Blog

sob

Vendo Artigos etiquetados em: sob

Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira

O Camarada Miltinho e toda a equipe do Jornal do Capoeira, entram em 2006 com uma proposta nuclear… "A mulher e a Capoeira".
De São Paulo uma agradável surpresa foi o texto de Teca Sanches, abordando A Mulher e o Código Implícito do Olhar: A mandinga feminina.
 
A porta está aberta o canal de comunicação disponivel… Precisamos é de mais Mulheres dispostas a escrever e fazer valer a sua voz!!!
Como diz o meu amigo Astronauta: "Vamos no conta gota… o importante é somar… e evoluir…"
  
Nós do Portal Capoeira, como site parceiro e irmão do Jornal do Capoeira, não podemos deixar passar em branco um tema tão atual e de fundamental importância dentro e fora das rodas de capoeira e "papoeira". 
 
… Não não não… a mulher não nasceu para sofrer… Não não não… ela não deveria morrer…
… Não não não… a mulher não nasceu para sofrer… Não não não… ela tem de lutar por seu lugar!!!
   
(refrão já devidamente adaptado em respeito a força e encanto das "Mulheres Capoeiras")
  
Segue a matéria publicada no Jornal do Capoeira.


CAPOEIRAGEM & PROPOSTA 2006
Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Edição 56 – de 15/Jan a 21/dez de 2006

 

Milton Cezar Ribeiro
Jornal do Capoeira – 01/2006
São Paulo – SP

CAPOEIRAGEM & PROPOSTA 2006

Mulher Capoeirista
Estivesse a ONU encarregada de decretar "Anos Internacionais" nos diversos setores e manifestações da sociedade mundial, 2006 seguramente, seria o Ano Internacional da Mulher Capoeirista.
 
Afirmação aparentemente suspeita, posto que nosso grande tema é sempre Capoeira e a mulher, de uma ou de mil maneiras, está sempre dentro deste tema. Trata-se, entretanto, de afirmação muito razoável e muito bem fundamentada.
 
Senão, vejamos.
 
As Sociedades Africanas, como é do conhecimento de todos, de modo geral, são essencialmente matriarcais. A mulher é a base da Família na maioria dos países daquele continente, responsável pela transmissão dos primeiros ensinamentos e pela educação de sua prole. É o elo maior entre "gerações", garantindo a transmissão do que chamamos "ancestralidade".
 
Essa ancestralidade começa a ser passada já no ventre materno, quando as primeiras informações vitais, sempre carregadas de conhecimentos e sentimentos "impregnados" em nossos DNA"s, são repassadas. É no ventre materno que se recebe as vibrações positivas para que a nova vida prospere e dê também seus frutos. Somente mais tarde é que a figura masculina terá a oportunidade de "acrescentar algo" (sem negar o mérito masculino na parceria inicial carnal…). Se assim é, biologicamente, o mesmo não ocorre em termos de reconhecimento social, posto que a mulher é sempre classificada como ocupando posição secundária na família, na sociedade e…na capoeira… Em suma, embora principal jogador da equipe, a mulher continua sendo rotulada como mera coadjuvante.
 
Este quadro, felizmente, vem sendo mudado radical e rapidamente. No Mundo maior e no mundo específico da Capoeira. Com a mulher, cada vez mais, ombreando-se ao homem, deixando de ser a "rainha do lar" (eufemismo para "doméstica sem reinado") e passando ser parceira atuante do seu marido, Ou então, simplesmente, partindo para brilhante carreira "solo". É só checar as estatísticas do mundo, não apenas na África, mas nos quatro cantos do mundo. Mesmo assim falta muito a ser conquistado!
 
Existe um longo caminho ainda a ser percorrido. E o mundo da capoeira dá vários exemplos de problemas machistas que devem urgentemente serem superados. Na sua parte cantada, por exemplo, urge uma revisão completa, eliminando-se seu alto teor de preconceito em relação ao papel da mulher na sociedade (e na Roda). Sei que alguns mestres de capoeira, mais tradicionalistas, contra-argumentarão lembrando que "o repertório musical, incluindo as letras dessas músicas, é pura tradição não podendo ser modificado, revisto e/ou atualizado". Mas, mesmos esses tradicionalistas, terão que admitir que a quase totalidade das músicas que se referem à mulher em geral e à mulher-capoeirista, em particular, são extremamente discriminatórias, quando não "condenatórias" e debochadas. Pintam a mulher como a grande e única geradora de problemas, "causadora de discórdia, perdição dos homens, símbolo de maldade e falsidade". Todos nós hoje em dia, convenhamos, sabemos que não é bem assim que a banda toca. Nos cânticos que ainda campeiam por aí, quando o homem é comparado com a cobra – símbolo muito presente na capoeira, especialmente nas cantigas e ladainhas – é para salientar sua grande astúcia, sua malandragem extremamente inteligente, seu interminável arsenal de mandinga. Já a mulher, quando comparada a este mesmo símbolo (cobra) é para evidenciar seu perfil traiçoeiro, venenoso, peçonhento: "deixa o pobre na miséria" e "o pobre sem vergonha…".

Sobre este assunto Mulher e Canto na Capoeira, a Dra. Maria José Somerlate Barbosa, professora de literatura e cultura brasileiras da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos,  desenvolveu excelente estudo que resultou num excelente artigo que deveria ser lido por todos.

De forma brilhante, Mestre Cláudio (Angoleiros do Sertão – Feira de Santana-BA) prestou homenagem a esta professora.  Homenagem feita através de  emocionante e emocionada ladainha de angola, registrada em seu CD, feito  em parceria com Mestre Felipe de Santo Amaro. A bem da verdade essa homenagem e esse cd são frutos de mais uma produção da Associação de Capoeira Angola Marrom e Alunos, Copa-Leme, Rio.

"A Mulher em todo mundo

É peça muito importante

Cuida da casa e dos filhos

Sofre quando está gestante

Só esconde o valor dela

Quem for muito ignorante

É do ventre da mulher

Que sai toda geração

Desde o General de arma

Ao Governo da nação

Deve honra a mulher

Pela sua posição

Nem só para ser doméstica

A mulher foi preparada

Temos mulher na Cultura

Juíza e Deputada

Com toda sua virtude

Merece ser respeitada

Camaradinha…

Iê viva meu Deus..

Iê é hora, é hora

Iê jogo de angola…"

Autoria: Mestre Cláudio Angoleiro do Sertão

Este ano de 2006 promete!
 
Muito especialmente no que tange ao tema Mulher na Capoeira, já estando programados vários eventos:

1)  Primeiro Encontro Europeu de Angoleiras, Colônia (Kölm), Alemanha, Abril de 2006;
 
2)  VI Encontro de Mulheres Angoleiras, Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros – Taboão da Serra, São Paulo;
 
3)  O Grupo de Estudo Sementes do Jogo de Angola, sob a coordenação do Mestre Jogo de Dentro e da Contramestra Daisy, estará promovendo um ciclo de palestras e discussões temáticas, sendo que no mês de Março o tema será "A Mulher na Capoeira Angola";
 
4)  Mestre Dominguinhos e a Prefeitura Municipal de São Sebastião (SP) promoverão na semana do 8 de março um conjunto de atividades – rodas, debates e palestras – sob o tema: Mulher, Capoeira e Sociedade, uma questão de consciência;
 
5)  Na Paraíba, o Contramestre Rafael Magnata realizará em novembro de 2006 seu Encontro Anual de Mulheres Capoeiristas.  Bené, nosso correspondente daquele Estado, já se comprometeu fazer a cobertura completa do evento;
 
6)   No Rio de Janeiro a Federação de Capoeira Desportiva do Rio de Janeiro (FCDRJ – Mestres Bogado e Paulão), por meio de seu Departamento Feminino, estará desenvolvendo atividades especiais no mês de março de 2006;
 
7)   O mesmo acontecerá com a FCERJ – Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro, sob a coordenação geral da Mestra Cigana – Fátima Colombiano;
 
8)   O Grupo Nzinga Capoeira Angola realizará o Primeiro Encontro de Angoleiras do Estado de São Paulo, evento este previsto para ser realizado em novembro de 2006 sob a coordenação da Dra em Educação e Mestra em Capoeira Angola Rosângela de Araújo – Janja.

O Jornal do Capoeira, por meio da presente crônica, estabelece (que ousadia!), ao menos no âmbito deste veículo de comunicação sócio-capoeirístico, que 2006 será o Ano Internacional da Mulher Capoeirista. Assim sendo, estamos convidando, diria mais, conclamando a comunidade capoeirística – mulheres ou não – a escrever sobre o tema "Mulher, Capoeira, Sociedade, Respeito e Evolução".

Viva a Mulher Capoeirística,

Viva Mestra Joraci Maria – a mestra maior (Mãe) em minha vida.

Miltinho Astronauta

Nota da Ilustração: Família Ribeiro = Ariovaldo "Cabeludo" e Miltinho Astronauta nos berimbaus; Mestre Chico & Mestra Joraci Maria no jogo de capoeira, enquanto o caçula da família acompanha com palmas até chegar o momento de também entrar na "roda".

Read More

Capoeira & Portais de informações

A cada dia que passa, a comunidade da Capoeira no Brasil, e especialmente do exterior (Europa!), começa a ser mais exigente quanto a qualidade de informações divulgadas nos infinitos “sites” virtuais. Neste artigo fazemos breve consideração sobre a significativa contribuição que alguns “portais” estão dando para a nova era da “Informação sobre Capoeira”, sem medo do novo, sem medo de apresentar o contraditório, sem medo de fazer uma leitura completa deste maravilhoso fenômeno chamado Capoeiragem, encarando-o como um fenômeno Nacional.

São Miguel – São Paulo – SP
Maio de 2005


A cada dia a capoeira vem demonstrando o seu verdadeiro poder de encantar as pessoas. Talvez esse seja um dos motivos de não podermos denominá-la somente como arte, ou como cultura, ou como uma luta, um jogo ou uma dança. Pois em suas particularidades, que envolvem aspectos de conformismo e resistência, essa manifestação se apresenta de maneira contraditória e complexa, tendo uma diversidade de significados para cada pessoa que está diretamente envolvida com ela.
 
Não podemos negar que a capoeira se transformou e evoluiu muito nos últimos anos. Porém, ressaltamos que algumas dessas transformações poderão ser perigosas para o desenvolvimento da capoeira – embora admitamos um mecanismo histórico de auto defesa da própria Capoeira – na atual sociedade, uma vez que as pessoas não estão tendo um comprometimento para que sejam mantidos fundamentos, rituais, tradições e saberes desenvolvidos pelos protagonistas da capoeira, os velhos mestres.
 
Neste sentido, acredito que todas as iniciativas que envolvem a capoeira de maneira crítica e consciente poderá contribuir para o seu desenvolvimento e reconhecimento. Observei que nos últimos cinco meses, estamos tendo um retorno muito gratificante e significativo através de alguns meios de comunicação que estão tratando a capoeira como ela realmente merece. São espaços destinados à veiculação de artigos, crônicas e debates que possibilitam trocas de informações entre os adeptos, profissionais e capoeirista de diversos países, raças e etnias.
 
Dentre essas iniciativas, destaco algumas que estão contribuindo não só para o reconhecimento da capoeira, mas que estão servindo como um espaço democrático de veiculação de informação acerca dos assuntos relacionados a capoeira. Além disso, percebemos que estes espaços estão possibilitando, também, o surgimento de muitas amizades e parcerias em busca de um mesmo objetivo: "VALORIZARMOS JUNTOS A NOSSA CAPOEIRA".
 

PORTAIS DEDICADOS À CAPOEIRA
 
Jornal do Capoeira
Jornal do Capoeira
Neste aspecto, destaco a grande importância dos seguintes sites:
– Jornal do Capoeira  
www.capoeira.jex.com.br sob a organização do Miltinho Astronauta (SP).
– Luciano Milani – Capoeira  
www.lmilani.com sob a organização do Professor Milani (Portugal).
– Capoeirista.com.br  www.capoeirista.com.br  sob a organização do Contramestre Wellington (SP) e do Professor Milani (Portugal).
Read More

BIMBA

 
Bimba em 1939, detalhe da fotografia da formatura de Maia, Decanio e Onça Tigre

Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, foi, sem dúvida alguma, o maior capoeirista de todos os tempos, o libertador da capoeira, o paladino da cultura negra, o criador da luta regional baiana ( cognome sob o qual a capoeira foi liberada, na década de 30, pelo interventor da Bahia, Ten. Juracy Magalhães, da proscrição pelo Código Penal).
Além de "tirar a capoeira de baixo da pata do boi", como dizia nas suas palavras simples, iniciou em 1946, durante o I Congresso Internacional de Neuropsiquiatria em Salvador, promovido pelos Profs. Edístio Pondé e Carlos Cerqueira (fundador do Sanatório Bahia), na casa do Babalorixá Camilo de Oxossi, na ladeira da Vila América (antiga ladeira do Currupio), as exibições públicas das manifestações culturais áfrico-baianas, que incluíram naquela data o samba de roda, a capoeira (regional naturalmente…) e o candomblé; deixando de incluir o maculelê, que foi recuperado na década de 50 graças a Tiburcinho de Jaguaripe, conduzido até Bimba por Decanio.
Sua importância histórica só encontra paralelo naquela de Mestre Pastinha, que conseguiu unir todos os demais Mestres de sua época em torno de sua figura carismática e conservar o primitivo jogo de capoeira sob o nome de "angola", fator de primordial valor na evolução evolução histórica desta brincadeira dos mestiços brasileiros.

A ÉTICA NOS MANUSCRITOS DE PASTINHA

Mestre Pastinha deixou traçado nos seus manuscritos  o roteiro do código de conduta (ética) dos capoeiristas de todas as  categoria (mestres, alunos e graduados).
As grandes preocupações do Venerando Mestre sempre foram o futuro da capoeira e os capoeiristas do futuro.
Talvez antevendo a transformação da capoeira-jogo num desporto pugilístico, em detrimento dos seus aspectos educacionais e lúdicos.
O  abandono do ritmo ijexá, majestoso, solene, gerador de movimentos elegantes e pacíficos, pelos toques rápidos e de caráter belicoso, é a base sobre a qual vem se desenvolvendo uma capoeira, mais preocupada em “soltar os golpes” que em se esquivar do movimentos de potencial agressivo, característica predominante entre os capoeiristas do passado aparentemente invisíveis e intangíveis como o vento (daí a lenda do desaparecimento sob forma de besouro, bananeira ou de simplesmente deixarem de ser vistos nos momentos de perigo) .
A influência da violência cada vez maior da sociedade moderna vem desviando a atenção dos verdadeiros fundamentos da capoeira, tornando-a em mais um fator de violência, sob o falso manto de defesa pessoal e de arte marcial, mero pugilato executado sob um fundo musica de caráter belicoso.
Mister se faz o retorno às origens, diria Frede Abreu, lembrando as  palavras singelas do nosso Mestre, no seu dialeto afro-baiano, um verdadeiro código de ética.
Seus conselho, guardados e obedecidos,  certamente tornariam desnecessária uma regulamentação ou codificação extensa e prolixa.


“Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte.”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 15-19)

O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamente – reverso da esportividade.


“O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 19-23)

A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares,  tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!
Decanio Filho – A herança de Pastinha, (pág. 24)


“…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 4-8)

A prática da capoeira deve ser regida pelo amor a esta arte,  instrumento de educação e não de discórdia!


“… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 8-11)

Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!


“…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil.”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 14-17)

A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.

A ÉTICA NOS MANUSCRITOS DE PASTINHA

Mestre Pastinha deixou traçado nos seus manuscritos  o roteiro do código de conduta (ética) dos capoeiristas de todas as  categoria (mestres, alunos e graduados).
As grandes preocupações do Venerando Mestre sempre foram o futuro da capoeira e os capoeiristas do futuro.
Talvez antevendo a transformação da capoeira-jogo num desporto pugilístico, em detrimento dos seus aspectos educacionais e lúdicos.
O  abandono do ritmo ijexá, majestoso, solene, gerador de movimentos elegantes e pacíficos, pelos toques rápidos e de caráter belicoso, é a base sobre a qual vem se desenvolvendo uma capoeira, mais preocupada em "soltar os golpes" que em se esquivar do movimentos de potencial agressivo, característica predominante entre os capoeiristas do passado aparentemente invisíveis e intangíveis como o vento (daí a lenda do desaparecimento sob forma de besouro, bananeira ou de simplesmente deixarem de ser vistos nos momentos de perigo) .
A influência da violência cada vez maior da sociedade moderna vem desviando a atenção dos verdadeiros fundamentos da capoeira, tornando-a em mais um fator de violência, sob o falso manto de defesa pessoal e de arte marcial, mero pugilato executado sob um fundo musica de caráter belicoso.
Mister se faz o retorno às origens, diria Frede Abreu, lembrando as  palavras singelas do nosso Mestre, no seu dialeto afro-baiano, um verdadeiro código de ética.
Seus conselho, guardados e obedecidos,  certamente tornariam desnecessária uma regulamentação ou codificação extensa e prolixa.


"Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte."
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 15-19)

O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamente – reverso da esportividade.


"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 19-23)

A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares,  tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!
Decanio Filho – A herança de Pastinha, (pág. 24)


"…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 4-8)

A prática da capoeira deve ser regida pelo amor a esta arte,  instrumento de educação e não de discórdia!


"… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 8-11)

Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!


"…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil."
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 14-17)

A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.

QUE É BARRAVENTO?

Em atenção ao e-mail de Claudio A. Sampaio Filho (sampaio@intercientifica.com.br)

Caro Mestre Decânio,
Obrigado pela orientação, já entrei em contato com o Mestre Itapoan.
Estava eu conversando com meu Mestre sobre a satisfação de ter me comunicado com V.Sas, via E-mail, quando ele me pediu para perguntar a V.Sas, uma dúvida que ele não conseguiu esclarecer até hoje com nenhum outro mestre.
Qual é o Toque de Barra-vento e em qual tipo de Jogo deve ser tocado ???
Mestre Pastinha se referiu a esse tipo de toque algumas vezes, nas músicas que cantava. Obrigado desde já, e se caso necessitar de algo aqui de São José dos Campos não deixe de me comunicar.
Sei que o Mestre Esdras é um dos membros do CEPAC, meu Mestre, Teófilo dos Santos, esta sempre em contato com ele.
Cláudio.

Se persistirem as dúvidas
Continue perguntando
Meditando sobre as respostas que for obtendo
Até que um dia
O Deus que habita o coração de cada um de nós
Subitamente lhe mostre
o caminho, a verdade e a luz que nos guia!

RESPOSTA… ?… !…

Inicialmente devo fazer alguns reparos à pergunta "Qual é o Toque de Barra-vento"… Qual é o toque só pode ser respondido com o berimbau… pelo que me limitarei a responder o que é o toque…
A seguir peço permissão para discutir um pouco a expressão " em qual tipo de Jogodeve ser tocado ???".
A música provoca u’a modificação do estado d’alma dos ouvintes, basta ouvir o toque de silêncio do corneteiro nas caladas da noite… a "Ave Maria" no obscurecer do crepúsculo… o ruflar dos tambores nu’a marcha forçada… o adarrum num terreiro de candomblé… a doçura dum ijexá durante o desfile de afoxé… o saracotear dum frevo… o balanço dum reggae.. o suave violão do Doryval Caimmi cantando a doçura do morrer no mar…. a negritude da Lagoa do Abaeté… ou o grito plangente da negra do acarajé marcando as "dez horas da noite"!
Assim podemos entender que o atabaque conduza o ser humano ao transe do orixá, que nada mais é que um estado modificado de consciência em que se manifesta a dinâmica do nosso corpo quando liberado dos padrões superficiais de comportamento impostos pela cultura em que crescemos e vivemos.
De modo similar o toque de berimbau conduz o praticante ao transe da capoeira, estado modificado de consciência em que o particante, livre os padrões de comportamento sociais, manifesta lvremente a sua resposta ao ritmo-melodia diretamente ligado ao íntimo de sua estrutura biológica, isto é, os fundamentos anatômicos e funcionais dos sistema nervoso e endócrino.
Não é o "tipo que jogo" que exige o toque, e sim, o "toque" através o ritmo, a melodia e o andamento, associados ao movimentos rituais e ao código de parceria, que induz o jogador de capoeira a um determinado comportamento motor. Por exemplo o "jogo de dentro", sob os toques de Banguelinha, Banguela e/ou São Bento Pequeno, é usado para a simulação duma com arma branca (faca, facão, punhal, navalha…), dentro das regras do jogo (ritual) dado brandura e lentidão do toque, o qual gera movimentos controlados e permite esquivas seguras, garantindo-se assim a integridade física dos parceiros.
Enquanto o toque de "Cavalaria", rápido e quente, acarreta um jogo rápido e mais violento.
Posto o que, podemos considerar o conceito e a definição de "barravento".

No "Dicionário Aurélio", encontramos:
Verbete: barravento S. m. 1. Bras. Toque predileto de Xangô, nos candomblés bantos. 2. Bras., BA. Ansiedade que domina a filha-de-santo antes da chegada do orixá.
Verbete: barlavento S. m. Mar. 1. Direção de onde sopra o vento. 2. Bordo da embarcação voltado para a direção de onde o vento sopra. [Antôn.: sotavento.]
Os pescadores do recôncavo baiano usam barravento como sinônimo de barlavento.
No candomblé, além destes significados, existe um toque denominado de "barravento", mais rápido e mais quente que o ijexá.

O samba do recôncavo baiano, manifestação coreográfica também fundamentada no ijexácomo a capoeira, encontramos duas variedades, diferenciadas pelo ritual e andamento dos toques:

  • em Santo Amaro da Purificação, santamarense (também conhecido por "samba de barravento" ou de "chula", mais lento, de ritual mais exigente, cada participante, deve cantar um chula, antes de começar a sambar e só dança sob acompanhamento exclusivo da orquestra, sem canto nem coro;
  • em Cachoeira de São Felix, o cachoeirano, ou "de corrido", de ritmo mais quente, cujo ritual permite a dança sob coro (corrido).

Dada a origem comum destas manifestações culturais, Mestre Pastinha usava esta denominação para caracterizar um ritmo mais rápido, cuja pauta não posso reproduzir, especialmente porque cada mestre impõe a sua personalidade aos seus toques, surgindo deste modo a infinita riqueza musical da capoeira.
A meu ver, o "barravento" em si não é um toque e sim um "andamento" do ijexá, nada impedindo, entretanto, que algum autor crie um toque e o batize de "Barravento"…
Acredito firmemente que o importante é escolher um toque tranquilo, suave, lento, que que desenvolva um jogo amistoso, prazeroso, respeitoso, em que cada um possa manifestar seu potencial atual sem risco de lesar ou ser lesado, capaz de selar uma amizade indissolúvel pelo Tempo e pela Morte, como a que ainda me une a Cisnando, Ruy Gouveia, Tiburcinho, Mané Rozendo, Compadre Luizinho, Compadre Brasilino,Caiçara, Ezequiel… e sobretudo aos Mestres Bimba e Pastinha!

A capoeira é um dialogo alegre
Sob o ritmo ijexá
De corpos fundidos num só NÓS
Pela magia do toque de berimbau
A teoria é mero jogo de palavras para a ginástica mental
O que importa é o jogo, a alegria
Os prêmios são a Felicidade e o Crescimento Interior!

PRÁ BATÊ NOS OTARU!

(Para bater nos otários)

Bimba ao falar sobre a eficiência da regional sempre enfatizou o elemento surpresa como fator decisivo, evidenciado na sua expressão:

"A regioná num seuve pa brigá c’us companhêro… é prá batê nos otaru!"
(A regional não serve para brigar com os companheiros… é para bater nos otários!)

PORQUE …

  • todos os capoeristas conhecem seus recursos e limitações, tão bem quanto as esquiva e defesas,
  • enquanto os que desconhecem a sua prática (os leigos ou otários) podem ser surpreendidos pelos seus movimentos.
  • A primeira parte da frase acentua a importância do companheirismo que deve existir entre seus alunos, mais evidente noutras recomendações corriqueiras no meu tempo:
    • "A luta regioná num seuve p’a brigá cum ôtru regioná, é bom prús otáru… cúns colega a gente joga regioná…" (A luta regional não serve para brigar com outro regional, é bom para os otários… com os colegas nós jogamos a regional…)
    • ou ainda "A genti num deve lutá nu berimbau, deve jogá!" (Não devemos lutar no berimbau, devemos jogar!)

Deste modo verificamos que o Mestre Bimba não preconisava "lutas" entre os seus alunos…
O "esquenta-banho" servia para treinamento de defesa pessoal, de movimentos proibidos sob o ritmo de berimbau, para treinamento de manobras novas, como "tira-teima", drenagem da agressividade ou diferenças pessoais, logo arrefecidas pelo banho frio sob o jato d’água do cano do banheiro, especialmente quando alguém "entrava pelo cano" durante o "esquentamente"…
Acredito que em vida o Mestre jamais aceitaria a desunião e o enfrentamento dos irmãos que deveriam formar uma única família, a dos filhos de Bimba!

Luciano Santos Bispo – Mola

Luciano Santos Bispo, residente em S. Francisco do Conde, discípulo de Mestre Zé Dário, é um capoeirista muito especial. Vítima de Paralisia Infantil aos 7 meses de idade, guardou como seqüela paraplegia flácida dos membros inferiores. Aos 9 anos de idade, ainda sem andar em virtude da paralisia dos membros inferiores, entrou para a capoeira sob orientação do Mestre Zé Dário, em Sto. Amaro da Purificação /BA e aprendeu a jogar capoeira e a andar !

Em 09/12/2001 fomos conduzidos ao evento, cujo convite divulgamos adiante, pelo Mestre Zezo estranhamos o drapejar da calça dum rapaz durante um jogo de capoeira, apesar da movimentação aparentemente normal do atleta. Maior surpresa foi observar que, ao sair da roda, o rapaz auxiliava a perna direita com a mão, para aumentar a passada, denunciando assim uma deficiência motora.

Autorizados pelo Mestre Zé Dário, abordamos o "Mola" que nos revelou os detalhes da sua historia pessoal e nos deixou profundamente impressionados pela grandeza e importância do verdadeiro milagre que constatáramos: a criação, pela prática da capoeira sob orientação dum verdadeiro mestre, de circuitos nervosos vicariantes capazes de substituir as conexões nervosas medulares destruídas pela Paralisia Infantil.

As fotografias seguintes mostram a gravidade da atrofia dos membros inferiores e da pelve decorrentes das lesões medulares provocadas pela paralisia infantil.

Foto – 1

Foto – 2

Nesta segunda foto podemos evidenciar a desproporção entre o tórax e o conjunto de bacia e membros inferiores, sendo notáveis as dimensões das mãos em relação aos pés. O amor do Mestre Dário pela capoeira e a dedicação à formação moral dos seus alunos evidencia-se no convite para o evento em pauta que reproduzimos a seguir.

Destacamos mensagem de cidadania veiculada no convite acima, demonstrando que o amor do verdadeiro Mestre pelo Filho-Aluno é o fundamento da Roda de Capoeira e da Sociedade.

Do relato acima concluímos que a Capoeira da Bahia é um instrumento precioso na formação do cidadão e apresenta uma gama extensa de aplicações médicas, psicológicas, pedagógicas e sobretudo, pela modificação da conduta ante estressores (Agentes nocivos, noxas, capazes de conduzir ao estresse ou reações de alarme), auxilia a reduzir o perigo deste "assassino silencioso", capaz de matar ou aleijar a longo prazo sob rótulos diversos (infarto do miocárdio, hipertensão arterial, quadros mentais depressivos, cansaço, exaustão, entre outros).

A compreensão do mecanismo pelo qual a capoeira aumenta a autoestima, acalma, educa as reações aos estímulos ambientais, aumenta as conexões e circuitos neuronais, enriquecendo o "Ser" com recursos capazes de torná-lo mais feliz e autoconfiante, certamente permitirá que os especialistas detectem novas aplicações para os conceitos acima expostos.

O conteúdo emocional do tema e sua repercussão na construção da personalidade do praticante torna-se evidente numa mensagem que recebemos da garota Juliane:

"Olá! gostei muito da sua página, e gostaria de parabenizá-lo.
Gostaria também que você dissesse que em Juiz de Fora (MG) o grupo de capoeira "Oficina da Capoeira" está fazendo um ótimo trabalho com a capoeira, com direção do mestre Ray e do professor Kamuanga.
Gostaria também de dizer e mandar uma idéia para todos os outros capoeiristas:
Ontem, dia 26/02/00, eu presenciei um exemplo de força de vontade para todos, principalmente os capoeiristas. Um garoto de cadeiras de rodas, com problemas mentais, entrando e jogando em um batizado. Não levantava, não chutava, não dava aú nem mortal, mas se protegia com a mão no rosto e quase não mexia os pés…
Bem, ele fez muita gente chorar quando disse: "Na capoeira ninguém pode ter preconceito!"
Naquela roda não havia ninguém igual a ele, mas também não tinha ninguém diferente! E depois disso tudo que vi e vivi, mais vontade me deu de jogar e de um dia jogar uma "iuna" (roda para graduados).
Sei que falta muito para mim, pois tenho 14 anos e estou na corda branca, mas um dia, eu sei, tenho fé em DEUS e em BIMBA, que irei conseguir.
Por favor fale ao menos do garoto, pois isso é verdade e uma lição de vida.

Juliane S. Machado (da família de Bimba)
Juiz de Fora / Minas Gerais
Oficina da Capoeira"

Ética de Pastinha

Segue original dos procederes éticos de Pastinha – da forma como eles os deixou escritos.
 
"Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte. O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamento – reverso da esportividade.”

"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…"

“A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares, tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!”

"…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …"

"… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…"

“Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!”

"…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil."

“A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.”


Read More