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Livro Macaco Beleza e o massacre do Tabuão

Frederico José de Abreu, um dos mais conceituados e importante pesquisador/historiador da Cultura Afro Brasileira em especial da nossa capoeiragem, autor de “O Barracão do mestre Waldemar” e “Capoeiras: Bahia, século XIX”, duas das obras mais conhecidas da literatura sobre a Capoeira, acaba de lançar um novo livro intitulado: Macaco Beleza e o massacre do Tabuão. Com certeza uma ótima dica de leitura e presença obrigatória nas prateleiras das bibliotecas e acervos de todo capoeirista. Segue o release enviado pelo autor

 

Manuel Benício dos Passos, vulgo Macaco Beleza, foi um capoeirista baiano que se destacou no final do século XIX, tornando-se uma figura importante, principalmente por ter se intrometido e provocado vários conflitos de rua, que se deram em Salvador, entre monarquistas e republicanos, às vesperas da Proclamação da República.

Tipo de rua, abolicionista militante, monarquista convicto, Macaco Beleza teve contatos com Rui Barbosa, Conde d’Eu e outros personagens importantes da História do Brasil da época. Ele defendeu de corpo e alma a monarquia e tornou-se um dedicado admirador da princesa Isabel. E, por isso, foi um dos principais membros da Guarda Negra baiana e líder dessa instituição para os conflitos de rua.

Como membro da Guarda Negra organizou o Massacre do Tabuão, quando sua turma surpreendeu os republicanos em passeata, com emboscadas, tendo na ocasião tentado assassinar Silva Jardim, famoso tribuno republicano em campanha política na Bahia, contra a Monarquia.
Os acontecimentos relacionados com esse episódio – O Massacre do Tabuão – revelam muitos aspectos que envolviam a vida dos capoeiras de então, como as arruaças por eles provocados, a lábia e a formas orais de provocação dos conflitos; ligações com o poder e outros aspectos importantes para se compreender a cultura da capoeira da época e dos nossos dias.
Este livro dá continuidade à série Capoeiras, Bahia, século XIX, sendo dessa o segundo volume publicado. O autor, Frederico José de Abreu, é autor de outros livros como Bimba é bamba, o Barracão do Mestre Waldemar, Capoeiras, Bahia, século XIX.

Serviço

Livro: Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão
Escritor: Frederico José de Abreu
Editora: Barabô
ISBN: 978-85-62542-02-2
Tamanho: 12,7cm x 20cm
Páginas: 84 páginas
Ilustrações: Sante Scaldaferri
Fotos: Dadá Jaques
Valor: R$ 20,00 mais despesas postais
Emails: fredeabreu@gamil.com / barabolaroye@yahoo.com.br
Tel: (71) 3266-6092 (pela tarde e noite) / (71) 3136-6709 (pela manhã)

UNESDOC Database: Coleção História Geral da África em português

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

  • Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)
    ISBN: 978-85-7652-123-5
    • Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)
      ISBN: 978-85-7652-124-2
      • Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)
        ISBN: 978-85-7652-125-9
        • Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)
          ISBN: 978-85-7652-126-6
          • Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb) 
            ISBN: 978-85-7652-127-3
            • Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)
              ISBN: 978-85-7652-128-0
              • Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)
                ISBN: 978-85-7652-129-7
                • Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)
                  ISBN: 978-85-7652-130-3
                • UNESDOC Database – http://www.unesco.org/new/en/unesco/resources/online-materials/publications/unesdoc-database/

                   

                  UNESCO works to create the conditions for dialogue among civilizations, cultures and peoples, based upon respect for commonly shared values. It is through this dialogue that the world can achieve global visions of sustainable development encompassing observance of human rights, mutual respect and the alleviation of poverty, all of which are at the heart of UNESCO’S mission and activities.

                  The broad goals and concrete objectives of the international community – as set out in the internationally agreed development goals, including the Millennium Development Goals (MDGs) – underpin all UNESCO’s strategies and activities. Thus UNESCO’s unique competencies in education, the sciences, culture and communication and information contribute towards the realization of those goals.

                  UNESCO’s mission is to contribute to the building of peace, the eradication of poverty, sustainable development and intercultural dialogue through education, the sciences, culture, communication and information. The Organization focuses, in particular, on two global priorities:

                  And on a number of overarching objectives:

                  Teatro: Homenagem ao Capoeirista e Herói Popular Besouro Cordão de Ouro

                  Depois de ler ‘Mar Morto’, livro de Jorge Amado, Paulo César Pinheiro se apaixonou pela história de Besouro, um dos maiores capoeiristas de todos os tempos.
                  O músico, que já compôs várias canções sobre o mito, como ‘Lapinha’, eternizada na voz de Elis Regina, estréia como autor teatral no dia 15, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o musical ‘Besouro Cordão-de-Ouro’. “É um personagem riquíssimo, e acho interessante recuperar a história de um ícone tão brasileiro”, conta Paulo César.

                  BESOURO CORDÃO-DE-OURO

                  Espetáculo musical em homenagem ao capoeirista e herói popular Besouro Cordão-de-Ouro, que viveu e construiu sua legenda em terras baianas no final do século XIX e início do século XX. O palco se transforma numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, uma valorização da cultura negra.

                  Autoria de Paulo César Pinheiro.

                  Ana Paula Black
                  Cridemar Aquino
                  Maurício Tizumba
                  Raphael Sil
                  Sérgio Pererê
                  William de Paula
                  Wilson Rabelo
                  Gilberto Santos da Silva “Laborio”
                  Letícia Soares
                  Marcelo Capobiango
                  Valéria Monã
                  Victor Alvim “Lobisomem”
                  Alanzinho Rocha
                  Iléa Ferraz

                  Direção:João das Neves
                  Direção musical: Luciana Rabello
                  Coordençaõ de capoeira: MESTRE CAMISA

                  5/março a 25/abril/2010
                  6a a domingo, 20h.

                  R$ 4 (comerciários), R$ 8 (estudantes, idosos), R$ 16. [livre]

                  Sesc Tijuca

                  Endereço
                  Rua Barão de Mesquita, 539

                  Telefone
                  (21) 3238-2100/Fax: (21) 2570-4178

                  Crônica: A capoeira vai a luta

                  O Mestre Primeiro vem nos contar um pouco da história da capoeira, e de suas andanças nas rodas do mundo. Neste seu primeiro artigo, escrito para a Gazeta Carioca, que pela sua relevância e coerência, decidimos publica-lo em nosso PortalCapoeira.com, conta um pouco dos capoeirista na guerra do Paraguai.

                  Luciano Milani

                  Imagine um país de 100.000 habitantes e, de repente por necessidade de mão de obra é invadido por mais de 3.000.000 de pessoas, não dá para imaginar? Mais aconteceu, há dois séculos aqui no Brasil e assim nasceu à capoeira.

                  A capoeira é uma luta genuinamente brasileira, inventada por diversas etnias africanas em solo brasileiro e aprimorada por brasileiros descendentes de africanos aqui no Brasil.

                  No início esta luta rasteira era altamente eficiente, as pernadas, as cabeçadas, as rasteiras e alguns pulos eram o terror para quem decidia provar ou comprovar desta dança/luta que aqui nasceu. Que digam os paraguaios na guerra (massacre) que ocorreu quando enfrentavam a tropa dos zoavos baianos.

                  Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai.
                  O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram “recrutados ” nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.
                  Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a “ralé” da marujada.

                  Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no “Parnahyba”) era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)

                  Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

                  Manuel Querino descreve-nos “o brilhante feito d’armas” levado a efeito pelas companhias de “Zuavos Baianos” no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa – posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d’Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta “Parnahyba” que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: “O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga”. (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)_

                  O 31º de Voluntários da Pátria – policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras – também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,”investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem” (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).
                  Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o “guerreiro brasileiro”.
                  Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em “heróis”, e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial. Mas isto é outra história.

                  No século passado visando aumentar esta eficiência o reconhecido Mestre Bimba levantou a luta, deu mais agilidade, trouxe golpes traumáticos de outras artes marciais, acelerou e aprimorou a capoeira. E não só isso, conseguiu autorização para ensinar e praticamente difundiu esta capoeira eficiente como luta para o resto do mundo. Não posso esquecer de mencionar que a capoeira sempre foi marginal, no início disfarçada como dança, depois reprimida como chaga, por algum tempo alertada da polícia por assobio, praticada em vielas e becos escuros; já recente praticada somente na zona norte da cidade e graças a uns garotões que foram beber nesta fonte pelos idos dos anos 60, difundida em toda zona sul do Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo.

                  Esses garotões? o pessoal do grupo Senzala. Se citar alguns e deixar outros de fora posso ser injusto. E pelo mundo, graças ao grupo Abadá e a figura notória do Mestre João Grande.

                   

                  Mestre Primeiro

                  A capoeira é uma expressão cultural afro-brasileira que mistura luta, dança, cultura popular, música, esporte, artes marciais e brincadeira. Não se sabe ao certo como e onde surgiu a capoeira, provavelmente no século XVII quando ocorreram os primeiros movimentos escravos de fuga e rebeldia, mas só no século XIX há registro de sua prática. Hoje a capoeira se divide em 3 estilos: angola, regional e contemporânea.

                   

                  Tive o prazer de desfrutar da amizade de muitos e aprender a viver com outros, tive a honra de jogar capoeira em 1999 com o Mestre Valdomiro Malvadeza (discípulo de Mestre Pastinha) no Cruzeiro, Pelourinho/Bahia, da amizade posso citar: Mestre Mário Bom Cabrito, Mestre Gildo Alfinete, Mestre Mala da Bahia, Mestre Nestor Capoeira, Mestre Lua, Mestre Peixinho, Mestre Tony Vargas, Mestre Hulk, Mestre Mola, Mestre Mão Branca e desculpem os amigos que não citei, ficam na memória, guardo a verdadeira amizade no coração.

                  Quanto à vida meu principal professor foi o Mestre Leopoldina e falar sobre Leopoldina não pode ser numa coluna. Desde 1972 segui seus ensinamentos, interrompidos um dia antes de meu aniversário em 2007 na forma presencial e levados adiante toda vez que pego meu berimbau olho para o céu e canto “ … foi o meu Mestre, me botou neste caminho, me livrou de muito espinho, de Primeiro me chamou…”

                   

                  Fonte: http://www.gazetacarioca.com.br

                  ALDEIA KILOMBO Século 21 lança os PRODUTOS CULTURAIS: PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG

                  Curta metragem, revista, site e exposição fotográfica sobre a cultura popular de BH  têm lançamento no Palácio das Artes com a presença dos Mestres da Cultura Popular da cidade


                  AMANHÃ, SÁBADO, dia 05 de dezembro, a partir das 14h, no Palácio das Artes (Livraria Usina das Letras e sala Humberto Mauro), a ALDEIA KILOMBO Século 21, a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro – ACESA e a ATOS Central de Imagens, realizam o lançamento dos produtos culturais “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá- MG”.

                  O evento integra as atividades em comemoração à CONSCIÊNCIA NEGRA e está sendo realizado com o coletivo ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21, composto por oito segmentos da cultura popular de BH: Capoeira Angola, Dança Afro, Reggae, Hip Hop, Samba e Religiosidades (Candombe, Candomblé, e Congado).

                  Essas manifestações da cultura popular de BH foram abordadas como tema/PERSONAGENS do projeto “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG” para a realização dos PRODUTOS CULTURAIS que serão lançados oficialmente no evento:

                  1- curta metragem “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG” (realizado pelos alunos da Oficina de Produção Audiovisual “Documentos de Si”),
                  2- site www.eusouangoleiro. org.br
                  3- edição nº 3, da Revista “Angoleiro é o que Eu Sou!” (mais de 40 reportagens com mestres da cultura popular de MG).
                  4- Exposição fotográfica “Documentos de Si” (Still: fotos de cenas da gravação do curta)

                  ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21 – ATRAÇÕES CULTURAIS
                  * RODA DE CAPOEIRA ANGOLA do grupo Eu Sou Angoleiro, com a participação especial de representantes de outros grupos de capoeira angola de BH.
                  * RODA DE CONVERSA: tema “Cultura de Raiz é resistência ancestral”
                  Com a presença de mestres da cultura popular de BH

                  D. Isabel (Rainha Conga de MG – Guarda de Congo e Moçambique 13 de Maio)

                  Mestre Dunga ( precursor da Capoeira Regional em MG),

                  Tatetu Arabomi (Movimento Nação Bantu),

                  Mestre Conga (velha guarda do Samba de BH),

                  Carlinhos de Oxossi (Grupo Fala Tambor)

                  Mediador: M. João Angoleiro

                  * MINI APRESENTAÇÕES de Dança Afro: Companhia Primitiva de Arte Negra

                  “PAZ NO MUNDO” EM NÚMEROS
                  Entre janeiro e março de 2009 realizamos as gravações do documentário em cinco estados: Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador e Santo Amaro da Purificação (BA), Recife e  Olinda (PE) e Quilombo dos Palmares (Serra da Barriga- AL). Ao todo entrevistamos 25 mestres de capoeira angola (os mais expressivos/ importantes de cada estado);  18 mestres da cultura popular e ou agentes culturais; gravamos em 65 locações (12 BA, 25 RJ, 15 MG; 1 AL; 12 PE); Nossa equipe técnica contou com 30 profissionais e instruimos 23 alunos em nossas oficinas.

                  CAPOEIRA PARA ALÉM DO BESOURO
                  Mais do que a valorização dos golpes, da ênfase à luta, enfocada no filme “Besouro” o documentário “PAZ NO MUNDO CAMARÁ” propõe uma reflexão da capoeira para além do movimento corporal. O movimento da capoeira angola é um movimento de revolução pessoal e social. É uma luta, mas pela valorização de nossa ancestralidade, de nossas raízes e pela liberdade, realizadas nos terreiros da cultura popular em todo o Brasil.
                  O QUE É “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”
                  Nosso projeto consiste principalmente na produção de um documentário televisivo de 55 minutos sobre os 400 anos da Capoeira Angola no Brasil. Através de uma ampla pesquisa realizada nos estados do Rio de Janeiro, Bahia (Salvador e Recôncavo Baiano), Pernambuco (Recife e Olinda), Alagoas (Parque Nacional Quilombo dos Palmares – Serra da Barriga) e Minas Gerais, buscamos compreender como a Capoeira Angola conseguiu em menos de um século, transformar- se de uma luta praticada pela “escória social”, o primeiro crime terror dos republicanos oitocentistas, em um “instrumento de inclusão social e paz no mundo” – palavras do Ministro da Cultura Gilberto Gil, proferidas em conferência na ONU/Genebra em 2004.
                  O documentário televisivo “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”, foi idealizado pela ATOS Central de Imagens, em 2005 e desde 2007 vem sendo realizado em parceira com a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro. Ele ficará pronto em 2010 e será veiculado no Canal Brasil, na TV América Latina (TAL), além de TVs abertas e fechadas exibidoras desse gênero, e em mais de 60 festivais e mostras de cinema no Brasil e no mundo. Serão produzidas 200 cópias desse produto cultural que poderá ser utilizado como um novo material didático, criado para subsidiar a implantação da Lei nº 10.639/03 em escolas de Minas Gerais, e também distribuído para imprensa, formadores de opinião, embaixadas e patrocinadores. 

                  TODOS OS PRODUTOS CULTURAIS do projeto PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”:
                  1- Revista “Angoleiro É o que Eu Sou!” – Edição 3;
                  2- reformulação do site www.eusounagoleiro. org.br/portal200 9;
                  3- Oficinas de Produção Audiovisual “Documentos de Si” e de “Animação e Contação de Histórias”;
                  4- Exposição fotográfica;
                  5- curta metragem 15 min: “ PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que  o mundo dá- MG”;
                  6- documentário televiso, 55 min, “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que  o mundo dá”.

                  SERVIÇO
                  ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21

                  faz o LANÇAMENTO dos produtos Culturais

                  “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá- MG”

                  Data: 05/12/2009 – sábado
                  Local: Livraria Usina das Letras (Palácio das Artes) – Av. Afonso Pena, 1537, Funcionários.
                  Horário: 14h

                  ASCOM: Carem Abreu (9105-4369) 
                  Informações: (031) 4063-9822
                  www.atosimagens.com.br ou www.eusouangoleiro.org.br

                  Unesco lança biblioteca mundial digital

                  A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lança nesta terça-feira a Biblioteca Digital Mundial, que permitirá consultar gratuitamente pela internet o acervo de grandes bibliotecas e instituições culturais de inúmeros países, entre eles o Brasil.

                  Dezenas de milhares de livros, imagens, manuscritos, mapas, filmes e gravações de bibliotecas em todo o mundo foram digitalizados e traduzidos em diversas línguas para a abertura do site da Biblioteca Digital da Unesco (www.wdl.org).

                  A nova biblioteca virtual terá sistemas de navegação e busca de documentos em sete línguas, entre elas o português, e oferece obras em várias outras línguas.

                  Entre os documentos, há tesouros culturais como a obra da literatura japonesa O Conde de Genji, do século 11, considerado um dos romances mais antigos do mundo, e também o primeiro mapa que menciona a América, de 1507, realizado pelo monge alemão Martin Waldseemueller e que se encontra na biblioteca do Congresso americano.

                  Entre outras preciosidades do novo site estão as primeiras fotografias da América Latina, que integram o acervo da Biblioteca Nacional do Brasil, o maior manuscrito medieval do mundo, conhecido como a Bíblia do Diabo, do século 12, que pertence a Biblioteca Real de Estocolmo, na Suécia, e manuscritos científicos árabes da Biblioteca de Alexandria, no Egito.

                  Até o momento, o documento mais antigo da Biblioteca Digital da Unesco é uma pintura de oito mil anos com imagens de antílopes ensanguentados, que se encontra na África do Sul.

                  32 instituições

                  A Biblioteca Nacional do Brasil é uma das instituições que contribuíram com auxílio técnico e fornecimento de conteúdo ao novo site da Unesco.

                  A foto da imperatriz Thereza Christina, do acervo da Biblioteca Nacional, está disponível no site O projeto contou com a colaboração de 32 instituições, de países como China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, México, Rússia, Arábia Saudita, Egito, Uganda, Israel e Japão.

                  O lançamento do site será acompanhado de uma campanha para conseguir aumentar o número de países com instituições parceiras para 60 até o final do ano.

                  “As instituições continuam proprietárias de seu conteúdo cultural. O fato de ele estar no site da Unesco não impede que seja proposto também a outras bibliotecas”, explicou Abdelaziz Abid, coordenador do projeto.

                  A ideia de uma biblioteca digital mundial gratuita foi apresentada à Unesco pelo diretor da biblioteca do Congresso americano, James Billington, ex-professor da Universidade de Harvard.

                  Ele dirige a instituição cultural do congresso americano desde 1987 e diz ter aproveitado o retorno dos Estados Unidos à Unesco, em 2003, após 20 anos de ausência, para promover a ideia da biblioteca digital.

                  “Eu lancei essa ideia e sugeri colocá-la em prática nas principais línguas da ONU, como o árabe, chinês, inglês, francês, português, russo e espanhol”, diz Billington.

                  Ele se baseou em sua experiência na digitalização de dezenas de milhões de documentos da Biblioteca do Congresso americano, criada em 1800.

                  O objetivo da Unesco é permitir o acesso de um maior número de pessoas a conteúdos culturais e também desenvolver o multilinguismo.

                  Fonte: http://ligcev.com/bibliotecaunesco

                  Capoeira revê cenário da escravidão em patrimônio histórico nos Jogos Abertos

                  Com um clima cultural, histórico e esportivo, em um dos barracões do Engenho Central de Piracicaba, durante todo dia de ontem cerca de 205 atletas se revezaram em duplas para mostrar o melhor da arte de jogar capoeira. Abrindo a competição, no segundo dia dos 72º Jogos Abertos do Interior (JAI) Horácio Baby Barioni, uma expressiva platéia observava atentamente os gingados de homens e mulheres que representavam 55 cidades.

                  Ao som do berimbau, comissão técnica, representantes de federações e amantes da capoeira, procuravam um espaço próximo das rodas para ver de perto os gestos e expressões de cada capoeirista que competia dentro das rodas.

                  Caracterizada como uma das expressões culturais mais significativas da história afro-brasileira, a capoeira remonta ao período de escravidão e opressão aos negros até o fim do século 19. Ainda ativa sob efeito dos valores que a criaram, a arte marcial vivenciou um profundo momento de revitalização histórica nos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba.

                   

                  A competição foi sediada justamente dentro de um dos patrimônios históricos mais significativos da região: o Engenho Central, localizado às margens do rio Piracicaba. Desde sua construção, em 1881, o local tornou-se uma ponte histórica até o fim efetivo da atividade escravista no Brasil, sete anos mais tarde, com a criação da Lei Áurea.

                  As paredes de tijolo e os vidros quebrados em meio à área verde da região formaram o cenário ideal para a disputa competitiva da capoeira nos Jogos Abertos. O ambiente quente de um dos galpões adaptado de maneira rústica para receber o campeonato deu um charme extra ao torneio estadual.

                  "A capoeira é uma mistura de esporte e cultura. Ela tem esses dois lados. Levamos a modalidade ao Engenho para agregar esse lado esportivo com a cultura do local. Existe toda uma identificação com o esporte pela história do lugar e o que ele representa para a cidade", explicou Luiz Antônio Chorilli, diretor técnico da Secretaria de Esportes do município.

                   

                  Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaVinculada ao cultivo da cana em massa até o início do século 20, Piracicaba polarizou a economia da região no interior de São Paulo. O Engenho Central, fundado em 1881, foi o grande símbolo do desenvolvimento da cidade na época. Mais de um século depois, o local sobrevive como um patrimônio histórico e como anfitrião de eventos especiais, como festas e a própria disputa da capoeira nos Jogos Abertos.

                  O ambiente contagiou boa parte dos participantes, como o representante de Catanduva na categoria leve, Cícero Cerqueira Leite, de 27 anos. Experiente no assunto, o atleta perdeu o braço esquerdo em um acidente,12 anos atrás, quando cortava cana em uma ensiladeira (maquina picadora).

                  Apelidado de "Fera Negra" por sua persistência e por disputar a modalidade contra rivais sem deficiência, o capoeirista destacou a emoção de participar do torneio em um lugar de grande importância histórica para o açúcar brasileiro e, principalmente, a relação com as origens da capoeira, criada na época da escravidão.

                  "A capoeira é uma expressão de liberdade. Já sabia disso antes do meu acidente e percebi isso mais ainda depois dele. O esporte me ajudou muito e sou grato por poder ‘jogar’ de igual para igual com qualquer um em lugar como esse e em um torneio importante como os Jogos Abertos", declarou Cícero, momentos antes de ser eliminado da disputa pelos primeiros lugares.

                  Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaO árbitro Orestes Ceroles concordou com o competidor. O juiz fez questão de destacar o aumento da popularidade da capoeira competitiva e defendeu que este tipo de integração histórica com o local da prática do esporte pode atrair ainda mais praticantes para a modalidade.

                  "É um esporte genuinamente brasileiro e é por causa do prestígio da capoeira que ela é disputada nos Jogos Abertos do Interior. Foi uma boa idéia trazer o torneio para cá. Aqui é tudo antigo e olha quanta gente atraiu", disse o árbitro, apontando para um grupo de oito pessoas que assistia ao torneio do lado de fora da entrada do galpão.

                   

                   

                   

                  Fonte: http://esporte.uol.com.br/ – Gazeta de Piracicaba

                  História: Gangues do Rio de Janeiro

                   

                  No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos.

                  O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

                  Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso. Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

                  Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.

                  Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

                  Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

                  Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

                  Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

                  "As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

                  Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeirateria nascido em senzalas ou quilombos.

                  "A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana", afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra "capoeira" é mencionada sem se referir à luta.

                  Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome "capoeira" teriapassado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.

                  Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

                  A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. "Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares", diz Soares.

                  As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório públicoficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

                  A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

                  A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem".

                  Chibatadas e servidão

                   

                  A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

                  No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

                  A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias – os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

                  O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

                  O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

                  Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta".

                  Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

                  Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.

                  Guerra nas ruas

                  O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.

                  Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

                  Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

                  Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

                  Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o "imperador tirânico", um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando "constituição" e "independência". Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.

                  Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

                  O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

                  A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como "as noites das garrafadas". A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

                  O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

                  Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada "gente preta".

                  O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

                  A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

                  Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

                  "Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada", afirma o historiador Soares. "Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti."

                  Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime.

                  Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

                  Fonte: Aventuras na História – historia.abril.uol.com.br/

                  Capoeiras na Bahia e no Rio do século 19 são tema de encontro

                  Uma das manifestações mais vigorosas da cultura popular do Rio de Janeiro do final do século XIX, a capoeira será o tema da aula inaugural, nesta terça-feira (2), do curso Conversando com sua História, promovido pela Fundação Pedro Calmon/Secult, às 17h, no auditório do Palácio Rio Branco. Na ocasião, o professor Carlos Eugênio Líbano dará destaque às ocorrências policiais envolvendo a prática da capoeira na província do Rio.

                  “A tradição da capoeira na Bahia já é um lugar comum nos estudos de cultura no Brasil. Mas estudos sobre a capoeira baiana do século XIX ainda são inexistentes, muito menos versando sobre capoeiristas baianos no Rio de Janeiro deste tempo”, destaca o palestrante.

                  Atualmente professor adjunto da Ufba, Carlos Eugênio tem doutorado em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas e experiência na área de História da escravidão africana no Brasil, com ênfase em História urbana.

                  Fonte: AGECOM

                  Do lenço de seda à calça de ginástica

                  Mestre Gil Velho explica as semelhanças e diferenças entre as maltas cariocas e as gangues pernambucanas no século XIX e reflete sobre a perda de personalidade sócio-cultural da capoeira

                  Ainda hoje, muito se discute sobre as origens da capoeira. Mas as perspectivas do debate estão atreladas aos diversos discursos que vestem sua imagem moderna, a esportiva. Parte-se de idéias construídas, e não de práticas sociais espontâneas.

                  A capoeira carioca está historicamente imbricada às maltas de capoeiras da cidade e à “filosofia da malandragem carioca” dos anos 1800. A baiana, por sua vez, está ligada à cultura negra baiana e especificamente ao candomblé. No Recife, ela se manifesta nas gangues de rua Brabos e Valentões.

                  Para analisarmos a essência da capoeira, temos que voltar no tempo e considerar o contexto da realidade sócio-cultural de espaços com registros identitários e territoriais dela. Neste olhar, destacam-se dois loci: Rio de Janeiro e Recife. Estes dois centros urbanos eram, no século XIX, os maiores pontos de comunicação com o resto do mundo, onde mais circulava gente, idéias, comércio. As zonas portuárias permitiam a troca de idéias entre nichos sócio-culturais semelhantes.

                  No século XIX, diversos movimentos ligados ao universo portuário apresentaram formas de organização identitária e territorial semelhantes. Eram as gangues de rua, movimentos sociais anárquicos que tinham como ponto de conexão o porto.

                  O Rio de Janeiro era a capital que tinha aberto seu porto. E Recife representava a face revolucionária da colônia, com suas insurreições contra o absolutismo português, como a revolução de 1817, um ensaio para a independência, cinco anos depois.

                  A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira, e em Recife, com as gangues de rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) em Paris e das maltas de fadistas de Lisboa do século XIX. A semelhança pode ser constatada, por exemplo, no vestuário – lenço de seda no pescoço – ou no instrumental de combate – navalha, porrete, bengala etc. O que mais chama atenção, no entanto, é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

                  Por outro lado, as perspectivas identitárias e territoriais próprias dão a cada movimento sua sócio-fronteira, com espaços personalizados dos atores em seus próprios contextos sócio-culturais. A capoeira marca sua presença em grupos de sócio-fronteiras a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro com as maltas e no Recife com as gangues. Nessas cidades, os grupos disputavam os espaços demarcados identitariamente e tinham suas próprias manifestação rítmicas.

                  Mestre Gil Velho As maltas eram confrarias cujos nomes variavam de acordo com a localidade em que se estabeleciam – seus espaços de sócio-fronteiras. A malta da freguesia de Santana, por exemplo, chamava-se “Cadeira da Senhora”, a de Santa Rita era conhecida como “Três cachos” ou “Flor da Uva”, a do bairro de São Francisco, “dos Franciscanos”, a da Glória, “Flor da Gente”, a da Lapa, “Espada”, e a do Campo da Aclamação era chamada de “Lança” ou “malta de São Jorge”.

                  Estas maltas dividiam-se em dois grupos (“nações”) rivais: os Nagoas e Guaiamus. Tinham seus sinais característicos e suas saudações típicas, assim como juramento e preces faziam parte de seu ritual. Participavam de todas as manifestações cívicas e festas populares e eram vistas durante as paradas, precedidos pelos caxinguelês (aprendizes), que vinham gingando à frente dos batalhões durantes as paradas.

                  No Recife, os grupos de capoeira se organizavam de forma semelhante, porém mais atrelados às manifestações rítmicas. As bandas militares foram as primeiras organizações rítmicas absorvidas pelos espaços iniciais de sócio-fronteiras da capoeira. A partir das Bandas do 4º Batalhão de Artilharia e o Hespanha, do Corpo da Guarda Nacional, os grupos criam duas unidades sócio-fronteiriças: O Partido do 4º ou “Banha Cheirosa” e o partido Hespanha ou “Cabeças Secas”.

                  A partir desta perspectiva identitária territorial, a capoeira pernambucana travou verdadeiras batalhas através de suas pernadas, sua ginga solta, aliadas à bengala, ao porrete, à navalha, à faca etc. Dos espaços rítmicos, o frevo – ritmo proveniente dessas estruturas de bandas e o passo da aguerrida comunicação dos capoeiras – era a última de suas brincadeiras.

                  A perda da identidade social

                  A capoeira do século XIX morre com o advento da República, tanto no Rio e como no Recife. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada.

                  Sob influência do positivismo europeu, a república introduz mudanças que alteraram a estrutura do espaço cultural carioca. Entre essas, estava a alteração da forma da malha urbana, com a destruição do morro do Castelo e a introdução sobre a nova geoforma de uma estrutura arquitetônica semelhante ao centro da cidade parisiense – largas avenidas, ruas ventiladas e arborizadas. Este processo é associado à imposição de hábitos culturais visando à melhoria da qualidade de vida da cidade, que naquele momento sofria de uma série de males produzidos pelo baixo padrão de infra-estrutura de saneamento.

                  Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social.

                  A capoeira das maltas do Rio e dos Brabos do Recife foi desmobilizada em menos de dois anos. Toda uma história de mais de quarenta anos se desfez.

                  A capoeira esportiva

                  Quando o universo interpretativo da origem e identidade da capoeira muda, há uma ruptura da capoeira como movimento social. Nasce uma capoeira sem identidade social, construída a partir dos discursos intelectuais, tanto o carioca como o baiano.

                  A capoeira atual tem toda sua construção relacionada aos discursos nacionalistas do final do século XIX e começo do XX, em duas linhas básicas: a capoeira carioca, com sua “ginástica nacional”, e a baiana, com seu “projeto regional”.

                  Mestre Gil Velho A ginástica nacional, descrita por Aníbal Burlamaqui em seu livro “Gymnastica Nacional (capoeiragem) Methodizada e Regrada”, herdeira das maltas e da malandragem, é representada por Sinhozinho, que ensina a “capoeira de sinhô” – uma capoeira para briga de rua a partir de 1930, usada por Madame Satã e os malandros da Lapa.

                  A capoeira regional, de Mestre Bimba, ligada ao candomblé e outras manifestações culturais negras da Bahia, está nos romances e personagens de Jorge Amado: há valentões e desordeiros e também jogadores mais lúdicos, como Samuel Querido-de-Deus.

                  O discurso da luta regional, auxiliado pela construção do método de Bimba, se estabelece como hegemônico. Talvez a falta de uma origem como movimento social da capoeira em Salvador tenha facilitado a construção desta proposta de capoeira, que chega aos dias de hoje e espalha-se pelo mundo todo.

                  Mas, fruto de uma construção racionalizada, essa capoeira contemporânea, esportiva, esconde a fragilidade da falta de uma personalidade sócio-cultural.

                  * Gil Cavalcanti, o Mestre Gil Velho, geógrafo, é coordenador do Projeto Memorial da Capoeira Pernambucana, do Programa Capoeira Viva, do Ministério da Cultura, 2008

                   

                  Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

                   

                  Saiba mais:

                  Referências bibliográficas

                  Capoeira ou frevo? – Vídeo mostra ritmos pernambucanos em sintonia com a capoeira

                  Centro de Referência da Capoeira Carioca