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RJ: Professor de capoeira é preso após perder celular com fotos de pedofilia

Mais uma notícia triste para a nossa capoeira… Porém entendemos ser fundamental que os fatos sejam denunciados e processados. A pedofilia é algo ultrajante e mancha de forma horrenda toda e qualquer modalidade ou profissão…

Temos de nos mobilizar e sensibilizar para acabar de uma vez por todas com esta vergonha!!! ***


Mestre Rambo, como era conhecido, dava aula em escolas públicas de São João de Meriti

A Secretaria Estadual de Educação afastou o professor de capoeira, conhecido como Mestre Rambo, suspeito de abusar sexualmente de menores de idade que treinavam em escolas públicas onde ele dava aulas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os atos de abuso sexual foram descobertos depois que o celular de Mestre Rambo foi encontrado em uma casa de festas. No aparelho, o professor guardava diversas fotos de crianças e adolescentes.

A atitude alivou os estudantes e os pais dos alunos das escolas onde o suspeito dava aulas. De acordo com relatos de menores de idade, a prisão surpreendeu todas as pessoas que conviviam com Mestre Rambo.

— Você não imagina uma pessoa tão perto de você ser presa desse modo.

O homem que encontrou o telefone e prefere não ser identificado disse que resolveu mexer no aparelho com o intuito de procurar o dono. Mas encontrou imagens, que na opinião dele, tratavam-se de pedofilia.

— Eu senti revolta, ódio, nojo daquela situação. E acabei entregando o telefone para a polícia.

Após analisar as imagens recolhidas na casa do suspeito, o delegado Marcello Maia, titular da Dcav (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima), identificou crianças de até seis anos de idade fotografadas durante a aula.

— Ele pede para que as crianças façam uma ponte para trás. Nessa ponte, se expõe a parte abdominal, que é a região mais trabalhada na capoeira. Ele se aproveita disso para tirar fotografias da região abdominal e logo em seguida também tira foto da região peniana.

Maia diz ainda que existem vídeos em que ele aparece beijando a boca um menor de idade.

— Foi criminoso, não tenho dúvida.

Na casa do suspeito, a polícia encontrou uma câmara fotográfica que continha centenas de fotos de crianças e adolescentes. Mestre Rambo foi preso em flagrante e levado para uma penitenciária de segurança máxima.

Até perder o telefone, o professor de capoeira era um homem acima de qualquer suspeita. Ele era visto por vizinho e pais dos alunos como uma boa pessoa.

— É uma das características principais do pedófilo. A finalidade disso é para, se eventualmente a criança fale isso para um responsável, o pedófilo tente desmascarar.

Fonte: http://noticias.r7.com

*** Comentário do Editor – Luciano Milani

Assista ao vídeo:

Samba & Semba: Lançamento da Revista “Brasil-Angola”

Meu caros membros e amigos da AABA

Em especial os que se encontrarão em Brasilia ou no em torno. Estaremos realizando ao som de um bom samba e um bom  semba*, estaremos realizando em Brasilia no dia 17 de junho a partir das 20h0, no Restaurante da Tia Zélia, o evento de lançamento do 6º Numero da revista “Brasil-Angola”, que completa este mês um ano de existência.

Este periódico que se consolida como um instrumento importante na difusão e no incentivo de uma maior intercâmbio entre Brasil e Angola entra no seu 2º ano com muitas novidades e energia para continuar seu caminho e cumprir sua missão. A revista vive da participação e incentivo dos dirigentes e sócios da AABA, dos amigos de Angola e da África, em especial a de lingua oficial portuguesa, da colaboração dos profissionais e dirigentes angolanos e demais parceiros daquele pais.
É e se propôe uma ferramenta a contribuir dentro das limitações postas para que o Brasil conheça mais Angola e participe do processo de recosntrução deste pais de forma ainda mais efetiva, levando, sobretudo a nossa experiência e alegria ao irmão povo angolano.

Participe, divirta-se conosco e contribua para com esta missão que se propôe a AABA.

Dia 17 de Junho
Horário: As 20h00,
Local:RESTAURANTE TIA ZÉLIA(vide o convite em anexo)
Vila Planalto, lote 8, Casa 8, Brasilia!

Confirme presença por e-mail: jjunior@brasilangola.com.br
www.brasilangola.com.br

Até lá.

Abraços
J.Junior

Mato Grosso do Sul: 10º Festival de Artes Marciais e Lutas

Mestres e atletas de artes marciais repudiam associação do esporte com a violência

Durante o 10º Festival de Artes Marciais e Lutas de Mato Grosso do Sul, que acontece em Campo Grande neste fim de semana, estão reunidos no Ginásio Guanandizão 1.800 atletas, além de pais, treinadores e admiradores dos esportes.

Com as lutas em evidência no evento, o Midiamax foi conversar com pais, atletas e treinadores sobre a importância de ressaltar a prática esportiva e evitar as agressões físicas.

O professor Bento Vanildo Campos, de 52 anos, é proprietário de uma academia de boxe há dez anos em Ponta Porã e responsável por orientar vários atletas. Ele explica que nos treinamentos os alunos aprendem a não praticar violência e lutar por esporte, apenas.

“Quando um atleta se apresenta mais violento nós conversamos com ele e com os pais, dou exemplo de atletas renomados e fazemos treinamentos mais específicos com o aluno para ele gastar as energias dentro da academia”, destaca o professor.

Nauir Riods, de 14 anos, começou a treinar boxe com dois anos de idade, acompanhando sua irmã nas aulas. “Gosto de lutar, mas só dentro do ringue”, diz Nauir enquanto olha fixamente para o ringue, onde acontecia uma luta.

A mãe Marenil Fátima da Silva, de 45 anos, se enche de orgulho ao ver seu filho, atleta de karatê, Victor Hugo, de seis anos, ganhar uma luta no tatame. Marenil explica que seu filho começou a treinar no ano passado na escola e que adora o esporte.

Ela diz que Victor é um menino muito calmo e que o karatê ajuda em seu desempenho escolar e físico. “Não tenho medo dele se tornar violento, porque sei que o treinador ensina como ele deve agir”, destaca.

Já Lucas Ramos de Campos, de 23 anos, seis dos quais dedicados a capoeira e diz que aprendeu a modalidade em um projeto sócioeducativo da Capital. Para ele, pessoas que usam os golpes que aprendem nos esportes para brigar são covardes. “É uma covardia, porque a pessoa que luta sabe os pontos fracos do adversário e pode machucá-lo”, diz.

Lucas ainda ressalta que nunca se envolveu em brigas e nunca usou os golpes que aprende nas aulas de capoeira fora da academia, nem mesmo para defesa pessoal, além disso, explica que se alguém de seu grupo se envolver em brigas, é punido dentro da academia.

Atletas de 11 modalidades estão reunidas, sendo karatê oficial, kung-fu kuoshu, jiu-jitsu, taekwondo, muay-thai e judô, karatê tokay-kan, kung-fu wushu, lutas associadas e boxe.

 

Fonte: http://www.midiamax.com/

 

Embu das Artes: Capoeiristas abrem Mostra dos Núcleos de Cultura

A inclusão social e cidadã  do governo de Chico Brito é evidente em eventos como a Mostra dos Núcleos de Cultura, aberta em 28/11, com apresentação dos grupos de capoeira de Embu das Artes, com participação de mais de 500 alunos. O projeto dos grupos de capoeira, iniciado com apoio do governo federal, hoje é mantido pelo município. “Os Núcleos de Cultura, criados nesta gestão e instalados em 18 das 20 regiões da cidade, além de capoeira, têm atividades de música, dança, teatro. E a capoeira não é só uma luta, é também cultura, esporte, disciplina”, disse o secretário de Cultura, Paulo Oliveira.

No primeiro evento de encerramento das atividades 2010 dos Núcleos de Cultura, que continua nos dias 11 e 12/12, também no Centro Cultural Valdelice Medeiros Prass (avenida Aimará, s/nº), com teatro, música e dança, ocorreram apresentação de roda, maculelê, samba de roda, puxada de rede, manifestações que compõem a capoeira. Participaram os Núcleos de Cultura do Jardim Silva, coordenado pela professora Pantera; Jardim Júlia, do popular professor Temeterra (Mateus); Jardim Pinheirinho/Paróquia São Judas, contramestre Joca; Valdelice, mestre Edson; Novo Campo Limpo, mestre Azambuja; Santa Tereza, contramestre Joca; Parque Pirajuçara, professor Faísca Scuby; e São Marcos, mestre Oró, que fez uma bonita apresentação com Faísca, Tadeu e Edson.

Na abertura, na quadra do ginásio do Valdelice, Márcia Cristina Rabelo Batista, a professora Pantera, do Centro Cultural de Capoeira Irmãos Unidos, com sede no Centro, destacou que praticar a atividade “é bom para o físico, a disciplina e faz bem para adultos e crianças”.

O pequeno Philipi Freire Araújo, 6 anos, é um exemplo disso. Ele se exibe na quadra durante a apresentação com desenvoltura, enquanto os pais, Elenice Freire e Washington Araújo acompanham orgulhosos. A mãe de Philipi conta que ele pediu para entrar no grupo de capoeira depois de ouvir o som do berimbau e que após se tornar um capoeirista já recebeu medalha e troféu. “Percebo que ele é cada vez mais disciplinado e come melhor. Antes, por exemplo, não comia feijão. Hoje, sempre digo a ele que precisa se alimentar melhor para lutar e ele vai avançando”, revela Elenice.

Nas equipes, nem todas as crianças recebem os cuidados de Philipi, nem mesmo têm os pais na plateia para vê-los fazer a exibição. No ginásio, antes da apresentação, dois pré-adolescentes brigam demonstrando agressividade, até a professora Pantera separá-los destacando a necessidade de formarem uma equipe. É tarde de domingo, os pais dessas crianças não estão nas arquibancadas do ginásio Valdelice, assim como muitos outros que ainda não descobriram como o pequeno gesto de aplaudir e torcer pelo filho pode despertá-lo para a prática esportiva, contribuir para a formação do seu caráter e torná-lo mais saudável e feliz.

Elke Lopes Muniz

 

Fonte: http://www.embu.sp.gov.br/

Longe do trabalho infantil, crianças se dedicam aos estudos e atividades lúdicas

Jogos, brincadeiras, capoeira, música, educação física e breaking. Essas são apenas algumas das atividades promovidas por meio do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), em Piraquara. No contraturno escolar, são atendidas cerca de 300 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 15 anos.

Além das atividades lúdicas e educativas, de acordo com a coordenadora do programa, Claudiane Ferrari, tanto as crianças quanto os pais são acompanhados por uma equipe multidisciplinar composta por assistente social, pedagogo e psicólogo. As reuniões familiares podem ser mensais, quinzenais ou semanais dependendo de cada situação.

“Em caso de denúncia em que as crianças trabalham nos finais de semanas, por exemplo, é chamada a atenção da família. Primeiro há uma reunião e no caso de reincidência o caso é encaminhado para a Vara da Família para que sejam tomadas as medidas necessárias. A família tem que assumir o papel na educação dos filhos”, explicou a coordenadora. Cada família recebe R$ 40 por criança participante do programa.

Ainda de acordo com Claudiane, o programa também possui outras exigências. Os pais têm que participar das reuniões e os alunos têm que frequentar a escola e o Peti. A tolerância é de apenas três faltas mensais, com justificativa. Caso a família não cumpra com as regras o benefício pode ser bloqueado e até cancelado. Além do acompanhamento também nas escolas, o programa incentiva o aluno na superação de dificuldades na aprendizagem.

 

Peti

O objetivo do programa desenvolvido pela prefeitura municipal é oferecer um espaço seguro e voltado para o desenvolvimento biológico, psicológico e social de crianças e adolescentes antes submetidos a situações de trabalho, exploração e mendicância.

Desde o início deste ano, o Peti está instalado em prédio próprio, que fica em anexo ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Piraquara Solidária, no Bairro São Cristóvão. O transporte para o deslocamento diário é proporcionado gratuitamente a todos os alunos. Além disso, o programa também oferece duas refeições (lanche e almoço).

A coordenadora pedagógica e os cinco instrutores são contratados a partir de um convênio firmado com a Adesobrás. Os demais funcionários pertencem ao quadro próprio (efetivo) da prefeitura municipal (coordenadora geral, professora, assistente social, técnico administrativo, motorista, dois estagiários, quatro auxiliares de serviços gerais e duas merendeiras).

Em tempo: O programa atende, exclusivamente, crianças e adolescentes (abaixo de 16 anos) em situação de trabalho infantil e risco social. Para participar é necessário procurar a sede do Peti, que fica na Rua Reinaldo Meira, n.º 978, no bairro São Cristóvão. Para fazer as inscrições basta apresentar RG e comprovante de residência. Mais informações: (41) 3653-7387.

 

Fonte: http://agoraparana.uol.com.br/

Brincando com a Arte do Movimento

Projeto inédito de capoeira do Objetivo Sorocaba extrapola a sala de aula e vira livro e CD

  • Intitulado “Brincando com a Arte do Movimento”, projeto visa transmitir valores culturais e educacionais aos estudantes através da capoeira.
  • Mestre Moraes, reconhecido internacionalmente, encanta-se com o projeto realizado por alunos, pais e professores.

Um projeto inédito envolvendo alunos, pais e professores do Objetivo Sorocaba extrapolou os muros da escola e ganhou um seleto espaço junto dos livros e CDs educativo-culturais.

Intitulado “Brincando com a Arte do Movimento”, o projeto consiste em aulas de capoeira voltadas a alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio, com o intuito de transmitir valores educacionais e culturais através da prática desse esporte.  Diferentemente de como acontece na capoeira comum, as aulas não são ministradas com o objetivo único de se ensinar a jogar o esporte, mas sim de passar uma nova arte aos estudantes e ensinamentos importantes à convivência pacífica e harmoniosa entre todos.

Os resultados positivos desse trabalho, que vem sendo realizado há cinco anos, superaram as expectativas e acabaram por dar origem a um livro e um CD com ilustrações e letras de músicas feitas por alunos, pais e professores.  Pela sua relevância cultural e ineditismo, o trabalho também ganhou a atenção e o apadrinhamento do mestre capoeirista “Ginga”, do Centro Cultural de Capoeira Irmãos Unidos, parceiro da escola nesse projeto.

O Mestre Moraes, conhecido internacionalmente e considerado o maior divulgador da capoeira no mundo, também tomou conhecimento do projeto e interessou-se, inclusive, por sua divulgação. Capoeirista preocupado com a musicalidade da capoeira, Mestre Moraes já recebeu uma indicação, em 2004, para concorrer ao Grammy com um disco do gênero. “A importância do projeto está, justamente, no resgate de um elemento de suma importância na prática da capoeira: a musicalidade, que tem sido colocada em segundo plano graças à supervalorização dispensada à vertente esportiva da capoeira. O Projeto pode contribuir para que a história da nossa sociedade seja contada às nossas crianças de forma lúdica, mas objetiva”, afirma o Mestre.

Moraes ainda ressalta a importância da obra extraída no “Brincando com a Arte do Movimento”, pois, segundo ele, o objeto da música de capoeira é a comunicação de fatos relacionados a um determinado grupo social através de códigos, só conhecidos por aqueles que pertencem a um grupo identitário. “Comungo com a ideia do projeto e pretendo divulgá-la para que outros professores de capoeira possam formar capoeiristas completos. Aqui na Bahia já temos várias escolas que têm a capoeira em sua grade curricular, mas observo que a preocupação da maioria dos professores é com a formação de atletas”, avalia.

Sobre o CD, o professor Cristiano Aparecido Amancio dos Santos, coordenador das atividades com capoeira da unidade Portal da Colina do Objetivo Sorocaba e idealizador do projeto, conta que se tratou de atividade interdisciplinar. “Para elaborar a capa do CD com as músicas cantadas pelos alunos, um professor fez o desenho, as crianças do Infantil foram as responsáveis pela pintura e o Ensino Médio é quem fez o acabamento, tudo isso durante as aulas, o que integrou várias disciplinas”, conta.

Cristiano ressalta a importância dessa iniciativa para a formação das crianças e jovens. “No ‘Brincando com a Arte do Movimento’, a capoeira vem como estratégia de contribuição na formação educacional desses alunos. Eu costumo dizer que, no trabalho com a capoeira durante as aulas, não estou formando capoeiristas, estou formando cidadãos, pessoas e que esses aprendem brincando o que ninguém consegue ensinar”, diz.

O professor ainda comenta que a ideia da produção de um livro e um CD surgiu de uma necessidade encontrada durante as aulas de capoeira. “No início, as crianças tiveram certa dificuldade em entender a cultura capoeirista. Por exemplo, muitas músicas apresentavam letras antigas com as quais os alunos não se identificavam e não entendiam. Foi dessa oportunidade que surgiu a ideia de realizarmos um trabalho onde eles próprios pudessem criar as letras das músicas para jogarem nas aulas. Eles inventam, cantam e adéquam isso a algumas coisas já prontas da capoeira, contando também com a ajuda dos pais na elaboração das letras”, revela.

O “Brincando com a Arte do Movimento”, continua o professor, também chega com a missão de quebrar tabus e preconceitos. “Insisti nesse projeto, principalmente, porque as pessoas julgam a capoeira sem conhecer. Existe, de fato, um preconceito sobre o esporte, mas a capoeira pode sim ser um agente de formação pessoal. Por isso mesmo, trouxemos os pais dos estudantes interessados para mais perto de nós para que pudessem conhecer o intuito dessas aulas e eles também se encantaram”, expõe.

O CD e o livro “Brincando com a Arte do Movimento” poderão ser encontrados nas unidades do Objetivo Sorocaba – Centro e Portal da Colina – e pelo site da editora Publit (www.publit.com.br).

 

Fernanda Burattini
Q! Notícia Comunicação
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Mil palavras

Quem disse que uma imagem fala mais que mil palavras não estava mentindo.
Recebi recentemente via e-mail, o cartaz de um evento, Capoeira Angola Women Power Conference 2010, que será realizado em março pela Fundação Internacional de Capoeira Angola, em Estocolmo, na Suécia.

Mas não é sobre o evento que eu quero falar. É sobre a imagem apresentada no cartaz: uma menina muçulmana, como indica o lenço, tocando berimbau.

Embora a condição da mulher muçulmana dependa muito mais do país de origem do que da religião, ainda assim a imagem chama atenção, impressiona e desperta a reflexão, as mil palavras.
Não conheço a menina, não sei qual seu país, qual a realidade dentro de sua casa, mas sei que não é preciso ser muçulmana para viver sob regras rígidas, limitações e proibições.
A garota muçulmana está tocando seu berimbau, enquanto ainda existem mulheres que vivem sob a moderna “cultura ocidental” mas que deixam a capoeira por proibição dos pais, namorado ou marido.
Questões como diferenças culturais, religiosas e sociais, preconceito racial e de gênero, repressão e liberdade são muito mais complexas do que se aprende na escola ou se vê na televisão.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Cultura e Tradição: Capoeira muda a vida de crianças em Fortaleza

“Exu é o senhor do movimento, então tudo que está quieto e parado ele tenta movimentar, assim é o próprio mundo. Ele tem um chapéu metade preta e metade vermelha”.

O relato continua. “Dois reis que se tratavam como irmãos realizavam sempre um festival de confraternização entre os reinos e Exu passava e presenciava sempre a mesma coisa, todos amigos a vida toda. No festival, os tronos ficavam lado a lado e o povo confraternizando. Em uma festa, Exu se traveste de príncipe e passa no meio dos dois tronos, cumprimenta os reis e some no meio da festa. Eles comentam sobre a beleza e o chapéu do príncipe, no caso Exu disfarçado, e divergem das cores que cada um viu. Para os reis a palavra era incontestável e um deles ficou ofendido daí se agridem e começam um embate que vira uma guerra que dura anos. Quando os dois reinos estão quase destruídos, os reis sentam para negociar uma trégua e Exu refaz o trajeto ao contrário e cumprimenta novamente. Os reis vendo cores contrárias do que viram da primeira fez, se voltam um ao outro pedindo desculpas e selando a paz novamente”. Essa história reflete a composição da dialética, a tese, a antítese e a síntese. É a sabedoria africana contada pelo Mestre Armando Leão ao grupo de crianças que fazem parte da Capoeira Angola e moram no Campo do América em Fortaleza.

Angola no Campo do América

Os instrumentos são os mesmos, mas a dança da Capoeira Angola é diferente da Capoeira Regional. A Angola é constituída por movimentos complexos misturando ritmo e luta, sendo o estilo que mais se aproxima da forma dançada pelos negros africanos. A expressão cultural chegou ao Campo do América após relatos da realidade vivida pela comunidade, que é cercada pelos prédios de luxo da Aldeota e que divide espaço com alguns problemas sociais como drogas, exploração sexual na Avenida Beira-Mar. A atividade despertou a curiosidade entre as crianças que além de aprender Capoeira, têm também aulas de arte e cultura africana através de uma linha pedagógica, com base na contação de histórias.

O Mestre Armando afirma que muitos quando chegam pra conhecer a Capoeira Angola, trazem a ideia do senso comum da existência de uma única capoeira e alguns se decepcionam porque querem dar saltos entre outros golpes, então quando percebem que o ritual é diferente ficam frustrados.

Durante as aluas, as crianças aprendem a tocar os instrumentos de percussão (reco-reco, agogô, pandeiros, berimbaus – gunga, médio, viola – e atabaque). A ladainha cantada e a dança são ensaiadas e assim se preparam para além de viver com a influência dos ensinamentos africanos também se apresentarem em eventos.

Adversidade para a realização do trabalho

A iniciativa de ensinar esses valores não é algo fácil, já que a realidade de Fortaleza se configura em um cenário em que igrejas católicas e protestantes disputam os fiéis e criticam a prática da Capoeira Angola atribuindo ser “coisa do demônio”. Além disso, existem as dificuldades financeiras que o grupo enfrenta para manter o mínimo de estrutura. Mestre Armando diz que não existe perspectiva de ser um projeto social com apoio institucional. O que conseguiram até agora foi resultado da coletividade e algumas atividades financeiras que propiciaram a compra dos uniformes padronizados da Capoeira Angola (calça preta e blusa amarela). O grupo realizou passeios culturais onde as crianças já conheceram os museus ao redor do Dragão do Mar, visitaram um projeto no bairro Serviluz que desenvolve trabalho de fotografia com crianças, Praça Adahil Barreto e a Praça Luiza Távora (Pracinha da Cearte).

Histórias de infâncias roubadas

Algumas realidades vistas no local são de abandono. Porque os pais têm que trabalhar, muitas crianças passam parte do dia nas ruas por não ter nenhuma atividade e ficam sujeitas a todos os tipos de violências e assédios. Há muitas crianças com um potencial de agressividade por consequência da falta de oportunidade ou por não conhecer carinho familiar. Todas, porém, convivem com a propaganda da vida de luxo de alguns que moram nos prédios da vizinhança. São relatos que para o Mestre “afasta o diálogo entre os pais e filhos e com as rodas de conversa durante a Capoeira aos poucos vai contribuindo para o retorno dessa aproximação, tendo em vista uma convivência mais harmoniosa e respeitável,” enfatiza.

Após as aulas que acontecem na Matriz Criativa Núcleo de Ação e Desenvolvimento, as crianças são levadas em casa e o Mestre conversa com os pais sobre a criança ou sobre algo que possa vir a contribuir com o desenvolvimento psicológico e afetivo. O Mestre relata que uma vez foi à casa de uma aluna que, por volta de três horas da tarde, estava sem ter ingerido nenhum alimento. Ao perguntar por que ela ainda não tinha se alimentado, ela respondeu que se alimentava sempre depois que a mãe chegava do trabalho após as cinco horas ou quando um tio levava alguma coisa. Histórias de vida como essa, de crianças que crescem com dificuldades em meio às ofertas do tráfico, fazem parte do cotidiano do Campo do América. Isso para o Mestre Armando é um desafio para se desconstruir e é possível através dos ensinamentos africanos e da prática da capoeira.

Absorção de conhecimento

Além da dança e da música, as crianças escutam as histórias e podem recontar em outras aulas e assim os conhecimentos são repassados. E uma dessas ferramentas é a encenação, metodologia que, segundo o Mestre Armando, contribui para estimular a imaginação infantil. Ele relata que muitos quando escutam histórias sobre Ogum, Olorum entre outras, identificam-se e isso faz com que eles entendam a dinâmica do mundo a partir de outra visão.

Para o Mestre Armando o trabalho por ele desenvolvido é uma necessidade religiosa e ancestral, um dever que tem de repassar os seus conhecimentos. “Os alunos precisam saber viver bem, concebendo a capoeira. Todo esse esforço é para que isso influencie na vida das crianças e que elas consigam viver daqui pra frente a partir da tradição da Capoeira Angola”, conclui.

De Fortaleza,
Ivina Carla (Acadêmica de Jornalismo)

http://www.vermelho.org.br

Projeto Anastácia realizará Semana Municipal da Capoeira em Paulínia

Depois que foi votado o Projeto de Lei instituindo a Semana Municipal da Capoeira, Paulínia tem vivenciado mais de perto a prática deste esporte. Pelo terceiro ano consecutivo, atletas se reúnem para a complementação do trabalho que é feito junto às oficinas socioeducativas, e apresentar a comunidade paulinense o trabalho e o desempenho desenvolvido pelo programa.

O Projeto Anastácia é desenvolvido pela Associação Rainha do Engenho que está presente no município desde 1974, e trabalha em parceria com a Associação Criança Feliz, tem como objetivo oferecer as pessoas, a oportunidade de praticarem exercícios físicos, trabalhar a dinâmica em grupo, a musicalidade e o convívio social, além de divulgar a tradição e a valorização da nossa cultura afro-brasileira.

Apesar do preconceito que ainda existe, e que muitas pessoas acham que capoeira está ligada a religião, fazendo com que alguns pais tirem os filhos das aulas, salientamos que isso é apenas folclore, e falta de conhecimento da prática do esporte.

O tema da III Semana da Capoeira que acontecerá de 26 de setembro a 3 de outubro, será “Não Jogue Com a Vida, Jogue Capoeira, de uma Rasteira nas Drogas”. O tema foi escolhido de acordo com o que os educadores têm presenciado nos bairros; “encontramos muitas crianças e adolescentes envolvidos no mundo das drogas, e inocentemente são iludidos e usados como “mula” (nome dado as pessoas que transportam drogas), e na prática da capoeira procuramos orientar as crianças e adolescentes o perigo que elas oferecem, argumentou o coordenador do Projeto Mestre Domingos. Ele também enfatiza a importância da participação do Poder Público, apoiando as ações do Projeto, na disseminação da cultura e do esporte, uma cidade só agrega valores com iniciativas como esta”, concluiu o coordenador.

As aulas de capoeira são ministradas no Ginásio do João Aranha, no bairro Parque da Represa, e também na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), e tem mais de 300 participantes entre crianças, jovens, adultos e Terceira Idade.

Fonte: Assessoria de Imprensa – http://www.paulinianews.com.br