Blog

presentes

Vendo Artigos etiquetados em: presentes

Aconteceu: 1º evento de Capoeira Corpo e Ginga

O 1º evento de Capoeira Corpo e Ginga aconteceu dia 20 de maio na cidade de São João do Manhuaçu. Vários capoeiristas das cidades de Manhuaçu, Matipó, Divino e de São João do Manhuaçu prestigiaram o evento de entrega e troca de cordas.

O mestre Wederson Zói e os responsáveis pelo evento e pelas aulas na cidade professor Gilberto Apache e graduado Jairinho Dentinho envolveram todos os presentes com grandes saltos acrobáticos, muita ginga e alegria. O maculelê e demais apresentações afoguearam e atraíram olhares de curiosos que conheceram um pouco mais da cultura brasileira.

Estiveram presentes no evento Pastor Edilson Marcos Araújo – presidente do Instituto Educacional Restaurart – grande parceiro da capoeira na cidade e pastor na Igreja Batista Nacional Betel onde acontecem as aulas de capoeira, os apoiadores Simone e Renato também do Restaurart, Chiquinho, Gil e Cleusa, o soldado da PM Cristiano Fonseca.

A organização ainda destacou o apoio dos alunos Marco Aurélio “Esquilo” e Wilson “Tartaruga” pelo apoio no evento e ao trabalho realizado na cidade.

Carlos Henrique Cruz – portalcaparao@gmail.com – Portal Caparaó

Contramestre de capoeira César Bacelar divulga projeto em SMT

Esteve em São Miguel do Tapuio, dia 24 de março, o contramestre de capoeira no Piauí, César Bacelar, que veio convidar alunos da capoeira do município, a participarem da Copa “Miudinho Cordão de Ouro” 2012, que será realizada nos dias 20, 21 e 22 de abril, em Teresina.

Na oportunidade o contramestre ministrou algumas aulas para os alunos da capoeira, no galpão da Unidade Escolar José Carlos Pitombeira de Sousa (CNEC), que foram prestigiadas também pelo jovem Pompílio Filho (Pompilim) e sua comitiva.

No evento, estarão presentes delegações de capoeira de várias cidades. As competições serão realizadas nas categorias, masculino, feminino, infantil, juvenil e adulto e terá como objetivo, integrar, incluir, somar e principalmente motivar ao desporto e a cultura.

 

Fonte: http://180graus.com

São Paulo: Mestre Russo de Caxias – Oficina & Novo CD

Mais uma vez em São Paulo, Mestre Russo de Caxias realizará uma jornada de atividades no 16 de Abril, sábado, das 9:00 às 21:00h. Oficina, mesa redonda, bate papo com os Mestres e roda de confraternização, com destaque para o lançamento do seu novo CD: Tempero da Massa – Musicalidade da Roda Livre de Capoeira de Duque de Caxias. O Evento acontecerá na Universidade de São Paulo (Centro de Páticas Esportivas – CEPEUSP), sob a coordenação do Mestre Gladson e do Professor Vinicius e tem apoio do CEPEUSP, da Projete Liberdade Capoeira e da Bassula Originals. Maiores informações sobre isncrições podem ser consultadas no site www.projeteliberdadecapoeira.com.br
A idéia é reunir amigos numa grande confraternização. Compartilhar conhecimentos, trocar experiências e prestigiar o lançamento do CD do Mestre Russo, que esteve em São Paulo no ano passado, durante a XII Clínica de Capoeira do CEPEUSP, onde ministrou palestras e oficinas, apresentou o seu DVD e foi bastante elogiado pelos presentes.
Jonas Rabelo, o Mestre Russo é o Zelador da Roda de Duque de Caxias – RJ, uma as mais tradicionais rodas de Capoeira de Rua do Brasil e do mundo. Um importante “celeiro” de Bambas, por onde já passaram grandes Mestres da atualidade. A Roda se caracteriza pelo respeita às tradições e Capoeira de muita qualidade. Mestre Russo é um dos grandes responsáveis pela manutenção e preservação da Roda de Caxias, que continua dando frutos, com excelentes capoeira da nova geração.
Após o evento de São Paulo, Mestre Russo parte para a Europa para uma turnê em diversos países onde também mostrará o seu novo CD.

Um novo patrimônio cultural

IPHAN mostra desejo de tombar tradicional festa, que encerrase hoje, na Granja

“Existe o desejo de se criar o grupo de trabalho para reivindicar o PATRIMÔNIO IMATERIAL cultural da Folia de Reis.” Esta foi a conclusão a qual chegou o coordenador-geral da Secretaria de Identidade e Diversidade do MINISTÉRIO DA CULTURA (MinC), Marcelo Manzatti, ao prestigiar o décimo Encontro de Folia de Reis do DF.

Segundo ele, a iniciativa precisará ser difundida entre os participantes do evento. “A maioria dos foliões desconhecem essa política do Instituto do PATRIMÔNIO HISTÓRICO e Artístico Nacional (IPHAN)”, pondera o antropólogo.

É com esse clima de debates calorosos que a 10ª edição do encontro de Folia de Reis do Distrito Federal encerra suas atividades, hoje, na Granja do Torto. Com uma PROGRAMAção que inclui desde oficinas de construção de rabeca – instrumento precursor do violino – até apresentações de duplas caipiras, o encontro incluiu uma roda de prosa onde temas como as políticas públicas para as folias e manifestações agregadas (tradicionais) foram discutidos entre mestres de folia, representantes do MinC, Secretaria de Turismo do DF e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Sobre a proposta de transformar a manifestação em PATRIMÔNIO IMATERIAL, Fred Maia, assessor do MINISTRO da CULTURA, JUCA FERREIRA, acrescenta ainda que um registro como esse custa em média R$ 200 mil. “Esse tipo de afirmação é muito importante para a CULTURA popular e merece uma atenção especial”, reconhece.

Em comparação com a última edição, esse encontro sofreu desfalque considerável pois não pôde contar com o patrocínio esperado para custear o evento e, portanto, contou com recursos reduzidos. “Passamos 20 dias pedindo para os grupos de outros estados para não vir, porque não temos mais estrutura para receber ninguém e faz parte da tradição, como anfitriões, oferecer alimentação e pousada. Escolhemos então só as 20 folias mais expressivas dos dez anos de evento para receber a ajuda de custo de R$ 2 mil”, detalha Volmi Batista, idealizador do encontro.

Com grupos de Minas Gerais, Tocantins, Santa Catarina, Bahia, Goiás e Distrito Federal, o evento reuniu cerca de mil pessoas, entre catireiros, violeiros, religiosos e fãs da CULTURA popular. Do DF e Entorno, estiveram presentes as folias de reis de Brazlândia, Estrela Guia, Minas Brasília, João Timóteo, Saudade do Interior, Reis Pedregal, Unidos na Fé e Reis Cristalina.

Tradição à moda da viola

As melodias arrastadas tiradas das violas capiras se espalham por todos os lados no Encontro Nacional de Folias de Reis do DF. Ora puxadas para o xote nordestino, ora rememorando as toadas gaúchas, o som se mistura às apresentações de catira e aos batuques baixinhos e ritmados típicos do interior.

Grandes nomes como Almir Sater, Pena Branca e Inezita Barroso estiveram presentes em edições anteriores do evento. Este ano, algumas das atrações ficaram por conta de Renato Teixeira e a dupla Zé Mulato e Cassiano, que embalam uma congregação de tradição religiosa. “Existe uma grande confusão no DF sobre o que significa a folia, não se trata só das apresentações no palco e sim da importância das trocas de devoção e tradição”, acredita o organizador, Volmi Batista.

O violeiro e organizador da folia Saudade do Interior de São Sebastião, Sebastião José Borges prestigiou o encontro em todos os seus dez anos. “Eventos como esse são importantes para mostrar aos foliões as diversas origens do credo deles, além de aprender com as folias dos outros estados”, acredita.

Uma das atrações mais importantes da festa são os Três Reis Magos, interpretados há dez anos pelos atores Valterismar Maciel, Junior Lima e Márcio Braga. “Somos devotos e abrimos todas as folias. Buscamos sempre fazer as apresentações com muita fé, buscando seguir as tradições que mesmo não estando presente oficialmente na Bíblia, fazem parte dessa festa”, conta.

Famílias completas, companheiros de fé com terços enrolados nos punhos dançam, cantam e se emocionam com cânticos que relatam a Anunciação, o Nascimento de Jesus e claro, o trajeto dos Reis Magos. Em meio a toda essa cena, muita comida típica é servida. Galinhada, pamonha, acarajé e carne de porco com mandioca são algumas das delícias que os violeiros comem no restaurante rústico instalado no espaço.

Natural de Patos de Minas (MG) o mestre de folia Baltazar José de Souza se emociona ao falar com a reportagem do Jornal de Brasília sobre sua história com a folia. “A gente canta o que vem na mente, o que sente ao ver o presépio. Me arrepio com isso desde os 8 anos”, relata.

Saiba +

Cada folia tem sua “divisa”. É uma espécie de marca registrada que serve para identificar os grupos. A divisa pode ser um lenço colorido, uma toalha e até um broche.

De todas as folias presentes no encontro duas chamaram atenção por serem exclusivamente femininas, a de Goiás e a Coromandel, de Minas Gerais.

Uma segunda edição comemorativa dos dez anos do encontro será realizada no mês de julho. Na mesma época Brasília será sede de um grande Fórum de Cultural Popular, que compreenderá a Folia de Reis.

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 2024-2379
E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br
Acesse: www.cultura.gov.br/sid

João Pessoa sedia Encontro de Capoeira

João Pessoa, PB – Capoeiristas de todo o Brasil estarão presentes neste sábado 25, e domingo 26, em João Pessoa, para o nono Encontro Nacional de Capoeira.

Cerca de 500 praticantes do esporte se inscreveram para o evento que tem como objetivo graduar e observar o desempenho dos atletas além de promover a inclusão de 200 atletas do Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiências, FUNAD.

No primeiro dia da competição, a atração será uma grande roda de rua realizada às 19h30, na Feirinha de Tambaú. Mestres de capoeira de todo o país estarão presentes, como: Hulk, Portes, e Fabinho, todos do Rio de Janeiro, além do paulista Pinatte.

O organizador do Encontro, Márcio Rodrigues, revelou que este é o maior trabalho de inclusão realizado no Brasil, tendo a participação de 200 capoeiristas da FUNAD, alunos das redes municipal e estadual de ensino, como também de universitários e integrantes de academias.

Ele ainda assegurou que portadores de várias deficiências estarão competindo ao lado dos demais alunos. Todos juntos, num clima de descontração, brincadeira e muito respeito.

O evento é organizado pela Associação de Capoeira Terra Firme e conta com o apoio da direção da FUNAD e da Secretaria de Educação do Estado.

A entrada é gratuita.

Fonte: http://www.agoraesportes.com.br

Aconteceu: 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação Dom Bosco

Dia 26 de abril de 2008, ocorreu o aniversário de 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação, no Colégio Dom Bosco em Porto Alegre.

O evento foi organizado pelo Mestrando Paulo Grande, e estiveram presentes seus alunos do colégio Dom Bosco, Maria Auxiliadora, Migrantes, dos projetos sociais Escola Aberta, na Vila Dique e o pessoal do Educandário São Luís, Além de pais e outros convidados. Como Padre Lino da Congregação Salesiana, que prestigiou o evento e ressaltou a importância do trabalho da capoeira na formação e trajetória no desenvolvimento dos alunos no colégio.

Também comemorando 14 anos de capoeira, estiveram presentes os Graduados Cabeleira e Coelho, que começaram com Mestrando Paulo Grande no mês de Abril de 1994 no próprio Dom Bosco.

{youtube}skpaIWdUoVY{/youtube}

A festa foi muito bonita e a empolgante os recém chegados trouxeram alegria e grandes promessas a Capoeira Nação.

Depois de uma roda muito descontraída, a comemoração foi na sala onde são feitos os treinos de capoeira com direito a bolo de aniversário, refrigerantes e muitos sorrisos!

Parabéns ao mestrando Paulo Grande pelo bonito trabalho no colégio Dom Bosco, aos Graduados Cabeleira e Coelho e as crianças que se divertiram e vivenciaram a capoeira!

Axé Nação…

CAPOEIRA EM ARTE, MÚSICA E HISTÓRIA – CAPOEIRAGEM 2007

De 26/11 à 02/12 de dezembro,  no Recreio e Vargem Grande, Rio de Janeiro, acontecerá o CAPOEIRAGEM 2007, evento da A.C.D. Tamanduá Capoeira.

Durante o encontro, que tem como objetivo disseminar a arte e a cultura da capoeira, acontecerão aulões, oficinas de percussão, samba de roda, sequencia de bimba, palestras com historiador e mestres, rodas de capoeira, samba de roda, batizado e troca de corda.

Ilustres capoeiristas estarão presentes no evento: Mestre Zena (GO), Mestre Paraná (RJ), Mestre Jaime de Mar Grande (BA), Mestre Pintor (BH), Mestre Morena (RJ), Mestre Ponciano (SP), Mestre Ciro (BA), Mestre Zé Carlos (SP), entre outros.

Mais informações:

(21) 9819-9733 ou tamanduacapoeira@yahoo.com.br

www tamanduacapoeira.zip.net

Simone Humel
(21) 9819-9733

Aconteceu: RJ – Oficina de Capoeira Angola Grátis

Mestre Jeronimo, de passagem pela Cidade maravilhosa, nos envia artigo sobre a visita ao contra-mestre Caixote (Grupo Muzenza) e ao Mestre Arerê (Quilombo Arerê)

Axé!

Estou de passagem no RJ, e fui convidado para prestigiar mais um evento.
Agradeço ao contramestre Caixote e o mestre Arerê pelo convite.

foto: mestre JC + grupo Muzenza

O evento desta quinta-feira faz parte de uma série de oficinas (grátis!) que o contramestre Caixote, grupo Muzenza, oferece durante toda a semana para acrescentar para a celebração do Batizado e Troca de Cordas do grupo que se realizará dia 2710/07 as 14hs.

O convido especial para a oficina de Capoeira Angola foi o mestre Arerê. O evento contou com a presença de alunos do Quilombo Arerê, da Pro. Darlem Costa, (filha do mestre Derli Ariri – Cidade de Deus), e outros graduados de outros grupos.

A Capoeira do RJ, do Brasil, está de parabéns por mais um evento que VISA acrescentar para a educação do povo, para o povo. A aula do mestre arerê, a Roda, foi um sucesso!

Muito me agradou ver em particular as crianças presentes ter uma aula aonde são direcionados para ter consciência dos deveres e direitos do cidadão, dos fundamentos da Capoera, exaltando a família, e a educação escolar, etc.

O mestre Arerê, com seu carisma “ de carioca” contando estorias da capoeragem do RJ, e outros fatos, fundamento de jogo, etc, o que faz com muita alegria, inspirando a criançada e os presentes a dar rizadas, aprendendo e curtindo ao mesmo tempo.

Durante o evento, mestre Arerê ressaltou entre outras coisas sobre a função dos nomes que são próprios da capoeragem, seus significados, inclusive, da origem do nome do Grupo Muzenza no RJ, que nasceu com o mestre mentirinha que passou para o irmão, mestre paulão, em seguida até chegar ao mestre burguês.

O contramestre caixote está convidando a todos que queiram participar desta celebração do Batizado do Grupo Muzenza.

Quando: dia 25/10/07, na Ciep Tancredo Neves, Rua do Catete, 77.

Informações: c. mestre caixote – Muzenza RJ caixotecapoeira@hotmail.com

Vamos rodar esse jogo pra ‘7 mares’.

Axé!

Mestre Jeronimo Capoeira – ‘Iconoclast JC’
www.myspace.com/mestrejeronimo

Crônica: O MESTRE DE CAPOEIRA

"…a cobra não tem braços,
  não tem pernas, 
  não tem mãos e não tem pés,
  e como ela sobe e não subimos nós…." 1.     
Aquela era uma noite de festas  um tanto profano, um tanto religioso: a antepenúltima noite  das esmolas do Divino. Os presentes em tudo variado: das distâncias;  das idades; dos cabedais. Mestre Benicio buscava  conversas entremeadas de filosofia e misticismo  – para agradar, atrair e alegrar a  todos. Pediram-no para falar da última viagem, da Capoeira  em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro – dos feitos dos Mestres.
 
– “O Mestre de Capoeira antes não dependia das cidades, pós-libertação é necessariamente urbano-periférico. Analfabetos ou pouco letrados, assumem o domínio do povo – dos “capoeira” aos presentes, passando pelos da circunvizinhança. Quase todos vivem num ambiente limitado: numa visão missionária; há os que imprimem viagem mundo afora. Conforto restrito, quase de pobreza material absoluta; de tão absoluta a compensa no seu imaginário pela fama, também absoluta – adquirida num encanto intelectual não se sabe de que origem; mas encanta, cativa, prende os praticantes, como os presentes quaisquer que sejam”.
 
– “A Capoeira não tem fim,  não teve começo. Já mestre – é  a primeira distinção conferida a uma pessoa em reconhecimento
pelo  fazer, ensinar e disciplinar – do plantio  ao cultivo; da caça à pesca; da dança às crenças”. Mestre Benício, professor, cantador e “contador”, negro de família forra, alforriada pelos Castro Alves”, como gostava de dizer. Dizia para enfatizar os valores de ser livre, conversava em zigue-zague, assim atraia a atenção de todos, e a todos satisfazia.
 
Ainda noitinha, frio de maio cortando, vento soprando leve mas constante, fogueira já com labaredas altas ajudando o clarão da lua. O anfitrião despacha mais uma rodada de licores em doses e espécies variadas – jenipapo, caju, mangaba, até de “pau-ferro” – “iche Maria!”.
 
Aduziu mais algumas considerações a este perfil  e contou-nos da simbiose homem-arte-crença. – "Adquire  ele todo o orgulho do seu estado, da sua condição. Recebe  dos seguidores, dos freqüentadores,   uma marca de superioridade do seu meio; uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nem um outro ser humano  consegue.
 
Mestre Benício a nada definia a tudo comparava. Como todo bom “capoeira”, quer trazer todos para o centro da conversa, precisa provocar uma discussão, dá margem à participação, dar a si a vaidade da contenda:
 
– “Toda relação de obediência pressupõe uma troca que traga um ganho ou afaste um medo”. Muitos dos presentes aproveitaram para cada um dar uma pitada. Platéia variada, uns lidos e corridos, outros nem tanto, conversa solta…
 
– “Mesmo a nossa obediência para com Deus requer  troca. Troca pela vida eterna; a volta da saúde  meio abalada…” Chamando
mais para o centro da Roda, provocando bem ao feitio de quem melhor conhece a alma humana – “para com  o  f e i t i c e i r o”, falou pausado – “dono de forças situadas entre o divino e o temporal; entre o ético e o safado –  a obediência está na base de trocas de mesmo calibre  – à volta da mulher traidora, safada, porém gostosona;  o namoro com o filho do vizinho; a traição com o primo, paixão de meninice, com quem não se casou impedida pelos pais.” Certa inquietação. Agora sim, chegou a hora! –  “Quem mais recorre ao feiticeiro é a mulher, quem mais faz promessas a todos os santos – é a mulher, quem antes enjoa do cônjuge é a mulher…” – provocou, para completar – “O Mestre de Capoeira encerra em si  o nível de obediência mais sadio, a mais voluntária das  obediências entre pessoas, fora das relações estritamente familiares. Entre ele e os seus não há um apelo, uma oferta, uma promessa. Na maioria das vezes ele, o Mestre, é o mais pobre do seu meio”.
 
Diante do sorriso geral, um cuxixo e outro,   prosseguiu impassível, não diria sádico, mas sem um  gesto de dó:
 
– "Na sua grande maioria, como que errantes, e os são; esguios pelos exercícios estafantes e o mau passadio;  nutrem-se como agentes da consciência do prestígio; dos  valores da inteligência voraz, iletrada  – a construir  uma FAMA  que o alimenta – apoiados na reverência dominadora, de um lado; de outro na crença que só é possível em quem julga ser responsável por uma banda do Mundo". Depois de tecer explicações do caminho percorrido, completa – "No passado muitos eram sapateiros, estivadores e tantos ferreiros, com forjas ordinárias no quintal acanhado da casa rota; alguns alfaiates – Mestres de Capoeira são vaidosos, gostavam de ostentar “as mãos finas”;  hoje,  tantos são pedreiros, serventes, pequenos comerciantes, carpinteiros; tantos meros biscateiros. Os que têm (tinham) meios de vida, afora a Capoeira, a tudo abandonam, se um projeto lhe surge – viagens noutras paragens, no estrangeiro, nos navios, para "levar a tradição".
 
Depois   de longo silêncio, João Pequeno, garimpeiro não negro, deu uma pitada: "Homens contaminados pela magia poderosa da música; pela perspectiva a que a luta vencida nos conduz; pela vaidade da exibição física; pela nobreza com que nos afaga o poder intelectual.”. Pedindo desculpas devolve a palavra ao Mestre Benício, que vai falando, agora dos seus receios –”.
 
– “De quanto ganha, pouco se sabe. O que se vê – é  ser muito inferior ao valor do  trabalho efetivo  realizado. Sempre pronto a acudir em  cada biboca. De concreto é que tudo faz pela arte, os elogios, pela admiração do povo; após cada luta,  cada apresentação continua como antes. Eu nunca quis saber  como chega em casa, de mãos vazias, a cada dia. Como patrimônio ou consolo – sempre querido, cercado; trilhando soberbo e doce. Na morada, afora grande acervo de áudio,  vídeo e escritos variados – nada tem que passe de um mocambo. Muitos viveram assim; muitos vivem ainda assim”.
 
– Dona Vitória Gama, mulher negra, professora, garimpeira, cantadeira e rezadeira, sempre pronta a ajudar a Mestre Benício com as datas e os nomes dos autores de cada feito, mantinha-se calada e sentada. Em nada coubera uma data, um nome, conversa genérica. Temperou a guela e interveio:
 
– “A superioridade cria inimigos, este é o mais geral princípio da guerra”. Consentida a intervenção, com gentilezas e mesuras pelo Mestre e  interesse pelos presentes, vai explicando o que conhece bem, estudos variados – Guerra e Revolução.
 
– “Não pensem que as relações na Capoeira são mornas. Não. São estremecidas. Não raro ao extremo. Nos encontros entre
 
Mestres, os mimos não duram mais que poucos minutos e  já surgem as alfinetadas –  tão maliciosas, sutis, para atingir a fama do outro; quanto cuidadosas, para zelar da pessoa.  A fama é o objeto da contenda. Esta é das diferenças entre guerra e Revolução: a renúncia à  superioridade faz a Revolução; a luta pela superioridade, causa a guerra”. (2)
 
– “Embora toda cultura seja conservadora, sendo a capoeira extremamente conservadora, pelo seu caráter igualitário  eu diria ser a Capoeira a única ação revolucionária no Brasil. A que avança, embora lentamente, como soe ser”. E finalizou –  “ao “capoeira” para com seu Mestre – nada lhe é mais de ofício que  engrandecer-lhe;  que ouvir de outros referências elogiosas”. E alfinetando, para manter a tradição –  “Eu gosto é de elogios e não de crítica, por isto procuro fazer bem feito, proclama cada Mestre”, finalizou.
 
Foguetes no alto do Morro Azul, (absurdo) o mais vermelho dos lajedos –  estão chegando, as esmolas, a bandeira, o Divino…
 
O velho Mestre vai arrematando da última viagem – “felizmente vi, soube e até conversei, com alguns Mestres doutores, de anel no dedo e tudo,  e olhe que todos novos, 30 a 40 e poucos anos.  Não me lembra de ninguém já nos 50 anos. Tem tantos já escrevendo livro, quem diria?”. E tacou nas notícias que o empolgavam – “Mestre dando aula na Inglaterra – ensinando mesmo, especializações diversas, nas Universidades, para formar doutores também”. E completa – “soube também de muitos “capoeiras”, entrando nas universidades;  como vi, eu próprio, muitos das universidades entrando na Capoeira…", parou, voz impostada. Notava-se um fio de esperança naquele negro “de família forra”, como dizia –  “Meu Deus, cinco séculos de escravidão e descaso!!!
 
 
Nota do autor: Validando as últimas afirmações de Mestre Benício, neste semestre, julho/agosto, o meu Mestre João Coquinho, Mestre do Grupo Berimbau Brasil, 42 anos de idade,  e quase isto de Capoeira; de muita luta e igual quantum de dificuldades, botará anel no dedo, bacharelando-se em Ciências Contábeis, aqui em São. Em data ainda não acertada.
 
 1 Canção de domínio público, africana;
 2 “Os Jacobinos Negros”,  CLR James.

Paraná: Capoeira de Terra Roxa recebe apoio de alemães

Os participantes do Grupo de Capoeira Condão de Contas fecharam o ano com mais um motivo para comemorar. O grupo desenvolve um trabalho social com apoio da administração municipal junto à sociedade terra-roxense, proporcionando aos jovens a oportunidade de uma opção saudável de lazer e entretenimento.
 
O trabalho desenvolvido pelo grupona comunidade de Terra Roxa despertou a atenção de um grupo de profissionais alemães. A seriedade e a importância da ação realizada pelo projeto, oferecida pelos professores de capoeira, foi reconhecida pelos empresários, os quais vêm prestando seu apoio.
Na última segunda (18), todos os capoeiristas foram homenageados com um almoço especial e uma cesta de natal. Os presentes foram entregues pelo representante alemão Dieter Euler.
 
Segundo Euler, o objetivo principal é proporcionar a cada capoeirista a oportunidade de um Natal mais feliz. Para o Professor Gilmar, instrutor do grupo, o apoio recebido é indispensável no sucesso das atividades desenvolvidas junto à comunidade.
O prefeito Donaldo Wagner e a Secretária de Educação, Cleonilda Maria Tonin Farcas, acompanharam a entrega dos presentes e destacaram o valor social que o grupo de Capoeira representa para Terra Roxa.
 

Fonte: Umuarama Ilustrado – Umuarama,PR – http://www.ilustrado.com.br