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MESTRE MOA DO KATENDÊ: UMA VITIMA DO EXTREMISMO

MESTRE MOA DO KATENDÊ: UMA VITIMA DO EXTREMISMO

Texto: Jeferson do Nascimento Machado

Este texto, escrito em um momento de consternação, como não poderia deixar de ser, está carregado de emoções (o presente artigo foi elaborado para um compêndio intitulado Brasil Nunca Mais, organizado pela Frente Popular – São João do Triunfo). Tenho ciência disso. No entanto, o emergir da violência no país, que se desdobrou – entre outros tantos crimes políticos – no assassinato de mestre Moa do Katendê (Romualdo Rosário da Costa), aponta para uma necessidade de tomarmos posições frente ao que vem acontecendo, buscando equacionar os acontecimentos, numa perspectiva progressista, e apontar caminhos melhores que estes que os reacionários nos oferecem.

Assim sendo, busquei realizar uma reflexão a partir do crime brutal que vitimou Moa, de modo que possamos compreender a dimensão histórica e social do ocorrido. Para isso, me amparei em uma bibliografia criteriosamente selecionada acerca da capoeira, bem como em fontes variadas, como portais de notícia, fontes orais, jornais e revista (que estarão referenciadas junto com as bibliografias deste compêndio).

O assassinato de Moa repercutiu e continua a repercutir, sendo divulgado nos mais variados portais de notícias, nacionais e internacionais. Sua morte levou muitos capoeiristas, grupos culturais e políticos, bem como grande parte da sociedade civil organizada a realizarem uma série de eventos, atos e protestos contra o crime. Também aconteceram homenagens de vários artistas, como Caetano Veloso e Chico Cezar, que gravaram, cada qual, uma música em homenagem ao Mestre Moa. Roger Waters, ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, fez emocionante discurso sobre ele em show na Bahia. Além do mais, a sua morte levou algumas alas da periferia a se organizarem frente ao que se instala no país. Exemplo disso, está sendo a criação dos Comitês Mestre Moa do Katendê, por todas as periferia do país, iniciado pelo rapper G.O.G (Genival Oliveira Gonçalves). Toda esta rede de ações pragmáticas e discursiva, criadas em volta de Moa, parece apontar que a sua morte, longe de ser algo isolado e distante, está totalmente enraizada ao social, catalisando sentimentos e produzindo ações. A dimensão social do ocorrido ultrapassa o próprio evento – junta-se a outros tantos crimes, de hoje e de ontem, cometidos contra o negro, contra os trabalhadores e todas as minorias em poder – e produz redes de consciências que podem despertar as classes menos favorecidas.

Dito isso, vamos adentrar na biografia deste mestre. Romualdo Rosário da Costa, o Mestre Moa, foi um dos grandes mestres de capoeira e divulgador da nossa cultura popular. Ele nasceu em Salvador (BA) no dia 29 de outubro de 1954 e conheceu suas raízes aos oito anos, aprendendo os primeiros movimentos de capoeira. Com seus 16 anos Moa começou a trabalhar em grupos folclóricos como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. Foi uma pessoa essencial para a difusão da cultura afro-brasileira pelo sul do país, sendo responsável pela introdução da dança afro no Rio Grande do Sul.

Em 1985 Mestre Bobó formou Mestre Moa do Katendê, que deste então passou a ensinar a capoeira no Espaço Clube de Regatas Vasco da Gama. Mas ainda antes dele ter sido formado mestre, ele já tinha construído uma grande carreira no campo cultural. Assim foi que no ano de 1977 ele veio a ser campeão do Festival de Canção Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil. E em 1978 a fundar o Afoxé Badauê, que veio a ser campeão do desfile de 1979, na categoria de afoxé. Em sua vida ele foi compositor, dançarino, ogã-percussionista, artesão, educador e capoeirista.
Sobre a capoeira, Moa costumava dizer que ela abriu sua mente “para o entendimento de liberdade, de irmandade, de companheirismo, de respeito ao próximo, de respeito ao mundo, respeito à natureza, principalmente”. Em suma, a capoeira fez ele ter um olhar à esquerda sobre social e sobre a própria natureza. E foi este olhar que fez dele um constante guerreiro na luta contra a opressão, inclusive aquela da Ditadura Militar (1964-1985). Os militares daquela época chegaram a lançar bombas em um de seus ensaios, no Bonfim.

Este atentado contra Moa e seus outros colegas de ensaio, revela a parte de uma perseguição antiga, histórica, da burguesia brasileira sobre o negro, sobre o capoeira, sobre o trabalhador. Porém, mesmo com a perseguição, Moa nunca parou de lutar, prosseguiu engajado nas lutas sociais até o dia 7 de outubro, quando foi violentamente assassinato.

A perseguição a capoeira esteve assentada, ao longo de sua história, na luta de classe. E essa perseguição foi constante, os poderosos não descansaram um só dia no intuito de eliminar a capoeira. E quando notavam que era impossível, tentavam domesticá-la (ainda tentam até hoje). No entanto, ela sobreviveu a escravidão, a Ditadura e continua atuante nas periferias, nos becos, nas vielas e cortiços.

A origem da capoeira é carregada de polêmica, dividindo capoeiristas e intelectuais, que cada qual, a seu modo, busca dar uma versão sobre seu surgimento. Todavia, no âmbito historiográfico, foi Eugênio Soares que deu a melhor versão para o estado embrionário da capoeira. Para ele a capoeira foi uma prática urbana, exercida por escravos (sobretudo os de escravos de ganho) que, no todo, constituíam-se de homens, jovens e da África Centro-Ocidental. Muitos outros intelectuais concordam com Soares de que a capoeira tenha sido criada no Brasil, pelos africanos. Dessa forma, a capoeira é uma prática afro-brasileira, ou seja, ela foi criada no Brasil por africanos escravizados e se desenvolve sob influência de todo o caldo cultural do século XIX e XX.

João da Matta, que é psicanalista e usa da capoeira como ferramenta terapêutica, entende que a capoeira surgiu como resposta contra o colonizador europeu, servindo como instrumento de luta contra a escravidão e a repressão policial. E foi assim que ela veio se construindo ao longo da história, formando laços de companheirismo entre a classe oprimida.

No entanto, mesmo sendo fato que a capoeira foi criada por trabalhadores escravizados, a burguesia sempre buscou chamar ela de uma prática de vadios, desocupados. Se olharmos para os jornais antigos da Bahia, por exemplo, nos depararemos com os ritos de carregar peso – que eram realizados pelos trabalhadores de rua – conviviam com a capoeira, sendo que o cancioneiro da capoeira bebeu nos cantos do trabalhador de rua e estes se utilizava da capoeira em momentos conflituosos ou lúdicos. No geral as fontes revelam que os capoeiras, mesmo depois da escravidão, continuavam a exercer as profissões antigas mostrando certa continuidade de posição, desta forma eles continuaram a viver de ocupações esporádicas e intermitentes: estivadores, carroceiros, peixeiros, engraxates, pedreiros, chapeleiros, etc.

E foi o fato da capoeira ser uma prática cultura da classe trabalhadora que fomentou, desde muito cedo, o engajamento desta prática com as alas mais progressista da sociedade. Afinal, trabalhadores e grupos de trabalhadores, são impelidos pela dinâmica da própria luta de classe, que se assenta no modo de produção capitalista, para organizações que expressem seus anseios e ofereçam chaves interpretativas da realidade, para que assim suas ações se aperfeiçoem.

Assim sendo, aqui damos atenção para os partidos e organizações políticas, na percepção de que elas expressam as classes e frações de classes e que, portanto, também atraem os trabalhadores, bem como os organiza e é organizada por eles. Este engajamento da capoeira a partidos, pode ser encontrado ainda no século XIX, embora naquele momento a consciência dos capoeiristas, assim como da própria elite, estivesse totalmente fora do lugar. Esta deturpação da realidade, nascia pela tentativa da elite em reproduzir o mundo europeu dentro da realidade brasileira, que era totalmente diversa daquela. Esta deturpação da elite afetava a própria ação dos trabalhadores, que naquele momento ainda se encontravam na condição de escravos. Esta deturpação produzia partidos fora do lugar, como o Partido Conservador e Partido Liberal, nos quais muitos capoeiristas se reuniam em maltas, onde lutavam. Os Nagôas, que eram africanos ou descendente vindos da Bahia, ocupavam a Pequena Africa, apelido dado aos arredores da Praça XI, um dos limite do Rio de Janeiro. Eles declaravam apoio a monarquia, que era representado pelo Partido Conservador e identificado com o movimento abolicionista. Os Gaiamuns já eram uma malta que se identificava com os mestiços. Eles ocupavam o centro da cidade e estavam aliados ao Partido Liberal, que tinha identidade com ideais republicanos.

Passado o século XIX, os capoeiristas passaram a se organizar junto alas de maior clareza, e de caráter realmente progressista. E isso já pode ser visto em Mestre Pastinha, que durante toda sua vida, foi próximo dos membro e militantes do Partido Comunista, chegando a ter como amigo pessoal, o comunista Jorge Amado, escritor que dedicou bastante à divulgação da capoeira, a partir da literatura, sobretudo da capoeira Angola. Pastinha chegou mesmo a dar aulas no Centro Operário, o que o aproximou ainda mais dessa ala progressista. Além disso, também foi próximo dos anarquistas, que se expressa em sua aproximação com Roberto Freire, que mais tarde criaria a Somaterapia, que tratava-se da união da psicanálise desenvolvida por Wilhelm Reich, do anarquismo e da capoeira angola.

Em momentos conturbados, como foi o caso da Ditadura Civil-Militar(1964-1985), a capoeira se fez presente na luta e houve constante perseguição aos capoeiristas que se recusaram a seguir as normas impostas. O Grão Mestre Dunga, praticante da Capoeira de Rua, chegou a ser preso por estar tocando berimbau na Praça Sete, em Belo Horizonte. Ele narra que “a capoeira de rua sofreu repressão e perseguição, considerada como atividade subversiva pelo governo militar” e que ele “foi recrutado pelo exército, na década de 70, quando resistia e alimentava, às escondidas, os universitários presos durante as manifestações estudantis”.

Também Mestre Djalmir, em depoimento a Identidade Cultura TV narra a sua experiência durante a época da repressão em São Gonçalo, dizendo que “[…] era uma época forte da repressão da Ditadura, que não queria aceitar o capoeirista […] então fui obrigado a correr muito. Aquela época se você tive jogando a capoeira num determinado lugar, todo mundo nem perto queria passar […] olhava com medo e se por acaso algum militar chegasse, ai a gente tinha que correr […]. Mestre Djalmir chegou a ser preso duas vezes por causa de capoeirista.

Outros capoeiristas, como o Mestre Arraia, considerado precursor da capoeira em Brasília, foi atuante junto aos movimentos contrários a Ditadura Militar. Entre esses capoeiristas que lutaram contra o regime, ainda poderíamos citar o jovem capoeiristas e estudante de direito, Caio Venancio Martins, que foi integrante do Movimento Estudantil da USP e que foi considerado perigoso em documento do DOPS por praticar capoeira, sendo preso e sumido pelos militares. Devemos lembrar que o próprio Carlos Marighela foi capoeiristas, chegando a utilizar da capoeira para resistir a uma prisão.

Além disso, vale notar que o ativismo não se limitou aos sujeitos isolados, mas também se manifestou em grupos e associações de capoeira, como foi o caso da Associação Cultural Corrente Libertadora, que estabeleceu fortes diálogos como movimento sociais, tornando-se ferramenta de intervenção política no período da Ditadura Militar, tendo dado a sua contribuição para a criação do PT (Partidos dos Trabalhadores). Assim sendo, a capoeira criou uma relação histórica com esse partido progressista, tendo fortalecido a relação quando a capoeira foi reconhecida pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 20 de novembro de 2008, como Patrimônio Nacional e como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 26 de novembro de 2014.

Outro grupo importante nessa resistência, foi o grupo de mestre Anande das Areias. Este mestre foi para São Paulo após treinar em Itabuna, como o jovem Luís Medicina, a pedido de Mestre Suassuna, que era líder do grupo. Ali se estabeleceu e passou a dar aulas. Suas aulas começaram a chamar atenção, sobretudo dos estudantes universitários. Areias veio a ser preso por essa relação com os universitários da época, que estavam engajado na luta contra a ditadura. Na prisão foi que ele teve contato com os intelectuais de esquerda, os quais transmitiram seus conhecimento. Quando Areias saiu da prisão, ele rompeu com seu antigo mestre e fundou o grupo Capitães d’Areia, que se propunha trabalhar a capoeira enquanto instrumento de libertação para os grupos oprimidos.

Desta forma, podemos dizer que a capoeira, construída na arena da luta de classe, acumulou experiências que foram sendo transmitidas pela tradição oral e pela estética das rodas de capoeira, sendo assim interiorizada pelos capoeiristas, funcionando como esquemas mentais de classificação e ação diante a sociedade com que se defrontam. E foi isso que levou a muitos capoeiristas a terem uma posição clara quanto o Golpe de 2016, vindo a participarem de vários atos contra o Michel Temer e a retirada da então presidenta Dilma Rousseff, que podem ser encontradas nos mais variados portais de notícias.

Em continuidade e coerência com o caráter emancipatório da capoeira, também Mestre Moa do Katendê se posicionou à esquerda, neste momento conturbado da história. Este posicionamento acarretou em sua morte, porém ele morreu enquanto individuo, mas sobrevive enquanto classe emancipadora.

Este crime soma-se a outros, como o feminicídio da vereadora Marielle Franco, que até o momento ainda não foi resolvido; ao atentado a caravana do ex-presidente Lula, aos ataques ao acampamento situados nas proximidades da Policia Federal, local onde se encontra o ex-presidente; além de tantos outros caso de violências. Dessa forma, notamos que o assassinato de Moa se insere num quadro de violência, que vem sendo orquestrado pela ala reacionária da sociedade, que aproveita-se de um momento de crise para encarnar sua ideologia no social, produzindo verdadeira milícias.

Assim sendo, estes acontecimentos expressam parte da luta de classes atual. A esquerda tem escolhido o caminho do pacifismo, da não agressão. Enquanto isso, a extrema direita escolheu o caminho radical. E cada dia ela aumenta o grau de violência, sistematiza e amplia seu poderio sobre as massas.

Visto isso, antes de encerrarmos este texto, voltemos a Itália do dia 16 de maio de 1924, momento em que o deputado Gramsci faz um discurso histórico contra Mussolini. Nessa época Mussolini já estava ocupando o cargo do Conselho de Ministros e resolveu encaminhar ao parlamento italiano o projeto de lei para “disciplinar a atividade das associações e institutos”, ou seja “acabar com os ativismos”. Gramsci, que era deputado, se opôs totalmente ao projeto, desmascarando a lei, demonstrando que era antidemocrática e que o fascismo buscava a implantar uma ditadura naquele país. Mussolini ficou profundamente irritado e rebateu, definindo o fascismo como “revolução”.

Porém, “Gramsci retrucou dizendo que o fascismo não era uma revolução, mas uma ‘simples substituição de um pessoal administrativo por outro. Só é revolução – acentuou – aquela que se baseia em uma nova classe; o fascismo não se baseia em nenhuma classe que já não esteja no poder’. Mussolini voltou à carga, procurando descaracterizar o conteúdo de classe do fascismo e protestando: ‘Grande parte dos capitalistas está contra nós!’. O deputado oposicionista não se perturbou, e observou que o fascismo só entrava em choque agudo com os outros partidos e organizações da burguesia […] porque queria estabelecer o monopólio da representação da classe. A atitude do fascismo com relação aos demais partidos burgueses era simples: “’primeiro lhes quebra as pernas e, depois, faz o acordo com eles em condições de evidente superioridade’. Mussolini não gostou da referência à violência dos fascistas, retrucando que esta violência equivalia a dos comunistas. Gramsci lhe respondeu: ‘A vossa violência é sistemática e é sistematicamente arbitrária, porque vós representais uma minoria destinada a desaparecer’”.

E assim como na Itália daquela época, estamos hoje no Brasil. Algo semelhante ao fascismo surgiu nas nossas terras tropicais e, da mesma forma que lá, cada dia que passa, torna-se mais violenta, sistematiza-se e se instala no âmbito social. O Brasil se encontra em uma grande encruzilhada, que não sabemos para onde vai. Por isso, esperamos que este conjunto de crimes políticos, sirvam de alerta para um perigo que se avizinha, no qual qualquer um de nós pode vir a ser vítima.

Mestre Moa, presente!

 

Texto: Jeferson do Nascimento Machado

email: jeferson075@gmail.com


REFERÊNCIA

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O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

 

Um documento histórico de grande valor… Uma versão atualizada e completa com 120 páginas !!!

 

Preparamos uma nova versão, completa e atualizada, a versão que estava largamente disponibilizada em PDF na rede, do Livro: “O ABC DA CAPOEIRA ANGOLA – OS MANUSCRITOS DE MESTRE NORONHA“, continha apenas 18 paginas. Esta versão do livro nos foi enviado há cerca de 10 anos pelo incansável Mestre Decanio (em memória), uma das mais fantásticas figuras da Capoeira que defende a democratização da informação… para o mestre, boa informação é aquela que é transmitida…

 

O Livro originalmente foi enviado ao Mestre Decanio pelo escritor, historiador e pesquisador Fred Abreu que conseguiu publicar os manuscritos de Noronha, com o apoio do Governo do Distrito Federal, Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio, DEFER e CIDOCA/DF

 

Mais uma excelente novidade para toda a comunidade capoeirística!!!

 

o-abc-da-capoeira-angola-manuscritos-de-mestre-noronha

 

Fica a dica de uma ótima e importante leitura, aproveite!!!

 

Agradecimentos especias:

Fred Abreu, Angelo Augusto Decanio Filho, Bruno “Teimosia” e A Família de Daniel Coutinho o Mestre Noronha, que autorizou esta publicação.

 

Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio – DEFER – CIDOCA/DF

“É um documento emocionante por que demonstra a sede que nosso povo tem manter e propagar a tradição provando que têm consciência de um povo sem tradição é uma arvore sem raiz… qualquer abalo destrói… como venho dizendo há anos…”

Desejando muita saúde, felicidade e  axé!
Decanio

 

 

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Anatomia de um prêmio em 12 facadas

por Mauricio Acuna

Misteriosamente, o Badauê surgiu
Moa do Katendê

 

1. Hoje ganhei um prêmio: Menção Honrosa de melhor tese em Ciências Humanas da USP. Reconhecimento de excelência em pesquisa em uma das melhores universidades do mundo;

Anatomia de um prêmio em 12 facadas Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

2. Trabalho escrito por mãos que aprenderam a escrever na escola pública em São Bernardo do Campo, e que apertaram muitas outras mãos sonhadoras em cursinhos populares pré-vestibular. Trabalho estimulado por mãe, irmã, companheira, sobrinha, amigas: muitas mulheres. Trabalho nutrido por mestres de capoeira e suas criações infinitas com os corpos e os instrumentos: muitas artes afro-brasileiras. Trabalho que ganhou a cara de uma das melhores e mais conservadoras universidades públicas do Brasil, mas com as marcas da diferença e dos diferentes que, cada vez mais, participam das aulas com a cabeça erguida pelo direito conquistado;

3. A tese que ganhou esta menção honrosa conta a história de um dos grandes mestres de capoeira nascido no Brasil e mundialmente reconhecido: Vicente Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha. Também conta a história de seus saberes subalternizados e racializados. Conhecimento marginal das letras e das gingas. Briga antiga da cidade letrada e das quebradas gingadas;

4. Foi sem o reconhecimento acadêmico, e com muito pouco apoio do Estado em suas várias instâncias, que centenas de mestres contribuíram ao longo de muitas décadas, para a transformação da capoeira em Patrimônio Mundial da Humanidade em 2014, reconhecida pela Unesco;

5. Moa do Katendê, um desses mestres, foi brutalmente assassinado domingo, 7 de outubro de 2018, como efeito trágico da nossa democracia envenenada;

6. “Oi sim, sim, sim, Oi não, não, não

7. Assim ensinam os capoeiras em uma de suas mais famosas canções. Mas não se enganem, o verso é uma pequena, mas poderosa fórmula na “pedagoginga” – como ensina Allan da Rosa. Cantar esses versos inspira a diplomacia da ginga, a capacidade de se mover entre os contrários, de não se reduzir aos opostos;

8. Como uma forma de democracia, a capoeira hoje é a arte do discordar sem exterminar. Mas não se parece com a nossa democracia de milícias afiadas;

9. Em 2004, Gilberto Gil, o sábio Ministro da Cultura, propôs na ONU, a capoeira como uma “tecnologia social” para a paz. Eis que, mais de uma década depois, ela é ensinada em campos de refugiados noCaribe, África e Oriente, participando, significativamente, junto ao problemas globais das migrações e das catástrofes causadas pelas mudanças climáticas;

10. Como filho de exilados políticos da ditadura assassina no Chile, eu me pergunto se nós, brasileiros, aprenderemos algum dia novamente com os mestres, como se constrói democracia e participação?

11. Que toquem os berimbaus e atabaques, entre terra e céu para Mestre Moa do Katendê. Quem sabe ele joga com Mestre Pastinha, e é assistido por Marielle: “oi, sim, sim, sim…oi, não, não, não”.

12. Democracia sim, cultura sim, liberdade sim….milicianos não, tortura não, extermínio não.

 

12 de outubro de 2018. Dia de Oxum e de Nossa Senhora Aparecida.

Mestre Moa do Katendê

Veja Também: Tese de Doutorado

DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-18042018-100742

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê, um dos maiores mestres da nossa cultura popular, foi covardemente assassinado por sua postura antifascista.

Esfaqueado pelas costas, numa discussão política, Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, mais conhecido como Mestre Moa, que sempre esteve a frente do seu tempo, nos deixa em um momento social e político extremamente delicado. O crime ocorreu por volta da meia-noite, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas.

Um pouco de cada capoeirista morre esfaqueado hoje! Mas não morrem as ideias de Mestre Moa, representante da cultura negra e da postura política necessária.

História

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Angola Angoleiro Sim Sinhô:

“Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”.

Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira. Capoeira Portal Capoeira 1

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa seguia pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostrava as riquezas da cultura afro-brasileira.

Mestre Moa do Katendê: “A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais”

Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

 

leia também:

CAPOEIRA E POLÍTICA: De Que Lado Você Está?

 

 

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Revista Placar 505 – 28 Dezembro 1979

Se liga capoeira!!! Fica a reflexão…

Obrigado ao nosso colaborador Teimosia pelo importante registro.

Fonte: Arquivo Teimosia

Mestre Ferradura em Portugal – Aula Aberta e Roda de Capoeira

Mestre Ferradura em Portugal Aula Aberta e Roda de Capoeira

 

Dia 1 de maio no Porto

 

Dia 5 de maio em Sintra – Lisboa

 

Mestre Ferradura

Mestre Omri Ferradura Breda preside o IBCE e é uma das grandes referências mundiais no campo da Capoeira-Educação, ministrando desde 1995 classes regulares para a Educação Infantil em diversas escolas e projetos e sendo continuamente chamado para dar palestras e cursos em Universidades e cursos de formação de professores por todo o mundo.

Formado pela Escola de Capoeira Angola do Mestre Marrom – RJ, Mestre Ferradura dirige a Equipe de Capoeira-Educação Brincadeira de Angola, formada por professores experientes na área de Capoeira-Educação, com formações em pedagogia, fisioterapia, educação física, psicomotricidade, psicologia, música, teatro, circo e arte-educação. É neste ambiente interdisciplinar que se planejam os projetos educacionais aplicados em diversas instituições.

Seus artigos – “A capoeira como prática educatica transformadora”, “A Capoeira como prática pedagógica na Educação Infantil” e “Capoeira e educação libertaria para a formação de sujeitos autônomos” foram escolhidos pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro para representar a Capoeira no campo da educação.

Mestre Ferradura foi também escolhido pelo SESC Nacional para ministrar o Curso de Formação Continuada em Capoeira Infantil Brincadeira de Angola para todos os SESCs do país, como pode ser conferido neste link.

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Capoeira Portal Capoeira

Na área artística, carrega na bagagem trabalhos de direção de capoeira em diversos campos, com nomes como Ariane Mnoucchkine (Diretora do Teatro do Soleil-Paris), Karim Anouz (Diretor do filme Madame Satã), Claudio Balthar (Diretor da Intrepida Trupe), Paola Barreto Leblanc (Diretora do filme Maré Capoeira) e João Falcão (Diretor da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque).

O QUE É CONTRIBUIÇÃO CONSCIENTE? 

A contribuição consciente é uma forma de pagamento que oferece a cada um de nós uma rara oportunidade de escolher o quanto vai pagar por um serviço recebido, de acordo com sua avaliação a respeito da qualidade, dos benefícios que serão obtidos e de sua condição financeira atual.

Essa forma de pagamento garante que todos possam ter acesso ao conhecimento, independente da própria situação financeira. Incentiva a reflexão sobre o que cada um de nós escolhe apoiar e nutrir com o nosso dinheiro e questiona a valorização da arte.

 

PORTO DIA 1 DE MAIO

SINTRA – LISBOA DIA 5 DE MAIO

AULA E RODA ABERTA A TODOS…

Para participar, basta chegar e contribuir de forma consciente.

NÃO PERCA ESTA OPORTUNIDADE!!!

 

 

No Porto apoio logistico:

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

 

 

Em Lisboa apoio logistico/hospedagem:

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira

7 Frases Que Você NUNCA Deve Dizer A Um Aluno

1. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

A pior das frases que um professor pode dizer a um aluno tem base em uma ideia obvia, mas muitas vezes deliberadamente ignorada: o exemplo vale mais do que as palavras.

Sabemos que quando apenas falamos algo a um aluno, desacompanhado do exemplo prático, a absorção das palavras é mínima. Imagine agora se esta mínima absorção for contrariada pelo exemplo.

Já foi extensivamente pesquisado que o cérebro grava melhor informações associadas, e que por isso, quanto mais variados forem os estímulos, maior será a aprendizagem.

Quando nos comportamos de maneira coerente com nosso discurso, o aluno recebe não apenas um estímulo auditivo, pois nosso comportamento vem acompanhado de cheiro, movimento, visualização e, mais importante, repetição. O bom exemplo reiteradamente exibido pelo professor implanta um ideal a ser seguido pelo aluno.

Resumindo: se você quer que seu aluno siga certas ideias, aplique-as em sua vida pessoal.

 

 2. “O aluno tem que se adaptar à Capoeira, não o contrário”

 

A Capoeira é como água. Se adapta a tudo. Se está num copo, toma a forma do copo. Se está na garrafa, se adapta a ela. Condensa-se, vira gelo, evapora. Toma a forma de rio, de oceano ou de chuva e mesmo assim sempre encontra um jeito de continuar sendo água.

Se não fosse assim, não teríamos tantos estilos, tantas escolas e tantas manifestações diferentes, como Capo-Jitsu, Capoeira Gospel, Capo-Terapia ou campeonatos diversos convivendo com rodas tradicionais, jogos improvisados ou apresentações de artistas de rua. Tampouco teríamos Capoeira sendo ensinada para idosos, pessoas com necessidades especiais ou crianças.

Dizer que o “aluno tem que se adaptar à Capoeira” é geralmente uma maneira do professor se eximir de encarar sua própria dificuldade em relação às peculiaridades de determinados aprendizes que desafiam sua capacidade de adaptação.

Talvez fosse bom aprendermos com a Capoeira a sermos mais “água”, tornando-nos “professores líquidos” capazes de responder às necessidades específicas de cada aluno ao invés de sermos “professores rochas”, encastelados em nossas posições.

 3. “A Capoeira é para todos, mas nem todos são para Capoeira”

 

 

Esta frase, exaustivamente repetida, é comum a diversas atividades, como esportes ou religiões.

 

 

Podemos entender que o ensinamento filosófico pretensamente apresentado se refere à necessidade do esforço individual, por parte do aluno, para se tornar, de fato, um membro reconhecido na comunidade.

Mas o que a frase não explica é: quem seria a pessoa que poderia determinar quem “é” e quem não “é” para a Capoeira? Quais são os critérios para definir um capoeirista “de verdade”?

Quando proferida por um professor, a frase traz em si uma declaração de veracidade sobre si próprio e uma dúvida sobre os demais. Botar em xeque a autenticidade dos alunos reforça a legitimidade do professor como alguém que “é para a Capoeira”, enquanto os alunos seguem imersos na dúvida sobre suas próprias condições.

Qual o objetivo disso, se não exercer um narcisismo exacerbado? Qual a função de colocar os outros em dúvida sobre suas legitimidades?

Talvez poderíamos trocar a frase para “A Capoeira é para Todos e Todos São Para a Capoeira. Inclusive Você!”

 

4. “Faço assim porque aprendi assim”

 

Essa frase segue a linha do “Bato nos meus filhos porque também apanhei, e nem por isso virei bandido”.

Da mesma forma que a pessoa que apanhou não virou bandido APESAR das pancadas, e não DEVIDO a elas, a pessoa que é ensinada de forma errada ainda assim pode aprender corretamente, simplesmente porque buscou o correto por conta própria.

O problema é que o aluno oprimido tende a reproduzir os erros pedagógicos quando se torna professor, repetindo novamente o ciclo de opressão-reprodução.

Isso não quer dizer que devemos jogar fora todos os ensinamentos de uma pessoa somente porque ela erra em alguns pontos, mas si que devemos filtrar as informações e escolheremos o que queremos reproduzir.

O conhecimento sobre a pedagogia evoluiu muito nas últimas décadas e a neurociência continuamente vem provando que bons estímulos cognitivos estão aliados a experiências prazerosas e não a relacionamentos opressivos.

O professor de Capoeira do século XXI não pode continuar sendo um reprodutor de modelos pedagógicos herdados do militarismo do século XIX. Temos que basear nossa didática em métodos que funcionam e em estratégias eficientes e transformadoras no campo emocional, social e político no qual o aluno está inserido.

A tradição existe para ser repetida em seus acertos, não em seus erros. Muitos comportamentos opressivos ainda seguem em voga no nosso meio, em nome de uma suposta tradição. Repetindo comportamentos do passado, que já estão “ultra-passados”, arcaicos e anacrônicos, não iremos promover nenhum tipo de revolução.

Por exemplo: antigamente as pessoas ajoelhavam no milho quando desobedeciam os professores, e nem por isso aprendiam melhor. Erros existem para aprendermos com eles, não para repeti-los.

Continuar os erros do passado em nome de uma suposta tradição é, no mínimo, preguiça pedagógica.

 

5. “No meu tempo era diferente”

 

Esta frase, em teoria, não apresenta problemas, pois obviamente todo tempo é diferente do outro. Como na alegoria do rio que nunca passa duas vezes no mesmo lugar, tudo está sempre em constante mudança.

No entanto, implicitamente essa frase traz sub-leituras, como: “No meu tempo era tudo mais verdadeiro”; “No meu tempo é que era bom”; “No meu tempo é que havia respeito” etc.

E o curioso disso é que a mitificação do “antigo” acontece em todos os “tempos” e lugares. Como na cantiga “Alegria do vaqueiro é ver a queda do boi, alegria do velho é dizer quem ele foi” o “velho”, independentemente de sua idade – sim, há velhos que são cronologicamente jovens-, está sempre falando sobre o passado para desmerecer o presente.

A pergunta que fica é: se a pessoa está viva, como pode falar sobre o “seu tempo” se ela está vivendo o momento de agora? Talvez a resposta seja que sua cabeça vive no passado, por dificuldade de se adequar ao presente.

Ao repetirmos infinitamente esta frase, passamos a ideia de que já somos passado e que os “áureos tempos” que vivemos nos fizeram ser melhores do que nossos alunos são. Nada poderia ser mais falso, pois no caso específico da Capoeira, nunca houve tempo melhor.

Se há 100 anos o capoeirista podia ser preso por “capoeirar”, hoje em dia é recebido com louvor em todos os cantos, seja em universidades e palácios governamentais, seja em comunidades populares ou em centros culturais.

Ainda há muito a melhorar e muitas barreiras a quebrar, mas mitificar uma “idade do ouro” que nunca aconteceu não ajuda a lutar por um presente melhor.

 

 6. “O aluno tem que respeitar o mestre”

 

Há um ditado que diz que é possível forçar um cavalo a um rio, mas não pode-se força-lo a beber de sua água. Exigir respeito é como exigir que o cavalo beba água.

Respeito é um conceito que implica em construção coletiva, não em obediência cega. É uma via de mão dupla, ensinada pelo exemplo. Se o mestre respeita os alunos; os mais velhos respeitam os mais novos e os alunos respeitam-se entre si, obviamente o mestre será respeitado pelos alunos também.

Eu não tenho como cobrar respeito do meu aluno, pois somente ele pode construir essa atitude para comigo. Mas eu tenho como respeitá-lo, mostrando com atitudes que levo em consideração sua presença, seus sentimentos e suas necessidades.

O ambiente a ser construído numa escola de Capoeira deve ser de respeito mútuo e de respeito a regras que beneficiem o coletivo. Desta forma o conceito será vivido por todos, não precisando ser mencionado.

Um líder que “exige respeito” dos alunos não respeita nem mesmo o próprio papel, portanto não tem como exigir respeito de ninguém.

 7. “Se machucou porque não treinou”

 

Essa é a clássica desculpa do professor para eximir-se de sua responsabilidade quanto a integridade física dos alunos.

A cena acontece assim: um jogo de Capoeira transcorre normalmente até que um dos jogadores resolve soltar um golpe a um milhão por hora. O golpe pega e machuca o outro jogador. O machucado vai ao hospital (geralmente sozinho) e volta remendado depois de alguns dias. O que machucou é isentado de responsabilidade, pois era a obrigação do machucado sair do golpe. Se não saiu, é porque precisava ter treinado mais, diz o professor, do alto de sua sapiência.

O aluno aceita a explicação e continua na Capoeira e um dia se torna professor, repetindo o mesmo ciclo por causa do tal “ensino como aprendi”. E nessa brincadeira as lesões vão pipocando por todo lado e muitos bons capoeiristas abandonam a arte por não quererem se machucar.

A ideia de que a Capoeira é uma “arte marcial” como a luta greco-romana ou um “Esporte de Combate” como o boxe leva a um discurso “guerreiro” que serve somente para desresponsabilizar o líder da aula sobre as lesões dos alunos.

 

O professor deve ter em mente que qualquer machucado ocorrido em sua aula é sua co-responsabilidade.

Independentemente de ter sido uma fatalidade ou um golpe intencional o aluno estava sob a sua supervisão e por isso não pode ser responsabilizado sozinho por algo que aconteceu coletivamente.É importante que haja um código de conduta no qual estejam previstos os comportamentos desejados pelos praticantes e o zelo com o corpo dos demais.

Em breve escreveremos novo artigo falando sobre golpes proibidos em nossas rodas!

Vamos fechar este artigo com uma fala que poderia ser facilmente escutada em muitas escolas de Capoeira:

E aí, o o que você achou? Deixe seu comentário e compartilhe este texto com os colegas!

Axé!

Ferradura

Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

 

Entrevista de Maíra Gomes retirada do Blog: Capoeira de toda maneira.

 

Uma das grandes discussões dentro da Capoeira é a questão da graduação. Muitas escolas desenvolveram seu próprio sistema, outras adotam o sistema de cordéis criados por Mestre Mendonça, há também o sistema da ABCP – Associação Brasileira dos Professores de Capoeira e não ter uma unificação ainda causa muita confusão. É aluno tirando mestre no jogo de compra, mestres sendo formados sem merecimento/tempo/história, grupos com sete graduações, outros com 20, nomenclaturas diferentes como grão-mestre, mestre mór, mestríssimo, enfim, ter um só padrão hierárquico facilitaria, mas é só isso?

 

Na semana passada enviei para alguns mestres a seguinte pergunta:  O que o senhor pensa sobre os diversos sistemas de graduação existentes da capoeira? A graduação deveria ser padronizada para todos os grupos?

 

A primeira postagem da série é especial, um panorama geral sobre as graduações ao longo da história da Capoeira. Com a palavra, Mestre Alexandre Batata:

 

“Maíra Gomes perguntou:

 

– Mestre, estou fazendo uma pesquisa, o senhor acha que os capoeiristas deviam usar a mesma graduação?

 

Aí… eu respondi:

 

– Queria poder responder a tua pergunta com um simples sim ou não, porém, pelo carinho que tenho por seu lado de investigadora (jornalista), resolvi abordar o tema.
Este assunto vem em bom momento histórico, a morte do Mestre Damianor de Mendonça. Vamos a história!

 

Poderia começar lá nos tempos ancestrais, da proposta no sistema hierárquico tribalista, onde o tempo por si só determinava o respeito: criança, jovem, adulto e velho, mas vou dar um pulo e vamos ao século XIX.

 

As maltas cariocas, aquelas da época descrita como A ERA DOS VALENTÕES por alguns historiadores, tinham um sistema de nomenclatura hierárquico. As crianças, que já tinham algumas funções na malta, eram os CARRAPETAS. Os adultos eram CAXINGUELESCAPOEIRA AMADORCAPOEIRA PROFISSIONAL e CHEFE DE MALTA. Perceba na hierarquia adulta os quatro tempos.

 

Mestre Bimba, aquele famoso baiano que em mais uma estratégia sincretista da capoeira criou a LUTA REGIONAL BAIANA, criou um sistema de graduação com QUATRO LENÇOS.
Durante a ditadura militar, com Presidente da República General Garrastazzu Médici. período mais agudo da Ditadura Militar, em 1968 havia sido publicado o Ato Institucional número 5, que suspendia direitos políticos, institucionalizava a censura e dava amplos poderes ao governo militar. Foi entre os anos de 1968 e 1973 também que o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, período no qual o país cresceu economicamente em níveis altos.

 

Havia um lema: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O!

 

A capoeira em mais um sincretismo político entra nos “moldes”. Se filia ao Conselho Nacional de Desporto através Confederação Brasileira de Pugilismo e nos estados passa a ser dirigida pelas Federações de Pugilismo. Se não me engano, Rio, São Paulo e Bahia.

 

No Rio de Janeiro, Mestre Damianor de Mendonça criou o sistema de graduações de cordéis, nove fios trançados em três, cada três representava uma trindade. Não me recordo bem mas uma delas era O PAI,O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. A ditadura era católica e para representar a hierarquia usa as cores da bandeira Brasileira, ou seja, do pavilhão nacional: verde, amarela, azul e branco. Olha os 4 de Novo. Tudo na mais perfeita ordem e progresso.

 

 

Uma curiosidade

 

A graduação era verde, verde e amarelo, amarelo, azul e amarelo, azul (Instrutor) verde -amarela-azul.(Contramestre) branco e verde ( 1º Grau de Mestre) , branco e amarelo (2º Grau de Mestre, 10 anos de Mestre), branco e azul (3º Grau de Mestre, 20 anos de Mestre) e o branco (3º e último estágio, 30 anos de Mestre).

 

No Rio de Janeiro foram graduados: Mestre Artur Emídio (CORDEL BRANCO), Mestre Djalma Bandeira cordel (Branco e azul), Mestre Luiz Américo – Mintirinha (CORDEL BRANCO E AMARELO) e a todos os outros Mestres, o CORDEL BRANCO E VERDE.

 

Mas, no começo dos anos 1980, surgem as federações de Capoeira. Aí bagunçou. Eu explico:

 

Com o intuito de formar uma Confederação Brasileira de Capoeira. As federações convidam todos os capoeiras a prestarem exames, criam-se seminários, palestras, cursos e outros blá-blá-blás.

 

Havia uma ameaça que os professores de Educação física tomassem o monopólio, conversa fiada. A capoeira estava engatinhando, já era matéria na Universidade Federal do Rio de janeiro e mais tarde na Gama Filho (particular).

 

Vamos falar do Rio, tá?

 

Na Primeira banca examinadora, mestres já renomados se predispuseram a colaborar. Provas escritas, exames de competência, alguns discordaram, mas a maioria participou. Parecia que ia funcionar.

 

Até então havia uma ética, os mestres sabiam quem era quem.
Como diz o Mestre Bocka: “Não havia código escrito e nem sempre era por telefone, porque muita gente não tinha. A gente se encontrava e perguntava, ‘Aquele seu aluno…….?’ ”

 

Mas surge a 3ª banca examinadora e começa a venda de cordéis.

 

Vamos voltar as graduações, a ideia do cordel era boa, mas o material por si só era complicado.

 

Quem tinha “meia dúzia” de alunos trançava na boa, dava um trabalho danado.

 

A Senzala, grupo que sempre foi referência, explodia na época.

 

Um designer de calça criado pela Quitéria deixa o capoeira com um estilo mais “maneiro”, tendência da moda. Nasce o Capoeira Wear. O silk screem está bombando, surgem camisas e camisetas.

 

Os eventos passam a ser todos com camisas iguais (o cara não tinha aluno bom e os amigos alinhavam em nome da capoeira)

 

Aí em Niterói, ou na Trindade, não sei onde foi a conversa, Rogério Loureiro de Carneiro, O Mestre Moreno (não sei se já era mestre nesta época), 1º Mestre formado da Angonal, saca a onda de pintar nas cordas da senzala as cores do Cordel. A galera tinha muito aluno, haja saco para fazer cordel. Corda dá trabalho, mas cordel dá mais.

 

Concluindo

 

A partir dos anos 80 perdeu-se a ética, que existia sim, vi muito mestre se juntar e fechar academia de aluno incompetente. Mas, quando as federações deram papeis, era lei. Eu vi federação mandar fechar casa de Mestres competentes que não queriam entrar na palhaçada que reinava.

 

O fenômeno no início de 1980 expandiu. A capoeira passa de centenas para milhares.

Aí chega o século XXI

 

Google que pariu!!!!! O êxodo para o exterior. Grupos disputando quem tem mais bandeira de país na camisa. O tráfico de material de capoeira para fora do país, tanto que hoje em dia fica difícil trazer qualquer coisa.

 

Caras com meses assumindo grupos, capoeiristas que vêm, queimam o filme e vão embora. Estrangeiros montando grupos, apoiados pela lei do seu país, e que nem querem ver mestre brasileiro como referência.
A capoeira chega a mais de 150 países. De milhares viram milhões. Milhões de escritores, compositores, inventores, criadores e bilhões de copiadores da média. Mas, dentre milhões, existe quem resista e trabalhe sério. FELIZMENTE A MÉDIA ESTÁ USANDO O TERMO ANCESTRALIDADE.
Para fechar, normalmente quando se faz workshop, oficinas, vivência (convivência), separa-se os grupos em turma de: INICIANTES, INTERMEDIÁRIOS, AVANÇADOS E PROFISSIONAIS.
Olha os quatro, criança, jovem, adulto e velho. 
E você, o que acha desse tema? Na próxima semana eu trago a opinião de outros mestres sobre a unificação das graduações. Não perca a gente de vista, siga o Blog Capoeira de Toda Maneira nas redes sociais.

A Capoeira não é uma obra completamente acabada, exclusiva de um grupo de pessoas

“A Capoeira não é uma obra completamente acabada, exclusiva de um grupo de pessoas.”

A CAPOEIRA É UMA EXPRESSÃO POPULAR DE MUITA FORÇA. MUITA GENTE COM EXPECTATIVAS E NECESSIDADES DIFERENTES PODE SE BENEFICIAR ATRAVÉS DA SUA PRÁTICA

Mestre Acordeon

 

 

Trecho do livro Mandinga em Manhattan *

Mestre Acordeon defende a Capoeira Contemporânea e questiona o conceito de tradição, sinalizando uma nova Capoeira-Angola praticada nas escolas fechadas, com regras, sequências de movimentos e uniforme.

Na verdade, gosto da estética dessa capoeira e de sua proposta em termos de valorização de suas músicas, rituais e africanidade. No entanto, esta capoeiragem é uma invenção muito recente. De certa forma, apresenta uma atitude que lembra de perto uma atitude de alguns negros norte-americanos mais radicais, postura que já começou a cair de moda nos Estados Unidos. Acho sua retórica academicamente construída; sua posição em termos de de assuntos sociais, “politicamente correta” em demasia, e seu método de treinamento muito europeu e contemporâneo. A meu ver, essa estratégia é incongruente com as manifestações mais espontâneas de uma arte com raízes africanas tão fortes como a capoeira.

  • Trecho do livro Mandinga em Manhattan – Lucia Correia Lima.

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO – DEZEMBRO DE JOÃO 2017

CONVITE

Salvador –Bahia Dezembro de 2017.

Prezados (as) Mestres (as) O Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha tem a honra de convida-lo para participar das homenagens ao centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha que serão realizadas entre os dias 09,15,21, 26 e 27 de Dezembro de 2017, desde já agradecemos a sua atenção e manifestamos o ansejo pela sua presença.

Segue abaixo a programação do referido evento.

Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha, Matriz Forte Santo Antonio Além do Carmo (Forte da Capoeira)

Centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha.

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira 2

DEZEMBRO DE JOÃO CRONOGRAMA DO CENTENARIO EM SALVADOR

PROGRAMAÇÃO

01/12– ABERTURA DO DEZEMBRO DE JOÃO ABERTURA : FALA DE ABERTURA -UMA MOSTRA DE VIDEO SOBRE O EVENTO – APRESENTAÇÃO DO GRUPO IMPORTUNO POÉTICO- PERFORMANCE-MESA DE CONVERSA COM CONVIDADOS: PARA FALAR SOBRE VIVENCIA E IMPORTÂNCIA DO MESTRE JOÃO PEQUENO

CONVIDADOS: *LUCÍLIA DOS SANTOS *JOÃO EVANGELHO DOS SANTO *EDELZUITA ROSA ( DONA MÃEZINHA) *PROFª E PESQUISADORA NILDES SENA * PROFª SELICK TRINDADE -UM VÍDEO CELEBRANDO O MESTRE JOÃO -INTERVENÇÃO DE HOMENAGEM MUSICAL COM MESTRE CIRO.

09/12 :19:30 – RODA EM MEMORIA A PASSAGEM DO MESTRE JOÃO PEQUENO (CONVIDADA PROFª VANDA MACHADO E MESTRE MORAES)

10/12: 15HS – RODA (SALÃO NOBRE DA CAPOEIRA ANGOLA JOÃO PEQUENO) EM PERNANBUÉS COM O MESTRE CIRO

15/12 : 18HS – HOMENAGEM AO TITULO DE DOUTOR HONORES CAUSA DO DR MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA (SALÃO NOBRE DA REITORIA DA UFBA )

21/12 19HS INTERVENÇÃO NA PRAÇA DO SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO -MOSTRA DO VIDEO: O VELHO CAPOEIRISTA (PEDRO ABIB) -RODA NA PRAÇA DO SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO

26/12: 19HS –TRADICIONAL RODA DO MESTRE JOÃO PEQUENO – COM ABERTURA DO SEMEANDO “ MESTRE JOGO DE DENTRO” 21HS – CONFRATERNIZAÇÃO

27/12 9HS – OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA MESTRE ARANHA 15HS – OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA (PROF NANI DE JOÃO PEQUENO) -17h HOMENAGENS AO MESTRE JOÃO PEQUENO EM MEMORIA AO SEUS 100 ANOS 18HS – RODA EM MEMORIA AOS 100 ANOS DO MESTRE JOÃO PEQUENO 20:30 HS – CONFRATERNIZAÇÃO COM A TRADICIONAL MESA DE FRUTAS

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira

INFORME PRINCIPAL PARA PARTICIPAR DAS ATIVIDADES: TODOS QUE QUEIRAM PARTICIPAR DAS ATIVIDADES DE RODA E OFICINA DEVERAM ESTAR DEVIDAMENTE FARDADOS, CALÇADOS E COM A CAMISA DO CENTENÁRIO QUE ESTARÁ A VENDA NO LOCAL.

Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha, Matriz Forte Santo Antonio Além do Carmo (Forte da Capoeira) Centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha. Atenciosamente

Nani João Pequeno

INFORMAÇÕES 71 33230708 71 988331469 71 987466141

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