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A roda em rede: a capoeira em ambientes digitais

Pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP

Objetivos e perguntas da pesquisa

Esta pesquisa tem como objetivo principal investigar a influência da mídia digital nos processos de reprodução e transformação de culturas tradicionais contemporâneas. Para a realização do estudo, escolhemos um objeto específico e pouco convencional, quando se trata de um estudo no âmbito das ciências da comunicação: a capoeira na mídia digital, ou melhor, a capoeira como uma forma cultural contemporânea, digital e em rede.

A escolha desse objeto encontra suas motivações, por um lado, na experiência nativa da pesquisadora enquanto capoeirista e, por outro, por algumas percepções que orientam nosso entendimento sobre a importância desta pesquisa – para a capoeira, para a cultura e para a comunicação.

Primeiramente, uma percepção da multiplicação exponencial de conteúdos sobre capoeira na rede, alimentados descentralizadamente por capoeiristas do mundo todo. Uma simples pesquisa no buscador do Google pelas palavras “capoeira” e “berimbau” é capaz de encontrar, respectivamente, 24.6 milhões e 2 milhões de resultados, entre páginas, sites, fotos e vídeos (busca realizada em 13 de outubro de 2011).

Essa profusão de conteúdos multimídia sobre capoeira compõe um mosaico de idiomas de

todo o mundo, quase sempre misturados à sua língua “materna”. Entre textos escritos em idiomas a nós indecifráveis, como o polonês ou o japonês, saltam vocábulos familiares como “capoeira”, “roda”, “ginga”, “berimbau”, “mandinga” e “axé”.

A capoeira tem se demonstrado capaz de adaptar-se e recombinar-se de maneira a driblar

diferenças culturais impressionantes e conquistar novos territórios, sendo capaz de traduzir-se de maneiras variadas e adotar discursos e significados que dialoguem com os tempos atuais. É uma excelente representante das culturas locais-globais em deslocamento que constituem a base da experiência cultural na contemporaneidade.

Além disso, a capoeira nos parece um excelente objeto para tentarmos responder à pergunta central da pesquisa: a mídia é novo local da cultura na contemporaneidade? Não concebemos a disseminação mundial da capoeira e de outras expressões culturais como um processo separado ou independente de sua presença nos ecossistemas midiáticos por onde circulam as informações, a linguagem e o imaginário globais, mas sim como processos intrínsecos.

Por fim, procuraremos investigar quais são os processos de transformação e de tradução

cultural pelos quais passa a capoeira a partir da multiplicação dos “outros culturais” com os quais estabelece novos diálogos no oceano informativo digital – uma espécie de Atlântico Negro expandido, global e desterritorializado.

 

 

Sobre o Trabalho

diário da pesquisa de mestrado que estou realizando no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA-USP. É um espaço para organizar as informações, registrar as reflexões e também compartilhar as glórias e agruras do cotidiano de pesquisadora.

Sou pesquisadora de comunicação digital do Centro de Pesquisa Atopos (ECA-USP) desde 2005, e capoeirista do grupo Projete Liberdade Capoeira desde 2002. Da combinação destas duas paixões aparentemente distantes, surgiu meu tema de pesquisa: a capoeira na Web.

O objetivo da minha pesquisa é investigar as transformações nos processos de transformação e reprodução cultural da capoeira a partir da sua inserção nos ambientes digitais online, levando em conta especialmente as mudanças que eles operam na relação dos agentes com o saber da cultura, cada vez mais colocado em rede e na rede.

Como esse saber é traduzido e como se criam estratégias para transmiti-lo a outras culturas não tradicionalmente envolvidas neste diálogo, também é uma questão que tentarei explorar.

 

Quem sou eu: Mariana Marchesi

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA-USP (2010), na linha de pesquisa Comunicação e Ambiências em Redes Digitais. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo (2008). Sou pesquisadora do Centro de Pesquisa ATOPOS, da ECA-USP (2005). Além disso, sou capoeirista do grupo Projete Liberdade Capoeira, do Mestre Gladson, desde 2002.

 

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5239039793774206

Twitter: @nanamarchesi

Email: nanamarchesi@usp.br

Site: http://mestrado2010.wordpress.com/

Bahia: Mandinga dos Capoeiras é tema de pesquisa

O curso “Conversando com sua História” contou na tarde de terça-feira (07/08/07) com a presença de Adriana Albert Dias, debatendo o tema “A Malandragem da Mandinga – o cotidiano dos capoeiras em Salvador na República Velha”. Fruto de seu recente livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na capital da Bahia (1910-1925), 2006.
 
A pesquisadora retratou o cotidiano dos capoeiras na cidade de Salvador, no período que o jogo da capoeira sofria repressão por parte da elite baiana e dos policiais. “Os capoeiristas nesta época eram chamados de vadios e vagabundos, a repressão policial que sofriam era tão grande, que por muitas vezes eles acabavam sendo presos por jogarem capoeira”, afirmou Adriana Albert.
 
Analisando o contexto histórico da época, a pesquisadora mostrou como a “desordem”, característica dos capoeiras e a “ordem” dos policias, passava como uma controvérsia para a repressão policial sofrida pelos capoeiristas. “Como a maioria dos capoeiras eram pobres e negros, exerciam ocupações como pedreiro, estivador, alguns chegavam a ser policiais”, completou a pesquisadora.
 
“A mandinga, a arte da malevolência aparecia constantemente nas rodas de capoeira devido a ser uma alternativa de sobrevivência dos capoeiras, até hoje é possível encontrar ‘mandingueiros’ nas rodas de capoeira de Salvador, pois são testemunhos das rodas de antigamente”, concluiu.
 
A próxima palestra será no dia 14 (terça-feira) às 17h, com o doutor em História Rinaldo César Nascimento Leite, com o tema “A Rainha Destronada: grandezas e infortúnios da Bahia nas primeiras décadas republicanas”. A palestra é aberta ao público.
 
Mais informações:
ASCOM Fundação Pedro Calmon: (71) 3116-6918 / 6676
Centro de Memória: (71) 31166930
http://www.fpc.ba.gov.br
ascom@fpc.ba.gov.br