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Lançamento do livro “Capoeira: uma herança cultural afro-brasileira” no Sesc de Piracicaba

Sesc de Piracicaba promoveu no dia 16 de novembrodas 10h às 12h, a sessão de autógrafos do livro Capoeira – Uma herança cultura afro-brasileira,  que acaba de ser lançado pela Selo Negro Edições. As autoras da obra, as pesquisadoras Leticia Vidor de Sousa ReisElisabeth Vidor, receberam os convidados no Ginásio de Eventos do Sesc, que fica Rua Ipiranga, 155 – Piracicaba – São Paulo.
Veja abaixo algumas fotos do lançamento, que aconteceu juntamente com o 9º Encontro de Capoeira Angola.

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos. Atendendo ao que preconiza a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, Elisabeth e Letícia decidiram se aprofundar no estudo do tema. No livro, elas retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

 

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Capoeira

Piracicaba: 9º Encontro de culturas negras e 2º Seminário de Capoeira

A Associação Resgate da Capoeira “Mestre Mysso” e o Centro de Documentação , Cultura e Política Negra de Piracicaba, vinculado à Secretaria Municipal da Ação Cultural -SEMAC, realizam nos dias 28 e 29 de maio o 9º Encontro de Culturas Negras e 2º Seminário de Capoeira de Piracicaba, com o apoio da Prefeitura do Município de Piracicaba, SEMAC, SIEMACO, Difusão Cultural Afro-Brasileira e PR produções e eventos.

O evento terá espaço nas dependências da Sociedade Beneficente Treze de Maio e comemora os 30 anos de capoeira do Mestre Mysso e os 10 anos da Associação Resgate da Capoeira. No programa do evento estão inclusos palestras educativas, apresentação de jongo, Hip Hop, Batuqye de Umbigada, Oficina de Maculêlê e Oficina de Capoeira Angola e regional.

Programa

Sexta-feira, 28 – 19h00 – Abertura oficial; 19:30h – Oficina de Capoeira de Angola com Contra – Mestre Cenorinha; 20:30h – Apresentação de Batuque de Umbigada; 21:00h – Roda Livre de Capoeira e 22:00h – Encerramento.

Sábado, 29 – 8:30h – Oficina de Capoeira de Angola com Mestre Bigo ( aluno de Mestre Pastinha); 10:00h – Oficina de Capoeira com Mestre Biné (São Paulo) ; 11:00h-Oficina de Maculelê com Contra Mestre Rasta ( Ribeirão Preto); 12:00h – Intervalo para Almoço; 13:00h – Oficina de Capoeira Regional com Mestre Luizinho ( filho de Mestre Bimba ); 14:00h – Apresentação de Jongo; 14:30h – Seminário de Capoeira com : Dra . Letícia Vidor de Souza Reis, Mestre; Luizinho e Mestre Marrom; 16:00h – Oficina de Capoeira Angola com Mestre Marrom ( Rio de Janeiro); 17:00h – Batizado de novos Alunos da Associação Resgate da Capoeira e   19:00h – Jantar de Confraternização com todos os presentes.

As Oficinas são gratuitas (os que desejarem participar da Oficina de maculelê, deverá trazer duas madeiras de mais ou menos 60 cm), o almoço é por conta de cada pessoa. O jantar é parte integrante do evento. Confirmar presença até o dia 20 de maio.

Serviço

Informações com mestre Mysso e-mail: resgatedacapoeira@yahoo.com.br

Sociedade beneficente 13 de Maio – Rua Treze de Maio nº 1118 – Centro –

CONTATOS com Mestre Mysso (Rodemilson Laércio Theodoro): 19) 3035-2386 e 9682-6903

 

Fonte: http://www.canalrioclaro.com.br

Foto: Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br

Piracicaba: Capoeira para todos

Capoeira para todos: Crianças e adolescentes Interesse por atividade amplia em cerca de 250% a participação em aulas desenvolvidas na periferia

O projeto Capoeira na Periferia fechou o ano de 2009 com um índice positivo em seus atendimentos. A média, que no ano de 2008 era de 50 crianças e adolescentes, no ano passado chegou entre 180 e 200 asssistências.

No balanço geral, José Manuel do Nascimento, coordenador do programa, conta que a procura pelas atividades aumentou consideravelmente, mas que ainda há muito trabalho a ser feito. “Aumentou o interesse pela capoeira, hip-hop, pop, axé e break. As pessoas passaram a tomar conhecimento da entidade e isso é muito gratificante”, afirmou Nascimento.

COMEMORAÇÃO. Na festa de encerramento das atividades do projeto, realizada esta semana, Nascimento falou sobre as boas perspectivas para o projeto, que ganhará mais força em 2010. A ideia é proporcionar aulas gratuitas de reforço escolar em diversas disciplinas. “O reforço será para alunos do ensino fundamental – até a 5ª série. Os professores são voluntários e irão receber apenas uma pequena ajuda de custo. Essa é mais uma vitória para os nossos jovens”, afirmou o coordenador.

Ele disse ainda que o projeto segue em 2010 com aulas de coral de flautas doces, capoeira, hip-hop, pop, axé e break e ganha também a modalidade funk consciente. “Sem aquelas letras que só ensinam bobagem para os jovens”, frisa.

Alunos trocam de cordão

Os alunos do projeto participaram de um dia especial para marcar o encerramento das atividades de 2009. Durante a festa, foram entregues cordões de capoeira para alunos já preparados.

Para a aluna de capoeira, Daizy Caroline Fernandes, 11, as atividades são oportunidades únicas para os jovens da comunidade, que não teriam a mesma chance se não fosse pelo projeto. “Comecei a fazer capoeira em setembro, venho depois do colégio e agora estou ainda mais feliz com a ampliação das atividades.”

Um dos mais animados era Rafael Lima de Melo, 8, que recebeu o cordão verde. “Estou super feliz!”

ASSISTÊNCIA

200 crianças e adolescentes foram atendidos em 2009

PRISCILLA PEREZ
Da Gazeta de Piracicaba
priscilla.perez@gazetadepiracicaba.com.br

Fonte: http://www.gazetadepiracicaba.com.br

Capoeiristas de Piracicaba conquistaram o recorde de Maior Salto Mortal de Costas

O irmãos Vagner e Marcos Farias mostraram total interação no palco do programa dominical da TV Record, Tudo é Possível, apresentado por Eliana Lima, e conquistaram o recorde de “Maior salto mortal de costas em dupla”. Os dois realizaram um salto simultâneo de 1,80 de altura sob o olhar atendo do auditor do RankBrasil, Luciano Cadari, e da platéia presente na gravação.

Vagner tem 26 anos e é caldeireiro. Marcos, que já esteve no programa apresentando o recorde de “Amador com maior salto mortal de costas”, tem 21 anos e é metalúrgico. Ambos moram em Piracicaba, interior de São Paulo, onde também dão aulas de capoeira no grupo “Estilo Acrobático”. Antes de executarem o salto recordista, eles deram uma mostra do seu talento com uma apresentação de capoeira no palco do programa.

Os irmãos dizem se sentiram realizados com a conquista do recorde que exigiu muito empenho. “Consideramos este recorde o resultado de muito treinamento e esforço combinados ao apoio de nossa família, que está sempre nos motivando”, declara Vagner.

Redação: Keyla Barros – http://www.rankbrasil.com.br

Capoeira, bancários e Flauta Doce em Piracicaba

Uma parceria entre o projeto Capoeira na Periferia e o Sindicato dos Bancários de Piracicaba vai levar toda a magia do Natal às agências bancárias da cidade, entre os dias 11 e 23 deste mês, por meio de apresentações musicais realizadas por um grupo de 25 crianças e jovens do curso de flauta-doce.

As apresentações, de aproximadamente 30 minutos cada, terão um repertório de 15 músicas selecionadas pelo professor do curso de flauta-doce, maestro Alexandre Menegale, que também coordena o coral do projeto, composto de 50 integrantes. Ele conta que o objetivo da atividade cultural, batizada de Um Toque de Natal, é exatamente tocar o coração das pessoas por meio da música. "O Natal mexe com as pessoas, desperta os mais nobres sentimentos", observa.

Já o coordenador do projeto Capoeira na Periferia, José Manoel do Nascimento, relata que a experiência será uma troca entre público e os músicos. "De um lado as nossas crianças, que aprendem atividades esportivas e culturais o ano todo e, agora, têm a chance de mostrar um pouco desse trabalho para as pessoas e, do outro, bancários e clientes que serão tocados pelo espírito de Natal", comenta. O coordenador também relata que o objetivo maior é sensibilizar a sociedade e provar que a música pode ser um antídoto contra ações anti-sociais. "Nosso maior sonho é conseguir doações de instrumentos para a formação de uma banda musical, e o primeiro passo para isso são essas apresentações que estão sendo viabilizadas por patrocinadores e pelo Sindicato dos Bancários".

O agendamento das apresentações foi feito pelo sindicato, que é um dos apoiadores do projeto. O presidente da entidade, José Antonio Fernandes Paiva, disse que o Capoeira na Periferia é um exemplo de ação social que merece ser reconhecida publicamente. "São várias frentes de atuação que passam por atividades esportivas, culturais e até profissionalizantes. Apesar de todas as dificuldades estruturais, consegue atender a quase 400 crianças e jovens da nossa comunidade", ressalta o sindicalista.

Um Toque de Natal irá percorrer, além das agências centrais, também os bancos instalados nos bairros da cidade. Organizações de Piracicaba e região, interessadas em apresentações especiais, podem manter contato, pelos telefones (19) 3035.3329 e 8116.5461.

Capoeira revê cenário da escravidão em patrimônio histórico nos Jogos Abertos

Com um clima cultural, histórico e esportivo, em um dos barracões do Engenho Central de Piracicaba, durante todo dia de ontem cerca de 205 atletas se revezaram em duplas para mostrar o melhor da arte de jogar capoeira. Abrindo a competição, no segundo dia dos 72º Jogos Abertos do Interior (JAI) Horácio Baby Barioni, uma expressiva platéia observava atentamente os gingados de homens e mulheres que representavam 55 cidades.

Ao som do berimbau, comissão técnica, representantes de federações e amantes da capoeira, procuravam um espaço próximo das rodas para ver de perto os gestos e expressões de cada capoeirista que competia dentro das rodas.

Caracterizada como uma das expressões culturais mais significativas da história afro-brasileira, a capoeira remonta ao período de escravidão e opressão aos negros até o fim do século 19. Ainda ativa sob efeito dos valores que a criaram, a arte marcial vivenciou um profundo momento de revitalização histórica nos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba.

 

A competição foi sediada justamente dentro de um dos patrimônios históricos mais significativos da região: o Engenho Central, localizado às margens do rio Piracicaba. Desde sua construção, em 1881, o local tornou-se uma ponte histórica até o fim efetivo da atividade escravista no Brasil, sete anos mais tarde, com a criação da Lei Áurea.

As paredes de tijolo e os vidros quebrados em meio à área verde da região formaram o cenário ideal para a disputa competitiva da capoeira nos Jogos Abertos. O ambiente quente de um dos galpões adaptado de maneira rústica para receber o campeonato deu um charme extra ao torneio estadual.

"A capoeira é uma mistura de esporte e cultura. Ela tem esses dois lados. Levamos a modalidade ao Engenho para agregar esse lado esportivo com a cultura do local. Existe toda uma identificação com o esporte pela história do lugar e o que ele representa para a cidade", explicou Luiz Antônio Chorilli, diretor técnico da Secretaria de Esportes do município.

 

Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaVinculada ao cultivo da cana em massa até o início do século 20, Piracicaba polarizou a economia da região no interior de São Paulo. O Engenho Central, fundado em 1881, foi o grande símbolo do desenvolvimento da cidade na época. Mais de um século depois, o local sobrevive como um patrimônio histórico e como anfitrião de eventos especiais, como festas e a própria disputa da capoeira nos Jogos Abertos.

O ambiente contagiou boa parte dos participantes, como o representante de Catanduva na categoria leve, Cícero Cerqueira Leite, de 27 anos. Experiente no assunto, o atleta perdeu o braço esquerdo em um acidente,12 anos atrás, quando cortava cana em uma ensiladeira (maquina picadora).

Apelidado de "Fera Negra" por sua persistência e por disputar a modalidade contra rivais sem deficiência, o capoeirista destacou a emoção de participar do torneio em um lugar de grande importância histórica para o açúcar brasileiro e, principalmente, a relação com as origens da capoeira, criada na época da escravidão.

"A capoeira é uma expressão de liberdade. Já sabia disso antes do meu acidente e percebi isso mais ainda depois dele. O esporte me ajudou muito e sou grato por poder ‘jogar’ de igual para igual com qualquer um em lugar como esse e em um torneio importante como os Jogos Abertos", declarou Cícero, momentos antes de ser eliminado da disputa pelos primeiros lugares.

Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaO árbitro Orestes Ceroles concordou com o competidor. O juiz fez questão de destacar o aumento da popularidade da capoeira competitiva e defendeu que este tipo de integração histórica com o local da prática do esporte pode atrair ainda mais praticantes para a modalidade.

"É um esporte genuinamente brasileiro e é por causa do prestígio da capoeira que ela é disputada nos Jogos Abertos do Interior. Foi uma boa idéia trazer o torneio para cá. Aqui é tudo antigo e olha quanta gente atraiu", disse o árbitro, apontando para um grupo de oito pessoas que assistia ao torneio do lado de fora da entrada do galpão.

 

 

 

Fonte: http://esporte.uol.com.br/ – Gazeta de Piracicaba

Oficina de Capoeira Angola Mestre Jogo de Dentro

Encontro de camarados, organizado por alunos responsáveis por núcleos do Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola, em Campinas e Piracicaba.
Serão realizados treinos com o mestre, em Campinas, Limeira e Piracicaba, além de oficinas com convidados e de rodas abertas a todos os interessados.

informações: www.sementedojogodeangola.org.br

 

Oficina de Capoeira Angola Mestre Jogo de Dentro
11 a 14 de Dezembro — 2008

Programação

5 f- dia 11/12
E.C. Semente – Campinas
16h -18h: treino com M. Jogo de Dentro
19h: roda
Av. Santa Isabel, 2070 – Barão Geraldo F. 19-3289-8011

6 f- dia 12/12
CESET(Unicamp) – Limeira:
10h-12h – treino com M. Jogo de Dentro
R. Paschoal Marmo, 1888, Jd. Nova Itália,
F. 19-21133492, 2113-3368

C.C. Monte Alegre – Piracicaba:
16h-18h: treino para crianças/iniciantes
18h-19h: apresentação de resenhas
19h-21h: roda aberta
Av. Com. Pedro Morganti, sn- Monte Alegre

sáb.- dia 13/12
CDHU- Campinas
9h -11h: treino com M. Jogo de Dentro
11h -12h: rítmo
14h -16h: oficina de afinação de atabaque e
encouramento de pandeiro (Toshiro)
16h -18h: treino para crianças/iniciantes
19h: roda

dom.- dia 14/12
CDHU- Campinas
9h -11h: treino com M. Jogo de Dentro
11h -12h: oficina de maculele (G.
Cordão de Ouro)
14h -16h: oficina de danças regionais
16h: roda aberta / samba de roda
R. José Mendonça, 341 – CDHU

Contribuição
R$20/dia de atividade; ou
R$60 todos os dias + camiseta
Inscrições Limitadas

Contatos:
Danny – 19-91170194
Cristiano – 19-96421397
Guga – 19-81622492

Capoeirista & superação do recorde “Amador com Maior Salto Mortal de Costas”

RankBrasil, sob os olhos atentos do auditor Cadari, registra novamente a superação do recorde “Amador com Maior Salto Mortal de Costas”.

Após apresentar a superação de Rogério Marques dos Santos de sua própria marca no recorde de “Amador com Maior Salto Mortal de Costas”, ao passar do salto de 1,60m para o de 1,70m, o RankBrasil e o programa Tudo é Possível, da rede Record, apresentam um novo recordista na categoria, Marcos Vinícius Farias. O recorde de Marcos, 2m, foi registrado pelo auditor, Luciano Cadari e a apresentadora Eliana.

Aos 21 anos, casado e trabalhando como metalúrgico este paulista de Piracicaba, interior do Estado, não conquistou o recorde por acaso, uma vez que é necessário treinamento, agilidade e certa resistência física para os saltos. “Jogo capoeira desde os quatro anos de idade e faço parte do grupo ‘Estilo Acrobático Capoeira’”, relata o recordista.

Redação: Keyla Barros

Cabello: De Piracicaba para o Mundo…

O piracicabano Eldio Basso Rolim Filho, ganhou o mundo quando tinha 23 anos. Foi para os Estados Unidos e lá ficou por mais de 20 anos. Conhecido internacionalmente como Cabello, se transformou em uma referência da cultura afro-brasileira por divulgar a capoeira, ser percussionista, artesão e integrar uma das maiores companhias de sapateado do mundo, a Urban Tap (“sapateado urbano”, aquele feito na rua e baseado na improvisação. De volta ao país e morando na Bahia, Cabello esteve em Piracicaba visitando seus pais. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, disse que vai continuar trabalhando no exterior, mas quer popularizar a cultura em terras tupiniquins.
 
O interesse pelas manifestações de origem africana começou em Piracicaba, quando Cabello conheceu a capoeira. “Comecei com o mestre Gil, do grupo Novo Engenho, depois tive contato com os mestres Suassuna, Cosme e Zequinha”, fala o capoeirista. “Dou aulas no mundo todo e sempre entre uma viagem e outra venho para Piracicaba. Acabei de chegar da Nova Zelândia. Cresci e vivi aqui, no Centro e na Paulista, pois meu pai era um comerciante famoso, dono das lojas O Cacau”, conta.
 
Foi depois de 1990 que a carreira de Cabello decolou. “Fui morar em uma comunidade de artistas, na Califórnia. Trocava as aulas de capoeira pela moradia. Depois mudei para Nova York, pois naquela época a dança e a música dominavam a cidade”, fala. Lá Cabello conheceu o mestre da capoeira de Angola, João Grande, e conseguiu entrar como performer no circuito de artes de Nova York.
URBAN TAP – Entre um show e outro, o capoerista conheceu Tamango, um mestre do sapateado que realizava shows em East Village – bairro de artistas dos anos 80. “Ele sempre me chamava para participar das jams (sessões de improvisação) com percussão e capoeira. Trabalho com a Urban Tap, ou seja com o Tamango, desde 1995, com shows marcados até 2007”, conta.
As apresentações da trupe são baseadas na improvisação. “Descobri que o sapateado e a capoeira são irmãos de origem, como o samba, o candomblé, o folclore, o jazz americano. Se não tivéssemos a influência africana, não existiria o que hoje chamamos de cultura brasileira”.
CAXIXI – E como todo bom capoeirista, Cabello não poderia deixar de fazer seus próprios instrumentos de percussão, como o caxixi – de origem africana, que se tornou popular no Brasil acompanhando o berimbau. “Ele é todo orgânico, feito com tiras de cipó trançadas e sementes. Consegui produzir um instrumento que tem um som particular e sobretudo brasileiro”, conta. “Quando viajo, todos querem os meus caxixis. Resolvi criar uma empresa e hoje vendo para o mundo”.
Segundo Cabello, os sapateadores e capoeiristas são embaixadores da cultura afro-brasileira no exterior e o país já é respeitado por isso. “As pessoas já reconhecem o Brasil por essa arte transmitida pela cultura oral. Agora estou morando em Ilhéus, na Bahia, onde criei a Fazenda Cultural Ouro Verde para promover cursos e workshops. Preciso respirar o ar brasileiro para poder disseminar nossa arte pelo mundo”, confessa o piracicabano.

Memória da Capoeira

Dando sequencia a sadia parceria de democratização e dinamização de conteúdos relevantes para a nossa capoeiragem, firmada entre o Portal e o Jornal do Capoeira, segue a matéria interessante sobre a luta pela preservação da memória e do patrimonio capoeirístico, pela turma de Piracicaba, SP.


 
Projeto para criação do Centro de Memória da Capoeira "Claudival da Costa" (Mestre Cosmo) – Piracicaba, um bom exemplo!
 
Eis aí um artigo, escrito em abril de 2005, mas que, a cada dia que passa, mais oportuno fica.  Daí essa republicação.
Até porque este tipo de iniciativa (Centro de Memória da Capoeira), há algum tempo, já não é mais apenas de estudiosos do Brasil.  Em vários pontos do mundo, sobretudo na Europa, como é bom exemplo a Federação Italiana de Capoeira, cujo presidente, Mestre Coruja, já organizou um respeitável e dinâmico acervo capoeirístico.
 
o Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional, como não poderia deixar de ser, possui o maior acervo de todos, simplesmente porque abriga, também, um sem número de livros direta,  ou indiretamente relacionados com a Capoeira.  Já abrigou até a  cada vez mais intrigante obra do não menos intrigante ODC, talvez a primeiríssima do Mundo da Capoeira (l907). A Biblioteca Amadeu Amaral, especializada em Folclore Brasileiro, vem logo em seguida. Ambas sobrevivendo heroicamente, lutando contra toda sorte de problemas gerenciais, guarda inadequada de documentos, inexistência de uma política salarial condigna, falta de equipamentos modernos de pesquisa etc.
Quem sabe, neste ano eleitoral, o Governo Federal não decide eliminar totalmente este quadro de problemas. De repente até criando na Amadeu Amaral uma sala especial para a Capoeira, pois a demanda por lá, para este assunto, é cada vez maior.
 
Afinal, são documentos valiosos que permitem resgatar a verdadeira História da Capoeiragem pelo Brasil afora. Lembrem-se sempre que, passada essa longa fase infanto-juvenil, de encantamento mundial desordenado, surgirão demandas mais responsáveis e profundas.
Seria um gol de placa, por exemplo, se o Ministério da Cultura  dedicasse parte dos recursos de seu recém-lançado projeto Pontos de Cultura e Cultura Viva, priorizando não apenas obras ufanistas, comerciais  e setorizadas, mas, também, trabalhos de maior fôlego, revelando para todos, detalhes fascinantes da trajetória da Capoeira pelos quatro cantos do Brasil, e mais, sua ligação com várias outras manifestações "folclóricos", do Maranhão ao Rio Grande do Sul, passando pelo "folclore" índio e até atravessando fronteiras com dados preciosos sobre a cultura afro-uruguaia, culturas caribenhas e, certamente, culturas africanas.
 
É realmente urgente a revitalização de alguns dos nossos maiores centros de referência como, vale repetir, a Biblioteca Nacional e a Amadeu no Amaral (Rio), a Biblioteca  Mário de Andrade (São Paulo).
Revitalização que poderia fazer-se acompanhar do Projeto Atlas da Cultura Popular no Brasil, nos moldes do extraordinário Altas do Esporte no Brasil, lançado em 2005. Por oportuno valerá lembrar que o Atlas do Esporte tem três grandes "entradas" sobre a Capoeiragem. Que belo trabalho não seria esse?
Um verdadeiro gol de placa (ou berimbau de placa?) do Ministério da Cultura!
Ganharia a Capoeira, ganhariam praticamente todos os seguimentos capoeirísticos, ganharia também o povo brasileiro, ganharia o "resto" do mundo.
 
Por enquanto, entretanto, não havendo bons "pontos de referência capoeirísticos" espalhados estrategicamente pelo Brasil, em local de fácil acesso ao público e preservando com total segurança e isenção a verdadeira História da Capoeira, vários excelentes mestres e pesquisadores estão preferindo manter seus respectivos acervos (alguns são fabulosos) sob guarda própria.
 
Os exemplos proliferam, sem esgotar o assunto, de memória, pode-se citar alguns bem significativos. Em São Paulo os dos Mestres Djamir Pinatti, Reinaldo Ramos Suassuna, Augusto Mario Ferreira (Mestre Guga), Robinho Angoleiro (Santo Amaro, SP), Marquinhos (Marcos Santos, Zona Leste-SP), Prego (Ivan Pinto Ferreira – São José dos Campos),  Zequinha (José de Almeida Filho – Piracicaba) e o jovem mestre Natalino Gabriel (Piracicaba, SP) detêm acervos de valores inestimáveis. No Rio, temos os arquivos pessoais de mestres e pesquisadores consagrados como o de Mestre André Luiz Lacé, do historiador Dr. Luis Sergio Dias (Livro "Quem tem medo da Capoeira?"), do Mestre Mendonça (Damianor Ribeiro Mendonça) e, sem esgotar a lista, da Escola de Educação Física, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Centro de Memória Mestre Artur Emídio de Oliveira).
 
 
Em Pé: M.Cosmo, M.Gabriel, M.Camaleão, M.Zé Baiano, M.Dominguinhos, M. Formiga,
Miltinho Astronauta, Prof. Nelinho e M.Raimundinho. Na fila da frente temos o
Mestre Gerson e Professor Beto, ambos de Jacareí
 
 
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
 
Edição 57 – de 22/Jan a 28/Jan de 2006 
Milton Cezar Ribeiro
Piracicaba, SP
Janeiro/2006