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“Ô COSME… DAMIÃO MANDOU CHAMAR”

A festa dedicada aos protetores das crianças, São Cosme e São Damião, está entre as mais esperadas na Casa Mestre Ananias – CMA todos os anos. Será oferecido o Caruru em homenagem aos protetores das crianças (os gêmeos São Cosme e São Damião são identificados como os Ibejis na cultura afro-brasileira), além de doces para a criançada e muito samba de roda com o grupo “Garoa do Recôncavo”.

Nesse dia 30 de setembro a partir das 14h manteremos as portas abertas a toda nossa comunidade, amigos, capoeiras e claro, a toda criançada. A entrada é gratuita.

 

Viva São Cosme Damião e… Viva as crianças!

 

http://www.mestreananias.blogspot.pt

Nota de Falecimento: Mestre João Pequeno de Pastinha

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o Mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado. Um Baluarte da Capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA CAPOEIRA PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA CULTURA O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande MESTRE.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha. 

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

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Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

 

 

E O SAMBA SEM VINTÉM, TÁ TOCANDO ONDE?

Há 11 anos em São Paulo, Capoeiras alunos do Mestre Ananias se uniram a alguns amigos, sem pretensões, para sambar um repertório seleto e pouco ouvido em rodas de samba. Resolveram tocar informalmente no bar de um amigo, o Ó do Borogodó, que na ocasião não tinha proposta musical definida. Os encontros aconteciam toda 3ª feira na calçada em frente ao cemitério e a cada semana mais e mais pessoas fechavam a rua para curtir o samba… foi batizado então o Samba Sem Vintém. No Ó do Borogodó o grupo tocou por 1 ano e meio.

Ainda no ano de 2000, fomos convidados a fazer um samba no Café do extinto KVA, antecedendo o show do forró Arrumadinho. Foram cinco anos importantes na formação do grupo, convivendo com forrozeiros de grande valor como Rouxinol Paraibano e Fuba de Taperoá, além de sambistas como Germano Mathias, sem contar os inúmeros anônimos que fizeram parte dessa roda de samba. Foi nessa época que Mestre Ananias (convidado para cantar com o grupo) iniciou o que hoje é o samba de roda Garoa do Recôncavo.

Até o ano de 2007, corremos roda nos bares da noite paulistana, festas e projetos pela cidade, o que hoje já não acontece nesse âmbito comercial.

Em sambas na Casa Mestre Ananias, feitos por alguns integrantes do Samba Sem Vintém, foi reacendida a chama e a vontade de sambar à antiga moda do grupo. O velho e bom repertório do grupo será lembrado nesse domingo, em verso e prosa, com uma festa que espera contar com a presença de todos aqueles que, ao nos encontrarem, sentem saudade daquele tempo e perguntam: – “E o Sem Vintém, tá tocando onde?”

Pelo apreço ao bom samba, pela reverência, respeito e carinho de tantos que o Sem Vintém volta, à sua moda, e pretende firmar seu encontro a partir deste agosto de 2011.

 

Da formação original : Alexandre Arruda, Candi, Cássio Portuga e Rodrigo Minhoca, junto a outros camaradas. Veja um pequeno vídeo com o grupo.

 

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Onde: Casa Mestre Ananias

Quando: Domingo, 28 de agosto

Horário: 16h às 19h

Após 19h, samba de roda Garoa do Recôncavo

 

Entrada Gratuita (o evento conta com o apoio da Playtech e o arrecadado no bar e no churrasco [rojão] será revertido ao projeto social que acontece na Casa Mestre Ananias). Hoje, o projeto tem 32 crianças e adolescentes envolvidos nas aulas de Capoeira, Artes Integradas, Violão e Teatro (clique aqui).

 

(A arte da ilustração deste post é de Fê Guimarães)

Aconteceu: Iª Oficina de Samba de Viola

A Iª Oficina de Samba de Viola aconteceu na última quinta-feira, 19 de maio, na rua Conselheiro Ramalho, a partir das 20h.

A troca de conhecimentos na oficina da Casa Mestra Ananias – CMA será feita de maneira vivencial, tendo como base o aprendizado dos jovens sambadores do grupo Garoa do Recôncavo. Desde meados de 2000, alguns integrantes do grupo realizam um intercâmbio cultural com os sambadores do Recôncavo Baiano. A abordagem da oficina terá como base as experiências e conclusões do grupo, a partir dessa vivência no universo do samba de viola e com o Mestre Ananias, ficando à parte questões históricas de um conteúdo formal.

Esta ação faz parte dos esforços da CMA para a preservação do samba de viola aqui em São Paulo, tendo em vista a importância desse gênero musical, que as novas gerações também podem aprender e colaborar para manter a tradição de nossas manifestações culturais.

O samba de roda é patrimônio inestimável da cultura brasileira. Assim como na capoeira, os mestres desta arte precisam do nosso reconhecimento, dada ao papel que exercem para a preservação de saberes autênticos. Nossa lembrança aqui vai ao Mestre Bigodinho, de Santo Amaro da Purificação, capoeira e sambador que deixou a vida aqui no plano terrestre no dia 5 de abril, aos 78 anos de idade.

Participe da oficina!

 

Dica: Clique no link e conheça o trabalho do Reconca-Rio, grupo de samba de roda carioca. O Reconca-Rio atua com uma proposta semelhante à desenvolvida aqui em São Paulo por Mestre Ananias e o grupo Garoa do Recôncavo. Em 2010, Minhoca, André (sambadores do Garoa) e Mestre Ananias estiveram numa vivência com o Reconca-Rio na capital carioca, a convite do grupo.

 

Vídeo com trechos de viagem ao Recôncavo Baiano em fevereiro de 2011

 

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Mestre Ananias: 86 Anos de Muita Capoeira!

Com bastante disposição e em plena atividade, Mestre Ananias Ferreira compartilha com quem convive a sabedoria adquirida em 86 anos de vida. Desde 1953 na cidade, Ananias trouxe com pioneirismo para São Paulo os ensinamentos da capoeira e do samba de roda, patrimônios culturais do Recôncavo Baiano.
Seja comandando a roda de capoeira da CMA – Casa Mestre Ananias, na roda que fundou na Praça da República ou sambando com os amigos, a força de Mestre Ananias se faz presente conosco sempre.
Venha comemorar o aniversário do Mestre (ele nasceu em 1 de dezembro de 1924) na Casa Mestre Ananias!
Será neste sábado, 04 de dezembro, na rua Conselheiro Ramalho, 945. A entrada é gratuita. Veja abaixo a prévia da programação do sábado (os encontros festivos na Casa são informais, pode haver variação nos horários) :
  • 13h – Almoço
  • 16h – Roda de Capoeira
  • 19h – Samba de Roda com o grupo Garoa do Recôncavo

 

São todos bem vindos, vamos festejar a resistência do nosso povo  através da Capoeira.

São Paulo te agradece Mestre Ananias

 

www.mestreananias.blogspot.com

Rampa do Mercado e Recôncavo são destaques no Forte de Santo Antônio

Salvador – A Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola – promove nesta sexta-feira (30), às 19h, mais uma sessão do projeto Cinema, Capoeira e Samba, com entrada gratuita.

A academia é uma das sete residentes no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), autarquia da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

O projeto, que acontece todas as últimas sextas-feiras do mês, exibe filmes e documentários em DVD sobre a capoeira e aspectos culturais e históricos da Bahia. Nesta sexta serão exibidos Um Dia na Rampa, de Luiz Paulino, e Cantador de Chula, de Marcelo Rabelo, sobre os antigos cantadores de chula do Recôncavo. Depois das exibições acontece a tradicional roda de samba com o Grupo Botequim, que co-realiza o projeto.

Um Menino de 92 Anos

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

O mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

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Histórias do Recôncavo

O Recôncavo Baiano é mesmo uma região muito particular. É como se lá o tempo tivesse parado. A modernização, o progresso desenfreado, trânsito engarrafado, violência urbana, vizinhos que não se conhecem… essas coisas tão comuns na nossa vida cotidiana, lá no Recôncavo têm outra dimensão.

As pessoas têm mais tempo para as coisas, a vida é mais simples, todos se conhecem e se ajudam, há mais cooperação, solidariedade, alegria. Você ainda vê pelas ruas carroças puxadas por jegues, senhores bem vestidos com chapéu na cabeça, feiras livres onde tudo se compra, se vende, ou se troca, senhoras sentadas conversando na porta de casa enquanto crianças brincam no meio da rua…Lá o tempo passa mais devagar.

Muitos moradores juram de pé junto que a capoeira nasceu no Recôncavo. Talvez tenha nascido mesmo, como nasceu em outras partes do Brasil também, mas isso não importa pois a capoeira não tem certidão de nascimento ! O que importa é o significado que essa manifestação da cultura afro-brasileira possui para todos nós que aprendemos a amá-la e respeitá-la.

Muitos capoeiristas famosos vieram de lá, disso não tenham dúvida: Cobrinha Verde, Traira, Najé, Siri de Mangue, Neco Canário Pardo, Noca de Jacó, Gato, Atenilo, Santugri, entre tantos outros, sem falar no mais famoso de todos, o lendário Besouro Mangangá, que até bem pouco tempo não se sabia se ele tinha realmente existido, fato que foi comprovado recentemente, com a descoberta de alguns documentos que citam seu nome e seus feitos.

Há muito mistério também no Recôncavo. Muitas histórias envolvendo magia, quebrantos, patuás, corpo fechado, rezas de proteção, pessoas que se transformam em bicho ou planta. Tudo isso faz parte desse universo mítico-religioso de origem afro-brasileira que possui uma ligação muito forte com a capoeira. Não dá para compreender a capoeira de forma mais profunda, sem aprender a respeitar esse universo.

Durante as gravações do documentário “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras” que produzimos recentemente, tivemos a oportunidade de conviver com muitos desses personagens e muitas dessas histórias. Como por exemplo seu Aurélio, 96 anos, morador de Iguape, uma pequena cidade remanescente de um quilombo, localizada no coração do Recôncavo. Durante o seu depoimento na beira do rio, seu Aurélio se mostrou resistente em responder algumas perguntas que eu fazia, sobretudo aquelas relacionadas ao mistério que envolvia a capoeira.

Mas por sorte, eu sou daqueles admiradores de um botequim e de uma boa cachaça e quando terminamos a gravação naquele dia, a equipe de produção foi toda descansar numa pousada na cidade, enquanto eu e o cinegrafista, meu amigo Alexandre Basso – também um admirador do “espírito forte”, como a cachaça é conhecida entre os mais antigos – resolvemos ir beber a saideira justamente no bar do seu Aurélio. Já era noite e à medida que íamos nos aprofundando nas infusões de cachaça com ervas que seu Aurélio nos oferecia, a conversa foi ficando mais solta. E num dado momento, seu Aurélio nos chamou para o fundo do bar. Alexandre, muito atento, ligou a câmera e atendemos ao chamado do velho mandingueiro. Num ambiente de penumbra, somente com a fraca luz de um lampião, seu Aurélio nos revelou alguns segredos muito íntimos, mostrou-nos seu patuá, explicou-nos como fazia para “fechar” o corpo e nos revelou algumas orações de proteção que ele utilizava. Foi um dos momentos mais fortes que vivenciamos durante o longo período de pesquisa e gravação desse documentário.

Mas é assim mesmo: os mestres e velhos guardiões da cultura popular, não entregam os seus segredos assim, facilmente e a qualquer um. Eles é que decidem o que, quando, como e a quem vão revelar. E a nós, cabe ter a paciência, o respeito e a sabedoria de esperar a hora e a ocasião certa de recebermos esses ensinamentos. Essa é mais uma lição que a capoeira nos ensina

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, que de modo ímpar nos descreve os causos e histórias do Recôncavo Baiano e seus “Personagens” as vezes quase lendários… Pedrão, como prefere ser chamado nos leva de modo solto e intuitivo ao universo da capoeiragem com uma narrativa simples e repleta de mandigagem…

Luciano Milhoni*

* (Pedrão em referência a um tipo/marca de cachaça e fazendo analogia ao grande camarada Plínio – Angoleiro Sim Sinhô, que em sua envolvente e alegre presença sempre brincava com o termo “teimando” em chamar-me pelo nome da cachaça, pela qual ambos, Pedrão e Plínio tem imenso apreço, apesar de eu ser um eterno abstêmio.)

3° Encontro de Capoeira do Recôncavo

O 3° Encontro de Capoeira do Recôncavo homenageia Mestre Felipe de Santo Amaro da Purificação, importante mestre da velha guarda, artesão e cantador da capoeira.

Esta é uma proposta itinerante que busca revelar e valorizar o movimento existente entre a capoeira urbana e a rural do Recôncavo Baiano.
O evento acontecerá em Salvador, Santo Amaro e Santiago do Iguape, pequena vila de pescadores e agricultores quilombolas, entre os dias 27 e 29 de novembro 2009.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO :

1º Dia – 27/11 – SALVADOR

10:00 – Abertura e recepção das crianças capoeiristas alunos de Mestre Ivan (ACANA)
vindas de Santo Amaro, na Faculdade de Educação/UFBA
10:30 – Exibição e bate papo sobre o DVD “A CAPOEIRA DE UM MESTRE E O
SEU BANDO ANUNCIADOR” na Sala de Cinema da UFBA/Faced.
14:00 – Oficina de Percussão com Mestre Lua / Praça do Pelourinho
16:00 – Atividade lúdica para as crianças (pintura da faixa em homenagem a Mestre Felipe);
18:00 – Desfile do BANDO ANUNCIADOR
com o grupo de crianças capoeiristas de Santo Amaro;
20:00 – Roda de Capoeira no Terreiro de Jesus;
22:00 – Confraternização com mesa de frutas após a Roda.

2º Dia – 28/11 – SANTO AMARO

8:00 – Saída para Santo Amaro;
11:00 – Chegada na Praça da Matriz com Roda de boas vindas;
14:30 – Oficinas de Capoeira Angola com Mestre Ivan e
Maculelê com Prof. Erisivaldo no Barracão de Mestre Ivan;
16:00 – Lanche e atividade lúdica para crianças (brincadeira de ciranda, cantigas e pintura);
17:00 – Bate papo no Barracão, com Mestre Felipe e velhos mestres
de capoeira do Recôncavo – Roda
20:30 – Mostra Cine Cult Pop Afro-Brasileiro:
“Tributo a Mestre Bigodinho” e “Umbigada” (Praça da Matriz)

3º Dia – 29/11 – SANTIAGO DO IGUAPE

9:00 – Café coletivo na Casa do Samba
9:40 – Saída para Santiago do Iguape;
10:30 – Chegada + Roda de capoeira e confraternização
com velhos mestres da comunidade;
13:00 – Almoço em Santiago do Iguape
14:00 – Oficina de Berimbau e Cantigas com Mestre Felipe
16:00 – Retorno para Santo Amaro;
17:00 – Roda de encerramento na Casa do Samba
18:30 – Retorno para Salvador.
VALOR DA INSCRIÇÃO R$ 130.00
incluindo alimentação, transporte, hospedagem , oficinas e camisa.

Postado por LUA RASTA

Lançamento do documentário Memórias do Recôncavo: Besouro e Outros Capoeiras

O vídeo-documentário Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras, do cineasta, músico, capoeirista e professor universitário da Ufba, Pedro Abib, 45, será lançado oficialmente no Brasil, durante a 35ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia e o filme estará concorrendo ao prêmio de melhor documentário.

O Filme foi exibido em Julho em Portugal onde teve uma enorme recptividade e foi aclamado como um dos melhores vídeo-documentário dirigídos a nossa arte capoeira.

Data: 14/09/08 (domingo)
Local: Sala Walter da Silveira (Barris)
Horário: 16 horas

Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras, contemplado pelo edital Capoeira Viva – 2006 do Ministério da Cultura do Governo Federal é um documentário que aborda a capoeira e suas histórias num dos prováveis locais de seu surgimento no Brasil: o Recôncavo Baiano. A partir de depoimentos de antigos capoeiras moradores da região e também de estudiosos e pesquisadores, busca-se reconstruir a memória sobre fatos e personagens envolvidos com essa importante manifestação da cultura afro-brasileira, trazendo ainda um rico acervo de imagens de arquivo. O filme também busca reconstruir a história de um famoso personagem da região e um ícone da capoeira: o lendário Besouro Mangangá.

A Origem da Capoeira

A capoeira tem como um de seus prováveis locais de origem, segundo vários historiadores, uma das regiões mais férteis no sentido do florescimento cultural de raiz afro-brasileira: o Recôncavo Baiano. Segundo o cineasta Pedro Abib, o projeto está fundamentado a partir de uma profunda pesquisa documental sobre aspectos do surgimento da capoeira nessa região, contando também com depoimentos colhidos entre antigos moradores, mestres de capoeira, historiadores e pesquisadores da região.

“A partir das histórias narradas pelos antigos habitantes e da visita aos locais mais importantes como os velhos engenhos, fazendas, cidades, povoados e localidades do Recôncavo, reconstruimos uma parte da memória dos tempos dos grandes capoeiras da época a exemplo das lendárias figuras como Besouro Mangangá, Neco Canário Pardo, Cobrinha Verde, Ferreirinha de Santo Amaro, Gato, Noca de Jacó, Siri de Mangue, entre tantos outros capoeiras do Recôncavo que deixaram seus nomes na história”, disse Abib.

Entre os filmes já realizado pelo cineasta Pedro Abib destacam-se Batatinha e o Samba Oculto da Bahia (2007), premiado com dois “Tatu de Ouro” na 34ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia – 2007 (melhor Documentário e melhor Vídeo da Jornada) e Menção Honrosa no Festival de Cinema Atlantidoc – Montevideo – Uruguai – 2007; “Divino Espírito Popular” (2006 ) Selecionado para a Jornada Internacional de Cinema da Bahia -2006 e convidado para o Festival de Cinema Africano em Tarifa (Espanha) – 2006; “O Velho Capoeirista: Mestre João Pequeno de Pastinha” (1999) Prêmio Melhor Documentário no Festival de Artes da UNICAMP – 2002; “Fome de Que?” (1998) Participante do Festival de Cinema e Vídeo da Fundação Cultural de Salvador, 1998.

DocDoma Filmes

2008 é um ano de desafios para a DocDoma Filmes. Além do lançamento do documentário MEMÓRIAS DO RECÔNCAVO: BESOURO E OUTROS CAPOEIRAS, a produtora tem ainda a responsabilidade de produzir os filmes: O Trampolim do Forte, de João Rodrigo Matos, longa-metragem ( ficção ) com recursos do Ministério da Cultura; Cuíca de Santo Amaro – Ele o Tal, de Joel de Almeida e Josias Pires, longa-metragem (documentário) com recursos da Petrobras, Lei Rouanet, além dos curtas-metragens Cães, de Adler Paz e Premonição, de Pedro Abib, ambos filmes de ficção, vencedores do Programa Petrobras Cultural.

A DocDoma Filmes é uma produtora baiana que atua na criação e produção de documentários, curtas e longas metragens, vídeos institucionais, promocionais e educativos, além da produção de conteúdos para televisão.

FICHA TÉCNICA:

  • Argumento, Roteiro e Direção: Pedro Abib
  • Direção de Produção: João Rodrigo Mattos
  • Produção Executiva: Adler Paz
  • Direção de Fotografia: Alexandre Basso
  • Som: Kico Povoas
  • Montagem: Bau Carvalho
  • Produção: DocDoma Filmes
  • Ano de realização: 2008
  • Suporte: HDV
  • Duração: 54’

Jornalista Responsável:
Luiz Henrique Sena (71 8201-7018/ 71 3354-6123)
DRT 1879 Ba
Contato do Diretor: Pedro Abib : 71 8150-2882/71 3285-3292 pedrabib@ufba.br

DOC FILMES PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA.

Rua Almeida Garret, 35, Sala 205, Itaigara, Salvador – Bahia. Cep: 41815-320.

Telefax: (71) 3354-6123 – CNPJ: 07.718.282/0001-06