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CD “CAPOEIRA DE BESOURO” vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

CD “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

A CAPOEIRA se fez presente e vencedora no tradicional e respeitado PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA que em sua 22a edição premiou o cd “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro como vencedor das duas categorias a que concorreu: Melhor Álbum Regional e Melhor Projeto Visual.

A cerimônia de premiação aconteceu no último dia 6 de julho no Teatro Municipal do Rio de Janeiro onde Paulo Cesar Pinheiro recebeu os troféus ao lado de Zeca Pagodinho, Monarco, Mauro Diniz, Emílio Santiago, Alcione, Elba Ramalho, Arnaldo Antunes, Lulu Santos, Vanessa da Mata, Roberta Sá, Zezé Di Camargo e Luciano entre outros vencedores das demais categorias.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” produzido por Luciana Rabello, é uma homenagem a Besouro Mangangá, à capoeira, à Bahia, ao Brasil. Nada mais natural e bonito que tenha sido abraçado e apresentado ao mundo através do olhar e das bênçãos de Maria Bethânia – legítima e fiel filha de Santo Amaro da Purificação, que lançou o cd através de seu selo/gravadora QUITANDA.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” contou com a participação dos capoeiristas Victor Lobisomem e Mestre Camisa que tocaram os berimbaus ao lado dos renomados músicos Maurício Carrilho(violão), Celsinho Silva(pandeiro), Paulino Dias(atabaque e percussão) e Luciana Rabello(cavaquinho).

A carreira de Paulo Cesar Pinheiro teve inicio com Besouro, quando o poeta em parceria com Baden Powell venceu a Bienal do Samba com “Lapinha” – samba imortalizado na voz de Elis Regina, composto sobre refrão recolhido em rodas de capoeira:

“Quando eu morrer me enterrem na Lapinha/Calça-culote, paletó-almofadinha.”

Assim, sem ter idéia da carreira que iniciava e da grandeza do que iria construir na nossa música, Paulo adentrava os portais da música e da poesia, aos 16 anos, conduzido pelas mãos da CAPOEIRA e de Besouro Mangangá.

Em 2006, foi montado o musical “Besouro Cordão de Ouro”. As músicas do cd foram feitas originalmente para esta peça que também Recebeu o Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Música e Direção Musical! E o Besouro continua seu voo.

A comunidade da CAPOEIRA agradece a PAULO CESAR PINHEIRO a oportunidade de levar nossos BERIMBAUS e a música da nossa arte a mais um reconhecimento de nosso valor através do PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA !

Teatro: Homenagem ao Capoeirista e Herói Popular Besouro Cordão de Ouro

Depois de ler ‘Mar Morto’, livro de Jorge Amado, Paulo César Pinheiro se apaixonou pela história de Besouro, um dos maiores capoeiristas de todos os tempos.
O músico, que já compôs várias canções sobre o mito, como ‘Lapinha’, eternizada na voz de Elis Regina, estréia como autor teatral no dia 15, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o musical ‘Besouro Cordão-de-Ouro’. “É um personagem riquíssimo, e acho interessante recuperar a história de um ícone tão brasileiro”, conta Paulo César.

BESOURO CORDÃO-DE-OURO

Espetáculo musical em homenagem ao capoeirista e herói popular Besouro Cordão-de-Ouro, que viveu e construiu sua legenda em terras baianas no final do século XIX e início do século XX. O palco se transforma numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, uma valorização da cultura negra.

Autoria de Paulo César Pinheiro.

Ana Paula Black
Cridemar Aquino
Maurício Tizumba
Raphael Sil
Sérgio Pererê
William de Paula
Wilson Rabelo
Gilberto Santos da Silva “Laborio”
Letícia Soares
Marcelo Capobiango
Valéria Monã
Victor Alvim “Lobisomem”
Alanzinho Rocha
Iléa Ferraz

Direção:João das Neves
Direção musical: Luciana Rabello
Coordençaõ de capoeira: MESTRE CAMISA

5/março a 25/abril/2010
6a a domingo, 20h.

R$ 4 (comerciários), R$ 8 (estudantes, idosos), R$ 16. [livre]

Sesc Tijuca

Endereço
Rua Barão de Mesquita, 539

Telefone
(21) 3238-2100/Fax: (21) 2570-4178

Lançamento do Livro: A política da capoeiragem

A Editora da Universidade Federal da Bahia fará seu próximo lançamento em Ilhéus-BA. O livro A política da capoeiragem :  a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906), escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal, retrata a história da capoeiragem  durante a república no Brasil. O evento será realizado no Auditório Jorge Amado, na terça feira, dia 02 de junho, às 18:30h.

 

A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906)

 

Luiz Augusto Pinheiro Leal

ISBN 978-85-232-0482-2

Editora: UFBA

237 p

 

 

A obra faz um relato sobre capoeira no Brasil no início do século XX . Tem como foco a região do Pará, onde a capoeira tem peculiaridaes diferentes da região da Bahia e do Rio de Janeiro. O livro é dividido em três capítulos e mostra a relação da capoeira com o Boi-bumbá e a capangagem política. Revela, também, a participação da capoeiragem na implantação da República no Brasil e as campanhas repressivas à capoeira e à “vagabundagem” na cidade de Belém. No fim da obra encontra-se uma lista com os capoeiristas do Pará antes da década de 70,  assim como, um elucidário com termos característicos do lugar e da época  citada.

” Ao mesmo tempo , a capoeira é transformada na competente pena de Luiz Augusto em uma janela para se observar a história dessa classe trabalhadora. Neste e em outros aspectos, é especialmente criativo o uso que ele consegue fazer da literatura como fonte para a história que narra.”

João José Reis

O quê: Lançamento do livro A política da capoeiragem :  a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906, escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal

Quando: 02 de junho, terça-feira.

Onde: Auditório Jorge Amado – UESC

Ilhéus-BA

Horário: 18:30 horas

Att,
Esther Paola
Assessoria de Comunicação
EDUFBA (71) 32836163
www.edufba.ufba.br

Livro: A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano

O livro A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906), escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal, será lançado na Casa de Benim (Pelourinho), no dia 11 de abril, às 18 horas. O autor retrata a história da capoeiragem durante a república no Brasil.

A obra faz um relato sobre capoeira no Brasil no início do século XX. Tem como foco a região do Pará, onde a capoeira tem peculiaridaes diferentes da região da Bahia e do Rio de Janeiro. O livro é dividido em três capítulos e mostra a relação da capoeira com o Boi-bumbá e a capangagem. Revela, também, a participação da capoeiragem na implantação da República no Brasil e as campanhas repressivas à capoeira e à "vagabundagem" na cidade de Belém. No fim da obra encontra-se uma lista com os capoeiras do Pará antes da década de 70, assim como, um elucidário com termos característicos do lugar e da época citada.
Sem dúvida, A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906) é uma valiosa contribuição para a historiografia da capoeira no Brasil.

Luiz Augusto Pinheiro Leal graduou-se em História pela Universidade Federal do Pará, cursou Especialização em Teoria Antropológica pela mesma universidade, concluiu o Mestrado em História Social pela Universidade Federal da Bahia e, atualmente, desenvolve sua formação no Doutorado em Estudos Étnicos e Africanos da UFBA. É membro do Malungo Centro de Capoeira Angola e Colaborador do Conselho de Capoeiras do Pará.

"Ao mesmo tempo, a capoeira é transformada na competente pena de Luiz Augusto em uma janela para se observar a história dessa classe trabalhadora. Neste e em outros aspectos, é especialmente criativo o uso que ele consegue fazer da literatura como fonte para a história que narra."

João José Reis

Luiz Augusto Pinheiro Leal
ISBN 978-85-232-0482-2
Editora: UFBA
237 p / R$ 25,00

O quê: Lançamento do livro A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906), escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal
Quando: 11 de abril, sexta-feira.
Onde: Casa de Benim (Pelourinho)
Horário: 18 horas

São Paulo: Da dança à luta: a história da arte que veio da África

João das Neves dirige oito atores negros no musical Besouro Cordão-de-Ouro, que narra o nascimento da potente capoeira

Apresentado no Festival de Teatro de Curitiba, ano passado, o musical Besouro Cordão-de-Ouro deixou o público siderado. Até duas senhoras desavisadas, que baixinho comentavam seu estranhamento no início, acabaram tomadas pela beleza das canções e pela força das interpretações – silenciaram. Ao final, aplaudiam calorosamente, emocionadas, surpresas. E não era para menos.

Dirigido por João das Neves, com texto do compositor, e poeta, Paulo César Pinheiro, autor de dez canções inéditas para a peça, oito atores talentosos e afinados, todos negros, e uma ambientação cenográfica, de Ney Madeira, que leva o espectador para ‘dentro’ da história, trata-se de um espetáculo original e envolvente, de qualidade ímpar. Depois de ter cumprido temporada no Rio – onde está indicado ao Prêmios Shell de direção, música e cenário – e passado por cidades como Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte, estréia amanhã no Sesc Pompéia.

Besouro é o apelido de Manuel Henrique Pereira (1897 -1924), considerado o maior capoeirista de todos os tempos. Mas ao contrário de tantos outros musicais biográficos, esse passa ao largo daquela estrutura cronológica focada na vida pessoal do protagonista. Ainda que possamos acompanhar os passos dessa figura de impressionante dignidade, ao autor interessa sobretudo sua dimensão mítica. O espetáculo enfoca a luta pela afirmação da cultura africana em terras brasileiras, submetida, perseguida, mas tão potente que se recicla, miscigena, e mais do que resiste, floresce nesse atrito secular.

Ao longo do musical, é possível perceber como a capoeira brota dos rituais religiosos, por exemplo, como variação da dança sagrada de um orixá. ‘Há muito do candomblé na capoeira, mas o caminho inverso, entre luta e ritual, também se deu’, observa João das Neves. Há uma frase, na peça, que sintetiza essa transformação: ‘a capoeira foi concebida na África, mas nasceu no Brasil’. Por meio das narrativas da tradição oral – retrabalhadas poeticamente por Paulo César Pinheiro – o espectador entra em sintonia lúdica não só a mitologia africana, mas também com apropriações já dela feita pela arte brasileira, como na história do reino de Aruanda e da luta do santo guerreiro São Jorge contra o dragão da maldade.

Depois de se envolver numa cena curta fora da área de representação, o público acompanha o musical acomodado sobre almofadas colocadas em grandes cestos de vime em torno do círculo central de representação, mas os atores caminham por todo o ambiente. Pelas paredes, os mesmos versos cantados ou falados na peça. ‘É uma homenagem ao poeta Gentileza que escreve seus versos nos pilares de viadutos e muros no Rio.’

Projeto acalentado, e preparado durante longo tempo por Paulo César Pinheiro (leia na página ao lado), esse musical certamente ganhou muito com a direção de João das Neves, convidado pelo compositor. Dá para perceber no espetáculo também uma síntese de facetas desse homem de teatro – música, contação de histórias e arte politizada -, nascido no Rio, autor da peça O Último Carro, que iniciou sua carreira na década de 60 dirigindo os famosos shows do Teatro Opinião.

S
erviço

Besouro Cordão-de-Ouro. 90 min. Livre. Sesc Pompéia . Rua Clélia, 93, 3871-7700. 6.ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 16

Fonte: http://txt.estado.com.br

Crônica: A capoeira em roda de besouro

Há pouco mais de um mês estive na casa de João das Neves e da cantora Titane em Lagoa Santa, Minas Gerais. Naquela agradável noite a conversa só não foi mais esticada porque ele estava de saída para fazer um trabalho no Vale do Jequitinhonha. Ele me contou da satisfação de estar fazendo a direção do musical Besouro Cordão de Ouro, de Paulo César Pinheiro, com um grande elenco e coordenação de capoeira dos mestres Casquinha e Camisa. Adiantou-me que talvez viesse ao Ceará com o espetáculo. Fiquei na expectativa de que tudo desse certo. Afinal, tratava-se da história de um lendário capoeira levada para o teatro por dois admiráveis artistas brasileiros.

De Confins a Fortaleza uma música não me saia da cabeça. Era ´Pesadelo´, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Há anos que não há escuto, mas durante uma boa fase da minha vida essa composição foi uma grande companheira das minhas reflexões. Ainda hoje guardo o álbum duplo ´O Banquete dos Mendigos´ feito pelo compositor Jards Macalé e o disco ´Passarinho Urbano´, da cantora Joyce, ambos lançados na década de 1970 e que têm em seus repertórios essa bela canção de Paulo César Pinheiro a falar de muros que separam e pontes que unem, em pleno ocaso da ditadura militar.

O trecho da canção que insistia na minha lembrança dizia assim: ´Você nem me agarra / alguém vem me solta / Você vai na marra / Ela um dia volta / E se a força é tua / Ela um dia é nossa´. Uma canção que nem faz parte da peça, pois, tirando ´Lapinha´ todas as músicas do espetáculo foram preparadas especialmente para esse musical de sublimação da capoeira. O que aquela canção talvez estivesse me dizendo era como faz bem olhar as movimentações da vida no jogo do tempo. Besouro Cordão de Ouro, ou Besouro Mangangá, era em seu tempo um marginal e, hoje, uma curiosa figura da nossa galeria cultural.

Quando dei por mim o musical estava no Centro Dragão do Mar, dentro da programação do Circuito Cultural Banco do Brasil. Foram duas apresentações, feitas no sábado e no domingo passados. João das Neves montou uma inusitada instalação na área de baixo do planetário, com lonas e caixotes de madeira e um túnel com teto de pequenos cataventos ligando o palco ao saguão improvisado como entrada, por onde o público passava sugestivamente pelo velório do Besouro Mangangá. A configuração se completava com grandes painéis de citações musicais contornando o espaço da roda de capoeira.

O caixão do defunto, revestido com imagens de santos e fundo de espelho, mostrava a cara de Besouro que há em cada um de nós. O itinerário ritualizava a acolhida, reconstituindo referenciais sem dar o tom de coisa do passado. A história ia sendo contada naturalmente pelo excelente elenco de atores, dançarinos, músicos e cantores, enquanto vivenciávamos o acontecido. Todos éramos atores e platéia, sentados em círculo nas almofadas soltas, dentro de cestos e em cadeiras cobertas de preto. O teatro de João das Neves permite que o palco seja de todos.

Estávamos na mesma cumbuca, na mesma roda, no mesmo jogo animado com berimbau, pandeiro, tambores, cavaquinho e violão. Alanzinho, Anna Paula, Cridemar, Gilberto (Labório), Iléa, Letícia, Raphael, Sérgio Pererê, Victor (Lobisomem), William e Wilson contaram e cantaram os feitos de Besouro. Na apresentação de Fortaleza Maurício Tizumba, do grupo Tambo-le-lê, foi substituído pelo próprio João das Neves. A dinâmica desse teatro facilita a alternância de contadores, embora João, na simplicidade dos grandes, tenha comentado para mim logo depois: ´Você precisava ter visto essa parte feita pelo Tizumba´.

João das Neves vem do teatro de rua do Centro Popular de Cultura da UNE e do teatro de protesto praticado nos anos 1960 pelo Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores. É um diretor que cruza décadas sem arredar pé do compromisso de dar dignidade à arte brasileira. Com o espetáculo Besouro Cordão de Ouro ele contribui para pôr a capoeira na roda, seguindo a sina de produzir reflexões sobre as contradições da sociedade brasileira. A capoeira é uma expressão original de interpenetração cultural da porção de brasilidade que veio das gentes africanas.

A palavra capoeira significa espaço da mata que foi queimado para cultivo da terra. Foi em descampados assim que negros, caboclos, cafuzos e mulatos desenvolveram os golpes de defesa disfarçados de dança que, genialmente simplificados, conseguiram ser transmitidos por gerações e, mesmo ainda muito aquém do seu potencial, já fazem parte da paisagem mental brasileira. Reconhecida por ser uma manifestação marcial com ginga diretamente associada à pegada rítmica do berimbau e por ser um sofisticado diálogo de corpos, a capoeira é uma arte de convivência, na qual os participantes se revezam no jogo, com respeito e senso de reciprocidade.

Trabalhos como esse de Paulo César Pinheiro e João das Neves dão maior importância à capoeira por contribuírem para reforçar sua inscrição no que somos e temos de valores comuns. O musical Besouro Cordão de Ouro põe na roda a oportunidade de usufruirmos da capoeira como usufruímos da feijoada. Não se trata de uma expressão que representa outra, nem de representação do que passou, mas da expressão em si e sua confirmação como dimensão poética, ritual, coreográfica e marcial do cotidiano, na interlocução com a memória e a história do Brasil.

Besouro Mangangá nasceu em Santo Amaro, na Bahia das últimas décadas do século XIX, e morreu nas primeiras décadas do século XX, quando a capoeira ainda era proibida. Suas façanhas estão citadas na literatura, na música e, sobretudo, na cultura oral. Chegou ao mundo poucos anos antes da abolição da escravidão e viveu exatamente no período em que a elite colonial resistia à integração dos escravos à sociedade. O apelido de besouro foi uma atribuição do imaginário popular ao fato de Manoel Henrique Pereira ter o dom de desaparecer, de sair voando, quando a encrenca ameaçava seu corpo fechado para facas e balas. Mas não era um besouro qualquer, era Besouro Mangangá, o temido marimbondo de picada venenosa e dolorida.

Muitas histórias são atribuídas a Besouro, especialmente aquelas que exaltam a importância da capoeira como uma manifestação que veio da sobrevivência. A peça conta que ele era um grande escuneiro, conhecedor dos ventos e das marés. Foi assassinado covardemente pelas costas num ataque de faca da palmeira Ticum. Ele teria chegado a colocar as tripas para dentro do bucho e navegar até um pronto-socorro, mas acabou morrendo. Parece que só tinha 24 anos, ninguém sabe ao certo. Tomava partido dos fracos contra os donos de engenhos e batia nos policiais que prendiam seus amigos.

As tiradas de sambas e chulas de Mangangá misturaram-se ao cancioneiro nacional. Sucessos carnavalescos como Fita Amarela, de Noel Rosa (1910 – 1980) teriam sido inspirados em um tema de batucada sugerido por Almirante (1908 – 1980) e que dizia mais ou menos assim: ´Quando eu morrer / não quero choro nem nada / só quero ouvir o samba / rompendo a madrugada´. Esses versos, atribuídos a Besouro, também serviram de base para a composição de Lapinha, música de Paulo César Pinheiro e Baden Powell que dá o tom da peça dirigida por João das Neves.

Besouro Cordão de Ouro é uma obra com muitas teses. Por alguns instantes, durante o espetáculo, cheguei a recordar da música que me acompanhara no avião: ´O muro caiu olha a ponte da liberdade guardiã´. Se ela veio à minha memória sem ser chamada, com a intenção de me ajudar a sentir o musical, acho que fez muito bem.

www.flaviopaiva.com.br
flaviopaiva@fortalnet.com.br

Sistema Verdes Mares – http://verdesmares.globo.com

Teatro: Paulo César Pinheiro cria musical para capoeira

RIO – Depois de ler ‘Mar Morto’, livro de Jorge Amado, Paulo César Pinheiro se apaixonou pela história de Besouro, um dos maiores capoeiristas de todos os tempos.
 
O músico, que já compôs várias canções sobre o mito, como ‘Lapinha’, eternizada na voz de Elis Regina, estréia como autor teatral no dia 15, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o musical ‘Besouro Cordão-de-Ouro’. “É um personagem riquíssimo, e acho interessante recuperar a história de um ícone tão brasileiro”, conta Paulo César.
 
Dirigido por João das Neves, o espetáculo conta histórias de Besouro através de nove músicas, de autoria de Paulo César. “Minha idéia inicial era fazer um CD, mas quando surgiu a oportunidade de realizar um musical, adaptei as composições para o teatro”, explica o autor, garantindo que o projeto inicial do álbum não foi abandonado. “Ainda não sei quando o disco vai ser gravado, mas deve ser no início de 2007”, afirma.
Para auxiliá-lo na produção e ensinar a arte da capoeira aos atores, todos negros e escolhidos depois de workshops realizados no próprio CCBB, Paulo César pediu a ajuda de dois mestres da arte, Casquinha e Camisa. “Conheço o Camisa há muito tempo, e Casquinha foi indicado por ele. Apenas dois atores sabiam capoeira, e a ajuda deles foi fundamental para que o espetáculo ficasse bonito”, acredita.
Besouro Cordão de Ouro
 
CCBB Rio de Janeiro
Teatro III
De 15 de dezembro a 28 de janeiro às 19h – De quarta a domingo
O palco vai se transformar numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Waldemar de tal, Besouro Cordão-de-Ouro, o maior capoeirista de todos os tempos da Bahia. O espetáculo musical em sua homenagem conta histórias através de mestres capoeiristas transformados em personagens como Canjiquinha, Bimba, Caiçara, Rosa Palmeirão, Pastinha, entre outros. Texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro – que escreve pela primeira vez para teatro. Direção de João das Neves. Direção musical de Luciana Rabello. Iluminação: Paulo César Medeiros. Cenografia: Ney Madeira. Figurino: Rodrigo Cohen. Elenco: Capoeiristas e atores selecionados das Cias. Nós do Morro e Companhia dos Comuns.
 
Fontes:

Peça Músical: Besouro Mangangá

Besouro Mangangá
 

O lendário capoeirista, que tem dedicado um capítulo em Mar Morto de Jorge Amado e que tem versos seus no samba ganhador da I Bienal do Samba, em 1968, "Lapinha" composição de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro, cantada por Elis Regina: "Quando eu morrer me enterrem na Lapinha, calça culote, paletó almofadinha …", ganhará uma peça musical de autoria de Paulo Cesar Pinheiro.
 
Será a estréia do letrista Paulo Cesar Pinheiro como autor teatral. A pesquisa começou em Santo Amaro da Purificação (BA), onde ele encontrou antigas histórias que revelam um herói popular. O espetáculo terá 14 músicas do próprio autor, ritmicamente inspiradas nos toques do berimbau: São Bento, angola, cavalaria, benguela, barravento, iúna, samango e por aí vai …
 
A estréia será em dezembro no Teatro III do Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro.


Nota repassada da Comunidade DA Incubadora AFRO BRASILEIRA
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=9220740

Evento de Angola em Santos com Mestre Lua de Bobó

Entre os dias 13 e 14 de maio de 2006, a Associação de Capoeira Valtinho da Senzala promove o evento em Santos-SP.
 
A Associação de Capoeira Valtinho da Senzala de Santos – São Paulo – Brasil convida todos a participarem da Oficina de Capoeira Angola com o Mestre Lua de Bobó, em Santos, dias 13 e 14 de maio de 2006.
 
Estarão presentes nos eventos:
Mestre Lua de Bobó – Grupo Menino de Arembepe – Arembepe – BA
Mestre Valtinho – Associação de Capoeira Valtinho da Senzala – Santos- SP
Contra-Mestre Serginho – Grupo Menino de Arembepe -Caraguatatuba – SP
O evento acontecerá no Teatro Municipal, à Av. Pinheiro Machado, 48,
Vila Mathias, Santos (Canal 1)
 
Informações pelo Tel (13)-91157087 Contra-Mestre Idylio.
 
Inscrições: R$15,00