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Capoeira: o esporte da mente, do corpo, da alma e do coração

Se o papel da escola é educar e os princípios ultrapassam a sala de aula e envolvem respeito e coleguismo, tudo através de aulas de capoeira, os alunos do mestre Lindomar Nascimento Saraiva, que ensina o jogo no Colégio Hermann Spethmann, de Criciúma, estão no caminho certo para serem cidadãos do bem.

Eles ainda são bem pequenos. Mas a agilidade é de gente grande. São aprendizes com um sonho em comum, jogar capoeira. “É até difícil resumir os benefícios que a capoeira traz. O esporte desenvolve a habilidade motora, a elasticidade e ajuda a manter o equilíbrio, é preciso misturar atenção, habilidade, agilidade e ginga, pois acima de tudo, a capoeira é uma dança. Faz bem para a saúde, para o corpo e também para a mente e o coração”, explica Saraiva, que pertence ao Grupo Senzala. “Além da dança, nós ensinamos também princípios. O respeito é fundamental, seja ele na escola com os colegas, na aula de capoeira, ou em casa. O que eles aprendem aqui acaba refletindo no cotidiano de cada um”.

Enquanto os alunos praticam os primeiro passos, pais e mães acompanham de fora, orgulhosos, o desempenho dos esportistas. José Anselmo é o pai do Cristopher, de quatro anos, que pratica capoeira desde o ano passado. “A vontade de jogar partiu dele. Logo nos primeiros dias percebemos uma diferença no comportamento que ele tinha em casa. Incrivelmente ele melhorou o senso de disciplina e organização. Dou total apoio para que ele siga adiante. A prática do esporte é importante para o desenvolvimento dele, é fundamental para manter uma boa saúde”, atesta Anselmo. “Acho que ficou uma união perfeita, aquilo que eu e a mãe dele passamos em casa se junta ao que ele aprende aqui e assim ele cresce um cidadão com um caráter melhor”, complementa o pai.

A capoeira – A capoeira é um dos mais antigos esportes brasileiros, surgiu quando o país ainda era colônia de Portugal. Foram os escravos que criaram. Eles eram proibidos de lutar pelos seus senhores. Sendo assim, criaram uma espécie de “dança lutada”. Foi a maneira encontrada por eles de tornar os sofridos dias mais divertidos. Os negros vindos da África eram muito festeiros e gostavam de dança. Com a capoeira não esqueciam suas raízes e ainda cuidavam do corpo. Foi proibida no país por muito tempo, hoje é tradição no Brasil e conhecida no mundo todo. Sem música, não existe jogo, não existe dança e não existe capoeira. O som que acompanha o esporte é tocado no berimbau, um instrumento de corda de origem angolana que é considerado por alguns como um instrumento sagrado. Ele é reverenciado no início de cada luta e comanda o ritmo e o estilo de jogo. O berimbau vem ainda acompanhado do pandeiro e, muitas vezes, do atabaque. Sem contar nas palmas dos jogadores que ajudam no clima do jogo.

Saiba mais – Em Criciúma as aulas do Grupo Senzala são oferecidas pelo Colégio Hermann Spethmann, no Centro da cidade. É uma das atividades extracurriculares oferecidas pela escola. Podem frequentar as aulas os alunos da escola e a comunidade. Informações podem ser obtidas no colégio, ou ainda pelo telefone (48) 3437-8037

Colaboração: Ioton Neto/Comunicação Colégio Hermann Spethmann

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Dia dos Pais: Arte e Capoeira em Família

Bruno, Rodrigo e Felipe seguem os passos do pai, o ator e capoeirista Beto Simas

Rio – Todo pai se enche de orgulho ao ver um filho escolher a mesma profissão que ele. Beto Simas pode multiplicar essa felicidade por três. Sortudo, o ator e mestre de capoeira é a maior influência de seus três garotos: Bruno Gissoni, 25 anos, Rodrigo, 20, e Felipe Simas, 19. Todos eles praticam a luta e agora até o caçula Felipe, que atua em sua primeira peça de teatro profissional, decidiu se dedicar à atuação.

“Eu fico muito orgulhoso de ver meus filhos seguindo meus passos. Mas confesso que tinha medo que eles fossem pelo caminho da capoeira porque, para mim, foi bem difícil ser aceito no meio”, assume Beto, conhecido também como Mestre Boneco. “O apelido veio porque, quando comecei, em 74, era branquinho de cabelo escorrido, diferente da maioria dos praticantes da época”, explica.

Apesar de todos os meninos serem atores — Bruno está no ar como Iran, de ‘Avenida Brasil’, Rodrigo será Bruno, na nova temporada de ‘Malhação’, e Felipe está em cartaz com a peça ‘Contos de Verão’ — é a capoeira que, definitivamente, une Beto a seus três filhos. “A capoeira está no nosso sangue e não tem jeito. Meu pai nunca obrigou a gente a fazer. Mas acho que o gosto veio como herança”, analisa Rodrigo.

Os nomes de batismo do trio também são curiosos. Na roda, Felipe é conhecido como Flecha, por ser ágil; Rodrigo é Tora, pois era o mais pesado e tinha um chute forte. Já Bruno é Empenado. “É que ele tinha a perna um pouco arqueada”, justifica Felipe. “Ele não gostava desse nome e até pensou em trocar. Mas a partir do momento que é batizado, não troca”, dedura o irmão, implicando com o brother mais velho.

Em casa, assim como durante a sessão de fotos que fizeram para a ‘Já É!’ no Clube Ginástico Português, na Barra, o clima é sempre o mesmo: um agarrado ao outro, brincando o tempo inteiro. Nem mesmo Bruno, que na verdade é enteado de Beto, se livra das implicâncias e piadas de família.

“Desde molequinho ele me escolheu como filho. Eu o considero meu pai mesmo, pois me criou desde pequeno e não tem como ser diferente. Às vezes eu fico confuso porque todo mundo pergunta: ‘E seu pai?’. Na hora eu falo do Beto”, diz Bruno. Mas para não criar constrangimentos, ele vai logo alertando. “É melhor não colocar isso, não. O meu pai biológico pode ficar chateado”, sorri, meio sem graça.

“Ele não veio de mim, mas é meu filho tanto quanto os outros”, frisa Beto, que cria Bruno desde que ele tinha 1 ano de idade.

E quando alguém cita a palavra padrasto para ilustrar a relação dele com o mais velho, a resposta está na ponta da língua. “Padrasto? Não sei nem o que é isso”, brinca Beto, completando: “Eu troquei mais fralda do Bruno do que do Rodrigo e do Felipe. Sabe como é, né? Para o primeiro filho você dá mais atenção, você tem mais cuidado. Com o segundo é tudo mais ou menos e no terceiro você já está craque, é bem tranquilo. Digo que o Bruno foi uma espécie de estágio para os outros dois”.

Sobre a inspiração para se tornarem atores, Bruno, Rodrigo e Felipe têm a resposta decorada: “Beto foi a inspiração e é nosso apoio”. O pai-coruja retribuiu. “O maior orgulho de um pai é saber que o filho está se encaminhando na carreia”, retribui.

 

Galãs que enlouquecem a mulherada

Em uma família de capoeiristas e ex-jogadores de futebol — Bruno e Felipe jogaram no Nova Iguaçu, mas trocaram os campos pelos palcos — ser ator foi o que realmente emplacou. Com a fama, o assunto em comum entre os três irmãos é o assédio das fãs.

“Às vezes, vamos fazer umas presenças no interior do Rio e, quando não tem segurança, a mulherada pula a cerca e vem para cima. Já chegaram para mim e falaram: ‘Deixa eu ser sua Suelen’”, diz Bruno, que está solteiro.

Para Rodrigo, as meninas tomarem a iniciativa pode ser bom. “Gosto quando a mulher é um pouco ousada”, analisa o rapaz, que se diz solteiro, apesar dos comentários de que ele estaria namorando Raquel Guarini, sua parceira do quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’. Na coreografia do funk, eles deram até selinho.

Já Felipe, o romântico da família, está estranhando o assédio. “Outro dia, uma menina gritou meu nome e eu pensei: ‘Será que é comigo?’. É gostoso, mas minha namorada fica com ciúme”, denuncia.

Para manter a forma e continuar arrasando por aí, cada um tem uma receita. Felipe diz que seu corpo foi esculpido pelo futebol. Bruno corre, joga futevôlei e capoeira. Já Rodrigo apela para alimentação saudável. “Amo um doce, mas não é sacrifício algum trocar por fruta. Mas, independentemente do que eu faça, minha estrutura é herança do meu pai”, avalia. E Beto? Como faz para manter o corpão aos 50 anos? “Faço musculação, mas tenho crédito por já ter malhado demais na juventude”, brinca.

 

Pai destaca as qualidades dos três filhos

Quem pensa que criar três filhos foi difícil para Beto Simas está enganado. “Foi um prazer, pois eles sempre nos acompanharam e sempre gostaram de estar comigo e com a Ana (mulher de Beto e mãe dos três)”, diz o eterno galã. E pai que é pai conhece bem as características de cada filho. A pedido da ‘Já É!’, Beto traçou um breve perfil de cada um deles.

BRUNO

“É o mais tímido de todos e o mais avoado também. Ele não está nem aí, não gosta de tirar foto, tem preguiça, sabe? Às vezes, para atender todas as fãs, junta todo mundo para uma foto só. É bem desligado também. Pode chover canivete ou pegar fogo em tudo que ele está tranquilão. Mas considero isso uma qualidade”.

RODRIGO

“É o meu filho mais persistente. Na capoeira, por exemplo, quando os três começaram, ele era pesado, gordinho e, por isso, tinha mais dificuldade. Ficava louco quando não conseguia aprender um golpe. Mas depois de crescido, continuou treinando e hoje é quem melhor joga capoeira”.

FELIPE

“Felipe é superdeterminado e rápido. É impressionante como ele aprende tudo de forma ligeira, no esporte e em questões de raciocínio. Na infância, ele aprendia qualquer esporte e jogava de igual para igual com os meninos maiores”.

 

Fonte: http://odia.ig.com.br

Lado a Lado: Isabel e Zé Maria: um amor de samba e capoeira

Lado a Lado nova novela das seis da Rede Globo

Camila Pitanga e Lázaro Ramos dão vida ao casal apaixonado da trama

Em Lado a Lado Isabel (Camila Pitanga) é uma moça sonhadora. Ela sonha com a liberdade, a igualdade e o amor. Vive em um cortiço com seu pai, Seu Afonso (Milton Gonçalves), um ex-escravo, homem trabalhador que exerce o ofício de barbeiro e dedicou sua vida para criá-la da melhor maneira.

Seguindo o exemplo do pai, desde os 14 anos Isabel trabalha na casa de Madame Besançon (Beatriz Segall) como criada. Foi com ela que aprendeu boas maneiras e também algumas palavras de francês. A vida nunca foi fácil mas a moça, batalhadora que é, nunca se deixou abater diante dos problemas e sempre lutou por seus ideais.

É na roda de samba que Isabel espanta seus males e alimenta sua ânsia de viver. Entrega-se de corpo e alma à dança e encanta a todos com seu gingado. E foi em um dia desses, na cadência do samba, transbordando alegria, que ela conhece Zé Maria (Lázaro Ramos). Ele apaixona-se logo à primeira vista. Ela, tinhosa, a princípio não lhe dá muita confiança. Mas o jeito sedutor do moço acaba acendendo uma luz em seu coração.

Zé trabalha na barbearia com Seu Afonso, mas guarda um segredo que não confessa nem para sua amada: é capoeirista, e dos mais habilidosos. Porém, no início do século XX, os “capoeiras” são sinônimo de bandidagem. É esse lado oculto que fará com que ele se envolva em algumas – injustas – confusões, que poderão abalar a relação dos dois.

‘Lado a Lado’ é a próxima novela das seis, de João Ximenes Braga e Claudia Lage, com direção de núcleo de Dennis Carvalho e direção geral de Vinícius Coimbra, com estreia prevista para setembro.

 

Fonte: http://redeglobo.globo.com

Menino Joel vai ganhar filme sobre sua vida

O pequeno capoerista, que morreu dentro de casa por bala perdida, ficou conhecido como garoto-propaganda em uma campanha do Governo do Estado

Lembra do pequeno Joel, que sonhava em ser mestre de capoeira assim como seu pai e morreu, aos 10 anos, dentro do próprio quarto, com duas balas perdidas, possivelmente vindas da polícia militar, no Nordeste de Amaralina? A história comovente deste baianinho, que fez o Brasil chorar com sua morte, vai virar o filme ‘Menino Joel’, assinado pelo cineasta Max Gaggino. No documentário, estão depoimentos do seu irmão e da mãe. 

“Um dia antes de falecer, ele acordou dizendo pra meu pai que ia estudar e que ia juntar a família dele e ia tirar daqui, porque aqui não tava dando pra viver mais; ele não queria crescer vendo o cotidiano da forma que estava sendo levado”, revela o irmão do garoto no filme.

Em um post na página oficial da produtora MaxFilmes, o diretor resume: “Gravação do documentário do Menino Joel…esperamos que seja algo revolucionário!”

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De capoeirista e auxiliar administrativo até virar apenas Roger

Ele já foi ajudante de obra e auxiliar de serviços gerais na empresa de construção do pai, depois vendedor de álbuns de “crianças fotogênicas” em vilas populares, auxiliar administrativo em uma financeira, divulgador e representante de discos na época das grandes gravadoras. Também já foi capoeirista, fez frevo e participou do Balé Popular do Recife por uns dois anos. Tudo isso foi o que ele fez antes de se tornar apenas Roger de Renor, figura recifense mais conhecida por seus programas televisivos e em rádios: primeiro foi o Sopa da Cidade, na antiga Rádio Cidade, depois o Som da Sopa, o Sopa de Auditório e agora o Som na Rural – que está sendo gravado e será exibido em cadeia nacional pela TV Brasil – e o programa Sopa Oi FM, além de ser diretor da TV Pernambuco desde o ano passado.

Um comunicador nato, Roger de Renor não é daquelas pessoas que conseguimos separar entre a figura pública e privada. Ele é um só, que participa da cena cultural do Recife por prazer e que acabou se transformando também em profissão. Além da atuação como dono dos lendários e extintos bares Soparia e Pina de Copacabana, esse cidadão recifense que se destaca onde chega por seu visual – agora, lembra um pirata tatuado e barbado – nos conta quem ele é.

A começar pelo nome, qual seria o nome de batismo de Roger de Renor? Rogério, Rogesvaldo, arrisquei a pergunta. “É Roger de Renor, mesmo. Meu pai se chamava Paulo Renor da Silva, e minha mãe é Maria Tereza Paiva Rosa e Silva. Eu e minhas três irmãs somos ‘de Renor’. Na realidade, o sobrenome dos meus pais era ‘Silva’. Hoje ninguém liga para isso, mas por preconceito com o ‘Silva’, que não tem nada de mais nesse sobrenome, resolveram colocar o ‘Renor’, que na realidade o segundo nome do meu pai, como se fosse Paulo Ricardo, por exemplo.”

Já o seu nome foi uma homenagem que sua mãe quis fazer a um artista circense que ela viu em um circo em Natal (RN). Roger acabou descobrindo que o seu homônimo fez parte do Circo Nerino, famoso na década de 1940, e sobre o qual escreveu o livro Circo Nerino. “E o meu nome é massa porque eu só sabia que minha mãe tinha se inspirado num artista de circo. Mas descobri o livro. Roger era um trapezista do circo. Tu acredita que o livro começa com uma mulher contando da vez que o circo tinha voltado para 
Olinda?” 

E Roger continua: “E uma mulher chega perguntando: ‘Cadê Roger?’ E o cara fala: ‘Roger tá aí’. ‘Ah, Roger tá aí? Então tudo bem.’ E ela entra, paga o ingresso, espera por Roger e não o encontra. Quando ela vai falar para o cara: ‘Você disse que Roger tava aí.’ O cara diz: “Você não viu, não? Ele é palhaço agora.’ Ela tinha conhecido ele como trapezista, ele era o galã do circo, andava em cima dos cavalos, fazia pirâmide humana. Como ele ficou velho, virou palhaço”, conta rindo.

“Ele era a referência que minha mãe tinha de artista de cinema, esse era o cara mais lindo que existia que tinha chegado na cidade de Natal. E o melhor é que eu conheci Roger, quando ele estava com 85 anos, quando ele veio para o Festival de Circo aqui no Recife e eu tinha sido convidado para apresentar o festival. Ele tomou cerveja comigo. E ele disse que tem Roger no Brasil inteiro por causa dele, um pessoal da minha faixa etária. Fiquei gostando ainda mais do meu nome, é uma história bacana.”

Nomes à parte, quem era Roger de Renor antes de se tornar uma das figuras mais conhecidas no cenário musical recifense? “Eu não gostava de estudar, minha escola era quase um colégio integralista. Não gostava de nada na escola, só da turma. No primeiro ano científico, parei de estudar.” Depois de passar por quatro escolas, resolveu fazer supletivo para concluir o Ensino Médio. 

SOPARIA – Nesse tempo também resolveu trabalhar com o pai, que tinha uma empresa de construção civil. “Meus pais não reclamaram, sinto até falta, acho que deveriam ter ficado no meu pé. Eu não sou como meu pai em relação a meu filho. Digo a ele que ele tem que estudar e pronto. Acho que meus pais deveriam ter feito assim. Mas eu fui trabalhar como auxiliar de serviços gerais, fiscalizava obras com meu pai.”

Depois Roger não quis trabalhar mais com o pai. “Virei vendedor de uns álbuns que eram vendidos em vilas populares, de crianças fotogênicas. Na verdade, um fotógrafo dizia que estava tirando foto para uma revista. Mas era tudo mentira. Depois de revelarem as fotos e publicarem num álbum, eu e outros vendedores tínhamos que voltar nesses lugares para vender essas fotos a esse pessoal bem pobre.” 

Também trabalhou em financeira e depois passou cerca de oito anos trabalhando para uma gravadora. “Eu ganhava bem, mais que o suficiente. Aí eu tinha vinte e poucos anos e tinha um carro, uma moto, apartamento alugado, era massa. Mas esse negócio era muito angustiante, eu gostava demais de música para vender disco. O disco, você vendia o produto, e não o conceito, a história, o lance da música. Era como quem vendia sapato, roupa.”

Enquanto trabalhava como representante de gravadora, Roger de Renor fazia o que gostava. Organizava festas na casa da mãe, fazia capoeira e até ensinou capoeira em academia e chegou até a participar do Balé Popular do Recife. “Como eu vivia essa vida boa aí, eu podia viver outra coisa boa. A única coisa boa que a escola me trouxe foi que não me fez ser um playboy foi a capoeira. Na capoeira aprendi a me relacionar com gente de todo nível social, aprendi a tocar pandeiro, berimbau. Ensinei em academia, participei de campeonato, sou capoeirista graduado, posso ensinar.”

Como um caminho quase que natural, Roger fez um curso de frevo na Casa da Cultura e fez um teste para o Balé Popular do Recife, onde passou mais de dois anos. “Fazia capoeira e frevo, caboclinho, coco. Imitava embolador. Participei do espetáculo Prosopopeia – um Auto de Guerreiro.” Também fez teatro, participou de alguns espetáculos no Recife, como Salto Alto, Arlequim. “Era muito bom. E eu ia ficar vendendo disco, cara?! Ficar naquele papo no lugar das revendas: ‘E aí, como vai?’ E o outro: ‘Agora que você chegou tá tudo bem’. ‘Não, que é isso?! Você que manda’. E o outro: ‘Eu não mando nada, você que manda e eu obedeço.’”, brinca.

“Não ia ficar envelhecendo naquela porra. Eu falei ‘Vou fazer qualquer negócio, aliás não vou fazer nada.’ Ainda trabalhei de segurança, chefe de camarim, fiquei sem fazer nada, tinha a grana que tinha recebido da gravadora, pensei em botar uma kombi com lanche, carrocinha de sanduíche, só pensamentos retardados. Eu não era mais menino e pensava nisso, só pra não entrar no negócio de trabalhar, só coisa que me divertisse. Foi quando resolvi botar o bar.”

Em 1991, Roger abriu a Soparia, no Pina, que era um esquema “para não trabalhar”. Num cenário não tão diferente do de agora, Roger conta que na época o Recife não tinha lugar para inde ir depois das 2h da manhã. “Ou você ia para o Hospital da restauração ou para Brasília Teimosa. Resolvi abrir a Soparia de meia-noite até 7h da manhã. “ Roger conta que abriu o bar numa meia-noite de Carnaval e não apareceu ninguém. Depois do Carnaval, o movimento foi aumentando, o bar passou a abrir às 7h da noite e ia até 5h, 6h da manhã. “É muito perigoso trabalhar com bar gostando de gente, de bebida, de festa… é um perigo.” 

Depois que a Soparia fechou, Roger abriu o Pina de Copacabana, na Rua da Moeda. Mesmo funcionando por apenas dois anos, entre 2000 e 2002, o bar até hoje é referência. Muita gente que nem frequentou o espaço – que depois foi reaberto como Novo Pina e que hoje já adotou um outro nome – até hoje costuma se referir ao espaço como “o antigo Pina”.

TATUAGENS – Além da barba fechada, dos brincos e anéis, Roger é todo estampado. Numa ocasião, durante uma entrevista, Roger falou que tinha quadros nas paredes do seu corpo para se referir às tatuagens. São dez ao todo, entre gatos, sereias e a mais curiosa: a palavra “Saudade”. “A primeira tatuagem foi a sereia, todas foram feitas a partir da Soparia, quando eu tinha uns 28, 29 anos. Tem essa aqui que vou retocar: ‘Saudade’, que fiz quando estava bêbado. Saudade é massa, porque é amor, né, querendo amar, bêbado. E uma vez uma mulher no elevador disse: “Soldado? Você é militar?”, conta rindo e brinca: “Deveria ter dito: ‘Não, é um cara que eu namorei, um recruta”, ri.

“Sou vaidoso, gosto muito de… não é uma história de ‘Preciso ter aquela roupa’. Mas não dispenso uma atividade física, se não correr na praia três dias na semana, fico agoniado. Ando de skate no Parque Dona Lindu, ando de bicicleta.”

Vaidoso, o produtor cultural, comunicador, apresentador ou seja lá qual a definição que melhor se encaixa para ele, tem uma paixão: motocicletas. “Eu comprei uma moto com 19 anos. Gosto por causa dessas fantasias mesmo, todos os clichês, vento na cara, zoada, fazer parte da natureza, os filmes, tem toda uma simbologia. Agora tenho a moto que mereço, uma Fat Boy, uma Halley Davidson 1660 cilindradas. Ela é linda, ela é um sonho”, fala como um menino que estivesse falando do seu brinquedo predileto. “Em vez de investir em carro novo, prefiro a moto, que é meu sonho. Também já viajei muito de moto, já fui muitas vezes para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ceará. Não conheço o Brasil todo porque ainda não fui pra cima nem pro Sul.”

Além da sua Fat Boy, Roger tem uma Caravan de 1978. E já teve um Landau. “Minha vaidade tá nisso. Também nem seja vaidoso, mas amostrado. Se fosse vaidoso, teria um carro zero. Mas prefiro ter uma Caravan azul, que é muito mais amostrado”, brinca e termina a entrevista mostrando o forro novo do carro. “Veja que lindo, né? E sou modesto, né? Agora diga que não é bonito?!.”

 

Fonte: http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano

3ª Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afro-brasileira ressalta a força das matriarcas negras


Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda de Goiás, grupos de Capoeira e Congada reverenciam três importantes mestres: Pai João de Abuque, Mestre Bimba e Mestre Pastinha; destacam a história do capoeirista Manoel Pio de Sales (Mestre Sabu) e reconhecem a luta e a coragem de duas matriarcas negras de Goiás: Maria Dalva Mendonça e Maria José Alves, em uma grande caminhada no dia 17 de setembro, a partir das 15h, no Setor Pedro Ludovico

Nas culturas e religiosidades de matriz africana, os anciãos e as anciãs ensinam o tempo todo. Em situações do cotidiano, transmitem aos mais novos seus saberes e valores, e assim esse aprendizado é assimilado, principalmente por que alguns detalhes só se aprendem com a prática coletiva. Com o objetivo de reconhecer e valorizar a atuação desses mestres e mestras é que a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba realiza no próximo dia 17 de setembro (sábado), a partir das 15h, a terceira edição da Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afro-brasileira.

A atividade é aberta ao público e reúne membros do Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda de Goiás, grupos de Capoeira e Congada Ilé Ibá Ibomim (Casa de Pai João de Abuque, na rua 1059, quadra 134, lote 04), que de lá saem em cortejo pelas principais ruas do Setor Pedro Ludovico (rua 1064 e Avenida Circular), relembrando e celebrando música e dança a história de mestres e mestras.

O cortejo retorna à Rua 1059, e em frente à Casa de Pai João de Abuque será realizado o encerramento do evento, com uma programação cultural que inclui o show “Divas Negras”, com as cantoras Clécia Santana, Henusa Mendonça e Janaína Soldera; shows das bandas “Visual Ilê” e a “A trilha” e apresentações de capoeira e samba de roda.

 

GUARDIÕES DA CULTURA

Por meio da tradição oral, mestres e mestras transmitem suas orientações sobre a vida, ensinam a importância de relembrar os antepassados, homens e mulheres que são as raízes nas quais a população negra busca a força para dar continuidade a sua história de luta e resistência. Por sua sabedoria, sua experiência de vida, e as memórias que carregam e partilham, é que são considerados guardiões e guardiãs do saber, dessa herança que trazem dentro si.

Como ocorre já pelo terceiro ano consecutivo, a Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afrobrasileira resgata a história de Pai João de Abuque (mais antigo babalorixá e primeiro ancestral do candomblé goiano); Mestre Bimba (o criador da capoeira regional) e Mestre Pastinha (um dos ícones da capoeira angola). Este ano também reverência Manoel Pio Sales – Mestre Sabu (pioneiro da capoeira angola no Estado), e destaca a história de vida e luta de duas mulheres negras, como Maria Dalva Mendonça (matriarca do Movimento Negro em Goiás e fundadora da Comunidade Visual Ilê) e Maria José Alves (em memória – uma das matriarcas das congadas de Goiás).

“Homenagear nossos ancestrais, e este ano em especial as mulheres significa reverenciar a própria cultura afro-brasileira em Goiás. Precisamos falar desses mestres e mestras, pois sem eles não estaríamos aqui hoje. E sem dúvida, a atuação de Dona Dalva e Dona Maria José revelam a coragem e a resistência das mulheres negras”, enfatiza Luis Lopes Machado (Mestre Luizinho), filho de Mestre Bimba e organizador da caminhada.

 

MESTRES E MESTRAS DA TRADIÇÃO AFRO-BRASILEIRA

Maria Dalva Mendonça

Nascida em Pires do Rio. Ela fala com orgulho de suas origens africanas (Angolana) e indígenas (Tapuia). Fundadora da Comunidade Visual Ilê e da Escola de Samba Flora do Vale, Dona Dalva, como é conhecida, é figura importante do movimento negro e de mulheres, do samba, das congadas e das religiões de matriz africana no Estado.

Dona Maria José Alves (em memória)

Natural de Catalão/GO, um das matriarcas das congadas de Goiás, teve uma atuação significativa em vários movimentos sociais (de mulheres, negros, idosos e trabalhadores). Foi também uma das fundadoras da Pastoral do Negro e assumiu diversas funções de liderança na Vila João Vaz, onde estava especialmente à frente da Festa do Rosário e da Congada.

Manoel Pio de Sales (Mestre Sabu)

Nasceu na Cidade de Goiás, viveu por 20 anos em Salvador e foi o pioneiro da Capoeira Angola no Estado. Sempre imponente em seu terno branco, Mestre Sabu é sem dúvida a figura de um valente, daquele que usa da mandinga para superar com dignidade os desafios que surgem em seu caminho.

Pai João de Abuque

Em sua casa de candomblé foram iniciados muitos filhos-de-santo, tantos que nem lembrava mais quantos. E são esses filhos e filhas que hoje dão continuidade à herança deixada por esse mestre, mantém o Ilè Iba Ibomim e também o Afoxé Asè Omo Odé, bloco criado na década de 1990 que levou a tradição afro-brasileira para os carnavais d Goiânia. E ainda hoje, persiste em levar às ruas e palcos as bênçãos dessa religiosidade e a história de seus antepassados, em especial Pai João de Abuque, que em setembro de 2006, tornou-se o primeiro ancestral do candomblé goiano.

Mestre Bimba

Foi um homem a frente do seu tempo. Imaginava e acreditava na expansão da capoeira. E se hoje outros mestres estão pelo mundo afora ensinando essa filosofia de vida, eles devem muito a luta de Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba, que nos anos de 1930 defendeu o reconhecimento da capoeira regional e da tradição de matriz africana. Faleceu em fevereiro de 1974, em Goiânia. Mas permanece vivo na memória e na continuidade que seus discípulos e filhos, entre eles Luiz Lopes Machado (Mestre Luizinho) dão ao seu exemplo de vida e luta.

Mestre Pastinha

Considerado o guardião da capoeira tradicional, Vicente Joaquim Ferreira Pastinha (Mestre Pastinha) considerava a capoeira não apenas uma luta, mas uma forma específica de ser e estar no mundo. Por isso, destacou o aspecto esportivo e lúdico da capoeira, definindo as regras, os cantos, a utilização dos instrumentos e a hierarquia dentro do jogo. Falecido em novembro de 1981, seus ensinamentos continuam nas rodas de capoeira e na atuação de novos mestres que mantém essa importante expressão cultural afro-brasileira.

 

MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

A 3ª Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição representa o desejo e o empenho em manter vivas as tradições de matriz africana, e principalmente, o exemplo de resistência de mestres e antepassados. E exatamente com esse objetivo é que em 1999, Luiz Lopes Machado (Mestre Luizinho, filho caçula de Mestre Bimba) criou a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba, e desde então desenvolve atividades e projetos que promovam e divulguem a cultura e religiosidade afrobrasileira em Goiás.

Mestre Luizinho destaca ainda que a Caminhada é realizada  “em memória e em reverência a esses mestres e mestras de ontem e de hoje, que pelo som dos atabaques, pelas expressões corporais, pelos ritmos, pelos signos e valores de nossa religiosidade, pelas cores e estampas que o Afoxé Asè Omo Odé e várias expressões culturais e religiosas afro-brasileiras levarão para as ruas de Goiânia a beleza e a força da ancestralidade negra”.

Para realização desta terceira caminhada, a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba tem como parceiros: Pontão de Cultura República do Cerrado, Belcar Caminhões, Secretaria de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Assessoria Especial de Políticas Públicas para a Igualdade Racial da Prefeitura de Goiânia (Asppir), Canela di Ema Produções, OlhO Comunicação Estratégica, Grupo Calunga de Capoeira Angola, Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (AGEPEL), Grupo de Capoeira Angola Barravento, DJ Claudinho, Sindicato dos Docentes da UFG (Adufg) e Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG (Facomb).

 

Serviço:

3ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afrobrasileira

Data: 17 de setembro

Horário: 15 horas

Percurso: Saída do Ilè Ibá Ibomim (Casa de Pai João de Abuque)

Rua 1059, quadra. 134, lote 04, St. Pedro Ludovico

Mais Informações: Janaína Gomes (62) 8522-2792/ Ceiça Ferreira (62) 8191-2122

Anexo fotos de 2010 (Crédito: Ana Rita Vidica, José Jair Bazán e Gabriel Moreira Paiva).

Assessoria de Imprensa: OlhO Comunicação Estratégica Fone: (62) 3541-5960 Celular: (62) 8445-2741Site: www.olhocomunica.com.brTwitter: twitter/OlhOComunica

RJ: Na roda com Théo

O gingado e a elasticidade não são os mesmos da adolescência, quando jogava capoeira em Brasília. Mesmo assim, Théo voltou no tempo e aceitou o convite para encontrar o Grupo Muzenza, do Mestre Burguês, numa roda no Aterro do Flamengo. Durante alguns momentos, o oposto da Seleção de vôlei e do RJX recordou a época de capoeirista e, ao falar do passado, comentou o grande ‘pulo do gato’ da sua carreira: ter virado atacante depois de ser levantador.

“Não dou conta de jogar capoeira mais, não”, brincou Théo, preocupado em não se machucar, depois de arriscar alguns movimentos para a sessão de fotos com o Grupo Muzenza.
Simpático, Théo logo se enturmou na roda e ganhou até apelido do Mestre Burguês, hábito comum entre os capoeiristas. “Poderia ser Coqueiro”, sugeriu o mestre, referindo-se aos 2,02m do jogador. “Não lembro do apelido que eu tinha, mas não tem muito como fugir disso. Quando parei com a capoeira, com 15 anos, já tinha mais de 1,90m”, recordou o oposto, melhor atacante da Liga Mundial.

Na vida de Théo, a capoeira deu lugar às quadras. Ele jogava vôlei no colégio em Brasília e foi chamado por um amigo para treinar num time.

“Lembro que, no primeiro dia, eu não fui porque estava na roda de capoeira”, recordou o atacante, que por pouco não iniciou sua carreira esportiva nas lutas. “Meu pai tentou me colocar no caratê. Ele comprou quimono, faixa, fez matrícula e, quando eu cheguei na porta da academia, desisti e voltei para casa. Acabamos entrando na capoeira eu, meus dois irmãos, Thiago e Samuel, e meu pai, Ronaldo, que gostava muito e era amigo do mestre”, contou Théo, orgulhoso com o presente que recebeu do Mestre Burguês: uma camisa do Grupo Muzenza. “Meu pai vai adorar”, comentou.

O destino de Théo era mesmo o vôlei. Começou no clube Sodeso, de Brasília, e teve uma experiência como levantador. Foi chamado nessa posição para a seleção infanto-juvenil, mas acabou cortado. Quando treinava na Ulbra, em 2004, veio a grande mudança. “Era para eu ser o terceiro levantador e comecei a atacar num treino. Foi aí que o Marcos Pacheco me passou para atacante. Tenho até que mandar um abraço para ele. Se não fosse ele, eu tinha parado de jogar”, brincou, aos risos.

Como atacante, sua carreira deslanchou, e Théo foi parar no Japão, atuando pelo Santory Sunbirds, na cidade de Osaka. “Lá é bom de morar, tranquilo”, elogiou o oposto, que não sentiu os efeitos do terremoto que devastou o país no início deste ano. “Eu estava longe de onde aconteceu. Mas é lógico que atrapalhou o país inteiro, os trens pararam”, lembrou ele, festejando a mudança para o Rio: “Aqui, no inverno faz sol. Lá, cheguei a pegar zero grau e até neve”.

A performance de Théo nas quadras do Rio pode ser conferida já na quinta-feira, quando o RJX disputa um amistoso contra a Cimed, no Maracanãzinho, com direito à participação do ex-jogador Nalbert.

 

Fonte: http://odia.terra.com.br/blog/sacaessa – referenciado pelo Mestre Burgues

Capoeira reforça intercâmbio cultural entre Brasil e Líbano

O Líbano recebeu, entre os dias 19 e 24 de abril, a visita do capoerista Mestre Nenel (Manoel Nascimento Machado), filho do legendário Mestre Bimba  (Manuel dos Reis Machado – 1900-1974), um dos mais célebres capoeristas brasileiros e considerado o pai da capoeira regional, que ele criou em 1928 – uma mistura de batuque com capoeira Angola.

 

Mestre Bimba recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia em 1996. Seu filho, Mestre  Nenel, criou a fundação “Filhos de Bimba”,  em 1986,  com o objetivo de guardar os ensinamentos do seu pai. Viaja sempre pelo Brasil e exterior para visitar as escolas que seguem a tradição de seu pai. No exterior, há escolas nos EUA, na Europa e no Líbano, a primeira do Oriente Médio.

 

Em 2009, o jovem Nassib El-Khoury, libanês, após ter estudado e praticado capoeira da tradição de Mestre Bimba, criou uma escola em Beirute, com a assitência dos capoeristas e professores brasileiros Roberta Cecilia Meireles Santana e Ricardo Santos de Jesus. A escola conta com aproximadamente 40 jovens, rapazes e moças, libaneses que praticam a capoeira. Além disso, a escola ensina a língua  portuguesa e a cultura brasileira, um dos princípios dos Filhos de Bimba é transmitir também a cultura no exterior.

 

Meste Nenel visitou o Líbano para avaliar os estudantes capoeristas libaneses, e esteve também no centro de estudos e culturas da América Latina, na Universidade Saint-Esprit de Kaslik (CECAL-USEK, diretor Roberto Khatlab), com o qual já vinha mantendo correspondência. A tradição de Mestre Bimba, conservada por seu filho, Mestre Nenel, transmite  não só uma técnica esportiva, mas tambem uma cultura e trabalho para o desenvolvimento da pessoa como um todo. Os Filhos de Bimba também têm como objetivo um trabalho junto aos estudantes, sendo que o princípio de Mestre Bimba, a capoeira, é a formacao do cidadão.

 

A escola dos Filhos de Bimba está em contato com a Universidade e vários estudantes já praticam a capoeira. A Escola também está em contato com o Grupo infantil de tradições brasileiras Alecrim, ligado ao Conselho de Cidadãos Brasileiros do Líbano, e que iniciará um programa com as criancas de Baalbeck, no Vale do Bekaa.

 

Fonte: www.fbeclebanon.com – http://www.icarabe.org/noticias/

Afoxé Asè Omo Odé abre caminho para o Carnaval dos Tambores

Criado na década de 1990 por Pai João de Abuque (o mais antigo babalorixá e o primeiro ancestral do candomblé goiano), o Afoxé Asè Omo Odé trouxe ao carnaval dos anos de 1990 a 1993 a riqueza das expressões artísticas da tradição afro-brasileira, para a construção da tradição afro-goiana.

No ano de 2008, por iniciativa da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba e do terreiro Ilè Ibá Ibó Mim, o Afoxé sob direção do ogã Mestre Luizinho, herdeiro de Mestre Bimba; retomou suas atividades festivas nas ruas de Goiânia, em rememoração ao dia 13 de maio.

Desde então, realiza anualmente cortejos pelas ruas do Setor Pedro Ludovico em homenagem a importantes mestres da tradição afro-brasileira como: Pai João de Abuque; Mestre Bimba – criador da capoeira regional; Mestre Pastinha – ícone da capoeira angola; e em 2010 reverenciou os mestres da Congada de Goiânia.

Em 2009 e 2010, o Afoxé abriu o carnaval de rua de Goiânia na Avenida Araguaia, e em 2011 abre os caminhos para “O CARNAVAL DOS TAMBORES” no Setor Pedro Ludovico com o som percussivo dos atabaques, agogôs e xequerês, a beleza dos cantos e das danças, a força das cores e dos ritos do Candomblé em um grande cortejo que destaca a riqueza rítmica e estética de Ogum, orixá dono dos caminhos e da tecnologia; de Oxóssi (patrono desse afoxé), protetor dos caçadores e das matas, e a exuberância de Oxum com o seu ritmo ijexá.

 

Serviço

Atabaque, cavaco, tamborim: o Carnaval dos Tambores”

Data: 05 de março

Horário: a partir das 17 horas

Local: Alameda João Elias da Silva Caldas – Setor Pedro Ludovico

Concentração: Rua 1059, n.1059, qd.134, lote 03 (em frente ao Ilè Ibá Ibó Mim, Casa do Pai João de Abuque), em direção a Alameda João Elias da Silva Caldas

Mais Informações: Ceiça Ferreira (62) 8191-2122 / Clécia Santana (62) 9310-6395 / Janaína Soldera (62) 9975-7363

Produção Executiva: Canela di Ema Produções. Fone: 3645-6138

Acompanhe também pelo blog: colofe.blogspot.com

Ciência, paternidade e ação social

Dono de um currículo impressionante, Sidarta Ribeiro, do Instituto de Neurociências, tem uma personalidade instigante, além de um telentoso neurocientista e pesquisador, Sidarta é também capoeirista*…

Sidarta Ribeiro é um pai coruja. Sim, Sidarta Ribeiro, o neurocientista com mestrado, doutorado e pós-doutorado, que tem experiência na área de neuroetologia, neurobiologia molecular e neurofisiologia de multieletrodos, adora cuidar do filho, dar banho, brincar, trocar fralda. Bem, trocar fralda não é a atividade preferida como pai, mas ele jura que faz com prazer. Ernesto tem sete meses e chegou para mudar a rotina do pai. “Antes, eu dormia às 5h da manhã, agora tem dias que eu acordo neste horário”, disse. A paternidade também trouxe mudanças na forma como esse cientista obstinado vê a vida.

“Com a paternidade, eu fiquei mais tranquilo e mais nervoso. Quando você não tem filhos, você calcula os riscos no limite, e quando você tem filhos, você pensa ‘eu não posso correr riscos'”. Com os olhos brilhando e um sorriso tímido no rosto, Sidarta diz que gostaria de passar mais tempo com o filho, mas a dura rotina de trabalho o impede. “Minha rotina é acordar cedo, ficarcom a família, e depois que meu filho vai para a creche eu vou ou para a UFRN ou para o Instituto de Neurociências. Trabalho o dia todo e, às vezes, à noite também. O bom de ser cientista é que não tem horário e o ruim é que não tem horário”, brinca.

Outra paixão do neurocientista é a capoeira. Ele conta que tentou fazer capoeira em Brasília, quando tinha 21 anos, mas achou que estava velho demais para isso. Em Nova York, ele se rendeu aos encantos do esporte e acabou se tornando instrutor. Quando chegou a Natal, começou a dar aulas para crianças carentes da favela Via Sul, localizada nas proximidades do instituto. “Quando eu cheguei aqui no instituto ainda não tinha equipamentos, eu fiquei mais de um ano sem equipamento, então o que eu mais fiz foi trabalhar com essas crianças, era uma miséria horrorosa, todo mundo doente, todo mundo se xingando, uma neurose, e eu comecei a me dedicar a isso”.

A iniciativa acabou se tornando um projeto de extensão da UFRN, o Projeto Semente, que hoje envolve capoeira, música, e alcança um número maior de crianças. “A gente chama de socialização científica, não é iniciação científica, não é que o menino vai trabalhar no laboratório, mas sim usar a ciência para querer se vestir melhor, se limpar, melhorar a auto-estima, começar a perceber que ele não precisa pedir esmola. Tem algumas crianças que estão com a gente há vários anos e as melhoras são impressionantes”, relata.

Sidarta conta que as crianças têm verdadeiro fascínio por ciência, computadores e música clássica. “São coisas muito distantes da realidade deles e por isso mesmo fascina. A capoeira é muito importante para aproximar essas crianças, porque tem símbolos bem populares, de fácil reconhecimento. Mas depois em geral eles preferem o violino ao berimbau, talvez porque o violino simboliza uma outra realidade. A gente investe muito na formação do senso crítico, a ciência ajuda muito, porque na ciência você não acredita em nada a não ser que você tenha uma demonstração, então a gente está treinando os alunos a terem esse senso crítico. Mais do que ter os fatos científicos na ponta da língua, mas saber como é que você chega ao fato, como é que que você testa um fato. Vai acreditar em alguma coisa por quê? Baseado em quê? A gente trabalha isso”.

 

Fonte: http://www.diariodenatal.com.br/

* Inserção: Luciano Milani