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ACANNE: Programação de Maio

Maio: Abolição?

Em Maio, é o momento de nos questionarmos que espécie de abolição foi realizada, que liberdade queremos e como conquistá-la.

Importantes guerreiros da luta popular serão homenageados: Mestre Caiçara, Milton Santos, Malcolm X e Bob Marley.

Os debates relativos aos temas de sexta se concentrarão durante a semana, permitindo que os corpos se expressem livremente no ritual da roda.

Nosso quilombo continua de portas abertas. Axé!!!

 

7 – SEXTA – Roda de capoeira angola em homenagem ao nascimento de Milton Santos (dia 3) e Mestre Caiçara (dia 8)

14 – SEXTA – Roda de capoeira angola em homenagem à passagem de Bob Marley (dia 11), ao nascimento de Malcolm X (dia 19) e questionamento à falsa abolição.

21 – SEXTA – Palestra com Eduardo Oliveira: “A cosmovisão africana e a capoeira angola”. Roda de capoeira angola e mesa de frutas.

28 – SEXTA – Roda de capoeira angola em homenagem ao Dia da África (25) e aos nossos ancestrais.

 

São duas velas acesas, um cova cavada, entra eu ou você.

Vou pedir licença à morte pra jogar.

Só basta nós morrermos, colega velho, no dia que Deus quiser…

Mestre Caiçara

 

Capoeira Angola e Harmonia Ancestral

 

A possibilidade de nos harmonizarmos com a natureza, nos integrando ao todo (a Divindade) através do retorno à ancestralidade, foi uma das grandes lições da palestra de Jorge Conceição. Segundo ele, as desigualdades sociais e a agressão à natureza são resultantes do mesmo padrão de pensamento racionalista, cartesiano e eurocêntrico. A capoeira angola, imitando movimentos de animais e nos permitindo conhecer o corpo, nos propicia uma sintonia com o cosmos e é uma via de profunda transformação espiritual, social e ambiental.

 

Em Abril, começamos nossa compostagem orgânica com as cascas de frutas das sextas-feiras. Em breve, nossa horta comunitária poderá ser saboreada em companhia dos malungos.

A MORTE DA FIGURA PÚBLICA MESTRE LEOPOLDINA

Faleceu o Mestre de capoeira Leopoldina ás 16:30h do dia 17/10/2007, na cidade de São José dos Campos/SP, Brasil[1].
 
Abro a caixa de e-mails e lá está a notícia encaminhada por meu amigo Pedro[2].
Morreu o Mestre Leopoldina.

É de sentir o falecimento de uma figura dessas… Leopoldina, embora não tenha qualquer ligação direta com a "nossa" capoeira da Bahia, é seguramente dos últimos representantes (no Rio, acho que o mais emblemático) de um certo "ser" capoeirístico, de uma certa maneira de tocar a vida típica da "fina flor" da malandragem dos tempos de outrora (na Bahia ou no Rio). E é uma pena que a conveniência política me impeça de arrolar outros exemplos vivos na Bahia, que é meu território… [3]

Leopoldina era o símbolo acabado de uma "delicadeza já perdida"[4] ou de uma "malandragem provinciana", poética; malandragem vaidosa, elegante e criativa. Um conceito, portanto, contingencial de "malandro". E é por essa via que posso compreender o quanto orgânicas, intuitivas e legítimas tinham de ser as tão propaladas "negaças", "mandingas", "manhas" e “malícias”[5] que, pela capoeira, nossos ancestrais (categoricamente representados por figuras como Leopoldina) legaram uma perspectiva de mundo, uma maneira de driblar – com elegância e originalidade – carências materiais tão aparentes para nós, míopes repetidores dos inócuos, sabidos e ressabidos discursos sociais.
 
Trata-se, pois, de atentar para aquilo que subjaz, que está por trás, porque no que toca a miséria e abandono sofridos por Cartola, Pastinha ou Waldemar, muito já sabemos e pouco agimos[6]. É quando jogar capoeira, levar um samba, vestir-se de branco impecável ou cumprir suas obrigações transcendentes engendra dignidade na pessoa humana. É disso que não nos apercebemos e é isso que morre, não tão lentamente quanto possa parecer, quando morre um Leopoldina. Dignificar-se pelo seu modo de ser e proceder é tão importante quanto a dignidade humana de que nos falam os jornais e revistas, dignidade enfaticamente material. São direitos humanos que “dignificam” com padrões pré-moldados e classificam por índices econômicos, mas excluem o único sustentáculo efetivo daquilo que faz dos Leopoldinas da vida Mestres de verdade: a capacidade de aplicar a sabedoria de um povo a um instrumental artístico-cultural que se renova criativa e ludicamente com riqueza intrínseca inabalada[7]. Leopoldina não era mestre de capoeira porque tinha muitos alunos. Também não o era porque dominou as técnicas[8] sofisticadas. Era mestre porque fez capoeira como extensão do seu modelo de viver e ver as coisas, matriz de uma cultura que não busquei quando me matriculei na academia; mas com a qual, a partir das primeiras experiências naquela coletividade, pude me identificar e inebriar. O olhar mágico de capoeirista que estava me tornando levou-me a rever preconceitos e aprender com aqueles que infelizmente não compreenderão estas linhas, mas que insisto em chamar de Mestres e assisti-los com atenção. Mas não por humildade e sim em razão da esperteza malandra que eles mesmos me ensinam. Malandragem “que já não é normal”[9], que já se esvai antes mesmo de contagiar, deixando-nos carentes de certas sutilezas não apenas romanticamente bonitas, mas talvez enormemente relevantes para a chance de nos fazer melhor. E quando perdemos isso declinamos também de uma maneira historicamente capoeirística de sermos felizes. Felizes na simplicidade digna que nos leva a repensar a importância[10] dos mega-batizados, dos grupos colossais ou das aparições na TV. É isso que representa a morte do Mestre Leopoldina: a perda de algo que parece afixado ao tempo passado, estéreo, sem continuidade ou proliferação, mas desesperadamente essencial.
 
MALANDRAGEM[11]
 

Antigamente,
Tudo era diferente,
No Rio a gente era gente,
Que beleza de lugar,
Ali na Lapa ,
Tinha toda a malandragem,
Do Samba e da capoeira,
Vale a pena recordar,
A malandragem,
Não era como hoje em dia,
Havia mais poesia,
No jeito de malandrar,
O bom malandro,
De branco era boa praça,
Cantava e fazia graça,
Era um tipo popular,
Mas respeitado,
Porque bom da capoeira,
Derrubava de rasteira,
Sem nem mesmo se sujar,
E de noitinha,
Embaixo dos lampiões,
Lindas moças ruquiões
Olhavam onde passar,
Lá pelos arcos,
Desenhando de beleza,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
Ê viva meu Deus
Iê viva meu Deus camará
Iê que me ajudou
Iê quem me ajudou camará
Iê viva meu Mestre
Iê viva meu Mestre camará

 

 
 

Esforço-me para acreditar naquilo que, certa ocasião, na Gamboa de Baixo[12], depois de ter “mordido uma cachaçinha”[13] com o M. Bola Sete, disse-me o mesmo amigo Pedro (do e-mail) – que curiosamente é professor, doutor, documentarista, intelectual e sei lá mais o quê: “Sempre haverá uma resistência. Por mais que a aculturação dominadora se apresente com toda a sua força, toda sua sedução, setores continuarão desenvolvendo maneiras e maneiras originais e ricas, de preservar sua identidade, de ser (existir)”. Esforço-me… muito esforço.

Benício Golfinho tem 24 anos, é branquelo, flácido, católico, não conheceu Leopoldina pessoalmente, não tem nenhum compromisso científico, trabalha com roupa social e nunca morou no subúrbio (nem dos ricos nem dos pobres). Mas agradece ao mundo descortinado pela capoeira e capoeiristas por cada segundo que joga nas rodas de rua, por ter aprendido a respeitar o samba como algo musicalmente fantástico, por cada ida ao terreiro (sem exotismo racista no olhar), por andar gingando, por não ver a “nega do balaio grande” como depósito de esperma, por negacear com o cotidiano e por todos os momentos de pura felicidade que desfrutou longe dos seus colegas e perto de seus amigos, malandramente.

 

[1] http://www.capoeirajogoatletico.com/blog/?p=627

[2] Decididamente a coincidência é só no nome, porque ele não parece com o amigo de Raulzito.

[3] Sim, porque a vontade é de dizer “Vão! Corram e procurem, façam documentários, escrevam livros sobre essa gente, ‘o tempo urge’!”

[4] Expressão aproveitada do vídeo “O País da Delicadeza Perdida” (Chico Buarque)

[5] “A capoeira é mandinga, é manha, é malícia (…)” (Pastinha)

[6] Ajamos, portanto.

[7] É evidente que louvar nostalgicamente a representavidade de tal cultura – personificada na figura pública do Mestre – não significa rejeitar os avanços da atualidade. Significa alertar que tais avanços não devem implicar na extinção absoluta daquilo que nos é mais sagrado: nossa tradição. Treinemos nas academias, mas não pensemos que para aprender capoeira só levantar bem as pernas basta.

[8] Aliás, o conceito de “técnica” na capoeira deveria ser mais estudado pelos pesquisadores, porque foi indubitavelmente com esteio nela e em suas mutações que toda a estética capoeirística foi se desenvolvendo, enquanto a capoeiragem fazia suas migrações (da clandestinidade para o Mercado Modelo dos gringos, do cais para a rua, do preto para o branco, da rua para os Balés Folclóricos, da rua para a academia, do Brasil para o mundo, do mundo para o Brasil, do Brasil multicultural para a africanidade resgatada etc).

[9] Trecho da música “Homenagem ao Malandro”, de Chico Buarque: “Eu fui a Lapa e perdi a viagem / que aquela malandragem não existe mais / Agora já não é normal o que dá de malandro regular, profissional / (…) Mas o malandro para valer, não espalha / aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal / Dizem as más línguas que ele até trabalha / Mora lá longe chacoalha, no trem da central”

[10] “Importância” no sentido de imprescindibilidade, não de rejeição com algo em si negativo, mas apenas desnecessário.

[11] Ladainha cantada por M. Peixinho no dicos do Centro Cultural Senzala.

[12] Bairro (ou pequena comunidade) de Salvador-BA.

[13] Expressão por ele cunhada no mesmo dia.

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade

Edison Carneiro, uma expressiva figura da cultura Brasileira, já foi alvo de outra matéria em nosso Portal Capoeira, matéria que para os mais interessados acompanhava uma grande surpresa: Um Documento Histórico de 1975 de título: Cadernos de Folclore – Capoeira (na época procurei o amigo e colaborador Acúrsio Esteves para prefaciar e apresentar o referido documento, já que se tratava de uma pérola para os capoeiras com sede de saber.)
 
Fica a dica de uma excelente atividade, uma visita ao MAO – Museu de Artes e Oficíos, afinal devemos estar sempre abertos para o conhecimento e novos saberes… e a cabaça, parte fundamental do "instrumento maior da capoeira", merece esta homenagem…
 
Luciano Milani

O Museu de Artes e Ofícios (MAO) recebe, dos dias 2 de maio a 10 de junho, a exposição Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade. A exposição é itinerante e exibe o acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor um elemento que é encontrado com fartura nas cinco regiões do país e usado de diferentes formas: a cabaça.
 
"São cerca de 80 peças, que mostram como esse objeto é apropriado em várias situações, seja como instrumento de trabalho ou instrumento musical, como máscara, como recipiente para comida, roupas de orixás, entre outras", explica a Coordenadora de Museologia do Museu de Artes e Ofícios, Célia Corsino.
 
Conhecidos pelos nomes de cabaça, cuia, porongo, coité ou cuité, as entrecascas desses frutos multiformes constituem tanto objetos de uso corriqueiro quanto suportes de expressões que distinguem e identificam indivíduos e grupos da sociedade brasileira.

A exposição deseja mostrar que, justamente porque são, vivem e pensam de formas diferentes, os muitos grupos populares no Brasil dão usos e significados distintos a um amplo repertório de frutos que lhes parecem, em alguns aspectos, semelhantes. Fazendo isso, criam os muitos modos de ser, estar e trocar.
 
Assim, a exposição é um convite à apreciação da pluralidade cultural apresentada pelos inúmeros grupos sociais que vivem em solo brasileiro e, ao mesmo tempo, um estímulo à reflexão sobre aquilo que os une e identifica.

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade inaugura uma parceria entre o MAO, do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), e o Centro de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
 
"Como objeto do cotidiano ou suporte de várias artes, este fruto de formas tão originais pode nos surpreender e emocionar com seus múltiplos usos e sentidos, seja no artesanato, na música, na cozinha ou nos brinquedos", declara Angela Gutierrez, presidente do ICFG.

A exposição faz parte de uma programação especial desenvolvida pelo MAO para a comemoração da Semana Nacional do Museu (14 a 20 de maio). Os ingressos custam um real.

Serviço

Exposição "Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura, diversidade"
Dia 2, abertura para convidados.
Aberta ao público dos dias 3 de maio a 10 de junho de 2007.
Local: Museu de Artes e Ofícios (MAO)
Endereço: Praça da Estação, s/n°
Ingressos: R$ 1,00 – aos sábados a entrada é gratuita
 
Horário de funcionamento do Museu de Artes e Ofícios:
Terça, Quinta e Sexta-feira – das 12 às 19hs
Quarta-feira – das 12 às 21hs
Sábado, Domingo e Feriado – das 11 às 17hs
Os ingressos para a visitação serão vendidos até meia hora antes do horário de fechamento do Museu.

 
Patrocinadores do Museu de Artes e Ofícios
Master: Petrobras – Bndes
Patrocínio: Oi – Furnas
Apoio: Eletrobrás – Oi Futuro – Cemig
Institucional: Fundação Municipal de Cultura/Prefeitura Municipal de BH – CBTU
 
Fonte: MAO – http://www.mao.org.br/

Portal Capoeira: Fonte oficial de informação do Google Notícias

O Portal Capoeira foi recentemente seleccionado para participar no projecto Google Notícias e destaca-se como projeto  dinâmico e democrático na classe de meios de comunicação online a marcar presença no serviço noticioso do conhecido motor de busca na Internet.
 
As principais informações e notícias do nosso site surgem agora ao lado de notícias colhidas em mais de 200 agências noticiosas e media online, participantes do Google News.
 
A escolha do Google deve-se a critérios como a credibilidade da informação produzida, o volume de actualizações diárias e a permanente cobertura editorial e análise dos temas relacionados com o setor das notícias e informações (esportiva e cultural),  em nosso caso em especial temos a CAPOEIRA como principal "target" de conteúdo e nossa principal fonte de pesquisa e trabalho.
 
O Google Notícias apresenta num inovador conceito de cobertura de notícias. Permite a pesquisa em informação compilada por mais de 200 fontes de notícias em português, actualizadas a cada 15 minutos.
 
Os resultados da pesquisa são compilados em exclusivo por algoritmos de computador, sem qualquer necessidade de envolvimento humano no processo. As fontes de notícias são seleccionadas independentemente de quaisquer critérios ideológicos, políticos ou outros, o que possibilita ao utilizador aceder a uma multiplicidade de abordagens sobre um mesmo tema, e resulta num acréscimo de informação para o público interessado em serviços desta natureza.
 
As notícias encontram-se disponíveis no sítio do Google >> Canal Google Notícias em  http://news.google.com, sendo possível criar uma página personalizada de acordo com o perfil traçado pelo utilizador ou receber por e-mail informação actualizada sobre os temas seleccionados. (Utilize a palavra chave para pesquisa: Capoeira)
 
Nós do Portal Capoeira agradecemos a confiança e a audiência que os nossos amigos e leitores nos confiam e entendemos que este é mais um passo, mais um processo de crescimento e renovação do nosso espaço virtual da capoeira.
 
Um grande axé a todos que direta ou indiretamente participaram e continuam participando do Projeto Portal Capoeira.
Capoeiristicamente
 
Luciano Milani

CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPC

Anteprojeto de A. A. Decanio Filho
Pedimos análise crítica e sugestões

Introdução

  1. Definição:
    ética [Fem. substantivado do adj. ético.] S. f. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dic.Aurélio)
  2. Conceito:
    conjunto de normas e preceitos, escritos ou consuetudinários, de conduta pessoal interpares ou entre grupamentos sociais, pedagógicos, esportivos e etários.
  3. Justificação:
    determinação da Assembléia Geral da ABPC de 19 de Novembro de 1997 em Natal/RN.
  4. Fundamentos:
    1. Normas de higiene pessoal
    2. Normas de conduta gerais
      1. Os 3 erres fundamentais: Capoeira é uma palavra estranha, que se escreve com um "rê" suave e se pratica com três "erres". O primeiro é o RITMO, o segundo o RITUAL e o terceiro é o RESPEITO, sem os quais não se joga nem ensina a capoeira!
    3. Normas de conduta social interpares
    4. Normas de conduta entre grupos
    5. Normas de relacionamento entre mestre e alunos
    6. Normas de condutas em competições
  5. Texto:
    1. Estrutura e Organização
      1. Generalidades
      2. Conceitos gerais
      3. Disposições gerais
      4. Disposições específicas
      5. Disposições especiais
      6. Disposições finais

REDAÇÃO INICIAL (Decanio)

GENERALIDADES

Justificação

Mediante proposta de Reginaldo da Silveira Costa "Squisito" decidiu a AG da ABPC, em sessão de 18/11/98, em Recife/PE, elaborar um Código de Ética para regulamentar o comportamento dos seus associados e encarregar AADF "Decanio" da redação do seu anteprojeto.

Conceitos e definições

Definição: ética [Fem. substantivado do adj. ético.] S. f. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dic.Aurélio)
Conceito: conjunto de normas e preceitos, escritos ou consuetudinários, de conduta pessoal interpares ou entre grupamentos sociais, pedagógicos, esportivos e etários.

Fundamentos

O presente CE abrange preceitos de higiene pessoal, normas gerais de conduta social e esportiva, bem o ritual específico da capoeira, com objetivo precípuo de manter a prática da capoeira nos limites da cidadania, esportividade, educação e segurança.

Normas de higiene pessoal

São obrigatórios os cuidados fundamentais de higiene corporal, tais como banho geral de asseio e aparo de unhas, além daqueles específicos do vestuário.

Normas de conduta gerais

Durante a prática da capoeira deverá ser rigorosamente observada a obediência ao ritmo e ao ritual específico da escola, do evento ou da roda atual, bem como o respeito a todos os presentes de modo geral e em especial aos mestres, orquestra, árbitros. dirigentes e autoridades outras presentes ou participantes.

Ficam expressamente proibidos

  • Uso de adereços ou objetos pessoais de qualquer natureza capazes de gerar lesões corporais no usuário ou qualquer participante do evento.
  • Uso e venda de bebidas alcoólicas de qualquer natureza dentro do recinto.
  • Participação, em competições, treinos ou rodas, de atleta sob efeito de bebida alcoólica ou com estado de humor alterado por emoção violenta.
  • Conduta ofensiva à moral ou agressões de qualquer natureza

Normas de conduta social interpares

  • Respeito aos seus pares independente de graduação, hierarquia, profissão, nível cultural, raça, religião ou qualquer outro atributo pessoa; ou social, princípio fundamental da cidadania.
  • Comedimento nos comentários e alusões, termos ofensivos, desairosos ou depreciativos.
  • Moderação nos gestos e brincadeiras, evitando ridículo a quebra do decoro.

Normas de conduta entre grupos

  • Respeito às normas jurídicas e sociais que regem o relacionamento entre entidades correlatas.
  • Comedimento nos comentários e alusões, termos ofensivos, desairosos ou depreciativos.
  • Moderação nos gestos e brincadeiras, evitando o ridículo e a quebra do decoro.

Normas de relacionamento entre mestre e alunos

  • Respeito recíproco.
  • O mestre deve:
    • manter conduta sóbria ante os alunos,
    • evitando comentários, gestos e brincadeiras ofensivos ou depreciativos;
    • demonstrando e justificando as técnicas e condutas ministradas,
    • esclarecendo as dúvida surgidas entre os discípulos.
  • Os alunos devem:
    • guardar respeito aos docentes,
    • apreciar os ensinamentos com atenção,
    • executar cuidadosamente os exercícios prescritos
    • guardar disciplina, evitando comentários, gestos e brincadeiras ofensivos, depreciativos ou capazes de promoverem riscos ou danos.

Normas de condutas em competições

  • Árbitros
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Obedecer estritamente as regras e instruções em vigor
    • Não revidar a ofensas de quaisquer natureza, exercendo poder de registro na súmula para julgamento posteriorpelo poder competente
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza
  • Mestres
    • Comportar-se com dignidade e compostura, obedecendo aos princípios de conduta esportiva
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza
  • Atletas (durante as competições e nos seus intervalos)
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Obedecer estritamente às regras e instruções em vigor
    • Não revidar a ofensas de quaisquer natureza, exercendo poder de comunicação à Comissão de Ética para providências legais.
    • Obedecer estritamente às regras e regulamentos de competições, respeitando as decisões dos árbitros, reservando-se o direito aos recursos e protestos legais.
    • Evitar qualquer conduta capaz de perturbar o bom andamento dos eventos.
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza

Músicas do Mestre Toni Vargas

Mestre e Poeta Toni Vargas

Berimbal tocou sereno
na ladeira da lapinha
e o pandeiro sussurrando
me pediu uma ladainha
foi se embora um grande mestre
angoleiro de valor
trocou esse mundo triste
pelos campos do Senhor
foi buscar paz da inquietude
que a vida lhe roubou
Bahia chora e reclama
Bahia chora e Reclama
por esse Mestre que era nosso
hoje se chora de tristeza
quase que por um remorso
mas a morte é uma glória
e não é o fim da linha
a medalha da história
foi no peito de Pastinha
Ê, viva pastinha

A saudade
No coração do capoeira
é igual a uma rasteira
faz o berimbau parar
oi então vai
tocar o toque de angola
onde o capoeira chora
mesmo sem querer chorar
ai se vê
o lamento do guerreiro
sem rumo sem paradeiro
o poeta que aparece
ele se esquece
que é forte e perigoso
tira o lenço do pescoço
e joga um verso no ar
e diz amor espere um pouco
não vá me trocar por outro
eu vim aqui já volto já.

Antigamente,
Tudo era diferente,
No Rio a gente era gente,
Que beleza de lugar,
Ali na Lapa ,
Tinha toda a malandragem,
Do Samba e da capoeira,
Vale a pena recordar,
A malandragem,
Não era como hoje em dia,
Havia mais poesia,
No jeito de malandrar,
O bom malandro,
De branco era boa praça,
Cantava e fazia graça,
Era um tipo popular,
Mas respeitado,
Porque bom da capoeira,
Derrubava de rasteira,
Sem nem mesmo se sujar,
E de noitinha,
Embaixo dos lampiões,
Lindas moças ruquiões
Olhavam onde passar,
Lá pelos arcos,
Desenhando de beleza,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
O céu que a mãe natureza
Reservou pra esse lugar,
Ê viva meu Deus
Iê viva meu Deus camará
Iê que me ajudou
Iê quem me ajudou camará
Iê viva meu Mestre
Iê viva meu Mestre camará

A verdadeira Capoeira…

A verdadeira capoeira de cada um de nós e
aquela que mora no corpo de cada qual.
Existem padrões éticos, técnicos
e musicais, porém a capoeira é
a manifestação comportamental
de cada ser
expressão maior da individualidade humana.
Só é capoeirista quem se liberou de todas as amarras culturais e bloqueios psicodinâmicos, inclusive dos mestres e deixa apenas a "capoeira"
fluir livre e suavemente pelo próprio corpo, aparecendo nos seus movimentos e estado de espírito.
Os fundamentos estratégicos da capoeira são simples
música, esquiva, parceria e amor.
Sem dúvida alguma, o primado pertence ao amor…
Pela vida, pela capoeira, pela arte, pelo prazer de apenas "jogar" com a pureza e a inocência da eterna criança que existe escondida no coração
de cada um de nós.
A postura comportamental de esquiva ao impacto de movimentos, simulados ou não, de ataque ou que envolvam perigo de qualquer natureza trás
no bojo a segurança da sua prática, ao lado de reflexos inconscientes de preservação da integridade física e da vida, gerando um sistema de
defesa pessoal "sui generais", "instintivo" nas palavras de Mestre Bimba.
A parceria é fundamental.
Sem o parceiro não se pode jogar, nem aprender, a capoeira.
Somente a presença do parceiro permite o desenvolvimento da autoconfianca na capacidade de improvisar os movimentos de esquiva ante a
movimentos partidos doutro alguém cuja vontade e intenção não controlamos.
Para conhecermos os pensamentos e movimentos subsequentes de alguém precisamos deste alguém como parceiro-adversário.
A música é a própria essência, a raiz mística da capoeira. Responsável e guia do estado modificado de consciência do capoeirista, comanda a
natureza e a dinâmica dos seus movimentos. Controla a agressividade, desfaz os bloqueios psico-dinâmicos e gera o prazer lúdico da sua prática.
A associação destas forças primárias comanda o ritual,
garante o cavalheirismo e esportividade do jogo da capoeira!
O mestre é apenas o maestro,
comanda o balé da vida que chamamos de capoeira!
"Falando em capoeira" encerra minhas observações pessoais, depoimentos, pesquisas, experiências e lições (que recebi de mestres, de
capoeiristas e da vida) como médico e como criatura.
Axé!
Mestre Decanio.
 
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