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Livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira”

Livro do jornalista José Barreto sobre Pastinha é um dos finalistas do Prêmio Jabuti e resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira.

Salvador – O livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” é um dos finalistas do 54º Prêmio Jabuti, na categoria infantil. Escrito pelo jornalista baiano José de Jesus Barreto, ilustrado pelo artista plástico Cau Gomez (mineiro radicado na Bahia) e editado pela Solisluna Editora – sediada em Lauro de Freitas – o livro resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira. Nascido no Pelourinho, o menino aprendeu a jogar com o negro banto e ex-escravo Benedito e tornou-se o criador da Capoeira Angola da Bahia.

A lista de finalistas foi divulgada ontem à noite (20) e inclui nomes consagrados como Ziraldo, criador de “O menino maluquinho”, o contista Ignácio de Loyola Brandão e o poeta e cronista Fabrício Carpinejar. Em 2010, uma obra publicada pela Solisluna Editora ficou em terceiro lugar na categoria projeto gráfico do Prêmio Jabuti, com o livro “Rico Lins: uma gráfica de fronteira”, de Rico Lins.

 

O vencedor do 54º Prêmio Jabuti deve ser divulgado no dia 18 de outubro e a lista completa dos finalistas pode ser conferida no site da premiação: http://www.premiojabuti.com.br/resultado-fase1-2012

 

Pastinha foi lançado em fevereiro deste ano em Salvador e nos últimos meses foi apresentado na III Feira do Livro Infantil de Fortaleza e na V Feira Literária de Porto Seguro. A obra é o 11º título do catálogo infantojuvenil da Solisluna Editora, que tem 27 livros publicados. História, cultura afro-brasileira, não ficção, arte visual e poesia estão entre os temas mais recorrentes no catálogo geral da editora.

 

A história narrada em “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” foi baseada em uma entrevista do capoeirista, datada de 1967. A partir desse material, o jornalista e escritor José de Jesus Barreto reconta essa trajetória, juntamente com os desenhos do artista gráfico Cau Gomez, que dão ao livro um toque de obra de arte.

 

http://www.jornaldamidia.com.br

Centenário de Jorge Amado relembra escritor que ‘melhor escreveu um país’

“Não tenho nenhuma ilusão sobre a importância de minha obra”, afirmou Jorge Amado. “Mas, se nela existe alguma virtude, é essa fidelidade ao povo brasileiro.”

A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram um dos fatores por trás da popularidade de que Amado desfrutou em vida.

Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, celebrado nesta sexta-feira, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.

Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países.

O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.

Países como Romênia, Alemanha, Espanha, Bulgária, Sérvia, China, Estados Unidos e Rússia são alguns dos que firmaram contratos recentes para lançar seus livros, diz Nogueira.

Para marcar a data, a prestigiosa coleção Penguin Classics está lançando dois de seus livros em inglês, A morte e a morte de Quincas Berro d’água e A descoberta da América pelos turcos. Amado é o segundo autor brasileiro publicado pelo selo, o primeiro foi Euclides da Cunha.

O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris.

A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas.

“Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país”, afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.

Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele morreu em 2001.

A fazenda de cacau em que nasceu, os terreiros de candomblé, a mistura de crenças religiosas, a pobreza nas ruas de Salvador, a miscigenação, o racismo velado da sociedade brasileira são alguns dos elementos que compõem sua obra, caracterizada por uma “profunda identificação com o povo brasileiro”, diz Eduardo de Assis Duarte.

“Ele tinha o compromisso de ser uma espécie de narrador do Brasil, alguém que quer passar o país a limpo”, diz o pesquisador, professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de Jorge Amado: Romance em tempos de utopia.

O baiano destacou a herança africana e a mistura que compõe a sociedade brasileira como valores positivos do país.

Ele adotava uma postura crítica dos problemas sociais do país e ao mesmo tempo retratava “um povo alegre, trabalhador, que não desiste”, diz Assis Duarte. “Para os críticos, ele faz uma idealização do povo.”

Amado leva para o centro de suas histórias heróis improváveis para seus tempos – um negro, uma prostituta, um faxineiro, meninos de rua, mulheres protagonistas.

“Ele traz o homem do povo para o centro do livro. Coloca-o como herói de suas histórias e ganha o homem do povo como leitor”, diz Assis Duarte.

Comunismo

Tanto a vida quanto a obra de Amado foram marcadas por sua militância no comunismo. Os livros do início de sua carreira eram fortemente ideológicos.

“Saíram livros bons dessa fase, mas também livros muito panfletários, maniqueístas, em que os ricos são todos maus e os pobres são todos bons”, comenta a antropóloga Ilana Goldstein, autora de O Brasil best seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional.

O baiano chegou a se eleger deputado em 1945 – seu slogan, lembra Ilana, era “o romancista do povo”. Apenas dois anos depois, porém, teve que partir para o exílio na França. Sob pressão da Guerra Fria, o Partido Comunista Brasileiro fora banido e seu mandato, cassado.

Durante os cinco anos de exílio, passados com a esposa Zélia Gattai na França e na antiga Tcheco-eslováquia, Amado viajou e ampliou seu círculo de amizades – conheceu Pablo Picasso, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir.

Nos anos 1950, época em que os crimes do líder soviético Josef Stalin vieram à tona, Amado rompeu com o partido. Iniciou-se uma nova fase em sua literatura, mais leve e bem-humorada, menos ideológica.

Para as massas

Amado gostava de se definir como um “contador de causos”. Mais do que explorar novas linguagens literárias, seu objetivo era conquistar leitores e alcançar a massa, diz Assis Duarte.

Sua linguagem era coloquial, simples, como a língua falada; sua forma de contar histórias era folhetinesca, com muitos personagens, ápices e acontecimentos.

Isso ajuda a explicar a rejeição da crítica acadêmica durante muitos anos. Também ajuda a entender as prolíficas adaptações de sua obra para filmes, novelas, peças e séries de TV.

“Sua literatura se aproxima da cultura de massa. São textos que parecem ter sido escritos para serem adaptados”, diz Assis Duarte.

Com a preocupação de proporcionar uma leitura agradável, Amado fez o que queria: conquistar leitores e contar suas histórias.

“Ele foi um escritor popular em um país onde não se lê muito, e que não tem uma tradição de leitura apesar de ter grandes escritores”, diz Milton Hatoum.

O escritor amazonense leu Jorge Amado pela primeira vez na escola de Manaus, aos 14 anos. A professora apresentou Capitães da Areia, logo cativando o interesse da classe ao contar que o livro havia sido queimado em Salvador em 1937, durante o Estado Novo.

“Eu era de Manaus, e para mim o Brasil era aquele mundo cercado de água e de floresta. A leitura de Capitães da Areia foi uma revelação de outra paisagem social e geográfica no mesmo país.”

Para Hatoum, o universo ficcional rico em tramas e personagens de Amado parece dar conta de toda a pirâmide social do Brasil, da elite política e econômica aos mais desvalidos.

Ele afirma quase poder tocar os lugares e personagens quando lê a obra de Amado. “O mundo que ele criou é cheio de personagens muito vivos, de um colorido, uma sensualidade que não é exótica. Quer dizer, é exótica, talvez, para quem não conhece a Bahia ou o Brasil.”

BBC – Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese

Livro conta, em 4 idiomas, história da capoeira no Brasil

Em setembro o jornalista Mano Lima, lança na Europa, a 3ª. edição do seu livro “Eu, você e a capoeira”, publicada pela Conhecimento Editora. Além da edição em português, a obra ganhou as suas versões em inglês, francês e espanhol.

A primeira sessão de autógrafos acontecerá de 13 a 16 de setembro, em Évora (Portugal), no evento internacional de capoeira “Nosso Reencontro”, realizado pela Associação União Portugal, fundada e dirigida pelo Mestre Umói.

Para o anfitrião, a publicação de uma obra sobre capoeira em vários idiomas é uma oportunidade para os capoeiristas europeus e de outros continentes aprofundarem os seus conhecimentos sobre a arte-luta brasileira. “A participação do Mano Lima em nosso evento será importante para estimular os praticantes da capoeira a conciliarem a prática com o estudo da capoeira”, afirma Umói.

Em seguida, o escritor visita as cidades de Valência, Alicante e Madri, a convite de Mestrando Cinzento. Assim, no período de 17 a 23 de setembro, divulgará o livro em programação desenvolvida pelo grupo Aluá Capoeira, que atua na Espanha. “Essa é a segunda vez que o camarada Mano Lima participa de nossos encontros e essa obra editada em espanhol e em outros idiomas falados na União Européia é uma das boas novidades para a agenda da capoeira em 2012”, declara Cinzento que, juntamente com Mestre Umói, serão responsáveis pela distribuição do livro no “Velho Mundo”.

Durante os eventos, o jornalista fará reportagens especiais para a TV Portal Capoeira, a serem exibidas no Portal Capoeira, coordenado por Luciano Milani. O escritor está à disposição de outros grupos de capoeira para dar palestras e fazer o lançamento do seu livro no período de 5 a 16 de setembro, quando cumpre agenda de divulgação na Europa, acompanhado de Flávio Albuquerque, Editor da Conhecimento Editora. “Vamos aproveitar a viagem de intercâmbio para fazer contato com editoras européias, propondo parcerias para a distribuição de nossas publicações no mercado internacional”, informa Flávio.

 

Serviço: para receber o livro, via correio, ou convidar o escritor para eventos de capoeira, no Brasil, ou exterior, os interessados podem fazer contato direto com o mesmo, nos telefones (61) 3042 9332, (61) 8101 0915 e (61) 9190 4256, ou no e-mail dicionariocapoeira@gmail.com.

Mestre Decânio

Ângelo Augusto Decânio Filho, Mestre Decânio, o mais “idoso” dos discípulos de Mestre Bimba ainda vivos, a maior autoridade no mundo sobre a Capoeira Regional de Mestre Bimba. Médico de profissão, esteve ao lado do Mestre desde 1938, dispensando-lhe atenção filial, cuidados médicos, assessoramento em assuntos relacionados com a administração da Academia, estudo de novos golpes e contragolpes, e o estabelecimento de normas e regras destinadas ao aperfeiçoamento do ensino da luta. Em decorrência deste relacionamento, tinha o privilégio de ser o único detentor dos segredos e das manhas do Mestre. Escreveu vários livros sobre Capoeira, agrupados na Coleção São Salomão, editada por ele próprio. Sua obra é citada (por Mestre Damião) como “a verdadeira Bíblia da Capoeira”. Privar de sua companhia é sempre um grande prazer. Mantém uma página na Internet que é sem dúvida um dos melhores sites para quem quiser saber tudo sobre Capoeira:
Medico. Professor Universitário, Capoeirista.  Aluno de Mestre Bimba desde 1938

Lançamento da 2ª edição do livro A Capoeira da Indústria do Entretenimento – Corpo Acrobacia e Espetáculo para Turista Ver

Na Bahia, a ginga é item de série das pessoas. Ritmado de nascença e calejado pela vida, o baiano carrega em si os atributos para jogar capoeira. Os que se dedicam a esta arte, jogam em todo canto. Joga-se capoeira na praia, em ponto de ônibus, becos escuros, lajes ao sol, praças famosas e, não duvidem, joga-se capoeira em ladeira.

Mas, como tudo que nos cerca, a capoeira não está imune aos processos de transformação da sociedade. Assim, a arte criada pelos escravos, cultivada e difundida na Bahia por mestres como Pastinha, Bimba e seu Valdemar agora se apresenta, muitas vezes, como mero souvenir turístico.

É disso que trata o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo, acrobacia e espetáculo para turista ver, do educador e pesquisador Acúrsio Esteves, patrocinado na sua 2ª edição pela FAPESB – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, que terá sua noite de lançamento no dia 15 de setembro no auditório da Faculdade UNIME – Paralela.

Além de contar com o relançamento da obra, o evento será um espaço de discussão sobre alguns aspectos da capoeira e suas possíveis formas de inserção na sociedade, principalmente na aproximação da arte afro-brasileira com a educação.

Confira a programação:

Lançamento da 2ª edição do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo Acrobacia e Espetáculo para Turista Ver.

  • Autor – Prof. MsC Acúrsio Esteves
  • Data – 15/09/2011
  • Local – Auditório UNIME Paralela (atrás da antiga sede do Correio da Bahia)
  • Horário – 19h

Mesa Redonda

Mediador: Prof. Esp. Dayton Starley Moita de Carvalho (Mestre Piauí) UNIME

Palestrantes:

  • Profª. Esp. Ivone Maria Portela: A Implantação da Capoeira nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Salvador – SECULT
  • Prof. MsC Jean Adriano Barros da Silva (Mestre Jean Pangolin): A Capoeira nos Cursos de Educação Física: Avanços e Necessidades – UFRB
  • Profª. Drª. Patrícia Campos Luce: A Aprendizagem na/da Capoeira Angola – UFBA

Encerramento do evento com roda de capoeira dos alunos do curso de Licenciatura em Educação Física da UNIME Paralela com o Prof. Esp. Jefferson Matos.

 

Com a Palavra o Autor:

 

Amigos(as) e colegas

No ano de 2010 tivemos a satisfação de ver o nosso livro escolhido, para ser patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia por seleção pública realizada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB através do edital número APR0161/2010. Participaram desta seleção mais de uma centena de trabalhos relevantes de colegas de diversas instituições de ensino superior baianas.

No dia 15/09 realizaremos o lançamento da obra em evento que terá uma mesa redonda e roda aberta aos presentes e esperamos contar com a presença de todos vocês que fizeram o sucesso desse nosso trabalho nos seis anos que nos separa do lançamento da sua 1ª edição.

Por força contratual devemos disponibilizar uma oferta de 20% da obra editada para bibliotecas de instituições que tenham interesse no tema, limitada às primeiras solicitações recebidas que satisfaçam as condições abaixo citadas. Neste sentido, avaliaremos os pedidos para o recebimento de doação encaminhados por vocês, impreterivelmente até o dia 06/09/2011.

As instituições contempladas serão avisadas até o dia 12/09 por email ou telefone, devendo estar presentes para receber a obra no dia, horário e local do lançamento em anexo, através de representante abaixo qualificado e devidamente identificado. Caso a solicitante não compareça ao evento, os livros a ela destinados serão encaminhados para outra que tenha efetuado a solicitação dentro do prazo supra estabelecido e satisfeito os critérios de escolha.

 

Para efeito de seleção, as instituições solicitantes deverão fornecer os seguintes dados:

  • Nome –
  • Endereço completo –
  • Pessoa para contato –
  • Representante(s) para recebimento da obra, caso contemplada –
  • Email –
  • Telefone do setor responsável –
  • Público alvo –
  • Número aproximado de atendimentos mensais da biblioteca –
  • Natureza – (se pública, fundação ou privada)

 

Caso seja selecionada, a instituição receberá por email um modelo de recibo que deverá ser levado pelo seu representante ao lançamento, em duas vias originais sem rasuras, papel timbrado, carimbadas e assinadas pelo responsável em envelope e papel A4. Estas são condições indispensáveis para o recebimento dos livros. A quantidade de volumes a ser doada será discriminada no modelo de recibo enviado e a escolha das contempladas, bem como a quantidade de volumes a receber, ficará exclusivamente ao nosso critério.

Todos os estabelecimentos, independente de serem ou não contemplados, receberão a informação da sua condição relativa ao pedido de doação. Caso desejem adquirir a obra, gozarão de um preço diferenciado em relação ao comercializado nas livrarias em quantidades a partir de 05 ou 10 exemplares. Quantidades inferiores a 05 exemplares serão vendidas a preço de lançamento. Também serão contemplados com preço especial estudantes devidamente identificados.

 

Cordialmente,

Acúrsio Esteves

Capoeira Angola e Regional: Fugindo da aparência e ressaltando a essência

O dialogo que propomos aqui faz referencia ao universo das aparências no mundo da capoeira, ou seja, queremos tratar sobre os equívocos em relação à tradição herdada da obra de Bimba e Pastinha, que vez ou outra, são citados como forma de justificarem ou validarem praticas que em muito se distanciam da realidade dos estilos desenvolvidos no processo histórico da capoeiragem.

Iniciaremos falando um pouco sobre o conceito de Tradição em Capoeira, pois este tem sido mal compreendido e utilizado de forma errônea para validar posturas que em nada se relacionam com os ensinamentos básicos da arte. Neste sentido, precisamos entender que a tradição não pode ser encarada como algo imutável e/ou verdade única, pois a mesma sempre estará se desenvolvendo como fruto de cada tempo histórico e suas necessidades. Assim, em se tratando da capoeira, a grande maioria das coisas que chamamos de tradição atualmente foram inventadas por volta da década de trinta, fato que comprova a mutabilidade do tradicional, contudo,  não podemos negligenciar o valor destas transformações, ainda que recentes, para justificar inovações atuais incoerentes com os princípios capoeiristicos, pois ai estaríamos cada vez mais nos distanciando do potencial educativo simbólico de nossa arte.

Grupos intitulados atualmente de Angola ou Regional, tem apresentado um disparate metodológico e de fundamentos, quando investigamos a matriz do estilo que se dizem defensores, pois estes tentam fundamentar suas praticas em uma simbologia superficial e negligenciam princípios fundamentais dos estilos, ou seja, temos observado situações absurdas que estão paulatinamente confundindo os mais jovens e ainda criando paradigmas e verdades absolutas que em nada se relacionam com os trabalhos de Bimba e Pastinha.

No caso da Regional, temos observado a redução deste estilo a simples utilização das seqüências, da bateria com um berimbau médio e dois pandeiros surdos, balões, uso da marca alusiva ao signo de Salomão numa camisa e principalmente ao abuso em relação aos ensinamentos de Bimba e outros fatores, fato que consideramos lamentável, pois não vemos os mesmos grupos preocupados em desenvolver os laços afetivos entre seus membros da mesma forma fraterna e respeitosa da tradição Regional, sendo seus praticantes apenas “peças“ da engrenagem de negocio no mundo atual. Os capoeiristas desta “New Regional“ esquecem de investigar a sistematização do estilo e a relevância oral dos mais antigos que fizeram parte da convivência para construção deste processo, desconsiderando que cada símbolo estrutural da Regional só ganhara sentido se considerado num determinado contexto e quando associado a todo o conjunto da obra, ou seja, usar a bateria não basta, usar as seqüências não basta, falar de Bimba todo o tempo não basta, pois a verdadeira forma de revitalizar seu legado seria, em minha humilde opinião, considerar toda a complexidade daquilo que não ta descrito no manual da Luta Regional Baiana e sim na subjetividade das relações sociais dos praticantes e nos fundamentos iniciaticos ancestrais mantidos por Manoel dos Reis Machado.

Na Angola, o processo não esta muito diferente da Regional, pois se vestir amarelo e preto, mesmo sem saber de onde vem estas cores, jogar de forma acrobática e sem gingar muito, cantar de forma difícil de decifrar a letra e ainda ficar com trejeitos exóticos com “caras e bocas“, talvez só assim você seja considerado um “New Angoleiro“ e possa vender o seu “produto“ para alguém alienado por sua propaganda falaciosa. Absurdo, mas este tem sido o retrato da Angola no mundo, salvo os grupos sérios existentes e seus grandes mestres, que na maioria das vezes não estão no circuito internacional espetacularizado dos mega grupos.

Alguns grupos de angola, tem se comportado metodologicamente, como aqueles ditos “contemporâneos“, espetacularizando a pratica, mercadorizando as vivencias sob a forma de seqüências, que de tempos em tempos são modificadas como uma aeróbica na academia de ginástica, garantindo aos mestres/mercado o dinheiro do circuito internacional. Assim, pouco a pouco, a arte capoeira tem perdido lugar para uma pratica “DENOREX“, ou seja, aquilo que parece ser e não aquilo que de fato representa, pois hoje existe uma “industria“ estereotipada de modelos de mestres e praticantes, que tem transformado tudo e todos em algo possível de ser consumido, desvalorizando o aprender-fazendo, o respeito a diversidade e a valorização do Ritmo, Respeito e Ritual como princípios geradores da vadiagem.

Queremos ressaltar que nossa intenção não se articula com a depreciação da capoeira Angola e Regional, mas sim pela reafirmação da beleza e contribuição destes estilos para capoeiragem, pois acreditamos que o potencial simbólico da capoeira tem sido negligenciado pelas armadilhas da busca desenfreada por notoriedade e concorrência de mercado de grupos perdidos/encontrados na total obscuridade das perspectivas transformadoras para um mundo mais critico, criativo e autônomo.

Acreditamos que existem sim possibilidades a luz dos mais antigos e da obra dos que já se foram deste plano de existência, pois trabalhos como da FUMEB, do Mestre João Pequeno, Lua de Bobo e muitos outros, ainda representam um repositório dos fundamentos de nossa arte e neste sentido convocamos toda comunidade para um pensamento critico e investigativo sobre as “verdades“ da capoeira e seus falsos detentores, que lamentavelmente tem se multiplicado pelo mundo, considerando principalmente nossa inércia subserviente e desinformação sobre os princípios da capoeiragem na Bahia.

Jean Adriano Barros da Silva
www.guetocapoeira.org.br
Tel: 55 71 8109 2550 / 3363 4568 / 3366 4214
75 9168 7534 / 75 3634 2653
Bahia – Brasil

Obra de drenagem revela porto de tráfico de africanos escravizados no Rio de Janeiro

Tesouros do Brasil Imperial estão sendo revelados por uma obra de drenagem na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Há pouco mais de um mês funcionários da prefeitura carioca encontraram duas importantes referências do século XIX: o Cais do Valongo – onde desembarcaram mais de um milhão de negros escravizados; e o Cais da Imperatriz – construído para receber Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II.

O tesouro arqueológico estava escondido sob a Avenida Barão de Tefé da Zona Portuária há pelo menos um século. A estrutura do antigo Cais da Imperatriz surgiu com as escavações para a revitalização do local e, logo abaixo dele, surgiram também evidências do que seria o Cais do Valongo, o maior porto de chegada de escravos do mundo.

PESQUISA – No início, a equipe do Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que acompanhava a obra não tinha sequer certeza da existência do Valongo. “Não sabíamos se havia sido completamente destruído ou se dele restava ainda algum vestígio”, afirmou Tânia Andrade Lima, pesquisadora responsável pelas escavações, em documento encaminhado à Fundação Cultural Palmares.

Segundo o relatório, os achados representam mais que as pedras lavradas que compõem os calçamentos dos cais. Foram encontrados vestígios de cultura de grupos africanos e afrodescendentes, como cachimbos de cerâmica, búzios usados em práticas religiosas e botões produzidos a partir de ossos de animais. A descoberta é considerada de grande relevância para o resgate e a manutenção das memórias da cidade e do país.

PRESERVAÇÃO – Agora, o governo carioca pretende mostrar ao mundo o lugar onde desembarcaram milhares de homens, mulheres e crianças vindos de África para mudar definitivamente a face e a cultura do povo brasileiro. Para isso já se fala na criação de um memorial que armazene o material encontrado e o histórico da rotina que se seguiu da chegada à venda dos escravizados.

Enquanto as possibilidades são discutidas, a idéia é integrar as descobertas históricas ao novo desenho urbano local, criando um centro de visitação. Já os trabalhos de identificação, caracterização e preservação seguem minuciosos nos laboratórios da UFRJ, ao mesmo tempo em que a prefeitura instala as novas galerias pluviais, desviando o percurso das manilhas, para não destruir o antigo cais.

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br/

Samba Vivo Botequim homenageia Adoniran Barbosa

Estréia dia 08/12, a opção de começar a noite em alto estilo, em Itapuã, no Espaço Verde, sempre na 2ª quarta feira do mês, a partir das 19h.

O grupo Botequim retorna com o Samba Vivo, prestando uma homenagem aos grandes sambistas do Brasil, tendo como homenageado nessa noite de estréia o saudoso Adoniram Barbosa, em homenagem ao centenário de seu nascimento.

A partir de uma extensa pesquisa sobre a obra dos principais compositores de samba brasileiros, o Grupo Botequim, propõe o show “Samba Vivo” que prevê a realização de um espetáculo musical a cada mês, homenageando um grande sambista brasileiro, através da interpretação de suas músicas e também traçando um perfil do homenageado, contando histórias e fatos sobre sua vida e sua carreira.

Essa idéia nasceu no ano de 2005, idealizado por um dos integrantes do Grupo Botequim – o sambista e compositor Pedrão – e foi apresentado durante dois anos em alguns bares da cidade, onde os shows revisitaram a obra de sambistas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Adoniram Barbosa, Batatinha, Chico Buarque, Candeia, Geraldo Filme, Ataulpho Alves entre muitos outros

O Grupo Botequim é formado por músicos experientes no universo do samba e tem se destacado na cena cultural da cidade de Salvador, por promover um movimento de rodas de samba que tem tido a participação de um público jovem e crescente, interessado em conhecer um pouco mais sobre os grandes clássicos do nosso samba. Recentemente o Grupo Botequim apresentou alguns shows, vencedores de editais públicos da FUNCEB, homenageando grandes sambistas, como o “Tributo à Batatinha”, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e na Praça Tereza Batista, e “Cartola no Botequim” no Teatro XVIII no Pelourinho. No Largo do Santo Antonio Além do Carmo, na última sexta feira do mês, tem Botequim, no Forte do Santo Antonio, com um público considerável de mais de 1500 pessoas.

Apareçam e comecem a noite com a festa viva do samba!!!

África por ela mesma

Em parceria com a Unesco, governo brasileiro lança programa de ensino da história do continente baseado na primeira obra de referência escrita por especialistas africanos

A história da África contada pelos próprios africanos. Esse é o ponto de partida dos novos projetos pedagógicos que pretendem mostrar aos estudantes brasileiros como a trajetória de nosso país está ligada à dos povos que habitam a outra margem do Atlântico.

Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o governo federal está lançando um programa de ensino baseado na História geral da África, coleção em oito volumes lançada pela Unesco em 1981. A obra coletiva foi escrita por mais de 350 especialistas, dois terços deles africanos, e é o mais completo estudo sobre o passado do continente já publicado. 

A série já foi traduzida integralmente para o inglês, o francês, o árabe e o espanhol. Uma versão resumida foi lançada no Brasil entre 1982 e 1985, mas a edição está atualmente esgotada no país. Para suprir essa carência, os oito volumes da coleção estão sendo traduzidos e reeditados no Brasil e não serão vendidos, mas distribuídos para bibliotecas, universidades públicas e outras intituições de ensino. Uma versão digital da obra em breve estará disponível na internet. 

A coleção vai servir de fonte para a formação de educadores responsáveis por difundir o conhecimento sobre o assunto para estudantes brasileiros desde a educação básica até o ensino superior. “A obra é de grande importância e peculiaridade”, diz Marilza Regattieri, oficial de projetos em educação da Unesco. Ela lembra que a Lei 10.639, que tornou o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana obrigatório nas escolas, foi sancionada em 2003.

 

* Heloísa Broggiato é jornalista, tradutora, cientista política e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra

Lançamento do Livro: Iê Camará

O LIVRO IÊ CAMARÁ,  visa discutir procedencias e o desenvolvimento da capoeira, como o surgimento e a prática em seus retorspectivos lugares. E ainda, compartilhar com os leitores fatos marcantes na historia da capoeiragem no Brasil, como a histórias de Salomé, e Maria dos Anjos, valentes e guerreiras que escreveram seus nomes da historia da capoeira e ainda sim tiveram seus nomes esquecidos diante da sociedade.

Alem dessas e outras valentes, esta obra tráz ao conhecimento dos leitores grandes personalidades da capoeiragem no reconcavo baiano como: Zé Doú, Pantalona, Sessenta, Zé Quebra Ferro, Juvencio Grosso, Néco, Gasolina, Maitá, Licurí, Joité, Doze Homens, Espinho emoso, Cazumba, entre tantos outros..A obra aborda outros temas curiosos no universo da capoeira, como a cocorinha,  veste branca, a descendência da capoeira e seu surgimento dentre mais…

Além outros fatos, curiosidades de suma importancia para Mestres, professores, lideres de escolas e mais ainda a todos os brasileiros.

Estamos oferecendo este lançamento com intuito de fortificar e diverssificar os festivais de capoeira, se você é lider de instituição, empresário do ramo de livrarias ou promotor de eventos não perca essa oportunidade.

O que falam sobre o livro:

A diversidade de usos e funções é uma das características mais acentuadas da capoeira na atualidade. Uma delas, a educacional vem sendo bastante valorizada pelos mestres e praticantes de capoeira no Brasil e exterior.

A prática da capoeira nas escolas e os muitos projetos socio-educativos, com os quais ela se envolve, demandam instrumentos de apoio, principalmente de livros que possibilitem a sustentação pedagógica dos mesmos. Eles necessitam em razão da própria natureza das propostas, iniciativas para além do jogo da capoeira, procurando contemplar o universo histórico, a riqueza de informações que ela contém, e sua capacidade de  gerar temas transversais para serem discutidos com os praticantes e pessoas afins.

É por causa disso que ficamos felizes com a ampliação dos estudos e pesquisas sobre a capoeira e o interesse cada vez maior dos mestres e alunos em se aprofundarem no rico e belo universo dessa manifestação, a fim de explorar as muitas possibilidades que ela sugere, como faz o Professor Cascão com este seu livro que certamente vai tornar mais rico o mundo da capoeira.

Frede Abreu (Historiador)

Instituto Jair Moura

 

Caso tenha interesse, entre em contato conosco e enviaremos a

proposta para fazer deste projeto uma realidade.

(33) 8863-9767   –   3273-2178

jornalluandangola@hotmail.com

professorcascao@hotmail.com