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Mulheres da Pá Virada

Mulheres da Pá Virada

Caladas Nunca Mais! Documentário sobre luta e resistência de mulheres na capoeira.

O projeto

Olá a todas e todos, somos o Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas. Somos um grupo de mulheres capoeiristas, pesquisadoras, educadoras, feministas e ativistas. Nosso encontro nas intersecções entre a pequena roda da capoeira e a grande roda da vida resultou na criação desse coletivo. Partilhamos interesses em aprender e atuar nas diversas esferas do universo da capoeira e o desejo de lutar criativamente contra as relações de opressão sexista que perpassam a capoeira. Realizamos encontros, estudos e atividades com foco nas questões de gênero, educação e capoeira e organizamos Rodas de Capoeira Feminista como forma de intervenção política. Participamos de eventos culturais, acadêmicos e também político-sociais, como o Fórum Social Mundial que ocorreu em Salvador em 2017.

 

APOIAR ESTE PROJETO

Um dos nossos projetos mais ousados, para o qual estamos aqui pedindo a sua ajuda, é a execução de um documentário chamado “Mulheres da pá Virada”. Nosso objetivo com este documentário é dar visibilidade à história das mulheres dentro da capoeira, e também denunciar a violência de gênero que, infelizmente, vem atrelada a essa história. Para isso dividiremos com o público histórias e trajetórias dessas mulheres, junto com uma pesquisa histórica sobre o papel da mulher na capoeira. Esse filme conta com a participação e colaboração de mais de dez mulheres capoeiristas, com perfis, gerações e linhagens de capoeira diferentes que irão mostrar as suas trajetórias.

Para realizar este ambicioso projeto procuramos editais públicos de apoio a Capoeira e ganhamos o Prêmio Capoeira Viva ano II, através da Fundação Gregório de Mattos com apoio da Prefeitura de Salvador. Este edital nos proporcionou uma verba de R$20.000,00 com a qual orçamos um curta metragem de 20 min, com um valor mínimo simbólico para as mulheres capoeiristas participantes.

No entanto, a importância política deste projeto dentro a luta maior pela emancipação da mulher é muito grande e nós precisamos ampliar a duração deste documentário para poder incluir mais entrevistas e relatos das capoeiristas, assim como material de pesquisa histórica. Queremos também levantar fundos para remunerar melhor as capoeiristas, mestras de saberes populares, artistas, professoras, estudantes que disponibilizaram do seu tempo e da sua energia para fazer parte desta luta conosco.

Precisamos de mais R$19.097,00 para fazer com que este documentário vire um longa-metragem, ampliando assim as diárias de gravação de 2 para 5 dias e alugando equipamentos de tomada de som de alta qualidade. Usaremos esta verba para ampliar a curadoria histórica, e desta forma resgatar a história não contada da mulher na capoeira. E, finalmente, iremos garantir uma contribuição real para essas mulheres participantes do documentário, que vivem da capoeira e pela capoeira, e vão se disponibilizar para contar essa/nossa história. Precisamos da sua ajuda para que isso aconteça. Se você é a favor da igualdade de gênero, da liberdade da mulher de se expressar e buscar sua felicidade livremente, ajude com qualquer quantia!!

Este projeto tem uma enorme importância política. Na atualidade vemos uma nova onda conservadora querendo nos extirpar dos nossos direitos adquiridos depois de muita luta e muitas perdas. O movimento das mulheres não é exceção, cada vez mais relatos de violência, tanto física quanto simbólica, aparecem nas redes sociais. A capoeira também é um desses cenários de relações machistas; encobertas pelo manto do discurso da “tradição”, as práticas sexistas de discriminação e violência contra a mulher se multiplicam.

Precisamos dar voz a essas mulheres, dividir com o público suas trajetórias e estratégias de luta. Mostrar como mulheres viram capoeiristas, viram alunas, professoras, contramestras, mestras. Mesmo que muitas vezes não reconhecidas “oficialmente”, são mulheres guerreiras que toda a comunidade de mulheres na capoeira aceita e abraça enquanto referência. A luta pelo berimbau, pelo canto, pela liberdade de expressão corpórea, contra o assédio sexual, em prol do crescimento profissional dentro desse campo, é constante, é violenta e é extremamente necessária.

Queremos produzir um material que nesse sentido será inédito, pois trará a tona não só a história invizibilizada da mulher na capoeira, como também mostrará exemplos, referências de mulheres capoeiristas dentro dos seus diferentes contextos de prática e ensino da capoeira. Além disso, queremos denunciar a violência de gênero dentro da capoeira e apontar estratégias de luta e resistência neste campo.

Já passamos do momento silenciador e angustiante do ato violento, agora estamos indignadas, unidas somos mais fortes e queremos dizer ao mundo: Caladas nunca mais!

 

As Mulheres da Pá Virada, que participarão deste documentário são:

 

Adriana Albert Dias, conhecida como Pimentinha, nascida em 1975, começou capoeira em 1994, É historiadora, feminista, pesquisadora da capoeira. Escreveu o livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na Capital da Bahia”. Hoje faz seu doutorado na UFBA sobre capoeira e masculinidades. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Alessandra Mattioni, conhecida como Alematt, nasceu em 1971. Começou capoeira angola em 2001 e é integrante do grupo Angoleiros do Mar. Alematt é professora de capoeira e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar que realiza vários festivais em prol da valorização das mulheres na capoeira.

Catarina Aguirre, carinhosamente, chamada de Cata, nasceu em 1984. Começou capoeira regional no Sul da Bahia em 1998 e a partir de 2001 iniciou sua trajetória na capoeira angola. Faz parte de dois grupos de vadiação: Bando Maré de Março & Bando Anunciador. Atualmente Cata é professora de capoeira angola e dá aula no ginásio do Colégio Edgar Santos que fica no Garcia.

Celidalva Pinho Encarnação, conhecida como contramestra Brisa, nasceu em 1973 e começou capoeira em 1999. É uma das lideranças no grupo Angoleiros do Mar e co-fundadora do movimento Mulheres do Mar, ministra aulas de capoeira e participa de workshops de capoeira no Brasil e na Europa.

Christine Zonzon, cujo sobrenome virou apelido de capoeira, nasceu em 1958 e é capoeirista desde 1989, antropóloga, feminista, e pesquisadora da capoeiragem. É autora do livro “Nas rodas da capoeira e da vida: Corpo, experiência e tradição”, e atualmente desenvolve seu pós-doutorado na UFBA sobre experiências e representações de mulheres neste universo. Co-fundadora do Grupo de Estudos e Intervenção Marias Felipas.

Cleonice Damasceno Silva, conhecida como mestra Preguiça, nasceu em 1976. Começou capoeira em 1987, é e professora da Escola de Capoeira Regional Filhos de Bimba onde ministra aulas na sede que fica no Nordeste de Amaralina. Também desenvolve um trabalho com capoeira para meninas num projeto social na Ilha de Itaparica.

Isabela Maria Severo Nascimento Santana, conhecida como contramestra Tartaruga, nasceu em 1977. Em 1992 começou capoeira no grupo de capoeira Angola Palmares do qual faz parte até os dias de hoje. Atualmente ministra aula de capoeira na Academia Saúde em Patamares e participa de um projeto social em Castelo Branco.

Ivanildes Teixeira de Sena, carinhosamente chamada de Nildes, nasceu em 1968. Começou capoeira em 1986 no Centro Esportivo de Capoeira Angola, é idealizadora do Otá, Espaço de Convivência Sócio Cultural Cosmoafricana que é um ateliê de artes e estéticas literárias, visuais e corporais. Desenvolve atividades práticas e pesquisas com mitologia africana e capoeira angola em Foz de Imbassaí (BA).

Joana Pointis Marçal, Jô, como gosta de ser chamada, nascida em 1989, é capoeirista desde 2012, feminista e pesquisadora da capoeira. Joana realizou o seu mestrado na Pós-Afro, em Estudos Étnicos e Africanos, sobre Capoeira, identidade e Patrimônio Cultural Imaterial. Co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Feminista Marias Felipas.

Maria Luísa Pimenta, contramestra Lilu, nascida em 1973, iniciou capoeira em 1992 em Belo Horizonte. Em 2000 mudou-se para a Bahia para vivenciar melhor a capoeira. É co-fundadora do grupo de cultural Capoeira Malta da Serra em Lauro de Freitas. É, também integrante do Bando Anunciador da Capoeira Angola de Rua desde 2000. Escreveu e idealizou o livro “CAPOflora FaunaEIRA: uma arte brasileira”. É mestranda da faculdade de Educação da UFBA e co-fundadora do Grupo de Estudo e Intervenção Marias Felipas.

Rita de Cássia Santos de Jesus, conhecida como Mestra Ritinha, foi uma das primeiras mulheres a iniciar-se na capoeiragem. Nascida em 1964, começou capoeira em 1983 na Academia de mestre João Pequeno no Forte do Santo Antônio, no bairro onde nasceu e vive até hoje. Atualmente participa de eventos e realiza workshops no Brasil e no exterior.

Olivia Roberta Lima Silva, conhecida como formada Negona, nasceu em 1981, pratica capoeira desde 1996 e faz parte do grupo de Capoeira Porto da Barra. Também participa ativamente do Movimento Mulher na Capoeira tem Axé e em breve iniciará uma turma de capoeira apenas para mulheres em Salvador.

Viviane Santos Oliveira, conhecida como formada Princesa, nasceu em 1978. Começou capoeira em 1993 no grupo UNICAR (União Internacional de Capoeira Regional) na Pedra Furada onde dá aula no núcleo na Cidade Baixa. Faz parte do Coletivo Fortalece Capoeira, Orquestra de Berimbaus Afinados e do grupo percussivo Mãos no Couro. É integrante da Salvaguarda da Capoeira na Bahia ( GT SSA), na função de presidenta.


Orçamento

O montante arrecadado com essa campanha será utilizado para complementar o Prêmio Capoeira Viva ano II: dobrando o valor do cachê das capoeiristas participantes, transformando o documentário de um curta para um longa metragem adicionando mais 3 dias de gravações, ampliando o acesso e distribuição do documentário através da inclusão de legendas em inglês e português e cobrindo os demais custos adicionais referentes à ampliação do projeto, como locação de espaço, transporte e alimentação, além de uma ajuda de custo para as voluntárias.

Descrição/Valores

  • Gravação e edição5.750
  • Cachês capoeiristas7.050
  • Alimentação equipe500
  • Transporte500
  • Custos para exibição800
  • Legendas em inglês300
  • Transcrição do áudio500
  • Tarifa banco200
  • Ajuda de custo voluntárias300
  • Locação da Casa Rosada1.000
  • Sub total16.900
  • Total com 13% 19.097

 

Saiba Mais: https://www.catarse.me/mulheres_da_pa_virada

Violência e Capoeira – Parte 3

Violência e Capoeira – Parte 3

A última coluna que escrevi (Parte 2) provocou algumas reações e debates sobre o tema violência e capoeira. Felizmente. Porque esta série de colunas chamada “Contemplações” é para refletir, reagir, e para fazer agir. No fim de uma conversa, resolvi então abrir este espaço para uma conhecida colega minha, sobre o tema da violência de gênero, especificamente a violência contra a mulher na capoeira. Porque como na capoeira não há ninguém que sabe de tudo, na vida também não tem. E Christine Nicole Zonzon – além de ser mulher na capoeira, que neste assunto faz uma diferença importante – vem desenvolvendo há anos pesquisas, no âmbito da Universidade UFBA, sobre o assunto. Como ela então tem mais experiência nesta área, e uma voz própria, a palavra agora é dela:

 

Violência na capoeira?

Seguindo com o tema da violência na capoeira, tratado nos dois últimos Posts por Filósofo, proponho refletir sobre o tema da violência de gênero, questão que começou a ser discutida em nossos grupos e encontros de capoeira no Brasil e algures. O debate sobre a violência contra a mulher poderá esclarecer alguns aspectos mais gerais da violência na capoeira, já que, como Filósofo justamente afirma, a violência está sempre relacionada ao contexto e ao objeto.

Pelo fato de a capoeira ser uma tradição sem regras explícitas e definitivas, identificar a violência pode ser um exercício difícil. No fim das contas, a própria malícia da capoeira borra as fronteiras entre o “faz de conta” e o real, a brincadeira e a agressão. Mas a violência pode ser percebida por quem sofre seus efeitos, como me disse certa vez uma capoeirista que teve o braço fraturado na roda: “Eu sei muito bem o que é capoeira e o que é violência”. Assim, mesmo ambivalente, a violência na/da capoeira, se torna problemática (e é, portanto, problematizada) quando deixa de ser naturalizada, passando então a ser questionada. Um pouco ao exemplo dos castigos corporais outrora infligidos às crianças na família e na escola…

Mas quais são as formas da violência contra a mulher na capoeira? Recentemente, circulou na Internet um vídeo que ilustra bem duas formas em que a violência se dirige à mulher na roda de capoeira: a violência física e a violência simbólica. A primeira, a violência física é visível em dois tempos: 1. o homem suspende a mulher em meio ao jogo e beija a sua bunda (violência física de caráter sexual)…ela revida; 2. Ele aplica uma chapa no peito da parceira rebelde (violência física propriamente dita). A violência simbólica, por sua vez, se expressa no fato de que a roda continua como se nada tivesse acontecido. A violência é invisível, naturalizada, pois todos aceitam implicitamente que a mulher, antes de ser parceira de jogo, é um objeto sexual para o homem. Isso não significa que os homens e mulheres presentes concordem ideologicamente com essa agressão, mas que não pensam a respeito, não percebem o ato como sendo violência. O conceito de violência simbólica criado por Pierre Bourdieu[1] significa que dentro de uma relação de dominação, o dominado aceita e normaliza a violência sofrida porque incorporou as regras do dominante.

As reações a esse vídeo compartilhado milhares de vez foram virais, e muitas (e muitos) identificaram a violência e a condenaram, afirmando que se tratava de um acontecimento lamentável, porém isolado e peculiar… Ora, as pesquisas empíricas no campo da capoeira mostram que não se trata de um caso excepcional. Além da experiência própria enquanto mulher e capoeirista, convivendo nesse campo desde 1989, duas pesquisas que desenvolvi nesses últimos anos[2] evidenciaram o caráter estrutural da violência de gênero no mundo da capoeira. Através de entrevistas, da análise de debates nas redes sociais, da organização de seminários e discussões sobre esse tema, criou-se um espaço seguro para que as mulheres capoeiristas relatem suas experiências. Também observamos durante meses as interações nas rodas e no cotidiano de grupos de capoeira e garimpamos uma bibliografia (nunca citada nos estudos sobre capoeira!) comportando uma dúzia de estudos sobre gênero e capoeira escritos por pesquisadoras/capoeiristas[3]. Descobrimos que a dinâmica da violência sexual, física e simbólica é corriqueira em diversos grupos e estilos de capoeira no Brasil e no exterior. Entre outras figuras da violência sexista relatadas, vale destacar que o jogo de capoeira inclui novas figuras quando a interação se dá com uma mulher. Inúmeras capoeiristas são carregadas no colo no final do jogo ou jogadas no colo de homens sentados na roda, são beijadas, ridicularizadas. Viu-se até um de “nossos grandes mestres” simular uma sodomização quando sua adversária abriu uma tesoura!

Outra expressão da violência simbólica sofrida pelas mulheres na capoeira é a sua exclusão dos lugares de poder/saber: poucas mestras, poucas mulheres comandando a roda e tocando o berimbau, treino diferenciado menos desafiador por considerar que as mulheres não têm força ou habilidade semelhante aos homens, homens se recusando a jogar com mulheres na roda, entre outras…Essas violências têm sido naturalizadas até um tempo muito recente, ou na verdade, até hoje em muitos coletivos de capoeira. São violências justificadas pelo argumento que as mulheres são mais frágeis, não se esforçam o suficiente, não desenvolveram ainda as competências etc… Mas são essas mesmas mulheres tidas por incompetentes que brilham na roda, na bateria, nas discussões nos eventos organizados por e para elas!

Violência e Capoeira - Parte 3 Capoeira Portal Capoeira 1

A violência de gênero, na capoeira, pode ser associada à herança dos tempos da malandragem, dos bambas, da rua, da marginalidade. Mundo dos homens por excelência em que valores testemunhando da masculinidade como a força e a valentia não só eram necessários para a sobrevivência como acabaram instituindo uma hierarquia, um ethos. Mas lembremos também que a capoeira moderna, como surge a partir das iniciativas de Mestres como Bimba e Pastinha, buscou romper com alguns aspectos dessa cultura marginalizada, para enfatizar a educação, a poesia, a beleza, a mística da capoeira. Lembremos também que mulheres estão praticando capoeira, cuidando da capoeira, trabalhando em prol da capoeira há pelo menos 40 anos!

É hora, é hora! De repensar a violência contra quem é menos homem: a mulher, o “viado”, o “gringo”, o fraquinho… Capoeira é luta pela liberdade!

[1] Segundo Bourdieu, a raiz da violência simbólica estaria presente nos habitus culturais, especialmente no reconhecimento tácito da autoridade exercida por certas pessoas e grupos de pessoas, isto é, no respeito que “naturalmente” vincula os dominados aos dominantes. Ver: BOURDIEU, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 e A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2007

[2] A primeira, realizada no âmbito do Doutorado, foi publicada pela Edufba em 2017 sob o título Nas rodas da Capoeira e da Vida: Corpo, Experiência e Tradição. A segunda (Experiências e Representações de Mulheres Capoeiristas) realizada com equipe de pesquisadores da UFBA, está ainda em andamento. Incluiu notadamente a organização de um Seminário (julho de 2017) reunindo uma grande diversidade de mulheres capoeiristas em Salvador em torno da temática da Invisibilidade da mulher na Capoeira.

[3] Entre outros estudos publicados, recomendo “COMO SI FUERAN HOMBRES”:los arquetipos masculinos y la presencia femenina en los grupos de capoeira de Madrid de Menara Lube Guizardi, Revista de Antropología Experimental, nº 11, 2011. Texto 21: 299-315.e TEM MULHER NA RODA? PERSPECTIVAS FEMINISTAS SOBRE RELAÇÕES DE GÊNERO E FEMINILIDADE NA CAPOEIRA de Paula Natanny Rocha Bezerra (Fazendo Gênero 10, 2013)

Foto principal: Arte de Lara Robatto. Logo marca do coletivo feminista de capoeira angola.

Violência e Capoeira - Parte 3 Capoeira Portal Capoeira

Christine Nicole Zonzon é capoeirista e pesquisadora interessada mais particularmente nas temáticas do corpo e da cultura, com foco na capoeira. Atualmente realiza um pós-doutorado no Programa de Pós Graduação em CIências Sociais da Universidade Federal da Bahia, desenvolvendo um projeto sobre as experiências das mulheres capoeiristas.  É autora do livro Nas rodas da capoeira e da vida: Corpo, Experiência e Tradição (Edufba, 2017).

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Anne Nathielly subiu ao pódio no 9º Campeonato Mundial de Capoeira do Muzenza

Pouco depois de uma semana que o Piauí virou notícia nacional com a escolha de Monalysa Alcântara como Miss Brasil, outra piauiense eleva o nome do Estado ao se tornar vice-campeã no 9º Campeonato Mundial de Capoeira Munzenza.

 

A jovem capoeirista Anne Nathielly, a Boneca, como é conhecida no mundo da capoeira, integrante do grupo Raízes do Brasil/JF-PI, competiu neste sábado 26 de Agosto no 9º Campeonato Mundial de Capoeira realizado pelo Grupo Muzenza, que aconteceu em Fortaleza-CE, com atletas do mundo inteiro.

 

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Maria Clara Melo acompanhada das capoeiristas que ficaram em 1° e 3° lugar na competição (A direita com a medalha de 2° lugar)

 

Boneca esteve representando José de Freitas a nível mundial e não voltará a sua terra de mãos vazias, pois a mesma consequiu medalhar, conquistando a terceira colocação, ficando entre as 3 melhores do mundo em sua categoria.

‘Herança Africana’ é apresentada no palco do Teatro Amazonas

Espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas retrata a influência negra. 
Duas apresentações serão realizadas nesta quarta-feira e domingo.

Capoeira, lundu, gambá, dança do rapachão e o samba são manifestações com influências negras. Essa ‘Herança Africana’ é o tema de um espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas, que será apresentado nesta quarta-feira (2) e domingo (6), no Teatro Amazonas, Centro de Manaus. As apresentações serão às 21h e 19h, respectivamente. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 20 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (pelos telefones: (92) 3622-1880/3622-2420) ou pelo site www.bestseat.com.br.

O espetáculo é dirigido por Conceição Souza e é resultado da pesquisa dos colaboradores Eliberto Barroncas e Railda Vitor. ‘Herança Africana’ vai destacar algumas manifestações regionais deixadas como legado cultural do negro.

A concepção do espetáculo aproveitou o trabalho realizado no projeto Escada Sem Degraus, iniciativa que envolve pesquisas de música regional e artes visuais. “Visitamos grupos de dança lundu em Itacoatiara, composto em sua maioria por mulheres, cujo estilo de dança é diferente daquele apresentado em Belém. De acordo com a localidade, a mesma dança possui características diferentes”, explica Railda.

O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001. A companhia, composta por 33 bailarinos e que se encontra com elenco renovado desde novembro de 2013, já participou de eventos como o Festival Amazonas de Ópera e Concerto de Natal.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Teresina – PI: Berimbau de Renda

BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas.

O evento se lança como o 1º festival brasileiro de músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira.

BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado.

BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral , o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro.

BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas as capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira.

Missão:

BERIMBAU DE RENDA tem como objetivo valorizar a voz feminina nas rodas de Capoeira.

 

Festival de Canto e Encontro de Mulheres Capoeiristas
22, 23 e 24>>agosto>>2014
teresina>>piauí>>brasil
berimbauderenda@gmail.com

Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu

 

“Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu. Após uma terrível batalha, a deusa protectora transformou o arco do guerreiro no primeiro instrumento musical da tribo, para que a música e a paz substituíssem as armas e guerras para sempre.”

 

Existe um facto que goza de certa autoridade, sendo que, quando se pesquisa sobre o berimbau africano, seja ele de que nome, origem, ou tamanho for, é impossível ignorar que o gênero feminino desempenha um papel extremamente considerável em relação aos arcos musicais.

A popularidade do berimbau cresceu transversalmente da arte afro-brasileira mais conhecida por Capoeira. A Capoeira, até certo ponto, era de acesso restrito a um ambiente masculino. Significantemente, as portas foram abertas para o sexo oposto e já se conquistou bastante espaço por meios de dedicação e empenho.

Porém, as mulheres na esfera capoerística ainda se encontram vítimas de regras discriminatórias, consideradas pela comunidade como tradição. Regras essas que não as permite tocar o berimbau e, em certos momentos, não poder participar durante a roda.

A mulher africana, apesar de viver em constantes normas estritas e rigorosas entre elas, sendo as responsabilidades matriarcas, no último centenário foi a que mais fortificou a presença, e a popularização do berimbau africano na plateia continental e internacional.

Através do som melódico e hipnotizante do instrumento de uma corda só, orgulhosamente canta-se cantigas de centenas de anos atrás, transmitidas pelos seus antepassados.

Canções que contam estórias das glórias dos seus povos, sobre a felicidade, a tristeza, o amor, o ódio, a paixão, a traição, as desventuras de casamentos e cantigas infantis.

Não somente a mulher é tradicionalmente considerada a base da família, mas também compõe, canta e constrói os próprios instrumentos que toca.

Cito duas personalidades da música tradicional Bantu-Nguni e herdeiras da tradição de tocadoras de arcos musicais, como a Princesa Zulu Constance Magogo e a Dona Madosini Mpahleni, que hoje em dia goza de noventa anos de idade.

Com esta chamada, conto com mais reconhecimento e consideração para com as mulheres, não somente na capoeira mas também no berimbau e outros instrumentos musicais.

 

{youtube}yEve7Yrw8iM{/youtube}

*Aristóteles Kandimba, angolano, pesquisador, cronista, cineasta e professor de capoeira Angola.
kandimbafilms.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/Angola-Ministry-of-Culture-Pictures-Events/150849848265087?fref=ts
(Mitologia Bantu-Nguni, Zulu – Africa do Sul)

 

Matéria sugerida por Nélia Azevedo – (Portuguesa)

Fortaleza: Guardas Municipais recebem aulas de capoeira e técnicas de defesa pessoal

Aumentar a sensação de segurança da população nos equipamentos públicos municipais. Com esse objetivo, a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec) ministra aulas com técnicas de defesa pessoal para as guardas municipais. O curso, Defesa Pessoal com Manuseio de Tonfa para Mulheres, receberá a Escola de Capoeira Fortaleza, nesta sexta-feira (19), das 9h30 às 11 horas. O encontro ocorrerá no jardim da instituição.

A aula contará com a participação de 15 integrantes da Escola de Capoeira Fortaleza. Atabaque, berimbau e pandeiro farão a percussão e emprestarão ritmo ao encontro. Márcio Wagner Mesquita de Paulo, contra-mestre da Escola, explica que a Capoeira aumenta a autoconfiança, o equilíbrio, a coordenação motora e a agilidade na resposta a ataques. “As técnicas reúnem golpes como Vingativa, Tesoura, Pisão e Martelo, que são muito eficientes para serem aplicados por mulheres, por serem contundentes e atingirem diversos pontos do corpo, em uma luta”, ressalta Wagner, conhecido na capoeira como Tropeço.

Cerca de 30 mulheres, incluindo integrantes de Guardas Municipais da Região Metropolitana de Fortaleza, participam do curso, que ocorre de 15 de julho a 9 de agosto, às segundas, quartas e sextas-feiras. As aulas incluem, além da Capoeira, técnicas de imobilização com a tonfa (cassetete), Muay Thai, Judô, Krav Magá, Luta Olímpica, Karatê e Hapkido. A coordenadora do curso, Denice Braga, é guarda municipal, faixa preta em Hapkido e instrutora Nível 2 de tonfa.

 

http://www.fortaleza.ce.gov.br

2ª Edição: Sinhá Chamou pra Jogar

Acontecerá nos dias 10 e 11 de Maio de 2013, a 2ª edição do evento internacional de Capoeira, “Sinhá Chamou pra Jogar”. O evento, de realização do Grupo Capoeira Brasil, do renomado Mestre Boneco, é um encontro internacional de capoeira organizado por mulheres e direcionado a todos os capoeiristas.

Homens e mulheres poderão participar, mas o comando das rodas e as aulas serão de liderança inteiramente feminina. “O objetivo do evento é mostrar a força que a mulher exerce hoje, não só na capoeira, como em qualquer outra profissão”. – explica a Mestre Magali, idealizadora do evento.

“Sinhá Chamou pra Jogar” consiste numa homenagem a todas as mulheres capoeiristas do mundo e acontece no mês de Maio em comemoração a abolição da escravidão.  Serão dois dias de cursos, oficinas e rodas de capoeira com muita energia, que promoverão a interação entre capoeiristas de todo o mundo. “Sinhá” é como os escravos chamavam as mulheres de seus senhores e o evento representa a união das raças e a quebra de barreiras sociais.

Os cursos, oficinas e rodas acontecerão em lugares distintos da Barra da Tijuca de acordo com a programação abaixo:

6ª feira (10 de maio de 2013)

 

·         19:30 às 20:30 – Aulão de Maculelê com Professora Claudinha

·         20:30 às 22:00 – Rodão de Abertura

 

Sábado (11 de maio de 2013)

 

·         09:00 às 10:00 – Café da Manhã na Praça do Ó

·         10:00 às 12:00 – Aulão e Roda na Praça do Ó

·         13:00 às 14:30 – Almoço no Clube Oásis

·         15:00 às 15:40 – Vivência

·         15:40 às 16:20 – Aulão com Mestra Francesinha (Grupo A) / Aulão com Contramestra Sabrina (Grupo B)

·         16:20 às 17:00 – Aulão com Mestra Francesinha (Grupo B) / Aulão com Contramestra Sabrina (Grupo A)

·         17:00 às 18:00 – Roda de Encerramento

·         21:00 – Festa de Confraternização


Sinhá Chamou pra Jogar – Oásis Clube – Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, 3007, Barra da Tijuca,  Rio de Janeiro , RJ –  CEP: 22630-021 / 09 a 12 de Maio / R$100 (evento completo + camisa) / R$80 ( evento completo sem camisa) www.sinhachamouprajogar.com.br

 

 

Júlia Rangel

Burbury Multicomunicação – www.burbury.com.br – facebook.com/burburymulticomunicacao

ENAFEC 2012

PARA CONHECIMENTO DE TODOS:

“A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que reúne características muito distintas: trata-se de uma mistura de arte-luta praticada ao som de instrumentos musicais como o berimbau, o pandeiro e o atabaque. Para incentivar a prática entre as mulheres, será promovido o 4º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (4º ENAFEC).

A iniciativa está previsto nos dias 25 e 26/08/2012, (sábado e domingo, das 07h00 as 18h00), atendendo um público alvo de jovens e adultos de ambos os sexos que praticam ou que tenham interesse em praticar esta arte. A prática da capoeira ainda é pouco difundida no Estado entre as mulheres e encontramos resistência em praticá-la, desconhecendo que a atividade pode ser uma alternativa eficaz na melhoria das condições gerais do indivíduo.

A capoeira é uma pratica que pode, ainda, contribuir para a auto-estima e formação do caráter e da personalidade de quem a realiza. A capoeira traz benefícios na área da saúde, já que ela representa uma forte aliada no controle social quanto à recuperação de usuários de drogas, alcoolismo e portadores de transtornos mentais.

Diante destes benefícios, podemos afirmar que a sua prática realmente se constitui em uma política de saúde pública, pois somente por meio de uma prática cultural e física, é possível sanar vários problemas, podendo ser empregada para resgatar àqueles que já estão doentes, evitando que jovens e crianças enveredem pelo caminho das drogas”

Mauricio Alves Pastor

Mulher e a Capoeira foi tema de evento no Centro de Criatividade

Neste sábado, dia 02 de junho, o Centro de Criatividade abrigou o evento ‘Aúa Ananã – Mulher na Roda é Pra Jogar’. A programação teve início às 15h e contou com palestra, apresentações artísticas, oficinas (capoeira angola, capoeira regional, maculelê, samba de roda e percussão), sorteios de brindes e desfile da capoeirista mais bela do Estado.

O evento, que conta com apoio da Secretaria do Estado da Cultura (Secult), pretende reunir mulheres, crianças e idosos em uma tarde de muitas atividades. Segundo uma das organizadoras, Nagile Gama, o objetivo do evento é despertar o olhar para o papel da mulher na sociedade tendo como viés a capoeira.

“A partir desse evento nós pretendemos montar um grupo só de mulheres para mostrar a força que a mulher tem na sociedade. E pretendemos usar a capoeira como um meio, e não como um fim. Esse será o pontapé inicial para uma luta maior”, explica Nagile.

A participação de mulheres e crianças no evento será gratuita, já os homens terão que pagar uma taxa simbólica de R$ 5. Mais informações pelos telefones (79) 9955-4664 e o 8863-7943.

Ascom Secult