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1º Jogos Energia Pura de Capoeira no Amapá

Treze grupos confirmaram presença no campeonato, além de uma equipe do Pará

Muito ginga e maculelê (luta com bastões praticada em conjunto com os movimentos e o ritmo da capoeira) são esperados para os próximos sábado (19) e domingo (20), em Macapá, durante o primeiro Jogos Energia Pura da Capoeira. Além de difundir a capoeira, a competição será um momento de grande oportunidade de troca de experiência entre os grupos da capital e interior do estado.

De acordo com Claudio Leônidas, que organiza a competição, treze grupos se inscreveram no campeonato. As disputas serão nas categorias infantil, juvenil e adulto – masculino e feminino. Além de competidores do Amapá, uma equipe paraense também confirmou participação.

– A gente espera que os grupos de capoeira façam jogos bonitos e disputados. Um banca de capoeiristas experientes será responsável em avaliar o desempenho de cada jogo e dos atletas – disse Claudio.

Segundo a organização, o objetivo maior da competição é divulgar o esporte e atrair cada vez mais praticantes. No Amapá, existem dezenas de grupos espalhados pela capital e interior, responsáveis pela divulgação da capoeira, além de contribuírem para a melhoria da qualidade de vida dos praticantes.

Os vencedores serão premiados com uma quantia em dinheiro, além de troféus e medalhas. Os jogos iniciam a partir das 9h da manhã na Academia Energia Pura, localizada no bairro Marabaixo 2, na rua Maria Nair de Souza, nº 391, Zona Oeste de Macapá.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

Federação (FICA) quer colocar capoeira nas Olimpíadas

O sonho é da Federação Internacional de Capoeira, a Fica. A entidade contratou um grupo de empresas de marketing, composto pela a Brunoro Sport Business, SPV e R2 e a GTEC Digital, para difundir a luta como identidade cultural brasileira e ampliar o número de praticantes ao redor do globo.

As agências terão a missão de elaborar torneios nacionais e internacionais, mapear o potencial publicitário do esporte, criar comerciais de TV, reformular o calendário de eventos e provas oficiais e obter patrocinadores. A capoeira, como esporte, está inserida no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Já a Fica está vinculada à SportAccord, entidade vinculada ao Comitê Olímpico Internacional, e à União Mundial de Artes Marciais (WOMAU).

O sonho da Fica é colocar a capoeira entre os esportes olímpicos. Quem sabe ela chega lá. Segundo dados da entidade, a modalidade está presente em mais de 150 países com cerca de oito milhões de praticantes ao redor do mundo. A maior parte deles, seis milhões, está no Brasil.

 

O que diz Sérgio Vieira:

A Capoeira é uma paixão nacional no Brasil na mesma proporção em que é o Futebol. Sendo assim, muitos se posicionam em defesa de seus cuidados, cada um ao seu modo. Em relação à inserção da Capoeira no Movimento Olímpico, não é diferente, e resulta em polêmicas. O entendimento que leva a Federação Internacional de Capoeira – FICA a manter este esforço e o de estabelecer este consórcio é o de que se faz absolutamente necessária a criação de um mecanismo de preservação do acervo cultural da Capoeira Angola, da Capoeira Regional e da Capoeira Contemporânea, que possa ser também difundido por meio da estrutura desportiva internacional. Tal entendimento se dá no fato de que os procedimentos técnicos e tradições da Capoeira estão sendo alterados em função da informalidade com que a mesma está difundida em âmbito mundial. Deste modo considera-se sob risco a reprodução deste patrimônio cultural por múltipla diversificação de suas práticas. Há nesta postura o entendimento de que precisamos capacitar mestres, docentes e técnicos com os mesmos conteúdos programáticos em todos os países, uniformizando assim, competências, saberes e habilidades de seus agentes de reprodução. Salienta-se que se trata de novos tempos e que a FICA deseja neste momento sentar com todos os segmentos da Capoeira para seja possível a construção deste objetivo por meio do consenso, com base em nossas igualdades e não em nossas diferenças. Sejam, portanto, todos muito bem vindos à esta nova fase da Capoeira.

 

Fonte: http://colunas.revistaepoca.globo.com/

Manaus: aniversário do Grupo Matumbé

Manaus – Com 400 integrantes e quase um ano de fundação, o Grupo Matumbé de Capoeira do Amazonas exportou o gingado para o exterior com o trabalho abnegado de vários mestres, entre eles ‘Capacete’.

Há três anos, ele dá aulas da modalidade em Barcelona, na Espanha, onde decidiu criar uma filial do projeto.

Capacete voltou recentemente a Manaus para comemorar, no final deste mês, o aniversário do Grupo Matumbé e receber o título de contramestre. Na programação especial, que começa nesta quarta-feira (25) e vai até domingo (30), serão organizados mesas redondas, rodas de capoeiras e o batizado anual de novos alunos.

Nesta quarta-feira, a abertura com as tradicionais rodas começam às 18h no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na Avenida André Araújo, em Petrópolis, zona sul de Manaus.

Nos quatro dias seguintes do evento, o local vai mudar para o Centro de Convivência da Família, na Aparecida, zona sul, onde na quinta-feira (27) o mestre Kaká Bonates, fundador do Matumbé, dará uma palestra aberta ao público.

Na sexta-feira, em uma mesa redonda, Capacete pretende resgatar a experiência com a capoeira na Europa. Ambos os eventos serão no horário das 18h.

Após um intervalo das atividades no sábado, o encerramento no domingo será dedicado à formatura de cinco praticantes e à festa de fundação do Grupo Matumbé.

“Antigamente, éramos todos do Grupo Cativeiro, que existia há 20 anosem Manaus. No ano passado, mudamos o nome para Matumbé (que no tupi-guarani significa berimbau) para ser mais regional. Nós praticamos a capoeira tradicional baiana (com origem em Angola). Temos também grupos na Islândia, Jamaica e Barcelona. Nossa filosofia é não participar de competições, porque acreditamos que a capoeira trabalha mais a solidariedade e o respeito entre as pessoas. Não queremos nada competitivo”, explicou o mestre Kaká Bonates.

Capoeira celebra aniversário do Grupo Matumbé e reúne praticantes em Manaus

 

http://www.d24am.com – Redação . portal@d24am.com

Evento reúne mestres de capoeira em Groaíras

Participantes de todo o País estão em Groaíras para enaltecer uma dança presente no Brasil desde a época colonial

Groaíras Neste fim de semana, o Grupo Cordão de Ouro de Capoeira de Groaíras comemora 14 anos com o 3º Mandinga na Ribeira, que traz mestres de todo o País. O evento está ocorrendo no Galpão dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais até amanhã e é aberto ao público. O projeto conta com apoio do Governo Federal e Coelce.

Dentre os presentes, estarão os mestres Suassana, de São Paulo, e Cobra Mansa, de Salvador, dentre outros nomes de destaque da Capoeira Nacional. Iniciado em abril, o evento está tendo se encerramento, tendo um público de mais de quatro mil pessoas nesta edição, de acordo com a organização do evento.

O coordenador do projeto, José Jones Rufino Cruz, mais conhecido como Pretinho Jones, explica que foi um dos fundadores do Grupo Cordão de Ouro de Groaíras, em 1998, e que hoje já conta com mais de 50 praticantes somente na sede do Município. “Os praticantes vão desde crianças de 6 anos até idosos”.

Ele diz que esse grupo da terceira idade é um grupo especial, com atividades desenvolvidas especialmente para esse objetivo. “É uma terapia ocupacional com idosos, com atividades bem mais leves e voltadas para eles”.

Segundo Jones, o sucesso da capoeira se dá devido à peculiaridade do jogo, que mistura dança e luta. “Essa é a sedução inicial da modalidade. Quem joga capoeira às vezes dança, às vezes luta. A ocasião faz a definição. Além disso, está presente no País desde a época do Brasil Colonial, contando a história”.

Durante os meses de evento, a organização afirma que a receptividade foi intensa, principalmente por parte das famílias de crianças e adolescentes. Jones diz que os benefícios são reconhecidos por todos. “Não é preciso muito preparo físico e a prática beneficia a autoestima, senso de respeito e ao lidar com os instrumentos musicais facilita-se a coordenação motora fina, trazendo benefícios na escrita, leitura e percepção”, enumera.

O estudante Marcos Alves esteve em umas das rodas de capoeira que ocorreu dentro do evento. Segundo ele, apenas para observar. “É interessante, principalmente, para a manutenção da cultura local. Eles têm uma filosofia que trabalha valores como o respeito tanto a si mesmo quanto ao próximo”, disse.

 

Além desses pontos, Jones destaca também que não há aumento na agressividade. “Muito pelo contrário, todos os praticantes acabam aprendendo mais sobre controle e humildade, pois a primeira ´rasteira´ que ele deve dar é em si mesmo”.

O comerciante Isaac Bento endossa a afirmação, dizendo que sua vida era diferente na época da capoeira. “Quando era mais novo, pratiquei muito, era uma pessoa mais calma e saudável, devido aos benefícios que o exercício traz consigo. Hoje sinto falta, mas não tenho mais tempo. Sempre procuro ver os meninos jogando capoeira em Sobral e fico contente em saber que há um incentivo desses tão perto daqui”, finaliza.

Conforme a coordenação, as outras edições do evento, em 2008 e 2010, contaram com um total de participantes de 500 pessoas e público estimado de mais de 10 mil. Dentre as atividades, oficinas de capoeira e danças folclóricas, palestras e seminários e apresentações culturais em espaços públicos da cidade.

O projeto também buscou abrir espaços para questionamentos de cunho social, como a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas afro-indígenas da região.

 

Mais informações

 

Grupo de Capoeira Cordão de Ouro de Groairas

Rua Fco. Ximenes Melo, 85

Bairro José Cassiano, Groaíras

(88) 8814.9756

I DEUTSCHE CAPOEIRA TURNIER

A meta deste evento, é divulgar a Capoeira ainda mais aqui no pais da  alemanha, porico se chama Tournee por que realizaremos varias etapas por toda a alemanha. Sendo a primeira em Hamburg e as outras em Köln, Berlim, wofsburg e Achen. hoje este esporte é práticado por  mais de 160 paises, com a estimativa de 05% dos praticantes sao idosos, 35% criancas e 60% sao jovens e adolecentes. A capoeira atualmente esta sendo uma valiosa ferramenta para todo mundo, como educacao, esporte e cultura especialmente como acao social. A  capoeira esta sendo práticada em academias, escolas, associacoes, presidios e universidades, sem nem um preconceito social, de raça ou de cor.

 

Nosso objetivo é realizar o 1° DEUTSCHE CAPOEIRA TURNIER, com o apoio da TSG Bergedorf Hamburg e do grupo Internacional capoeira vip na supervisao de Mestre Bigodinho. O evento contará com a presenca dos práticantes de capoeira da alemanha.

 

Como será realizado:

Todo o evento será aplicado com atividades da Capoeira, Averá shows de acrobacias, danza, musicalidade e competicao de capoeira, Tambem Será realizado um workshop gratutito de capoeira especialmente para  os leigos, no intuit de conquistar novos alunos, tambem averá um workshop aberto para quem já prática capoeira no intuit de engrandecer o conhecimento dos mesmos.E por fim realizaremos um competicao de capoeira com normas e regras elaboradas por mestre bigodinho no intuito de oferecer uma opcao a mais para os capoeiristas continuarem a treinar forte, tambem fazer de tres em tres meses o mesmo encontro para integrar com socialismo e ao mesmo tempo construer uma cidadania entre os praticantes mostrando os valores pessoais e nao de grupo.

 

Quando será realizado:

A primeira etápa está programado para  ser na cidade de Hamburg alemanha nos dias 04, 05 e 06 de novembro de 2011.

 

BRASIL E ALMANHA, UNIDOS PELA ARTE DA CAPOEIRA

 

WORKSHOP E CAMPEONATO

NOVEMBER 04, 05 e 06 de 2011 Aulas com:

Mestre Bigodinho (ritmos e músicas com técnicas)

Mestre Bailarino (técnicas da capoeira)

Mestrando Moreno (aula para leigos)

Professor Fumaca e Instrutor Zoreia (acrobacias e floreios)

 

 

Programacao:

Dia 04  (Freitag)

Am 18.00 bis 19.30  (Treino aberto).

Am 19:30 bis 21.00  (Roda aberta).

Am 22:00 bis 23.30  ( cinema familiar).

 

Dia 05 (Samstag)

Am 08.30  – Café da manha

Am 09.30  – Palestra  (importancia da educacao fisica na capoeira).

Am 10:00  – Técnicas de  entrada e finalizacao com quedas. ( mestre bigodinho)

Am 11.00  – técnicas de benguela, regional e S.G.A. (30 min de roda) (Mestre Mailarino, Prof. Fumaca)

Am 12.30  – Roda todos juntos

 

Am 13.00  – (pause para comer)

 

Am 14.00  – aula de coliografia de maculelê com ritmo e cantigas  no final roda    ( Mestre Bailarino, instructor zoreira, Professor Fumaca)

–  aula de iniciantes  para leigos    ( Mestrando Moreno)

–  preparação dos atletas para as competicoes   (Mestre Bigodinho)

 

Am 15.30                   – campeonato  (e roda aberta no final)

 

Am 20.00  – jantar ( após o jantar paty livre pela cidade de Bergedorf)

 

Dia 06 (Sonntag)

Am 09.00  – café da manha

Am 10.00  -workshop de roda (postura, comportamento, deveres, com Roda de benguela, regional e S.G.de A).

Am  13.00 – Diversao geral  (futebol, piscina  ou passeio livre)

 

 

 

Info: 0177 870 22 81 –   MESTRE BIGODINHO www.capoeiravip.eu

 

Iniciativa: grupo internacional capoeira vip

Organização geral: Mestre Bigodinho

Support: TSG BERGEDORF

Realização: praticantes de capoeira da Alemanha

Programa Capoeira de Saia 2010

Programa Capoeira de Saia 2010 – 3ª edição | o Mundial

Apresentação

A capoeira atualmente é uma das artes que mais cresce no Brasil e no mundo, estando presente em todas as unidades da federação brasileira e em mais de 120 países, o que faz com que a mesma esteja ganhando um espaço cada vez maior na mídia, firmando-se como um importante recurso para a construção de uma identidade saudável e cidadã, sendo assim viemos propor:

O “Capoeira de Saia” – Programa de Capacitação em Capoeira é um programa que será executado em três edições 2008, 2009 e 2010, em ambiência baiana, nacional e mundial respectivamente, e que aglutinará mulheres praticantes da capoeira e áreas afins, provenientes de todo os continentes, em Salvador-Bahia, promovendo um contínuo cronograma de atividades, dentre elas: palestras, festivais, excursões, cursos de extensão e  vivências ministradas pelos maiores mestres desta arte no Brasil.

A primeira edição – Baiana – foi realizada no dia 17/05/2008, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo _ Forte da Capoeira, das 08 as 20 h, reuniu 300 praticantes e inúmeros convidados (Mestre João Pequeno de Pastinha – ícone da capoeira mundial – aos 90 anos de idades foi um deles além de tantos outros).

A segunda edição – Nacional – foi realizada nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2009, também na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo – Forte da Capoeira, reuniu mais de 300 praticantes/dia, dentre elas mulheres baianas, paulistas, cariocas, paraenses, goianas, chilenas, colombianas, alemãs, argentinas e mais uma vez foi sucesso de público e programação…

Composta por palestras, projeção de filme | documentário inédito, oficinas, depoimentos dos diversos mestres presentes, seleção de atrizes para filme de cadeia internacional (filme Besouro: nasce um herói do diretor João Daniel Tikhomiroff) apresentações folclóricas e, o ponto alto, uma excursão ao Recôncavo Baiano que nos reportou ao berço cultural de nosso país.

No ano de 2010 realizaremos a edição Mundial deste programa reunindo praticantes dos 05 continentes em Salvador, numa vasta programação com atividades na Fortaleza de Santo Antônio Além Carmo (Forte da Capoeira – Salvador), na Cabana da Barra, aulão público com mais de 1.500 capoeiristas em pleno Farol da Barra, atividades na Cidade do Saber – Camaçari – durante um dia inteiro finalizando com show em praça pública, “repeteco” da excursão “Bebendo na Fonte… uma viagem ao Recôncavo Baiano”, berço da cultura afro-brasileira, dentre outras atividade na semana de 26 a 30 de maio, promovendo o encontro das (dos) praticantes de capoeira, amadoras (es) e profissionais, representantes dos cinco continentes na “terra mãe da capoeira”, onde encontram-se reunidos os mais antigos e renomados mestres desta nobre arte.

Dando continuidade ao programa Capoeira de Saia, realizaremos ainda em 2010 – entre os meses de outubro e dezembro – o Curso de Qualificação e Formação para Capoeiristas, com a oferta de quatro linhas de estudo: Curso de produção, gestão e elaboração de projetos culturais em Capoeira; Organização e planejamento do ensino em Capoeira; Historicidade e ancestralidade na Capoeira e Processo de Formalização dos Centros Culturais de Capoeira. Este programa tem como intuito garantir a formação qualificada das (dos) capoeiristas inscritos e será desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado da Bahia – UNEB, garantindo assim o suporte técnico-pedagógico necessário, bem como a chancela de uma das mais respeitadas universidades do país.

Este programa nasce com o compromisso principal de promover o fortalecimento da participação e auto-estima da mulher na capoeira, possibilitando um maior intercâmbio entre as instituições culturais, enfocando o processo de ensino-aprendizagem da capoeira para este público, as discussões de gênero, bem como a abordagem sobre sua inserção, importância e contribuição no desenvolvimento histórico-social da capoeira, possibilitando desta maneira a ampliação do nível de informação das profissionais e praticantes, o aprimoramento técnico-teórico das mesmas para que possamos a partir dessa proposta encontrar mulheres e homens dividindo espaços de capoeira de forma harmônica e igualitária, no que tange a democracia de acesso aos conhecimentos e “fundamentos” desta arte ancestral.

 

Justificativa

Este projeto se faz necessário pelo fato de possibilitar um maior intercâmbio entre as praticantes e profissionais da área de capoeira, a partir da realização de palestras, festivais, cursos de extensão, encontros mundiais, excursões, vivências e seminários, que darão estrutura ao programa de qualificação, objetivando atingir prioritariamente as mulheres capoeiristas e não capoeiristas, praticantes e/ou profissionais que atuam no ensino da capoeira, possibilitando a ampliação de conhecimento nessa área, tendo como produto final a alavancagem no processo de profissionalização da mulher na capoeira, a melhoria na qualidade do serviço prestado por estas profissionais à sociedade civil, bem como um maior reconhecimento da prática da capoeiragem enquanto importante ferramenta educativa, expressão e cultura de um povo.

Tem sua importância alicerçada no processo de formação profissional das mulheres na capoeira, tendo em vista a difícil realidade encontrada, principalmente, no norte e nordeste brasileiro onde, por questões históricas, sociais, culturais e econômicas, a mulher não consegue seguir no processo necessário a sua profissionalização.

Estas ações inclusive estão previstas e respaldadas no Plano Estadual de Políticas para as Mulheres, nas suas áreas estratégicas, e no Plano Nacional de Política para as Mulheres nos seus eixos, e juntas, podem promover a formação de novas gerações de capoeiristas em condições de repudiarem o racismo, o sexismo  e a homofobia/lesbofobia.

Plano Estadual de Políticas para as Mulheres / PEPM, áreas estratégicas contempladas:

1- Autonomia Econômica e Igualdade no Mundo do Trabalho com Inclusão Social;

2- Educação Inclusiva, Não-Sexista, Não-Racista, Não-Homofóbica e Não-Lesbofóbica;

4- Enfrentamento a Todas as Formas de Violência Contra a Mulher;

5- Participação das Mulheres nos Espaços de Poder e Decisão;

8- Cultura, Comunicação e Mídia Igualitárias, Democráticas e Não-Discriminatórias;

9- Enfrentamento do Racismo, do Sexismo e da Lesbofobia;

10- Enfrentamento das Desigualdades Geracionais que atingem as Mulheres, com Especial Atenção às Jovens e Idosas;

 

Plano Nacional de Políticas para as Mulheres/PNPM, eixos condutores:

4. Enfrentamento à todas as formas de violência contra as mulheres;

5. Participação das mulheres nos espaços de poder e decisão;

9. Enfrentamento ao racismo, sexismo e lesbofobia;

Discutir esta realidade, suas dificuldades e propor desafios e mudanças para este quadro indesejado é a proposição do Programa de Capacitação Capoeira de Saia que terá ações continuadas por todo o ano e culminâncias marcadas anualmente, como foi o exemplo em 2008, 2009 e será em 2010 – edição baiana, nacional e mundial respectivamente.

Vale à pena ressaltar, que o “Capoeira de Saia” – Programa de Capacitação em Capoeira, se firma também como um importante evento cultural e turístico, que vem trazer entretenimento, informação e lazer para a cidade de Salvador, Camaçari, Santo Amaro da Purificação e Cachoeira, além de possibilitar o conhecimento e divulgação das belezas naturais dessas cidades, com visitas programadas aos seus pontos turísticos, estimulando o turismo e o comércio da região no evento, promovendo a divulgação das cidades e de nossos patrocinadores.

 

Objetivos

Possibilitar um maior intercâmbio entre as mulheres (e homens) capoeiristas da Bahia, do Brasil e do mundo;

Promover a ampliação das informações das (dos) profissionais da área de capoeira;

Reunir mulheres capoeiristas de renome internacional e debater suas importantes construções e contribuições como estratégia para elevar a auto-estima das participantes, e assim alavancar o processo de profissionalização desse público, tendo em vista os inexpressivos números de mulheres que conseguem tornar-se profissionais (em relação a representação quantitativa de profissionais do gênero masculino) e do baixo nível de qualificação das profissionais encontradas no mercado de trabalho por questões históricas, políticas e culturais;

Incentivar o turismo na capital baiana, aumentando seu fluxo turístico nacional e internacional dentro de períodos de sazonalidade, destacando e difundindo a capoeira como representante genuína da ancestralidade africana, elemento chave do Turismo Étnico-afro, de forma a reconhecer a Bahia enquanto “Terra mãe da Capoeira”;

Discutir as contribuições das diversas áreas do conhecimento no processo de ensino-aprendizagem da capoeira;

Discutir a roda de capoeira enquanto espaço de mulheres e homens, essencialmente político e que revela um grande potencial na transformação das relações humanas, onde seus atores devem primar por uma capoeira mais plural e em condições de valorizar as diferenças como entendimento necessário à promoção e garantia dos Direitos Humanos e da Justiça Social;

Propor a Transversalidade como eixo nas discussões sobre a capoeira, discutindo com representantes da sociedade civil, das entidades privadas sem fins lucrativos (ONG’s), dos organismos de representação comunitária, etc., formas de dialogar e construir, a curto e médio prazo, ações conjuntas com as áreas do poder público responsáveis por:

– Educação (garantia de acesso e qualidade no ensino, etc.);

– Turismo (capoeira x economia criativa, economia da cultura, processo de folclorização, mulheres x turismo sexual, etc.);

– Esporte (cuidados, limites e possibilidades no processo de esportivização da capoeira, prevenção aos efeitos “Olimpíadas 2016”, etc.);

– Trabalho e Renda (garantia de acesso ao mercado de trabalho – políticas públicas para capoeira e seus diversos campos de atuação – educação / turismo / artesanato, etc);

– Meio Ambiente (plantio de espécies florestais nativas da Mata Atlântica brasileira, de rápido crescimento e valor econômico, utilizadas na confecção dos instrumentos da capoeira (berimbau, pandeiro, reco-reco, caxixi, etc.), são elas a cabaça, a biriba, etc.;

– Igualdade Racial e de Gênero (violência a mulher x sociedade civil x racismo x capoeira, etc);

Levantar e discutir as questões de gênero que influenciam na continuidade da mulher na capoeira apontando não apenas para as questões relacionadas às violências contras a mulher (física, moral, psicológica, patrimonial, etc.), mas também colaborando na defesa e divulgação da Lei Maria da Penha, buscando atuar na construção de redes de prevenção e enfrentamento (atitudinais, legais, etc.) a este fenômeno inaceitável, inserindo aqui também a luta contra a exploração sexual de meninas e mulheres e contra o turismo sexual que alimenta o tráfico de mulheres;

Debater, defender e divulgar a Lei Maria da Penha no intuito de contribuir com identificação das diversas formas de violência (física, moral, psicológica, patrimonial, etc.) contra as mulheres e os mecanismos de enfrentamento.

 

Programação

1. Capoeira de Saia | Encontro Mundial 2010

Nesta edição as atividades acontecerão do dia 26 a 30 de maio, com uma programação compostas por oficinas, palestras, aulão público no Farol da Barra, sessão de cinema com diversos filmes / documentários, mesas redondas abordando temas atuais importantes na formação dessas praticantes, excursão às cidades históricas do Recôncavo Baiano como mecanismo de reconhecimento da história das culturas afro-descendente na Bahia, dentre outras. Tudo isso “regado” a muita alegria, integração e produção de conhecimento, elementos propulsores de uma boa formação.

 

26/05/2010

Quarta

Fortaleza de Santo Antônio

18:00 Credenciamento

19:00 Conferência de abertura com lideranças femininas contemporâneas

| capoeiristas, autoridades políticas, artistas, sambadeiras, baianas de acarajé e lideranças religiosas

19:30 Palestra de abertura:

Mãe Stella de Oxossi | Ilê Axé Opô Afonjá

20:30 Roda Oficial de Abertura do Capoeira de Saia

27/05/2010

Quinta

Fortaleza de Santo Antônio | Salvador

08:00 Credenciamento

08:30 Cadastramento | Excursão pelo Recôncavo Baiano*

09:30 Palestra Lei Maria da Penha

| Representante da SPM – SEPROMI | Governo do Estado da Bahia

11:00 Palestra “Conquistas e desafios do profissional de capoeira: panorama histórico, social, cultural e jurídico”

14:00 Credenciamento

15:00 Vivências  em rodízio | Capoeira Angola, Regional e Baiana

19:00 Mesa redonda

“Iê!” Mestre/a quem foi sua aluna? – Leitura social estratégica a partir da fala de quem educa | Mestras/es convidados (as)

20:00 Show cultural FUMEB e roda do Capoeira de Saia

28/05/2010

Sexta

Cidade do Saber – Camaçari

07:00 Saída de ônibus:

Salvador – Farol da Barra| Lauro de Freitas| Abrantes e Arembepe

08:00 Credenciamento

09:00 Palestra “Lei Maria da Penha: em busca de uma cidadania efetiva”

| Representante da SPM – SEPROMI

10:00 Atividades nas salas  e Ginásio Poliesportivo

13:30 Teatro da Cidade do Saber

Exibição do filme “Besouro: nasce um herói” ou “Pray in the will” mulheres da África

16:00 Colóquio de mestras, contramestras, professoras e trenéis de capoeira |Convidadas de renome internacional

17:30 Palestra “Profissionalização da mulher na capoeira: limites, conquistas e possibilidades” | Carolina Magalhães – Mestra Brisa (UNEB | GUETO)

19:30 Caminhada para Praça Desembargador Montenegro | Camaçari

20:00 Show de manifestação popular de Camaçari e Roda Capoeira de Saia

 

29/05/2010

Sábado

Cabana  da  Barra  e Farol da Barra | Salvador

08:30 Credenciamento

09:00 Maculelê  tradicional de Santo Amaro | M. Macaco – ACARBO Santo Amaro

10:00 Samba de Roda Tradicional | Marinalva Nascimento  “Nalvinha”- FUMEB

11:00 Oficina Percussiva | Mestre Lua Rasta

15:00 Concentração e entrega das camisas do evento | Farol da Barra

15:30 Homenagem a autoridades e mestras (es) convidados

16:00 Aulão de Capoeira|Convidadas de renome internacional

17:30 Rodas de Capoeira, maculelê e samba de Roda

18:00 Grupo de Samba “Raízes de Santo Amaro”

19:30 Show cultural Parafolclórico FUMEB e Show Banda Didá

 

30/05/2010

Domingo

Santo Amaro da Purificação e Cachoeira

“Bebendo na fonte… um passeio pelo Recôncavo Baiano”

08:00 Saída de ônibus:

Salvador – Forte de Santo Antônio Além Carmo | Arembepe| Camaçari |Lauro de Freitas

09:30 Cidade de Santo Amaro – Palestra, oficina de samba e roda de capoeira

| Teatro D. Canô, Casa do Samba e Praça da Matriz

12:00 Intervalo para almoço

13:00 Saída de ônibus | frente à Casa do Samba

14:00 Cidade de Cachoeira – Palestra  e roda de encerramento do Capoeira de Saia

| Instituto Danemann e Rodoviária

16:00 Entrega de Kit Lanche

16:30 Retorno a Salvador – Forte de Santo Antônio | Camaçari | Lauro de Freitas | Arembepe

 

2. Capoeira de Saia 2010 | Curso de Qualificação e Formação para Capoeiristas

Em sua 1ª edição piloto o curso terá divulgação realizada a partir de março até outubro, inscrições abertas a partir de agosto, seleção de aprovados pela comissão dôo curso divulgada em setembro para então iniciar suas atividades no dia 1º de outubro, com encerramento previsto para meado de dezembro onde as (os) alunas (os) deverão estar participando da cerimônia de certificação no Teatro Caetano Veloso na Universidade do Estado da Bahia – UNEB.

O curso será composto por quatro linhas de estudo que oferecerão 40 vagas por cada linha, totalizando a qualificação de 160 capoeiristas certificadas (os) pela UNEB.  São elas:

  • Curso de produção, gestão e elaboração de projetos culturais em Capoeira;
  • Organização e planejamento do ensino em Capoeira;
  • Historicidade e ancestralidade na Capoeira;
  • Processo de Formalização dos Centros Culturais de Capoeira;

 

www.capoeiradesaia.com.br

capoeiradesaia@hotmail.com | capoeiradesaia@gmail.com

Carolina Magalhães | Mestra Brisa

Mestra de Capoeira | Produção Geral

brisacapoeira@msn.com | brisacapoeira@gmail.com

055.71.87935400 | 81349904

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa

Hoje recebo a confirmação que este grande camarada e parceiro está de viagem marcada para as terras frias do hemisfério norte, com destino a Toronto (Canadá).

Toda a família irá fazer esta jornada em cumplicidade e nosso amigo Miltinho, como grande “paizão” estará acompanhado da companheira Keyla e do filhão Camilo (foto).

Desejamos um ótima estadia e sucesso profissional!!!

Em homenagem a este grande capoeira e amigo escolhemos uma matéria publicada no Jornal do Capoeira escrita pelo próprio Miltinho Astronauta.

Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paulo

Luciano Milani – Fevereiro de 2009

Nota do Editor:

À convite da Tribuna Metropolitana – um jornal quinzenal que circula nas zonas norte e sul da capital – tenho escrito algumas crônicas para uma coluna cujo título é Capoeireiro. O objetivo tem sido o de compartilhar informações e pontos de vistas sobre nossa Capoeira. No mês de Julho de 2005 publicamos uma crônica sob o título “Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa”. Com o lançamento do Documentário “Pernada em Sorocaba – Ginga Pela Arte…Ginga Pela Sobrevivência”, previsto para ocorrer dia 19 de Novembro de 2005 na Cidade de Sorocaba (SP), achei por bem republicar tal crônica também em nosso Jornal. É o que faço agora.

Capoeiristicamente,

Miltinho Astronauta


CAPOEIREIRO

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa
Por Miltinho Astronauta – Julho/2005

Nota da Tribuna Metropolitana

Foi com imensa satisfação que inauguramos esta coluna Capoeireiro. Percebemos que amantes da prática da Capoeira – seja enquanto cultura, seja como esporte ou educação – já estão até colecionando nossas edições quinzenais. A seguir, respondemos algumas questões enviadas à nossa Redação: 1) nosso colunista desenvolve um trabalho de pesquisa do fenômeno da Capoeira em nosso Estado (Interior, Capital e Vale do Paraíba); 2) existe um projeto em andamento para cadastrar os mestres e capoeiras – dos mais antigos aos jovens mestres – das diversas regiões da Capital: Zona Oeste, Zona Leste, Zona Norte, Zona Sul e Centro; 3) interessados em colaborar com este projeto (Coletânea da Capoeira em São Paulo) podem escrever para nossa Redação, ou então enviar e-mail para o nosso Colunista. Como se diz na Capoeira, “vamos dar a Volta ao Mundo, Câmara…”.

Outro dia, recebi uma carta eletrônica (e-mail) muito elogiosa sobre as duas primeiras edições de nossa recém-inaugurada coluna CAPOEIREIRO. Lá pelas tantas, nosso interlocutor perguntou: “Existiu, realmente, Capoeira em São Paulo antes da chegada dos baianos e cariocas na década dos 60?”. De pronto lembrei-me de um corrido do Contra-mestre Pernalonga (Márcio Lourenço de Araújo), que hoje ensina em Bremen, Alemanha. “O meu barco virou / lá no fundo do mar / Se eu não fosse angoleiro / Eu não saia de lá”. Foi exatamente assim que me senti. Ou seja, se não estivesse amparado por documentos, lá estava levando minha rasteira.

De pronto, resolvi então trazer à público uma abordagem interessante que fiz sobre uma forma de “Capoeira a Lá Paulista”. Confesso, estava guardando o texto que ora apresento para um livro que estou escrevendo sobre a Capoeira de São Paulo. Mas para não deixar de “entrar na chamada” de nosso amigo Leitor, vamos então ao fio da meada.

1. CAPOEIRA GANHA O MUNDO

Hoje percebemos que o mundo todo se entregou aos encantos de nossa Capoeira. Ousaria dizer que nenhum esporte e/ou prática cultural levou tanto de um povo à outras nações como é o caso de nossa Capoeira.

Por exemplo, aqui no Brasil, praticamos o Box, o Judô e o Caratê, mas ninguém fala o inglês ou o japonês por conta disso. Dança-se o Balé e o Tango, mas não existem motivos para se especializar em Francês ou Espanhol.

Mas com a Capoeira é diferente. Por conta dela o português falado no Brasil tem sido falado em mais de 150 Paises. É isto mesmo! Segundo a Federação Internacional de Capoeira (FICA), presidida pelo Prof. Dr. Sérgio Vieira, nossa Capoeira já caminha para a segunda centena de paises onde a prática já faz parte do “cardápio” anual de eventos culturais e desportivos.

É até compreensível nosso português sendo falado neste “mundão de Deus”, uma vez que seria muito superficial praticar a Capoeira sem, por exemplo, compreender o real sentido de uma Ladainha, de um Corrido ou de uma Chula.

Ao mesmo tempo em que percebemos nossa Capoeira expandindo-se, dando sua magistral “Volta ao Mundo”, observa-se que mais e mais os praticantes (nacionais e principalmente do estrangeiro) estão buscando conhecer a verdadeira – e mais completa quanto possível – história da Capoeiragem.

2. CAPOEIRA, FOLCLORE & DINÂMICA

Prosa e SambaÉ fato que a Capoeira praticada em nosso Estado de São Paulo é fruto de um trabalho de resistência e divulgação realizado por mestres baianos e cariocas, vindos para cá a partir da década dos 50. Embora, sendo justo registrar que a grande maioria chegou entre meados dos 60 e início dos anos 70.

Em nossa Crônica Inaugural apresentamos o depoimento em livro do Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) atestando que levas de capoeiras foram soltas nas pontas dos trilhos (na cidade de Botucatu, entre 1890 e 1920, supostamente). Pelo depoimento, podemos inferir que Capoeiras (vindos da Capoeira Carioca) já perambulavam por nosso Estado, no final do século XIX e início do século XX.

Por falar em Capoeira Carioca, todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Mestre Edison Carneiro (excelente folclorista!) fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações. Por exemplo, com a proibição da Capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, resultou-se nosso Frevo! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom Capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a Capoeira que não se chamava Capoeira, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

3. PERNADA, TIRIRICA & CAPOEIRA PAULISTA

Em São Paulo também tivemos nossa “Capoeira primitiva”. Recentemente o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro e o capoeira-pesquisador Joelson Ferreira têm se dedicado a estudar a Pernada de Sorocaba (interior paulista). Na essência, essa forma de manifestação tem todos os ingredientes básicos de nossa Capoeira: cantos (corridos e desafios); negaças; golpes desequilibrastes (rasteira!) etc. Em breve teremos um excelente documentário sobre o assunto. Aguardem.

Além da Pernada de Sorocaba, na Capital Paulista, tivemos também uma outra “espécie de capoeira”: a TIRIRICA. Aparentemente, tudo indica que, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.

A Tiririca Paulista era um misto de Capoeira com Samba. Era, então, uma capoeira com ritmo (diferente da Capoeira Utilitária do Paulista-Carioca Mestre Sinhozinho – Agenor Sampaio), mas sem a presença do Berimbau. Tinha canto de pergunta e resposta, e “jogava-se” ou “lutava-se ludicamente” em Roda.

Sobre esta “espécie de capoeira” (assim se referiam a ela os “mais antigos” da Terra da Garoa) temos alguns depoimentos relevantes gravados no Centro de Estudos Rurais (CERU) e Museu da Imagem e Som (MIS), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo podemos encontrar ainda alguns praticantes remanescentes ou contemporâneos de praticantes, que acompanharam a TIRIRICA em seu auge (décadas dos 30 aos 50). Para dar uma dica, para quem estiver interessado em saber sobre a Tiririca, os bons nomes são Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro e Seu Nenê da Vila Matilde.

O Próprio Mestre Ananias – renomado mestre da capoeira angola baiana – que chegou pela capital entre 1950 e 1960, vivenciou alguns momentos da Tiririca pelas bandas do Brás; Largo da Banana, ou mesmo pelas Praças da Sé e da República (reduto de muitos sambistas, tiririqueiros e capoeiras). Mestre Ananias é grande conhecedor de Samba de Raiz e de Capoeira. Eu arriscaria dizer que uma das cantigas que só ouvi mestre Ananias cantando (É tumba, menino é tumba…) pode ter sido “colhida” durante sua vivência com alguns praticantes da Tiririca. Faço tal suposição baseado em um documentário de Mestre Geraldo Filme (também cantador de Samba, e que conviveu com exímios jogadores de Tiririca), que em depoimento para o MIS, lá pelas tantas, soltou a letra da música que comento acima:

 

“É tumba, menino é tumba

É tumba pra derrubá

Tiririca faca de ponta

Capoeira quer me pega

Dona Rita do Tabulêro

Quem derrubou meu companheiro

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente

(coro)

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente”

Será que a origem é a mesma (Rodas de Tiririca)?


Miltinho Astronauta dedica-se, de forma independente, ao projeto “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. O projeto conta com a colaboração de alguns pesquisadores, dentre eles Raphael Pereira Moreno e Carlos Carvalho Cavalheiro. Para obter mais informações, acesse o Jornal do Capoeira (on line) www.capoeira.jex.com.br ou escreva para miltinho_astronauta@yahoo.com.br. A foto de Mestre Ananias é de Autoria de Adilene Cavalheiro.

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

 

Capoeira de Saia 2009

2ª REUNIAO DE LIDERANÇAS FEMININAS da capoeira da Bahia, dia 28/03, sabado, as 14h, na academia do M. Nenel (FUMEB, Pelourinho, em frente a ABCA e abaixo do Filhos de Gandhy).

Não percam! Estamos edificando a segunda ediçao do maior evento feminino de capacitação que a terrinha já viu, e o melhor? JUNTAS!

{youtube}PusD2-za9HA{/youtube}

A primeira edição já foi realizada no dia 17/05/2008, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo _ Forte da Capoeira, das 08 as 20 h,
reuniu 300 praticantes e inumeros convidados (Mestre Joao Pequeno de Pastinha aos 90 anos de idades foi um deles, alem de tantos outros).

Como parceiros teremos a prefeitura de Salvador, o Governo da Bahia e a iniciativa privada !!!

“Levanta a saia, la vem a maré”.
 
Um grande axé,
No aguardo,
Comissao Organizadora

Carolina Magalhães
Contramestre Brisa
brisacapoeira@msn.com
71.87935400

Capoeira de Saia 2009

Capoeira de Saia 2009 (2a edição), acontecera nos dias 01, 02 e 03 de maio deste ano, em Salvador- Bahia, com vagas limitadas e programaçao a ser divulgada em data próxima.
 
Levanta a saia la vem a maré … la vem a maré … la vem a maré …

O Programa “Capoeira de Saia” – Capacitação da Capoeira Feminina, que será um evento executado em três edições 2008, 2009 e 2010, em ambiência baiana, nacional e mundial respectivamente, e aglutinara mulheres praticantes da capoeira e áreas afins, provenientes de todo os continentes, no mês de maio em Salvador-Bahia, promovendo palestras, festivais, cursos e vivências ministradas pelos maiores mestres desta arte no Brasil.

A primeira edição já foi realizada no dia 17/05/2008, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo _ Forte da Capoeira, das 08 as 20 h, reuniu 300 praticantes e inumeros convidados (Mestre Joao Pequeno de Pastinha foi um deles, alem de tantos outros) .

Este programa nasce com o compromisso principal de promover o fortalecimento da participação da mulher na capoeira, possibilitando um maior intercâmbio entre as instituições culturais, enfocando o processo de ensino-aprendizagem da capoeira para este público, as discussões de gênero, bem como a importância, relação e contribuição no desenvolvimento histórico e social da capoeira, possibilitando desta maneira, a ampliação do nível de informação das profissionais e praticantes da capoeira e ainda o aprimoramento técnico-teórico das mesmas.

Axé camaradas,

Comissão Organizadora

Expansão da capoeira

A capoeira junto ao candomblé e o samba é uma das mais importantes manifestações de nossa cultura. Trazida pelos escravos africanos, que aqui chegaram para a cultura canavieira, desempenhou um forte papel na resistência cultural dos afro-brasileiros. Seus praticantes exerceram função preeminente em episódios da história do Brasil, como na guerra do Paraguai; na luta pelo abolicionismo e na transição do Império para a República. A luta-arte, já surge internacional, pois é o encontro das nações: congos, angolas, bengelas, moçambiques, minas, rebolos e cassanges.

No contexto pós-abolicionista, a capoeira foi perseguida e sua prática considerada crime. Assim como o candomblé, sobreviveu e recontextualizou-se. Hoje é elemento referência da cultura brasileira. Capoeiras de todos os continentes chegam ao Brasil, para beber na fonte dos velhos mestres e vivenciar sua filosofia, que nos remete ao caráter da sociedade brasileira, formado por tolerância, hospitalidade, pluralidade e originalidade.

Sua expansão para o mundo, teve início com dois gênios da Bahia: mestres Bimba e Pastinha que era filho de um espanhol com uma negra e que recebeu em sua academia no Pelourinho, o escritor Jorge Amado, o francês Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Caribé, Mário Cravo. As vozes dos pioneiros baianos entraram nos corações dos jovens de esquerda, que buscavam na cultura popular, as justificativas de seus ideais políticos.

Meio século depois, o mundo se africaniza com a capoeira. Milhares de praticantes negros, brancos e amarelos; católicos e mulçumanos; judeus e árabes, do velho e novo mundo, chegam ao Brasil falando e cantando em português as ladainhas e corridos da capoeira. Os discípulos de Pastinha, João Grande e Jelon Vieira de Bimba, tiveram seus trabalhos, que realizam há duas décadas em Manhattan, reconhecidos pelo governo da Casa Branca. Lá receberam o National Heritage Fellowship Award. A mais importante homenagem da cultura estadunidense.

O ex-ministro Gilberto Gil, depois de encontrar dezenas de mestres nos aeroportos internacionais de todos os continentes, disse que “a capoeira se espalhou pelo mundo sem nenhuma ajuda governamental”. Iniciou então o processo de reparação desta dívida, criou o primeiro edital de apoio a projetos, grupos e pesquisadores. Contribuiu junto com a Fundação Palmares, para que a arte afro-brasileira fosse reconhecida como patrimônio cultural.

Mas Pernambuco saiu na frente e aprovou uma pensão vitalícia, para os velhos mestres. Devolvendo a eles, muito pouco, comparado ao que produziram com sua arte, para divulgar positivamente o país. A Bahia, a “Meca da capoeira”, ainda está timidamente se mobilizando, para o reconhecimento destes lutadores, que levaram ao mundo um Brasil alegre e solidário; criando um mercado de trabalho de difícil mensuração.

Lucia Correia Lima é jornalista, fotógrafa e autora do roteiro de documentário “Mandinga em Manhattan” – premio DOCTV 2005 do MinC.

Diretora de Projetos e Comunicação da Associação Brasileira de Capoeira Angola – luciacorreialima@hotmail.com

Fonte: A Tarde de 27 do 12 pagina do editorial coluna Opinião