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Grupo “Capoeira Vip” convida cuiabanos para evento no colégio Presidente Médici

Fim de tarde. Pessoas saindo do trabalho, trânsito frenético, pontos de ônibus lotados, a cidade iluminada apenas pelos postes de luz. E em frente ao Colégio Presidente Médici, um tipo de rotina peculiar se desenvolve por volta deste horário.

Jovens, adultos, senhores, todos em frente à construção histórica andam de um lado para o outro ou ficam em rodas e grupos, seja esperando o transporte público, indo para casa, matando o tempo até uma apresentação ou participando do que podemos chamar de festa particular no posto do outro lado da rua. Mas no espaço redondo próximo a estrutura metálica precária que usamos como ponto de ônibus, um grupo com calças brancas, tocando berimbau, faz um tipo de dança, um tipo de luta, uma confraternização.

É o grupo “Capoeira Vip”, que em roda e cantando, praticam os movimentos harmônicos e sincronizados da capoeira. O que começou como uma arte própria dos descendentes de escravo agora convida a todos, independente de cor, classe ou ascendência para a sétima edição do “Fest Capoeira Vip”.

Neste sábado (23), com a presença de mestres que alcançaram a fama internacional, como Moreno e Juju, o grupo fará apresentações durante o dia todo, começando às 8h, no mesmo colégio onde praticam a capoeira. O evento também inclui oficinas sobre movimento e musicalidade da capoeira.

No período da tarde, com início às 15 horas, haverá show de maculelê, dança afro, dobradinha de berimbau com viola de cocho, roda de apresentações dos mestres de capoeira, formaturas e batizados.

O organizador do festival, professor Visk, acredita que a capoeira é uma arte que forma cidadãos e que hoje alcança todas as classes sociais. “Os festivais proporcionam maior credibilidade aos participantes da arte capoeira, mostrando ao público o passado, o presente e o futuro”, destaca.

A origem da capoeira

No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação das jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n’golo (que significa “zebra” nalíngua quimbunda). 

Dentro da cerimônia, os homens disputavam uma competição de luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. 

Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, esta modalidade de luta foi trazida, através do porto de Benguela, para a América, especialmente para o Brasil, onde se fixou a maior parte dos escravos africanos trazidos à América.
No Brasil, assim como no restante da América, os escravos africanos eram submetidos a um regime de trabalho forçado. Eram também forçados à adoção da língua portuguesa e da religião católica.

Como expressão da revolta contra o tratamento violento a que eram submetidos, os escravos passaram a praticar a luta tradicional do sul de Angola nos terrenos de mata mais rala conhecidos como “capoeiras” (termo que vem do tupi kapu’era, que significa “mata que foi”, se referindo aos trechos de mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para as plantações dos índios).

A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática.

Serviço

Fest Capoeira Vip
Local: Colégio Presidente Médici
Horário: A partir das 8h
Data: Sábado (23)
Entrada: 3Kg de alimentos não perecíveis.

 

http://www.olhardireto.com.br

Nota de Falecimento: Mestre João Pequeno de Pastinha

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o Mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado. Um Baluarte da Capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA CAPOEIRA PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA CULTURA O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande MESTRE.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha. 

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

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Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

 

 

A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres

Mestre Biu Roque

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural lamenta a morte, ocorrida na última sexta-feira, de um dos maiores mestres da cultura popular brasileira. João Soares da Silva, mais conhecido como Biu Roque, tinha 76 anos e foi um dos mestres populares mais respeitados da Zona da Mata pernambucana. Mestre Biu, um dos contemplados no Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Izabel, atuava como artista nos gêneros musicais tradicionais como o Coco de Roda, a Ciranda, o Maracatu Rural e as toadas de Cavalo Marinho.

Mestre Biu Roque, que nasceu no município de Condado e residia na cidade de Aliança, no Pernambuco, foi cortador de cana, começou a atuar como músico aos 8 anos de idade e liderava o grupo Cavalo Marinho Boi Brasileiro. Biu Roque também participava do Maracatu de Baque Solto Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, e integrava o grupo Fuloresta liderado pelo cantor e compositor Siba.

“Ele era um músico muito especial, porque tinha uma voz única e uma grande precisão e potência musical”, afirma Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, o músico Siba, que apesar de ser de Recife, trabalha há cerca de 20 anos com os músicos da região da Zona da Mata e tinha uma relação pessoal com o Mestre Biu. “Musicalmente eu aprendi muito com ele, mas ganhei, acima de tudo, um grande amigo”, recorda o artista.

Para o secretário da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, a perda do Mestre Biu, que participou do último Encontro dos Mestres do Mundo, realizado no mês de março, na cidade de Limoeiro, no Ceará, é muito significativa para o segmento de culturas populares. “É uma pena, mas a SID apoiará sempre a difusão da maestria de sua arte”, lamenta o secretário acrescentando que “com certeza, no céu, ele Mestre Salustiano, falecido recentemente, vão realizar uma grande sambada”.

A integrante do Colegiado de Culturas Populares, Joana Corrêa, também acredita que o falecimento do Mestre Biu Roque seja uma grande perda para a cultura brasileira. “Um mestre que sem dúvida viverá em nossa memória”. Rejane Nóbrega, artista, educadora, pesquisadora e também conselheira do Colegiado de Culturas Populares afirma ter ficado sentida com a morte do artista. “Ainda bem que sua voz e sua maestria vão ficar para sempre nas nossas memórias e nos nossos ouvidos”, finaliza ela, recitando alguns versos de uma de suas canções: “Maria, minha Maria / Meu doce da melancia / Vem ver o belo luar / Que a tua ausência reclama / Ô que noite tão preciosa / Não deve dormir quem ama”.

 

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 2024-2379

E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br

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Escola Aberta Trabalha a Educação Ambiental por meio da Capoeira

Trabalhar em prol do fortalecimento cultural e da preservação e Educação Ambiental. Esta foi a meta da Escola Estadual Professora Hilda Miranda Nascimento, em Serra, em parceira com um grupo de Capoeira, que promoveu no último fim de semana o I Ecoberimbau 2010.

Foram três dias de apresentações, oficinas e atividades, para mais de 50 pessoas que passaram pela escola. O curso de fabricação de berimbau ecológico foi o que mais chamou a atenção.

Além do incentivo à prática esportiva da capoeira nas comunidades, os oficineiros ensinaram aos participantes como é a confecção de berimbaus e a preservação da biriba, matéria-prima do instrumento.

“O objetivo principal do nosso encontro foi conscientizar as pessoas sobre a correta utilização desta madeira, para que não venhamos prejudicar o meio ambiente”, explicou o supervisor estadual do programa nas escolas localizadas no município de Serra, Amaury Motta da Silva Lamas.

Em meio às atividades, alguns alunos participantes do Escola Aberta e do grupo de capoeira seguiram para uma mata aberta, que fica próximo da escola, para conhecer a biriba e recolher sementes para replantio.

“Trouxemos para a escola muitas sementes e muitos ainda levaram para casa. Nossos objetivos em plantá-las são dois: devolver para a natureza a madeira e fazer nosso próprio estoque para confecção dos berimbaus. Tudo isso para incentivar as pessoas que trabalham com capoeira a serem mais conscientes”, conta o professor de capoeira Haroldo Bonfim Alves Santos.

De acordo com o professor, a expectativa é ampliar o projeto para as disciplinas da escola. “Queremos abranger esta iniciativa. Pretendemos até fazer uma coleta seletiva na mata, já que quando fomos recolher as sementes observamos muito lixo no local, como garrafas plásticas e papel”, finaliza.

 

Fonte: http://www.folhaes.com.br

Um Menino de 92 Anos

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

O mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

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O Surpreendente João Pequeno

O mestre João Pequeno de Pastinha é mesmo uma figura fantástica, é um desses representantes da nossa cultura popular que merece ser imortalizado na galeria dos grandes personagens do povo brasileiro.

Faz história na capoeira, pois do alto de seus 91 anos de idade, ainda comanda as rodas em sua academia lá no Forte Santo Antonio (atualmente denominado “Forte da Capoeira”, mas eu prefiro o nome antigo), em Salvador. Quem não conhece João pode até duvidar, mas esse ancião quase centenário ainda joga sua capoeira angola, com toda astúcia que Deus lhe deu e a mandinga que Pastinha lhe ensinou. E ai de quem descuidar !!! A cabeçada certeira de João continua fazendo vítimas até mesmo entre os mais hábeis angoleiros !

Nesses quinze anos de convivência com João Pequeno, tenho aprendido as lições mais profundas de humanidade. Esse homem de poucas palavras, mas de muita inspiração, está sempre a nos ensinar, de várias formas, jeitos e maneiras, até mesmo quando está calado. Quem tem luz própria não precisa dizer mesmo muita coisa. Aí vai uma dica pra muitos mestres da atualidade que falam, falam, falam….

Numa certa feita, estávamos acompanhando João numa gravação de uma matéria para a televisão em Salvador, em que o objetivo era mostrar o processo de retirada da biriba (madeira própria para a construção do berimbau) na mata. Nos deslocamos junto com a equipe de filmagem até Mata de São João, no Recôncavo Baiano, local onde João Pequeno passou boa parte de sua juventude. Ele conhecia tudo por lá e foi nos guiando pelos caminhos abertos na mata virgem, até encontrarmos a biriba. A equipe da televisão gravou todo o processo de corte da madeira, entrevistou João, fez belas imagens e se despediu de nós para voltar a Salvador.

Estávamos nos preparando para voltar também, pois fomos num carro separado da equipe da TV, quando João nos perguntou: “Pra onde é que vocês vão ???”.  “Ora mestre, pra Salvador, vamos voltar, a gravação já terminou !!!”, respondi eu, já abrindo a porta do carro para que ele entrasse. Ele então, com toda naturalidade disse: “Não, não…nós num viemo aqui pra apanhá biriba ??? Então vamo apanhá !!!”, e foi se embrenhando novamente no mato, decidido. Não nos restou outra alternativa, senão acompanhá-lo.

Era um fim de tarde, acompanhamos João mata adentro. Começava a escurecer. Já estávamos nos preocupando quando ele nos disse: “Vamos dormir por aqui hoje e pegar as biribas amanhã, logo cedo…eu lembro de uma casa de farinha abandonada que tem aí pra dentro – apontando para o meio do mato cerrado – a gente pousa lá e amanhã vai pegar mais biriba”, disse sem se deter na caminhada.

Andamos um bom tempo pelo meio da mata fechada, abrindo caminho no facão, já com pouca luz e bastante apreensivos com a possibilidade de João não encontrar a tal casa de farinha. Já estávamos duvidando que um homem de oitenta e poucos anos, que não voltava para esse local há pelo menos uma década, pudesse encontrar essa tal casa no meio da mata atlântica. Mas para o nosso alívio, com apenas a luminosidade da lua, João encontrou o local ! Dormimos no chão da casa de farinha, nessa noite enluarada ouvindo histórias desse homem fantástico e surpreendente. No dia seguinte, logo cedo, estávamos no mato a apanhar biriba. Afinal, não foi pra isso que fomos pra lá ???

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

A Mata Atlântica finalmente desvelada

O parceiro e grande amigo Miltinho Astronauta que além de grande capoeira e pai dedicado é um dos maiores estudiosos na área do meio ambiente, acaba de ter um trabalho publicado na conceituada revista BIOLOGICAL CONSERVATION em parceria com outros dois pesquisadores que tem como tema A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação. Fica a dica de leitura oportuna… aprovetando o Dia da Terra que será comemorado na próxima quarta feira – 22/04.

Luciano Milani

Na última quarta-feira (9), uma edição especial da conceituada revista Biological Conservation foi publicada na Internet e provou que a união entre sociedade civil, governo e centros acadêmicos pode render bons frutos para a natureza. Tudo graças ao artigo científico A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação, escrito por profissionais da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a não-governamental SOS Mata Atlântica. Nele, os autores fazem um raio-x completo e inédito sobre todos os remanescentes de um dos biomas mais ameaçados do planeta.

A idéia de se estudar a divisão geográfica dos fragmentos florestais da Mata Atlântica e as possíveis estratégias para sua conservação surgiu há quase dois anos, durante uma reunião dos editores da revista, na Europa. Entre eles, estava Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela sugestão. “Eu propus uma edição especial com doze textos sobre o ecossistema. Ficou super completo, pois juntamos as melhores cabeças para falar do atual estado de preservação e o que devemos fazer”, explica.

Ao voltar para o Brasil, Jean questionou Milton Cézar Ribeiro, seu aluno de doutorado em Ecologia de Paisagens, sobre o interesse em desenvolver um trabalho amplo acerca dos fragmentos da floresta mais desmatada no país. Resposta positiva, eles convidaram outros três pesquisadores para completarem a equipe e iniciaram as análises com base em dados já coletados pelo Inpe e SOS – os mesmos que serviram para a confecção do último Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria pelas duas instituições.

De acordo com Flávio Ponzoni, pesquisador do Inpe e um dos autores do artigo, o atlas é apenas um diagnóstico do bioma como um todo. Muito diferente do que se vê na Biological Conservation. “Neste estudo o Milton foi bem além. Ele pegou os polígonos e fez uma abordagem mais ecológica disso. Viu os tamanhos, o efeito de borda e discutiu em quais sentidos os esforços para a conservação deveriam ser feitos”.

Surpresas e dificuldades

Os resultados de 18 meses de pesquisa são surpreendentes. “Até agora não existiam informações básicas atualizadas sobre o quanto, onde e como estavam distribuídos os remanescentes da floresta, o que dificulta o estabelecimento de políticas para cuidar das espécies”, disse a O Eco, do Canadá (onde faz parte da tese), Milton Ribeiro, autor principal do estudo. Segundo ele, trata-se da maior área já analisada com este nível de detalhamento em todo o mundo.

O trabalho seguiu padrões rígidos de qualidade. Além de incluir nas análises todos os fragmentos com menos de cem hectares (excluídos pela SOS no Atlas), os pesquisadores foram a campo verificar massas de vegetação teoricamente subestimadas pelo banco de dados disponível. O esforço teve recompensa: em vez de restar apenas 7% do ecossistema, como diz o senso comum, é possível que a Mata Atlântica cubra de 11,4 a 16% do seu território original.

“A notícia ruim é que há muitos fragmentos pequenos. Eles representam um terço da Mata Atlântica e eram excluídos de outros estudos. Achava-se que eles não tinham valor para a conservação, mas sabemos que não é bem essa a estratégia!”, diz Metzger, cuja opinião é compartilhada por Milton. Para o futuro doutor, os conjuntos de mata inferiores a cem hectares podem não ser suficientes para manter populações de animais e plantas estritamente florestais, mas são fundamentais para a dispersão de indivíduos, o fluxo gênico e a redução do isolamento entre frações maiores.

“Ao mesmo tempo, existem espécies que precisam de menos área disponível para sobreviver. Além disso, caso haja menos fragmentos, o sucesso no processo de dispersão diminui, o que pode reduzir a variabilidade genética em longo prazo e prejudicar a biodiversidade”, completa Ribeiro. Apesar da boa notícia em relação ao tamanho real da Mata Atlântica, uma informação tirou o sono dos autores do estudo: apenas 1% da floresta sobrevive em unidades de conservação, muito longe dos 10% recomendados internacionalmente.

Estratégias de conservação

Outras descobertas também apontam para um cenário difícil na proteção do bioma, rico em biodiversidade e em avanços de atividades insustentáveis. Quase a metade da vegetação em pé, por exemplo, sofre o “efeito de borda” por estar a menos de cem metros de ambientes alterados por ações humanas – sejam áreas agrícolas, urbanas ou pastagens. As conseqüências desta proximidade são perturbações como pragas, ventos mais intensos e série de outros problemas capazes de desestabilizar os ciclos naturais.

“Até podemos manter esta área produtiva, mas de outra forma. Algumas alternativas são agroflorestas, plantações de mudas exóticas, ou seja, algo que estimule sistemas que tenham misturas com componentes arbóreos. Basta tentar fazer com que o contraste seja menor”, avalia Metzger. Outro importante impasse é a distância média entre os derradeiros resquícios de árvores: quase um quilômetro e meio. A baixa conectividade, explica Ribeiro, pode causar extinções locais.  

O artigo científico, que também contou com a colaboração de Márcia Hirota (SOS Mata Atlântica) e Alexandre Camargo Martensen (USP), não faz apenas um diagnóstico, mas sugere caminhos para manter e restaurar o ecossistema. Um deles é criar unidades de conservação de proteção integral com os maiores fragmentos, como aqueles da Serra do Mar. No interior de estados como São Paulo, Minas gerais e Pernambuco, onde os resquícios são pequenos, é preciso interligar a mata com uma linha de mosaicos em parceria com propriedades privadas. Neste caso, as políticas públicas devem visar o suporte às reservas legais e a aquisição de novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Para tanto, uma das prioridades é definir onde estão as matas originais e em estágios sucessivos de crescimento. De acordo com Metzger, a diferença entre elas e as secundárias é grande. Mas nada que tire a importância das últimas. “Temos uma comparação boa em São Paulo entre esses dois tipos de vegetação. Enquanto na primária vivem 160 espécies de aves, na replantada, que é contínua, existem apenas cem”. Independente do valor é sempre melhor que a floresta esteja de pé, e não deitada.

 

Em homenagem ao Dia da Terra e ao amigo Miltinho Astronauta.
 
Ola Mestres Amigos,
 
Tudo bem!
 
JC, Milani, Joel,
 
Saiu na Folha.
Sabe como eh, sou capoeira, mas também sou dedicado ao meio ambiente (entenda-se proteger a capoeira, noutro sentido… mas sem extremismos).
 
Ai hoje ta “ecoando” um trabalho que encabecei a publicação [[A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação; revista BIOLOGICAL CONSERVATION]]… Passeiem pelas paginas, se for o caso.
 
 

O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992). 

 

Actualmente, uma organização internacional, a  Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.

 

 

Mundial dá a Pipoquinha direito de disputar o Campeonato Europeu

Garoto de 11 anos coloca Rio Claro no mapa da capoeira mundial. Marcos Matheus, o Pipoquinha, conquistou no último fim de semana, no Rio de Janeiro, o 5º Campeonato Mundial Aberto de Capoeira Muzenza na categoria infantil – até 12 anos.

O jovem atleta rio-clarense foi eliminando um a um, em jogos mata-mata, os 63 concorrentes vindos de 15 países do mundo todo e de oito estados da federação. A disputa aconteceu em dois ritmos: Bengala e São Bento Grande.

Tal façanha lhe deu o direito de jogar o 3º Campeonato Europeu de Capoeira, que acontece na Espanha de 24 a 26 de abril. Pipoquinha vai à terra das touradas acompanhado do mestre Luís Roberto “Guerreiro”, seu professor no grupo Muzenza de Rio Claro, localizado no Arco-Íris.

Apesar dos 11 anos de idade, Pipoquinha já é veterano na capoeira. Começou a praticar a modalidade aos três anos, incentivado pelos pais. E hoje, oito anos depois, leva o nome da Cidade Azul mundo afora. Ele tem apoio da Café com Leite Moda Jovem, Mateco Materiais para Construção, Drogaria São Miguel e Academia Visual.

Pernambuco: Maracatu rural se junta aos caboclinhos em Olinda

Olinda, PE – O encontro de maracatus rurais que marca a segunda-feira de carnaval no Espaço Ilumiara Zumbi, na Cidade Tabajara, em Olinda, Pernambuco, abriu espaço, hoje, para tribos de caboclinhos, o que deu ainda mais vigor e riqueza de cores, sons e coreografias ao evento. "Nosso compromisso é o de agregar toda a cultura popular", explicou o organizador do encontro e detentor do título de "Patrimônio Vivo de Pernambuco", Manuel Salustiano dos Santos, o Mestre Salu, 62 anos, organizador do encontro que se repete há 18 anos.

Com seus cocares de penas de avestruz e de pavão e adereços nos braços e tornozelos, os integrantes dos caboclinhos encantaram com suas evoluções ao som de orquestras compostas de mineiro, gaita, tarol e surdo.

As apresentações arrancaram aplausos entusiasmados do público. O "Índio Canindé Brasileiro", do município de Itaquitinga, mostrou graça e exuberância e também deixou feliz o seu presidente, José Fernandes Martins da Silva, 30 anos. Ele mantém a agremiação fundada pelo pai em 1992. "A gente dá a vida pelo brinquedo", afirmou.

A força do maracatu rural imperou. Somente o "Leão Vencedor", de Carpina, fundado em 1991 pelo mestre João Limoeiro, reuniu mais de 200 integrantes, dos quais 120 caboclos de lança – figura mais famosa do maracatu de baque solto, com suas golas de lantejoulas e cabeleiras de papel celofane que carregam chocalhos sob o surrão que produzem um som característico na medida em que eles se movimentam.

Novos maracatus

Estavam lá tanto maracatus tradicionais, surgidos no início do século 20 – Cambinda de Nazaré, de 1918 foi um deles – como agremiações recém-criadas, a exemplo do Gavião da Mata, de Glória de Goitá, fundado há dois anos. "O maracatu está vivo e também outras brincadeiras e expressões da cultura, tem muita gente jovem infiltrada, levando à frente, garantindo a continuidade", observou Mestre Salu.

A maioria dos maracatus que se apresentou na Cidade Tabajara fez um circuito pela região metropolitana e zona da mata – na cidade de Nazaré da Mata também se realizou encontro semelhante.

No centro do Recife, no Pátio do Terço, maracatus de baque virado – também chamado de maracatu nação, que revive a coroação de reis negros e tem orquestra unicamente de percussão e som mais melodioso e harmônico – iriam repetir, à meia-noite, o ritual da Noite dos Tambores Silenciosos. A cerimônia homenageia escravos e ancestrais.

Até o final da noite, desfilariam pelo local 30 caboclinhos e 104 maracatus rurais, vindos da região metropolitana e zona da mata – área canavieira.

IX Alaiandê Xirê – O FOGO QUE FICA

Do original, ioruba, Alaiandê, significa o Mestre Tocador.
 
Xirê, de siré, (idem) quer dizer festa, celebração; encontro festivo.
 
O ALAIANDÊ XIRÊ é a Festa dos Mestres Tocadores dos ritmos africanos, afro-brasileiros e afros-descendentes, ligados às religiões primordiais e de matrizes africanas.
 
O ALAIANDÊ XIRÊ permite o entrosamento de músicos especializados nas diversas nações culturais procedentes da África na diáspora brasileira, que vêm contribuindo na formação de nossa Música Popular, conforme conhecemos hoje.
 
Estes músicos denominam-se alabês, na tradição Ketu/nagô (ioruba); Xicarangomas, de origem Angola-Congo e os Runtós, procedentes do Jeje: Mahi e Mina.
 
Segundo a Mitologia da Religião dos Orixás, Xangô é o mestre tocador; o maior dentre todos os tocadores e dançarinos de batá: um toque ritual, em Sua homenagem.
 
Portanto, costuma-se dizer: ALAIANDÊ É XANGÔ.
 
Realizado há nove anos pela equipe ALAIANDÊ do Ilê Axé Opô Afonjá – uma das mais tradicionais Casas de Culto aos Orixás do Brasil, o ALAIANDÊ XIRÊ – Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós reúne os melhores músicos sacerdotes: cantores e tocadores de atabaques da Bahia, do Brasil e, também, de diferentes regiões do exterior.
 
As exibições de alguns virtuoses do universo cultural dos Orixás, Voduns e Inquices atraem centenas de pessoas de múltiplos interesses que vêm participar do ALAIANDÊ XIRÊ – já reconhecido e sedimentado nesta cidade do Salvador, no Brasil e alguns paises da diáspora africana.
 
A partir desta 9ª edição o ALAIANDÊ caminhará pelos diferentes terreiros de candomblé em prol da paz e união.
 
O ALAIANDÊ 2006 – O FOGO QUE FICA – será realizado de 01 a 03 de dezembro, no TERREIRO BATE FOLHA, na MATA ESCURA.
 
XANGÔ DOBRA OS COUROS PARA OS 90 ANOS DESTA MARAVILHOSA CASA DE ANGOLA.
 
AXÉ, AUETO!
 
Para ficar por dentro do Alaiandê Xirê visite: Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17802621
 
Onde: Terreiro Mansu Banduquenqué – Bate Folha – Rua São Jorge, 65 – Mata Escura Salvador/BA
Fone: 0 xx 71 3376-2163
 
Quando ir: 01/12/2006 a 03/12/2006
 
Quanto custa: Grátis
 
Contatos/Informações: Rita do Rio – email: rita.virginia4@terra.com.br
Cléo Martins – email: agbeni@terra.com.br
Alaiandê Xirê – Fone: 0 xx 71 3321-2633
 
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