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Mestre Bigodinho: Capoeira não se faz, se joga !

Mestre Bigodinho, batizado como Reinaldo Santana, nasceu em Conceição de Feira, no ano de 1933, mas foi no Acupe – distrito de Santo Amaro que se criou em meio a efervecência cultural do Recôncavo, onde também teve as primeiras lições na capoeiragem. Já rapaz, se mudou em 1950 para Salvador, onde logo conheceu Auvelino, mestre de Berimbau que o acolheu e ensinou os segredos da arte desse instrumento, que acabou tornando mestre Bigodinho famoso.

Mas não foi só tocando berimbau que Bigodinho encantava a todos, não ! Durante mais de 25 anos Bigodinho frequentou o famoso Barracão de Mestre Valdemar da Paixão, tempo em que, segundo ele, “menino e mulher não jogavam”. Conviveu com capoeiras famosos como Traíra, Zacarias, e tantos outros que frequentavam o Barracão, sendo ele também um dos capoeiras mais respeitados do lugar. Excelente cantor e compositor, ficou conhecido também pela forma muito particular de entoar as ladainhas e corridos que compunha.

Coordenou na década de 1960 o Grupo Resistência, no bairro da Lapinha, em Salvador. Sempre dizia que ele era do tempo em que polícia reprimia as rodas e ameaçava: “pare, senão eu furo o pandeiro e quebro o berimbau !”. Chegou a integrar também o Grupo Folclórico “Viva Bahia”, coordenado por Emília Biancardi, que teve importância na divulgação da capoeira pelo Brasil e também pelo mundo. Se tornou mestre em 1968.

Bigodinho se afastou da capoeira na década de 1970, ficando um longo período inativo. Voltou à cena somente na década de 1990, por influência de seu amigo Lua Rasta. Segundo o pesquisador Frede Abreu, mestre Bigodinho teve grande importância no processo de revitalização da Capoeira Angola nos anos 70/80, pelo conhecimento que possuía. Diz Frede que “ele conheceu e conviveu com muitos mestres antigos e sabia das coisas”.

Em 2007 aconteceu o “Tributo à Mestre Bigodinho”, uma iniciativa de seu amigo, o mestre Lua Rasta, que junto com o seu “bando anunciador”, formado por capoeiristas de todas as linhagens, fez das ruas do Acupe uma grande festa a céu aberto. Uma justa homenagem em vida que teve até registro em vídeo – o documentário com o mesmo nome, dirigido por Gabriela Barreto, onde pode-se ver a alegria de Mestre Bigodinho desfilando pelas ruas do lugar, sendo aclamado e reconhecido por todos ali presentes.

Bigodinho gravou um CD, juntamente com Mestre Boca Rica, que mostra um pouco do seu talento de cantor e compositor não só de músicas de capoeira, como também de samba-de-roda, outra paixão de Bigodinho, que era considerado também um exímio sambista. Era um boêmio nato, diziam seus amigos mais próximos.

Com sua perspicácia, dizia Bigodinho que a capoeira “é uma farmácia: está com dor na perna, no músculo…então você dá uns pulo de capoeira com a rapaziada, quando você volta já volta bom, aquela dor já saiu tudo”.

Morreu na Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, mesmo local onde morreu o famoso Besouro Mangangá. Foi num dia cinzento, 5 de abril de 2011, data de aniversário de outro grande personagem da capoeira: Mestre Pastinha.

Para o Mestre Bigodinho: “ A capoeira não se faz, capoeira se joga. A capoeira é vadiagem, é o lazer que tinha dia de domingo…é jogo, é mandinga, é magia” !

Menino Joel vai ganhar filme sobre sua vida

O pequeno capoerista, que morreu dentro de casa por bala perdida, ficou conhecido como garoto-propaganda em uma campanha do Governo do Estado

Lembra do pequeno Joel, que sonhava em ser mestre de capoeira assim como seu pai e morreu, aos 10 anos, dentro do próprio quarto, com duas balas perdidas, possivelmente vindas da polícia militar, no Nordeste de Amaralina? A história comovente deste baianinho, que fez o Brasil chorar com sua morte, vai virar o filme ‘Menino Joel’, assinado pelo cineasta Max Gaggino. No documentário, estão depoimentos do seu irmão e da mãe. 

“Um dia antes de falecer, ele acordou dizendo pra meu pai que ia estudar e que ia juntar a família dele e ia tirar daqui, porque aqui não tava dando pra viver mais; ele não queria crescer vendo o cotidiano da forma que estava sendo levado”, revela o irmão do garoto no filme.

Em um post na página oficial da produtora MaxFilmes, o diretor resume: “Gravação do documentário do Menino Joel…esperamos que seja algo revolucionário!”

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Dandara: esposa, mãe e guerreira

Herói negro conhecido pela luta contra a opressão negra no Brasil, Zumbi dos Palmares é lembrado por sua luta e sua coragem no Dia da Consciência Negra, celebrado no próximo sábado.
Diz a sabedoria popular que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher. Prefiro dizer “ao lado”, mas o fato é que com Zumbi não foi diferente. Esposa de Zumbi e mãe de seus três filhos, Dandara foi muito além do papel de esposa, se tornando uma verdadeira guerreira.
Conforme informações do professor de história Kleber Henrique, no blog Cuca Livre, Dandara, como todos no quilombo, plantava, trabalhava na produção de farinha de mandioca, aprendeu a caçar, e, além disso, aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e liderou as falanges femininas do exército palmarino.
Dandara participou de todos os ataques e defesas da resistência de Palmares e não tinha limites para defender a liberdade e a segurança do Quilombo.
A esposa de Zumbi compartilhava a posição do marido contra o tratado de paz assinado por Ganga-Zumba. Entre outras negociações, o acordo requeria a mudança dos habitantes de Palmares para as terras no Vale do Cacau. Dandara, assim como Zumbi, via o tratado como a destruição da República de Palmares e a volta à escravidão.
Dandara morreu em 6 de fevereiro de 1694, após a destruição da Cerca Real dos Macacos, uma batalha sangrenta que deixou centenas de mortos. Ainda assim, acredita-se que ela se suicidou para não voltar a ser escrava, atirando-se da da pedreira mais alta de Palmares. Zumbi, que sobreviveu ferido a esta batalha, morreu no ano seguinte em 20 de novembro, data em que atualmente é celebrado o Dia da Consciência Negra.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Lampião e Maria Bonita

Maior que Deus foi ninguem….
Valente foi Lampião….
Quando a policia chegou…
Acabou com o valentão…
 
Aquilo que foi amor…
Aquilo que foi paixão…
Morreu Maria Bonita…
Morreu abraçada com Lampião…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela não deveria morrer…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela tem de lutar por seu lugar…

Mestre João Pequeno comemora 87 anos

João Pequeno: "Vou passar à vida eterna jogando capoeira"

"Ainda faço uma demonstração se precisar", desafia um dos mais importantes discípulos de mestre Pastinha e ícone da capoeira angola em Salvador. Aos 87 anos, João Pereira dos Santos, o João Pequeno de Pastinha, foi alvo de uma homenagem prestada ontem no Forte de Santo Antônio (onde tem sua academia), pela passagem de seu aniversário. Organizada por seus alunos e amigos, a homenagem contou com uma roda de mestres e um banquete de frutas e bolos.
Nascido em 1917, João Pequeno conheceu desde cedo a arte que o transformaria em lenda viva. "Sou de uma família de valentões, sempre quis ser um valentão", diverte-se. "Ainda menino, ouvi falar de uma luta que derrubava o adversário sem precisar pegar nele. Foi assim que me aproximei da capoeira". Nem as orações da mãe o afastaram da paixão. Quando ela morreu, o valentão virou um "sentimental". "Passei a chorar por tudo e por nada", lembra.
Foi aos 13 anos que João Pequeno teve o primeiro contato com uma roda de capoeira em Mata de São João, município próximo à sua terra natal, Araci. Morou em várias cidades do interior até vir parar em Salvador. Na década de 30, participava da roda de capoeira do famoso Cobrinha Verde, no Chame-Chame. A essa altura conheceu Pastinha, na Praça da Sé, e passou a freqüentar a roda do grande mestre no Bigode, em Brotas. "Ele morreu somente no corpo. Enquanto houver capoeira, ele vive, e o nome dele não desaparece", profetiza.

Correio da Bahia 28/12/2004
Agradecimento ao Daniel da Comunidade Capoeira Angola – Orkut

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