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Livro “A Capoeira dos Leões do Norte – a herança de Pernambuco”

A capoeira vem sendo discutida e trabalhada de uma forma mais consciente. Mestres, professores, monitores, alunos e profissionais, ligados à cultura popular, vêm trazendo esta arte com uma nova leitura: usá-la como recurso pedagógico no trabalho componentes curriculares adotados em sala de aula e dinamizá-la enquanto movimento social na cultura popular.

Desta forma, este estudo traz, em seu bojo, a discussão em torno da capoeira enquanto instrumento de aprendizagem e construção histórica, entendendo a arte capoeira em seu todo e elementos constituintes – desde a sua história (neste caso, em Recife e Olinda, em virtude do trabalho ser desenvolvido com foco na realidade local) até os impactos na construção de aprendizagens e saberes locais.

O livro “A Capoeira dos Leões do Norte –  a herança de Pernambuco” traz uma continuidade de estudos do livro “A capoeiragem do Recife Antigo – os valentes de outrora”. “A Capoeira dos Leões do Norte” configura um livro que pontua as ações da capoeiragem em Pernambuco nos anos de 1960 a 1980, em elementos como: relatos de alguns mestres, feitos de mestres que ergueram diversos cenários da capoeiragem, relatos de mulheres da capoeira, breve mapeamento histórico e considerações acerca da psicodinâmica da capoeira.

Contato: monicabeltrao@yahoo.com.br

Vivendo do Escambo

Da terra quente e seca, os artistas viram colorir com suas fitas imaginárias uma cidade em calamidade. Era em 1991 em Janduís-RN, quando um grupo de atores, bailarinos e músicos tiveram a ideia de trocar água por arte. E trocaram mais. Além das gotas que encheram baldes e esperanças, os artistas criaram o Escambo. O movimento artístico que virou referência Brasil afora, acontece esta semana, de 15 a 18, em São Miguel do Gostoso, município do litoral norte potiguar, a 90 km de Natal.

“O movimento é a troca de experiências, de arte, de oficinas. É quando podemos apresentar nossos trabalhos e ter acesso a outros. Estamos aguardando 300 artistas vindos de diferentes partes do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Maranhão”, contou Filippe Rodrigo, ator e organizador do Escambo. Filippe já nasceu no Escambo. Filho de Santos, fundador do grupo Alegria Alegria, o artista não lembra de outra forma de trabalhar com arte que não seja através da troca.

O Escambo segue a filosofia de troca de serviços. Por exemplo, quando o grupo faz uso de uma escola pública para se instalar, no lugar eles consertam os encanamentos, a parte elétrica e o que puderem fazer para aquele espaço melhorar. “Tudo é possível no Escambo. E a troca é o grande trunfo. É quando podemos experimentar a arte e recebê-la”, contou Rodrigo.

Ele lembra que até hoje já foram realizados 14 escambos, desde 1991, inclusive fora do Rio Grande do Norte quando aconteceram escambos no Ceará.

Como em São Miguel do Gostoso, o escambo acontece geralmente em quatro dias, período em que os artistas participam de oficinas, cortejos, apresentações e discussões sobre a arte e suas perspectivas. “Eles estarão aqui durante quatro dias realizando vivências, rodas de filmes, música, dança. Mesmo o movimento tendo começado com teatro, o que mais reúne gente nas praças é o cinema”, disse o organizador.

O VIVER conversou com Rodrigo uma semana antes do início do Escambo e constatou que mesmo com um aparente “deixe acontecer”, o Escambo é um movimento organizado e planejado. “Sempre seguimos um esquema de chegar antes na cidade e conhecer a comunidade e os possíveis lugares para instalações. Aqui em São Miguel estamos em parceria com a prefeitura que nos cedeu as escolas. E além da estrutura, esse primeiro contato é importante para conhecermos melhor as atividades culturais da cidade”, conta o artista.

Em São Miguel, a capoeira é um dos pontos fortes da comunidade, por isso o Escambo dará atenção especial ao grupo já formado. “É quando poderemos levar um outro grupo de capoeira com linguagem diferente para discutir sobre a atividade”.

Toda preocupação do Escambo vai além da arte. Junto às oficinas, as discussões e as aulas teóricas e práticas fazem parte da programação. Além dos grupos e mestres de folguedos, o convidado do Escambo desta temporada é o ator Ami Haddad, do grupo “Tá na Rua” do Rio de Janeiro. “Ele fará rodas de conversa com a comunidade e com os artistas e ficará em São Miguel até o dia 20 de janeiro.

Depois de tanta troca e de ecoar pelo Brasil inteiro, o movimento foi homenageado recentemente em São Paulo e tem em seu cadastro mais de 1.500 artistas de rua. Na visão de Rodrigo, o movimento é transformador de mundos e lembra muito a chegada do circo nas cidades. “É uma mudança interior”.

Ele lembra que muitas pessoas das comunidades visitadas ensaiam em fugir com os grupos de teatro. “Até hoje ninguém teve coragem, mas o interessante é quando a gente volta aos lugares e percebe que aquelas pessoas que desejavam sair, hoje transformam suas cidades com arte. Por isso é um movimento infinito”, finalizou Rodrigo.

Programação

15/01 sexta-feira
12h Chegada do grupo
14h grande reunião que é a chamada saudação e o fechamento de algumas comissões, organização e segurança;
16h30 – cortejo
17h20 – espetáculos que são três por noite
20h00 – mostra de filmes
Escambar – movimento da chegada nos bares com leitura de poesia,
música, até 2 da manhã

Dia 16/01 sábado
8h até 12h – vivências até
tarde: reunião de avaliação
16h – deslocamento dos grupos para comunidades vizinhas e assentamentos
Centro: espetáculos, mostra de filmes.

Dia 17/01 domingo:
8h30 até 12h – Vivência com Amir Haddad
13h30 – Vivência
16h40 – cortejo, espetáculos
20h00 – mostra de filmes

Dia 18/01 – segunda-feira
08h00 – Feira com espetáculo de teatro, música e bonecos
Roda de avaliação
Finalização dos Escambos

 

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br/

Mestre Onça: Pequeno documentário sobre o dia em que a capoeira se tornou Patrimônio Imaterial

Pequeno documentário feito por Mestre Onça (Centro Arte-luta / Beribazu) sobre o dia em que a capoeira se tornou Patrimônio da Cultura Brasileira.

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Fábio Moreira de Araújo (Mestre Onça), Natural de Formosa-GO. Iniciou na capoeira no ano de 1972. Em julho de 1987 recebeu o título de Mestre de capoeira pelo Grupo de Capoeira Beribazu. Foi presidente do Grupo Beribazu na gestão 1998/1999. Hoje é membro do Conselho de Mestres do Referido Grupo. Fundador e Presidente do Centro arte-luta capoeira por vários anos. Fundador e presindente do Instituto Arte-luta de Educação e Cultura-IALEC.

Participou efetivamente de congressos, palestras e debates em vários colégios e universidades do país. Ministrou e ministra oficinas, workshops e outras atividades correlatas com a nossa capoeira.

Promove todo final de mês uma roda de capoeira no eixão norte – Brasília (roda aberta a todos os grupos) junto com seu corpo docente. Promove ainda, anualmente no Distrito Federal a JOBECAP – Jornada Beribazu de Capoeira.

Já formou vários professores e um mestre de capoeira, que hoje ensina no exterior. Atualmente ensina capoeira no Colégio Paulo Freire ( Secretaria de Educação do Distrito Federal) – Asa norte Brasília – Brasil.

http://www.centroarteluta.com.br

Barack Obama e o Brasil

Para além de todo proselitismo que cercou a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, constata-se, de fato, um enorme avanço na percepção da sociedade americana em relação ao combate ao racismo. Para um país que até recentemente praticava a discriminação racial de forma legal, eleger Barack Obama Presidente da República constituiu-se numa significativa revolução política e social.

Mas é preciso olhar esse fato histórico de maneira um pouco mais acurada. Por um lado, o forte simbolismo que representa essa eleição. Maior potência do mundo, os Estados Unidos, além da força militar e econômica, são também influente no campo das idéias. Por isso, essa eleição representa recolocar na agenda política internacional, não apenas o sonho da igualdade racial, mas também o sonho e a esperança a serviço de um mundo multilateral, em que a autonomia e as diferenças entre os povos sejam respeitadas, onde o diálogo e o convencimento sejam as principais ferramentas de negociação entre as nações e não os mísseis, as invasões, as torturas e as guerras. Um mundo em que a Convenção da Proteção da Diversidade e das Expressões Culturais, aprovada pela Unesco, seja um instrumento real do reconhecimento das múltiplas formas de manifestações culturais, de tradições e de saberes dos povos, sem que tenham obrigatoriamente transformar-se em produtos ou mercadorias, como advogou os representantes norte-americanos quando da sua aprovação.

Por outro lado, faz-se necessário destacar que este fato histórico representa o apogeu de uma luta que se iniciou há muito. País com tradição racial segregacionista recheada de intolerâncias e tragédias, os Estados Unidos foram palco de inúmeras lutas e experiências que influenciaram boa parte do mundo no trato da questão racial. Desde a coragem de Rosa Parks, aquela costureira negra, que, no dia 1º de dezembro de 1955, se recusou a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, até a eleição de Barack Obama presidente, muita água rolou por baixo desta ponte. Ora de maneira trágica com os linchamentos, assassinatos e agressões perpetradas pela Ku Klux Kan e seus seguidores, ora com a reação de líderes como Martin Luther King e Malcom X e organizações como os Panteras Negras que mobilizaram milhões de pessoas nos Estados Unidos e no mundo contra esta iniqüidade que é o racismo. No meio de todos esses episódios tivemos casos hilariantes, como a decisão da Suprema Corte norte-americana que julgou pela inconstitucionalidade, de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional norte-americano que considerava livres os escravos que fossem desbravar o oeste daquele país, alegando que o Congresso não tinha poderes para banir a escravidão, mesmo em território federal, e que os negros não poderiam ser considerados cidadãos, pois não faziam parte do povo americano.

Esse breve apanhado histórico serve para balizar a discussão decorrente da eleição do primeiro presidente negro da maior potência do mundo e suas conseqüências mais diretas para o Brasil. Serve também para entendermos melhor e cobrarmos mais ainda da elite brasileira, as razões pelas quais a enorme euforia demonstrada com a eleição de Obama, não se manifesta minimamente no apoio à luta dos afro-brasileiros por um tratamento igualitário em nossa sociedade.

O Brasil precisa saber que a eleição de Barack Obama não foi fruto de nenhum milagre, nem muito menos da decisão dos homens de bem que comandam os Estados Unidos, mas sim de um poderoso movimento que ao longo de cinqüenta anos conseguiu sustentar a implementação de ações afirmativas que viabilizaram o acesso de milhões de afro-americanos ao ensino superior, assim como a ocupação de vários postos importantes de direção daquele país, tanto no setor público como no setor privado, a exemplo de Jesse Jackson, Colin Power, Condolezza Rice e tantos outros, independente de suas posições político-ideológicas.

Infelizmente a superação plena das desigualdades raciais no Brasil, país líder da América Latina, ainda é um sonho a ser conquistado e uma das razões do adiamento deste sonho é a resistência recalcitrante de parte da nossa elite econômica, política e intelectual sobre a necessidade do Brasil adotar medidas efetivas de promoção da igualdade no campo racial. Mesmo com metade da população sendo afro-descendente, eleger um presidente negro no Brasil parece um sonho ainda muito distante. Pesquisa recente do jornal Folha de S. Paulo revela isso. Embora apenas 3% dos entrevistados tenham declarado abertamente seu preconceito, para 91%, os brancos têm preconceito de cor em relação ao negro. Apenas por esse dado constata-se o quanto de trabalho temos pela frente para vencer o racismo inercial existente no Brasil. Nem mesmo Deus sendo brasileiro, como muitos afirmam, conseguimos apagar as conseqüências dos 400 anos de escravidão que vivemos. Por isto mesmo, investir nas políticas de ações afirmativas para a promoção da igualdade em nosso país, não é uma opção, é uma obrigação. Mais ainda, não pode resumir-se exclusivamente em cotas para negros na universidade, embora a educação seja um fator fundamental para alterarmos nossa realidade excludente. E, para quem, ainda insiste em considerar privilégio essas ações, vale citar aqui a declaração lapidar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa de que as ações afirmativas é “favorável àqueles que historicamente foram marginalizados, de sorte a colocá-los em um nível de competição similar ao daqueles que historicamente se beneficiaram da sua exclusão”. Simples, como água.

Esperamos, pois, que a eleição de Barack Obama possa massagear os pontos sensíveis da sociedade brasileira e nos ajudar a revelar um outro Brasil. Um Brasil ungido pelo sentimento de fraternidade e igualdade a fim de produzir uma outra página na nossa história, com liberdade e democracia, e apagar de vez essa estrutura excludente e discriminatória com base na cor da pele, como querem alguns. Quem sabe assim, em breve, produziremos o nosso Obama?

 

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura

Natal: Conexão Felipe Camarão – Capoeira & Cidadania

 

Problemas se proliferam na Zona Oeste de Natal

A zona Oeste de Natal engloba 10 bairros, onde moram cerca de 200 mil pessoas, quase 30% dos habitantes da capital. Nas Quintas, Bom Pastor, Nossa Senhora de Nazaré, Felipe Camarão, Cidade Nova, Guarapes, Planalto, Nordeste, Cidade da Esperança e em Dix-Sept Rosado vive uma população com renda média, de acordo com o último Censo do IBGE, de 2,92 salários mínimos, a menor de Natal e igual à da zona Norte. A TRIBUNA DO NORTE percorreu a região para conhecer de perto a realidade enfrentada por esses moradores e as principais demandas dessa parcela de Natal:

Casa própria é sonho de moradores do Guarapes Fábio José da Silva, de 29 anos, abandonou a casa onde morava de aluguel para ir viver em um casebre de taipa, no bairro Guarapes. “Era R$ 100 por mês e não tinha mais condições de pagar”, lembra. O pai de família é apenas um dos milhares da zona Oeste que têm de colocar os parentes sob um teto longe do ideal, enquanto sonha com a casa própria. Na região estão localizadas algumas áreas ocupadas por centenas de sem-tetos, como o “Leningrado” e a ocupação “8 de outubro”. Foi vizinho a esta última que Fábio José ergueu sua moradia de apenas dois vãos, que divide com dois filhos e a esposa, grávida do terceiro.

Desempregado, ele já se cadastrou em alguns programas habitacionais, mas afirma não ter idéia de quando vai poder ganhar um teto melhor. “Desde criança morei em Natal e nunca tive uma casa minha mesmo”, lamenta o jovem, que atualmente mantém a família com o dinheiro de alguns “bicos” que realiza diariamente. Assim como a residência improvisada de Fábio José, muitas outras podem ser vistas nos bairros da zona Oeste, onde também se multiplicam favelas como a do Detran, em Cidade Nova, e a Wilma Maia, no Felipe Camarão.

De acordo com dados de 2005, um total de 24 das 66 favelas de Natal se encontram nos 10 bairros da região, abrangendo quase 6 mil casebres e uma população de 23 mil pessoas. Porém, a precariedade das moradias não é o único problema. A zona Oeste de Natal é aquela na qual há a maior média de habitantes por moradia, acima de quatro por casa (4,12 segundo o Censo 2000). Neste quesito, o Guarapes surge mais uma vez como destaque negativo, com média de 4,3 moradores por domicílio, abaixo apenas de Santos Reis (zona Leste) e Salinas (zona Norte).

A família de Kíria Ferreira dos Santos, de 55 anos, é um exemplo disso. A casa dela é dividida por nada menos de 10 pessoas, incluindo os oito filhos e um neto. Vivendo há 19 anos no Guarapes e há cinco no conjunto Dinarte Mariz, onde ganhou o imóvel da Prefeitura, a dona-de-casa acompanha seus descendentes crescerem, sem ter como deixar o local.

“Meu filho mais velho tem 35 anos, outro tem 24, alguns já trabalham, mas nenhum ainda tem condições de comprar suas próprias casas”, reconhece Kíria Ferreira. Ela lembra que emprego é algo difícil de se conseguir e geralmente os disponibilizados aos moradores da região costumam oferecer salários baixos e poucas oportunidades de crescimento profissional. “Por isso, a gente segue dividindo todo mundo dentro de casa, do jeito que pode”, resume.

Faltam opções de lazer e educação

O aposentado Pedro Barbosa do Nascimento, de 80 anos, resume sua vida escolar: “Nunca freqüentei colégio. Meu estudo foi o cabo da enxada e a chibanca (instrumento agrícola).” O exemplo do ex-agricultor não é um caso isolado no bairro de Bom Pastor, onde quase 27% da população é analfabeta, índice igual ao do bairro de Felipe Camarão e inferior apenas aos de Salinas e Guarapes em toda Natal. A zona Oeste como um todo, aliás, é a que apresenta maior índice de analfabetismo na capital, com mais de 21% dos moradores sem saber ler ou escrever.

A história de Pedro Barbosa representa um exemplo comum entre milhares de moradores da área. Agricultor da região de Baixa Verde, ele começou a trabalhar na roça em João Câmara desde que “se entende por gente”, até conseguir um emprego em uma usina de cana-de-açúcar, onde se aposentou. Já idoso, veio para a capital e hoje se divide entre uma casa no Guarapes e a outra, da filha, em Cidade Nova. Apesar do tempo livre, nunca teve oportunidade de aprender a escrever, porém reconhece que hoje isso é imprescindível. “Não sei nem meu nome, mas agora é diferente, só não estuda quem não quer”, ressalta. Mesmo com quase metade da idade, a dona-de-casa Maria Socorro de Lima, de 41 anos, também não vê motivos para retornar aos bancos escolares. Apesar de ter freqüentado colégios em sua infância, hoje se limita apenas a assinar o próprio nome. “Não tenho tempo para aprender, tenho de cuidar das crianças, pois meu emprego é menino para criar”, diz a senhora, que se orgulha, ao menos, de ter todos os filhos matriculados em escolas.

Porém, mesmo as crianças que estudam nos colégios da região também sofrem com outra carência antiga em Cidade Nova: a falta de opções de lazer. Uma duna localizada na entrada do bairro é a única alternativa. No espaço, quatro traves foram levantadas e demarcam os dois campos improvisados. Ginásio ou quadra pública, nenhum dos dois existe. Aliás, uma quadra que seria erguida por um candidato a vereador terminou se resumindo à primeira fileira de tijolos e montes de areia e metralha, que agora ocupam o espaço onde os jovens improvisavam uma quadra de vôlei de areia. O pequeno Guilherme Oliveira, de 12 anos, resume a situação: “Só tem mesmo o morro para a gente pular”, diz , no intervalo entre uma pirueta e outra, para as quais, felizmente, não precisa de estrutura nenhuma. Seu colega, Deílson dos Santos, de 17 anos, confirma a falta de opções enfrentada pela juventude local: “Cidade Nova não tem lazer. Nem quadra, nem campo, nem nada.” De acordo com dados da Semsur, referentes a 2007, a zona Oeste é também a que apresenta o menor número de praças, somente 17 das 194 da capital, ou seja menos de 10% do total (na Sul são 68, na Leste 62 e na Norte 47). Na região, três bairros são apontados como não tendo nenhum espaço público desse tipo: Cidade Nova, Dix-sept Rosado e Planalto.

Bom Pastor tem uma das piores rendas

A zona Oeste divide com a zona Norte de Natal um título nada animador: o de regiões com menor renda média por família na capital, exatamente 2,92 salários mínimos. A população de Bom Pastor apresenta valores ainda menores (2,23 salários mínimos de média) e aparece na 32ª posição nesse quesito, entre os 36 bairros de Natal. Subempregos e o comércio informal fazem parte da realidade de boa parte dos moradores da área.

O vendedor de CDs e DVDs Luciano da Silva Macedo, é um exemplo disso. Aos 28 anos, ele nunca teve carteira assinada e sequer aprendeu a ler e escrever. Além do analfabetismo, o jovem enfrenta outra dificuldade na busca por uma vaga de trabalho fixo. “Não tenho nem mesmo meus documentos completos”, revela. Diante disso, só restou mesmo trocar os bicos temporários pelo carrinho de vendas com o qual circula pelo bairro e por toda a cidade, até o final do dia.

“Só termino por volta das 7h da noite. Em uma semana boa consigo fazer uns R$ 100 a R$ 150”, calcula. Seu sonho, contudo, vai bem além e é de conseguir um emprego em uma firma que lhe permita manter a esposa e a mãe, com quem mora. A escola que freqüenta atualmente é a bíblica, onde aprende sobre a religião, mas não tem aulas de leitura e escrita. “Se aparecesse um curso, se a Prefeitura me desse condições para estudar, eu topava”, garante.

Situação ainda pior é a de grande parte dos moradores da Baixada Frei Damião, também no Bom Pastor. Muitos dependem do lixo reciclável, catado no antigo terreno da Chesf, por trás do cemitério do bairro. É o caso de José Alves, que há mais de 10 anos tira o sustento do local e parece já ter perdido as esperanças quanto a dias melhores. “Meu sonho era mesmo ser gerente de banco, mas não acho que o futuro seja esse, porque sai prefeito, entra prefeito, sai governo, entra governo, e nada muda, nunca vi nenhuma melhora pra gente”, reclama.

Tendo deixado o emprego de servente de pedreiro há um ano para catar material reciclável no local, Francisco Assis dos Santos, de 34 anos, diz não ter perdido a esperança de conseguir um novo trabalho com carteira assinada, mas não reclama da nova atividade. “Pelo menos aqui posso chegar mais cedo em casa”, compara. Emprego, porém, não é a única coisa que falta no bairro, segundo o catador. “Bom Pastor precisa de saneamento, moradia, água, luz, quase tudo que a gente da baixada não tem direito.”

Ruas de terra causam transtornos

Diversos projetos de pavimentação e drenagem foram desenvolvidos nos últimos anos nos bairros da zona Oeste de Natal, porém esse investimento não foi suficiente para transformar em exceção o cenário das ruas de barro, onde no verão a poeira invade casas e causa doenças respiratórias, e no inverno se transformam em verdadeiras lagoas, impedindo a passagem dos veículos e até mesmo das pessoas.

Até o final de 2007, o bairro do Planalto era apontado como o segundo de menor percentual de ruas drenadas e pavimentadas em Natal, 12% e 6% respectivamente, acima apenas dos números do bairro de Lagoa Azul, na zona Norte de Natal (5% e 10%). Um serviço recém executado em uma das principais vias do Planalto, a Engenheiro João Hélio, ampliou um pouco esses percentuais, mas os muitos moradores que não foram beneficiados continuam sofrendo com a poeira e os alagamentos.

Na rua Araguaiana, a revolta é grande. “Aqui é os meninos doentes por conta da poeira, mas na época da chuva é que é fica ruim mesmo”, aponta o desempregado Geraldo Luiz de Queiroz, de 55 anos. Ele acredita que só quando algum político tomar “vergonha na cara” vão resolver o problema do local, onde água servida é despejada no meio da rua, formando verdadeiros esgotos a céu aberto, que acabam se transformando também em espaço de despejo de lixo, exalando um fedor constante. A também moradora Francisca Maria Galdino, 55 anos, afirma que nem mesmo os ônibus transitam pela rua, por conta da falta de asfalto, ou pelo menos de paralelepípedos. “Aqui tudo acaba ficando longe”, explica. Já a dona-de-casa Edna Santos, de 32 anos, lembra, que calçamento é apenas uma das várias demandas da população do Planalto.

Investimentos são necessários para combater insegurança

O trabalho do mestre de capoeira Marcos Antônio Gomes, diretor da organização não-governamental Conexão Felipe Camarão, é ainda um oásis em meio à falta de políticas públicas de combate à criminalidade na região Oeste de Natal. No bairro onde funciona a ong, os assassinatos são uma triste rotina com a qual convivem os moradores. “Alguns policiais já me disseram que mal dá para investigar os casos de homicídio, quanto mais os de furtos, roubos, drogas”, lamenta “mestre Marcos”.

O Conexão tem apoio da Petrobras e atende cerca de 400 crianças e jovens de Felipe Camarão, com atividades esportivas, culturais e musicais. São aulas de capoeira, mamulengo, coral, boi de reis, rabeca, luteria (fabricação de instrumentos) e inclusão digital. Porém, nem mesmo esforços como esse impedem o assédio da criminalidade aos adolescentes da região. “É um trabalho difícil. Às vezes a gente oferece uma música, mas e se eles preferirem o baseado? Mas continuamos assim, perdendo um, ganhando dois”, resume.

Hoje, o trabalho desenvolvido pela organização é elogiado e até defendido pela população. “Eles nos apoiam, mas o fato é que o policiamento é mesmo muito pequeno no bairro. Fazemos um trabalho preventivo, mas também é preciso o repressivo”, lembra. A realidade é confirmada por quem já foi vítima da violência. O motorista Roberto Carlos Rodrigues mora em Cidade da Esperança, mas trabalha na linha de Felipe Camarão. “Não sei onde é mais perigoso, se lá onde moro, ou aqui”, afirma.

Ele já sofreu três assaltos e acredita que seriam necessárias mais viaturas nas ruas para poder coibir esses crimes. Porém, o cenário é distante disso, já que até mesmo o posto policial do terminal rodoviário está fechado. “Não se vê um policial. Se matam alguém, leva horas para a polícia chegar”, descreve. O terminal é muito movimentado, reúne comércios e passageiros à espera dos coletivos e, por isso mesmo, também atrai os marginais. Porém, a porta do posto policial se mantém trancada e sem qualquer sinal dos PMs.

Para o agente de Polícia Civil Joab dos Santos Costa, da Delegacia de Felipe Camarão, os desafios da futura Secretaria Municipal de Segurança não são poucos, em relação à região. “É preciso investir principalmente em educação. Muitas crianças estão fora da escola. As áreas de lazer aqui são poucas e também é necessário dar alternativas aos jovens, como opções de emprego e mesmo de qualificação”, observa.

O número de homicídios é elevado, porém os criminosos não começam suas vidas como assassinos. O agente lembra que muitas vezes os jovens chegam à delegacia após ser presos por pequenos furtos, porém aos poucos vão se envolvendo com outros criminosos e mesmo com o mundo das drogas. “E depois que entra para a marginalidade é difícil sair”.

 

Fonte – Tribuna do Norte – Wagner Lopes – Repórter

Capoeiristas participam de encontro em Belém do Pará

O grupo de Capoeira Angola Pai e Filho, juntamente com outros mestres e contramestres de capoeira de Salvador, irão participar do I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura. O evento será realizado entre os dias 14 e 21 do mês corrente, em Belém do Pará.

O I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste tem o objetivo de promover a troca de experiências entre os participantes. Durante o encontro serão realizadas oficinas de capoeira, batizados e palestras com grandes mestres de capoeira do Brasil.

Veja abaixo relação dos mestres que irão representar a Bahia:

Pelé da Bomba / Tonho Matéria
Baixinho / Angola
Santa Rosa / Carlinhos
Faísca / Máximo / Sasá
Pequeno Mestre / Já Morreu

Quitutes e capoeira revelam faceta nordestina de bairro italiano, em SP

{sidebar id=1} Pequenas fitas verdes e vermelhas advertem os passantes da rua 13 de Maio, na Bela Vista: é chegada a época da tradicional festa da Nossa Senhora de Achiropita. Outros indícios, como o grande número de cantinas e empórios tradicionais, confirmam que se trata de território italiano. Mas nem só de espaguete à bolonhesa se vive no Bexiga.

Ao lado de nhoques, lasanhas e assados, também reinam jabá, baião-de-dois, rapadura, cajuína e outros tantos quitutes oriundos do Nordeste, que se espalham discretamente pelas casas do norte e restaurantes típicos daquelas bandas. São locais modestos (por vezes, descuidados), mas que guardam parte importante da tradição culinária do país.

Foi pensando em conhecer um pouco mais da gastronomia (e cultura) do lado "arretado" do Bexiga, que a Revista foi ao bairro e traçou um roteiro para mostrar que o molho da baiana -e tantos outros- também está por ali.

Casa do norte
Não passe desapercebido pelos doces de compota, entre eles o de caju (R$ 6,50) e o de jaca (R$ 6,50). Outra sugestão é o biscoito Sete Capas (R$ 3), um pacote de bolachas quadradas, feitas em várias camadas, que desmancham na boca. Penduradas no teto, estão as pipocas Gravatá (R$ 0,25), que, nos moldes do Biscoito Globo no Rio de Janeiro, fazem sucesso no Nordeste. O gosto é salgado e bem amanteigado.

R. Conselheiro Carrão, 71, tel.:0/xx/11/3105-5973. Seg. a sex.: 8h às 20h. Sáb.: 9h às 20h30. Dom.: 9h às 14h. Cartões de crédito: nenhum.

Casa do norte Coração do Agreste
Em suas prateleiras estão mais de cem diferentes itens, repostos semanalmente. É possível comprar produtos mais tradicionais como jabá, feijão-de-corda, diversos tipos de farinha, rapaduras, cachaças e temperos. Com mais calma, identificam-se produtos menos óbvios, como o doce de buriti (espécie de palmeira de fruto carnoso, que lembra um pouco o sabor do cupuaçu) e o requeijão (nome que se dá a um queijo amarelo e denso).

R. Santo Antônio, 452, Bela Vista, tel.:0/xx/11/3495-1382. Seg. a sex.: 8h às 20h. Sáb.: 8h às 19h. Cartões de crédito: nenhum.

Casa do norte Fé para Vencer
Este organizado empório oferece uma boa variedade de farinhas como a d’água, a goma, a mista e a de mandioca, em diferentes moagens. Mas a atração do local é a cajuína, refrigerante de caju, bem adocicado, com um leve sabor da fruta, em garrafas de 350 ml (R$ 2) e 2 litros (R$ 4). Outra curiosidade é o pacote de espaguete da marca Richester, produzido na Bahia, que a vendedora jura ser uma massa sem igual em São Paulo.

R. Santo Antônio, 1.058, tel.:0/xx/11/3258-6108. Seg. a sex.: 10h às 21h. Sáb. e dom.: 10h às 14h. Cartões de crédito: nenhum.

Rancho nordestino
Oferece uma cozinha típica, com porções fartas e uma carta de cachaças com 51 rótulos de locais como Bahia, Paraíba, Piauí e Ceará. Uma das boas opções é a paçoca (R$ 19,50 para duas pessoas), que fica melhor com a cremosa manteiga de garrafa ou com um pedaço de queijo de coalho (R$ 3,50) ou caldinho de fava com jabá (R$ 3,20). Também estão no menu outros clássicos como o baião-de-dois (R$ 18 para duas pessoas) e o sarapatel (R$ 9).

R. Manoel Dutra, 498, Bela Vista, tel. 3106-7257. Seg. a qui.: 11h às 14h. Sex. e sáb.: 11h30 às 5h. Dom.: 11h30 às 14h. Cartões de crédito: Master e Visa.

Restaurante e Casa do norte Alvorada
Quase em frente à Casa do Norte Fé para Vencer, existe há 17 anos como um restaurante simples, que serve diariamente pratos como buchada, carne-de-sol e sarapatel. Nos últimos seis meses, os três sócios decidiram investir em uma pequena mercearia com produtos típicos, no fundo da casa. Uma dica é o sequi de goma (R$ 2,50), um híbrido de suspiro e sequilho, feito com goma e araruta (planta cujo tubérculo produz uma farinha branca comestível).

R. Santo Antônio, 1.049, tel.:0/xx/11/3237-1767. Dom. a sáb.: 8h às 1h. Cartões de crédito: nenhum.

Quituteira bá
Depois de trabalhar 12 anos no bairro vendendo acarajé, hoje a baiana Hélia Januária Pisto, 53, faz sucesso com quitutes como vatapá e moqueca de camarão preparados em sua casa. Serve por encomenda em festas e em recepções.

Casa da Bá. Tel.:0/xx/11/3115-0513.

Capoeira em festa

Se a comunidade ítalo-brasileira tem membros memoráveis, caso de Armando Puglisi, o Armandinho do Bixiga, o baiano Ananias Ferreira, 83, também representa muito bem suas origens no bairro.

Ele, que veio para cidade em 1953, é um dos precursores da capoeira em São Paulo e fundou, há um ano, o Centro Paulistano de Capoeira e Tradições Baianas, espaço que tem apoio da Secretaria do Estado da Cultura, onde funcionam oficinas de capoeira, samba de umbigada, do Recôncavo Baiano, e cursos que ensinam a fazer berimbau.

Destaques da programação são a roda de capoeira, que acontece toda terça-feira, e as apresentações, que reúnem capoeiristas de vários lugares de São Paulo, às sextas.

A casa também recebe esporadicamente outros grupos, como os de samba de Maragogó e os de samba de chula de são Brás, reconhecidos como Patrimônio Oral pela Unesco.

Casa Mestre Ananias Centro Paulistano de Capoeira e Tradições Bahianas. R. Conselheiro Ramalho, 945, tel.:0/xx/11/5072-6579. Seg. a sex.: 19h às 22h.

 

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/comida/ult10005u434455.shtml

Velho Mestre de Capoeira é barrado pela Imigração Norte Americana

Ele nasceu em 1945 e foi batizado Norival Moreira de Oliveira, mas o vasto mundo da capoeiragem o conhece pelo nome do batismo na arte afro-brasileira, nascida nos canaviais do recôncavo baiano: Mestre Nô. É esta sua profissão, mestre de capoeira. Desde menino na periferia de Salvador, levou a capoeira a sério, ainda em tempos moldados pela forte memória cruel da escravidão: “por favor não maltrate este nego / este nego foi quem me ensinou / este nego da calça rasgada / camisa furada é o meu professor”. Mas, a capoeira começa a vencer uma das lutas pela arfirmação de uma cultura que construiu as estruturas da sociedade brasileira.

Recentemente a capoeira foi tombada como patrimônio imaterial, do país do carnaval, do futebol, do café, do cacau, da cana-de-açúcar, da soja, do biocombustível. Do país que também exporta aviões para o mundo. Só para citar um exemplo da contemporaneidade. Mas, a capoeiora é, com certeza nosso mais singular produto de exportação.

Levada pelos velhos mestres desde a decada de 1970, hoje a luta-arte afrobrasileira é praticada em todos os continentes. È um potente veículo de expansão de nossa língua, nossa forma de viver, que está na moda porque contem tudo que o mundo moderno necessita: alegria, solidariedade e respeito aos mais velhos; disciplina sem autoritarismo. É o lado positivo da nossa sociedade, com desigualdades sociais e realidades que ao contrário da capoeira, não são exemplos.

Mestre Nô é pioneiro em tudo; em 1990 foi um dos convidados, – juntamente com Mestre João Grande, Lua de Bobó e Cobrinha – pelo hoje professor da Templo University da Philadelfia, para se apresentar no festival de arte negra em Atlanta, nos Estados Unidos. Nunca mais deixou de estar presente naquele país e, ao longo de quase três décadas, foi convidado a formar grupos em Seattle, Orega, Portlan, Iwoa, Boston, New York, Lineapolis, Itaca e Omaha.

Seu pionesirismo para o mundo exigente da capoeira, com normas sofisticadas de hieraquia, foi ter formado em mestre de capoeira, o primeiro aluno estrangeiro a receber este título: Michael Z. Goldeinsten, na capoeira mestre Ombrinho, que é norte-americano, mas só recebeu o diploma depois de vir morar no Brasil por alguns anos, em várias fases; e depois de vinte e quatro anos dedicados a capoeira. Ombrinho teve que entrar na mata tropical e saber colher uma beriba; fazer caxixi, tocar pandeiro de couro de cobra, como antigamente. Com a capoeira aprendeu nosso idioma, que fala com desenvoltura.

No mundo, Mestre Nô tem alunos na França, Inglaterra, Itália, Austrália e Israel. Visita todos os grupos uma vez por ano, para fiscalizar o desenvolvimento dos discíplos. Mas, seu reduto é na Boca do Rio. Bairro de pesacdor quando mestre Nô lá chegou e construiu sua academia que recebe alunos de todo o Brasil e do mundo. Muitos se hospedando em seu espaço, porque fazem questão de conviver com o cotidiano do mestre.

Depois de ter em seus passaportes mais de cinquenta carimbos de entrada e saída em território norte americano, este ano em junho, no aeroporto de Newark na Grande Nova York, em New Jersey, mestre Nô, embora tratado com educação e respeito, não pôde encontrar seus alunos que o aguardavam, para ser homenageado em eventos organizados por eles.

O mestre que ajudou a educar centenas de jovens americanos, teve seu visto cancelado e foi obrigado a voltar. Além dos danos morais, o velho mestre que em suas andanças não percebeu o glaucoma que sofria, teve o prejuízo das despesas da viagem, pois os dois telefonemas a que teve direito, enquanto estava no aeroporto, não solucionaram sua entrada. Michael Goldeinsten, mestre Ombrinho que o esperava, estava sem um aparelho celular, não pôde portanto providenciar um advogado.

No documentário de minha autoria, Mandinga em Manhattan, – sobre a internacionalização da capoeira, gravado em 2005 e patrocinado pelo Ministério da Cultura, Fundação Padre Anchieta e IRDEB, já temos mestres da Bahia apelando para o Itamaraty; para que as autoridades do Ministério das Relações Internacionais e Fundação Palmares, tomem providências no sentido de identificar estes mestres, encontrar formas diplomáticas, para que eles possam levar nossa cultura, respeitando o desejo destes grupos, que o aguarda com alegria e reverência.

Mestre Nô é vice-presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola, com sede na Rua Gregório de Mattos no coração do Pelourinho, que defende e preserva os preceitos da capoeira tradicional. A ABCA, pede a todas as instituições e organizações dos direitos civis, apoio ao seu diretor jurídico, o advogado e ex-defensor público geral do Estado da Bahia, Genaldo Lemos Couto, que está redigindo cartas ao Itamaraty e Ministério da Cultura, no sentido de que os mestres de capoeira, de todos os seguimentos, que comprovem a existência de grupos iniciados por eles, onde desenvolvem um trabalho com a capoeira, ou tenham convite de para ir ao exterior participar de eventos e como sempre acontece, ser homenagado, recebam um passaporte de convidado e tenham suas entradas nestes países facilitadas e respeitadas.

Lucia Correia Lima *

Diretora de Projetos e Comunicação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.

Elaborando o livro “Mandinga em Manhattan”, que pretende corrigir as falhas do documentário. Um projeto do edital Capoeira Viva, Ministério da Cultura e Fundação Gregório de Mattos.

Limoeiro do Norte: Capoeiristas participam do Crescer Cidadão

EM LIMOEIRO DO NORTE, os jovens aprendem noções de cidadania ao mesmo tempo em que dominam os passos da capoeira
O projeto Crescer Cidadão é uma das iniciativas que recebem apoio da ONG Ashoka no Interior do Estado

Limoeiro do Norte. O empreendimento social vai além da busca de geração de renda, e um impacto social de boas ações pode refletir na promoção econômica de jovens da periferia. “Estudar para poder praticar” virou lema para grupos de jovens que participam de atividades esportivas paralelo à sala de aula. Jovens que praticam capoeira no Interior, em várias cidades, levando o mesmo nome da Fundação Arte Brasil de Capoeira, treinam por conta própria e têm dificuldade para arrumar equipamentos.

Tudo é do próprio suor, do berimbau às calças “boca-larga” típicas dos capoeiristas. Material simples e barato, mas que sai caro quando vem de jovens que, além de não terem emprego, são de famílias muito humildes, para quem o maior “luxo” é ter “o de comer todo dia”. Mas os capoeiristas fazem questão de dizer que a capoeira transforma a vida, “porque ajuda a dar mais responsabilidade e disciplina”, comenta Rafael Eduardo da Silva, o “Tição”, que coordena os capoeiristas do projeto Crescer Cidadão, idealizado por ele e aprovado por pessoas especialistas em empreendimentos social juvenil, em Fortaleza.

“Levamos o nosso projeto, foi bem aceito. A gente tem pouco apoio, apesar de a capoeira ter conquistado mais respeito. A grande vantagem é que, com o dinheiro do Geração Muda Mundo (GMM), poderemos comprar nossos abadas, nosso uniforme para as apresentações. O projeto deu um estímulo, a gente espera aumentar o número de integrantes (hoje são 50) e expandir o trabalho”, afirma, otimista, o capoeirista Rafael, autor do projeto Crescer Cidadão.

A dúvida do grupo é saber quando receberão os R$ 1.500 de “semente”, como define a Ashoka Empreendimentos Sociais. O ativista Marcelo Castro, um dos coordenadores do Centro de Estudos Aplicados da Juventude (Ceaj), esclarece que houve um pequeno atraso no repasse devido à prorrogação das reuniões dos projetos e pela mudança na forma de recebimento, que não será em cheque, mas em conta bancária.

“Sabemos que existem riscos, temos a preocupação de se os jovens farão realmente bom uso do dinheiro, por isso promovemos palestras, damos esclarecimentos. Só não podemos ficar parados. A intenção é justamente mostrar aos jovens que eles tem potencial, que podem fazer algo que dê certo”, explica a cientista social Bárbara Diniz, sobre os garotos cujos projetos pretendem “mudar o mundo”, mais do que a fronteira do bairro da comunidade, os limites das idéias e do empreendedorismo.

A demanda de projetos enviados da região jaguaribana tem ampliado os trabalhos do Ceaj, que realizou mais uma reunião com grupos aprovados no último sábado, em Limoeiro do Norte. E na mesma cidade lançará, na semana que vem, uma sede regional da associação. Ainda neste mês, os jovens empreendedores serão orientados sobre os próximos passos para receber o investimento.

Um pré-requisito é a existência de aliados, pessoas que se comprometam a apoiar o projeto, sendo incentivador e apoiador. É o caso do projeto “Em Busca do Tesouro Perdido”, que trabalhará a musicalidade com crianças no Interior. Terá como aliado o artista-educador Talvanes Moura, da Orquestra Carnaubeira de Arte e Educação, de Russas. Este grupo já tem uma tradição e o reconhecimento no trabalho com crianças e jovens do Estado.

O termo Ashoka significa, em sânscrito, “ausência de sofrimento”. Também foi o nome do imperador que dominou a Índia no século III a.C. e é lembrado como um dos maiores inovadores sociais do mundo. As empresas e organizações não governamentais que queiram apoiar os projetos da Ashoka devem preencher formulário que pode ser disponibilizado no site da ONG: www.ashoka.org.br

O Centro de Estudos Aplicados da Juventude (CEAJ) recebe idéias e projetos de jovens no Interior. Qualquer município pode participar.

SAIBA MAIS

Imperador

Valorização
O geração Muda Mundo, lançado no Brasil em 2006, é uma iniciativa da Ashoka com a intenção de valorizar o jovem entre 14 e 24 anos, que possam ter autonomia para concretizar idéias de impacto social.

Passos
Os trabalhos no Ceará existem há poucos meses e está concluindo a fase de avaliação-aprovação de projetos. Os próximos passos são o investimento financeiro e acompanhamento logístico.

Site
As empresas e organizações não governamentais que queiram apoiar os projetos da Ashoka devem preencher formulário no site da ONG: www.ashoka.org.br

Projetos
O Centro de Estudos Aplicados da Juventude, com sede em Fortaleza, recebe idéias e projetos de jovens de todos os municípios do Interior.

Aconteceu: 3ª CBC – Conferência Brasileira De Capoterapia do Distrito Federal

A CAPOTERAPIA é uma terapia utilizando o lúdico da capoeira, idealizado pelo Mestre Gilvan, em Brasilia DF Devido ao sedentarismo dos grandes centros, aliado às doenças cardiovasculares e respiratórias, ser o grande responsável pela mortalidade entre os mais vividos. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos. A prática de esportes, com ênfase nos seus aspectos terapêuticos e de estímulo à prática socializante, tem se revelado como um poderoso instrumento para proporcionar o bem estar físico e espiritual e a própria felicidade aos idosos, num momento tão particular de suas vidas, onde o convívio familiar lhes impõe um certo isolamento natural. A capoeira, em particular, trabalhada na perspectiva de respeitar as condições físicas próprias da terceira idade, pode se converter num eficaz meio de valorização da vida social dos idosos, fazendo do seu ambiente um pólo catalisador e irradiador de cidadania. Período de implementação da Capoterapia: O Projeto Capoeira para Terceira Idade nasceu em 1998, através do Projeto “Capoeira para Todos”, adaptando-se os movimentos da modalidade esportiva e musical (capoeira) para a Capoterapia. Nestes seis anos vem se expandindo pelas cidades de Ceilândia, Taguatinga e através de Oficinas, em outras cidades do Distrito Federal e entorno. “Saúde não é tudo, mas tudo não é nada sem saúde. (Schopenhaver).
Para compreendermos o significado da Capoterapia é muito importante conhecermos as suas raízes históricas, vinculadas à capoeira.

Não há nada que tenha mais a cara deste país do que a capoeira. Ela é a pura ginástica brasileira, estruturada na história escravista, escrita com sangue e suor, e promovida como arte marcial, esporte, desporto e luta.

"O impossível é apenas mais um desafio"

Mestre Gilvan

 

 

 

 

 

 

 

 

PROGRAMAÇÃO

DIA 22/08 quarta-feira às 9h
ATIVIDADE: Sessão solene alusiva à III CBC
LOCAL: Plenária da Câmara Legislativa do Distrito Federal
PROPOSTA: Dep. Distrital Érika Kokay

Às 15:00 h ATIVIDADE: Entrega de lenços da turma da Capoterapia / Deficientes Mentais
LOCAL: Hospital São Vicente de Paula – Taguatinga Sul

Às 19:30 h ATIVIDADE: Laboratório e troca de experiências da Capoterapia com participantes do evento.
LOCAL: Sede da Ladainha, Av. Helio Prates, QNL 30 Cj A Lt 31/33 Taguatinga Norte.

DIA 23/08 quinta-feira às 8:30h
ATIVIDADE: 3º Seminário de Capoterapia
LOCAL: Auditório dos Pioneiros da Administração Regional de Taguatinga
PALESTRANTES: Regina Caetano / SESC; Prof.º Ronaldo Rodrigues / UCB; Dr.º Giovanne / Geriatra; Vera / GVI; Mª. Nazaré / Hospital São Vicente de Paula; Biblioteca Braille; Projeto “Vida Saudável” / Ministério do Esporte e Ministério da Cultura;

Às 14h ATIVIDADE: Vivência da Capoterapia
LOCAL: SESC Taguatinga Norte

Às 16h ATIVIDADE: Entrega de lenços dos alunos(as) da Biblioteca Braille / DV – “Enxergando Melhor com a Capoterapia”.
LOCAL: Teatro da Praça – Taguatinga Centro

Às 19:00 h ATIVIDADE: Exposição da Fotogaleria
às 19:30 h ATIVIDADE: Vivência da Capoterapia c/ tema Terapia do Abraço
Às 20:00 h ATIVIDADE: Roda de Capoeira com grupos do Distrito Federal e entorno
LOCAL: Taguatinga Shopping – Pistão Sul

DIA 24, 25 e 26/08
ATIVIDADE: 1º Encontro Nacional da Capoterapia
LOCAL: Hotel Villas diRoma – Caldas Novas GO

DIA 24/08 SAÍDA: sexta-feira às 7:00 h Nene´s Shopping Taguatinga Centro
CHEGADA : 13:00 h
19:00 h – Vivência da Capoterapia c/ tema Terapia do Abraço no Centro de Convenções do Hotel;
21:00 h – Seresta

DIA 25/08 sábado
7:30 h – Hidrocapoterapia na piscina do Hotel
10:00 h – Oficina de Maculelê
12:00 h – Almoço
14:00 h – LIVRE
17:00 h – Laboratório e troca de experiências com os participantes do evento
20:00 h – Vivência da Capoterapia na Feira do Artesanato – Centro
21:00 h – Seresta
DIA 26/08 Domingo
7:30 h – Hidrocapoterapia na piscina do Hotel
10:00 h – Aulão de capoterapia com todos os participantes
11:00 h – Avaliação e entrega de certificados aos participantes
12:00 h – Almoço
13:30 h – SAÍDA do Hotel
18:00 h – CHEGADA em BSB

www.capoterapia.com
http://www.8p.com.br/capoterapia/flog/

SECRETARIA NACIONAL

Associação de Capoeira Ladainha e Associação Brasileira de Capoterapia
Av. Helio Prates, QNL 30 Conjunto “A” Lotes 31/33 Taguatinga Norte / DF CEP:72162-301 Telefones 0xx61 34752511/2160/9962-2511 Mestre Gilvan
ladainhacapoeira@globo.com