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O Profissional e o “papo furado”

O Profissional e o “papo furado”

Nos últimos tempos, escutando vários discursos sobre ‘ser profissional’ na capoeira, me pergunto:  – o que isso quer dizer de uma pessoa para outra e o que realmente está por trás dessa afirmação? Essa reflexão me lembra uma conversa lamentável que ouvi há uns anos atrás entre ‘profissionais’ da capoeira: “hoje em dia a gente nem está mais preocupado em o aluno ficar bom, a gente só está preocupada em ter aluno”. No momento que isso foi dito, parecia ser a constatação de um fato e que todos os presentes professores pareciam estar de acordo, sem a mínima preocupação nas consequências do conteúdo, daquela frase.

Sim, a capoeira é uma reflexão da sociedade em que vivemos, uma sociedade que gira em torno de um esquema de acumulação, o dito capitalismo. E para quem vive da capoeira, em outras palavras, quem depende da capoeira para pagar as contas e sustentar uma família, um aluno também representa capital, sobrevivência. Mas será que a gente não pode fazer melhor do que isso? Será que os capoeiristas se deixam vencer tão facilmente por um sistema que tem base em – e é causa – da mesma miséria onde a nossa arte se criou; a escravidão? E isto mesmo, ‘ser profissional’?

O Profissional e o papo furado Capoeira Portal Capoeira 1

Para quem não tinha noção, a escravidão não só foi a situação onde a capoeira nasceu; ela também foi a base de um sistema econômico baseada na exploração do produtor da riqueza – o escravo, que, quando o sistema escravocrata foi deixado por ser ineficiente e caro demais, se tornou trabalhador ‘livre’. O racismo e a opressão das expressões culturais da população negra – contra que a capoeira sempre se resistiu – foram parte e em função do sistema económico da exploração – e a base do capitalismo.[1]A economia se desenvolveu, mas na base não se mudou – será que o papel da resistência da capoeira deveria se mudar?

 

O ‘profissionalismo’ entrou numa nova fase com o desenvolvimento das certificações e diplomas para capoeiristas que querem dar aula – e se tornar ‘profissional’ – dentro do sistema nacional de educação ou até fora dele. Com a preocupação do nível e qualidade dos professores, e o ensinamento de capoeira, os certificados arriscam virar mais um esquema de acumulação, ou capitalização – dentro da “profissionalização da capoeira”; Certificações que precisam ser renovadas de tantos em tantos anos, através dos investimentos financeiros que são justificados como investimento em conhecimento. Como um preço para o novo documento também, é claro. Assim também desprezando o tipo de conhecimento que a capoeira representa, e em que ela tem a sua base, que é o conhecimento prático através da experiência prática – a educação não-formal, da tradição oral.

Não quer dizer que o conhecimento teórico não tem lugar na capoeira, ou que não deveria existir um certo‘controle de qualidade’, especificamente fora do Brasil onde não há uma tradição enraizada, para trabalhos com crianças e nos sistemas nacionais de educação. E que um bom professor – não importa de qual modalidade – deveria estar em dia com os desenvolvimentos na sua área, e nas áreas abordadas.

Mas será que uma estrutura de certificação e educação contínua, um sistema baseado nas profissões médicas – onde o não ser em dia do médico em termos de novos conhecimentos, pode ser causa da morte do paciente – é o mais adequado? Quando a variedade de estilos, formas de pensar e ensinar a capoeira é um lado forte dela em termos de criatividade, desenvolvimento e abertura social? E essa variedade ao mesmo tempo representa uma proteção contra a dominação, qualquer que seja ela? Vamos abrir mão para um sistema de uniformização ou normatização? Sem perguntar para nós mesmos para que, e para quem, a capoeira serve? Ainda mais quando não temos um sistema de valorização do conhecimento que já existe em cada um de nós e na própria capoeira? Somente para poder ser identificado como ‘profissional’ e tentar arrumar mais trabalho?

 

O que é ser ‘profissional’? Começamos com a palavra ‘profissionalismo’, que tem dois  significados: o significado mais antigo, que a primeiro vez foi usado em 1856[2]e se desenvolveu desde então, é: “comportamento, objetivos ou qualidades que marcam ou caracterizam uma profissão ou um profissional”.[3]Um significado que tem a ver com postura, atitude, visão e preocupação com o aluno, o conteúdo ensinado e o resultado.

O segundo significado é usado hoje, por exemplo, em quase todos modalidades desportivas, que fazem uma distinção entre profissionais e amadores: “o profissional é aquele que ganha, ou tenta ganhar, a vida com o seu desporto, e faz disso a sua ‘profissão’.

 

Note bem a diferença entre o primeiro e o segundo significado: O primeiro tem conteúdo, e compromisso com a atividade. O segundo está relacionado coma acumulação de dinheiro. Quer dizer que os dois são incompatíveis? Claro que não, e há vários exemplos de bons profissionais de capoeira que também se dão bem em termos financeiros. Mas talvez é hora de se perguntar qual tipo de ‘profissional’ nós queremos ser: aquele que é mais preocupado em ganhar dinheiro, ou aquele que primeiramente tem compromisso com a sua arte; uma arte que inclui um compromisso com uma tradição de oralidade, com uma ética dentro essa oralidade e com uma transmissão do conhecimento que a arte represente. É bom ter esses princípios claros, porque o poder corrompe, e dinheiro – como a fama – são formas de poder.

E assim uma pergunta simples precisa ser perguntada cada vez de novo – no momento de aceitar e preparar um show, de fazer e vender um instrumento ou roupa, de fazer um CD ou DVD, de fazer pesquisa e escrever um livro, e de escolher em quais eventos de capoeira nós vamos participar – aquele que paga mais, ou aquele que tem e/ou segue uma tradição e filosofia, ou aquele que é do nosso amigo? Exemplos das respostas – e resultados delas – podemos achar na história da capoeira.

 

E ainda nem falei do ‘profissionalismo’ do professor da capoeira: porque um professor – de qualquer modalidade que seja – só existe pelo fato que é aquele/a que ensina. Cuja primeira preocupação então – só pela definição da palavra – sempre deveria ser a educação, e o crescimento do conhecimento e a pessoa; no caso o aluno, mas também em si mesmo. Voltando ao primeiro significado da palavra ‘profissional’ então. Que também tem nada a ver com o ego ou o abuso de poder – um tema onde eu volto nas próximas colunas.

 

Por isso iniciativas que tem como objetivo e preocupação, a educação e a pedagogia, e são baseados no princípio de democratizar o conhecimento e a informação (ao tornar lhes acessível para todos) – como por exemplo o IBCE de mestre Ferradura, ou a Capoeira à la Une de mestre Beija-Flor e alunos – são louváveis.

Porque um compromisso com uma arte, e uma preocupação com a educação, não necessariamente deveria levar ao empobrecimento; mesmo num sistema onde a educação é cada vez mais falada, e menos valorizada. Mas esse compromisso é sim fundamental. Porque um bom professor é reconhecido e valorizado com o tempo.

 


 

[1]Veja por exemplo: Beckert, S. & Rockman, S. (org.) (2016) Slavery’s Capitalism: a new history of American Economic Development, Pennsylvania, Penn Press. Cardoso, F.H. (1977) Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, São Paulo, Paz e Terra. Williams, E. (2012)Capitalismo e Escravidão, trad. D. Bottmann, São Paulo, Companhia das Letras [1944]. Marquese, R. & Salles, R. (org.) (2016) Escravidão e Capitalismo histórico no século XIX: Cuba, Brasil, Estados Unidos, Rio de Janeiro, José Olympio. Corrêa do Lago, L.A. (2014) Da Escravidão ao Trabalho Livre: Brasil 1550-1900, São Paulo, Companhia das Letras.

[2]Em 1856 a primeira escrita expressão de ‘profissional’ é usada pela Glasgow Institute de Contabilidade, para indicar os membros como parte do instituto e então como contabilistas registradas. Que deveria representar uma certa garantia de qualidade. Walker, S. P. & Lee, T.A. (Eds.) Studies in Early Professionalism: Scottish Chartered Accountants, 1853-1918. London, Routledge.

[3]Merriam-Webster Dictionary Online. www.merriam-webster.com

Grupo de capoeira mobiliza comunidade no combate à dengue

Ação consistiu em recolher materiais que acumulam água parada, limpeza e conscientização da comunidade

O Centro Cultural de Capoeira Águia Branca, com apoio da Zoonoses e da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, promoveu, ação de combate ao mosquito da dengue no bairro Fabrício e proximidades.

A mobilização contou com a participação de alunos, familiares, amigos e profissionais da Zoonoses, e consistiu em recolher materiais que acumulam água parada, limpeza e conscientização da comunidade. A ideia partiu de Ubiracy Galvão, o Mestre Café, que pretende realizar esse movimento nos próximos sábados, cada dia em um ponto diferente.

De acordo com Núbia Nogueira, mais conhecida como Professora Puma, que também faz parte da organização, o intuito é alertar a população para a gravidade do problema na cidade.

No fechamento das visitas, haverá uma roda de capoeira aberta. “É mais para chamar a atenção, pois a dengue é um problema preocupante e o mestre observou que passam os anos e sempre o ciclo da doença volta. Se não houver campanhas educativas será difícil combater, pois é uma questão que a comunidade precisa se sensibilizar para a necessidade de prevenir o desenvolvimento do mosquito. Mais importante do que a coleta de materiais é essa conscientização de cada um”, destacou Núbia.

A professora contou que o grupo passou de casa em casa levando informações sobre como combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. “Tivemos um profissional da Zoonoses acompanhando o grupo e a Secretaria cedeu luvas, sacos de lixo e um caminhão para recolhermos aquelas coisas que não dá para colocar no saco de lixo. Além disso, anotamos os casos de caixas d’água sem tampa, que nós não pudemos resolver e vamos repassar à Zoonoses, para que coloquem as tampas que faltam.

Os locais que apresentaram risco ou que o morador não quis receber o grupo também indicamos. Não podemos manipular o larvicida, por isso foi necessário o profissional nos acompanhando”, esclareceu Núbia Nogueira.

 

Fonte: http://www.jmonline.com.br

Curso de Formação e Capacitação Pedagógica ao Ensino da Capoeira no ES

Educadores Sociais, oficineiros, “docentes” de capoeira em geral:

O Ensino da Capoeira no Espírito Santo passará a receber atenção especial da Federação de Capoeira do Estado do Espírito Santo (FECAES), afirma o presidente Alcebíades Milton Cabral em atendimento ao disposto no Código Desportivo Internacional de Capoeira daFederação Internacional de Capoeira (FICA) e na Lei Estadual nº 7.696/2003, para se estabelecer critérios, competências, saberes e habilidades específicas para a formação, avaliação e qualificação profissional de Técnicos, Treinadores, Preparadores Físicos, Docentes (Formados, Monitores, Instrutores, Contramestres e Mestres), Árbitros (Estaduais, Nacionais e Internacionais) e alunos em seus diversos níveis, a FECAES estará promovendo Cursos de Capacitação e Qualificação Pedagógica ao Ensino da Capoeira no ES totalizando 380 (trezentos e oitenta) horas/aulas aberto a todos os “docentes” de Capoeira do estado. Credenciando-os com a expedição de suas respectivas habilitações técnicas através de um documento único de identificação em sua conclusão.

Os cursos serão ministrados por Mestres e Doutores em parceria com Faculdades dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, Confederação Brasileira de Capoeira, Federação Internacional de Capoeira Secretaria Estadual de Esportes e Lazer do ES..


CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO DOS CURSOS

CURSO + Carga Horária

CH

DATA

LOCAL

Gestão Desportiva, Competições e Arbitragem

20

30/04 e 1º/05/11

Vitória/ES

Fundamentos Sócio-Antropológicos da Capoeira

10

28/05/2011

Vitória/ES

Fundamentos Filosóficos do Jogo da Capoeira

10

29/05/2011

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Angola – I

20

25 e 26 /06/11

Vitória/ES

Metodologia e Didática de Ensino da Capoeira I

20

30 e 31 /07/11

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Regional – I

20

27 e 28 /08/11

Vitória/ES

Metodologia e Didática de Ensino da Capoeira II

20

24 e 25 /09/11

Vitória/ES

Nomenclatura dos Movimentos de Capoeira – 20h

20

29 e 30 /10/11

Vitória/ES

Anatomocinesiologia aplicada a Capoeira I

20

26 e 27 /11/11

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Angola – II

20

17 e 18 /12/11

Vitória/ES

Anatomocinesiologia aplicada a Capoeira II

20

28 e 29 /01/12

Vitória/ES

Fisiologia do Exercício aplicada a Capoeira I

20

18 e 19 /02/12

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Regional – II

20

24 e 25 /03/12

Vitória/ES

Fisiologia do Exercício aplicada a Capoeira II

20

28 e 29 /04/12

Vitória/ES

Desenvolvimento Humano e Aprendizagem Motora

20

26 e 27 /05/12

Vitória/ES

Teoria e Prática do Treinamento Desportivo

20

23 e 24 /06/12

Vitória/ES

Socorros de Urgência nos Esportes

20

28 e 29 /07/12

Vitória/ES

Marketing e Imagem pessoal

10

25/08/2012

Vitória/ES

Ética profissional e Direitos Desportivo

10

26/08/2012

Vitória/ES

Organização e Administração aplicado ao 3º setor

20

29 e 30 /09/12

Vitória/ES

Estágio Prático em Eventos Desportivos

20

20 e 21 /10/12

Vitória/ES

CARGA HORÁRIA TOTAL

380h

São consideradas as seguintes competências para os docentes de Capoeira:

A- Atenção à Saúde – os docentes, em seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção e proteção da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo.

B- Tomada de Decisões – fundamentado na capacidade de tomar atitudes visando o uso apropriado e a eficácia para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas.

C- Comunicação – primar pela comunicação verbal, não-verbal e habilidades da escrita e da leitura.

D- Liderança – estar apto a assumir posições tendo em vista o bem estar da comunidade.

E- Administração e Gerenciamento – estar apto a tomar iniciativas gerenciais e administrativas dos recursos humanos, físicos e materiais.

F- Ética – possuir princípios morais que se devem observar no exercício profissional ajustando-se às normas de relações entre os diversos membros da coletividade, bem como manter confidencialidade de informações na interação com outros profissionais e o público em geral.

G- Educação Continuada – os profissionais devem ser capazes de aprender continuadamente, tanto na sua formação quanto na sua prática, devendo desta forma aprender a aprender, tendo a responsabilidade na busca constante de novas informações e o compromisso com a educação.

O Trabalhador da Capoeira

Capoeira por muito tempo foi sinônimo de vagabundagem, desocupação, malandragem, mal vista pela sociedade e tida como ameaça à moral e aos bons costumes. O poder sempre viu a capoeira como perigosa inimiga, capaz de desestabilizar a ordem política e social. Daí os capoeiras serem chamados de “desordeiros” e “vadios”, dentre outros adjetivos não menos pejorativos.

Mas o tempo foi passando e a capoeira pouco a pouco foi ganhando mais respeito e espaço na sociedade, graças ao trabalho de tantos mestres e capoeiristas que se dedicaram de corpo e alma, lutando pelo reconhecimento dessa manifestação da cultura afro-brasileira, que hoje é tida como um importante instrumento de educação em todo o mundo.

Escolas e academias de capoeira espalham-se por toda parte e esse fenômeno social da contemporaneidade é responsável por uma atividade profissional que cresce a cada dia, gerando cada vez mais empregos e oportunidades de trabalho para um grande número de pessoas envolvidas direta ou indiretamente na prática da capoeira.

Há muito se luta no Congresso Nacional Brasileiro pelo reconhecimento da profissão de capoeirista. Muitos projetos já foram discutidos, inclusive um deles muito polêmico por sinal, oriundo do Conselho Federal de Educação Física, que previa que o mestre ou professor de capoeira deveria obrigatoriamente ser diplomado por um curso superior de Educação Física.

Mais um ataque sofrido pela capoeira e pelos saberes populares em geral, que de tempos em tempos são perseguidos pelos representantes do poder que insistem em enquadrar, controlar, fiscalizar, pressionar, enfim, desqualificar uma prática tradicional que possui outra lógica, outro sistema de valores, outras formas de transmissão dos saberes, muito diferente dessa lógica capitalista que tudo quer controlar e dominar.

Um mestre ou um professor de capoeira, principalmente nos tempos atuais, deve sim preocupar-se em estar constantemente reciclando seus conhecimentos e qualificando-se continuamente para poder melhorar suas aulas e, consequentemente, atender melhor a seus alunos. Ele deve possuir conhecimentos da história do Brasil, da escravidão e das lutas sociais. Deve ter noções de música e psicologia, e também saber orientar as atividades físicas no que diz respeito a não colocar seus alunos em risco.

Mas para isso ele não precisa, obrigatoriamente, fazer uma faculdade de educação física Esses conhecimentos podem muito bem ser garantidos através da criação de cursos específicos, de curta duração, voltados para esse público, financiados pelo governo, no sentido de garantir a mestres e professores de capoeira uma formação integral e continuada. Mas exigir o diploma de educação física para o profissional de capoeira, já passa por uma intenção no mínimo espúria, por parte do Conselho Federal da área, de se criar reserva de mercado entre os profissionais de educação física. Somos totalmente contrários a essa iniciativa !

A capoeira deixou de ser sinônimo de vagabundagem. O trabalhador da capoeira é hoje o mestre, contra-mestre, trenel ou professor responsável pelo processo de ensino aprendizagem dessa arte-luta, em escolas, academias, centros comunitários, clubes, condomínios, etc… Ele deve ter sua profissão reconhecida e devidamente registrada no Ministério do Trabalho, com direito a todos os benefícios sociais de qualquer outra atividade profissional no Brasil.  Sem falar na obrigatoriedade de uma aposentadoria especial para os velhos mestres, coisa que há muito tempo já deveria ter sido garantida. Portanto camaradas, vamos à luta !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Aconteceu: 1º Seminário Alagoano de Capoeira

Nadec realiza 1º Seminário Alagoano de Capoeira

Durante todo o sábado (7), será promovido na Escola Jaime de Altavila localizada no bairro de Santa Lúcia, o 1º Seminário Alagoano de Capoeira. A atividade é promovida pelo Núcleo de Apoio e Desenvolvimento de Capoeira de Alagoas (Nadec-AL) tem como objetivo preparar os professores e mestres de capoeira para o desenvolvimento de atividades nas escolas, bem como, incentivar a formação continuada para o desempenho profissional.

A capoeira, uma das mais importantes heranças afroculturais, foi intitulada no ano passado como patrimônio nacional, porém, mesmo com a obrigatoriedade da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas (Lei 10.639/03), a capoeira ainda não encontra-se incorporada nas atividades pedagógicas. Segundo Carlos Pereira, Coordenador do Nadec, “esse evento marca o início de nossa luta para entrarmos na escola pela porta da frente, fazendo uso dos instrumentos legais, e podendo fazer parte da escola de fato e de direito, pois até agora temos participado da escola como coadjuvantes em pequenos projetos, na sua maioria como voluntários, onde o profissional da capoeira não recebe nenhuma remuneração pelo trabalho realizado”, afirmou.

Dentre os temas centrais de discussão estão “A importância do planejamento para uma aula com bons resultados”, “O planejamento e a prática nas aulas de capoeira”, “Jogos recreativos como instrumento de alongamento e aquecimento para aula de capoeira”, respectivamente ministrados por: Maria Betânia de Oliveira (Pedagoga), Claudio Severo – Claudio dos Palmares (Mestre de capoeira e professor de Educação Física) e Kátia Maria do Nascimento Barros (professor de Educação Física).

O encontro será encerrado amanhã, no Dia Internacional da Mulher, a partir das 10h nos Sete Coqueiros, onde acontecerá uma roda especial e homenagens a mulheres que contribuíram para o desenvolvimento da capoeira.

As inscrições custam R$15, com direito a almoço e certificado. Contatos: 8844-4838 / 8824-6859 / 9381-7765.

A capoeira é patrimônio cultural da União, mas não se encontra em todas as escolas 

por Helciane Angélica – http://www.alemtemporeal.com.br

PÓS-CAPOEIRA UNESA-RJ

PÓS-CAPOEIRA UNESA-RJ, iniciará em 14 de Abril 2009.

Corpo docente: Ms. Roberto Cláudio, Esp. Fábio Cantizano, Dndo. João Perelli, Dr.Leonardo Mataruna, Ms. Sandro Carpenter, Dr. Julio Tavares, Ms.Alvaro Andreson, Dr. Luis Alberto, Ms.Elisa Rennó, Dr. Paulo Coelho, Dndo. Carlos Dória, Ms. Tufic Derzi,Dr. Mathias Assunção, entre outros.

Coordenação: Prof. doutorando João Perelli.

Cordialmente
João Perelli

 


Certificação Conferida

Certificado de especialização em Capoeira.

Professor Responsável

João Marcus Perelli dos Santos

Objetivos

Especializar o profissional de Educação Física para planejar, executar e avaliar atividades de ordem prática da Capoeira, considerando a diversidade de ambiente e de alunos em que se dá a aprendizagem.

Estabelecer espaço crítico reflexivo sobre a relevância da Capoeira.

Promover a pesquisa científica estimulando o debate pedagógico em diferentes instituições de ensino.

Pré-Requisitos

Diploma de Ensino Superior em Educação Física, Pedagogia, Antropologia, Sociologia, História e Ciências Sociais.

Público-Alvo

Graduados em Educação Física, Pedagogia, Antropologia, Sociologia, História e Ciências Sociais.

Disciplinas

ANATOMIA E CAPOEIRA – 20 h
BIOMECÂNICA CAPOEIRA – 30 h
CAPOEIRA ADAPTADA – 20 h
CORPOREIDADE E CAPOEIRA – 20 h
ÉTICA NA CAPOEIRA – 10 h
FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO E AVAL. FUNCIONAL NA CAPOE – 30 h
HISTÓRIA DA CAPOEIRA – 20 h
LESÕES ARTICULARES E CAPOEIRA – 20 h
METODOLOGIA DA PESQUISA – 18 h
PRÁTICA PEDAGOGIA E CAPOEIRA – 20 h
PRIMEIROS SOCORROS À CAPOEIRA – 20 h
PROJETO SOCIAL E CAPOEIRA – 20 h
PSICOMOTRICIDADE E CAPOEIRA – 30 h
REDAÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS – 18 h
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO – 18 h
TÓPICOS ESPECIAS EM CAPOEIRA – 16 h
TRABALHO FINAL – 1 h
TREINAMENTO DESPORTIVO E CAPOEIRA – 30 h

Total de Horas: 361 h

Perfil Profissional

Profissionais interessados na história, desenvolvimento e no ensino da capoeira como atividade cultural e esportiva.

Mercado de Trabalho

Academias de Ginástica, escolas públicas e privadas, clubes e intituições de estudos de cultura brasileira.

Informações Adicionais

A disciplina Didática do Ensino Superior é optativa, devendo ser cursada pelos alunos que desejarem obter qualificação para o magistério superior. Valor: R$ 280,00.

A disciplina Escalada Básica é optativa, devendo ser cursada pelos alunos que desejarem conhecer, vivenciar e dominar técnicas de segurança e de movimentação na rocha, desenvolvendo a solidariedade e confiança. Saiba mais.

Inscrições/Informações

Todos os campi da Universidade Estácio de Sá. Taxa de inscrição: R$ 70,00;

Câmara reconhece prática de capoeira como profissão

SÃO PAULO – A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na última quarta-feira (3), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7150/02, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que reconhece a prática de capoeira como profissão. O projeto já aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público segue para a análise do Senado.

Pela proposta, o capoeirista passa a ser considerado atleta profissional, apto a participar de eventos públicos ou privados mediante remuneração. A capoeira já é reconhecida como manifestação cultural de dança, de luta ou de outras formas de competição.

A CCJ aprovou o parecer do relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do projeto, com emenda que suprime a exigência de inscrição do mestre capoeirista na Confederação Brasileira de Capoeira (CBC). Segundo Mabel, essa exigência criaria indesejável reserva de mercado, em conflito com o princípio do livre exercício profissional.

Fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=3&id_noticia=264684

Crônica: O que é dar valor à capoeira…

Dar valor à Capoeira, ter o mínimo de respeito com essa Arte tão magnífica, é saber que, quanto mais capacitado for o profissional, melhor ele exercerá sua profissão; é entender que o curso de educação física não vem para substituí-la, e sim, para dar subsídio a ela, para que o professor tenha o respaldo científico, podendo comprovar cientificamente todo o potencial da Arte, para que ele seja capaz de dizer mais que apenas: “A Capoeira é a única arte marcial genuinamente brasileira, é Patrimônio Cultural Brasileiro”, disso todo mundo sabe, não é novidade, não deixa de ser um título importante, mas é algo muito limitado para a dimensão real dos benefícios da Capoeira.

A pesso, para defender a tese da Capoeira, deve ser capaz de dizer em linguagem acadêmica e culta: “a Capoeira não se resume em importância histórica, mesmo que não desconsideremos esse fato, temos que saber que a Capoeira atua em um contexto bio-psico-social, fisiologicamente, a Capoeira proporciona aumento do condicionamento físico, melhora nos sistemas muscular, cardiovascular, articular e respiratório, aquisição de capacidades físicas: força, flexibilidade, resistência e velocidade, e ainda estimula a produção de endorfina e serotonina, hormônios responsáveis pela sensação de prazer. Os benefícios psicomotores da Capoeira são: aumento da noção de esquema corporal, maior noção de lateralidade, aumento da coordenação motora, aumento da noção espaço-temporal, aquisição de ritmo, maior poder de atenção, concentração e formação de um auto-conceito positivo.

Sociologicamente, a Capoeira corrobora na socialização do indivíduo, visto que é capaz de desinibir, eliminando a timidez, aumentar o senso de organização, diminuir o risco do uso de drogas e álcool, promover a formação de caráter e a aquisição de valores como honestidade, solidariedade e fraternidade, dentre outros. Diferencia-se dos outros esportes por não exigir um arquétipo específico para sua prática, qualquer pessoa pode praticá-la, seja qual for sua estatura, etnia, credo ou classe social, além de trabalhar a musicalidade, propiciando a motivação do atleta.” Quem realmente ama e respeita a Capoeira entende que ela é como um camaleão, que muda de acordo com a situação, se adequando à época em que se encontra. Não podemos nos prender nas décadas de 30 e 40, quando ela não passava de cultura ou manifestação popular, visto que hoje a Capoeira é uma ferramenta para educadores na formação da cidadania, é auge no fitness, é terapia para a terceira idade, é esperança para os grupos especiais: cardiopatas, diabéticos, obesos e portadores de deficiências, seja ela qual for.

É preciso que o profissional atuante na área capoeirística seja capaz de criar seus projetos e não cobrar isso da prefeitura. É preciso que ele saiba que o poder público nada pode fazer para ajudar pessoas físicas, grupos sem registro que permanecem no anonimato, pois até mesmo uma criança, para ter seus direitos básicos garantidos, precisa tirar sua certidão de nascimento. Além disso, a Capoeira é auto sustentável, é possível conseguir recursos através da lei de incentivo fiscal, sem precisar mendigar nada de ninguém. É muito fácil cruzar os braços e reclamar, difícil é arregaçar as mangas e correr atrás, estudar, se capacitar. Tem espaço para todos, mas é mediocridade imaginar que a Prefeitura, com o atual governo que valoriza tanto a educação, contrataria alguém que menospreza um curso superior. Será que eles não sabem que o professor é um espelho para as crianças? Que o mesmo poder que a Capoeira tem de formação ela também tem de destruição, quando o profissional não é qualificado?

Diante de tudo isso, caros colegas autores da solicitação por mais valor à Capoeira, sinto muito lhes dizer, mas as portas não estão fechadas, porém, a escadaria para chegar até elas é longa.

Ubiracy Galvão Borges, Mestre Café, idealizador do projeto Capoeira para Todos – Gingando Contra a Exclusão

Fonte: http://www.jornaldeuberaba.com.br/

Mestres: moda socialmente responsável

A marca de roupas de capoeira e moda streetwear Mestres tem, desde sua criação, a Responsabilidade Social como ingrediente principal da sua receita de sucesso.

Depois de pesquisar diversos trabalhos sociais ligados à confecção visando encontrar seriedade e comprometimento, a Mestres formou uma forte parceria com a ONG Clube de Mães do Brasil, em São Paulo. O Clube de Mães luta ha muitos anos pela educação infantil e pela formação profissional de jovens e adultos, tendo oferecido capacitação profissional para mais de 70 mil pessoas, incluindo ex-moradores de rua e pessoas em processo de reabilitação. A Mestres encontrou no Clube de Mães projetos que vão de encontro com dois de seus maiores valores; a educação e oportunidade de desenvolvimento profissional.

Desde então, os produtos da Mestres são confeccionados através do projeto ‘Transformando Mãos que Pedem em Mãos que Fazem’ onde moradores de rua podem ser capacitados para trabalhar com corte e costura e muitas vezes chegam a ser contratados pela própria ONG para trabalhar na oficina. Alem de o projeto dar importância ao desenvolvimento humano, ele ainda tem a responsabilidade de gerar dinheiro para manter um segundo projeto: o ‘Educando para a Liberdade’, que oferece à crianças de 3 a 14 anos o acesso diário à educação e alimentação. O objetivo do Projeto é garantir um desenvolvimento saudável para as crianças, oferecendo-lhes aulas de cidadania, teatro, artes, atividades esportivas e recreativas inclusive a Capoeira, dada em parceria com o Mestre Brasília.

Por conta deste envolvimento social, a Mestres foi por três vezes a primeira colocada em importantes concursos na Europa que avaliaram centenas de projetos. O Ekilibre 2006 elegeu a Mestres como a empresa que melhor atua no Comercio Justo e o Petit Poucet 2006 e o Envie D’Agir 2006 que a nomearam a melhor entre novos projetos de negocio. Dentro do meio da moda, a Mestres foi convidada a participar no Paris Fashion Week 2007 e no Rio Fashion Week 2007, dois dos mais importantes eventos do circuito mundial.

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O conceito de responsabilidade social praticado pela Mestres ainda é mais valorizado no exterior, onde a marca tem forte atuação, mas certamente será incorporado em breve por marcas e consumidores no Brasil.Serviço:

Aproveite e conheça mais sobre a marca e os projetos sociais que são beneficiados a cada peça vendida em: www.mestres.com.br

Proposta limita atuação dos conselhos de Educação Física

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 1371/07, da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que impede o conselho federal (Confef) e os conselhos estaduais de Educação Física de fiscalizar as academias de dança, artes marciais, capoeira, ioga e pilates, bem como os profissionais que atuam nessas áreas.

A proposta altera a Lei 9.696/98, que regulamentou a profissão de Educação Física e criou os conselhos. De acordo com a deputada, a lei não define claramente o campo de atuação desse profissional, o que tem levado os conselhos a submeterem atividades como ioga, dança e capoeira à fiscalização prevista na lei. Para os conselhos, essas atividades só podem ser exercidas por quem possui o registro profissional.

"O projeto pretende por fim às interpretações conflitantes que estão sendo dadas à lei", destaca a deputada. Segundo ela, o Ministério Público já vem promovendo ações judiciais contra os conselhos que insistem em fiscalizar as academias e os profissionais de dança e artes marciais, entre outras atividades.

Espaço próprio
Alice Portugal reconhece a importância do profissional de Educação Física, mas defende que ele tem atuações específicas, que não se confundem com manifestações culturais, artísticas e de expressão corporal, próprias da dança, da capoeira, da ioga e do pilates. "A lei não autoriza o Confef a intervir em outras áreas de expressão artístico-cultural, espaços há muito consagrados pela ação e memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira", resume a parlamentar.

O projeto é similar ao substitutivo que ela apresentou em 2004 ao PL 7370/02, do ex-deputado Fleury, que tratava do mesmo assunto. Como esse projeto foi arquivado no final da legislatura passada, Alice Portugal decidiu reapresentá-lo, na forma do seu parecer.

Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Educação e Cultura; de Turismo e Desporto; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: – PL-1371/2007

 

Fonte: Agência Câmara

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Marcos Rossi

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