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Culto à memória: Xangô Rezado Alto celebra a Memória do conhecido “Quebra de 1912”

Na próxima quarta, 01 de fevereiro, uma importante página poderá está sendo escrita na história de Alagoas, enquanto outra será virada. Há 100 anos um dos episódios mais tristes do estado estava em curso, com a destruição de todas as casas de matriz africana de Maceió, o que causou feridas que até hoje estão abertas e com as quais convivemos e sofremos.

Da destruição e perseguição dos seguidores e admiradores da cultura afro-brasileira, muitos se sentiram obrigados a abandonar sua cidade e mudar-se para outros estados, ajudando a desenvolver sua cultura em novos ares em estados como Pernambuco e Bahia.

Para marcar esse centenário e trazer a discussão sobre a intolerância religiosa e cultural, a Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) realiza neste ano o projeto Xangô Rezado Alto, uma referência antagônica do que ficou conhecida a prática de se celebrar seus ritos com os atabaques sendo tocados timidamente, ou simplesmente baixo, o que ficou conhecido por “xangô rezado baixo”.

A ideia surgiu de uma série de fatos e ações desenvolvidas por seguidores, populares, estudiosos e admiradores da cultura afro em Alagoas, como os professores universitários Edson Bezerra, Rachel Rocha, Clébio Araújo e do saudoso Marcial Lima, quando estava a frente da Fundação Municipal de Ação Cultural em meados dos anos 2000. Outros dois movimentos lembrando o episódio ocorreram em 2006 e 2007, sempre com a participação popular, mas ainda com pouca força.

O projeto “Xangô Rezado Alto – o centenário do Quebra” surgiu de uma inquietação da nova gestão da UNEAL, hoje representada pelo reitor Jairo Campos e do vice-reitor Clébio Araújo, que procurou à época (2010) o consultor para projetos culturais, Vinícius Palmeira, para formatação e tramitação do projeto no Ministério da Cultura, culminando, no fim de 2011, na aprovação e liberação de recursos federais oriundos do Fundo Nacional de Cultura.

Logo em seguida as Federações e Comunidades Terreiros de Alagoas foram convidadas a participar do projeto, e assim uma forte aliança entre a academia e o popular foi formada, em prol de uma das maiores manifestações culturais que o estado já viu, não para protestar ou festejar, mas para celebrar a memória, com paz, de um fato determinante para a formação histórico-cultural do alagoano neste último século. Além de uma grande rede de parceiros que aderiram ao projeto como UFAL, Federações e Comunidades Terreiros de Alagoas, CESMAC, Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, ITERAL, IHGAL, IPHAN, Secretaria de Estado da Educação, BRASKEN, Articulação da Cultura Popular e Afroalagoana e IZP.

“Esse é um projeto fundamentado em diversas ações realizadas por nós e tantas outras pessoas, há pelo menos 07 anos junto ao movimento negro e manifestações culturais de matriz africana em Alagoas e isso só se concretizou graças à união de todos”, explicou o vice-reito da UNEAL, Clébio Araújo.

Segundo o Reitor Jairo de Campos, “A UNEAL vive um momento de maior aproximação com a comunidade e os movimentos sociais, e esse episódio é bastante emblemático, por isso pretendemos dar mais visibilidade às manifestações de cultura negra em Alagoas e buscamos no Ministério da Cultura o apoio financeiro para isso, com uma contrapartida nossa e juntamente com outros parceiros. Desta forma, assim, podermos demonstrar o poder de reação e resistência, elevando a auto-estima do povo alagoano, num trabalho que iniciou-se em outubro de 2010 e que agora colocamos em prática”.

O projeto inicia-se nesta próxima quarta (01), mas se estenderá até o mês de maio com ações como seminário, congressos, prêmio cultural etc… pondo em discussão tudo que cerca, não só o fato do “quebra” em si, mas também os anseios e necessidades de todo um movimento sócio-religioso e cultural.

 

O Cortejo

 

No dia 01 de fevereiro acontecerá um grande cortejo reunindo babalorixás, yalorixás, ogãs, artistas, grupos, admiradores e populares que juntos sairão, vestidos de branco, às 15h da Praça D. Pedro II (Praça da Assembleia), percorrendo a Rua do Sol, fazendo duas homenagens: uma à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que nasceu capela, e foi edificada por iniciativa dos negros em 1820; e outra homenagem ao prédio do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) onde hoje está guardada a Coleção Perseverança, composta de peças que escaparam ao fogo à época e foram recolhidas pelos pesquisadores Abelardo Duarte e Théo Brandão junto à Sociedade Perseverança e Auxílio dos Empregados do Comércio de Maceió, onde ficaram guardadas durante décadas,compondo hoje o acervo do IHGAL.

Após essas homenagens o cortejo seguirá para a Praça Mal Floriano Peixoto (Praça dos Martírios) onde uma grande congregação cultural acontecerá, após a realização de um fato inédito na história do Brasil, quando o Governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, assinará um ato onde, oficialmente, o Governo de Alagoas pedirá perdão às comunidades terreiros e ao povo alagoano pela barbárie cometida em 1912. Não se tem registro de nada parecido. Um chefe do executivo estadual pedindo perdão por um ato de extrema crueldade e intolerância religiosa. “Não há dúvidas que este será um fato que ficará para a história, pois pela primeira vez o governo estará reconhecendo a violência praticada no passado, dando-lhe um caráter oficial, e ao mesmo tempo, pedindo perdão por isso”, constata o Antropólogo e Sociólogo Edson Bezerra, estudioso do assunto e um dos incentivadores e colaboradores de todo esse movimento.

Após esse ato oficial segue uma programação cultural que se estende também ao dia seguinte, conforme a programação abaixo:

 

Dia 01 de fevereiro

18h – Hip hop – Guerreiros Quilombolas

19h – Afoxé Oju Omim Omorewá

20h – Wilma Araújo “70 anos de Clara Nunes”

21h- Igbonan Rocha em “Coisa de Nêgo”, com participação especial da Escola de Samba Girassol

22h- Orquestra de Tambores

23h- Vibrações

 

Dia 02 de fevereiro

Praça Mal. Floriano Peixoto (Praça dos Martírios)

17h- Banda afro Gifá Lomin

17:30h– Malungos do Ilê

18h- Maracatu Raiz da Tradição

18:30h- Projeto INAÊ

19h – Guerreiro Vencedor Alagoano (Mestre Juvenal)

19:30h-Afoxé Odô Iyá

20:30h- Jurandir Bozo com o show “Pros pés”, com participação dos grupos de coco de roda “Xique-xique”, do Jacintinho e “Pau-de-arara”, da Pitanguinha

21:30h- Mariene de Castro (BA)

 

Segundo a organização, a ideia é que essa celebração aconteça anualmente, como lembra o Diretor Geral do projeto, Vinícius Palmeira: “O que queremos é que essa data se firme no calendário de eventos de Alagoas para que possamos dar mais visibilidade ao movimento, mas também contribuir para o aumento da auto-estima do alagoano… pois o que queremos é criar a Noite do Xangô Rezado Alto”, concluiu.

Quem quiser mais informações, é só acessar o blog do projeto, que já se tornou em pouco tempo, uma ferramenta essencial de pesquisa sobre o tema: www.xangorezadoalto.blogpost.com

 

Para entender o Quebra

 

Por Rachel Rocha*

 

O episódio conhecido como Quebra de Xangô foi um ato de violência praticado em 1º de fevereiro de 1912 contra as casas de culto afrobrasileiras de Maceió e que se estendeu pelo interior de Alagoas. Naquele dia, babalorixás e yalorixás tiveram seus terreiros invadidos por uma milícia armada denominada Liga dos Republicanos Combatentes, seguida por uma multidão enfurecida, e assistiram à retirada à força dos templos de seus paramentos e objetos de culto sagrados, que foram expostos e queimados em praça pública, numa demonstração flagrante de preconceito e intolerância religiosa para com as nossas manifestações culturais de matriz africana.

Esse evento, que intimidou o povo de santo e suas práticas nas décadas subsequentes proporcionou o surgimento de uma manifestação religiosa intimidada, denominada Xangô Rezado Baixo, uma modalidade de culto praticada em segredo, alimentada pelo medo, sem o uso de atabaques, e animada apenas por palmas. Essa violenta ação contra o povo de santo tem repercussões contemporâneas e pode ser apontada como uma das fortes causas da invisibilidade de uma prática religiosa que é extremamente expressiva na capital e no interior de Alagoas, pois as pesquisas de estudiosos do tema apontam para a existência de cerca de 2 mil terreiros em todo o Estado.

O evento que hoje celebramos em memória ao episódio do Quebra dos terreiros, denominado Centenário do Quebra – Xangô Rezado Alto, recupera esse passado e reivindica da população alagoana e dos poderes públicos constituídos, atenção e compromisso para com as causa das populações afro-descendentes que não podem, não devem e não irão mais se intimidar frente às injustiças históricas praticadas no passado e que relegaram nossa população afrodescendente a situações de exclusão e de extrema dificuldade.

Por isso Xangô Rezado Alto, para que nunca mais em Alagoas, as comunidades afroreligiosas se sintam intimidadas ou envergonhadas de professar sua religião que é um grande e reconhecido contributo para a formação da cultura alagoana e que muito nos orgulha.

 

*Rachel Rocha (Jornalista, Antropóloga, professora e Vice-reitora da UFAL)

 

Serviço:

Xangô Rezado Alto

Dia 01/02

Cortejo a partir das 14h, da Praça da Assembleia

Praça dos Martírios

Assinatura do pedido oficial de perdão do Governo do Estado

Apresentações artísticas

Dia 02/02

Praça dos Martírios

17h- Apresentações artísticas locais

21:30h Show com Mariene de Castro

 

Informações: (82) 3315-7892

www.xangorezadoalto.blogpost.com

Palmares recupera símbolo da religiosidade africana e reinagura Praça dos Orixás

Fundação investe R$ 550 mil na recuperação das peças e atenta para a responsabilidade da manutenção do patrimônio público

A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, investiu R$ 730 mil reais na recuperação das estatuas dos Orixás do escultor baiano Tatti Moreno e no evento de reinauguração da Praça dos Orixás, em Brasília. O presidente da Fundação, Zulu Araújo, representará o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, no evento que começa a partir das 18h no dia 31 de dezembro. Antes da abertura religiosa com o cortejo a Yemanjá, terá apresentação dos grupos Filhos de Gandhy e Banda Ase Dudu.

As estátuas são réplicas das esculturas instaladas no Dique do Tororó, em Salvador, e foram decapitadas e queimadas em forte indicio de intolerância religiosa. A depredação começou ainda em 2005, mas em 2007, 12 das 16 estátuas foram destruídas.

“É um momento histórico para os adeptos das religiões de matriz áfrica, para os negros, para a Palmares, para o Ministério da Cultura e mais, é um momento histórico para o exercício da cidadania e da democracia em nosso País”, afirma Zulu Araújo.

Para Zulu a restauração das estatuas e a reinaguração da praça representa uma resposta ao ato de vandalismo de quem deveria manter a paz, a harmonia e o respeito ao próximo. “É uma clara manifestação de segmentos religiosos neopentecostais. “O direito ao culto religioso é uma garantia da Constituição Federal e destruir símbolos das religiões africanas não é um desrespeito apenas a fé das pessoas, mas sim a nossa Constituição”.

O processo demorou quase dois anos, explica Zulu. “Foi uma grande batalha a disponibilização de recursos para cumprir nosso papel de enfrentar a intolerância religiosa. Conseguimos o dinheiro, recuperamos os símbolos e agora é preciso que o Governo do Distrito Federal (GDF) cumpra também o seu papel, que é defender o patrimônio público e punir os atos de vandalismo como eles devem ser punidos. Queremos o mesmo tratamento que é dado aos outros espaços públicos, como a Igrejinha da asa Sul, por exemplo, quando ela pegou fogo o GDF deu um jeito de garantir sua recuperação e a praça dos Orixás deve ter o mesmo tratamento e ser qualificado urbanisticamente, com segurança, iluminação, limpeza”.

Além de Zulu Araújo, estarão presentes da solenidade de reinaugaração da Praça dos Orixás, o Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannchi e os presidente da FBEUC, mãe Marinalva, do Ilê Asé Ode, pai Ribamar e da Sociedade Religiosa Ilê Oxum Opó Afonjá Oni Xangô, pai Raimundo.

Local:

Ponte Costa e Silva (Prainha)

Programação:

18h – Solenidade de reinauguração da Praça

19h – Apresentação dos Filhos de Gandhy

20h – Apresentação cultural da Banda Ase Dudu

21h – Abertura religiosa – cortejo a Yemanjá

Valores:

Recuperação das peças – R$ 550 mil

Reinauguração da Praça dos Orixás – R$ 180 mil

Assessoria de Comunicação
Fundação Cultural Palmares
Ministério da Cultura
(61) 3424 0166 / 0162
(61) 9773 6006
www.palmares.gov.br

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal

Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica

Rio – As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.

A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.

Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO

“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore

Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.

Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.

Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.

VIVA VOZ

Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

Fonte: O Dia

Brasil mobiliza-se pela Liberdade Religiosa – Atos em Salvador, POA, Sampa e RJ

Da Sereia de Itapoã, em Salvador ao Largo Zumbi dos Palmares, em POA, passando pelo Rio e São Paulo, religiosos mobilizam-se pela liberdade no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

SÃO PAULO – SP

DATA: 21/01
HORA: DURANTE TODO O DIA
LOCAL: Ilê Axé Oyá Ogun

Os filhos de santo do babalorixá Flávio de Yansã reúnem-se num protesto silencioso pelo fechamento do barracão pela Prefeitura de Sâo Paulo, em agosto de 2008. A casa foi lacrada pela com alegação de que está situada em zona residencial. Nenhuma outra isntituição religiosa do bairro foi alvo deste tipo de atuação. A casa funciona há 25 anos no mesmo local, com a documentação e legalização toda em dia.
O processo de insconstitucionalidade e a denúncia de intolerância religiosa por parte do município tramitam no TJ-SP e na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República

Serviço:
Pai Flávio de Yansan – Tel: 11.50718912 / 35424319

SALVADOR – BAHIA

DATA: 21/01
HORA: 9h
LOCAL: Sereia de Itapoã – Salvador

Católicos, evangélicos, judeus, espíritas, umbandistas e budistas unem-se aos filhos de santo de Mãe Gilda – mãe de santo que sofreu enfarte fulminante ao ver sua publicada na Folha Universal com o título de charlatã e cuja a data da morte é lembrada como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, por força de Lei Federal – para uma grande caminhada em defesa da Liberdade Religiosa, nesta quarta (21/01), às 9h, na Sereia de Itapoã. A caminhada segue pela orla de Salvador em direção a Lagoa do Abaeté. No local, onde localiza-se até hoje casa de Mãe Gilda (Abassá do Ogun), será feito o lançamento da Cartilha Ecológica, além de apresentações culturais e atos religiosos. A pastoral da Juventude e a Arquidiocese de Salvador apóiam o evento.

Aprsentações Culturais
Boloc Afro Malê de Balê
Malezinho
As Ganhadeiras de Itapuã
Grupo de Percurssão e Dança do Terreiro Oxumarê

Serviço:
Mãe Jacyara de Oxum – Tel: 71.32851769 / 88044528

RIO DE JANEIRO – RJ

DATA: 21/01
HORA: 10h
LOCAL: Cine Odeon – Praça da Cinelândia / Centro

Lançamento nacional da Cartilha da Liberdade que vai orientar as polícias no devido enquadramento de crimes de intolerância religiosa. O evento reúne lideranças religiosas, autoridades, artistas e intelectuais num evento pela Liberdade. Presenças confirmadas: Muniz Sodré, Luis Paulo Horta, Denise Tredler (desembargadora, representando o presidente eleito do TJ-RJ, Luis Szveiter), Carlos Vereza e diversos outros artistas.
O evento acontece durante todo o dia e ás 18h terá o lançamento do DVD da I Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. A entrada é franca e a cartilha e o DVD serão distribuídos gratuitamente.

Serviço:
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Tel: 21.22733974 / 97958867

PORTO ALEGRE – RS

DATA: 21/01
HORA: 16H
LOCAL: Largo Glênio Peres, Centro – POA

Lideranças religiosas da umbanda e do candomblé reúnem-se ás 16h, Largo Glênio Peres para a I Marcha Estadual Contra a Intolerância Religiosa e Pela Vida. A caminhada está prevista para iniciar às 18h, com saída do Mercado Público (com homenagem ao Bara do Mercado) seguindo pela Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde acontecerá um ato público. Haverá também uma atividade no Gasômetro, em que religiosos de matriz africana entregarão um presente às divindades das águas.
Neste dia, os religiosos entregarão um Ação de Incosntitucionalidade na Assembléia Legislativa contra uma lei que impede as casas de matriz africana de realizar seus cultos.

Serviço:
Baba Diba de Yemonja: (51) 9986.9719 – 3333.9224 – 3333.9736

Mais informações:
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Rosiane Rodrigues
Tel: 22733974 / 97958867

Cultura: Mestre Moraes & 25 anos do Ilê Asipá

Mestre Moraes, um dos principais expoentes da Capoeira Angola, que ao longo dos anos vem se destacando de forma ímpar na preservação da essência da "capoeira mãe" e na preocupação com a ancestralidade do ritual que envolve a Capoeira de Angola, foi o convidado especial da festa cultural e religiosa em homenagem aos 25 anos do Ilê Asipá, onde afirmou que "Enquanto manifestação de matriz africana, a capoeira é regida pelo princípio ancestral. É nos antigos mestres que nos espelhamos para manter viva essa tradição”.
Mestre Moraes é O coordenador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP)
Luciano Milani


DVD registra história dos  25 anos do Ilê Asipá
Salvador – Os 25 anos de trajetória da Sociedade Religiosa e Cultural Ilê Asipá serão registrados em um DVD que teve projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet. A gravação das imagens foi feita durante o evento que comemorou o aniversário da casa, entre os dias 19 e 21 de maio. A programação incluiu uma exposição de 300 fotografias – com curadoria de Denisson de Oliveira – que são um registro histórico das mais de duas décadas do espaço, localizado no bairro de Piatã, em Salvador, e fundado pelo Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi.
 
Outros destaques foram o concerto da cantora soprano dramática Inaycira Falcão dos Santos e o seminário sobre Ancestralidade Existencial – coordenado pela antropóloga Juana Elbein dos Santos – e com a participação de pesquisadores da Bahia e de outros estados, além do artista plástico Emanuel Araújo. Todas as palestras foram transcritas e serão editadas para posterior divulgação.
 
Capoeira – Uma roda de capoeira comandada pelo Mestre Moraes deu a largada para o último dia do evento que comemorou os 25 anos da Sociedade Religiosa e Cultural Ilê Asipá. O coordenador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho destacou a ligação da capoeira com a ancestralidade.
 
“Enquanto manifestação de matriz africana, a capoeira é regida pelo princípio ancestral. É nos antigos mestres que nos espelhamos para manter viva essa tradição”, afirmou Pedro Moraes Trindade, o Mestre Moraes.
 
A noite teve ainda a exibição dos filmes Panteão da Terra e O Emocional Lúcido, ambos produzidos pela Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil, a SECNEB, e dirigidos pela antropóloga Juana Elbein dos Santos. “Essas obras tentam suprir a falta de um material que substitua com dignidade e profundidade a tradição de matriz africana no Brasil”, destacou o pesquisador Marco Aurélio Luz, mediador do debate realizado após a exibição do material audiovisual.
 

Convenção Internaciona de Capoeira, Bahia e o Candomblé

Estourou pelo mundo afora, mal foi anunciada esta Convenção, uma forte discussão. Alguns aplaudindo incondicionalmente, muitos impondo algumas condições para aplaudir.
 
Pelos artigos e notas que estamos publicando neste jornal e pelos sites de intercâmbio capoeirístico percebe-se que o maior número de  críticas está concentrado na falta de transparência, pelo menos inicial, do Evento.  Muitos estão criticando, também, a real representatividade que o evento terá para se autoproclamar de "Internacional". Ou seja, que mestres e demais especialistas, afinal, terão vez, voz e voto?
 
Não falta, como sempre, quem esteja querendo saber quem vai pagar essa conta?
 
Entendemos que esta reação é absolutamente normal e até previsível. Entendemos, também, que será positiva, pois dará preciosos subsídios para os encarregados do Planejamento da Convenção.  Particularmente, podemos garantir que a Sra. Marta Sales, uma das responsáveis pelo Evento, está reagindo muito bem e procurando incorporar ao seu trabalho toda e qualquer sugestão que seja viável, oportuna e que possa substanciar ainda mais o Evento.
 
Assim considerando, pinçamos para este pequeno artigo, mais um ponto que está despertando polêmica sobre este Evento previsto para dezembro próximo, em Salvador, Bahia: a programação sócio-religiosa que, segundo alguns, será embutida em algum momento do Evento.
 
Pela Internet circula uma lista de objetivos e programas já definidos para o Evento. Um deles é visitar algumas das internacionalmente famosas igrejas da Bahia. Embora aplaudindo, algumas lideranças da capoeira estranham a exclusão de visita similar às casas de candomblé igualmente famosas?
 
 Essas, inclusive, muito mais ligadas à  História da Capoeira.
 
Parece ser uma reivindicação justa que, seguramente, será considerada e adicionada à programação do evento.  Talvez até ensejando uma palestra sobre a "Influência das Religiões Africanas nas Américas, especialmente no Brasil". Palestra que abrangeria vários outros povos, como Cuba (Santeria). Palestra que abrangeria diversos estados brasileiros. Palestra, finalmente, que  discutiria algumas relações flagrantemente existentes entre Candomblé & Umbanda  e Capoeiragem.
 
Grandes nomes para esta conferência é que não faltam, grandes casas de candomblé para serem visitadas é que também não faltam.
 
Temos aí, portanto, mais uma sugestão para os programadores da Convenção.
 
Voltaremos a este assunto mais adiante, comentando alguns excelentes sites que podem e devem ser consultados por todo capoeira-pesquisador interessado.