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Ladeira da Montanha: Moradias e Estabelecimentos em risco

Moradores se recusam a desocupar casarões: Ocupantes dos imóveis preferem o risco do que ir parar em abrigos

Depois de o juiz Paulo Pimenta, da 16ª Vara Federal, ter deferido em parte o pedido de liminar feito pelos ministérios públicos Estadual e Federal para desocupar e interditar os casarões apontados pela Defesa Civil (Codesal) como de alto risco, muitos moradores demonstram que vão dar trabalho para sair.

Ontem, o CORREIO visitou a Rua do Julião, no Comércio, onde segundo o relatório da Codesal de 2009 há a maior concentração dos imóveis considerados de alto risco, com 13 casarões em uma única rua. No casarão de nº 57, o líder comunitário Onassis Brito vive há 40 anos e diz que não pretende sair do imóvel.

“Nós não queremos abrigo. Por que eles não viram essa situação antes? Abrigo não é solução para ninguém. Tem que encaminhar a gente para o programa Minha Casa, Minha Vida e dar moradia com dignidade para quem não pode pagar”, reclamou.

Já no casarão 49 da Ladeira da Montanha, descrito pela Codesal com “fachada com desprendimento de reboco, infiltrações e esquadrias soltas” e que também estaria desabitado, funciona hoje o Centro Cultural Mistura Africana.

“Eu moro aqui há mais de 30 anos e a gente paga IPTU. O casarão está sendo reformado por mim mesmo e não tem problema nenhum”, disse o comerciante Luís Carlos Salvador, 54 anos. “Não há governo nenhum que vá tirar meu povo daqui. Aqui não tem nada pingando. Nada quebrado”, complementou o mestre de capoeira, Raimundo Vital, 44. Segundo ele, no local é ensinado capoeira, percussão, samba de roda e maculelê.

Defasado


Em 2009, ano em que foi elaborado o relatório que serviu de base para a ação judicial, cerca de 40% dos 111 casarões avaliados como de alto risco estavam habitados. Quase dois anos depois, a Codesal admite que o relatório está defasado e não corresponde à situação atual e que não sabe quantos estão habitados.

“Ainda não temos resultado desse novo mapeamento, pois é um trabalho minucioso e delicado. Estamos num momento delicado, de Operação Chuva, por isso o novo estudo ainda não foi realizado”, informou a Codesal, através da assessoria.

Liminar  De acordo com a decisão do  juiz da 16ª Vara Federal, a Prefeitura e a Codesal devem cadastrar todos os moradores dos casarões em risco pra que eles sejam encaminhados para novas habitações. Além disso, a Defesa Civil tem que elaborar placas indicando o nível do risco do imóvel.

Segundo a liminar, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), à União e ao Estado cabem realizar as intervenções na estrutura física dos imóveis. O não cumprimento da liminar implicará em multa de R$ 1 mil por dia.

A assessoria da Advocacia-Geral da União informou que já foi notificada, no entanto, só irá se manifestar “após analisar a decisão”. Já o governo do estado informou que os técnicos da  Companhia de Desenvolvimento Urbano  analisam a situação individual de cada imóvel para adotar medidas preventivas, mas o órgão não informou quais medidas implementará para executar a decisão da liminar.  Procurados pelo CORREIO, nenhum representante do Iphan não se manifestou até o fechamento desta edição.

http://www.correio24horas.com.br/

Quitutes e capoeira revelam faceta nordestina de bairro italiano, em SP

{sidebar id=1} Pequenas fitas verdes e vermelhas advertem os passantes da rua 13 de Maio, na Bela Vista: é chegada a época da tradicional festa da Nossa Senhora de Achiropita. Outros indícios, como o grande número de cantinas e empórios tradicionais, confirmam que se trata de território italiano. Mas nem só de espaguete à bolonhesa se vive no Bexiga.

Ao lado de nhoques, lasanhas e assados, também reinam jabá, baião-de-dois, rapadura, cajuína e outros tantos quitutes oriundos do Nordeste, que se espalham discretamente pelas casas do norte e restaurantes típicos daquelas bandas. São locais modestos (por vezes, descuidados), mas que guardam parte importante da tradição culinária do país.

Foi pensando em conhecer um pouco mais da gastronomia (e cultura) do lado "arretado" do Bexiga, que a Revista foi ao bairro e traçou um roteiro para mostrar que o molho da baiana -e tantos outros- também está por ali.

Casa do norte
Não passe desapercebido pelos doces de compota, entre eles o de caju (R$ 6,50) e o de jaca (R$ 6,50). Outra sugestão é o biscoito Sete Capas (R$ 3), um pacote de bolachas quadradas, feitas em várias camadas, que desmancham na boca. Penduradas no teto, estão as pipocas Gravatá (R$ 0,25), que, nos moldes do Biscoito Globo no Rio de Janeiro, fazem sucesso no Nordeste. O gosto é salgado e bem amanteigado.

R. Conselheiro Carrão, 71, tel.:0/xx/11/3105-5973. Seg. a sex.: 8h às 20h. Sáb.: 9h às 20h30. Dom.: 9h às 14h. Cartões de crédito: nenhum.

Casa do norte Coração do Agreste
Em suas prateleiras estão mais de cem diferentes itens, repostos semanalmente. É possível comprar produtos mais tradicionais como jabá, feijão-de-corda, diversos tipos de farinha, rapaduras, cachaças e temperos. Com mais calma, identificam-se produtos menos óbvios, como o doce de buriti (espécie de palmeira de fruto carnoso, que lembra um pouco o sabor do cupuaçu) e o requeijão (nome que se dá a um queijo amarelo e denso).

R. Santo Antônio, 452, Bela Vista, tel.:0/xx/11/3495-1382. Seg. a sex.: 8h às 20h. Sáb.: 8h às 19h. Cartões de crédito: nenhum.

Casa do norte Fé para Vencer
Este organizado empório oferece uma boa variedade de farinhas como a d’água, a goma, a mista e a de mandioca, em diferentes moagens. Mas a atração do local é a cajuína, refrigerante de caju, bem adocicado, com um leve sabor da fruta, em garrafas de 350 ml (R$ 2) e 2 litros (R$ 4). Outra curiosidade é o pacote de espaguete da marca Richester, produzido na Bahia, que a vendedora jura ser uma massa sem igual em São Paulo.

R. Santo Antônio, 1.058, tel.:0/xx/11/3258-6108. Seg. a sex.: 10h às 21h. Sáb. e dom.: 10h às 14h. Cartões de crédito: nenhum.

Rancho nordestino
Oferece uma cozinha típica, com porções fartas e uma carta de cachaças com 51 rótulos de locais como Bahia, Paraíba, Piauí e Ceará. Uma das boas opções é a paçoca (R$ 19,50 para duas pessoas), que fica melhor com a cremosa manteiga de garrafa ou com um pedaço de queijo de coalho (R$ 3,50) ou caldinho de fava com jabá (R$ 3,20). Também estão no menu outros clássicos como o baião-de-dois (R$ 18 para duas pessoas) e o sarapatel (R$ 9).

R. Manoel Dutra, 498, Bela Vista, tel. 3106-7257. Seg. a qui.: 11h às 14h. Sex. e sáb.: 11h30 às 5h. Dom.: 11h30 às 14h. Cartões de crédito: Master e Visa.

Restaurante e Casa do norte Alvorada
Quase em frente à Casa do Norte Fé para Vencer, existe há 17 anos como um restaurante simples, que serve diariamente pratos como buchada, carne-de-sol e sarapatel. Nos últimos seis meses, os três sócios decidiram investir em uma pequena mercearia com produtos típicos, no fundo da casa. Uma dica é o sequi de goma (R$ 2,50), um híbrido de suspiro e sequilho, feito com goma e araruta (planta cujo tubérculo produz uma farinha branca comestível).

R. Santo Antônio, 1.049, tel.:0/xx/11/3237-1767. Dom. a sáb.: 8h às 1h. Cartões de crédito: nenhum.

Quituteira bá
Depois de trabalhar 12 anos no bairro vendendo acarajé, hoje a baiana Hélia Januária Pisto, 53, faz sucesso com quitutes como vatapá e moqueca de camarão preparados em sua casa. Serve por encomenda em festas e em recepções.

Casa da Bá. Tel.:0/xx/11/3115-0513.

Capoeira em festa

Se a comunidade ítalo-brasileira tem membros memoráveis, caso de Armando Puglisi, o Armandinho do Bixiga, o baiano Ananias Ferreira, 83, também representa muito bem suas origens no bairro.

Ele, que veio para cidade em 1953, é um dos precursores da capoeira em São Paulo e fundou, há um ano, o Centro Paulistano de Capoeira e Tradições Baianas, espaço que tem apoio da Secretaria do Estado da Cultura, onde funcionam oficinas de capoeira, samba de umbigada, do Recôncavo Baiano, e cursos que ensinam a fazer berimbau.

Destaques da programação são a roda de capoeira, que acontece toda terça-feira, e as apresentações, que reúnem capoeiristas de vários lugares de São Paulo, às sextas.

A casa também recebe esporadicamente outros grupos, como os de samba de Maragogó e os de samba de chula de são Brás, reconhecidos como Patrimônio Oral pela Unesco.

Casa Mestre Ananias Centro Paulistano de Capoeira e Tradições Bahianas. R. Conselheiro Ramalho, 945, tel.:0/xx/11/5072-6579. Seg. a sex.: 19h às 22h.

 

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/comida/ult10005u434455.shtml

Crônica: Na contramão

Estamos tão acostumados com as leis mesquinhas do capitalismo, que nem percebemos que ainda existe gente capaz de reagir a esses preceitos. Gente do bem. Gente que está em falta. Gente que faz a diferença. Gente que segue na contramão, fazendo desse mundo um lugar melhor pra se viver. Gente que devemos ter sempre por perto, para nos servir de exemplo.

Conhecemos pessoas assim no projeto de Assessoria de Imprensa que desenvolvemos, durante este semestre, numa organização não governamental (ONG) de Itajaí (SC). Os capoeiras conhecidos como Capitã, Sansão e Massa mantém há dois anos, o projeto “Ginga Moleque”. A organização oferece aulas gratuitas de capoeira às crianças carentes do município. Sem precisar arcar com nenhuma despesa, os alunos devem apresentar boas notas na escola e disciplina nas aulas.

Sem receber nenhum tipo de remuneração, os voluntários e idealizadores do projeto enfrentam muitas dificuldades para mantê-lo vivo. Estes impedimentos vão desde o preconceito religioso dos familiares das crianças, até problemas de infra-estrutura como falta de uniformes, instrumentos e sede para oferecimento das aulas. Os coordenadores arcam com muitas das despesas do grupo, uma vez que não possuem nenhum patrocínio da comunidade.

A ONG Ginga Moleque atende cerca de 50 crianças, com idades entre quatro e quatorze anos. Além das reuniões durante a semana, aos sábados, o grupo também é atração para outros jovens no Centro Educacional Cacildo Romagnani (Caic), através do Projeto Municipal Escola Aberta..

Ficamos felizes em perceber que em meio a tanta ausência de caráter e valores, existe no mundo quem acredite e aposte no futuro de crianças pobres, quem faz mais do que culpar a omissão do governo na educação, quem arregace as mangas e faça a idéia acontecer.

Que bom seria se todos os brasileirinhos pudessem ter educadores como esses, capazes de semear esperança em meio à exclusão e o descaso social. Quem dera que todas as grandes empresas deste país se propusessem a apoiar projetos assim.

*Acadêmicas de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

Contato:

Carina Carboni Sant’Ana – 47 9138 1281/ E-mail: carinacs@univali.br

Luana Fachini Lemke – 47 9177 8259/ E-mail: luana.lemke@univali.br

Luana Martins – 47 9921 3920 / E-mail: luana_martins_jornalismo@hotmail.com