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Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Carlos Carvalho Cavalheiro: ‘Notas para a História da Capoeira em Sorocaba’

O livro foi contemplado pelo Edital PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro "Notas para a História da Capoeira em Sorocaba" Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

O livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930)”, de autoria do escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro foi lançado no dia 10 de junho (sábado), às 15h, na Biblioteca Infantil de Sorocaba.

 

Resultado de quase 20 anos de pesquisa, a obra trata do desenvolvimento da luta capoeira numa cidade do interior de São Paulo. O ineditismo da pesquisa serviu de base para outros pesquisadores, como Pedro Cunha que publicou sua dissertação de Mestrado, “Capoeiras e valentões”, no ano de 2015.

 

Esse mesmo pesquisador escreveu o prefácio para Cavalheiro, evidenciando que seu livro “consolida um trabalho pioneiro”, iniciado em fins da década de 1990, e que seus estudos “vem inspirando diversos outros pesquisadores como eu a romperem o silêncio da historiografia da capoeira”.

 

Já o apresentador do livro, o escritor e pesquisador André Luiz Lacé Lopes, deixa em evidência que “Mais do que consagrar de vez um espaço para Sorocaba no Mundo da Capoeira, Cavalheiro, talvez até de modo inconsciente, faz com que o seu livro, em princípio concentrado no período de 1850/1930, ajude a entender ainda mais o Brasil de todas as épocas, inclusive o Brasil de hoje”.

 

 Estudo inovador

 

 Ao iniciar as suas pesquisas sobre a capoeira paulista, em 1998, Carlos Carvalho Cavalheiro inaugurou uma linha de pesquisa inovadora, saindo do eixo tradicional do Rio-Bahia-Pernambuco, e concentrando-se não apenas no território da Província e depois Estado de São Paulo, mas, sobretudo, procurando os vestígios dessa arte/luta da capoeira em Sorocaba, cidade interiorana.

 

Com isso, Cavalheiro trouxe aspectos do cotidiano da cidade, cujo contexto explica melhor a existência da capoeira na cidade. As fontes consultadas pelo historiador demonstram uma cidade sulcada pelas relações tensas entre grupos sociais, cujo ápice se dá na emissão de leis (Posturas Municipais) que procuravam coibir as práticas populares, acima de tudo afro-brasileiras, das quais a capoeira é uma das expressões máximas.
“Mais importante que provar a sua existência nos séculos passados é entender o porquê da capoeira ter existido em Sorocaba naqueles idos”, comenta o historiador.

 

O livro de Carlos Carvalho Cavalheiro, “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba” foi contemplado pelo edital do PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O fato de ter sido contemplado por esse importante programa de incentivo à cultura define, de certa forma, a importância da obra para o entendimento da história da capoeira, tanto em Sorocaba como para o Estado de São Paulo. Foram impressos 1000 (mil) exemplares da obra, que deverá ter parte doada para diversas bibliotecas e, ainda, outra parte disponibilizada para venda a interessados no assunto. O projeto foi apresentado ao PROAC pela Editora Crearte, a qual editou o livro. Com 270 páginas, repletas de informações e ilustrações, a obra será comercializada a preço abaixo de mercado, por R$ 20,00. A ideia é tornar o livro mais acessível ao grande público.

 

O autor

 

Carlos Carvalho Cavalheiro nasceu em maio de 1972, em São Paulo. Residente em Sorocaba, o autor é professor de História na cidade de Porto Feliz, trabalhando na EMEF. Coronel Esmédio.
Autor de mais de duas dezenas de livros, Cavalheiro tem publicado obras que tratam da História e da Cultura Popular regionais, mas também obras de ficção. Mestre em Educação pela UFSCar, é ainda graduado em História, em Pedagogia e Bacharel em Teologia.
Possui ainda Especialização em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. É colunista dos jornais “Tribuna das Monções” e “Jornal ROL”.

 

Fonte: Jornal Rol.

Encontro de Capoeira para a Juventude

Ao som de cantoria e berimbau, jovens e crianças descobrem a alegria e o gingado

Muito à vontade, o estudante Felipe da Silva Santos, 9 anos, entrou na roda de capoeira com o mestre Jaiminho, para mostrar toda sua habilidade. “É mais ou menos difícil”, tenta explicar, ao lado do amigo Wendell da Silva, 9, também um iniciante bem interessado na atividade que mistura esporte e cultura. Juntos na quadra da Escola Municipal Avelino Leite de Camargo, no bairro Nova Esperança, os amigos e mais cerca de 400 jovens e crianças participam do Encontro de Capoeira para a Juventude.

O evento, que continua neste sábado, tem como destaque a participação especial de Vivaldo Rodrigues Conceição, o Mestre Boa Gente, que veio especialmente de Salvador (BA) para o evento de Sorocaba.

O ensino de capoeira faz parte da rede pública municipal de ensino. A prática também estimula os jovens, a partir de 12 anos, nas unidades do Território Jovem.

“A capoeira só traz benefícios. Muda a postura do jovens”, aponta o  coordenador do Território Jovem do Nova Esperança, Luiz Antonio de Lima. Além de estimular a prática de atividade física, a capoeira promove a socialização. Mesmo os mais tímidos são contagiados pelo som do berimbau e do pandeiro, e convidados a entrar na roda. “Foi muito legal participar”, diz Rafaela dos Santos, 10.

Todos os alunos das oficinas de capoeira, de 11 escolas da rede municipal, participaram do evento.

Mestre traz experiência de 51 anos
Mestre Boa Gente, 65 anos e 51 de capoeira, é um dos principais divulgadores da capoeira angolana. Sexta-feira (13), em Sorocaba, ele elogiou a participação das crianças. “Estamos repetindo aqui um trabalho que faço em Salvador. Vejo todas estas crianças aqui, participando, fora das ruas”, diz.

Segundo Mestre Boa Vida, Sorocaba é exemplo na organização do evento e também no estímulo à capoeira. “Aqui a gente não vem só para ensinar, mas também para aprender”.

Boa Gente, membro importante da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angolana), dedica-se à divulgar a arte para o resto do mundo, com apresentações nos Estados Unidos e em países da Europa.

Alegre e bem disposto, ele brinca ao falar dos benefícios da atividade que, segundo ele é praticada na Bahia por mestres com mais de 90 anos. “Eu tenho 65 anos e também jogo”, diz.

Neste sábado o dia é reservado para os atletas de capoeira de maior graduação. O curso vai das 10h às 12h e das 13h às 16h, no Território Jovem do Nova Esperança.

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa

Hoje recebo a confirmação que este grande camarada e parceiro está de viagem marcada para as terras frias do hemisfério norte, com destino a Toronto (Canadá).

Toda a família irá fazer esta jornada em cumplicidade e nosso amigo Miltinho, como grande “paizão” estará acompanhado da companheira Keyla e do filhão Camilo (foto).

Desejamos um ótima estadia e sucesso profissional!!!

Em homenagem a este grande capoeira e amigo escolhemos uma matéria publicada no Jornal do Capoeira escrita pelo próprio Miltinho Astronauta.

Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paulo

Luciano Milani – Fevereiro de 2009

Nota do Editor:

À convite da Tribuna Metropolitana – um jornal quinzenal que circula nas zonas norte e sul da capital – tenho escrito algumas crônicas para uma coluna cujo título é Capoeireiro. O objetivo tem sido o de compartilhar informações e pontos de vistas sobre nossa Capoeira. No mês de Julho de 2005 publicamos uma crônica sob o título “Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa”. Com o lançamento do Documentário “Pernada em Sorocaba – Ginga Pela Arte…Ginga Pela Sobrevivência”, previsto para ocorrer dia 19 de Novembro de 2005 na Cidade de Sorocaba (SP), achei por bem republicar tal crônica também em nosso Jornal. É o que faço agora.

Capoeiristicamente,

Miltinho Astronauta


CAPOEIREIRO

Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa
Por Miltinho Astronauta – Julho/2005

Nota da Tribuna Metropolitana

Foi com imensa satisfação que inauguramos esta coluna Capoeireiro. Percebemos que amantes da prática da Capoeira – seja enquanto cultura, seja como esporte ou educação – já estão até colecionando nossas edições quinzenais. A seguir, respondemos algumas questões enviadas à nossa Redação: 1) nosso colunista desenvolve um trabalho de pesquisa do fenômeno da Capoeira em nosso Estado (Interior, Capital e Vale do Paraíba); 2) existe um projeto em andamento para cadastrar os mestres e capoeiras – dos mais antigos aos jovens mestres – das diversas regiões da Capital: Zona Oeste, Zona Leste, Zona Norte, Zona Sul e Centro; 3) interessados em colaborar com este projeto (Coletânea da Capoeira em São Paulo) podem escrever para nossa Redação, ou então enviar e-mail para o nosso Colunista. Como se diz na Capoeira, “vamos dar a Volta ao Mundo, Câmara…”.

Outro dia, recebi uma carta eletrônica (e-mail) muito elogiosa sobre as duas primeiras edições de nossa recém-inaugurada coluna CAPOEIREIRO. Lá pelas tantas, nosso interlocutor perguntou: “Existiu, realmente, Capoeira em São Paulo antes da chegada dos baianos e cariocas na década dos 60?”. De pronto lembrei-me de um corrido do Contra-mestre Pernalonga (Márcio Lourenço de Araújo), que hoje ensina em Bremen, Alemanha. “O meu barco virou / lá no fundo do mar / Se eu não fosse angoleiro / Eu não saia de lá”. Foi exatamente assim que me senti. Ou seja, se não estivesse amparado por documentos, lá estava levando minha rasteira.

De pronto, resolvi então trazer à público uma abordagem interessante que fiz sobre uma forma de “Capoeira a Lá Paulista”. Confesso, estava guardando o texto que ora apresento para um livro que estou escrevendo sobre a Capoeira de São Paulo. Mas para não deixar de “entrar na chamada” de nosso amigo Leitor, vamos então ao fio da meada.

1. CAPOEIRA GANHA O MUNDO

Hoje percebemos que o mundo todo se entregou aos encantos de nossa Capoeira. Ousaria dizer que nenhum esporte e/ou prática cultural levou tanto de um povo à outras nações como é o caso de nossa Capoeira.

Por exemplo, aqui no Brasil, praticamos o Box, o Judô e o Caratê, mas ninguém fala o inglês ou o japonês por conta disso. Dança-se o Balé e o Tango, mas não existem motivos para se especializar em Francês ou Espanhol.

Mas com a Capoeira é diferente. Por conta dela o português falado no Brasil tem sido falado em mais de 150 Paises. É isto mesmo! Segundo a Federação Internacional de Capoeira (FICA), presidida pelo Prof. Dr. Sérgio Vieira, nossa Capoeira já caminha para a segunda centena de paises onde a prática já faz parte do “cardápio” anual de eventos culturais e desportivos.

É até compreensível nosso português sendo falado neste “mundão de Deus”, uma vez que seria muito superficial praticar a Capoeira sem, por exemplo, compreender o real sentido de uma Ladainha, de um Corrido ou de uma Chula.

Ao mesmo tempo em que percebemos nossa Capoeira expandindo-se, dando sua magistral “Volta ao Mundo”, observa-se que mais e mais os praticantes (nacionais e principalmente do estrangeiro) estão buscando conhecer a verdadeira – e mais completa quanto possível – história da Capoeiragem.

2. CAPOEIRA, FOLCLORE & DINÂMICA

Prosa e SambaÉ fato que a Capoeira praticada em nosso Estado de São Paulo é fruto de um trabalho de resistência e divulgação realizado por mestres baianos e cariocas, vindos para cá a partir da década dos 50. Embora, sendo justo registrar que a grande maioria chegou entre meados dos 60 e início dos anos 70.

Em nossa Crônica Inaugural apresentamos o depoimento em livro do Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) atestando que levas de capoeiras foram soltas nas pontas dos trilhos (na cidade de Botucatu, entre 1890 e 1920, supostamente). Pelo depoimento, podemos inferir que Capoeiras (vindos da Capoeira Carioca) já perambulavam por nosso Estado, no final do século XIX e início do século XX.

Por falar em Capoeira Carioca, todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Mestre Edison Carneiro (excelente folclorista!) fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações. Por exemplo, com a proibição da Capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, resultou-se nosso Frevo! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom Capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a Capoeira que não se chamava Capoeira, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

3. PERNADA, TIRIRICA & CAPOEIRA PAULISTA

Em São Paulo também tivemos nossa “Capoeira primitiva”. Recentemente o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro e o capoeira-pesquisador Joelson Ferreira têm se dedicado a estudar a Pernada de Sorocaba (interior paulista). Na essência, essa forma de manifestação tem todos os ingredientes básicos de nossa Capoeira: cantos (corridos e desafios); negaças; golpes desequilibrastes (rasteira!) etc. Em breve teremos um excelente documentário sobre o assunto. Aguardem.

Além da Pernada de Sorocaba, na Capital Paulista, tivemos também uma outra “espécie de capoeira”: a TIRIRICA. Aparentemente, tudo indica que, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.

A Tiririca Paulista era um misto de Capoeira com Samba. Era, então, uma capoeira com ritmo (diferente da Capoeira Utilitária do Paulista-Carioca Mestre Sinhozinho – Agenor Sampaio), mas sem a presença do Berimbau. Tinha canto de pergunta e resposta, e “jogava-se” ou “lutava-se ludicamente” em Roda.

Sobre esta “espécie de capoeira” (assim se referiam a ela os “mais antigos” da Terra da Garoa) temos alguns depoimentos relevantes gravados no Centro de Estudos Rurais (CERU) e Museu da Imagem e Som (MIS), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo podemos encontrar ainda alguns praticantes remanescentes ou contemporâneos de praticantes, que acompanharam a TIRIRICA em seu auge (décadas dos 30 aos 50). Para dar uma dica, para quem estiver interessado em saber sobre a Tiririca, os bons nomes são Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro e Seu Nenê da Vila Matilde.

O Próprio Mestre Ananias – renomado mestre da capoeira angola baiana – que chegou pela capital entre 1950 e 1960, vivenciou alguns momentos da Tiririca pelas bandas do Brás; Largo da Banana, ou mesmo pelas Praças da Sé e da República (reduto de muitos sambistas, tiririqueiros e capoeiras). Mestre Ananias é grande conhecedor de Samba de Raiz e de Capoeira. Eu arriscaria dizer que uma das cantigas que só ouvi mestre Ananias cantando (É tumba, menino é tumba…) pode ter sido “colhida” durante sua vivência com alguns praticantes da Tiririca. Faço tal suposição baseado em um documentário de Mestre Geraldo Filme (também cantador de Samba, e que conviveu com exímios jogadores de Tiririca), que em depoimento para o MIS, lá pelas tantas, soltou a letra da música que comento acima:

 

“É tumba, menino é tumba

É tumba pra derrubá

Tiririca faca de ponta

Capoeira quer me pega

Dona Rita do Tabulêro

Quem derrubou meu companheiro

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente

(coro)

Abra a roda minha gente

Que o Batuque é diferente”

Será que a origem é a mesma (Rodas de Tiririca)?


Miltinho Astronauta dedica-se, de forma independente, ao projeto “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. O projeto conta com a colaboração de alguns pesquisadores, dentre eles Raphael Pereira Moreno e Carlos Carvalho Cavalheiro. Para obter mais informações, acesse o Jornal do Capoeira (on line) www.capoeira.jex.com.br ou escreva para miltinho_astronauta@yahoo.com.br. A foto de Mestre Ananias é de Autoria de Adilene Cavalheiro.

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

 

SCENAS DA ESCRAVIDÃO – Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba

A obra, escrita por Carlos Carvalho Cavalheiro, é um estudo inédito sobre a escravidão negra em Sorocaba que revela aspectos interessantes do tema e acaba por desconstruir o mito de que na cidade a escravidão foi mitigada. Carvalho Cavalheiro comprova através de farta documentação a violência inerente à escravatura também em Sorocaba. A obra revela ainda a participação do teatro sorocabano na campanha abolicionista, a relação entre o tropeirismo e a escravidão, a presença de escravos na produção fabril, a luta de classes entre os senhores e seus escravos e as cenas de crueldade na escravidão. Traz também uma reflexão acerca da cultura afro-brasileira em Sorocaba e a perseguição institucional à essas práticas através da repressão policial, edição de posturas municipais, manifestação de leitores nos jornais antigos etc.

Trata-se de um ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba, desde o séc. XVII até a abolição (séc. XIX), mostrando a discriminação e o preconceito racial em Sorocaba, buscando suas raízes históricas. Discute a falsa idéia de que a escravidão em Sorocaba foi amena, bem como as formas de controle ideológico sobre a mão-de-obra escrava. Além de discorrer sobre a escravidão em Sorocaba, o texto aborda também aspectos particulares da escravidão na região, em cidades como Itu, Porto Feliz, Araçoiaba da Serra (Campo Largo), Salto de Pirapora e até Campinas.

O livro recebeu apoios culturais do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, do Sindicato dos Empregados do Comércio de Sorocaba, do Psol (Diretório Municipal), da Crearte Editora, da Implastec, da AFCC Consultoria e Pesquisa, da Academia de Capoeira Nacional, do Movimento Anarquista, do Provocare, da ONG Memória Viva, do Movimento Anarco-cristão, do Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis, da Livraria Sebo Nacional e do Escritório de Advocacia Dr. Valdecy Alves.

Scenas da Escravidão possui 185 páginas e ilustrações interessantes relacionadas a cultura e história da escravidão em Sorocaba. A revisão histórica foi realizada pelo historiador Prof. Ms. Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho e a revisão gramatical pelo prof. Ivaldo José de Carvalho. O prefácio é de autoria de Armando Oliveira Lima, presidente do Instituto Darcy Ribeiro.

O autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, é professor de História da rede pública municipal de Porto Feliz e pesquisador da História e Cultura de Sorocaba e do Médio Tietê. Escreveu e publicou os livros Folclore em Sorocaba (1999), A greve de 1917 e as eleições municipais de 1947 em Sorocaba (1998), Salvadora! (2001) e Descobrindo o Folclore (2002). Produziu ainda o CD "Cantadores – O folclore de Sorocaba e região" com a participação de grupos folclóricos como a Folia de Reis de Sorocaba, a Folia do Divino de Araçoiaba da Serra, a Dança de São Gonçalo de Porto Feliz, o Terço Cantado de Itu e o Cururu de Sorocaba entre outros. Participou ainda da produção do CD e documentário "Cantos da Terra". Idealizou a Enciclopédia Sorocabana (www.sorocaba.com.br/enciclopedia) e a Reabertura do Inquérito sobre o Saci-Pererê (www.crearte.com.br/saci.htm). Neste ano proferiu palestra em agosto no SESC de Sorocaba sobre o Folclore de Sorocaba e do Médio Tietê.

“Esta é a única obra que trata especificamente da escravidão sorocabana em todo o período e não só na época da campanha abolicionista.
 
O único inconveniente em relação a publicação de uma tiragem reduzida é que não se tem condições de distribuir uma cota para os arquivos, museus, universidades e bibliotecas. É uma pena!” 
 
Carlos Cavalheiro

Scenas da Escravidão pode ser encontrado no Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis (Rua Riachuelo, 437 – Vergueiro – Sorocaba /SP) ou na Livraria Pedagógica Paulista (Rua Padre Luiz, 235 – Centro – Sorocaba /SP – Tel: (15) 3224-4304).

 

O ensino da capoeiragem no início do século XX

Artigo de Carlos Cavalheiro a repercussão em jornal de Sorocaba, São Paulo, sobre a abertura de Academia de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1920. A matéria trouxe a chamada "Um Desporto Nacional"

A despeito de sua criminalização com a inserção no código penal de 1890 (Decreto 847/1890), a capoeiragem encontrou ainda nas primeiras décadas do século XX vários defensores e adeptos, especialmente entre intelectuais, escritores, jornalistas, boêmios… pessoas que circulavam pelos mesmos logradouros freqüentados pelos capoeiras.
Assim, João do Rio em "A Alma encantadora das ruas", descreve o universo dos capoeiristas, Coelho Neto defende a sua prática como desporto, Aníbal Burlamaqui publica o seu método de capoeiragem e o articulista Petrus publica em 1914, num jornal de Sorocaba, uma crônica em que um capoeira carioca acaba se saindo melhor numa disputa com um boxeador inglês.
A vitória do negro capoeira Ciríaco sobre o campeão japonês de jiu-jitsu Sada Miako (conhecido como Conde Koma), também é responsável pela profusão de defensores da capoeira como esporte nacional. A par desse contexto, surge ainda o pensamento eugênico que vê na prática de esportes a forma de se aperfeiçoar e melhorar a espécie humana.[1]
Faltava apenas domesticar a capoeira, nascida livre nas vadiagens[2] e brincadeiras das ruas, dar-lhe um aspecto de esporte regrado. Daí surgirem livros procurando metodizá-la, regulamentá-la, regrá-la, castrá-la. Aliado a isso, a campanha dos intelectuais (como Monteiro Lobato no conto "O 22 do Marajó") procurando evidenciar as qualidades nobres da capoeira e, ainda, o surgimento das primeiras idéias de fundação de academias que ensinassem a luta.
O jornal sorocabano Cruzeiro do Sul, por exemplo, reproduz a notícia da pretensão de se fundar uma academia nesses moldes no Rio de Janeiro em 1920. Eis a nota:

UM DESPORTO NACIONAL

O dr. Raul Pederneiras e o professor Mario Aleixo pretendem fundar no Rio uma escola para o ensino de um desporto genuinamente brasileiro: a capoeiragem.
Diz a "Folha" do Rio, ser a capoeiragem um desporto excellente. Quando bem executado e abolidos os golpes mortaes, é um meio utilissimo de defesa.
Há ainda na Capital Federal conhecedores emeritos da capoeiragem, mas poucos, relativamente aos que havia antes do regimen republicano.
Um japonez, jogador afamado do "jiú jutsú" foi vencido há tempos pelo capoeira carioca Cyriaco.
Raul Pederneiras pensa em reviver esse desporto, auxiliado pelo professor Mario Aleixo, que já ensinou "jiú-jutsú" e capoeiragem à polícia civil do Rio.
Os francezes chamam aquelle desporto de "savate": os pés, as mãos, a cabeça, tudo o capoeira emprega quando se defende.
A "Folha" cita um marujo brasileiro, um tal "Boi", que num porto francez resistiu a uma escolta numerosa, só se utilizando da cabeça e dos pés.[3]

A idéia de se ensinar a capoeira em academias vai tomando vulto com o passar dos anos. Sinhozinho cria uma no Rio de Janeiro[4]. Mestre Bimba funda a primeira academia registrada oficialmente em Salvador, na década de 1930. Uma década depois, Mestre Pastinha inaugura a sua academia de capoeira angola.
O fenômeno das academias baianas trará uma nova conformação à própria história da capoeira, uniformizando (no que tange às tradições, hábitos, costumes, rituais, instrumentação, cantigas etc) sua prática, especialmente após a migração de mestres para o sudeste brasileiro. Isso foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, a punga, o bate-coxa… que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana.

Carlos Carvalho Cavalheiro
23 de julho de 2005.
O autor é pesquisador autônomo da história e do folclore de Sorocaba. Sócio efetivo da Comissão Paulista de Folclore (IBECC/UNESCO). Licenciado em História pela UNISO. Especialista (pós-graduação) em Gestão Ambiental – Faculdade Senac.

Créditos da foto do Jornal: Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho

[1] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O mundo de pernas para o ar. SP: Publisher . 2000. p. 65.
[2] O termo vadiagem, aqui, não tem a conotação pejorativa geralmente aliada ao termo. Vadiagem, neste contexto, é a forma como os próprios capoeiristas tratam a prática da sua brincadeira na roda de capoeira.
[3] Cruzeiro do Sul, 31 jan 1920.
[4] ASTRONAUTA, Miltinho. Capoeira em São Paulo: Coletânea número zero A velha guarda da capoeira. Disponível em http://www.osacabrac.org/acervo.htm acessado em 17ago 2004.

 

Fonte: Jornal da Capoeira e e-mail enviado pelo Prof. Joel Marques – http://capoeira-redentor.blogspot.com/

Carlos Carvalho Cavalheiro
02.08.2005 – Sorocaba " SP
www.capoeira.jex.com.br

Lançamento do Livro: HISTÓRIA DA CAPOEIRA EM SOROCABA

Livro importantíssimo para capoeiristas, pesquisadores, folcloristas e historiadores, pois além de apresentar farta documentação (mais de 150 ilustrações) sobre capoeira e seu início em Sorocaba, traz 62 depoimentos, entre eles, de mestres consagrados da capoeira. Por exemplo, do internacional mestre Suassuna (um dos introdutores da capoeira em São Paulo), Comendador mestre Valdenor (presidente de Federação Paulista de Capoeira), mestre Damião (aluno de mestre Bimba), mestre Celso Bujão (formado da 1ª turma do Grupo “Cordão de Ouro”), mestre Jorge Melchiades (o pioneiro da capoeira em Sorocaba, aluno dos saudosos mestres Valdemar Angoleiro, Paulo Limão, Silvestre e posteriormente formado do mestre Suassuna).
 
Apresenta fatos curiosos da capoeira, como a abertura da primeira filial do Grupo “Cordão de Ouro” no interior paulista; a apresentação de capoeira no programa “Cidade contra Cidade”, de Sílvio Santos, em maio de 1970, na antiga TV Tupi, canal 4, com os mestres Suassuna, Limão, Jorge Melchiades, Anande (Almir) das Areias, entre outros; a passagem de mestre Bimba e seus alunos por São Paulo e Rio de Janeiro, em 1949, etc.
 
O livro traz também o depoimento de pessoas ilustres ligadas ao esporte, à educação, à política, ao jornalismo, à rádio, à dança, etc., que de uma maneira ou outra tiveram contato com a capoeira, como é o caso da conhecida bailarina Janice Vieira, que conheceu mestre Pastinha em sua academia na Bahia; de José Desidério, jornalista esportivo; de Cármine Graziozi, editor do jornal “Desportos” em 1949; de Clodoaldo Rodrigues Nunes, cientista político, que teve atuação marcante no movimento de esquerda na época da ditadura; de Iara Bernardi, Deputada Federal; de Hamilton Pereira, Deputado Estadual; e de briguentos da década de cinqüenta, como Humberto Del Cistia, Maurício Gagliardi, José Carlos Alves (Pixe), Antonio Galdino e Joorge Melchiades.
 

O livro discorre sobre a história da capoeira em Sorocaba desde o aparecimento de sua prática na cidade até a atualidade, com enfoque especial e prioritário aos fatos de seu início e ao pioneiro, com o fim de esclarecer entendimentos equivocados sobre a época.
 

contato: cmwellington@terra.com.br

Livro: Scenas da Escravidão – Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba

Scenas da Escravidão será lançado dia 09 de dezembro
 
O livro Scenas da Escravidão – Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba será lançado no próximo dia 09 de dezembro, às 20 horas, no Espaço Cultural Saber Viver, do Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis.
 
A obra, escrita por Carlos Carvalho Cavalheiro, é um estudo inédito sobre a escravidão negra em Sorocaba que revela aspectos interessantes do tema e acaba por desconstruir o mito de que na cidade a escravidão foi mitigada. Carvalho Cavalheiro comprova através de farta documentação a violência inerente à escravatura também em Sorocaba. A obra revela ainda a participação do teatro sorocabano na campanha abolicionista, a relação entre o tropeirismo e a escravidão, a presença de escravos na produção fabril, a luta de classes entre os senhores e seus escravos e as cenas de crueldade na escravidão. Traz também uma reflexão acerca da cultura afro-brasileira em Sorocaba e a perseguição institucional à essas práticas através da repressão policial, edição de posturas municipais, manifestação de leitores nos jornais antigos etc.
 
Trata-se de um ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba, desde o séc. XVII até a abolição (séc. XIX), mostrando a discriminação e o preconceito racial em Sorocaba, buscando suas raízes históricas. Discute a falsa idéia de que a escravidão em Sorocaba foi amena, bem como as formas de controle ideológico sobre a mão-de-obra escrava. Além de discorrer sobre a escravidão em Sorocaba, o texto aborda também aspectos particulares da escravidão na região, em cidades como Itu, Porto Feliz, Araçoiaba da Serra (Campo Largo), Salto de Pirapora e até Campinas.
 
O autor pleiteou recursos da LINC deste ano para a publicação da obra, mas teve negado o projeto sob a alegação de que se trata de livro destinado ao público acadêmico. A partir da negativa da LINC, Cavalheiro buscou a publicação em formato mais econômico e tiragem reduzida. Para tanto, despendeu de recursos próprios e de apoiadores culturais como o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o Sindicato dos Empregados do Comércio de Sorocaba, o Psol (Diretório Municipal), a Crearte Editora, a Implastec, a AFCC Consultoria e Pesquisa, a Academia de Capoeira Nacional, o Movimento Anarquista, o Provocare, a ONG Memória Viva, o Movimento Anarco-cristão, o Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis, a Livraria Sebo Nacional e o Escritório de Advocacia Dr. Valdecy Alves.
Livro: Scenas da Escravidão - Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba“Esta é a única obra que trata especificamente da escravidão sorocabana em todo o período e não só na época da campanha abolicionista.
 
O único inconveniente em relação a publicação de uma tiragem reduzida é que não se tem condições de distribuir uma cota para os arquivos, museus, universidades e bibliotecas. É uma pena!” 
 
Carlos Cavalheiro
 
A tiragem dessa edição é de 300 exemplares, sendo que parte disso é destinada aos apoiadores. O restante será comercializado no dia do lançamento.
 
Scenas da Escravidão possui 185 páginas e ilustrações interessantes relacionadas a cultura e história da escravidão em Sorocaba. A revisão histórica foi realizada pelo historiador Prof. Ms. Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho e a revisão gramatical pelo prof. Ivaldo José de Carvalho. O prefácio é de autoria de Armando Oliveira Lima, presidente do Instituto Darcy Ribeiro.
 
O autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, é professor de História da rede pública municipal de Porto Feliz e pesquisador da História e Cultura de Sorocaba e do Médio Tietê. Escreveu e publicou os livros Folclore em Sorocaba (1999), A greve de 1917 e as eleições municipais de 1947 em Sorocaba (1998), Salvadora! (2001) e Descobrindo o Folclore (2002). Produziu ainda o CD “Cantadores – O folclore de Sorocaba e região” com a participação de grupos folclóricos como a Folia de Reis de Sorocaba, a Folia do Divino de Araçoiaba da Serra, a Dança de São Gonçalo de Porto Feliz, o Terço Cantado de Itu e o Cururu de Sorocaba entre outros. Participou ainda da produção do CD e documentário “Cantos da Terra”. Idealizou a Enciclopédia Sorocabana ( www.sorocaba.com.br/enciclopedia ) e a Reabertura do Inquérito sobre o Saci-Pererê ( www.crearte.com.br/saci.htm ). Neste ano proferiu palestra em agosto no SESC de Sorocaba sobre o Folclore de Sorocaba e do Médio Tietê. 
 
O Espaço Cultural Saber Viver está localizado na Rua Riachuelo, 437 – Bairro Vergueiro. O lançamento será às 20 horas e a entrada é franca.
 
carlosccavalheiro@yahoo.com.br

A história da capoeira em Sorocaba

Grande parte dos estudiosos da capoeira insiste na tese de que o estado de São Paulo só conheceu essa manifestação afro-brasileira a partir de meados do século XX, quando capoeiristas baianos como Mestre Ananias, Mestre Esdras Santos, Mestre Suassuna e outros fundaram seus grupos e academias na capital paulista.
{jgquote}“Menino preste atenção No que eu vou lhe dizer: O que eu faço brincando Você não faz nem zangado. Não seja vaidoso, nem despeitado. Na roda da capoeira, há, há Pastinha já ‘tá classificado.” (Ladainha de Angola do Mestre Pastinha){/jgquote}
À luz da análise de documentos e pela analogia dos fatos históricos essa afirmação parece insustentável. Primeiro, porque o número de escravos negros no estado de São Paulo sempre foi relevante. Segundo, é fato notório e conhecido que após a proibição do tráfico negreiro (que coincide com a expansão cafeeira) a mão-de-obra escrava da lavoura paulista será buscada na importação do escravo de outras regiões brasileiras em que o ciclo econômico esteja em decadência, como foi o caso da cultura açucareira do Nordeste e a exploração de minérios em Minas Gerais1. 
 
Sorocaba, embora não fosse atingida pela expansão cafeeira, antes possuía economia esdrúxula para a época, calcada no comércio de tropas. O número de escravos era relativamente grande, embora concentrados nas mãos de poucos proprietários2.
 
Não há como negar, portanto, a presença marcante do escravo negro na história de Sorocaba. Luiz Mott, pesquisando os arquivos da Torre do Tombo, encontrou mesmo documentos referentes à prisão do escravo João Mulato, em 1767, pelo Tribunal da Inquisição, que estava em visita Pastoral a Sorocaba. A prisão do escravo foi pelo motivo do mesmo portar uma “bolsa de mandinga” — um patuá. Esse amuleto é conhecido por sua fama em “fechar o corpo” de quem o carrega. Dessa forma protege-se de agressão física produzida por quaisquer instrumentos3.
 
Portanto, a presença da cultura africana e afro-brasileira no estado de São Paulo é antiga. Mas isso seria suficiente para autorizar, por analogia, a declaração de que em São Paulo já se tinha notícia da capoeira antes do século XX?
 
Certamente o argumento é frágil se não escorado por documentação inquestionável. E vamos encontrar tal documento nas Posturas Municipais da cidade de São Paulo, que, a requerimento do Presidente da Província, Cel. Rafael Tobias de Aguiar, sorocabano de escol, foi apresentado no dia 24 de janeiro de 1833 e aprovado pelo Conselho Geral em 1º de fevereiro do dito ano e publicado a 14 de março. Rezava parte da Postura que: “Toda pessoa que nas praças, ruas, casas públicas ou em qualquer outro lugar também público, praticar ou exercer o jogo denominado de capoeira ou qualquer outro gênero de luta, (…)4.”
 
Tem-se aí, claramente, a olhos vistos, que a capoeira em São Paulo não somente era conhecida como proibida pelo menos a partir do ano de 1833!
 
Cai por terra a teoria de que São Paulo conheceu capoeira somente no século XX. É preciso ter claro na mente como se desenvolveu a capoeira e separar em dois momentos históricos: o da informalidade e o da formalidade dessa prática. Primeiramente, devemos entender que a mesma apareceu entre os negros escravos de Angola e os primeiros registros dão conta de que se tenha desenvolvido entre os quilombolas de Pernambuco. Posteriormente, essa luta encontrou em todos os rincões do Brasil suas formas regionais: a capoeira Angola e a pernada no Rio de Janeiro, a punga no Maranhão, o bate-coxa em Alagoas, o cangapé ou cambapé no Ceará, a tiririca ou pernada em São Paulo, a capoeira de Angola (e posteriormente a Regional Baiana) na Bahia5.
 
O fluxo de escravos de uma região a outra, depois da proibição do tráfico negreiro, e atendendo as demandas econômicas de cada localidade, deram à capoeira possibilidade de eficazmente se difundir por várias partes do Brasil, sempre mantendo algumas características básicas, como o jogo de pernas, alguns golpes e a música como elemento rítmico e dissimulador da belicosidade. Essa forma de capoeira era informal, não se aprendia em academias (até porque desde 18906 estava proibida pelo Código Penal, pena que perdurou até 1937).
 
Com a fundação de academias de capoeira, em fins dos anos 30 e início dos 40, pelos Mestres Bimba e Pastinha, surgiu aí o modelo baiano de prática formal da capoeira. Antes, era brincadeira de rua, aprendida nos becos e nos quintais, escondida. A partir das primeiras academias muda-se o paradigma7. E essa capoeira formal, baiana, esse modelo de prática é que vai ser exportado para São Paulo a partir de fins da década de 1940 a início de 19508. Antes, a capoeira já era conhecida nesse estado.
 
Em março de 1892 houve um confronto entre os “morcegos” (praças da polícia fardada) e soldados do exército paulista que eram capoeiristas, ocasionando distúrbios na cidade de São Paulo9. Em 1923, para citar outro exemplo, o escritor Monteiro Lobato escreveu o conto O 22 da ‘Marajó’ em que denota a familiaridade com termos típicos da capoeira, afirmando mesmo que “Antes do futebol, só a capoeiragem conseguiu um cultozinho entre nós e isso mesmo só na ralé.” Mais adiante revela a intimidade com a gíria dos capoeiras: “— Só uma besta destas dá soltas sem negaça…”10.
 
O delegado de polícia de São Paulo e escritor, João Amoroso Netto, na biografia do célebre bandido Dioguinho11, publicada em 1949, afirma, comentando sobre fato ocorrido por volta de 1890, que “O delegado de polícia de Mato Grosso de Batatais12 estava furioso, porque os soldados haviam deixado fugir um preto capoeira que se metera numa briga.” Disso se depreende que a capoeira já era conhecida no estado de São Paulo no século XIX, e mesmo em 1949, ano da publicação referida, era manifestação conhecida, já que com naturalidade foi citada e nem mesmo houve necessidade de explicação em nota.
 
Em outro livro sobre o mesmo Dioguinho, encontramos referência a capoeira praticada na cidade de Botucatu, em meados do século XIX: “Dioguinho… Frequentava assiduamente as rodas de capoeira no largo da Igreja São Benedito, onde se tornou um exímio capoeirista, um dos melhores lutadores dessa luta-arte da cidade e região13.”
 
Com relação à cidade de Sorocaba, inúmeros documentos demonstram o conflito entre senhores e escravos, desmentindo a lenda de que nessa cidade os escravos eram pacíficos porque eram “bem tratados e quase todos domésticos”.
 
Em 1836, no dia 6 de abril, Salvador, escravo de Manoel Claudiano de Oliveira resistiu a voz de prisão do Comandante e dos praças da Patrulha, mesmo depois de desarmado da faca que carregava, tendo mesmo lutado com os soldados e disparado com arma de fogo contra os mesmos14. Em 1833, Francisco, escravo do alferes Bernardino Jozé de Barros respondeu a processo crime por desferir uma pancada em Manoel Antonio de Moura15. Em 1832, no dia 27 de ju nho, Bento, escravo do Padre Reverendo João Vaz de Almeida, agrediu, numa, luta Manuel José de Campos, ferindo-o com uma facada16. Em 1835 o escravo Salvador, de propriedade de José Joaquim de Almeida, foi ferido a espadada por Thomaz de Campos, depois do escravo cobrar uma dívida17. O fato ocorreu no dia 12 de agosto de 1835. Em 1875 o escravo Generoso desferiu um tiro alvejando e matando o seu senhor, Tenente Coronel Fernando Lopes de Sousa Freire18.
 
Escravos valentes, lutadores, fortes. As crônicas judiciárias da cidade de Sorocaba estão recheadas de informações a esse respeito19. Reporte-se ainda ao caso dos escravos Antônio, Roque e Amaro que foram enforcados depois de condenados pelo Júri de Sorocaba por terem matado o senhor, Joaquim Rodrigues da Silveira, no dia 14 de novembro de 1850. É interessante notar que dos depoimentos colhidos à época dos fatos, soube-se que Antônio era natural de Pernambuco, Vila de Catolé, e que Roque “viera vendido da Bahia”20. Não só reforça a afirmativa de que para cá vieram escravos vendidos do Nordeste, bem como os dois estados dos quais eram naturais os escravos são tradicionalmente terras em que se deu a gênese da capoeira!
 
Portanto, em que pese as diferenças regionais (Mestre Bimba mesmo nomeou o seu estilo como Capoeira Regional Baiana), não é impossível que elementos que conheciam a capoeira em seus estados natais tivessem sido vendidos para o sudeste e continuado aqui sua prática. Aliás, é mais que provável.
 
Entretanto, a fim de sairmos do campo das hipóteses e lançar para nossos pés fundamentos mais sólidos, recorremos a documentos ainda mais esclarecedores.
 
Em 26 de agosto de 1850 a Câmara Municipal de Sorocaba enviou ao Presidente da Província um ofício anexando a este o Código de Posturas Municipais de Sorocaba, com a finalidade de ser aprovado, o que de fato ocorreu no dia 7 de outubro de 1850. No Título 8º desse Código de Posturas, no artigo 151 está explícito: “Toda a pessoa que nas praças, ruas, casas públicas, ou em qualquer outro lugar tão bem público practicar ou exercer o jogo denominado de Capoeiras ou qualquer outro gênero de luta, sendo livre será preso por dous dias, e pagará dous mil reis de multa, e sendo captiva será preso, e entregue a seo senhor para o fazer castigar naquela com vinte cinco açoites e quando não faça sofrerá o escravo a mesma pena de dous dias de prisão e dous mil réis de multa 21.”
 
Nem se diga que o Código de Posturas era genérico e uma “cópia” de outros códigos similares, não refletindo a realidade local. Tal afirmativa é insustentável à luz do teor do ofício da Câmara Municipal de Sorocaba que encaminhou ao Presidente da Província o referido Código de Posturas. No texto da carta os edis sorocabanos salientam que “Porquanto, sem que nem de leve se presuma que a Câmara actual pretenda censurar suas predecessoras, preciso é confessar pela incidência dos factos, que este ramo do serviço Público se acha neste Município em perfeito atraso. V. Exa. não ignora que quando a Lei de 1º de outubro de 1828 deixou as Câmaras Municipaes o direito de propor suas Posturas os objectos do Tº 3º e conheceo a dificuldade de legislar na Polícia Administrativa para casos tão especiaes, para localidades tão disseminadas, tão distintas em usos, em costumes, e em diverças outras circunstancias, que podião fazer com que uma medida salutar para um Município não só não fosse aplicável a outro seo vizinho, como atte fosse lhe prejudicial. Esta disposição, Exmo. Sr., que esta Câmara julga a mais bella parte da Lei mencionada tem sido pouco attendida pelas Câmaras Municipaes, donde restta que vários casos que podem ser prevenidos pelas Posturas, força é confessar que o Município de Sorocaba já gabava dalgumas Posturas optimamentes adequadas as suas necessidades, porem dentre estas muitas havião, que já se tornarão inúteis pelo desaparecimento dos casos aqui e não aplicados, e outras erão sofismadas pelos interessados, seguindo diverças intelligencias a que prestavão, acorrendo actos inconvenientes o nenhum nexo que tinhão essas Posturas entre si, porque mais erão feitas d’ordinário depois que apparecia o facto, que convinha de antes processar attentar a tais circunstancias esta Câmara logo em comissão de seus trabalhos tratou de confeccionar um Código de Posturas dividido por sessoins, títulos, e artigos, segundo lhe foi permittido pela Assembléia Legislativa Provincial em 1837, comprehendendo em cada uma dellas a matéria que lhe parecia própria, ficando dest’arte não só mais sistemático o corpo das Posturas, como mesmo mais justados aos que ella precisavam recorrer. Este código de Posturas é o que esta Câmara tem a honra de endereçar a V. Exa., pedindo a sua aprovação provisória atte que a Assembléia Provincial approve deffinitivamente, para onde V. Exa. designará enviada em tempo competente.”22
 
Está assim definitivamente provado que a capoeira existia, era conhecida e combatida na cidade de Sorocaba no mínimo a partir de 1850. E era fato que merecia atenção das autoridades locais. O Código de Posturas de 1850 era o mais adequado e atual para aquela época e para a cidade. Já no início do século XX vamos encontrar notícias sobre capoeiristas que praticavam a brincadeira na informalidade. Segundo testemunho da senhora Thereza Henriqueta Marciano, 71 anos, nascida em Tietê e residente em Sorocaba desde 1934, seu pai, o senhor João André era praticante dessa arte, a qual aprendeu com seu pai, José André, na fazenda Parazinho em Tietê. Da época em que viveu em Sorocaba, a partir de 1934, João André sempre brincou de capoeira e de maculelê (dança de paus, como disse dona Thereza)23. João André era negro e nasceu em 1889. Além da capoeira e do maculelê, conhecia o tambú, ou samba caipira. Faleceu em Sorocaba em 1965, aos 74 anos de idade.
 
Josias Alves, conhecido por Chiu, foi outro capoeirista que, nascido na Fazenda Lulia em Maristela, passou a residir em Sorocaba a partir de 1958. Alega que brincava capoeira na fazenda e em Sorocaba, juntamente com um grupo de negros capoeiras, no clube 28 de Setembro, entre os anos de 1958 a meados de 1960. As brincadeiras eram acompanhadas por um berimbau e um pandeiro. Chiu informou que a capoeira era reprimida pela polícia, mesmo em 1958 (anos depois de ser tirada do Código Penal). Não era perseguição a capoeira em si, mas a qualquer reunião festiva de negros, segundo sua concepção. Aliás, os rituais afro-brasileiros também eram vistos com muitas reservas, conforme seu depoimento24.
 
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3 de Agosto: Dia do Capoeirista & Homenagens na Capital Paulista – Materia II

Matéria Publicada no Jornal do Capoeira em Agosto de 2005
Hoje, 03 de Agosto, comemora-se o Dia do Capoeirista. A Câmara Municipal da Cidade de São Paulo prestará homenagem solene aos Capoeiras da Terra da Garoa, com direito à Coquetel e Roda de Encerramento.
Sampa, 03.Agosto.2005
Corre Nacional e Internacionalmente a informação, e as comemorações, do Dia do Capoeirista. Nada mais justo comemorar. É no mínimo uma oportunidade política, quando os Capoeiras reúnem-se em auditórios governamentais para ouvir os representantes do poder falar:
o quão importante somos para a história do Brasil – o que já sabemos!;
que a Capoeira é o esporte que o Brasil precisa – mas não legislam eficientemente para isto;
que nossa arte promove inclusão social – principalmente inclusão a lá mensalões e exclusão dos mais necessitados; 

Dia do Capoeirista que se preze deveria ser um dia de reflexão inteligente sobre nosso real papel na sociedade, sobre como formar, principalmente na periferia, morros e guetos, jovens conscientes de seus direitos, dotados de extrema sensibilidade para o que vem ser, na prática, o sentido de cidadania.

Quando o saudoso Mestre Paulo Gomes, baiano formado na capoeira carioca pelo Mestre Artur Emídio, à frente da ABRACAP – Associação Brasileira de Capoeira -, alcançou transformar em Lei Estadual (válida, portanto, apenas para São Paulo) o Dia do Capoeira, certamente ele não estava pensando em ser apenas um “dia político”. Na época, Paulo Gomes era assessor do ex-Governador e também saudoso Mário Covas. Acredito que o que ele almejava mesmo era unir a classe – sempre fragmentada – em torno de uma causa única. Na época, Paulo Gomes lutava pela profissionalização da Capoeira.
Pois bem, o dia 3 de Agosto está, ano após ano, sendo consagrado como nosso Dia. O amigo Luciano Milani (www.lminani.com), inclusive, acaba de publicar uma crítica ao “Porque o Dia do Capoeirista? Se todos os dias são nossos dias!?”. Por e-mail, recebemos em nossa Redação um mensagem onde uma jovem identificada apenas por Viviane, questionou o “Porque 03 de Agosto?”. Sinceramente não encontramos, até o momento, uma justificativa plausível para tal.
Mas curiosamente, ao conversar com alguns mestres de renome da Capital Paulista, alguns envolvidos com as entidades de Administração  Capoeira, percebemos que existem diversas datas em que se comemora do Dia do Capoeirista. Segundo me foi passado, após o estabelecimento do dia 03 de Agosto como a data comemorativa para o Estado de São Paulo, houve um esforço de se adotar por lei a mesma data nos municípios. Aí virou comédia, pois cada município acabou adotando uma data diferente.
É, realmente é complicado estabelecer consenso entre nossos pares.


Sorocaba Shopping & Dia do Capoeirista
Um bom exemplo está dando hoje o Shopping de Sorocaba – www.sorocabashopping.com, que abriu espaço para três grupos da cidade (Cultura Brasileira, Associação Liberdade e Bem Brasil) para se apresentarem ao povo. Será logo mais a noite, a partir das 19h00. Relevem a repetição, mas a Administração do Sorocaba Shopping está de parabéns por ter incluído nossa Arte na agenda do dia, e por se lembrarem do Dia do Capoeirista.

Câmara Municipal da São Paulo Homenageia Mestres da Capoeira Paulistana
Por fax, e depois confirmada por telefone junto à própria Câmara Municipal, recebemos o seguinte comunicado:
A Câmara Municipal de São Paulo, convida a todos capoeiristas para a Cerimônia de Comemoração do Dia da Capoeira, a realizar-se no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100, 8º andar, as 19:00 horas do dia 03 de Agosto de 2005. Onde serão prestadas homenagens a personalidades do mundo da Capoeira e realizado um Coquetel de Comemoração.
Presença confirmada de grandes Mestres da Capoeira de São Paulo.
Segundo os assessores do vice-presidente da Câmara Municipal, senhor vereador Aurélio Miguel, dentre os mestres que receberão a homenagem estão: Mestre Ananias, Mestre Suassuna, Mestre Joel e Mestre Guilhermão. Certamente a lista é mais extensa, uma vez que eles almejam homenagear todos os mestres que já tinham tal título em 1980. Estamos aguardando a lista completa, para que possamos então divulgar a todos.
Por coincidência, Mestre Marquinhos entrou em contato solicitando algumas sugestões para o Congresso Estadual de Capoeira, a ser realizado em Setembro de 2005. Uma de nossas sugestões foi a de se prestar homenagens, com Carta e Placa de Agradecimento por relevantes serviços prestados à Capoeira em São Paulo. Em nossa lista preliminar sugerimos:  Mestre Toniquinho Batuqueiro, Mestre Damião, Mestre Ananias, Mestre Augusto Mário Guga, Mestre Zé de Freitas, Mestre Valdemar Angoleiro, Mestre Pinatti, Mestre Joel, Mestre Brasília, Mestre Suassuna,  Mestre Joel, Mestre Limãozinho, Mestre Natanael, Mestre Zumbi, Mestre Quilombo e Mestre Rudolf Hermanny.
Sugerimos ainda homenagens póstumas aos seguintes mestres: (sendo que a Carta e a Placa de Agradecimento deverão ser entregues à representantes ou familiares): Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Caiçara, Mestre Paulo Gomes, Mestre Gilvan, Mestre Silvestre, Mestre Limão e Mestre Sinhozinho
Ano passado, a Câmara Municipal entregou à alguns Mestres da capital o título de Cidadão Paulistano, dentre eles Mestre Miguel Machado (Cativeiro), Mestre Dinho Nascimento – o Berimbau Blues, e Mestra Janja (NZINGA).

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Sorocaba: Made in Brazil

Um jogo, uma dança, uma luta e esporte. Tudo isso é a capoeira, genuinamente brasileira, que vem ganhando adeptos ao redor do mundo. Nascida nas senzalas e quilombos no período da escravidão, ela deixa de ser marginalizada e ganha espaço ao lado dos esportes.

Aquilo que foi criado para ser uma defesa contra o inimigo, se transformou em esporte e cultura.

Manoel Troiano dos Santos, o mestre Cuco, contou que em Sorocaba existem cerca de 50 núcleos de capoeira, divididos em oito associações. “São mais de 10 mil praticantes em toda a cidade.”

Entre eles está Regina França, capoeirista há seis anos. “Assisti uma apresentação na praça e quis praticar”, lembra. Para ela, o esporte sempre traz novos desafios a serem superados, além de manter o corpo em forma. Regina joga capoeira durante duas horas, três ou quatro vezes por semana.

Mestre Cuco acredita que é preciso tirar da capoeira a imagem do preconceito. “A capoeira hoje é instrumento educativo. Ela saiu das ruas e da marginalidade para entrar nas escolas e nas casas das pessoas.”

Modelo exportação

De acordo com Cuco, a capoeira já é pratica em 150 países, sempre com as regras e o formato criando no Brasil. “A música é brasileira e as cores dos cordões representam a bandeira do país.”

O esporte, que já fez um campeonato mundial, busca agora a inclusão nas Olimpíadas. Para isso, precisa realizar cinco competições desse nível.

Assim como nas artes marciais, o atleta que aumenta de nível, troca de cordão, até chegar ao branco, usado pelos mestres.

Benefícios

A prática da capoeira representa um grande benefício para o organismo. Cuco, que é formado em Educação Física, disse que duas horas de treino representa a perda de 700 calorias. Ele acrescentou que o esporte permite um fortalecimento ósseo e muscular. “Existem pessoas que praticam a capoeira até os 80 anos.”

Para os iniciantes, a aula começa com orientações sobre os fundamentos e golpes. Em cerca de três meses, disse o mestre, o capoerista já pode participar da roda.

Cuco deixa claro que a capoeira apenas simula uma lita, mas não há agressão entre os participantes.

Liga Regional na cidade

Com o objetivo de integrar as associações de Sorocaba e região, foi criada este ano a Liga Regional Sorocabana de Capoeira. “Queremos regularizar e oferecer um suporte aos praticantes”, explica o presidente, Manoel dos Santos, o mestre Cuco.

Ao todo, 72 cidades fazem parte da área de cobertura da Liga. Cuco explicou que a entidade, que é filiada à Fecaesp (Federação de Capoeira do Estado de São Paulo) vai organizar cursos de capacitação e regulamentar o trabalho realizado na região. “Através de nós, as associações também poderão participar das competições.”

O vice-presidente da Liga, José Aparecido Mendes, o mestre Cupim, diz que a entidade vai realizar seletivas regionais para indicar atletas para campeonatos importantes. “Dessa forma poderemos levar os melhores da nossa região.” Cupim é o atual campeão brasileiro na categoria peso pesado.

Capoeira não tem idade

Com apenas seis anos, Matheus Almeida, pratica a capoeira há um ano e meio. Ao lado de Nathália Almeida, 8, ele já aprende os primeiros golpes. “Parei de fazer futebol porque não dava tempo e gosto mais da capoeira”, conta o menino.

Nathália sabe que não é comum uma menina jogar capoeira, mas ela não se importa. Os dois farão seu primeiro batizado (mudança de cordão) ainda este mês.

A presença de crianças nas aulas mostra que, além de não representar nenhum risco, a capoeira é um instrumento educativo. O esporte já é praticado em muitas escolas de Sorocaba.

O mestre Cuco explicou que a capoeira tem um caráter educativo e disciplinar muito importante no desenvolvimento da criança. “Muitas crianças melhoram seu temperamento quando fazem capoeira.”

Jacqueline França – jacqueline.franca@bomdiasorocaba.com.br