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A Capoeira no Labirinto das Possibilidades

A Capoeira no Labirinto das Possibilidades
Historia, símbolos, significados e significantes.
Em um mundo de dualidades e dialéticas, tentaremos discutir algumas questões para além do certo e errado, preto e branco, sol e lua, dia e noite, bem e mal. Propomos uma "trialética" nas possibilidades, pois queremos dialogar com uma terceira lógica (polilogica) que acrescente sem inviabilizar ou sobrepor as anteriores, queremos cantar “cantando” de improviso ou tocar no improvável de um rítimo que ainda não pertença a ‘melodia” da vida cotidiana, inalterada e sistematizada pela repetição burocrática dos fazeres pensantes desde Aristóteles.
 
Para esclarecer o intuito deste trabalho, sugiro que imaginemos uma simples árvore, que ao ser olhada por um agricultor desperta o interesse por sua capacidade produtiva, já para homem faminto desperta a perspectiva de alimento por seus frutos, num marceneiro despertaria a idéia de construção de móveis e no cupim despertaria o alimento pela sua madeira, ou seja, mesmo um símbolo simples como uma árvore poderá despertar diferentes possibilidades de desejos e interpretações a partir dos significados dados a mesma por variados significantes.Trazendo para o mundo da capoeira, se pensarmos no berimbau, símbolo máximo da capoeiragem, logo entenderemos, pois o mesmo não fez sempre parte da capoeira, mas hoje é impossível pensar na capoeiragem sem ele, portanto, o que teria sido dessa necessária associação, se quando o primeiro berimbau que fosse introduzido na capoeira, alguém falasse: Epa…. Isso não pode, pois esse instrumento não faz parte das tradições da arte..?  Talvez um outro instrumento ocupasse o lugar do berimbau, ou não, mas a questão principal não é essa e sim, que em dado momento histórico o novo foi aceito, modificando as regras e sendo resignificado diante de uma comunidade, portanto pensar hoje em produção de conhecimento em capoeira passa necessariamente por reconhecer a mudança num contexto de significados e significantes.
 
Como arqueiro de nossa história tencionarei  o arco e flecha da vida, puxando a seta do saber para “traz” e apontando-a para frente, flecharei no futuro algumas possibilidades a partir de interlocuções com o passado e seus diferentes contextos. Pergunto-me se Bimba hoje teria uma Regional de sistematização tão próxima dos métodos de ginástica, mesmo sabendo que atualmente não estamos tão influenciados pelos mesmos nem vivemos uma ditadura facista  que nos obrigue a criar um método com a “cara” de nossa sociedade?  Ou consideraremos puro acaso esses acontecimentos?  Recuso-me e pela negação desses acasos proponho nos dias de hoje a “Polilogica”, ou seja, uma possibilidade de analise da capoeiragem que ultrapasse o certo e errado, tradicional e moderno, proponho partirmos para o funcional legitimado pelos atores sociais diretamente implicados nessa arte, defendendo o diálogo para os combinados palpáveis no cotidiano e não as tradições empoeiradas dos livros da estante ou de cabeças do mundo de “Peter pan”, que não admitem crescer, transformando suas práticas em verdadeiras “terras do nunca”.
 
Ainda temos a Regional de Bimba, Angola de Pastinha ou os berimbaus de Waldemar? Arrisco-me a dizer que não, e isso pelo simples fato de ter sido impossível para Bimba remontar a capoeira de Bentinho ou Pastinha à de Benedito, pois os tempos mudam as pessoas e as pessoas mudam os tempos, sendo a dinâmica cultural impossível de ser congelada ou “xerocada” em sua totalidade.  Quem se considerar “Capoeira XEROX” que atire a primeira pedra…
 
Quero deixar claro que não faço aqui apologia a essas aberrações vendidas por aí com o nome de capoeira, pois não estou defendendo a lógica de que qualquer mudança e necessária e justa, e sim que são legítimas as mudanças adaptativas da capoeira há nosso tempo, desde que as mesmas tenham referencias na ancestralidade histórica e funcional da arte.
 
Uma preocupação que não devemos deixar passar desapercebida e que não podemos confundir as mudanças funcionais adaptativas com a subserviência aos ditames do capital, ou seja, não podemos ingenuamente pensar que a dita capoeira “contemporânea” representa a modernidade, o estilo mais moderno e todo resto e coisa do passado, pois os elementos metodologicos dessa forma “bizarra” de capoeira não possuem nada de “novo”, haja vista, que ainda utilizam processos de estímulo-resposta, macro ginástica, adestramento e seqüências idiotizantes, como os velhos métodos de ginástica da década de trinta, sendo assim, o que existe de moderno nessa “nova-velha” capoeira? Talvez seja a aparência superficial ou o significado dado por um significante alienado e desprovido de elementos teóricos para identificar os equívocos do método hora mascarado pela falsa modernidade.
 
A capoeira contemporânea carioca propõe seqüências de ensino de mandinga, negarças e até mesmo de posturas para se colocar numa roda, ou seja, seria como tentar reproduzir em serie, seqüências, a poesia de Caetano Veloso, as pinturas de Rugidas, as composições de Chiquinha Gonzaga ou o canto de Paulo dos Anjos. Impossível, pois no máximo o que conseguem é fazer cópias mal feitas de uma coisa “Denorex”, que parece, mas não e…  A nossa capoeira não cabe nessa “industrialização de homens”, e isso não só pela minha vontade, mas por sua referencia histórica repleta de uma ancestralidade que em seu método, de ensino-aprendizagem, denota um caminho no sentido contrário ao positivismo dessa ciência “gelada” e dos ditames técnicos-metodologicos alienantes da classe dominante.
 
E necessário, portanto um processo de investigação da realidade que possa desnudar as contradições do modo de produção, revelando historicamente as ingerências do capital na maior parte de vida humana, incluindo a capoeiragem, ou seja, precisamos verificar criticamente o que chamamos hoje de capoeira e qual seu impacto na formação humana e que projeto de sociedade esta sendo defendido na sua prática diária, pois a falácia da capoeira “moderna” poderá facilmente se transformar facilmente na mentira que vira verdade por ter sido dita muitas vezes.
 
Sendo assim precisamos com certeza entender que a cultura e dinâmica e como tal transforma e sofre transformações, sendo assim, a capoeira de hoje deverá certamente ser diferente da de ontem, e não podemos temer ou resistir a isso, desde quando estejamos atentos as referências históricas da arte, sua base filosófica ancestral e as necessidades reais de construção de uma sociedade mais justa, autônoma, crítica e criativa.

SP: Mestre Careca lança livro…

Emílio Lopes dos Santos, o Mestre Careca (Butantã, capital paulista) publicou seu primeiro livro em dezembro de 2005, cujo título sugestivo é "Em todos os sentidos da vida".
Apesar do título não incluir o termo capoeira, podemos garantir que o mesmo é imerso em uma trama capoeirística vivida pelo autor, sendo que em alguns momentos, os personagens se entrelaçam entre os limites reais e imaginários. Nomes conhecidos da capoeira paulistana como o dos Mestres Joel, Cavaco, Ananias, Biné, Kenura, Miguel, Jogo de Dentro, Plínio, Letícia Vidor, Paulão e tantos outros são entremeados no cerne do livro.
       
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Carta do Mestre Squisito, apresentada na Camera Federal, sobre capoeira

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Senhoras Deputadas,
 
Senhores e Senhoras presentes,
Amigos capoeiristas e Mestres de Capoeira aqui presentes,
Meu bom dia a todos!
 
Muitas vezes a paixão dos não capoeiristas pela Arte se traduz numa relação platônica,  às  vezes  atônita  e  insegura  de  ser  manifestada,  pois  essa  arte  é misteriosa, fugidia, escorregadia aos contatos indesejados, que rejeita manuseios e usurpações…
 
Na Capoeira dizemos que ela é a água de beber que jorra nas correntezas das  fontes da vida e cai como uma cachoeira: nela podemos matar nossa sede, podemos nos banhar, mas não podemos retê-la, pois ela irá escorrer por entre nossos  dedos  quando  tentamos  pegá-la  em  nossas  mãos  num  gesto  de  tentar possuí-la…!
 
No caso de Manoel, porém, há uma diferença fundamental: ao se apaixonar pela capoeira ele se tornou um ativista, um perseguidor dos conhecimentos por trás da Arte, da magia por trás da fala que entoa e encobre os seus segredos centenários.
 
Com  isso  ele  arranca  aplausos  do  mais  cético,  do  mais  frio,  do  mais incrédulo de nós, de quem nunca ousou investir nesse terreno abstrato de nosso dicionário, transformando-se assim num pioneiro de inequívoco valor.
 
Mas, acreditem, felizmente esta obra de Manoel  não é um caso isolado dentro da capoeira. Ela tem sido cultuada e cultivada, por dezenas e centenas de obstinados  solitários  que  se  atiram  nos  seus   meneios  e  buscam  lhe  dar  a sustentação documental que esteja a seu alcance!
 
Pensadores e estudiosos,  estudantes, pesquisadores, professores, mestres  e capoeiristas  em  geral, tem   se   desdobrado  e   produzido muito  trabalho e documentos, teses e monografias, discos,  filmes, textos, vídeos, peças, shows e músicas,  jornais  e  reportagens,  num  sem  numero  de  outros  artefatos  que  a materializam no terreno intelectual, acadêmico, literário, educacional, desportivo, cultural e artístico, entre outras tantas possibilidades que nossa arte abriga e com isso temos hoje milhares de registros o mundo abstrato e metafísico da capoeira, como é o caso de Manoel…
 
No entanto, essa  produção é sempre  independente, autodidata, solitária e sofrida,  complicada  e  desafiante,  pois  é  quase  sempre  o  produto  de  esforços
 
isolados e obstinados, quase contrariando as expectativas sempre pessimistas e negativas,  que  entendem  a  capoeira  como  uma  construção  desprovida  de elementos formais de sua ciência, sua História e sua linguagem e sua produção…
 
Para  se  ter  uma  idéia  dessa  produção,  em  1993,  o  MEC  apoiou  o lançamento de um trabalho sobre a Bibliografia da capoeira, onde já se registrava mais de 3.000 mil títulos publicados a seu respeito…!
 
Hoje esse número deve estar na casa de mais de 20 mil títulos publicados, haja vista a explosão em que se tornou a capoeira espalhada por literalmente todos os cantos deste país e  por centenas de países mundo afora…
 
Manoel empenha toda a sua competência e coragem no seu trabalho original e se alinha com esses guerreiros emergidos do povo brasileiro que se tornam os que   documentam   e   fazem   respeitar   mais   um   pouco   a   nossa   arte   nesse monopolizado mundo da produção intelectual em nosso país.
 
E isso é importante em particular porque temos certeza de que a capoeira é mais que um folguedo, é uma arte complexa e densa, que abriga muitas dimensões e pode oferecer muito mais do que uma prática lúdica simplesmente, desportiva ou cultural, artística ou filosófica, marcial ou plástica. Ao contrário, é tudo isso!
 
Essa produção toda não tira em nada o mérito de Manoel que com sua competência está focando num ponto absolutamente inédito dessa Arte, que é  a sua  dicionarização,  iniciando  assim  a  sistematização  e  a  classificação  de  sua terminologia e isso nos faz refletir sobre o que falta, então, acontecer na capoeira.
 
Senhores e Senhoras.
 
O que falta à capoeira, é o mesmo que nos falta enquanto povo brasileiro:
 
– nós saímos da condição de banidos pelo direito oficial deste país, até termos o direito de estar do lado de dentro oficial das coisas!
 
– nós temos o direito de estar aqui,  nesta casa, discutindo nosso  futuro e nosso espaço de existência, e temos que agradecer por esta oportunidade e respeito manifestado aqui e agora;
 
– nós temos a gloriosa e  histórica  resistência contra a alienação dessa malfada globalização, onde o  que se pretende é na verdade nos alijar de nossa própria identidade para nos tornar robôs compradores de subprodutos da indústria da cultura americana…!
 
– nós temos uma História secular de dignidade e de luta contra todas as formas de opressão, que não pode ser negada nem  mesmo quando contada pelo opressor…!
 
– nós temos hoje o segundo maior numero de praticantes e seguidores de práticas desportivas neste país, só perdendo para o futebol;
 
– nós já estamos em  milhares de instituições de ensino de todos os níveis deste país e do exterior;
 
– nós somos uma das mais importantes forças de inserção social de todos os tempos e trabalhamos com pessoas de todas as idades em praticamente todos os lugares desta Nação;
 
– nós temos consciência de um sem-número de jovens e adultos que temos tirado das ruas, em situação de risco social,
 
– temos canalizado energias de jovens de todas as faixas sociais, induzindo- os a se concentrarem numa atividade que os oferece espaço  para exercitarem e conquistarem a sua vitalidade, a sua felicidade e a sua auto-estima;
 
– nós ocupamos os espaços que nos oferecem nos teatros, nas praças, nos shoppings,  nos  salões,  nas  festas  de  largo  e  de  rua,  nos  trios  elétricos,  nos momentos  solenes  de  celebrações  de  toda  natureza  deste  país  e  também  no exterior;
 
–  nos  comícios,  nos  festejos,  nas  igrejas,  nas  comunidades  de  todas  as matizes políticas, religiosas ou espirituais, estamos também;
 
–  temos  estimulado  e  subsidiado  estudos  de  Sociologia,  Antropologia, História, Música, Educação Física, Pedagogia, Medicina, Arte, etc., do  mundo inteiro…
 
– enfim, vou me contentar em parar aqui para não cansá-los…!
 
O  que  quero  aproveitar  neste  momento  é  para  trazer  aos  Senhores  e Senhoras  uma  mensagem  bem  simples  sobre  o  que  nos  falta.  O  que  falta  à Capoeira…
 
E acreditem, é bem simples mesmo: falta uma iniciativa legislativa oficial e definitiva que produza, aprove, publique e faça cumprir uma lei que transforme a capoeira em parte oficial da educação brasileira!
 
Nós queremos respeito pela nossa necessidade intelectual e espiritual!
 
Queremos ter acesso à produção dos que estudam a capoeira em todos os seus  viéis,  pois  somos  corpo  e mente  que  tem  sede  de  existir harmonicamente e sabemos que os livros são o alimento da alma;
 
A indústria cultural prefere publicar o lixo da subcultura globalizada a dar  algum  tipo  de  atenção  a  nossa  própria  produção  intelectual  da capoeira e isso tem que ser revisto e modificado;
 
Nós estamos nas instituições de ensino deste País inteiro, mas temos que sair dos pátios e das portas das escolas e ir pra dentro das salas de aula, pois a reflexão e a dimensão intelectual tem que se privilegiada e isso não pode ser feito nas condições de prática informal;
 
Queremos e podemos ser parte oficial do currículo  de  nossas escolas, inerente  ao  instrumental  dos  professores  para  falar  de  Brasil  e  de brasilidade, de História e da atualidade, de sociedade e de exclusão social na prática…
 
Podemos sim nos tornar uma disciplina sucessora atualizada e moderna da  deposta  educação  moral  e  cívica,  pois  temos  o  que  falar  sobre cidadania  e  sobre  civismo,  já  que  ensinamos  isso  todos  os  dias  a centenas  de  milhares  de  pessoas,  só  que  numa    prática  informal  e improvisada;
 
Sabemos  que  a  capoeira  pode  ser  o  grande  instrumento  capaz  de demonstrar tanto a desigualdade (como foi e como é…) como também a igualdade, como ela deve ser…
 
Queremos estar inseridos dentro da discussão oficial da educação no Brasil, temos experiências concretas  e efetivas, em número e grau de quantidade e qualidade dessa educação  integral de  fato que a capoeira tem  exercido  para  uma  grande  parcela  da  população  brasileira  e  de muitos estrangeiros…!
 
Temos incentivado muito mais do que movimento das pernas e dos braços na capoeira, pois a produção de projetos de eventos, a produção de textos e músicas, a expressão corporal, o teatro, o convívio pacífico e harmonioso entre pessoas de todas as camadas sociais, a produção de roupas e uniformes, a construção de instrumentos, a música e o exercício musical, o discurso e a auto-estima, tudo isso é produto direto da prática da capoeira;
 
Senhores Deputados, Senhoras Deputadas, vocês tem o instrumento que precisamos  para  atingir  a  nossa                                                                    cidadania  plena:  a  delegação  da sociedade para formularem leis que beneficiem os nossos cidadãos e essa é uma questão de Estado, é uma questão crucial:
 
Digam  por  escrito  através  de  leis  que  a capoeira  é  um  assunto educacional e que pertence à prioridade do ensino para todos os níveis de ensino deste País em nosso País;
 
Oficializem  o  que  já  ocorre  em  centenas  de  espaços  extra-oficiais, extracurriculares, informais em escolas de inúmeras cidades de nosso Brasil, que doravante a Capoeira é  matéria oficial do ensino de nosso povo!
 
Digam que isso abrange todos os níveis de ensino, da pré-escola até o ensino superior de nossa Nação, sejam quais forem os  meios que isso requeira para ser efetivado, pois sabemos que antes de qualquer coisa é preciso ser dito e escrito que isso é uma vontade política de quem faz as leis e elege as prioridades deste País…!
 
Digam agora que o Ministério da Educação tem que viabilizar os meios para que a capoeira se torne essa disciplina, pois é ele que define o que será produzido para alimentar os currículos das nossas escolas;
 
Não, senhoras e senhoras, não precisa ser amanhã, isso pode demorar o tempo que for, desde que seja perseguido e que abra o debate sobre como isso deve acontecer, em cada nível, em cada região, em cada tipo de instituição, para cada público alvo e de acordo com as disponibilidades e interesses de tantas abordagens da alma holística da capoeira;
 
Assegurem-se  de  que  todas  as  matizes  e  variantes  que  compõem  a capoeira   na       sua   interculturalidade   e   interdisciplinaridade   serão respeitadas;
 
Digam que a nenhuma autoridade por mais importante e reconhecida que seja  será  outorgada  a  condição  de  dona  dos  desígnios  da  capoeira enquanto disciplina, pois se isso  acontecer vai  mutilar a sua alma e transformá-la  em  um  monte  de  regras  frias  e  dispensáveis,  pois  o principal interesse é a reflexão que a escola abriga e a diversidade como regra, como principio;
 
Acreditem, se houver uma tentativa  que  seja de amordaçar a capoeira, ela se ocultará de novo dos olhos oficiais, pois não será jamais sufocada por políticas ou atitudes tacanhas, limitantes, opressivas e arbitrárias, pois a sua essência é a de ensinar e pregar a liberdade humana;
 
Digam, enfim, que a capoeira  é plural, como nosso povo, como nossa cultura nacional, como o é nossa riqueza regional brasileira, tendo o direito de se manifestar em todas as extensões que assim queiram os seus seguidores;
 
Senhores  e  Senhoras,  isso  é  o  que  esperamos  que  possa  realmente acontecer…!
Confiamos em Vossas Senhorias.
Obrigado.
Brasília – DF, 22JUNHO2005
Reginaldo da Silveira Costa
Mestre Squisito
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Site www.capoeirista.com.br FORA DO AR

Salve Meus amigos,
 
Infelismente estamos tendo alguns problemas com o serviço de hospedagem do nosso site (WWW.CAPOEIRISTA.COM.BR).
Devido a inumeras quebras de serviço… e inadivertidamente a empresa responsavel pelo hosting de nosso site nos tirou fora do ar, alegando que o capoeirista.com.br estava causando problemas ao servidor…
 
Como deve ser do conhecimento de todos, o site é gerenciado pro mim, Luciano Milani e pelo Wellington Fernandes (Rabo de Arraia), e ambos temos uma postura bastante seria e carinhosa em relação ao site… portanto não podemos permitir abusos por parte da empresa contratada para hospedar o serviço!
 
Imediatamente o Wellington contratou outra empresa, que nos prometeu um atendimento e um serviço muito melhor.
 
Pedimos a todos os membros do site e a todos os visitantes que tenham mais um pouquinho de paciencia pois tudo esta sendo resolvido e pretendemos retornar a roda o mais breve possivel!!!
 
Um grande axé!!!
Paz e União na capoeira.
Equipe Capoeirista.com.br
 

ADOLESCÊNCIA, DROGAS E CAPOEIRA

Apesar de nos considerarmos como um individualidade imutável, permanente, invariável, cada um de nós é um processo em evolução, algumas vezes explosiva, outras em suave transição, porém em contínua transformação.
No transcurso desta progressão surgem períodos críticos, dos quais o primeiro e talvez o mais difícil, é o nascimento, apesar de obscurecido por uma aparente inconsciência do Ser; seguido em importância pelo da adolescência, que definirá todo o futuro, por marcar a transição da segurança do lar para a incerteza do ambiente social, nem sempre benfazejo, nem hospitaleiro, no qual o jovem tem que encontrar sua própria subsistência e realizar os seus sonhos.
A adaptação do recém-chegado ao novo ambiente deve ser feita sem rotura das ligações afetivas da família, célula matriz e nutriz da sociedade, através do complexo educativo, onde adquire papel preponderante a formação do caráter, viga mestra da personalidade.
O adolescente, até então sob a proteção do amor e do carinho familiar, começa a ser protegido pelas leis que regem as relações entre individualidades pressupostamente em igualdade de direitos, liberdade e fraternidade.
Se por um lado a escola convencional oferece a formação e o arcabouço intelectual, o esporte molda o caráter, através o contato e a disputa entre colegas sob leis de estrito cavalheirismo, ética e ritual;  promovendo o desenvolvimento da parceira, da humildade individual, da integração comunitária, do respeito ao oponente, da disciplina e sobretudo, da honestidade e lisura no trato.
O esporte, além de representar uma válvula de drenagem para o excesso de energia vital, favorece a afirmação da personalidade e o desenvolvimento da autoconfiança, pela convivência pacífica e segura com situações críticas, que exigem resolução acertada, sempre sob a proteção dum ritual de segurança.
O jogo da capoeira da Bahia, por ser praticada em qualquer idade, é um esporte que aproxima a infância, a adolescência, a maturidade e os mais velhos, unindo várias gerações, integrando diferentes fases históricas da mesma cultura, gerando uma comunidade amalgamada pela alegria e pelo prazer, como podemos ver na foto do encontro das duas gerações na festa de  Benício "Golfinho" Boida de Andrade Júnior.

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Dr. Benício e seu filho "Golfinho", dialogando alegremente na linguagem dos movimentos da capoeira!

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Vovô Capoeira e os alunos do seu neto, Mestre Canelão, na harmonia da roda da capoeira

O texto seguinte, do Dr. Benício Boida de Andrade, apresenta sucinta e claramente o drama da chegada do adolescente ao novo palco em que desempenhará um papel para o qual nem sempre estará bem preparado.


ADOLESCÊNCIA

Dr. Benício Boida de Andrade
benicio@nuxnet.com.br

INTRODUÇÃO

Para ser bem compreendida, deve ser dividida em BIOLÓGICA (que é a fase da vida que vai dos 13 aos 20 anos) e PSICOLÓGICA que não tem idade definida, podemos encontrar pessoas que envelhecem apresentando características de adolescente e outras pessoas que aos 15 anos de idade não tem mais o comportamento de adolescente.
O AURÉLIO define a adolescência como o período da vida humana entre a puberdade e a virilidade (dos 14 aos 25 anos) – período que se estende da terceira infância à idade adulta, caracterizado psicologicamente por persistentes esforços de auto-afirmação. Corresponde à fase de absorção de valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social.
PUBERDADE é o conjunto de transformações psicofisiológicas ligadas à maturação sexual, que traduzem a passagem progressiva da infância à adolescência.
O adolescente se caracteriza pela fase de indefinição, de dúvidas, de múltiplas interrogações. Ele não entende exatamente o que ele é pois, ao tempo em que a sociedade lhe cobra responsabilidades de adulto, seus pais lhe proíbem, por exemplo de ir a uma festa sozinho(a). Este conflito lhe traz uma especial vulnerabilidade.
Antes porém, na primeira e segunda infância o ser humano passa por pelo menos duas fases importantíssimas que prepararão sua estrutura psicológica para ser um adolescente mais ou menos vulnerável às inúmeras seduções de práticas nocivas ao ser humano, que ele estará exposto principalmente ao adolescer. Do ponto de vista didático podemos chamar estas fases de fase da esponja e fase do filtro.
Na FASE DA ESPONJA (que vai dos 0 aos 7 anos), a criança absorve tudo que os adultos lhe dizem, com uma capacidade enorme de absorver e arquivar informações, funcionando o seu cérebro como o mais complexo computador que se tem conhecimento na humanidade. Podemos dizer que o seu HD (Hard Disk – disco rígido) tem capacidade impossível de se mensurar sua configuração, assim também como a sua memória RAM é fantasticamente capaz de trabalhar acessando ao mesmo tempo milhares de informações arquivadas.
Na FASE DO FILTRO (que vai dos 7 aos 14 anos), aquele fantástico computador já seleciona as informações que recebe, elegendo ídolos que funcionam como verdadeiros padrões e cujas opiniões e informações fornecidas são tomadas sempre como verdades absolutas, estando representados sempre por pessoas que estão mais próximas como: os pais; os tios; os professores; o motorista a empregada doméstica; etc. Nestas duas fases anteriores à adolescência estará se formando a estrutura psico-emocional que o adolescente disporá para enfrentar com maior ou menor equilíbrio os conflitos naturais desta especial etapa de sua vida que o definirá como um adulto mais ou menos adequado ao mundo.
A partir dos 14 anos temos o adolescente propriamente dito, quando ele está preparado para contestar todos os valores socialmente estabelecidos. O adolescente tem necessidade de questionar valores, fazer conflito, e seu primeiro alvo é a famíliaonde ele está inserido e a autoridade presente a ser confrontada é representada pelos pais. É importante para o adolescente ter quem lhe faça oposição, pois desse conflito resulta a sua aprendizagem de ser, de definição de atitudes, que se dá nesse confronto, onde ele entende o que quer, o que o outro quer, o que pode e o que não pode, o que consegue e o que não consegue.
É através do confronto que ele vai perceber o seu tamanho, suas características, suas forças e fraquezas, suas aptidões, enfimo conhecimento mais amplo de si próprio.
O adolescente, precisa sair desse confronto razoavelmente bem sucedido, para poder crescer e tornar-se adulto. Senão ele vai ser um fracassado, aquele que perde todos os confrontos, que é oprimido, reprimido.
Em nossos valores sociais há uma espécie de consumo de sucessos e o adolescente se fascina por esse valor (jogar futebol e outros esportes, ganhar bonecas bonitas e boas, tirar boas notas na escola, ter mais namorados, etc.).
Se ele perde sempre num mundo onde se tem de ganhar ou pelo menos emparelhar, para não ser um adulto com baixa auto-estima, deslocado do mundo atual, ele terá dificuldades no seu desempenho como adulto nesta sociedade competitiva.
Se o indivíduo por exemplo tem 15 anos, trabalha numa fábrica e traz o dinheiro para casa para ajudar no sustento, ele não é um adolescente, ele é um homenzinho ou uma mulherzinha (no bom sentido) que por dificuldade econômica, queimou etapas de sua vida. Mas, se apesar de precisar trabalhar, esse jovem não para no emprego, não assume seus compromissos, então ele absorveu valores de uma classe sócio-econômica à qual ele não pertence. Ele não está ajustado.
A sociedade por seu lado ignora no adolescente o adulto recém-formado, desvaloriza a sua capacidade, teme as mudanças que ele possa postular, classifica esse indivíduo como um rebelde em potencial, limita os seus direitos, impõe normas que o enquadram nos padrões vigentes.
Os adultos tem a necessidade de preservar a sociedade, mantê-la segura mesmo com as flagrantes desigualdades econômicas e sociais em que ela está alicerçada.
Em geral quando falamos de adolescência, limitamo-nos aos jovens que integram famílias com boas condições de vida; mas a maioria dos adolescentes no Brasil pertence a famílias com problemas de base, falta-lhes habitação, instrução e alimentação adequadas, estão cuidando da sobrevivência através do trabalho em subempregos, explorados por serem menores, fazendo parte do "econômico" na sua família.
É essa maioria que na luta pela sobrevivência acaba por enveredar pela marginalização; a contravenção e o crime são muitas vezes a saída para sobreviver.
Há pouca diferença entre o adolescente e o jovem pobre, que acabam na marginalidade.
O menor de idade pobre não tem quem se responsabilize por ele, pois os pais são considerados sem condições de fazê-lo. Freqüentemente acabam em instituições que, ao invés de corrigir os problemas, servem como escola de aperfeiçoamento para o crime.
Enfim, 80% ou mais dos nossos jovens não chegam a ser problema durante a adolescência porque ainda não tem a possibilidade de ser "adolescente"; passam direto da infância à idade adulta.
Adolescente pobre só é lembrado quando torna-se notícia nas páginas policiais dos jornais. Os meninos nas contravenções e no crime, e as meninas como vítimas de crimes sexuais.
É nesse contexto que o adolescente acaba se envolvendo com tóxicos socialmente aceitos ou não, ora consumindo-os, considerado como viciado, ora difundindo-os e considerado pelas leis como traficante; em ambos os casos sujeitos mais à repressão policial do que aos cuidados médicos e orientação psicológica.

DROGAS

Em 1995 a comercialização de drogas ilícitas no mundo todo envolveu cifras da ordem de 300 bilhões de dólares ( quase três vezes a dívida externa brasileira).
O consumo de drogas em vários países do mundo atinge proporções de epidemia. Muitas pessoas se comportam como se o problema não existisse: "Não é comigo, meus filhos, meus amigos não estão envolvidos, sou contra (ou a favor); as drogas devem ser combatidas, (ou liberadas) e ponto final". – Se coloca a responsabilidade na droga.
Seria ingênuo imaginar-mos que se vai eliminar o problema, apenas combatendo-o do ponto de vista jurídico-policial.
>Como pretender acabar com uma produção e um tráfico que envolvem bilhões de dólares, grupos poderosos organizados internacionalmente, e até governos?
É claro que estas medidas devem ser tomadas.

É dever de todo cidadão cobrar das autoridades competentes o combate ao tráfico e à produção.

Mas, isso não é tudo. Não podemos falar das drogas com sensacionalismo exacerbado, de seus efeitos maléficos apenas, embora, isto seja importante.

É preciso saber que,
quem procura as drogas não está sendo movido pelos seus malefícios a médio ou longo prazo,
mas, pelo prazer imediato (ou pelo alívio imediato do desprazer).
Um prazer que não se está conseguindo encontrar nos seus relacionamentos interpessoais,
nem na sua atuação social, nem na sua realização como indivíduo!

Não podemos desconhecer esta fonte de prazere a devemos analisar colocando num prato da balança os supostos benefícios e no outro prato da mesma balança as consequências a médio e longo prazo. 

Não podemos também, culpar apenas as más companhias
(embora elas possam existir).
É preciso que haja no indivíduo uma receptividade, uma vulnerabilidade às drogas.

O tratamento dos viciados não pode ser visto como uma simples desintoxicação,
como se a droga fosse um vírus ou uma bactéria que causou uma contaminação acidental.

Os médicos podem desintoxicar um viciado, até trocando todo o seu sangue, mas, isso não muda sua estrutura mental, seus sentimentos, sua maneira de pensar e de se colocar no mundo daquela pessoa que procurou determinada droga em função de um determinado efeito.
A dependência física também é muito variável, e alguns indivíduos que usam drogas potentes como a morfina para diminuir a dor de um câncer por exemplo, apresentam o fenômeno da adaptação, mas, não ficam obrigatoriamente dependentes do ponto de vista psicológico. Os epilépticos tomam barbitúricos, drogas causadoras de uma grande adaptação, sem ficar dependentes. Fica claro então, que a dependência está relacionada e muito com a finalidade para a qual o indivíduo usa a droga.

Para entendermos melhor o problema das drogas
devemos levar em conta que elas resultam de uma tríade:
indivíduo/droga/meio sócio-cultural-familiar.

Não podemos tirar a responsabilidade
do indivíduo que a usa,
da família à qual pertence
e
da sociedade em que está inserido!

Entre nós, uma sociedade de consumo em que a televisão aconselha a ingerir uma droga ao menor sinal de dor – já que pensar na causada dor "não resolve", o negócio é fazer passar logo. Numa sociedade em que o álcool e os cigarros são anunciados e vendidos através de mensagens extremamente sedutoras e erotizadas, torna-se muito difícil combater o uso das drogas.
Para nós que fazemos parte desta sociedade e estamos preocupados com as drogas, é necessário adquirir conhecimentos mais profundos, sair da posição defensiva do contra ou a favor de um mito para pensar no significado humano do uso da droga.
Só depois de ampliado o conhecimento será possível desenvolver uma atitude pessoal em relação ao problema e aos usuários.
Essa elaboração se aplica sobretudo aos profissionais da área de saúde e educação.

Em cada escola,
por exemplo poderia haver
um núcleo,
ou uma pessoa
com
uma atitude interna elaborada e segura,
que soubesse identificar:

1) O indivíduo que experimenta por mera curiosidade.
2) O indivíduo que tem algumas experiências e para.
3) O indivíduo que busca ativamente a droga e a usa:
a) Como um estímulo de vida
b) Como dependente

É preciso sabermos que

de cada 100 pessoas que experimentam algum tipo de droga, apenas 10 se tornam dependentes,
portanto
não seria adequado prender ou internar todos aqueles que experimentaram,
mas,
há a necessidade de uma abordagem preventiva, esclarecedora, que ainda não assumimos.
Há de se ter tratamentos diferentes para diferentes níveis de envolvimento!


A RELAÇÃO DOS ADOLESCENTES COM AS DROGAS

O processo de aprofundamento é mais ou menos o mesmo em qualquer tipo de droga: cigarro; álcool; maconha; etc.
Ninguém começa fumando 2 maços de cigarro por dia ou bebendo 1 litro de aguardente por dia.
Dividimos portanto, a escala de aprofundamento em quatro fases:

a) FASE DA CURIOSIDADE:
É quando o adolescente quer se experimentar para ter noção do seu eu, para ver como reage em determinadas situações. No adolescente a curiosidade está especialmente aguçada. O primeiro cigarro é fumado sempre por curiosidade.

b) FASE DA AVENTURA:
É quando o adolescente já conhece bastante sobre o cigarro ou sobre a bebida, e sabe, portanto, o que procura. Mas, procura só quando a circunstancia a favorece e sem maiores escolhas; fuma qualquer tipo de cigarro, toma qualquer bebida. Sabe por exemplo que a bebida lhe proporciona uma certa euforia, ou desinibição. Mas, não muda por causa disso o seu ritmo de vida, seu modo de viver. Bebe quando pinta, o que pinta e pronto. 

c) FASE DA MULETA:
Nesta fase há um maior compromisso com a droga e já tem uma apetência específica por uma determinada droga. Fuma "hollywood", bebe "vodca". E costuma ter em sua casa um bom estoque de sua droga preferida, a ser consumida sempre em determinadas circunstâncias. Há uma relação definida entre o adolescente e a droga.

d) FASE DO VÍCIO:
nesta fase há uma relação de dependência. Você vai dormir, vê que está sem cigarros e fica nervoso: "e se eu acordar às 3 da manhã e quiser fumar?". É melhor levantar-se, pegar o carro e ir comprar.Você não tem mais controle no hábito que agora é vício.

O tóxico
– maconha, cocaína
– segue também este caminho
curiosidade/aventura/muleta/vício .

Agora,
o que levaria o indivíduo a passar da curiosidade ao vício?
vai depender da estrutura de personalidade de cada um, de seu ambiente familiar e social.

Quando se fala em tóxicos é preciso ter muito cuidado para não estimular a curiosidade do adolescente, naturalmente já muito aguçada. Ao se falar que um tóxico produz certo efeito de bem estar, um barato muito grande, o adolescente pode se sentir estimulado a experimentar "numa boa". Ele não precisa de reforço para experimentar, precisa de reforço para segurar um pouco sua curiosidade. É bom levar em conta que, muitas vezes ele precisa de um argumento perante a turminha que anda transando um determinado tóxico.

O adolescente precisa contar com a possibilidade de alguém francamente contra.
Na turma dele o mais provável é que todos sejam a favor.
O pai, o educador não devem se intimidar de dizer que são realmente contra,
para ser contra, é preciso:
ter argumentos,
reconhecer os efeitos dos tóxicos,
conhecer significado de certas palavras como"barato"
que é um estado de breve euforia que substitui um estado anterior de baixo astral.

Durante uma determinada fase da vida do adolescente, ele vai preferir a companhia de sua turma à companhia dos pais. É preciso entender, no entanto, que durante a adolescência o jovem tem necessidade de se desligar da família e buscar nos amigos (que vivem o mesmo problema) o apoio para isso.
A turma representa o papel intermediário entre a ruptura, normal e necessária, com o vínculo familiar e as parcerias mais definitivas que os jovens estabelecerão ao longo de sua vida.
Ao lado dos amigos eles se preparam para a vida social e para a saída do ninho.
É nesse momento que identificamos o momento de maior vulnerabilidade do adolescente, quando ele experimenta pela primeira vez sentimentos fortes como: a primeira paixão; o primeiro beijo; o primeiro orgasmo e o primeiro contato com as drogas, socialmente aceitas ou não.

Durante a fase de "barato" que falávamos acima, aparecem alterações de percepção que são freqüentes:
O jovem sai do mundo real e curte uma situação que só ele vivee que dificilmente consegue contar a outro.
Seria como contar o gosto da laranja a quem nunca chupou laranja.
A depender da profundidade de ação da droga, o adolescente pode ter ilusões; alucinações e delírios.
Viajar,também é uma expressão muito comum para quem usa drogas.Viajar num sol, numa nuvem, num copo.
Trata-se de uma hiperconcentração num detalhe, desligando-o de todo o resto.
Durante uma aula por exemplo, um aluno sob efeito da maconha pode isolar uma só frase do professor, viajar nela e esquecer todo o resto.
As drogas que dão"barato" são amaconha ( a mais acessível)e as substâncias voláteiscomo o éter; clorofórmio; benzina; cola de sapateiro; etc.
Elas contém hidrocarbonatos e, quando evaporam exalam um cheiro, às vezes bem desagradável, que absorvido pelo cérebro, pode propiciar viajem. A pessoa delira, vê coisas, alucina. Existem também vários medicamentos como os aerossóis em geral, e a cada dia aparecem novas drogas com ações semelhantes.
Essas drogasao penetrar no organismo na forma gasosa vão lesar as células nervosas, destruindo neurôniosque não regeneram e não são substituídas por outras no organismo, sua lesão deixa dano irreparávele estas células são encontradas predominantemente no cérebro.
Quando a fumaça da maconha penetra no organismo, provoca algumas reações imediatas: o coração dispara, a conjuntiva ocular fica avermelhada e a saliva seca. Pode haver alteração psíquica, como ilusão, alucinação e delírio, perda da noção do tempo e do espaço.
Os efeitos mais graves são a longo prazo pelo acúmulo do THC (delta-9-tetrahidrocarbinol) nas células gordurosas do cérebro, fígado, dos rins e do baço, necessitando de um período de até 3 meses para ser eliminado.

A maconha é 10 vezes mais cancerígena que o cigarro comum.

Fetos expostos à sua ação revelaram má formação congênita. O efeito da maconha sobre as células em desenvolvimento é catastrófico. Nas células já desenvolvidas o efeito é menor e traz atrofia cerebral a longo prazo.

Diminui a produção de hormônios, de espermatozóides e reduz o desejo sexual.
Não influi no objeto da escolha, tanto o homossexual como o heterossexual continuam na mesma.

O efeito mais sério e irreversível da maconha é a longo prazo sobre a personalidade do indivíduo, após as lesões cerebrais irreversíveis. A vítima nunca culpa a maconha de nada. O mal está sempre em outra coisa qualquer.
E assim o indivíduo vai perdendo o ELAN VITAL, A FORÇA DA VIDA, que é essa força que nos faz ficar aqui esta noite, discutindo estes problemas, depois de um dia estafante. A decisão de estar aqui bateu com alguma aspiração de vocês.
O viciado vai perdendo estas aspirações, passa a viver numa faixa muito estreita de interesses.
Prefere ficar horas sentado, sem viver ligações reais e afetivas com as pessoas, com os projetos de vida.
É a SÍNDROME AMOTIVACIONAL e ocorre justamente numa idade em que a pessoa tem tanta coisa pela frente.
O adolescente encontra-se numa fase de auto-afirmação social muito intensa. Ele não tem medo de ser rejeitado pela família, onde, supõe-se ter lugar garantido mas, tem verdadeiro pavor de ser rejeitado pela turma.
A melhor garantia para ele nesse momento é uma boa alimentação afetiva e valorização humana em casa.
Quanto mais carente se revelar, mais tenderá buscar afirmação perante os outros.

Nessa idade a pressão da turma é sempre mais forte que a familiar.
Se a turma é a favor da maconha, a regra é o adolescente fumar também,
ainda que se sinta mal por fumar.
O importante nesta hora é ter estrutura interna para decidir.
A grande infiltração dos tóxicos não vem pelos traficantes e sim pelos colegas.

Nunca existe só um culpado.
Mesmo numa família bem estruturada o jovem pode experimentar a maconha,
e a família no desespero pode tomar atitudes que mais atrapalham do que ajudam.
É preciso ter uma posição clara,
aberta ao diálogo,
sem repressão.
Repressão fecha o diálogo,
os pais serão os últimos a saber,
quando já estiver na fase do vício.

Pais que não suportam frustrações, também transmitem um modelo perigoso para os filhos.
Pessoas que não suportam ser contrariadas, por qualquer coisinha já estão apelando para remédios.
Ou fumam e bebem demais.
O excesso de cigarros, fica como um sub-vício na família, um modelo, que sem perceber, o filho pode adotar, um dia, mais à frente emmomentos difíceis.
Para que o jovem se sinta forte para enfrentar suas dificuldades e as pressões do ambiente, ele precisa de muito alimento afetivo. O alimento do diálogo franco, do amor generoso, da valorização dentro de casa. Em um espaço cada vez menor. Há muita correria para vencer na vida e os jovens terminam vítimas dela.
O pai nunca para e diz ao filho: Estou com um problema, o que você acha?
Pai que se revela incapaz de parar, conversar e pedir ajuda, passa ao filho um modelo de que cada um tem mais é que se virar sozinho.
Como vai se queixar depois de que o filho nunca sentou com ele para conversar sobre a vida? sobre tóxicos? sobre sexo? por exemplo.


ALGUNS SINAIS CARACTERÍSTICOS DO ENVOLVIMENTO COM DROGAS

OLHOS VERMELHOS:
o álcool; a maconha; a cocaína; a cola e o éter.
DEDOS AMARELOS:
provenientes do cigarro de maconha que o jovem costuma fumar até o finalzinho.
IRRITAÇÃO E AGRESSIVIDADE:
qualquer observação dos pais sobre o comportamento do jovem desencadeia nele uma crise de agressividade.
AFASTAMENTO DOS FAMILIARES E DOS VELHOS AMIGOS:
O jovem não conversa mais em casa. entra e vai direto para o quarto.
RELACIONAMENTO COM NOVOS AMIGOS:
A nova turma é composta agora de pessoas que se drogam.
VENDAS DE OBJETOS QUE SEMPRE ESTIMOU:
De repente, ele vende o tênis preferido, o casaco, um instrumento musical, o skate, para comprar droga.
MUDANÇAS DE HORÁRIO:
Chega tarde em casa, acorda também muito tarde.
DESMOTIVAÇÃO PARA O ESTUDO E O TRABALHO:
Que resulta na expulsão da escola ou na perda do emprego.
FURTOS DE PEQUENOS OBJETOS EM CASA:
Dinheiro, jóias da mãe, aparelhos eletrônicos, rádio, etc.
PRISÃO NA RUA PORTANDO DROGA:
Se a situação lhe parece familiar, converse imediatamente com seu filho. Não perca tempo e não tente se enganar.

Cache = Espaço

O Windows XP usa um sistema de proteção de arquivos (WFP), de modo que se
algum arquivo de sistema for substituído de forma não autorizada por você
ou por algum programa, o Windows recupera a versão anterior do arquivo.
Mas para poder fazer isso ele armazena em cache todas as .dll e outros
arquivos de sistema na pasta System32/dllcache. E isto custa alguns bons
megabytes no seu disco. Aqui está o que pode ser feito para não perder
tanto espaço: Abra uma janela de prompt e digite, sem as aspas, "sfc
/cachesize=x" onde o x é a quantidade em MB que você deseja reservar para
o cache do Windows. 50MB seria um bom tamanho. Agora podemos fazer uma
outra coisa: eliminar todos os arquivos armazenados no cache, que estava
exageradamente grande. Para isso digite no prompt sem as aspas: "sfc
/purgecache". Você vai notar uma intensa atividade no HD. Significa que
uma infinidade de arquivos do cache estão sendo deletados. Não se
preocupe, se mais tarde o Windows vier a precisar de algum deles e não o
encontrar no cache, pedirá que você insira o CD de instalação e o
encontrará no CD.