliás, isto é um detalhe importante que vale a pena resaltar mais uma vez: em pleno 1968, quando o Grupo Senzala ja estava bombando no Rio; e as academias de Acordeon, Suassuna, Paulo Gomes e outros já estavam entupidas de alunos em São Paulo; Waldeloir cita apenas uma dúzia de mestres em atividade em Salvador e, destes, apenas mestre Bimba tinha alunos suficientes para (sobre)viver exclusivamente de capoeira – daí, a grande disputa para ser o mestre convidado a dar apresentações (pagas) pelo orgão oficial de turismo soteropolitano. Salvador é a “terra-mãe” da capoeira mas nunca deu mole para seus ilustres filhos que se tornaram mestres: para sobreviver exclusivamente de capoeira, são obrigados a viajar no Brasil ou exterior. E, mesmo hoje, não existe um só mestre em Salvador que tenha mais de 10 alunos baianos pagando mensalidades – e, daí, a disputa pelos alunos visitantes, brasileiros e gringos, que querem conhecer a “verdadeira capoeira baiana”.

É difícil para o capoeirista de nossos dias avaliar o peso e a importância que mestre Canjiquinha teve nas décadas de 1950, 1960 e 1970, na capoeira de Salvador e do Brasil: sua imagem, após sua morte, foi eclipsada pela luz de Bimba e Pastinha.Porque?Seus alunos não perpetuaram seu nome – não por descaso, mas pela própria natureza daquela rapaziada, em grande parte ligada ao mundo das ruas -,algo que também aconteceu com Waldemar e Caiçaras. Mas o currículo de Canjiquinha é revelador:Canjiquinha nasceu em 1925 no  Maciel de Baixo, zona de malandragem e prostituição; era, portanto, 36 anos mais novo que Pastinha, e 25 anos mais novo que Bimba. Ou seja, uma diferença semelhante à minha com meus filhos. Começou capoeira com Aberrê em 1935, aos 10 anos de idade. Em 1951, com 26 anos, era contramestre e dava aulas na academia de Pastinha.Foi goleiro do Ipiranga Futebol Clube (o preto-e-amarelo, cores que Pastinha escolheu para sua academia); foi cantor de gafieira; durante muitos anos, foi o responsável pelos shows de capoeira do orgão oficial de turismo de Salvador; organizou  e participou das cenas e rodas de capoeira dos filmes “Barravento” (dir.: Glauber Rocha); e “Pagador de Promessas” (dir.: Anselmo Duarte), que gannhou a “Palma de Ouro” do prestigiado Festival de Cinema de Cannes (França).

Estas participações, em filmes que se tornaram clássicos do cinema brasileiro, muitas vezes é lida rapidamente sem que o leitor se dê conta do peso que isto tinha nos 1950s/1960s. A televisão ainda engatinhava e o “cinema novo” era o ti-ti-ti de artistas, intelectuais, jornalistas, e do próprio governo que via o Brasil ser aclamado no badaladíssimo Festival Internacional de Cannes (depois do “Pagador de Promessas”, o Brasil nunca mais foi vencedor em Cannes, na França; nem tampouco no Oscar de Hollywood). No filme, a cena da roda de capoeira na frente da igreja de Santa Bárbara, a briga dos capoeiras com a polícia (que não queria que Zé do Burro entrasse na igreja carregando sua cruz), a morte de Zé do Burro e sua entrada na igreja, deitado morto em cima da cruz carregada pelos capoeiras e pelo povo, é o ponto alto do filme e tantalizou os gringos. Bimba foi campeão invicto em 1936 e criou e inaugurou a era das  academias; Pastinha foi ao Festival de Artes Negras em Dakar;  mas foi com Canjiquinha, no filme “Pagador de Promessas”, que o mundo, estupefato e fascinado, viu pela primeira vez a capoeira, tanto na sua forma “cultural” e “ritual” de roda, como na sua forma de luta e briga de rua.

Quando Canjiquinha abriu sua própria academia, apesar de ter sido  aluno de Aberrê e contramestre de Pastinha, não adotou a “tradicional” (e radical) capoeira angola de Pastinha; e também não aderiu à (radical) regional de Bimba. Canjiquinha tinha seu estilo próprio: jogava os ritmos lentos, mas preferia um jogo alto e rápido. Sua postura independente e seu “currículo” – jogador de futebol, crooner de gafieira, mestre de capoeira, profundo conhecedor do candomblé -, somados ao conhecimento da malandragem das ruas e das noitadas soteropolitanas, aliados a sua personalidade que fazia amigos rapidamente, tornou-o popular entre a juventude. E mais que isto: abriu os olhos de toda uma geração baiana mais nova, mostrando que a capoeira não era só Bimba e Pastinha. Mestre Canjiquinha também teve influência na capoeira paulista, a tal ponto que em 1981, quando Canjiquinha tinha 56 anos, mestre Brasília (São Paulo) criou, com o apoio  da Federação Paulista de Capoeira, o Troféu Mestre Canjiquinha em sua homenagem.

Eu não tive oportunidade de conversar e conhecer mestre Canjiquinha nas primeira vezes que fui a Salvador. Cruzei com ele algumas vezes, mas só fomos bater papo e nos conhecermos melhor em 1984 no Circo Voador, uma famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, num grande encontro nacional que reuniu vários mestres da velha guarda de Salvador (João Pequeno, Waldemar, Canjiquinha, Atenilo, Onça-Tigre, Paulo dos Anjos, Gato Preto), e também mestres que eram jovens e hoje são uma referência  (Acordeon, Itapoã, Camisa – o organizador do encontro -, Moraes, Lua Rasta, o pessoal da Senzala, Mão Branca , Mulatinho, Edna, etc.), e grupos de oito estados – aliás, creio que este foi o último “grande encontro nacional” que reuniu a maioria das “pessoas importantes” da capoeiragem; depois disso, a capoeira cresceu tanto, e apareceram tantos novos talentos, que se tornou impraticavel um encontro com os nomes mais significativos. Me lembro que, neste encontro de 1984, Canjiquinha me deu uma entrevista que coloquei no meu segundo livro, Galo Ja Cantou (1985). Canjiquinha comentou que “sou velho (tinha, então, 50 anos) mas não vou escurecer a verdade, a capoeira melhorou em muitos aspectos”.

Na sua juventude, os golpes mais temidos eram a rasteira e a cabeçada; os golpes de pé eram mais lentos que agora, e não faziam muito estrago; mas “uma queixada destas de hoje em dia pode matar um”; em compensação, dizia Canjiquinha, a rapaziada tinha perdido “na parte da malícia e da visão de jogo”. Deste nosso primeiro bate-papo, felizmente alguém tirou uma foto que também publiquei no livro: sentados na mesa do bar do Circo Voador, Canjiquinha está explicando algum lance de um jogo, e em volta, atentos, estão Gato (da Senzala), Miguel (do Grupo Cativeiro),  eu (que tinha 38 anos de idade semelhante a Gato e Miguel), Cobrinha Mansa (ainda bem jovem), e João Pequeno.  “Bons tempos” diriam alguns, e Canjquinha certamente iria concordar; mas se estivesse vivo, com sua alegria de viver, é certo que diria que “o tempo melhor é agora”

Margareth Menezes Especial 25 anos de carreira

Margareth lança clipe da música Bonapá no AfroPop Especial 25 anos de carreira

Margareth Menezes lançará o clipe da música Bonapá, composição de Carlinhos Brown e aposta musical da cantora para o verão baiano, neste domingo que antecede o Carnaval, dia 12 de fevereiro, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, durante o AfroPop Especial 25 Anos de Carreira.
As filmagens contaram com as participações do ator e apresentador Jackson Costa, do DJ Ruy Santana, além das sambadeiras de São Brás. Já o set de gravação teve detalhes bastante especiais, como o espelho d’água e as esculturas do artista plástico Bel Borba. “Explorei as sensações que o som me causou. Foram elas que me deram o ponto de partida para criação do clipe. Estou sempre perseguindo desafios estéticos no meu trabalho e essa música foi mais que inspiradora”, contou Pico Garcez, diretor do clipe.
Através de telões instalados na Concha Acústica, o público irá assistir em primeira mão ao clipe. O lançamento na web ocorre na mesma noite, através das redes sociais e site da artista.
AfroPop Especial 25 Anos de Carreira encerra a temporada dos ensaios de verão e comemora as bodas de prata da trajetória profissional de Margareth.
Na ocasião, ela recebe as participações musicais de Gilberto Gil, Elba Ramalho, Daniela Mercury, Paula Lima e dos principais blocos afros baianos.

Aluno de Mão Branca desponta no MMA

A nata do corpo a corpo no Canadá *

A Mixed Martial Arts (ou simplesmente MMA, como passou a se chamar o antigo vale-tudo) não para de crescer – tanto em quantidade de adeptos quanto no interesse do público. Amanhã, em Toronto, será realizado o UFC 129, programa de encher os olhos dos apreciadores desse coquetel de lutas, cujo programa principal inclui cinco combates reunindo alguns dos melhores lutadores da atualidade, dois deles por decisão de títulos. Em um, o brasileiro José Aldo enfrenta o canadense Mark Hominick pelo cinturão dos pesos penas. Outro brasuca em ação, Lyoto Machida, terá pela frente o norte-americano Randy Couture.

Em meio a esse boom dos combates corpo a corpo, com audiências impressionantes na TV, um paulista que se diz mineiro de coração, Cézar Mutante, de 26 anos, começa a despontar. Há 15 dias, disputou a primeira luta como profissional e venceu, com nocaute em 13 segundos, o norte-americano Sham Sins, em Denver. Só a estreia já lhe valeu um lugar na história, como protagonista de um dos 10 mais rápidos combates de todos os tempos.

Nascido em Catanduva, Mutante veio ainda adolescente para Belo Horizonte, a convite de Mão Branca, um dos maiores mestres da capoeira nacional. “Jogava capoeira desde os 6 anos. Mão Branca me viu e convidou para a academia dele, em BH. Não pensei duas vezes, conversei com a família e me mudei de mala e cuia, como se diz em Minas. Aqui fiz muitos amigos, me casei (com Poliana Giovana de Pádua). Moramos no Buritis e temos uma filha, Iara, de 3 anos.”


Aos 18 anos, um amigo convidou Mutante para ver uma apresentação de MMA. “Gostei e resolvi experimentar. Por coincidência, Vítor Belfort treinava na época no terraço do Diamond Mall, onde há um ringue feito especialmente por ele, que me viu e disse que seria meu treinador. Honrado, topei na hora.”

CRESCIMENTO NA CARREIRA Treinado por Belfort, Mutante fez algumas lutas amadoras no Brasil, principalmente no Rio, até que, na primeira oportunidade de um combate profissional, não perdoou o adversário. “Nos últimos meses, ele me levou para os Estados Unidos, onde passei a ser sparring de lutadores de renome, como Randy Couture, que fará sua última luta amanhã, contra Lyoto, outro astro do UFC. Espero crescer cada vez mais e seguir o caminho de outros brasileiros – Vítor, Anderson Silva, Lyoto, José Aldo… Enfim, quero o alto do pódio e um cinturão.”

 

* Fonte: http://www.superesportes.com.br

** Titulo do artigo adaptado para o contexto da “capoeira” ( Titulo Original do Artigo: A nata do corpo a corpo no Canadá)

Lugar de samba é no morro em Diadema

Se alguém te perguntar onde mora um dos ritmos mais tradicionais desse Brasil, pode dizer, sem medo, que ele vive no morro do Samba, em Diadema. A outrora favela, hoje com cara de bairro urbanizado, honra o nome que tem. Desde a ocupação, em 22 de fevereiro de 1991, em pleno Carnaval, até hoje, o morro que não é morro reúne os sambistas de plantão na vendinha de Hélio Batista da Silva, 45 anos e vice-presidente da Associação de Moradores do núcleo.

O percussionista David Moreira, 28, é um dos que nasceram com notas musicais correndo nas veias. Ele e mais seis amigos levam o morro do Samba para fora de Diadema com o Grupo Nova Amizade. “Já fizemos apresentação no Interior e na Baixada Santista, além de barzinhos na Vila Olímpia (na Capital)”, disse.

Moreira pode se orgulhar de viver do que gosta. “Fui autodidata: aprendi a tocar quando tinha uns 10 anos, só de olhar e ouvir os sambistas do bairro. Sou do tipo que mete a mão no instrumento, o pessoal de São Paulo gosta disso”, garantiu, referindo-se ao pandeiro, quase que uma extensão de seu próprio braço.

Entre uma cervejinha e outra, que ninguém é de ferro, o grupo faz seus ensaios sempre diante da vendinha de Hélio, que fica na Rua Botocudos, a principal do núcleo. É na Botocudos também que mais se vê o resultado do Programa Tá Bonito, do governo federal, que investiu cerca de R$ 4,2 milhões na infraestrutura da comunidade.

Ali, cada rua tem as fachadas das casas pintadas de uma cor: verde, vermelho, amarelo, laranja e por aí vai. Interessados em morar no morro têm de pôr a mão no bolso: as casas custam cerca de R$ 70 mil. Barracos não existem mais.

CRIMINALIDADE
O arco-íris do morro do Samba mudou a cara da favela, que tem um passado de episódios ligados ao crime e ao tráfico: em 2006, a polícia entrou no morro após encontrar um muro grafitado com imagens de bandidos assassinando homens da Polícia Militar. No ano seguinte, um vídeo mostrava o consumo de cocaína e maconha em uma festa do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os moradores, no entanto, garantem que a comunidade está mais segura atualmente. “Sem as vielas fechadas, ficou difícil para os traficantes instalarem as bocas. Eu diria que 90% do tráfico saiu daqui”, avaliou um deles, que preferiu não se identificar.

MENSAGEM
Mas não é só de samba que vive a favela. Quem também representa o morro do lado de fora dele são os Manos MC”s, ou Rodrigo Ismael dos Santos, o Nego Blay, e Cleiton Venâncio, ambos de 31 anos. A dupla faz um trabalho diferente da maioria dos rappers: além da mensagem social, uma tradição do estilo, abusam das misturas com outros ritmos.

Como não poderia deixar de ser, o samba continua presente. “Temos parcerias com o pessoal do Nova Amizade e outros sambistas que diferenciam a nossa música. Alguns rappers torcem o nariz, mas o desafio é esse mesmo: ser diferente, tá ligado?”.

 

Capoeira tira crianças da rua e futebol empolga adultos

“A roda é boa, a roda é boa, no Morro do Samba, a roda é boa!”. No centro comunitário da favela, a pipa e a bola são deixadas de lado quando o som do berimbau e do atabaque começa a ecoar. As obras inacabadas do local não impedem a molecada de aproveitar as aulas do Cultuarte, que ensina capoeira para cerca de 20 crianças de 4 a 15 anos.

A finalização do centro comunitário foi atrapalhada pelas chuvas. De vassoura na mão, a professora Suellen Rodrigues de Assis, 19, seca a poça de água causada pelas goteiras. Enquanto isso, ensinou: “O esporte é um bom jeito de tirar a molecada da rua”.

Em frente ao prédio, um ponto de descarte irregular de lixo também incomoda. “O povo é porco, não respeita, e a Prefeitura também não vem recolher”, diz o presidente da Associação de Moradores do Morro do Samba, Nejaim José da Silva, o Maradona, 47.

BOLA NO PÉ
Maradona tem orgulho de falar não só da capoeira, mas também do futebol do morro, que tem sete times disputando campeonatos amadores de Diadema. “Seria bom ter um campinho pra gente bater bola, organizar um treino de vez em quando”, pediu.

E assim segue o morro, com a bola e o samba no pé e a capoeira como arte. Nas palavras do pastor da Igreja Evangélica Aliança Com Deus William Vicente, 61, a favela é o “morro das bênçãos”. E segue caminhando com fé, “porque a fé não costuma falhar”.

Capoeira REDE SOCIAL e preservação

Não devemos nunca esquecer que a capoeira vem do oprimido, desfavorecido e excluído, é arte que representa a vitória e valorização de uma cultura antes marginalizada, escravizada e violentada. Todos temos por obrigação valorizar essa arte. Viver bem e aproveitar tudo que ela possa nos proporcionar como modo de vida e até mesmo profissão, isso não é ofensa, afinal muitos lutaram no passado para que pessoas como eu por exemplo pudessem viver no exterior, constituir família, ajudar parentes, e poder ter acesso a bens de primeiras necessidades ou até os tidos como fúteis.

Acho que Ofensa é aproveitar tudo o que de bom ela tem para oferecer (Não falo aqui apenas das lideranças de grupos, mas dos seus alunos também) e esquecer sua origem e seu valor ancestral, se cada um compreender isso, pensará que ela deve retornar das faculdades, academias de luxo, escolas e das classes com mais condições educativas, financeiras e sem problemas de alimentação e emprego para estender a mão para a enorme quantidade de pessoas ainda no esquecimento social e violentadas de diversas maneiras pelas concepções e velocidade da sociedade moderna.

Um grupo de capoeira pode muito bem formar ideais de acção social, pode ser interventivo de forma direta nos problemas sociais, essa é uma tarefa difícil para qualquer liderança que queira lançar mão a obra neste aspecto, pois é um exercício que demora e custa muito, e que para entrar nas mentes e principalmente na atitude das pessoas que nos cercam nem sempre é passivo, temos de estar preparados para os avanços e recuos, para as vitórias e decepções, mas quando se acredita nesse tipo de ideal, mais cedo ou mais tarde a coisa acontece.

Claro que existem milhares de maneiras em que um grupo de pessoas pode ajudar, ou melhor ainda, um grupo de capoeira, por exemplo, em toda roda de capoeira pode-se pedir para os nossos praticantes trazerem um quilo de alimento e reverter os mesmos para projetos comunitários, podemos pedir roupa, remédios ou donativos financeiros, podemos dar aulas de graça em comunidades, participar com os alunos no apoio aos sem abrigos, fazer parte das mais diversas campanhas de intervenção Social, para ajudar basta querer.

Devemos também lembrar e procurar valorizar os Mestres mais antigos, os produtores culturais populares e retribuir sem pensar duas vezes, seja de que forma for, sempre que eles precisem, porque se eu assim como muitas lideranças devemos muito do próprio sucesso do trabalho a si mesmos, devemos muito mais a esses velhos Mestres. Vamos ainda, para que nossa arte possa continuar a possuir o valor ancestral, dizer não a cópia de CD´s da cultura que destrói a sobrevivência e produção da nossa arte, diga não ao aproveitamento das limitações financeiras de muitos Mestres para acender a “Mestrias” ou ter acesso ao saber e o aproveitamento deste mesmo saber sem nenhum tipo de escrúpulo, diga não em viver depreciando todos os que não fazem parte dessa onda de estética, cultura do corpo, e a dita “Técnica”, diga não a um único modelo musical da moda que sufoca o improviso o aprendizado oral e a diversidade que sempre existiu na capoeira, diga não a tentação do crescimento fácil na integração desmedida de “professores ou não” para poder ter mais uma bandeira de país anexada ao símbolo, como se tratasse de um vitória mas que na verdade simboliza a diluição da ligação ancestral do aluno com o Mestre e uma total falta de ética para com o outro Mestre, pelo menos ligue para ele antes, diga não a filiação por telefone, Internet, fax, Pombo-correio e sinal de fumo, diga não a falta de ética, falta de frontalidade e de respeito ao próximo, diga sim a uma roda de boa energia e a produção cultural, a ferramenta social e a entre ajuda, a rede da capoeira diversificada e a todos os que lutam por um mundo melhor, mesmo que seja esse pequeno grande mundo chamado capoeira.

Axé!!

C. Mestre Marco Antonio

“A mão que ajuda é mais sagrada que a boca que reza” Magnata

Mestre Brasília: “50 anos sem tirar a mão do chão”

“Antonio Cardoso Andrade”, conhecido como Mestre Brasília, capoeirista e artista de primeira grandeza, é  uma importante figura no cenário de São Paulo. Além de mestre de capoeira, que ensina esta arte de origem negra para muitas gerações, é também pesquisador da cultura e criador de músicas e letras. Baiano de Alagoinhas, de família simples, trabalhou como sacoleiro de feira, transportador de água, sapateiro, funileiro, mecânico, pedreiro, pintor, etc. com 19 anos descobriu a capoeira como missão da sua vida e tornou-se discípulo do famoso Mestre Canjiquinha.

Logo foi convidado por seu mestre para realizar apresentações de capoeira em toda a Bahia e outros estados, atividades que desenvolveu durante seis anos. Em 1965 veio para São Paulo e abriu a Academia Cordão de Ouro com o Mestre Suassuna e,  um ano depois inaugurou o seu próprio espaço cultural, a Associação de Capoeira São Bento Grande, hoje ainsa em pleno funcionamento com o nome Capoeira Ginga Brasília.

A sua arte não ficou restrita ao Brasil, pois, desde a década de 70, tem-se apresentado em vários países e realizado cursos e oficinas no Japão, onde chegou a viver durante 3 anos, retornando várias vezes (1973, 1974, 1975, 1986, 2000, 2002, 2008, 2009, 2010), na Alemanha (1987), nos Estados Unidos (1995, 1997, 2008 ), na Itália ( 1999 ). Em 1990 lançou seu primeiro disco, “Ginga Original”, com músicas e letras de sua autoria. Seguiram-se outros trabalhos como Cds e DVD.

Ao longo da sua carreira tem também preparado atores de teatro, como é o caso da inesquecível peça “Capitães da areia”, baseada no célebre livro de Jorge Amado.

Mestre Brasília é contemporâneo de uma geração  brilhante de capoeiristas brasileiros: do lendário mestre Pastinha, do Mestre Waldemar, capoeirista, cantador e fabricante de berimbau, do Mestre Canjiquinha, seu mestre, que participou do “Barravento” e o “Pagador de promessas”, filmes de Glauber Rocha, do Mestre Caiçara um dos mais famosos mestres de Angola., Mestre Bimba, que criou a regional, e outros.

Mestre Brasília, ao longo de sua vida, tem sido um Mestre na acepção da palavra, pois orienta os seus discípulos não apenas passando seus ensinamentos artísticos e técnicos com regras morais de um bem-viver e conviver em sociedade, valores éticos, traço marcante de sua personalidade e de suas lições.

Uma longa e conquistada trajetória.
Neste ano, comemora 50 anos de capoeira, e realizou o evento “50 ANOS SEM TIRAR A MÃO DO CHÃO”.

Nota de Falecimento: Mestre Mão de Ouro de Sobradinho, cidade satélite de Brasília

Mestre Umoi, Grupo União na Capoeira, que se criou na capoeiragem em Sobradinho faz homenagem postuma a mestre Mão de Ouro, uma das referências da velha guarda da capoeiragem de Brasília.
 
Ele visitava muito meu primeiro mestre (mestre Cordeiro) no início dos meus caminhos na capoeira em 1974 e uma vez por semana nos dava formação de capoeira angola.
 
É uma das referências da capoeiragem antiga de Sobradinho e consequentemente de Brasília.
 
Elevo minhas orações ao Mestre Mão de Ouro, pedindo à capoeiragem da Roda Virtual, do Portal Capoeira e do mundo  que acredite em mim quando declaro aqui que um grande capoeira se foi e Sobradinho não esquecerá um dos seus ícones da capoeira.
 
Falo isso firmando um compromisso em honra e carinho ao mestre.
 
Que Deus o tenha e o coloque junto aos outros mestres que já se foram antes dele. Ele, certamente, merece…
 
Com profundo pesar e lamento,
Umoi

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade

Edison Carneiro, uma expressiva figura da cultura Brasileira, já foi alvo de outra matéria em nosso Portal Capoeira, matéria que para os mais interessados acompanhava uma grande surpresa: Um Documento Histórico de 1975 de título: Cadernos de Folclore – Capoeira (na época procurei o amigo e colaborador Acúrsio Esteves para prefaciar e apresentar o referido documento, já que se tratava de uma pérola para os capoeiras com sede de saber.)
 
Fica a dica de uma excelente atividade, uma visita ao MAO – Museu de Artes e Oficíos, afinal devemos estar sempre abertos para o conhecimento e novos saberes… e a cabaça, parte fundamental do "instrumento maior da capoeira", merece esta homenagem…
 
Luciano Milani

O Museu de Artes e Ofícios (MAO) recebe, dos dias 2 de maio a 10 de junho, a exposição Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade. A exposição é itinerante e exibe o acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor um elemento que é encontrado com fartura nas cinco regiões do país e usado de diferentes formas: a cabaça.
 
"São cerca de 80 peças, que mostram como esse objeto é apropriado em várias situações, seja como instrumento de trabalho ou instrumento musical, como máscara, como recipiente para comida, roupas de orixás, entre outras", explica a Coordenadora de Museologia do Museu de Artes e Ofícios, Célia Corsino.
 
Conhecidos pelos nomes de cabaça, cuia, porongo, coité ou cuité, as entrecascas desses frutos multiformes constituem tanto objetos de uso corriqueiro quanto suportes de expressões que distinguem e identificam indivíduos e grupos da sociedade brasileira.

A exposição deseja mostrar que, justamente porque são, vivem e pensam de formas diferentes, os muitos grupos populares no Brasil dão usos e significados distintos a um amplo repertório de frutos que lhes parecem, em alguns aspectos, semelhantes. Fazendo isso, criam os muitos modos de ser, estar e trocar.
 
Assim, a exposição é um convite à apreciação da pluralidade cultural apresentada pelos inúmeros grupos sociais que vivem em solo brasileiro e, ao mesmo tempo, um estímulo à reflexão sobre aquilo que os une e identifica.

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade inaugura uma parceria entre o MAO, do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), e o Centro de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
 
"Como objeto do cotidiano ou suporte de várias artes, este fruto de formas tão originais pode nos surpreender e emocionar com seus múltiplos usos e sentidos, seja no artesanato, na música, na cozinha ou nos brinquedos", declara Angela Gutierrez, presidente do ICFG.

A exposição faz parte de uma programação especial desenvolvida pelo MAO para a comemoração da Semana Nacional do Museu (14 a 20 de maio). Os ingressos custam um real.

Serviço

Exposição "Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura, diversidade"
Dia 2, abertura para convidados.
Aberta ao público dos dias 3 de maio a 10 de junho de 2007.
Local: Museu de Artes e Ofícios (MAO)
Endereço: Praça da Estação, s/n°
Ingressos: R$ 1,00 – aos sábados a entrada é gratuita
 
Horário de funcionamento do Museu de Artes e Ofícios:
Terça, Quinta e Sexta-feira – das 12 às 19hs
Quarta-feira – das 12 às 21hs
Sábado, Domingo e Feriado – das 11 às 17hs
Os ingressos para a visitação serão vendidos até meia hora antes do horário de fechamento do Museu.

 
Patrocinadores do Museu de Artes e Ofícios
Master: Petrobras – Bndes
Patrocínio: Oi – Furnas
Apoio: Eletrobrás – Oi Futuro – Cemig
Institucional: Fundação Municipal de Cultura/Prefeitura Municipal de BH – CBTU
 
Fonte: MAO – http://www.mao.org.br/