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Capoeira ajuda a “Integrar Jovem na Sociedade”

Líder comunitário, Davison Coutinho discorre sobre a importância do esporte na inserção social de jovens moradores de favelas, em texto publicado pelo Jornal do Brasil. “A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. O esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime”, argumenta. O autor cita projetos bem-sucedidos como o grupo Acorda Capoeira e a escolinha de futebol de Condy Ximenes

Favela 247 – Membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, Davison Coutinho destaca a importância do esporte na integração na sociedade de crianças e jovens oriundos de favelas. Em artigo publicado na coluna Comunidade em Pauta, do Jornal do Brasil, na última quinta-feira (dia 19), o líder comunitário apresenta o trabalho sociocultural desenvolvido na Rocinha pelo grupo Acorda Capoeira, com mais de 60 participantes, e pela escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes.

“A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano”, argumenta Coutinho.

 

Esporte e educação: caminhos para transformação e inclusão social

A educação que uma criança recebe em seus primeiros anos é um legado que é levado por toda sua vida. Cada ensinamento, por mais simples que seja, é a semente que irá brotar no coração dos futuros cidadãos de nossa sociedade. O esporte é um excelente caminho para a criança ocupar a mente e desenvolver o corpo. É essencial para o crescimento da criança como um todo. Uma criança que pratica esporte apende a trabalhar em equipe e compreende a importância do próximo no convívio social.

O esporte tem a capacidade de integrar crianças e jovens das comunidades na sociedade, transformar suas vidas e reduzir os preconceitos e estereótipos. A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano.

O grupo Acorda Capoeira desenvolve um trabalho sociocultural na Rocinha e em comunidades parceiras, desde sua formação em 2004. No entanto a capoeira já é ensinada as crianças da comunidade há mais de 30 anos pelo percussor e fundador do grupo Mestre Manel que chegou da Bahia, ainda jovem e despertou o afeto da criançada ensinando capoeira. As aulas acontecem na Escola Municipal Paula Brito, são mais de 60 participantes, muitos alunos já viraram multiplicadores desta ação e levaram a capoeira para outras comunidades e até mesmo para Noruega, China e Itália.

“Comecei dando aula no Centro Comunitário da Rua 02, há 34 anos e depois o projeto foi crescendo e indo para outros locais. Eu fazia muitas rodas no largo do Boiadeiro e quase toda galera da Rocinha foi meu aluno. Tenho alunos viajando para fora do Brasil, levando capoeira. Estou formando aqui professores e cidadãos para vida. A capoeira é uma riqueza para esses jovens, aqui ele aprende falar inglês, tocar instrumentos e aprendem nossa cultura. Meu sonho é poder ter uma sede aqui dentro para ministrar diversos cursos para criançada, com lanche e almoço, um espaço com diversos saberes”, diz Mestre Manel, fundador do Acorda Capoeira.

Entre os participantes mais antigos o grupo tem o mestrando Caixote que aprendeu a capoeira com o Mestre Manel há mais de 20 anos e hoje está a caminho de ser mestre na área. “Eu conheci a capoeira, aqui no local onde a gente treina, eu tinha oito anos, quando o mestre Manel fez um trabalho voluntário na escola… continuei treinando e estou com ele até os dias de hoje, são mais de 20 anos. Sou aluno que virou professor. Graças a Deus nosso trabalho vem sendo reconhecido não só no Brasil, mas em outros países. Com todo esforço do nosso trabalho a capoeira proporciona a esses jovens a disciplina, educação, saúde e incentiva o esporte”, diz mestrando Caixote do Grupo Acorda Capoeira.

A Escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes também é um projeto esportivo que tem oferecido muitas oportunidades aos jovens da comunidade. São diversos os campeonatos e participações que os alunos fazem. O futebol promove uma integração entre jovens de diversas classes sociais, o que rola dentro do campo é algo único, onde o preconceito e as diferenças ficam de lado e dão lugar ao espirito esportivo, onde o trabalho em equipe é fundamental.

A libertação por meio do esporte e educação vem como resultado de um viver criativo e cheio de emoções, permitindo o esquecimento das grandes dificuldades, dando esperança ao amanhã. Quando se transforma o indivíduo através dessa associação, se muda o todo, permitindo assim que ele possa ampliar sua capacidade de percepção e potencializar seus conhecimentos.

O esporte não se limita apenas aos benefícios físicos em relação a saúde, sua potencialidade, pelo contrário ele ultrapassa e promove a construção social e o desenvolvimento do cidadão de maneira geral, melhorando seu convívio familiar, escolar e social. Então, vamos lá comunidade, vamos inscrever nossas crianças e jovens em projetos de esporte e educação para que tenham um futuro promissor.

*Davison Coutinho, 24 anos, nasceu e mora na Rocinha. Bacharel em Desenho Industrial, mestrando em Design, funcionário da PUC-Rio, membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária

Jornal do Brasil

Guimarães: III Congresso de Inclusão Pelo Desporto

O 3º CONGRESSO INCLUSÃO PELO DESPORTO, inserido no programa geral de Guimarães – Cidade Europeia do Desporto 2013 é a oportunidade para debater e aprofundar metodologias de integração das populações mais desfavorecidas no e pelo Desporto em Portugal e na Europa.

Num período em que a função social e educativa do Desporto tornou-se uma área política de relevância estratégica da União Europeia, espera-se que este Congresso, contribua para o debate em curso sobre a inclusão social dos imigrantes e das minorias étnicas e das populações em risco dentro e através do desporto. Além disso, os resultados e as recomendações práticas desta conferência devem ajudar a colocar a inclusão social na agenda das políticas desportivas nacionais e europeias e promover a partilha dos nossos valores com outras regiões do mundo, nomeadamente, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
É aqui que queremos estar para potenciar as melhores energias da sociedade civil.

No ano de 2013, promovemos o CID na programação de Guimarães – Cidade Europeia do Desporto. Porque partilhamos uma visão em que salientamos que no Desporto como na Sociedade, a evidente desigualdade de oportunidades possa ser ultrapassada através da capacitação e representatividade das populações mais desfavorecidas em todos os ramos da atividade social e profissional. Por uma questão de oportunidade, mas fundamentalmente por uma questão de consciência e de dever, é em Guimarães que queremos estar colocando o debate das políticas sociais em eventos de relevo e de destaque na sociedade portuguesa e europeia.

O CID oferece cursos de capacitação profissional a mais de 100 educadores e agentes sociais. Apresenta-se como uma série de eventos temáticos (congresso, exposições, publicações, prémios e palestras) com o objetivo claro de inspirar e na partilha ativa de experiências e conhecimentos do interesse de universitários, recém-licenciados, empreendedores, mediadores sociais, técnicos de deporto, técnicos sociais, representantes de ONG`S e IPSS e dinamizadores do mundo empresarial e académico nas mais diversas áreas de atividade. 

OBJETIVOS

Proporcionar um espaço informal e de confiança para a potencialização do networking e possíveis parcerias entre todos os participantes e estimular a aprendizagem, troca de experiências e ferramentas entre os participantes através de workshops específicos. 
Motivar a função social e educativa do Desporto através da capacitação de educadores, instituições e poder local a melhorarem a sua abordagem pedagógica e aumentar a eficácia e atratividade da formação do Jovem. 
Promover o Desporto como meio de diálogo intercultural e intercâmbio de boas práticas, que contribuam para a prevenção e a luta contra a violência e o racismo na sociedade, de sedentarismo e de isolamento social das minorias sociais e/ou vítimas de exclusão social. 
Promover a reflexão sobre ética e valores no desporto. 

DESTINATÁRIOS

O 3º CONGRESSO INCLUSÃO PELO DESPORTO procura corresponder às preocupações e expectativas profissionais dos agentes e entidades desportivas e sociais, nomeadamente: 
• Dirigentes e técnicos de desporto e de ação social da administração pública (comunidades urbanas, áreas metropolitanas e outros organismos da administração pública regional); 
• Dirigentes e técnicos de desporto e ação social de instituições de solidariedade social nacionais e europeias; 
• Técnicos e agentes de desporto, de clubes  e associações desportivas; 
• Dirigentes e técnicos de outras organizações desportivas, nomeadamente o Comité Olímpico de Portugal, Comité Paralímpico de Portugal, Confederação do Desporto de Portugal e Fundação do Desporto de Portugal; 
• Professores e estudantes das áreas Desporto e Educação Física e das áreas de Solidariedade Social e da Saúde; 
• Elementos diretivos e técnicos do Desporto Escolar; 
• Empreendedores sociais e animadores de projetos e programas orientados para a educação inclusiva; 
• Outros agentes desportivos e sociais.

 

http://www.iuna.org.pt/congressoinclusaodesporto/

Chapadão do Sul: Presidente Wagner quer aulas de capoeira para crianças e jovens

Presidente Wagner quer aulas de capoeira para crianças e jovens de Chapadão do Sul

O Presidente da Câmara, Wagner Inácio apresentou indicação ao Prefeito Luiz Felipe de Magalhães e ao diretor de esportes Emerson Willian, pedindo a contratação de professor para ministrar aulas de capoeira para crianças e jovens de Chapadão do Sul.

O parlamentar justifica que a capoeira é um esporte saudável, que expressa uma parte importante da cultura brasileira. Além da parte física, a capoeira é um esporte que conta com a musicalidade que cativa o praticante.

“A capoeira vai preencher o tempo de livre de crianças e adolescentes além de trazer nova perspectiva de uma futura profissão e consequentemente um lugar na sociedade, além de mostrar através do relacionamento dos componentes de seu novo grupo de capoeira a amizade, o amor, o companheirismo e a tolerância”, justifica.

 

http://www.ocorreionews.com.br/

PALMARES 25 ANOS: FCP lança programação de aniversário

Programadas entre 14 de agosto e 23 de outubro, as atividades vão acontecer em quatro regiões para aproximar a FCP dos cidadãos brasileiros

A Fundação Cultural Palmares preparou uma programação especial para celebrar os 25 anos dedicados à arte e a cultura negra. Este ano, os eventos em comemoração ao jubileu de prata da Fundação acontecerão em 10 estados brasileiros: Brasília/DF, Salvador/BA, São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, São Luis/MA, Recife/PE, Porto Alegre/RS, Vitória/ES, Cuiabá/MT, Maceió/AL. As ações têm início no próximo dia 14 de agosto e seguem até 23 de outubro. É o Palmares 25 Anos levando a FCP para ainda mais perto dos brasileiros e brasileiras.

Com um viés político, o calendário com 25 atividades está recheado de debates e seminários sobre arte e cultura afro-brasileira, além disso, também estão programadas mostra de cinema negro, plantio de árvores sagradas e apresentações artístico-culturais diversas. Confira a programação completa.

Palmares para mais 25 – Entre os principais temas em discussão estão cultura negra e políticas públicas; memória e identidade da cultura afro-brasileira; o corpo negro no audiovisual; artes cênicas e artes plásticas; o universo literário negro; a questão quilombola na perspectiva do Direito; mídia e relações raciais; religiosidade e cultura afro-brasileira, entre outros assuntos.

De acordo com Hilton Cobra, presidente da Fundação Palmares, o intuito do Palmares 25 Anos é reunir reflexões, já em discussão por agentes culturais e a sociedade civil negra, que dêem base para a criação do projeto para uma Palmares pós 25 anos.  “Queremos contribuir para criar uma FCP do futuro, que dialogue com todos os setores da sociedade brasileira que pense cultura e, principalmente, cultura negra”, disse.

O presidente Cobra espera que a partir dessa programação seja possível pensar como a Fundação pode chegar nos demais territórios brasileiros. Para isso, ele destaca o fortalecimento das Representações Regionais já estabelecidas. “Existem povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas em todo o país. Arte e cultura negra é o Brasil (sic.).”

25 anos de história com a cultura negra – Em resposta às demandas do Movimento Negro, no dia 22 de agosto de 1988, o então presidente da república José Sarney fundou a primeira instituição pública  federal voltada para promoção e preservação da arte e da cultura afro-brasileira: a Fundação Cultural Palmares. Neste ano de 2013, a FCP comemora 25 anos de trabalho por uma política cultural igualitária e inclusiva, que busca contribuir para a valorização das manifestações culturais e artísticas negras brasileiras como patrimônios nacionais.

Para mais informações sobre os eventos, entre em contato com a FCP pelo e-mail: 25anospalmares@palmares.gov.br.

PALMARES 25 ANOS: FCP lança programação de aniversário

Programadas entre 14 de agosto e 23 de outubro, as atividades vão acontecer em quatro regiões para aproximar a FCP dos cidadãos brasileiros

A Fundação Cultural Palmares preparou uma programação especial para celebrar os 25 anos dedicados à arte e a cultura negra. Este ano, os eventos em comemoração ao jubileu de prata da Fundação acontecerão em 10 estados brasileiros: Brasília/DF, Salvador/BA, São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, São Luis/MA, Recife/PE, Porto Alegre/RS, Vitória/ES, Cuiabá/MT, Maceió/AL. As ações têm início no próximo dia 14 de agosto e seguem até 23 de outubro. É o Palmares 25 Anos levando a FCP para ainda mais perto dos brasileiros e brasileiras.

Com um viés político, o calendário com 25 atividades está recheado de debates e seminários sobre arte e cultura afro-brasileira, além disso, também estão programadas mostra de cinema negro, plantio de árvores sagradas e apresentações artístico-culturais diversas. Confira a programação completa.

Palmares para mais 25 – Entre os principais temas em discussão estão cultura negra e políticas públicas; memória e identidade da cultura afro-brasileira; o corpo negro no audiovisual; artes cênicas e artes plásticas; o universo literário negro; a questão quilombola na perspectiva do Direito; mídia e relações raciais; religiosidade e cultura afro-brasileira, entre outros assuntos.

De acordo com Hilton Cobra, presidente da Fundação Palmares, o intuito do Palmares 25 Anos é reunir reflexões, já em discussão por agentes culturais e a sociedade civil negra, que dêem base para a criação do projeto para uma Palmares pós 25 anos.  “Queremos contribuir para criar uma FCP do futuro, que dialogue com todos os setores da sociedade brasileira que pense cultura e, principalmente, cultura negra”, disse.

O presidente Cobra espera que a partir dessa programação seja possível pensar como a Fundação pode chegar nos demais territórios brasileiros. Para isso, ele destaca o fortalecimento das Representações Regionais já estabelecidas. “Existem povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas em todo o país. Arte e cultura negra é o Brasil (sic.).”

25 anos de história com a cultura negra – Em resposta às demandas do Movimento Negro, no dia 22 de agosto de 1988, o então presidente da república José Sarney fundou a primeira instituição pública  federal voltada para promoção e preservação da arte e da cultura afro-brasileira: a Fundação Cultural Palmares. Neste ano de 2013, a FCP comemora 25 anos de trabalho por uma política cultural igualitária e inclusiva, que busca contribuir para a valorização das manifestações culturais e artísticas negras brasileiras como patrimônios nacionais.

Para mais informações sobre os eventos, entre em contato com a FCP pelo e-mail: 25anospalmares@palmares.gov.br.

Livro: Capoeira e Religiosidade (Espiritualidade)

Para alguém que foi criado na Europa ocidental, onde a religião, em grande parte, foi remetida para o domínio privado de cada pessoa, e que chega ao Brasil e vê os adesivos colados na parte de trás do carros dizendo “100% Jesus”, ou “Deus é fiel”, é como um pequeno choque cultural. Mesmo sabendo que o catolicismo ainda está forte na América do Sul, a ideia (talvez ultrapassada) do iluminismo, na qual a religião é apenas um estágio antes do laicismo e do conhecimento científico, é uma convicção que está fortemente impregnada na minha consciência.

Ver gente que exprime tão abertamente a sua ligação com uma religião, quase de uma maneira comercial, sem ser necessariamente muito conservador nem atrasado, é uma coisa que, no início, é difícil de aceitar ou compreender. Quando se entra no mundo da capoeira, uma arte marcial brasileira, também se percebe as ligações entre capoeira e as várias religiões, como as religiões dos afrodescendentes.

Estas religiões são interligadas e até fonte das demais expressões culturais africanas, que foram trazidas pelos escravos dos vários países da África no tempo de cativeiro. Religiões que por razão de sobrevivência segundo vários2  – foram trazidas ao sincretismo com a religião dominante dos senhores, o catolicismo. Ao lado disso ainda existem as crenças dos índios, de quem eu sabia muito menos, mas que na história da capoeira também têm um papel, com a pluralidade de religiões e crenças que existem entre eles3.

Como um holandês quase ateu vai conseguir entender este mundo de interligações e conexões religiosas que formam parte da base deste arte marcial que é a capoeira?
Na sociedade holandesa (como numa grande parte da Europa ocidental) a influência aparente da religião é muita mais fraca do que no Brasil: as igrejas ficam cada vez mais vazias e são utilizadas como centros culturais ou mesquitas4.

Lá, o raciocínio –o racionalizar de todos os fenómenos e o secularismo estão fortes e puxaram a fé para o domínio privado, se é que ainda existe. Neste domínio, o catolicismo batalha espaço com as várias formas de protestantismo, as religiões orientais, e o secularismo. Em 2008 o CBS (Instituto Central da Estatística holandês) fez uma pesquisa na qual 29% do povo holandês se considerou católico, 19% protestante (reformado, luterano, evangélico), 4% muçulmano, 6% disse ter outra religião (judeu, hinduísta, budista, cristão ortodoxo) e 42% sem religião5. Movimentos pentecostais estão presentes de maneira marginal e as religiões dos afro-descendentes não desempenham um papel significante para a sociedade.

Isto não é apenas uma enumeração de dados religiosos; isto nos diz algo sobre a sociedade onde isto acontece, que é bem diferente da sociedade brasileira. Não só porque tem relativamente menos fiéis, ou porque eles estão divididos de uma maneira diferente. É também porque quando vemos a religião como uma parte fundamental da cultura, a presença ou a ausência de uma oumais religiões, tem uma forte influência naquela sociedade.

Como consequência, chegamos a uma primeira divisão entre as culturas holandesa (e “o mundo ocidental”, como gostamos de dizer na Europa) e a brasileira. Temos que entender primeiro que para o africano que foi trazido para o Brasil, como para o indígena, mas também para o ‘catolicismo popular’6 , os aspectos da vida estão muito mais interligados do que o Europeu (ainda) reconhece7.

Não há uma divisão “secular”: sua religião determina o trabalho que você faz, a comida que você come, e como resolve os problemas físicos. A religião, para a maioria dos holandeses e no mundo ocidental tornou-se uma coisa particular, privada, que você pratica aos domingos na igreja. Mas para uma grande parte das pessoas em outras partes do mundo, as ligações religiosas existem em contexto pessoal e social. Para o europeu, estas coisas estão bem separadas.

A razão desta diferença é tema para um outro debate, e aqui não há espaço para entrar8. O que importa para meu propósito é que esta diferença existe. Porque, mesmo a situação social e religiosa na Holanda (e Europa ocidental) sendo bem diferente daquela que encontrei no Brasil, a capoeira se espalhou e se desenvolveu em ambos os países e continentes.

Claro que o berço da capoeira é o Brasil, e que ela tem muito mais história lá, e um nível alto que é mais amplo espalhado. Mas no fundo a capoeira ficou a capoeira. Há jogadores bons na Europa (e nos outros continentes) que podem se meter com qualquer um no Brasil, que entendem o jogo, sabem dos rituais e de tudo o mais. Não-Brasileiros que dão aula e se tornam contramestres e até mesmo mestres.

Tem gente cantando sobre a escravidão, sobre os orixás, os santos, fazendo orações, mesmo sem nunca terem vivido esta cultura. Não se consideram (necessariamente) religiosas, e as religiões ‘ligadas’à capoeira são, na grande parte, alheias à eles, porque não fazem parte da situação social onde eles vivem.

Como explicar este fenômeno? Como uma cultura que às vezes é tão diferente, é tão ‘facilmente’ incorporada no mundo inteiro por pessoas de culturas totalmente alheias, até que ponto os praticantes de capoeira incorporaram uma certa religiosidade ou espiritualidade que faz parte desta cultura onde a capoeira nasceu? Será então que a capoeira leva a uma certa religiosidade das religiões que são parte da cultura brasileira, ou devemos entender este fenômeno de uma maneira diferente?

Para começar a entender isto, considero as religiões e crenças de um ponto de vista acadêmico, quer dizer racionalizado, até mesmo categórico e talvez um pouco abstrato. Então eu não imagino falar sobre a espiritualidade de cada um, ou como todos os capoeiras convivem ou praticam suas religiões, ou qualquer outro aspecto que seja pessoal, individual.

Fé é fé e tem pouco de acadêmico;  ela também não é entendida por todos os fiéis da mesma maneira. E estou também consciente que a capoeira tem uma significação diferente para cada um que a pratica. O que eu procuro aqui é tentar entender uma parte deste fenômeno com os instrumentos e conhecimentos acadêmicos que eu tenho ao meu dispor9.

 

2. Ferretti (1997), Vassallo (2009)

3. Subsistem hoje tribos em um número muito pequeno, face o que houve antes. Mesmo assim, depois de cinco séculos de genocídios e agressões, distribuem-se em diferentes etnias e algumas nações indígenas; várias tribos com suas culturas próprias e, em seu interior, com sistemas religiosos peculiares. Mesmonos casos em que inúmeros do seus membros já se converteram a alguma confissão cristã. Então não é uma vaga espécie única de religião com um misterioso deus supremo: Tupã. Brandão, (2004) Mas a influência destas religiões e crenças no mundo de capoeira ainda é pouco pesquisada.

4. O que provavelmente também não vai durar muito tempo, vendo que os muçulmanos no ocidente já pensam de outra maneira sobre qual deveria ser a papel da sua religião dentro a sociedade.

5. CBS, 2009

7. Esta antiga forma de catolicismo ibérico politeísta forma parte central do meu argumento. Por isso vou entrar nesta forma mais adiante.

8. Por exemplo, só na maneira de preparar a comida já existem hábitos e costumes baseados na crença. E para quem é filho de santo, sabe-se que não pode comer alguns alimentos, de acordo com o santo.

9. Se a causa desta diferença foi o iluminismo europeu ou o desenvolvimento das sociedades modernas que passavam certo nível de complexidade e assim atingiram um alto nível de funcionalidade diferenciada onde não se pode manter a universalidade social de uma visão de mundo essencialmente religiosa, (Luckmann (1990) ou que há outras explicações, eu deixo para o leitor.

 

Dolf van der Schootcapofilosofo@gmail.com

APAE: Capoeira promove a inclusão social

Há 12 anos o professor Josimar percorre escolas e instituições de alunos especiais para ensinar a técnica da capoeira. “Eu queria fazer algo novo e me ofereci como voluntário na Apae. Eu nem tinha formação na época”, conta.

O trabalho voluntário o encorajou a procurar especialização na prática. “Eu me encantei com a resposta, dedicação e alegria dos alunos. Decidi investir toda minha vida nisso”, relata o professor, que hoje tem formação como neuropsicopedagogo. “Você precisa de várias ferramentas para fundamentar o atendimento”.

O próximo projeto de Josimar é lançar um livro sobre a fundamentação da capoeira inclusiva, a partir de todas as suas experiências ao longo dos anos. “Não basta oferecer capoeira, é preciso ter percepção profissional para entender onde está a necessidade de cada aluno, e qual o remédio da capoeira”, afirma.

 

PROGRAMAÇÃO


O Festival Arte Capoeira e Capoeira Inclusiva é aberto a toda comunidade e não é necessário fazer inscrição. “É só chegar. Estudantes, acadêmicos, a sociedade civil, familiares, amigos. Quanto mais gente, melhor”, brinca Josimar.

O evento também irá atender os alunos especiais de instituições como a Sociedade Educacional Juliano Fernandes Varela e a Escola Clínica Raios de Luz.

O professor Josimar destaca a participação de professores de capoeira de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, às 18h15min, haverá o Festival de Cantigas “Essa Capoeira é Pra Quem Vê”. “Os alunos cegos transcreveram músicas para o braile, irão discutir o conteúdo das letras e depois cantar”, explica Josimar.

Às 19h, o professor irá fazer a Entrega de Graduação para as crianças, adolescentes e adultos especiais. “É o momento mais importante”, afirma. “Eles irão receber a primeira gradução por mérito de todo o trabalho que fizeram e de tudo o que aprenderam”.

 

http://www.correiodoestado.com.br

Aconteceu: “Festival Internacional Palmas para Capoeira”

De 29 de junho a 01 de julho, aconteceu o “Festival Internacional Palmas para Capoeira”, edição 2012, em Palmas capital do Tocantins, evento este promovido pelo grupo Terreiro Capoeira, pioneiro no estado do Tocantins, no qual vem realizando eventos desde 1990.

O “Festival Internacional Palmas para Capoeira” busca promover a formação de educadores de capoeira convivendo sob a condução de mestres especialistas no processo de tradição da capoeira, visando o crescimento e a difusão da cultura popular brasileira em seus desdobramentos sócio-educativo, artístico e cultural. Estima-se a participação de 800 pessoas entre capoeiristas (tocantinenses e de outras U.F. e países), empresariado, representantes do poder público e sociedade em geral.

Serão realizadas oficinas, palestras, papoeira e também uma atividade em especial, fixando uma parceria com a Universidade da Maturidade – UMA/UFT, a programação trará a realização de vivência da Capoterapia com os alunos da referida instituição, proporcionando uma experiência de uma nova proposta de estilo de vida, através de uma vertente exclusiva para a prática de pessoas que se encontram na “melhor idade” impulsionada pelos fundamentos basilares da Capoeira.

Mulher e a Capoeira foi tema de evento no Centro de Criatividade

Neste sábado, dia 02 de junho, o Centro de Criatividade abrigou o evento ‘Aúa Ananã – Mulher na Roda é Pra Jogar’. A programação teve início às 15h e contou com palestra, apresentações artísticas, oficinas (capoeira angola, capoeira regional, maculelê, samba de roda e percussão), sorteios de brindes e desfile da capoeirista mais bela do Estado.

O evento, que conta com apoio da Secretaria do Estado da Cultura (Secult), pretende reunir mulheres, crianças e idosos em uma tarde de muitas atividades. Segundo uma das organizadoras, Nagile Gama, o objetivo do evento é despertar o olhar para o papel da mulher na sociedade tendo como viés a capoeira.

“A partir desse evento nós pretendemos montar um grupo só de mulheres para mostrar a força que a mulher tem na sociedade. E pretendemos usar a capoeira como um meio, e não como um fim. Esse será o pontapé inicial para uma luta maior”, explica Nagile.

A participação de mulheres e crianças no evento será gratuita, já os homens terão que pagar uma taxa simbólica de R$ 5. Mais informações pelos telefones (79) 9955-4664 e o 8863-7943.

Ascom Secult

Educadores devem defender projeto de sociedade nas escolas

O respeito à diversidade e a inclusão social do negro são temas que precisam fazer parte do currículo do educador segundo Petronilha Beatriz Gonçalves Silva, do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). De acordo com a especialista em Ensino Aprendizagem – Relações Étnico-Raciais, os gestores de ensino são defensores de um projeto de sociedade, porém devem ter como meta em seu trabalho a equidade racial.

A afirmação foi feita durante o VII Encontro de Educação Étnico-Racial realizado nesta quarta-feira (9), na sede da Fundação Cultural Palmares (FCP), em Brasília. Organizado pela Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro, com o apoio da FCP, o encontro tem como objetivo contribuir para a implementação da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira na rede nacional de ensino.

Compromisso – “O projeto de sociedade defendido por nós professores funciona de acordo com a relação que temos com os alunos, com o conteúdo que transmitimos e com o foco que damos a esses conteúdos”, explica a especialista chamando a atenção ao tamanho da responsabilidade dos gestores. Compromisso que segundo Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, tornou-se imensurável com a última conquista da população negra: a aprovação da constitucionalidade das cotas raciais pelo Supremo Tribunal Federal, no último dia 26.

Para o presidente, o país vive um momento que favorece o ambiente da educação. “Uma situação que impulsiona as temáticas da população negra em seus desdobramentos no atendimento a 95 milhões de negros”, afirmou. “Já tivemos a liberdade por meio da abolição e o direito ao ensino a partir da aprovação das cotas. Falta-nos a terra para a qualidade de vida e isso conquistaremos com a educação”, completou.

Propagação – O coordenador Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro, Jeferson Paz, disse que a parceria entre a Regional e a FCP é uma grande oportunidade de proporcionar aos gestores um debate qualificado sobre o ensino da história afro-brasileira. “São pessoas com amplas experiências pessoais e profissionais que podem tornar mais fácil o caminho dessas temáticas das decisões às escolas”, pontuou.

De acordo com Paz, o número de professores dos ensinos médio e fundamental no Plano Piloto é de 4.000. Eles atendem a 47.000 estudantes, 7,83% dos 600.000 que fazem parte da Rede de Ensino do Distrito Federal. “É preciso alertar para o papel cidadão dos professores e estudantes”, ressaltou. “Com apenas um debate como este é possível chegar a pelo menos 30.000 famílias, orientando-as para o combate ao racismo”, concluiu

Presente ao encontro, a deputada federal Érika Kokay, se comprometeu a encaminhar a temática da implementação da Lei 10.639 para debate por meio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. “Precisamos impedir que elementos do passado como o colonialismo, a escravidão e a ditadura invadam a contemporaneidade colocando em risco a tão sonhada democracia”, afirmou. “Para isso, a reafirmação da história é fundamental para a desconstrução de uma cultura que é racista. Nosso objetivo é avançar no cumprimento do que estabelece a Constituição Federal”, concluiu.

Fonte: http://www.palmares.gov.br/