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Quilombos, terreiros, juventude e alternativas para erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável

O lugar das práticas culturais afrodescendentes e os modelos de desenvolvimento que delas se originam, funcionando como alternativas para a erradicação da pobreza e a preservação do meio ambiente. Este foi o eixo do diálogo promovido pela Fundação Cultural Palmares na tarde do último sábado (16), na programação da Rio+20, no Galpão da Cidadania, um dos espaços preparados pelo Ministério da Cultura, na Zona Portuária da capital fluminense.

Para favorecer o tom mais informal, o diálogo foi organizado no estilo de talk show, para o qual foram convidadas personalidades expoentes nos temas diversidade, justiça social e exclusão – atributos diretamente relacionados à população e à cultura afro-brasileira. Assim como no debate sobre a Convenção 169 da OIT, realizado pela manhã, o público superlotou o auditório. Quilombolas, indígenas, lideranças jovens discutiam sobre as práticas culturais tradicionais, não ocidentais e não eurocêntricas como elementos que merecem lugar acentuado na definição de sustentabilidade. Também entraram em pauta as ações efetivas que são necessárias para promover justiça ambiental em favor desses grupos populacionais.

Quilombos e terreiros – Constituídas sobre o legado dos negros escravizados no Brasil, seja sob o aspecto familiar ou religioso, as comunidades remanescentes de quilombos e os terreiros religiosos de matriz africana tradicionalmente primam pelo respeito à natureza e, consequentemente, pela sua conservação. Valores associados à economia e ao mercado vêm se incorporando à discussão ambiental. Apesar da pouca visibilidade, não são poucos os produtos, espalhados pelo país, gerados a partir de práticas ancestrais. Um simples exemplo foi apresentado por Maria Rosalina dos Santos, que trouxe para a Rio+20 sabonetes de aroeira produzidos em sua comunidade quilombola no Piauí. Esta e outras práticas têm potencial estratégico para a redução da pobreza, com impacto expressivo sobre as relações comerciais que envolvem serviços e bens culturais.

Como destaca o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, os quilombos e terreiros são segmentos com pouco acesso a bens culturais e econômicos, mas também os que menos agridem o meio ambiente.

Juventude – Na linha de frente do “rolo compressor desenvolvimentista” e das desigualdades sociais para as quais uma conferência como a Rio+20 busca resoluções, são os jovens que sofrem os efeitos mais perversos. Os impactos sobre a juventude abrangem oportunidades de educação e trabalho, atividades produtivas sustentáveis, participação comunitária e fragmentação identitária, e os resultados variam entre dependência química, perda do vínculo com seu território, êxodo rural, expropriação, perda da cultura e identidade, violência social e de gênero.

Os participantes do debate foram praticamente unânimes em apontar que a padronização de espaços e territórios, simbolizadas por usinas, minerações e monoculturas, por exemplo, resultam em injustiças ambientais, o que significa riscos e danos para as camadas sociais mais vulneráveis, que, assim, não só são excluídas do que se propõe como desenvolvimento, como também capitalizam os ônus decorrentes.

O Talk Show da FCP teve como moderadora a coordenadora municipal de Igualdade Racial em Guarulhos (SP) e especialista na implementação da Declaração e Programa de Ação de Durban, Edna Roland. Como demais convidados, participaram o professor Robert Bullard, da Texas Southern University Houston (EUA); Tânia Pacheco, da Fiocruz; Maria Rosalina dos Santos, vereadora quilombola do Piauí; babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP; e Bruno Pinheiro, da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – Rejuma.

Por Jacqueline Freitas
Com colaboração de Daniel Brasil

http://www.palmares.gov.br

O que é mesmo a capoeira?

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: TEORIA DE ENSINO E ATIVIDADES PRÁTICAS

Prezados Amigos,

Venho convidá-los a participarem do lançamento do meu livro, CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: TEORIA DE ENSINO E ATIVIDADES PRÁTICAS, será dia 20 de abril à partir das 19h30 no Colégio Ônis que fica na Rua: André Vidal de Negreiros, 36 – Ponta da Praia/Santos. Espero por você lá!

Att.

Kaled

 

Itabira: Capoeira como inclusão social

Grupo Vadeia lança Projeto Boas Práticas, que visa fazer do esporte uma ferramenta de contribuição para o ensino

Transformar a capoeira em uma ferramenta de inclusão social. É esse o objetivo do Projeto Boas Práticas, lançado pelo Grupo Vadeia, de Itabira, nessa quinta-feira, 13 de outubro. Um aulão, na Associação do bairro Vila Santa Rosa deu início ao programa, que reúne mais de 150 alunos.

O projeto é desenvolvido nas associações dos bairros Vila Santa Rosa, São Marcos, Fênix e Abóboras, no Clube Atlético Itabirano (CAI) e na escola municipal Didi Andrade. O “Boas Práticas” conta com o apoio do Juizado da Infância e Juventude e do Grupamento de Operações Escolares (GOE), da Polícia Militar. As aulas são gratuitas para alunos matriculados na escola.

Na aula inaugural, houve a distribuição de livros didáticos para os alunos, com enfoque na educação no trânsito, que contém orientações sobre como pedestre e motorista devem proceder.

De acordo com os idealizadores do projeto, o professor Marcelo Cecel e os graduados Jerferson e Índio, o objetivo é utilizar a capoeira como ferramenta de inclusão social, trazendo para os núcleos do projeto temas sociais que possam capacitar os alunos para que possam ser multiplicadores dentro das comunidades, escolas, famílias, igreja e grupos de amigos.

O evento contou com a presença da representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Danúzia, além do integrante do GOE, policial Tássi. “Eu apoio incondicionalmente, pois acredito que o futuro será melhor para as crianças se tornarem-se jovens comprometidos com o bem”, declarou o comandante.

Leonardo de Cássia, graduado na capoeira e integrante do juizado, informou que apontará outros temas para que possam ser levados aos alunos. “Hoje foi sobre educação no trânsito, amanhã pode ser sobre drogas, prostituição, religião, dentre outros”, comenta. O coordenador Edinho Karatê acredita que a idéia é muito boa, pois alia conhecimento a experiência auxiliar os alunos.

 

Fonte: http://www.defatoonline.com.br

Menina quem foi sua mestra

Menina quem foi sua mestra: O evento tem como finalidade reunir mulheres (e homens!) capoeiristas e mulheres não capoeiristas para debater não apenas as questões relacionadas as violências contras as mulheres (física, moral, psicológica, patrimonial, etc) mas também colaborar na defes e divulgação da Lei Maria da Penha. buscamos atuar na construção de redes de prevenção e enfrentamento a este fenômeno inaceitável, inserindo aqui também a luta contra a exploração sexual de meninas e mulheres e contra o turismo sexual que alimenta o tráfico de mulheres. Neste caso, especialmente, a capoeira pode dar uma importante colaboração, e em nível mundial, não apenas problematizando a apreensão, as percepções sobre o corpo em diferentes contextos culturais e políticos, mas também cumprindo importantes papeis sociais na promoção de sociedades mais justas, com liberdade e eqüidade.

Também é um evento que busca chamar a atenção para a necessidade das mulheres, capoeiristas e não capoeiristas, atuarem politicamente, pensando inclusive os espaços de poder e decisões.

Estas ações estão presentes no Plano Nacional de Política para as Mulheres e, juntas, podem promover a formação de novas gerações de capoieiristas em condições de repudiarem o racismo, o sexismo  e a homofobia/lesbofobia.

Plano Nacional de Políticas para as Mulheres/PNPM, focando:

1. formação para o enfrentamento à todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo àquelas que dificultam seu aprendizado e promoção nos espaços da capoeiragem (eixo 4 do PNPL);
2. formação para a participação das mulheres nos epaços de poder e decisão (eixo 5 do PNPM)
3. formação para o enfrentamento ao racismo, sexismo e lesbofobia (eixo 9 do PNPM))

Assim, é preciso entender a capoeira como um espaço politico com potencial de transformações muito grande. E é por isto mesmo que também torna-se necessário, como capoeiristas, sabermos decodificar na propria capoiragem a reprodução destas práticas de subordinação, para desmascará-las, e enfrentá-las, e seguirmos contruindo uma capoeira mais plural e em condições de valorizar as diferenças como entendimento necessário à promoção dos Direitos Humanos e da justiça social.

Do ponto de vista da capoeira é necessário também debater as importantes construções que as mulheres trazem,  pensando que este novo cenário, plural, implica  também em mudanças significativas para eliminar – simbolica e concretamente – valores e práticas de violência, percebendo que estes é que não são socialmente aceitas.

Queremos ver a capoeira dentro de um contexto social mais amplo como também entender como este contexto social mais amplo atua na reprodução das suas forças ideológicas também dentro da capoeira. Aqui, a Pequena Roda e a Grande Roda se fundem permanentemente, impondo a permanência numa cadeia de transmissão de conhecimento que se fez sobrevivente exatente por estar atrelada à defesa da vida e da liberdade humana.

Ninguém se faz capoeirista por contemplação. Nossas práticas são traduzidas pelas falas com as quais nos posicionamos no mundo.

A mulher na capoeira será sempre uma mulher! Dentro da capoeira ela vivencia esta experiência histórica de ser mulher, aprendendo inclusive que ali existem dispositivos que atuam contra ela, e de diversas formas.

Menina quem foi sua mestra se propõe a debater esta “sujeita” coletiva chamada mulher capoeirista, aponatando aqui a necessidade de reconhecermos os lugares ocupados por outras mulheres em nossa formação, sendo estas também as nossas mestras do cotidiano.

Para tal, alem das mestras Janja e Paulinha ( e do mestre Poloca!), do Grupo Nzinga de Capoeira Angola, e das prestimosas  parcerias com o Mandinga de Mulher – Coletivo de Capoeiristas e da Fundação Pierre Verger (Ponto de Cultural/Minc), contaremos com algumas importantes convidadas, realizando oficinas de movimentos, cantos e toques, palestras, rodas de conversa e de capoeira:

  • Mestra Cristina (Rio de Janeiro)
  • Mestra Elma (Santa Catarina)
  • Mestra Brisa (Salvador)
  • Treinel Manô (São Paulo)
  • Sonia Santos (Rio de Janeiro)
  • Nane Pequeno (Salvador).
  • Cristine Zonzom (Salvador)
  • Francineide Marques (Salvador)
  • Ligia Vilas Boas (Salvador)

As inscrições são limitadas e as pessoas interessadas podem entrar em contato através dos seguintes contatos:

(71) 9999-9230 | E-mail: meninaquemfoisuamestra@gmail.com

Capoeira: A Fábrica de Neurotransmissores

Atividades prazerosas com a arte capoeira otimizam o bem estar, a alegria e o mais importante: viciam!

Diversos estudos e comprovações científicas (e porque não também empíricas; ou seja; baseada na prática e na vivência) em relação aos benefícios das práticas corporais e atividades físicas planejadas apontam para a necessidade de tal estilo de vida para as pessoas ou ao menos um esforço para cumprir a meta de 30 minutos de exercícios ininterruptos 03 ou 04 vezes por semana. Ainda neste sentido, a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que para a pessoa não se caracterizar sedentária, ela deve dar no mínimo 10.000 passos diários. Então, adquira um pedômetro (aparelho que monitora distância e passos) e veja se consegue atingir tal marca. Imaginando o estilo de vida das pessoas atualmente, em principal nas grandes metrópoles, esta resposta nem precisaria de aferição. Seria NÃO. Levando-se em consideração as tecnologias advindas do capitalismo (Karl Marx já previa isto há tempos) e a escassez de tempo das pessoas.

Estranho é que mesmo com tanto incentivo e informação, um número significativo de pessoas, ou seja, uma parcela enorme da sociedade, ainda não se deu conta da tamanha necessidade de em se realizar atividades físicas planejadas e levão um padrão de vida parcialmente ou totalmente sedentário. Parcial, pois existem os “boleiros por uma noite” que justificam o seu sedentarismo relatando jogar aquele futebol uma vez por semana com os colegas. Dois tempos de 20 minutos, a maior parte do tempo fatigado (cansado) e ainda correndo um risco enorme de uma lesão muscular ou ainda de uma parada cardíaca súbita (o que não é raro de se ver nas famosas quadras society espalhadas pelo mundo) e depois do jogo muita carne vermelha, álcool e cigarro. Será que isto não é ser sedentário? E os totalmente imóveis, que até para comer não saem do carro. Preferem as longas filas onde se pede a “refeição” (no geral lanches e refrigerantes) e come-se ali mesmo olhando o pára-brisa do automóvel. Estes possuem uma rotina diária que alterna carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama. Leia novamente com calma: carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama e agora pense se não funciona assim mesmo! E no dia seguinte a mesma rotina e os mesmos problemas causados pelo stress da vida agitada, má alimentação, hipocinética (ausência de movimentos) e escassez de lazer e recreação.

Vamos ser realistas aqui, certamente que houve um aumento de praticantes regulares de atividades físicas planejadas e periódicas. Hoje, os parques e as praças estão sendo mais freqüentadas, as academias ganham a cada dia mais adeptos, as praias estão repletas de pessoas realizando algum tipo de exercício físico e mesmo as ruas estão sendo usadas e adaptadas para práticas corporais como caminhadas, corridas, ciclismo ou qualquer outra prática que movimente o corpo. Mas se fossemos dimensionar isto, certamente a parcela de acomodados e sedentários seria muito, mas muito maior em ralação aos ativos.

Todos nós sabemos que o tempo hoje em dia é um vilão para muitas pessoas. Jornadas incansáveis de trabalho, o trânsito das grandes metrópoles, as responsabilidades financeiras e sociais e o apego fiel a moderna “caixinha” ou “caixona” que liga o cidadão ao mundo; a TV. E agora outro sonho de consumo que está cada dia menor (em tamanho) e maior (em vendas); os PC´s; sedutores e altamente envolventes!

Incrível como se ouve por ai as mil e uma desculpas para não se iniciar um programa de exercícios ou até mesmo um encontro com amigos para uma simples caminhada.                 Prorroga-se ao máximo aquela matricula na academia, o compromisso de estar três ou quatro vezes por semana no parque para caminhar e quando se vai empurrando isto literalmente com a barriga, que certamente a esta altura já deve estar bem grande, espera-se o primeiro dia do ano para dizer: a partir do ano que vêm em janeiro, começarei a me cuidar. E de janeiro passa para fevereiro e daí para março e por ai vai até aguardar pelo próximo ano. Certamente, estas pessoas ainda não sentiram na pele (e na mente) a agradável sensação de bem estar, conforto e alegria proporcionados por uma boa aula de caráter aeróbio ou uma sessão de trabalhos com pesos.

Pós-exercício, o corpo tende a liberar diversos neurotransmissores que ativam a produção de hormônios destacando entre esses a beta endorfina, a serotonina, a noradrenalina e a dopamina que proporcionam diversas sensações ligadas ao prazer, alegria e bem estar corporal. É comum também, em conseqüência ao programa de exercícios realizados, a melhora do descansar, do repouso e do sono. O corpo busca por um equilíbrio maior, regulando diversas funções enquanto nos encontramos em estado de metabolismo basal, ou seja, em sono profundo.

Outro fator importante que observamos quando se adere às práticas de exercícios físicos dirigidos é a atenção voltada para a alimentação. A pessoa passa a se preocupar mais em se alimentar de maneira adequada eliminado alguns exageros e prestando a atenção ao que ingere pré treino, pós treino e também no decorrer do dia. Só não se pode neste momento achar que após uma sessão de exercícios, pode-se ingerir aquele pedaço recheado de bolo ou aquele lanche com muitas calorias só porque acabou de malhar. Mero engano. Se a pessoa gastou 500 calorias em sua sessão de exercícios e logo após ingere 700 ou 800 calorias entra em saldo positivo. Positivo! Que bom não é? Não! Saldo positivo de calorias; e conseqüentemente de tecido adiposo, ou seja: gordura visceral e também subcutânea. Se ingerir mais calorias do que se gasta, é esta a conseqüência: aumento na balança. Mas não de massa muscular magra, mas sim de gordura; a vilã. Mas será que é mesmo tão vilã assim?

Certamente não, a gordura tem função primordial no organismo. Além de fornecer energia (calorias/combustível) para as práticas rotineiras, ela também tem função termo regulatória e de transporte de nutrientes em especial de vitaminas. Desempenha também papel primordial quanto à produção hormonal e todos os seres humanos dependem dela sim. Só que de maneira balanceada. Ao contrário, ela pode se transformar em sobrepeso ou ainda obesidade mórbida o que não é raro de se ver hoje em dia. Aliás, é bem comum. São as pessoas que já encontram dificuldade de mobilidade/locomoção e os órgãos internos já se encontram com o funcionamento prejudicado em decorrência de tanta gordura corporal (visceral e subcutânea). Aí que entram as famosas cirurgias para redução estomacal, lipoaspirações e demais técnicas incisivas de controle de peso. Em muitos destes casos a questão está ligada com problemas de produção hormonal e fogem um pouco do controle das próprias pessoas. Eu disse um pouco porque muitos demoram a fazer um diagnóstico médico e assim estabilizar esta questão com medicações específicas, a realização de uma dieta balanceada sem excessos e o início a um programa de exercícios dirigidos.

Trabalhar com práticas corporais com esta população (obesos/obesos mórbidos) requer muito conhecimento, em razão da falta de condicionamento físico, a dificuldade de mobilidade, a debilidade de certos órgãos vitais e a sobrecarga nas articulações, tendões e ossos ocasionada pelo grande volume de massa corporal. Qualquer erro na prescrição de exercícios pode levar a lesões e assim prejudicar ainda mais o paciente/aluno. O certo é que esteja bem ou mal diante da balança, não se pode vacilar.

O lance é realizar um “auto-investimento” e aderir o mais rápido possível á um programa de exercícios físicos. Leia novamente. Um programa de exercícios físicos, planejado e periódico e não qualquer atividade física única, solta e solitária. Algo que conte com certo planejamento realizado por um profissional da área médica que tenha continuidade. Falaremos desta tal “continuidade” à frente!

Este investimento certamente trará inúmeros retornos positivos como bem-estar e também a sobrevida. Quem não quer ganhar alguns anos a mais hein?

Uma dificuldade que as pessoas geralmente encontram ao começar um plano de exercícios é a falta de vontade em realizar este programa. Certamente, se a pessoa vai forçada, ela irá desistir. Se não sente prazer em levantar pesos, irá parar. Se não gosta de esteiras e bicicletas ergométricas, também irá parar. Se não curte as aulas de caráter aeróbio incrementadas com ritmos alucinantes, não seguirá. Veja, são inúmeras opções e cabe a pessoa encontrar o que gosta e o que sente prazer em realizar. Se não gosta de pesos, encontre alternativa trabalhando com o próprio peso do corpo. Se não gosta de correr em esteiras, procure um local ao ar livre como opção.

A este ponto o leitor deve estar se perguntando: O que este texto faz em um site específico de capoeira. Resposta: esta modalidade é uma fantástica opção para as pessoas que encontram dificuldade em dar seqüência a um plano de exercícios (a tal continuidade). A capoeira envolve ludicidade com esporte, ritmo com malhação e o mais importante: é periódica; tem seqüência. Os treinos ocorrem três ou quatro vezes por semana com duração de uma hora á uma hora e meia (para os menos empolgados) e traz consigo aquela disciplina que as pessoas na verdade querem de um programa de exercícios. Vejo pessoas que furavam treinos em sala de musculação semanalmente e que após iniciarem as aulas de capoeira mudaram radicalmente de conduta, com poucas faltas e maior compromisso de presença nas aulas. Lógico que isto não funciona a todos. Nem caberiam todos em nossas salas de treino Há pessoas que preferem trabalhos de musculação, outras lutas, outras aulas predominantemente aeróbias com acompanhamento musical. Mas o segredo é encontrar algo que a pessoa goste; que sinta falta e que tenha continuidade. A continuidade e o prazer na realização é fundamental para um programa de exercícios entrarem no hábito da pessoa. Se a desistência ocorrer logo nas primeiras sessões, certamente esta pessoa terá dificuldade em tentar novamente.

Atualmente, já presenciamos que alguns métodos de treinamento, em especial, ginásticas ritmadas com coreografias, se baseiam em alguns movimentos das lutas para comporem um sistema de exercícios aeróbios de alta intensidade. Com a capoeira não foi diferente. Seus movimentos, em especial os mais básicos, como a ginga e algumas variações de chutes e esquivas mais simples já estão sendo utilizadas em programas de aulas padronizados por empresas de fitness. O que pode mobilizar o praticante a buscar mais afundo os exercícios e movimentos da arte capoeira por uma questão lógica de curiosidade, encanto ou porque simplesmente funciona bem no processo de supercompensação (adaptação do organismo aos treinos).

Para os “capoeiras” mais tradicionais, ver alguns de nossos movimentos inclusos em  aulas que  nada tem a ver com um curso de capoeira é extremamente perturbador. Sinceramente não vejo problemas, pois isto de certa maneira divulga a nossa arte e pode despertar o interesse das pessoas para praticar a modalidade na sua íntegra com todos os fundamentos e tradições que encantam e envolvem as aulas de capoeira. Quem não viveu muitos anos envolvido com a capoeira e não esteve ali dentro no círculo mágico (na roda) nunca conseguirá conduzir uma aula rica e fundamentada. Então estes métodos de ginástica geral ajudam o nosso “marketing”.

Voltando aos treinos e seqüências nos treinamentos, se há disposição e certo tempo hábil, o ideal seria mesclar algumas modalidades para se obter uma resposta mais efetiva ainda. Uma ótima combinação; planejada e dividida ao longo da semana envolveria, por exemplo, trabalhos com pesos na sala de musculação, aulas periódicas de capoeira e trabalhos de natação e hidroginástica na piscina. Tudo isto voltado para cada indivíduo com treinamentos divididos e separados para não haver sobrecarga no trabalho corporal. Esta “meia verdade” de que “quanto mais melhor” nas práticas do corpo pode levar o indivíduo a exaustão com aulas de longa duração, excessos de pesos, distúrbios psicológicos como a vontade de realizar diversas modalidades no mesmo dia e tudo ao mesmo tempo (pasmem; há pessoas que passam incríveis 04 horas dentro de uma academia por dia!), o que atrapalha em muito a resposta dos exercícios ocorrendo efeito inverso em relação aos benefícios que as práticas corporais podem proporcionar. É onde entra a opinião do profissional para orientar e auxiliar o indivíduo a achar algo prazeroso e contundente para a sua saúde. E com todo este movimento pró-exercícios e qualidade de vida, a capoeira tem lugar em destaque. Basta o profissional que lida com esta modalidade atentar para os seus benefícios e oportunizá-la afinal capoeira meu camarada é tudo que a boca come! Salve.

Ricardo Augusto da Costa – Beija-Flor

Jornalista, Professor de Educação Física e Colunista do Portal Capoeira

Blog: bfcapoeira.vilabol.com.br

e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com

Esportivização de Práticas Corporais

Hoje ainda vivemos numa sociedade capitalista onde a população é dividida em classes sociais. Elas lutam por seus interesses buscando seus objetivos

O objetivo da classe trabalhadora, das camadas populares, tem origens históricas e uma conotação pela sobrevivência, ou seja, pelo direito ao emprego, ao salário, alimentação, habitação, saúde, educação, etc. São objetivos de condições  básicas  de   vida.

A classe proprietária tem como objetivo o de acumular riqueza, ampliar a margem de lucro, o patrimônio e de garantir sua posição privilegiada através do domínio do poder, estabelecida por uma ideologia dominante conquistada pela exploração. Não abre mão de seus interesses e nem pretende transformar a sociedade para uma mais justa onde todos tenham um tratamento digno de vida.

 

 

O domínio da classe proprietária é estabelecido por sua ideologia que nada mais é uma forma de alienação social que tem uma razão de pensar impondo seus interesses, seus valores, sua ética e sua moral a todos os indivíduos, desrespeitando as diversas culturas, os percursos históricos de cada etnia e suas posições sociais que se encontram. Nas escolas, nas universidades e toda a mídia faz a transmissão desta ideologia onde todos passam a assimilar esta consciência dominante e, o pior, a reproduzi-la.

 

 

Hoje, a razão estabelecida por esta ideologia dominante é apenas de ter lucro, de ampliar o lucro, que está à cima das questões básicas de sobrevivência onde todos, independentes de classe social, se comportam numa ótica individual soterrando o coletivo, o espírito comunitário, o próprio equilíbrio da natureza.

 

 

Desta forma, tudo que possa render lucro é absorvido neste sistema se transformando em mercadoria, em negócio, mesmo que tenha que se distanciar dos objetivos históricos, sociais e culturais que a gerou. Não escapa nada até mesmo o nosso corpo, nossa alma e nossas raízes.

 

 

O esporte que encontramos hoje tem uma conotação muito forte com o lucro, com o rendimento, para se sustentar na lei do comércio. Sua sustentabilidade esta diretamente relacionada com a amplitude do seu consumo.

 

 

Este processo que se encontra o esporte vem de uma concepção de uma prática corporal ocidental, traduzindo uma expressão de máxima produtividade mecânica do corpo incitada pela mente que está separada deste corpo, atendendo as regras de rendimento.

 

 

A partir desta ótica, as práticas corporais de outras culturas quando surge na sociedade tende a adecuar-se as regras de rendimento para sobreviverem no comércio das modalidades corporais, ou seja, a esportivização.

 

 

A esportivização de práticas corporais de outras culturas molda seus movimentos dando um caráter competitivo, mecanicista, distanciando-se de suas origens e de seus objetivos sócio-culturais.

 

 

É claro que tem outras maneiras de se fazer o esporte como por exemplo o esporte participativo, o educacional, tão bem colocado pelo professor Manoel José Gomes Tubino, em seu livro – Dimensões Sociais do Esporte; mas o que predomina na sociedade é o esporte de rendimento mesmo fora de seu contexto. Mesmo assim não se pode transformar qualquer prática corporal seja qual for o esporte desejado, pois se corre o risco de despoja-las de seus significados culturais.

 

 

O movimento do corpo nada mais é uma expressão com gestos, com ritmos, de sentimentos, de adornos e cores que significam a cultura e visão de mundo de cada povo construído ao longo do percurso histórico de cada um. Com muita certeza as práticas corporais da cultura ocidental são bem diferentes da cultura oriental, da africana, da indígena, etc. Todas elas têm sua importância pois traduzem visões de mundo diferentes com seus saberes e que estão presentes na composição da sociedade. Devem ser respeitadas porque formam a identidade de cada nação.

 

 

Um grande exemplo é a capoeira que já faz parte do currículo do curso de Educação Física. Mas quais capoeiras estão transmitindo nas Universidades ? A capoeira de Federação que almeja as Olimpíadas ? Ou a capoeira de academias que já mesclaram com outros fundamentos de artes marciais ? Ou a capoeira com a sua linguagem de resistência histórica que faz parte de uma totalidade cultural africana ?

 

 

Segundo Muniz Sodré “… a capoeira define-se como um jogo. Este termo não designa aqui simples distração, mas um conjunto ritualístico de procedimentos, voltados tanto para o combate contra um adversário como para a expressão do júbilo corporal, dentro do quadro histórico e mítico da etnia dita negro-brasileira, cujos valores são também ditos de tradição. Para o homem de tradição, ser não significa simplesmente viver, mas pertencer a uma totalidade, que é o grupo. Cada ser singular perfaz o seu processo de individualização em função dessa pluralidade instituída (o grupo), onde se assentam as bases de sustentação da vida psíquica individual”.

 

 

A capoeira faz parte de uma cultura africana onde o mundo visível (aiye) está entrelaçado com o mundo invisível (Orum) e que tramitam os ancestrais, as forças da natureza representadas pelos Orixás, compondo assim uma visão de mundo diferenciado que faz parte do sistema universal, no qual seu saber é muito transmitido pela  corporalidade.

 

 

A corporalidade faz parte da comunicação oral pois abrange varias formas de transmitir o saber. Marco Aurélio Luz descreve que : “dessas formas de comunicação, destaca-se a dramatização, que se compõe de diversos outros sistemas simbólicos que se combinam entre si, tais como  um sistema gestual que se exprime nas invocações, nas danças, cumprimentos, etc., num sistema musical polirítmico, composto também nos cânticos, KORIN, e dos poemas de louvação, ORIKI, dos sistemas de cores, do vestuário, das jóias e emblemas, das esculturas, etc., etc”.

 

 

A capoeira está concebida dentro desta cultura afro-brasileira. Sua construção vem destas raízes que estão presentes na alma do povo brasileiro. É preciso preservar a cultura popular porque ela traduz a vida, formada com o povo e com ele aprender seu sentido temporal, ajustado às várias etapas históricas do nosso caminhar.

 

 

Adulterar práticas corporais, com suas culturas, adequando por  forças externas, estranhas às suas origens e alheias às condições históricas que ajustam permanentemente sua expressão, significa soterrar nossas raízes.

 

 

Cláudio Accurso nos alerta para o risco destas adulterações: “É simplesmente, o de perda da identidade nacional, caminho inevitável à subordinação e ao desaparecimento da personalidade de um povo. Adulterar uma cultura com tudo que tem de tradição e forma de ser de uma coletividade significa nada mais nada menos que arrancar-lhe a memória. Quem perde a memória perde a capacidade de julgar conveniências; perde, portanto, a faculdade de estabelecer propostas que consultem seus interesses. Perder a memória é aceitar tutelas e suas conseqüências”.

 

 

Assim entendemos que existem várias práticas corporais e que deve ser respeitadas suas origens e seus significados. Não admitimos uma cultura dominante e que todas devam estar sob sua tutela, atendendo um sistema que visa apenas o lucro e convive com a exclusão social.

 

 

Referência Bibliográfica

  • Accurso, Anselmo da Silva. Capoeira: Um Instrumento de Educação Popular. Edição
    Independente. Porto Alegre, 1995.
  • Coletivo de Autores. Metodologia do Ensino de Educação Física. Cortez. São Paulo, 1992
  • Brandão, Carlos Rodrigues. O que é Educação. Brasiliense. São Paulo 1985.
  • Freire, Paulo. Educação e Mudança. Paz e terra. São Paulo, 1988.
  • Luz, Marco Aurélio. Agadá – Dinâmica da Civilização Africano-brasileira. SECNEB- Universidade Federal da Bahia. Salvador, 1995.
  • Rego, Waldeloir. Capoeira Angola – Trabalho Sócio-etnográfico. Itapuã. Salvador, 1985.
  • Santin, Silvino. Educação Física – Outros Caminhos. Ed. Da Escola Superior e Espiritualidade Franciscana . Porto Alegre,1990 .
  • Santin, Silvino. Da Alegria do Lúdico a Opressão do Rendimento. EST – Edições. Porto Alegre, 2001.
  • Sodré, Muniz. Mestre Bimba – Corpo de Mandinga. Manati. Rio de Janeiro 2002.
  • Sodré, Muniz. Capoeira e Identidade (Texto). Esporte com Identidade Cultural – Publicações INDESP. Brasília, 1996.

 

 

Anselmo da silva Accurso, professor de Educação Física, pós-graduado em Educação Popular.

Professor da disciplina de Capoeira da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS- RS,

Professor de Capoeira da Secretária Municipal de Esporte e Lazer – SME – POA/RS.

Professor da Associação Cultural de Capoeira Angola Rabo de Arraia – ACCARA.

Curso de “Capoeira Terapêutica” ou “Psicossomaterapia”

É uma nova modalidade de terapia indicada para todas as idades e condições físicas. Fruto de estudos, observações teóricas e práticas fundamentadas através da Filosofia, Psicologia e resultados excelentes. Nosso método de ensino vem de um longo trabalho, esforço, dedicação, contínua vigilância e superação de nosso próprio sistema, depois de muitos anos de haver dedicado ao ensino da Capoeira, e práticas de terapias afins.
Considerando os benefícios que a capoeira propicia colocamos a sua disposição, um ambiente de tranqüilidade, um novo e fantástico mundo de cultura física, mental e espiritual, cuidadosamente elaborado, por nosso Instituto visando um único objetivo: seu bem estar. Temos um objetivo em comum a Capoeira Terapêutica e, somos motivados pelo desejo de servir, de nossa parte você terá toda a garantia de SUCESSO.
Sozinhos somos ponto de vista. Solidários seremos união. E juntos alcançaremos nossos objetivos. ( RIVAIL, D.H. Léon.)

Capoeira Terapêutica ou Psicossomaterapia.

No Oriente existe o Zen; A Europa desenvolveu a Psicanálise; No Brasil temos o jogo da Capoeira.
(Nestor Capoeira)

É nova modalidade de terapia. Tem suas bases em atividades de Educação Física milenar, na Filosofia: oriental e ocidental, na Psicanálise, na bioenergética e na capoeira. É uma arte associada à terapia que prepara o homem para viver melhor (convivendo pacificamente e buscando a resolução dos seus problemas).Tendo uma atitude positiva perante a vida e se comportando em vista de um objetivo maior, coletivo.Visa a preparação da mente e do corpo de modo que as pessoas adquiram recursos mais adequados para realizar ideais nobres e éticos, desejáveis no meio social.

Desde os povos primitivos passando pela Antigüidade oriental até os dias atuais os exercícios físicos continuam merecendo destaque. No Oriente antigo podemos deduzir uma classificação onde identificamos finalidades de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional, aparecendo sempre a religião como pano de fundo, como todas as realizações orientais.

A civilização Grega marca o inicio de um novo ciclo na história com o aparecimento do mundo civilizado ocidental. A Filosofia pedagógica que determinou os caminhos a serem percorridos pela educação grega tem o grande mérito de conjugar a Educação Física com a intelectual e a espiritual. Postulava, dessa forma, o mais significativo de todos os princípios humanistas, pois o homem somente é humano enquanto completo. Sendo a educação Integral refletida na frase “mente sã em corpo sadio”. Em A República, Platão fala por intermédio de Sócrates a respeito do ideal da educação grega que unia a ginástica à música (esta concebida como cultura espiritual).

Chegando à Idade Média e ao Renascimento, encontramos vários pensadores renascentistas que dedicaram suas reflexões à importância dos exercícios físicos. Da Vinci estudou e escreveu sobre os movimentos dos músculos e articulações, um dos primeiros tratados de biomecânica que o mundo conheceu. Rabelais defende práticas naturais para a educação e, por isto, os jogos e os esportes deviam ser explorados. Montaigne exaltava a importância da atividade esportiva, quando defendia que não só a alma deve ser enrijecida, mas também o corpo. Francis Bacon defendia a execução de exercícios naturais, havendo estudado a manutenção orgânica e o desenvolvimento físico pelo aspecto filosófico.

Rousseau e Locke dedicaram especial atenção aos exercícios físicos. Suas teorias evidenciavam os aspectos benéficos da vida do campo e ao ar livre, com a prática de jogos, esportes e ginástica natural. Influenciado por Rousseau, o educador Pestalozzi orientou a ginástica por parâmetros médicos, objetivando correções de postura. Passando por Denizard H. L. Rivail com a concepção espiritual de homem; chegamos a Freud, que estabelece as bases do funcionamento psíquico criando a psicanálise e formando vários adeptos. Reich foi um destes que optou pôr seguir o seu próprio caminho desenvolvendo nova visão no tratamento dos pacientes descobrindo a energia orgone e a vegetoterapia. Alexander Lowen, discípulo de Reich, baseado nas teorias de seu mestre formula e publica o livro Bioenergética. Roberto Freire descobre a Somaterapia conjugada a Capoeira enquanto meio para lidar com os problemas físicos e psicossociais.

No livro A Alma é o Corpo, R. Freire coloca que: “A palavra Somaterapia surgiu em 1973 para designar o tipo de trabalho que realizava na época”. Discípulo de Wilhelm Reich, já passara a terapeutizar o corpo (Soma, em grego) de seus clientes. “A teoria da Soma deriva das transformações operadas nas descobertas de Freud pelo pensamento crítico de Reich”. Dá como exemplo disso, a obra Análise do Caráter, de Wilhelm Reich, que parte da psicanálise e termina abrindo as portas para a Bioenergética, que se consolida com seu livro A Função do Orgasmo. No campo propriamente psicológico, em última análise, a Soma tem origem no que se convencionou chamar de pesquisas neo-reichianas em Bioenergética, especialmente no trabalho de Alexander Lowen. Por esta razão, R. Freire utiliza o próprio Lowen para realizar a passagem de Freud à Bioenergética, passando por Reich e terminando por explicar como esses caminhos desembocaram na síntese da Soma.

Na obra A Arma é o Corpo, Freire diz ser a Soma uma terapia anarquista, como a criou e desenvolveu. Explica também por que a “Soma está agora associada definitivamente à Capoeira, que provou ser o melhor e o mais completo exercício para a liberação bioenergética, bem como a forma ideal e mais brasileira de levar as pessoas ao necessário enfrentamento interpessoal que possibilite a sua libertação como ser social”. Ao justificar essa associação, Freire lembra que a Capoeira foi, no Brasil, a arma utilizada pelos negros escravos para a libertação. “Neste período de escravização psicológica (neuroses), a juventude brasileira agora pode dispor da Soma – Capoeira, para a sua libertação”. Na fala do prof. Gladson O. Silva, do Centro de Práticas Esportivas da USP: “A Capoeira é um dos trabalhos corporais mais completos que se conhece, pois sua prática envolve o uso de vários grupos musculares, além de melhorar as condições cardiorrespiratórias e os reflexos”. Em decorrência temos hoje a Capoeira Terapêutica, ou seja: a Psicossomaterapia.

 

 

Inscrições abertas

Início dia 13/05/2008.
Horário: das 19:30 as 21:00, terças e quintas. Ou aos sábados das 15:30 as 17:30.
Local: INCORE (Instituto de Convivência Renovação).
Rua Marechal Hermes da Fonseca, 60 – Vila Carvalho – Sorocaba.
Tel: 3233-6355 hor. Comercial ou 9726-7016.

Cuide do Corpo e da Mente – Numa combinação única de exercícios físicos e mentais que integram: Saúde, Qualidade de Vida e auto-conhecimento.

Maria de Lourdes P. Santos. CREFITO; 3/8587-TO
Eduardo A. Santos. CREF: 9458 –T/SP, pedagogo, pós-graduado em psicologia pela USP e mestre de capoeira.

Rio Grande do Sul: Capoeira foi tema do Patrulha Ambiental Mirim

Integrando as atividades do projeto, as ações do Patrulha Ambiental Mirim foram desenvolvidas na tarde de ontem com idosos e crianças. Eles receberam noções teóricas e práticas sobre capoeira da equipe da Associação de Capoeira Zumbi dos Palmares.

Os participantes aprenderam sobre a capoeira, a música e os instrumentos – berimbau, pandeiro, agogô, atabaque – bem como sobre a cultura geral. As atividades envolveram palestras, jogos, aulas práticas e teóricas de integração de grupo e fabricação de berimbaus.

O coordenador da Associação de Capoeira, Cláudio Pereira Oliveira, conhecido como Mestre Saci, disse que trabalha há 10 anos com projetos ligados à capoeira. O Mestre desenvolve também o Projeto Capoeira em Cena, com crianças do Bairro Getúlio Vargas objetivando a integração social, melhorando a auto estima dos pequenos.


A capoeira é um esporte que trabalha corpo e mente.

"Os praticantes aprendem a controlar o próprio corpo", diz o mestre Saci. "A idéia de realizar o projeto surgiu da necessidade de preservar a cultura da capoeira no Brasil que estava sendo deixada de lado", explica ele. É a primeira vez que o Mestre participa do Patrulha Ambiental Mirim e considera uma "experiência maravilhosa mostrar para esses idosos e acrianças o que é a capoeira de verdade", finaliza.

O Projeto Patrulha Ambiental Mirim é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) e tem a colaboração da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), através do Programa Municipal de Apoio ao Idoso. As atividades são desenvolvidas todas segundas e sextas-feiras, na rua Maria Araújo, 470, no Cassino.

Fonte: http://www.jornalagora.com.br

Lançamento da segunda edição do Prêmio Cultura Viva

“Mobilização do sentimento, da imaginação, da compreensão da nossa relação com o mundo, os outros e a natureza, prazer estético, reconhecimento social e econômico: esses são os benefícios da cultura e da arte a que temos pleno direito. A cultura é viva, porque multiplica os espaços e as chances de cada indivíduo. Oportunidades de voz, de comunicação e de vida. Cultura Viva.”
 
Gilberto Gil, Ministro da Cultura
Prêmio Cultura Viva terá evento de lançamento na capital gaúcha no dia 18 de abril, às 19h, no Santander Cultural
 
O Prêmio Cultura Viva, idealizado pelo Ministério da Cultura (MinC), com patrocínio da Petrobras e coordenação técnica do Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, terá o evento de lançamento da segunda edição no dia 18 de abril, às 19h, num edifício histórico totalmente restaurado na capital gaúcha. O Santander Cultural, do Santander Banespa,  localizado no centro de Porto Alegre, RS, é parceiro e cenário desse evento, que conta também com o apoio do Canal Futura.
 
 
O que é? 
 
O Prêmio Cultura Viva é uma das ações do “Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva”, que tem como objetivo estimular e dar visibilidade a iniciativas culturais que ocorrem em todo o território brasileiro.
 
A segunda edição do Prêmio Cultura Viva busca mobilizar e dar visibilidade a iniciativas que atuam na articulação entre os campos da  cultura, da educação e da comunidade, por meio de práticas culturais e educativas desenvolvidas na e com a participação da comunidade.
 
Esta nova edição é dirigida a iniciativas que desenvolvam práticas culturais e educativas nas áreas do patrimônio cultural, da comunicação cultural e das artes, que compreende as linguagens artísticas: artes cênicas, audiovisual, artes visuais, artes musicais  e
artes da palavra (literatura, cordel, lendas, mitos, dramaturgia e contação de histórias).
 
Essas iniciativas poderão ser inscritas pelos seguintes públicos:
 
• Escolas Públicas de Ensino Médio
• Fundações e Instituições Empresariais
• Gestores Públicos
• Grupos Informais.
• Organizações da Sociedade Civil sem fins lucrativos
• Pontos de Cultura
 
Os números
 
• 38 dias para inscrever as iniciativas de todo o país. O período de inscrições terá início às 21 horas do dia 18 de abril e se estenderá até às 18 horas do dia 25 de maio de 2007 (horários de Brasília).
 
• 2 são as formas de se inscrever:
 
Inscrição por ficha em papel
 
O Regulamento e a ficha de inscrição estarão disponíveis para retirada nos Pontos de Cultura e nas representações regionais do Ministério da Cultura e deverão seguir as orientações contidas no Regulamento e ser encaminhadas, preferencialmente, por SEDEX com aviso de recebimento, ao endereço:
 
CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
2ª edição do Prêmio Cultura Viva
Rua Dante Carraro, 68
São Paulo – SP
CEP: 05422-060
 
Inscrição via Internet:
 
A ficha de inscrição e Regulamento também estarão disponíveis no site do Prêmio Cultura Viva – www.premioculturaviva.org.br.
 
Todas as inscrições são gratuitas.
E os prêmios?
 
• As 18 (dezoito) iniciativas premiadas, sendo 3 (três) em cada categoria, receberão um troféu e os seguintes prêmios em dinheiro:
 
1º lugar = R$ 30.000,00
2º lugar = R$ 20.000,00
3º lugar = R$ 10.000,00
 
• As 120 iniciativas melhor avaliadas receberão o “Selo Prêmio Cultura Viva”, representativo de cada etapa do processo seletivo. Um representante de cada uma dessas iniciativas será convidado para participar de atividades realizadas durante o Encontro Nacional de Cultura, Educação e Cidadania/Teia 2007, promovido pelo Ministério da Cultura, com o patrocínio da Petrobras.
 
Integrando ações
Buscando aproximar-se de outras ações do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, a segunda edição do Prêmio Cultura Viva incorporou a Ação Escola Viva. As 200 (duzentas) melhores práticas culturais e educativas desenvolvidas pelos Pontos de Cultura, Pontões, Redes de Pontos ou organizações vinculadas às Redes, identificadas pelo processo seletivo da 2ª edição do Prêmio Cultura Viva participarão automaticamente do Prêmio Escola Viva, conforme edital que será publicado no Diário Oficial da União pelo MinC.
 
Qual o significado do Prêmio Cultura Viva?
Na primeira edição do Prêmio Cultura Viva foram 1.532 iniciativas vindas dos quatro cantos do país. Por meio de um processo seletivo dividido em quatro etapas, e que contou com a participação de cerca de 130 avaliadores, foram analisadas iniciativas de grupos informais e de organizações legalmente constituídas que atuam com o envolvimento e a mobilização das comunidades, na transmissão e atualização de práticas culturais tradicionais, promovendo o empoderamento e o protagonismo local.
 
Sobre o Prêmio, o coordenador do Grupo Teatro da Laje, do Rio de Janeiro, Antonio Veríssimo dos Santos Júnior, selecionado na primeira edição, comentou: “este foi nosso primeiro prêmio e foi recebido com grande euforia pelos integrantes, pois significou um passo decisivo para a consolidação do grupo. Conseguimos tirar o grupo da informalidade e hoje somos uma Associação Cultural sem fins lucrativos. Podemos nos inscrever em programas e editais, como o Programa Petrobras Cultural, no qual nos inscrevemos e cujo resultado deverá sair em junho”. 
 
“Significou também um esforço positivo do MinC no sentido de dar visibilidade à produção cultural que padece nas sombras e no anonimato”, avalia o coordenador do Grupo Teatro da Laje.
 
O Fumproarte (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural), um dos mecanismos mais antigos de financiamento público às artes em atividade no Brasil, criado por lei em 1993, nesse ano destinará aos artistas gaúchos uma verba recorde de R$ 2,218 milhões. A iniciativa do Fundo Municipal de Cultura ficou entre as 5 finalistas na primeira edição do Prêmio Cultura Viva. Segundo o gerente do Fumproarte Álvaro Santi: “o prêmio foi muito importante como reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Porto Alegre, que por incrível que pareça não é plenamente conhecido mesmo em Porto Alegre. Foi importante também para uma maior valorização interna. Basta citar que o orçamento do fundo foi aumentado em 70% pelo Município para este ano”.
 
Dúvidas podem ser esclarecidas pela Central de Atendimento ao Público do Prêmio Cultura Viva que funciona de 2ª a 6ª feira, das 9 às 18 horas (horário de Brasília) pelo número 0800-707-9209. Consulte também o site www.premioculturaviva.org.br ou envie e-mail para premioculturaviva@cenpec.org.br
 
Serviço:
Lançamento da segunda edição do Prêmio Cultura Viva
Dia 18 de abril, quarta-feira, às 19h – para convidados
Santander Cultural
Rua Siqueira Campos, 1.125
Centro – Porto Alegre – RS
 
Nessa ocasião será lançada a publicação referente à 1ª edição do Prêmio Cultura Viva e a Ação Escola Viva.
 
Maiores informações para Imprensa
 

Cultura em Ação – Assessoria de Imprensa
Jornalista responsável: Thereza Dantas
fone: 11- 3039-3060 – celular: 11-8317-6850 
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