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Portugal, Leiria: Ginga e Camaradagem

Capoeira: o exercício que é mais difícil ver do que fazer

O espetáculo vai começar. A roda está formada e a bateira dá sinal para que os berimbaus e atabeques começem a soar. O ritmo tem três tempos e todos acompanham ou com instrumentos ou a cantar e bater palmas. Para o centro da roda vão dois capoeiristas que fazem o jogo. É assim que se faz a festa da capoeira.

Em Leiria, a modalidade desportiva que oferece simultaneamente uma experiência cultural, música e dança, existe há 11 anos. Primeiro em ginásios e desde 2009 com espaço próprio, 100 por cento dedicado à modalidade, na Academia Ginga Camará (“ginga” significa movimento + “camará” significa camaradagem = a movimento de camaradagem).

O grupo assinalou o quarto aniversário do espaço, localizado em Gândara dos Olivais, a 19 de dezembro.

Papagaio e Pastilha

Desenvolvida no Brasil, a capoeira surgiu como um sistema de defesa entre os escravos africanos. Contudo, a prática era proibida e os capoeiristas introduziram movimentos de dança à luta para disfarçar. O mesmo acontecia com as alcunhas que adotavam para escapar às autoridades. Hoje em dia, a tradição continua a existir.

Jimmy Papagaio, isto é, “Contramestre Papagaio” é o fundador do grupo. Natural do Brasil, desde cedo conviveu com a modalidade e, em Portugal, procurou sempre alimentar este mix de desafio-desporto-experiência-tradição. “Normalmente, ninguém acha que é capaz de fazer, porque é mais difícil ver do que fazer”, considera. Não é preciso uma preparação física perfeita, já que os exercícios se adaptam às idades e capacidades de cada um e a perfeição também se conquista.

Pedro Sintra, o “Instrutor Pastilha”, por exemplo, acompanha os mais pequenos, desde os 4 anos. Nesta categoria a principal dificuldade está na concentração, algo próprio da idade, enquanto nos adultos se trabalha mais a coordenação dos membros inferiores e superiores com os movimentos do resto do corpo e o ritmo.

Apesar de ser considerada uma arte marcial, “na base da capoeira não há contacto físico entre quem joga. Há um movimento base, a ginga, e depois um movimento de ataque e um de defesa, em que os adversários interpretam o gesto contrário e respondem com outro movimento. Há ainda os movimentos de floreio, onde estão as acrobacias e mortais”, justifica o instrutor. E tal como no judo e no karaté, a graduação do capoeirista depende da cor da corda que usa à cintura. A atribuição acontece uma vez por ano, no batismo, e depende da prática e empenho de cada um.

Além do espaço de Leiria, frequentado por 40 atletas, o Ginga Camará tem também delegações em Alcobaça, Condeixa, Lisboa e em Pescara, Itália, num projeto de dois antigos alunos.

 

Fonte: http://www.regiaodeleiria.pt

Marina Guerra
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

Frede Abreu: O Grande pesquisador da Capoeira

Todos aqueles que amam a capoeira e se interessam em conhecê-la mais a fundo, suas histórias, seus personagens, os fatos importantes, enfim, todos aqueles que buscam compreender melhor essa rica manifestação da cultura afro-brasileira, devem muito àquele que foi um dos maiores, senão o maior pesquisador da capoeira de todos os tempos: Frederico José de Abreu, ou simplesmente Frede Abreu, como era conhecido no meio.

Frede Abreu não está mais entre nós, partiu pras “terras de Aruanda” em julho de 2013, mas deixou como legado uma obra importantíssima, através dos muitos livros, artigos, crônicas e textos que escreveu, além de um enorme e rico acervo organizado por ele composto de documentos, livros, fotografias, filmes, revistas, jornais, etc., que pode ser considerado o maior acervo sobre capoeira existente.

Mas o mais importante, é que Frede sempre foi um sujeito muito generoso. Ele sempre abriu as portas de sua casa – onde todo esse acervo era guardado – pra qualquer um que desejasse pesquisar e se aprofundar no conhecimento sobre a capoeira. Ele sempre acolheu de forma muito amável todos que o procuravam: pesquisadores, estudantes, capoeiristas, historiadores, e contribuiu de forma efetiva para a maior parte de toda a pesquisa produzida sobre capoeira no Brasil e também no exterior. É muito difícil encontrar algum livro, artigo, documentário, tese de mestrado ou doutorado sobre capoeira no qual ele não seja citado ou não tenha colaborado de alguma forma.

Frede viajou por todo o Brasil e também para o exterior, onde sempre era convidado a participar de eventos, conferências, seminários, palestras ou simples “bate-papos” sobre capoeira. E fazia isso sempre com muita boa vontade, prazer, simpatia e bom humor que caracterizavam esse baiano que nunca se recusou a dividir o seu amplo conhecimento sobre a nobre arte da capoeiragem, quando era requisitado, por quem quer que fosse.

Mas a contribuição de Frede Abreu para a capoeira vai ainda mais além: ele foi um dos responsáveis pelo retorno do mestre João Pequeno à capoeira. João tinha se afastado  da capoeira no início da década de 1980, depois da morte de Pastinha, e se dedicava a vender legumes e verduras numa barraca na Feira de São Joaquim, junto com sua esposa, a querida  “Mãezinha” como é conhecida por todos. Frede então articulou a volta de João, e foi o responsável pela organização da sua academia, que foi instalada no Forte Santo Antonio além Carmo, e se constituiu como o centro de todo o movimento de recuperação da capoeira angola, que nessa época passava por um momento difícil, num processo de franca decadência. Pela academia e sob a liderança de João Pequeno, passaram todos os mestres que foram importantes para o movimento de renovação e revigoramento da capoeira angola, desse período histórico em diante.

Há alguns anos, Frede conseguiu apoio do governo federal para enfim organizar o seu vasto acervo, criando o Instituto Jair Moura que durante algum tempo funcionou no bairro do Garcia em Salvador. Mas esse apoio não teve continuidade e todo o acervo voltou para a sua casa, num quarto onde tudo continua a ser guardado com muito zelo pela sua família.

Esperamos que as autoridades se sensibilizem com a importância da preservação e organização desse verdadeiro tesouro sobre a memória da capoeira que Frede reuniu com  tanto carinho e dedicação, durante tantos anos, e está ameaçado de se degradar pela falta de um local adequado sob a orientação de profissionais especializados.

Frede se foi, mas seu sorriso franco, seu fino senso de humor, sua disponibilidade e generosidade, seu carisma como ser humano e seus inestimáveis serviços prestados à capoeira ficarão eternizados entre todos aqueles que valorizam a memória social de um país que sofre de “esquecimento crônico”, como é o caso do Brasil.

Um axé meu amigo, onde quer que você esteja !

Capoeira sem mestre

Temos visto ultimamente, principalmente em alguns países europeus, o surgimento de vários grupos de capoeira cuja característica é a de não se vincular a nenhum mestre. Grupos que se caracterizam pela autogestão, cujos próprios integrantes se revezam na tarefa de “puxarem” os treinos e comandarem as rodas. Grupos que não se vinculam a nenhuma “linhagem” de capoeira. Muitos desses grupos, inclusive, se baseiam em vídeos do YouTube e outras ferramentas virtuais para aprimorarem suas sequências de movimentos, golpes, etc.

Entendo que essa iniciativa é, a princípio, muito interessante, pois as responsabilidades são assumidas coletivamente, dentro do princípio de horizontalidade de poder, onde “ninguém manda em ninguém”, onde não existe hierarquia, a não ser pelo tempo de vivência na capoeira de cada um.

Todas as formas autogestionárias devem ser saudadas e valorizadas nesse mundo atual, pois significam formas alternativas de se viver em coletividade, criando novas sociabilidades que se contrapõem à perversa lógica do capitalismo, em que sempre tem que haver alguém para mandar (os que têm dinheiro, e consequentemente poder), e alguém para obedecer (os quem não têm).

Porém, não podemos esquecer que a capoeira não se trata de mera atividade física, ou outra atividade social qualquer. Trata-se de uma manifestação cultural originada de tradições muito profundas, com raízes na ancestralidade africana e na história de luta contra a escravidão no Brasil. Tudo que a capoeira é nos dias atuais, foi fruto de um processo histórico em que foram se acumulando vivências de homens e mulheres que muito sofreram e lutaram, para que essa tradição fosse mantida e chegasse até os dias de hoje.

O mestre de capoeira representa o elo entre esse passado de lutas e sofrimentos, e o presente onde se encontra a capoeira atualmente, espalhada pelos quatro cantos do mundo. O mestre de capoeira tem a missão quase sagrada, de não permitir que esse elo se rompa ! De garantir que os saberes envolvidos na prática da capoeira, sejam transmitidos de forma a respeitar esse passado, a valorizar essa história dessa gente, de manter a tradição viva, mesmo entendendo que a cultura é dinâmica e vai se transformando através dos tempos.

Arrisco dizer que existem princípios vinculados à prática da capoeira que, se não forem mantidos e respeitados, correm o risco de fazer essa tradição se transformar numa simples prática corporal, ou num mero produto comercial, ou ainda, apenas em mais uma modalidade olímpica (como aconteceu com o judô). E sabemos que a capoeira é muito mais do que isso !

Por isso, entendo que o papel do mestre é muito mais do que simplesmente ensinar um movimento ou um golpe. O mestre deve ser detentor de um conhecimento que vai sendo adquirido ao longo da vida, que vai muito além da sua capacidade física de realizar determinado movimento. Ele deve ser consciente sobre o papel de ser o responsável pela transmissão desses conhecimentos para as gerações mais novas. E por isso deve se preparar durante boa parte de sua existência para poder cumprir essa missão. Isso geralmente leva bastante tempo e por isso também não acredito em mestres de capoeira muito jovens. Eles ainda têm muito que aprender antes de se considerarem mestres.

Então, pergunto eu aqui com meus botões:  como esses grupos autogestionários lidam com isso ? Preocupam-se somente em aprender e aperfeiçoar os movimentos para aplicá-los no jogo ? E as questões históricas, ancestrais, ritualísticas, que peso têm para eles ? Que preparo possuem essas pessoas para lidarem com essas questões ?  O que a capoeira perde, quando é encarada somente como esporte ou prática corporal  ?

Ficam essas questões para reflexão, ou pra quem se aventurar a respondê-las !

Pedro Abib

* Sobre a Ilustração escolhida pelo Editor: Capoeira: sem mestre – Lamartine Pereira da Costa

Sobre o Autor:

O Professor Lamartine Pereira da Costa é um ícone da Educação Física Brasileira e faz parte do seleto grupo de profissionais que contribuíram decisivamente para a evolução acadêmica, técnica e científica dessa área.

O Livro:

O livro completou cinquenta e um anos de publicação. De uma certa forma, podemos dizer que o autor antecipou-se ao movimento de crescimento da capoeira e percebeu a importância que a capoeira viria a assumir no cenário cultural brasileiro.

A publicação é datada: é retrato de um momento em que se acreditava que a capoeira se fortaleceria como um método ginástico, ou como uma modalidade de luta, mais do que uma manifestação de forte conteúdo cultural, étnica e social. É um interessante registro de uma época da história da nossa capoeiragem.

Luis Renato Vieira

Palavra do Editor

Em tempo iremos publicar uma matéria mais ampla sobre o tema aproveitando esta fantástica chamada do nosso grande camarada Pedrão… que se esmerou na cronica… e fazendo a chamada!

Um tema nuclear, importante e que deve fomentar uma discussão mais aprofundada sobre o cenário do ensino da capoeiragem em todos os níveis.

Luciano Milani – Editor

Carta da Capoeira de MT é lançada hoje

Acontece neste domingo o lançamento da Carta da Capoeira de Mato Grosso, a partir das 15 horas, na sede do Iphan, no Centro Histórico de Cuiabá.

Documento é resultante da mobilização de mais de cinco mil pessoas envolvidas diretamente com as rodas de capoeira em dezenas de cidades de Mato Grosso

A Carta da Capoeira de Mato Grosso é o resultado da mobilização de mais de 5000 pessoas envolvidas diretamente com as rodas de capoeira na Baixada Cuiabana e mais 29 municípios do Estado.

A Carta foi construída a partir das discussões do Fórum da Capoeira de Mato Grosso, fomentado pelo Iphan, e mediado pelo antropólogo Stênio Soares (Unesco/DPI-Iphan), responsável pelo Patrimônio Cultural Imaterial.

Ao longo de sete meses, foram fomentadas reuniões de formação no campo das políticas públicas de preservação do patrimônio cultural imaterial (tradições, danças, jogos, festas, oralidades). E em março de 2012 foi criado o Fórum da Capoeira de Mato Grosso, coordenado pela Comissão Prol Capoeira de Mato Grosso, organização da sociedade civil que reúne representantes de mais de 50 entidades que lidam diretamente com a roda de capoeira.

A Comissão Prol Capoeira de Mato Grosso se organizou em seis grupos de trabalho que refletem as demandas do segmento: “Capoeira, identidade e diversidade cultural”, “Capoeira e Educação”, “Capoeira e Fomento das Políticas Públicas”, “Capoeira, Esporte e Lazer”, “Capoeira, Profissionalização e Internacionalização” e “Capoeira e desenvolvimento sustentável”. Além disso, a Carta apresenta o apoio das lideranças capoeiristas às questões tangentes aos direitos igualitários, compreendendo a capoeira como um espaço de respeito às mulheres e à diversidade sexual.

A Comissão já teve avanços importantes com o Ministério da Cultura. Em maio de 2012 realizaram uma reunião com a Coordenadora-Geral de Salvaguarda do Iphan, Teresa Paiva, e com o diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Fundação Cultural Palmares, Martvs das Chagas.

Os adeptos da capoeira em Mato Grosso acreditam que o movimento no Estado está passando por um processo interessante de construção de maturidade política. As capoeiristas e os capoeiristas compreendem que existe uma política pública federal que protege a roda de capoeira enquanto Patrimônio Cultural do Brasil. Por outro lado, eles percebem que é necessário articulação com o governo do Estado de Mato Grosso e com os municípios onde se fazem presentes. E a Carta da Capoeira de Mato Grosso não se resumirá a um documento de reivindicações, ela será fundamental para se compreender como uma base do movimento cultural no Estado está se articulando diante das políticas públicas nacionais e locais.

Para marcar esse momento de discussão das políticas culturais, a Carta da Capoeira de Mato Grosso será apresentada em meio a rodas de capoeira, danças afro e samba de roda. Como manda o enredo.

Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br

Fundação Cultural Palmares inaugura Biblioteca Oliveira Silveira

Na próxima quinta-feira (15), a Fundação Cultural Palmares inaugurará a Biblioteca Oliveira Silveira e o Arquivo da Fundação em sua nova sede, em Brasília. Na ocasião, também será lançada a Coleção Faces do Brasil – História, organizada pela professora Jacy Proença e Editora Ética do Brasil.

Com um acervo de aproximadamente 17 mil itens entre livros, folhetos, periódicos, imagens e CD-ROMs, a biblioteca abrirá suas portas para o público fazer pesquisas e consultar materiais diversos. Especializada em cultura afro-brasileira, o local reúne fotos, pinturas, cartazes e materiais museológicos, como arte quilombola, palharia, cerâmica e telas, que guardam parte da memória negra. Há ainda uma sala de vídeo com espaço para 16 pessoas e terminais para acesso à internet.

A biblioteca foi originalmente inaugurada no dia 20 de novembro de 1998, porém, com a mudança de sede, ficou desativada por alguns meses, e agora será reinaugurada sob o nome Biblioteca Oliveira Silveira, em homenagem a este grande militante do Movimento Negro brasileiro.

Oliveira Silveira – Professor, poeta e militante do Movimento Negro, foi o idealizador do Dia da Consciência Negra, juntamente com o Grupo Palmares de Porto Alegre, ainda na década de 1970. Gaúcho e autor de inúmeros poemas e textos literários, seu primeiro trabalho foi o poema Germinou (1962), tendo ainda publicado: Poemas Regionais (1968); Banzo, Saudade Negra (1970); Décima do Negro Peão (1974); Praça da Palavra (1976); Pêlo Escuro (1977); e Roteiro dos Tantãs (1981).

A Biblioteca Oliveira Silveira disponibiliza a listagem do seu acervo bibliográfico sobre a cultura negra e a história da Diáspora Africana para consulta pública no site: http://biblioteca.palmares.gov.br.

Coleção – A coleção Faces do Brasil – História e Cultura é composta por 37 obras redigidas por professores, pesquisadores e escritores negros e indígenas de 14 estados brasileiros. Organizada pela professora Jacy Proença, ativista histórica do movimento negro brasileiro, a coleção é destinada a alunos do ensino fundamental e médio.

 

Serviço

O quê: Inauguração da Biblioteca Oliveira Silveira e lançamento da coleção Faces do Brasil – História e Cultura

Quando: Dia 15 de dezembro de 2011 (quinta-feira), às 18h00

Onde: Fundação Cultural Palmares – SCS (Setor Comercial Sul), quadra 09, 1º andar, Edifício Parque Cidade Corporate, Torre B – Brasília-DF

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Cojuv firma parceria com o movimento Capoeira de Quilombo

Parceria visa contribuir na realização da V Kizomba que será em dezembro

O coordenador da Juventude, Plínio Dumont, esteve reunido nessa quinta-feira (03/11), com os organizadores do movimento Capoeira de Quilombo. Na oportunidade, foi firmada uma parceria entre a Cojuv e o movimento, com o intuito de contribuir na realização da V Kizomba, que vai acontecer, de 23 a 25 de dezembro, no município de São João do Piauí.

O evento tem o objetivo de contribuir com o processo de formação política, integração cultural, mobilização para fortalecimento histórico da capoeira de quilombos, socialização e troca de experiências, através das atividades culturais desenvolvidas dentro da comunidade.

O Plínio Dumont sente-se motivado a investir em ações educativas de valorização da cultura negra. “Eventos como esse contribuem para o fortalecimento histórico do movimento, garantindo a promoção de atividades de matriz africana.”

O Projeto visa atender 400 jovens oriundos de comunidades quilombolas, oferecendo oficinas, palestras e atividade culturais, como capoeira de quilombo, maculelê, samba de cumbucu, pagode do mimbo, afoxé, puxada de rede e reisado.

 

http://180graus.com

Londres: Movement For Change – The Capoeiragem Conference 2011

A Conferência vai prestar homenagem a dois grandes mestres da Capoeira – Mestre João Grande, ícone da Capoeira Angola da Bahia, e Mestre Gato, um dos fundadores do Grupo Senzala Rio de Janeiro e representante da capoeira regional.
O Evento servirá também como ponto de encontro e plataforma para troca de conhecimento e experiências entre a comunidade de Capoeira Européia. O evento servirá também para arrecadar fundos para os Projetos do BIDNA, uma organização sem fins lucrativos que está utilizando a capoeira como forma de apoio a crianças em situação de risco no Oriente Médio.
Recomendamos que a inscrição seja feita antecipadamente através de pagamento on line, pois as vagas serão limitadas e a procura está sendo muito alta. Veja todas as informações referentes ao pagamento no final dessa pagina.

Programação

1/07/11

Local: Petchey Academy / Kabula Arts venue Shacklewell Ln, London E8 2EY

18:30 – Abertura

Registro seguido de apresentação dos Mestres convidados para a Conferência: Mestre João Grande, Mestre Gato e demais convidados.

19:00 till 20:00 – Palestra com Dr. Matthias Röhrig Assunção* (University of Essex):

As raízes Angolanas da Capoeira. Apresentação do projeto de pesquisa financiado pela Arts and Humanities Research Council (AHRC)*.

A palestra vai se seguir de exibição de um curta sobre o Projeto BIDNA Capoeira

19:30 till 21:30 – Roda de abertura com todos os participantes.

2/07/11

Local: Petchey Academy / Kabula Arts studio em Shacklewell Ln, London E8 2EY

10:00 – Registro, apresentações e leitura do programa da Conferência

10:30 as 12:00 – Mestre Joãozinho – oficina de Maculelê

12:15 as 14:15 – Oficina de movemento com Mestre João Grande **

12:15 as 14:15 – Oficina de movemento com Mestre Gato ** (além da oficina M. Gato vai falar sobre metodologia de ensino na Capoeira)

** metade dos participantes com cada Mestre

Os workshops serão seguidos de 20 min perguntas e respostas

14:15 – Almoço

15:00 as 15:30 – Mesa redonda: Movement for Change, fazendo a diferença.

BIDNA Capoeira, Mestres João Grande,  Gato, Joãozinho, Carlão,  Ponciano e mais por vir!

15:40 as 17:40 – Oficina de movimento com Mestre João Grande **

15:40pm as 17:40pm – Oficina de movimento com Mestre Gato**

** metade dos participantes com cada Mestre

Os workshops serão seguidos de 20 min perguntas e respostas

18:00 as 20:00 – Roda de Capoeira

(somente com os inscritos para o evento)

20:30 – Festa com o grupo Pé-de-Juremá tocando Cocô, Maracatú, Ciranda, Capoeira e mais!
(informações completas em breve)

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3/07/11

Location: Petchey Academy / Kabula Arts venue Shacklewell Ln, London E8 2EY

10:30 – Registro dos participantes

11:00 as 12:00 – Musicalidade na Capoeira Angola com Mestre João Grande

12:10 as 13:40 – Oficina de movimento com Mestre Gato  (além da oficina M. Gato vai falar sobre metodologia de ensino na Capoeira)

(traga o seu próprio berimbau)

13:40 as 14:10 – Almoço

14:10 as 15:40 – Oficina de movimento com Mestre João Grande

15:50 – Entrevista com Mestres João Grande e Gato – Conversando sobre Capoeira

16:20 as 18:30 – Roda de encerramento

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PRICES:

:: PACOTE PROMOCIONAL (3 Dias)

£80 (antes do dia 30 de Maio)
£90 (antes do dia 15 de Junho)
£100 (depois do dia 15 Junho)

:: SEXTA-FEIRA – 1/07/11

preço: £30
Local: Petchey Academy / Kabula Arts venue Shacklewell Ln, London E8 2EY

:: SÁBADO – 2/07/11

preço: £60
Loca

l: Petchey Academy / Kabula Arts venue Shacklewell Ln, London E8 2EY

:: DOMINGO  – 3/07/11

preço: £50
Local:

Petchey Academy / Kabula Arts venue Shacklewell Ln, London E8 2EY

Shacklewell Ln. E8 2EY

 

Pagamento:

Kabula Arts and Culture No. 2 Account
Co-operative Bank
Account no.: 65370542
Sort code: 08-92-99

Importante: favor enviar email com recibo para info@kabula.org como prova do pagamento bancário

 

Pedimos para que continuem checando as informações do programa até a data do evento pois pequenas alterações ainda podem acontecer. Acesse www.kabula.org para atualizações.

Para mais informações sobre reservas e programa da Conferência escreva para info@kabula.org ou ligue 0044 07930076149

Biblioteca Alceu Amoroso Lima & O Autor na Praça: Centenário de nascimento de Maria Bonita.

Biblioteca Alceu Amoroso Lima & O Autor na Praça celebram o Dia Internacional de Lutas das Mulheres e o centenário de nascimento de Maria Bonita.

Maria Gomes de Oliveira nasceu no dia 8 de março de 1911 na Fazenda Malhada da Caiçara, na divisa dos municípios de Glória e Jeremoabo, na Bahia, recentemente a casa onde nasceu foi restaurada, pertence ao município de Paulo Afonso e recebe visitas de pessoas interessadas na história do Cangaço. Em 1929, aos 18 anos conheceu Lampião que visitava a Fazenda de seu pai, em 1930 ela é a primeira mulher a entrar no cangaço acompanhando o grupo de Lampião, tempos depois passa a ser conhecida popularmente como Maria Bonita. Para celebrar o centenário de seu nascimento e o Dia Internacional da Mulher, vamos realizar várias atividades no auditório da Biblioteca. Mais informações abaixo.

PROGRAMAÇÃO

19h00 – Exibição de vídeos documentários sobre as Mulheres e suas lutas

20h00 – Leitura dramática de um texto sobre Maria Bonita pela atriz Soraya Aguillera.

20h10 – Bate papo sobre Maria Bonita e o Dia Internacional da Mulher com Nalu Faria, psicóloga, integrante da SOF – Sempreviva Organização Feminista e membro da Coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil e Antonio Amaury Correa de Araújo, pesquisador sobre Lampião e o cangaço, com 14 livros publicados sobre o assunto em 62 anos de pesquisa.

21h10 – Leitura de texto sobre Dia Internacional de Lutas das Mulheres

21h20 – Apresentações musicais com a Priscila Amorim acompanhada de violão e percusssão, com performances de dança por Fabíola Camargo e Ricardo Silva.

Durante o evento haverá exposição de livros sobre o tema, mostra de telas da artista plástica Leila Monsegur e do cartunista Junior Lopes e o artista plástico Jorge dos Anjos produzirá um quadro com o tema Maria Bonita e Dia Internacional da Mulher.

Serviço:

Dia Internacional de Luta das Mulheres e Centenário de nascimento de Maria Bonita

Dia 11 de março de 2011, segunda-feira, a partir das 19h.

Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima

Av. Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo (SP) – Tel. 3082 5023 / 3063 3064

Produção: O Autor na Praça, SOF e o poeta Ricardo Carneiro e Silva.

Assessoria de Imprensa: Edson Lima – 9586 5577 – edsonlima@oautornapraca.com.br.

Apoio: Biblioteca Alceu Amoroso Lima / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Município de São Paulo / SOF – Sempreviva Organização Feminista / AEUSP – Associação dos Educadores da USP / ARTVER.

 

A artista plástica Leila Monsegur participa do evento com apresentação de uma tela sobre Maria Bonita e no dia seguinte (12/03) abre sua exposição “Feminino, força da natureza”, com Pinturas e desenhos, onde o feminino é tanto imagem simbólica quanto força expressiva, força criativa e movimento, partindo das múltiplas facetas que encobrem/descobrem os arquétipos. Na abertura da exposição será realizado o encontro de leitura “Eléia leu”, sobre textos das escritoras Hilda Hilst, Pagu, Simone de Beauvoir e Clarice Lispector. De 12 março a 08 de abril – BP Alceu Amoroso Lima – 2ª a 6ª feira – das 8h às 17h / Sábados – das 9h às 16h. Saiba mais:http://www.leilamonsegur.wordpress.com

 

Dia Internacional de Luta das Mulheres também será celebrado com ato no dia 12 no centro de São Paulo – Em luta por autonomia e igualdade, contra o machismo e o capitalismo, milhares de feministas sairão às ruas de São Paulo mais uma vez para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Como este ano a data oficial caiu em pleno carnaval, o ato foi transferido para o dia 12 de março. A concentração terá início às 9h30 no Centro Informação Mulher, na Praça Roosevelt (R.Consolação, 605). De lá, as mulheres caminharão pelo centro da cidade, encerrando o ato na Praça da Sé. No próprio dia 8 de março, o bloco “Adeus, Amélia!” levará a mensagem das feministas à população paulista. A concentração terá início às 14h, no final do elevado Presidente Artur da Costa e Silva, o Minhocão (próximo à Avenida Francisco Matarazzo). Informações para a imprensa: Comissão de Comunicação do 8 de Março
Bia Barbosa (8151-0046); Camila Furchi (76655537 e 38193876) e Luka Franca (8752-2369) Saiba mais: www.sof.org.br.

 

Sobre Maria Bonita – Nasceu no dia 8 de março de 1911, no sítio Malhada da Caiçara, propriedade de seu pai, na divisa dos municípios Glória e Jeremoabo na Bahia, recentemente a casa onde nasceu foi restaurada, situa-se no município de Paulo Afonso e recebe visitas de pessoas interessadas na história do Cangaço. Depois de um casamento frustrado, Em 1929, aos 18 anos conheceu Lampião que visitava a Fazenda de seu pai, em 1930 ela deixa a casa de seus pais e se torna a primeira mulher a entrar para o cangaço acompanhando o grupo de Lampião, tempos depois passa a ser conhecida popularmente como Maria Bonita. Com Lampião, Maria Bonita teve uma filha de nome Expedita Ferreira Nunes e os gêmeos Arlindo e Ananias Gomes de Oliveira, assim como nasceram mais dois filhos, sendo natimortos. Morreu em 28 de julho de 1938, quando foi degolada ainda viva pela polícia armada oficial (conhecida como “volante”), assim como Lampião e outros nove cangaceiros no que ficou conhecido como “Massacre de Angico”.

 

Sobre Nalu Faria – É psicóloga, com especialização em Psicodrama Pedagógico (Getep) e em Psicologia Institucional (Sedes Sapienties). Atua na SOF desde 1986, onde desenvolve atividades de assessoria e formação feminista com grupos de mulheres, ONGs e gestores públicos. Coordenou várias publicações da SOF, como o boletim Mulher e Saúde (1993 a 2002), a Coleção Cadernos Sempreviva (dez livros desde 1997) e o boletim Folha Feminista (desde 1999). Com Sonia Alvarez e Miriam Nobre, organizou o dossiê “Feminismos no Fórum Social Mundial” para a Revista Estudos Feministas, publicada em 2003. É autora de vários artigos sobre o movimento de mulheres, entre eles “O feminismo latino-americano e caribenho: perspectivas diante do neoliberalismo”. Foi integrante do Conselho Diretor da Fundação Perseu Abramo de 1996 a 2004. É integrante da coordenação nacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

 

Sobre Antonio Amaury Correa de Araujo – Grande pesuisador sobre a história de Lampião e o Cangaço, já entrevistou em torno de 40 ex-cangaceiros, membros das forças policiais, pessoas da sociedade da época e familiares remanescentes sendo que a maioria dos depoimentos foram gravados que resultou em mais de 250 horas de registros. Teve como hóspedes em sua casacangaceiro, pelos mais diversos motivos: além da colaboração com depoimentos alguns aproveitaram a hospitalidade do mestre para tratamento de saúde, entre eles Dadá, mulher de Corisco, Zé Sereno, Balão, Criança Marinheiro, Dona Sila. Também esteve em sua casa por 23 dias o irmão de Lampião João Ferreira, que não entrou para o Cangaço. É bom destacar sua amizade com Maria Ferreira, Dona Mocinha, irmão de Lampião, que em 2010 completou 100 anos. Amaury é consultado, com freqüência por jornalistas, cineastas, professores universitários, alunos e estudiosos do cangaço do Brasil e outros países de uma forma geral. Na sua incansável busca de informações sobre o assunto, realizou mais de 7.000 entrevistas, por mais de 60 anos. É consultor sobre o assunto para várias Universidades do Brasil e do exterior. Em 1969, foi roteirista do grande clássico do cinema brasileiro “Corisco, o diabo loiro” em co-autoria com o diretor do filme Carlos Coimbra. Nos anos 70, tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar do “Programa 8 ou 800”, da TV Globo, respondendo sobre o assunto. Foi consultor e colaborou com a primeira edição do programa Globo Repórter em 1975, que tinha como tema o último dia da Vida de Lampião. Tem vários livros publicados, entre eles: “Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço”“Assim Morreu Lampião”;“Lampião: As Mulheres e o Cangaço”“Gente de Lampião: Dadá e Corisco”“Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno”“De Virgolino a Lampião”“O Espinho do Quipá”; “De Virgolino a Lampião – 2ª edição” (estes três últimos em co-autoria com Vera Ferreira, neta de Lampião); “Lampião e Maria Fumaça”; “Lampião e as Cabeças Cortadas”, (ambos em co-autoria com Luiz Ruben F. de A. Bonfim, de Paulo Afonso – BA); “A Medicina e o Cangaço” (co-autoria com Leandro Cardoso Fernandes, de Teresina – PI); e o mais recente “Lampião – Herói ou bandido”, em co-autoria com Carlos Elydio Corrêa de Araújo. Amaury é sócio-fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais – UNEHS. Antonio Amaury em agosto estará participando em agosto do 2º Semninário do Cariri Cangaço em Joazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha e Aurora, no estado do Ceará. Veja entrevista e comentários: http://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/10/o-mestre-antonio-amaury.html.

 

Sobre Priscila Amorim – Apaixonada por música, especialmente pela música brasileira, no ano de 2002, decide buscar seu espaço e mostrar a singularidade da sua voz nos bares e espaços culturais de São Paulo. Através de amigos e fãs conhece o Clube Etílico Musical, espaço famoso por divulgar a mpb, onde absorve e intensifica sua afinidade com o samba e outros ritmos brasileiros. Filha de músico, autodidata por necessidade e natureza, sem receio de dividir seu dom, participou de shows memoráveis com personalidades do meio musical como Paulo Muniz, Carmem Queiroz, Oswaldinho da Cuíca, Alessandro Penezzi entre outros. Com muito entusiasmo e simpatia, fazendo da sua profissão o seu lazer, atualmente apresenta-se na noite paulistana cantando samba-raiz e mpb onde já recebeu para maravilhosas canjas a cantora Teresa Cristina, Adriana Moreira e também Teresa Gama do Clube do Balanço, abrindo também o show de Monarco da Portela, pelo Circiuto Original. Eventualmente participa de projetos paralelos para a prefeitura de São Paulo no Centro Cultural Vergueiro e para a prefeitura de Santana de Parnaíba em inesquecíveis shows dominicais. Gravou em 2006 uma faixa do show “Recado de Lá” produzido e arranjado por Oswaldinho do Acordeon. Em 2007 no seu próprio show “Cada lugar na sua coisa” convida o público a uma viagem pela música na sua essência, onde cada ritmo é explorado e expressado sem misturas, com arranjos bem elaborados mostrando toda sensibilidade e versatilidade da sua alma e de sua voz. Em 2009, fez uma temporada de shows no Bar Brahma e participou do carnaval paulista, compondo o coro, cantando samba enredo da escola Pérola Negra no Anhembi e em projetos “ Quartas Musicais” no Boteco Seu Zé, onde se apresenta semanalmente, cantando ao lado de Aloísio Machado, D Ivone Lara e Tia Surica. Agora, trabalha para gravar composições inéditas, interpretando composições de Fábio Henrique, Kiko Dinuci, Wesley Noog e também algumas releituras de D. Ivone Lara, Paulinho da Viola, Roque Ferreira, Ney Lopes e claro fazer muitas pessoas sambarem, até, quem bom sujeito não é.

 

Sobre Soraya Aguillera – Atriz formada no Teatro Escola Macunaíma em 1986, completa este ano 25 anos de carreira. Atuou em mais de 30 espetáculos,  alguns trabalhos premiados e de grande sucesso, como  A Vida na Praça Roosevelt de Dea Loher, A Mancha Roxa de Plínio Marcos, O Pranto de Maria Parda de Gil Vicente ou  Um lugar que Nunca Tive de João Fábio Cabral, entre tantos. Como atriz, conquistou elogios da crítica teatral em todos espetáculos que atuou. É também, Assessora de Imprensa e Arte Educadora em teatro.

 

Sobre Fabíola Camargo – Atualmente integra a Cia Corpos Nômades como bailarina. Participou do Grupo Minik Mondó da Coreógrafa Maria Mommenson em 2009. Foi Professora de Dança no Projeto Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo no ano de 2009. Estuda Ciências Políticas na Escola de Sociologia e Política.

 

Sobre Ricardo Carneiro e Silva – É poeta e dançarino. Nasceu na cidade de São Paulo em 1979, ano do Carneiro no horóscopo chinês, na Vila Joaniza (Zona Sul). De família nordestina (Rio Grande do Norte e Bahia) e árvore genealógica dos Carneiros da Silva (avós maternos), Ricardo Aparecido Silva trabalhou em Cartório de 1996 à 2001, em 1999 conheceu a Soma – Uma Terapia Anarquista; onde o tesão de fazer poesia desabrochou, o tesão de jogar capoeira nasceu e a possibilidade de dançar plantou. Aclarou-se a intuição, o cartório para a minha vida seria uma contramão. Então a capoeira de angola passou  integrar o seu  viver de forma completa no Grupo de Capoeira Angola Omoayê até o fim de 2006. Trabalhou e ainda é um colaborador do projeto O Autor na Praça, onde organizou intervenções poéticas e urbanas, produziu e agitou no espaço Plínio Marcos. Hoje integra a Cia Corpos Nômades como dançarino e assistente de produção.

 

Sobre a SOF – Sempreviva Organização Feminista – É uma organização não-governamental, fundada em 1963 com atuação nacional. Contribui para consolidar um movimento feminista forjado nas lutas populares, que atua na conjuntura, gerando e alimentando alternativas à ordem neoliberal. A SOF realiza atividades de formação, de construção do conhecimento, de fortalecimento de articulações, além de publicações. Apóia e assessora organizações de mulheres, movimentos sociais, ONGs e órgãos de governo. E também faz parte do movimento de mulheres, no Brasil, e da REMTE (Rede Latino-americana Mulheres Transformando a Economia) e da Marcha Mundial das Mulheres, no âmbito internacional. Saiba mais: www.sof.org.br.

 

Sobre o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”. – Para marcar este um século de organização e mobilização das mulheres, a SOF juntamente com a editora Expressão Popular publicam o livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres”, de Ana Isabel Álvarez González, traduzido do espanhol. Sinopse do livro: Diversas são as histórias que tentam contar a origem do Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dia 8 de março ao redor do mundo. Conhecer as motivações e desvendar os mitos e os fatos que deram origem ao 8 de março é o que nos traz o livro de Ana Isabel Álvarez González, agora traduzido para o português. A pesquisa realizada pela autora vai a fundo conhecer a história do movimento de mulheres socialistas do final do século 19 e início do século 20. Revela embates e contradições dentro do movimento socialista quanto ao reconhecimento da importância da igualdade entre os sexos e da libertação das mulheres. A luta das mulheres reivindicava o direito ao voto, ao reconhecimento como portadoras de bens e direitos, o acesso ao trabalho e ao espaço público. Ao se completar um século desde que as mulheres socialistas reunidas em Copenhague aprovaram a proposta do Dia Internacional das Mulheres, a recuperação do significado dessa data é uma contribuição importante para a reflexão sobre os desafios, as formas de organização e as reivindicações que mobilizam a luta das mulheres ainda hoje. A autora relata também os acontecimentos do trágico e marcante incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos, onde mais de cem operárias foram mortas. Tal evento foi de suma importância para o desenvolvimento do movimento operário estadunidense, no entanto, a autora desconstrói o mito que o vincula à criação do Dia Internacional das Mulheres. O livro “As origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres” será lançado dia 13 de Março em Várzea Paulista (Av. Projetada ao lado do Espaço Cidadania e da Prefeitura) durante a 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.

As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres.

De Ana Isabel Álvarez González.

Editora Expressão Popular – SOF – Sempreviva Organização Feminista, 2010. 208p., R$ 15,00

Saiba mais sobre o Dia Internacional das Mulheres: http://www.sof.org.br/publica/Dia_Internacional_da_Mulher-SOF-Em_busca_da_memoria_perdida-ATUALIZACAO2010.pdf

A Postura Política do Capoeira

Todo capoeirista que preza a história dessa manifestação, sabe que a capoeira tem um conteúdo político muito forte. Afinal ela surge como uma reação a uma violência a que eram submetidos os povos escravizados vindos de África, aqui no Brasil. A capoeira é antes de mais nada, uma contestação ao sistema escravagista que submetia milhões de homens e mulheres a uma cruel e desumana condição onde não só os trabalhos forçados, mas também a negação de sua cultura, sua religião, seus símbolos, seus modos de vida, era em última instância, a negação de sua própria condição de seres humanos.

Por isso a capoeira foi tão perseguida durante tantos anos. E por isso também foi preciso resistir durante muito tempo para que essa manifestação chegasse até os nossos dias, com o reconhecimento que adquiriu em nossa sociedade atual, com status de “símbolo da cultura brasileira”. Devemos isso aos bravos capoeiras do passado que souberam com suas artimanhas e estratégias, enfrentar o poder para continuar cultivando suas tradições e preservando-as com muita dignidade para as gerações futuras. Isso se constitui numa postura extremamente política.

Hoje a capoeira é muito bem vista pelas sociedades de todas as partes do mundo, e muitos são os capoeiristas que sobrevivem dessa arte. Em muitas partes do planeta, essa manifestação virou até um certo “modismo”, mobilizando milhões e milhões de praticantes de todas as faixas etárias, mas sobretudo, atingindo o público predominantemente jovem. E por ter se transformado em “modismo”, muitas vezes esse conteúdo político que está na gênese da capoeira, acaba perdendo espaço e sentido, fazendo com que ela se transforme em mera atividade voltada ao entretenimento e ao cultivo das qualidades físicas e acrobáticas. Se a prática da capoeira se restringe a esses valores, vamos estar formando somente capoeiras alienados, e nada mais !!!

 

Sabemos que a capoeira é muito mais do que isso !!!

O capoeirista que tem postura política é aquele que busca estar sempre “antenado” com o mundo que o rodeia. É aquele que busca desenvolver sua capacidade crítica diante dos fatos que atingem a sociedade da qual faz parte, assumindo uma postura de questionamento e muitas vezes até de enfrentamento, quando necessário. É aquele que não se conforma com as injustiças, com os desmandos dos poderosos, com qualquer tipo de opressão. É aquele que busca sempre se envolver nas questões sociais que o afligem, demonstrando determinação em agir no sentido da transformação dessa realidade. Se envolve em debates e busca sempre ampliar seu conhecimento sobre a situação de sua comunidade, sua cidade, seu país, de sua gente.

Os mestres e professores comprometidos com essa visão crítica que a capoeira pode proporcionar aos seus praticantes, devem estar o tempo todo estimulando isso nos seus grupos, quer seja promovendo debates sobre questões sociais, históricas, étnicas, ecológicas, de gênero, etc…quer seja participando de ações diretamente envolvidas com essas questões ao lado de seus alunos em manifestações públicas, passeatas, mobilizações, ou ainda em articulação com outros movimentos sociais, pois a capoeira é também um movimento social. E tem um potencial de ser tornar um movimento muito forte e atuante, pois agrega milhões de pessoas no mundo todo.

Talvez não tenhamos ainda uma noção muito clara sobre o poder político e de mobilização social que a capoeira possui. Por isso, se os grupos começarem a incentivar a formação política dos capoeiras (como felizmente já vem fazendo muitos grupos por aí), no sentido de atuação para a transformação da realidade que atinge nossas sociedades, com certeza a contribuição da capoeira será ainda maior no sentido de  transformar esse mundo, num mundo mais humano, justo e solidário !!!

 

Vamo simbora, camará !!!

Os “novos Capitães do mato” do Século XXI

Em pleno século XXI, ano de 2010, encontramos novas versões de “novos Capitães do mato”. Como se formam estes capitães? Ainda hoje, apesar de tanto avanço no movimento progressivas da capoeira, encontramos escolas de formação de oprimidos. Escolas que cercam seus participantes, querendo invisibilizar alguns trabalhos de relevância social e dar maior visibilidade para outros. Pratica da cultura dominante. – O que é meu vale mais, o que é do outro, não tem valor. Portanto, cuidado com os “Novos Capitães do mato”. O que liberta o capoeira é o conhecimento histórico-social de sua luta, não como determinação, mas como possibilidade de reconstruir e transformar a sua comunidade. A cabeça do capoeira aponta para o chão, e seus pés para o céu, esse movimento chamamos de inversão. As raízes ancestrais são fortalecidas na medida em que buscamos aprofundar nossos conhecimentos.

A superficialidade e o senso comum, não emancipam os homens em suas lutas, muito pelo contrário, acomodam e aprisionam na sua ignorância. Ignorância esta, que faz ressurgir os “novos capitães do mato”. Repetindo e reproduzindo a história de dominação, que se perpetua através dos tempos e nos espaços onde se movimentam os capoeiras. A história formal foi construída e constituída pela ótica da cultura dominante, pela lógica de quem é detentor do poder.  
Besouro antes de morrer,Bateu na porta e falou.Meu filho cuida bem,Do que teu mestre ensinou…

Os Capitães do mato, sempre, foram homens que conheciam os segredos da arte-luta capoeira. E resolveram utiliza-la em beneficio próprio, e não em prol do bem comum. É preciso conhecer a história da capoeira, que é um movimento de luta e resistência socialmente construído e, também, conhecer a história dos homens que movem este movimento, e que fazem este movimento se mover. Porque, como diz a musica;  “nem tudo que reluz é ouro, e nem tudo que balança cai”.

Certa vez, numa palestra em Florianópolis, não me recordo o ano, mestre João Pequeno de Pastinha, disse: “quanto mais eu ando, mais eu vejo, quanto mais eu vejo, mais eu aprendo”. E aprendo sempre que convivo com as diferenças, isso me oportuniza dialogar e refletir sobre minha práxis, e me questiono? Como pode alguém dizer, que é a favor das ações afirmativas e das cotas raciais?

Se quando chega no meio do “saber popular”, se apresenta com mestrando de uma universidade de Porto Alegre no RS, e trás um discurso panfletário, sem fontes e referenciais teóricos, sem uma organização de idéias fundamentadas numa ordem mínima. Defende políticas de ações afirmativas e cotas raciais.

E quando se apresenta a um publico para tratar de questões raciais, trás frases de efeito, que destacam a manifestação racista no Brasil para reflexão. Faz uma critica ao hino do Rio Grande do Sul; “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, mas não trás sustentação teórica às criticas que faz. Pede reflexão, mas não dá base teórica para reflexão das pessoas presente.

E a meu ver, trata os presentes como subalternos, ao pensar que ao “saber popular” não precisa dar as devidas referencias para que, possam buscar as fontes primarias e questionar, criticar e repensar, os assuntos tratados no debate. Quem defende as cotas como forma de ressarcir os danos causados em outrora. Não pode negar fontes de produção e pesquisa para a emancipação dos oprimidos pelo sistema.

Negar acesso ao conhecimento produzido pela humanidade é, negar possibilidade de emancipação social para os que sempre tiveram negado poder de decidir pela argumentação teórica e sempre foram renegados ao segundo plano.

Por tanto, cuidado com os “novos capitães do mato” solto por este mundo.  Defendam suas ideias, questionem as falácias, fundamentem suas praticas e lutem por seus direitos de cidadãos do mundo.

Procurem conhecer a verdadeira história da capoeira, a história, que a história não escreveu, mas que os antigos mestres passam pela oralidade. E também, a verdadeira história dos capoeiristas que levantam bandeiras progressistas, conservadoras, neoliberais por este mundo à fora.   Um salve a todos irmãos.Feliz 2011 muita paz e saúde a todos.

 

Mestrando Paulo Grande / Movimento Capoeira Nação

Diretor da Confraria Gaúcha de Capoeira.

Um eterno aprendiz!

 

Referência:”Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, 1980.