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Dia da Capoeira: Berimbau rola solto no bairros de São Paulo e em Guarulhos

Capoeira é uma expressão cultural que envolve arte-marcial, música, dança, esporte e cultura popular. Em alguns bairros de São Paulo, existem grupos que oferecem esse tipo de atividade. O que poucos sabem é que em imediações como Vila Madalena e Santa Cecília estão dois dos precursores da capoeira do Estado de São Paulo, o Mestre Brasília, do Grupo Ginga Brasília e Mestre Suassuna, do Grupo Cordão de Ouro. Hoje é comemorado o Dia da Capoeira e a reportagem do Futebol e um pouco mais conversou com esses dois grandes nomes do esporte que leva cultura e sabedoria a todo o país.

Antônio Cardoso Andrade, o Mestre Brasília, nasceu em 1942, na Bahia e pratica capoeira há 53 anos. Junto com o Mestre Suassuna, fundou o Grupo Cordão de Ouro e é o principal nome da capoeira de São Paulo. É vice-presidente cultural da Federação de capoeira do Estado de São Paulo, entidade filiada à Confederação Brasileira de Capoeira e à Federação Internacional de Capoeira e presidente do Conselho Superior de Mestres – seção São Paulo.
Atualmente, Mestre Brasília ministra aulas de capoeira no Galpão do Circo, na Vila Madalena e na Avenida São João, Centro de São Paulo. “Eu aprendi muito com a capoeira, tenho muito gratidão por esse esporte. Lutei muito par que a capoeira se tornasse o que é hoje. Posso dizer que conquistei uma vitória”.
O Mestre, que vive 44 anos em São Paulo, ministra palestras sobre capoeira e já foi ao Japão 14 vezes para divulgar essa arte-marcial. “Meu grupo foi o primeiro a sair do Brasil e pisar no Japão. No oriente fiz shows de capoeira e maculele”. Brasilia disse que em suas palestras fala sobre ética, cidadania, hierarquia e principalmente sobre capoeira.

Outro pioneiro da capoeira paulista é Reinaldo Ramos Suassuna. O Mestre Suassuna, como é chamado tem 75 anos e é um dos mais importantes nomes da capoeira do Brasil. Vivendo pela capoeira a mais de meio século, Suassuna já viajou, por aproximadamente, 50 países, entre Japão, Estados Unidos, França, Israel, para levar a cultura brasileira e palestrar sobre os momentos desse esporte cultural.
“A capoeira é tudo em minha vida. Tudo que eu tenho nesses 75 anos vividos devo a capoeira. Ela me deu muitas oportunidades”, disse o Mestre.
Hoje, o Grupo Cordão de Ouro, comandado apenas por Suassuna, tem 2.000 filiais em todo o mundo e tem papel de destaque entre todos os grupos de capoeira do país, não só pelo que representa para o seu Mestre, mas para todo o esporte e cultura do país. 
Suassuna nasceu em Ilhéus, na Bahia e foi criado em Itabuna. Quando criança apresentou um problema de paralisia infantil e o médico recomendou que praticasse um esporte que não fosse futebol, então, Reinaldo começou a praticar capoeira e até hoje vive disso. “A capoeira reestabeleceu minha saúde, se não fosse por ela, talvés eu nem estaria aqui concedendo essa entrevista”, desabafou.

Além de Capoeirista, Mestre Brasilia é escritor (Foto: Mônica Cardim)Mestre Brasilia é autor de um livro

Além de 53 anos vividos pela capoeira, o Mestre Brasilia já escreveu um livro onde fala da história da capoeira e da sua história pessoal.
A obra ‘Vivência e fundamentos de um mestre de capoeira’ é um livro didático, onde o autor descreve tudo que viveu sobre a capoeira e sua ética. Além do livro, existe um CD e um DVD que o completam.
“Escrevo sobre minha história e sobre a história da capoeira, pois a minha história está ligada com a capoeira e a capoeira está ligada com a minha história”, explicou o Mestre.

Um recado para os Capoeiristas

Os grandes Mestres de Capoeira do Brasil, não podiam deixar de agradecer a todos os capoeiristas  e passar uma mensagem a esse esporte que leva cultura popular a todo o país.
“Quero dizer a todos os capoeiristas que ame e respeite a capoeira, pois essa luta é nossa. Não use o esporte para se aproveitar dos mais fracos, use e aproveite o que ele tem de melhor”, disse o Mestre Brasilia.
“A capoeira é global e me ajudou em muitas coisas. Através dela tive grandes oportunidades e me tornei um grande cidadão. Se ela transformou minha vida, pode transformar de todos que a praticam”, concluiu o Mestre Suassuna.

Serviço: Grupo Ginga Brasilia – Rua Girassol, 323 – Vila Madalena – São Paulo – Tel: (011) 3815-6147 – As aulas são ministradas de segunda e quarta-feira das 19h às 20h e de terça e quinta-feira das 19h às 20h30.
Grupo Cordão de Ouro – Rua Jesuíno Pascoal, 44 – Santa Cecília – São Paulo – Tel: (11) 3223- 5357 – As aulas são ministradas todos os dias das 10h as 22h.

Semana da Capoeira no Largo da Matriz em Guarulhos

A Liga Guarulhense de Capoeira da cidade de Guarulhos, em comemoração ao Dia do Capoeirista, promove a Semana da Capoeira que começa hoje, com uma grande roda do esporte originado na Bahia, no Lago da Igreja Matriz. As celebrações se estendem no dia 11 de agosto, com uma palestra do Mestre Brasília, o percussor da capoeira em São Paulo, e um Aulão de Capoeira no Adamastor Centro. O encerramento será no dia 12 de agosto com apresentações culturais de dança afros e danças ligadas a capoeira.

Segundo o diretor administrativo de comunicação e marketing da Liga Guarulhense de Capoeira, Amauri Rodrigues, são esperadas, aproximadamente duas mil pessoas, durante esses três dias de comemorações. “Só amanhã (hoje), cerca de 400 pessoas participarão da abertura com a roda de capoeira, entre 27 grupos filiados a liga e os simpatizantes pelo esporte”, disse o diretor.

Desde 2008, acontece essa comemoração ao Dia da Capoeira em Guarulhos, mas esse ano será especial porque é o primeiro ano que a Lei nº 4.649, de 1985, que institui o Dia do Capoeirista a ser comemorado, anualmente, no dia 3 de agosto, é reconhecida na cidade.

Para o Mestre Pererê, que é o atual presidente da Liga Guarulhense de Capoeira, esse reconhecimento é muito importante para a capoeira e para a cidade. “Com a aprovação da lei municipal que institui a capoeira, demos o primeiro passo para o reconhecimento do trabalho e da força que a capoeira através de grandes mestres que a cidade possui”, disse o Mestre Pererê.
Pererê é dono do grupo Negro Fujão. “Temos ainda muitas lutas a serem travadas, uma delas é a implantação da capoeira em todas as escola públicas de Guarulhos, a sede da liga e a Casa da Capoeira em nossa cidade”, concluiu.

Fonte: http://futeboleumpoucomais.blogspot.pt

O legado das senzalas

Filha de escravos africanos e nascida em terras brasileiras, a capoeira camufla arte marcial em dança, contagia e gera paixões aqui e no resto do mundo.

A história da capoeira se funde com a própria história do Brasil. Embora seja possuidora de raízes africanas, é no solo brasileiro que ela realmente se firmou e floresceu até os dias de hoje.

Causadora de grandes polêmicas, a mesma capoeira que gerou – e ainda gera – certa resistência e preconceito, também suscita grandes paixões. Nilson Rosa, 45, conheceu a arte cedo – aos 16 anos – e se identificou. Hoje, além de diretor da Secretaria Municipal de Cultura eTurismo, Nilson é mestre de capoeira, algo que para ele é um sonho que se tornou realidade.

Assim como os outros esportes, este também traz vários benefícios à saúde. Dentre eles, a melhora da condição física e o retardo do envelhecimento. Mas o diferencial também está presente nos benefícios não físicos. “A capoeira ensina o ser humano a ser mais humano. Ela é o tempo inteiro igualdade e união”, conta o mestre Nilson.

Mas se há tantas vantagens, qual é o motivo de o preconceito ainda existir? Para o mestre, é simples: “As pessoas tem resistência ao que é invisível e desconhecido. Por ter sido criada pelos escravos, a capoeira tem a famade ser algo para os desocupados”. Embora muita coisa da história não esteja escrita, o mestre Nilson passa seu conhecimento aos alunos, contando para eles as histórias do folclore brasileiro e o legado deixado pelos escravos. “Ainda que a capoeira pareça distante, esta arte originada como forma de autodefesa camuflada em dança está mais do que presente em nossasvidas.

Se antes os escravos viviam em senzalas e tinham como inimigo comum o senhor de engenho, hoje moramos em cidades e enfrentamos a dureza do cotidiano”.

Em Jaú, a capoeira está em sua sexta geração. A primeira delas contou com o mestre Bimba, que treinou diretamente com os escravos e passou seus conhecimentos ao mestre Suassuna. O mestre Suassuna ensinou Nino, que por sua vez foi mestre de Betão.

Quando Betão faleceu, Nilson – que já treinava há cerca de 10 anos – se tornou mestre, e hoje passa aos seus alunos a arte capoeirística, até o dia em que alguém se levante e então seja um mestre da sétima geração em Jaú.

A capoeira é uma mistura de tradições e segredos, de golpes e gingas. É como disse o mestre Pastinha, “jeito de escravo com ânsia de liberdade. Seu princípio não tem método, e o seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres”.

 

Fonte: http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Viva/62690/O+legado+das+senzalas

Taubaté: Programação Especial e Comemoração aos 50 anos de Capoeira do Mestre Suassuna

Em comemoração aos 50 anos de Capoeira do Mestre Suassuna, o Sesc Taubaté, junto com a Academia Ginga Vale, tem programação especial para este encontro que vai unir capoeiristas de Taubaté e Vale do Paraíba, com participações importantes de mestres do esporte no Brasil.

Sesc Taubaté promove programação especial sobre capoeira

O SESC Taubaté tem em sua programação uma homenagem especial ao mais brasileiro dos gingados: a capoeira. Com a presença da Academia Ginga Vale, será comemorado os 50 anos de Capoeira do Mestre Suassuna.

O evento visa reunir os capoeiristas de Taubaté e região e contará com importantes mestres do esporte no Brasil.  A capoeira será apresentada nos seus três estilos: Angola, Regional e Contemporânea. A de Angola é mais antiga, tem um bailado lento e é mais de chão, na rasteira, enquanto a Regional é mais no alto, usa-se muito as mãos; a Contemporânea une os dois estilos.

Antes dos anos 30, um ‘capoeira’ era visto com marginal, porque praticava essa luta tida como violenta. Foi Mestre Bimba quem a apresentou ao presidente Getúlio Vargas, e desde então, passou a ser considerada uma arte marcial.

O homenageado chama-se Reinaldo Ramos Suassuna, é nascido em Ilhéus e criado em Itabuna. Veio pra São Paulo na década de 50 e, em 1967, fundou na capital paulista a Academia Cordão de Ouro. Cinco anos depois, recebeu Cerificado de mestre Bimba, um reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido na grande metrópole, em nome da cultura brasileira.

Programação:

Ginga Vale – “ 50 anos de Capoeira do Mestre Suassuna”
Encontro de capoeiristas de Taubaté e do Vale do Paraíba com a participação de grandes mestres de capoeira do Brasil.
Realização: SESC Taubaté e Academia Ginga Brasil

Mesa Redonda
Capoeira: Passado, presente e futuro.
Com os Mestres: Suassuna, Esdras, Tarzan e Delmar
Mediação: Beto Kavalcante
Dia 21, 19h
Circo

Roda de Conscientização
Debate sobre as perspectivas do futuro da Capoeira o Brasil.
Com os Mestres: Suassuna, Quebrinha, Tarzan, Claúdio, Esdras, Lobão, Delmar e participantes do encontro
Dia 22, às 18h

Aulas abertas
Dia 21
Com Mestre Lobão e Tarzan
Às 20h30

Dia 22
Com Mestre Delmar e Claúdio
Às 19h

Dia 24
Com Mestre Claúdio – Capoeira Angola
Às 9h30
Com Mestre Suassuna
Às 10h30

Dia 25
Com Mestre Claúdio – Capoeira Angola
Às 9h30

Rodas Abertas
Com os Mestres: Suassuna, Claúdio, Tarzan, Esdras, Lobão, Delmar e Quebrinha.
Dia 22, às 20h30
Dia 25, às 10h30.

Formatura do CAF – Curso de aluno formado da Academia Ginga Brasil
Dia 23, às 19h.

XLIX Batismo de Capoeira da Academia Ginga Brasil
Dia 24, às 14h.

Realização: SESC Taubaté e Academia Ginga Brasil

Inscrições antecipadas na central de atendimento e na Academia Ginga Brasil.
Vagas limitadas. Grátis.

Grupo Coquinho Baiano lança CD

Foi lançado nesta quinta-feira o CD Produção de Saberes – Cantigas de Capoeira, do Grupo de Capoeira Coquinho Baiano.

O grupo de Campinas, interior paulista, produziu o CD com apoio do Fundo de Investimentos Culturais da cidade e da Prefeitura de Municipal.

A partir da segunda-feira, dia 12 os interessados poderão adquiri o CD por R$ 7 pelos telefones (19) 9227-2948, 9212-4824 e 3521-7147, pelos e-mails macacocoquinho@gmail.com, stu@stu.org.br ou pessoalmente no STU.

Fonte: http://capoeiradevenus.blogspot.com

 

Grupo de Capoeira Coquinho Baiano – Historia

Ao longo da década de 60 vieram para São Paulo muitos capoeiristas baianos, que chegando aqui, na dura batalha pela sobrevivência estabeleceram-se nos mais diversos ofícios. Por volta de 1967, os mestres Suassuna e Brasília abriram juntos uma academia de capoeira, a Cordão de Ouro. Na medida em que foram conseguindo alguma estabilidade, os migrantes baianos incentivaram parentes e amigos a fazerem o mesmo.
Suassuna, baiano de Itabuna, pretendendo, no início dos anos 70, abrir uma frente de expansão do ensino da capoeira em Campinas, enviou para essa cidade o capoeirista Tarzan que tinha acabado de migrar da Bahia para São Paulo.

Era 1974 quando os mestres Godoy e Maya iniciaram o aprendizado de capoeira. Ambos treinaram durante um tempo relativamente curto com o mestre Tarzan, pois este se desentendeu com a proprietária da academia e resolveu desenvolver trabalho autônomo com o nome de “Academia Beira-Mar”. O Jurema, que era professor formado pelo mestre Suassuna, ficou no lugar, com o nome de “Academia Senhor do Bonfim”. Quando o Professor Jurema parou com a prática de capoeira, em 1975, Godoy, Maya e Wilton assumiram a função de professores no mesmo espaço físico, ainda sob o nome de “Academia Senhor do Bonfim”. O trabalho cresceu e, em 1976, Godoy e Maya decidiram fundar a “Academia de Capoeira Coquinho Baiano”.

Desde então, passaram inúmeros capoeiristas, dentre os quais muitos se formaram a mestres, contramestre e instrutores. A Academia de Capoeira Coquinho Baiano tornou-se referência de capoeira e palco para encontros e discussões das mais variadas manifestações culturais brasileiras.
Desde 2005, o Grupo de Capoeira Coquinho Baiano passou a ser representado pelos Mestres Paulão, Tozinho e os contramestres Dito, Tuim, Macaco, Marcelo, preservando sua própria história como uma das poucas Associações formadas na década de 70 que resistiram ao tempo.

Atualmente a Coquinho Baiano mantém vários núcleos principalmente no Estado de São Paulo e em alguns paises da Europa, contribuindo para a valorização e o reconhecimento social, cultural e educacional da Capoeira, cultivando a relação Mestre-discípulo, vivenciando a complexidade da Capoeira luta, jogo, dança, música, esporte, expressão corporal, filosofia de vida.


“Não diga o que a Coquinho Baiano pode fazer por você e sim o que você pode fazer por ela”

Sucesso
Mestre Carlos Macaco
Fone: 19 92124824 – 92272948

http://www.coquinhobaiano.org.br/

Capoeira Ginga Brasilia “Aprendendo mais pela Paz”

Festa de Encerramento do Ano de 2009

Na oportunidade estamos contando com a presença do Mestre Cafuné, aluno do Mestre Bimba.
Como já é do conhecimento de uma boa parte dos capoeiristas,

os trabalhos realizados por mim, tem como objetivo ampliar os conhecimentos, desmestificar alguns pontos na capoeira e organizar, para que esta arte se mantenha no seu maior estado de pureza possível.

PROGRAMAÇÃO

• 9:00h às 13:00h – aulas de toques de berimbau (trazer o seu berimbau) – sequências, movimentos desequilibrantes e balões

• 13:00h às 14:00h – almoço

• 14:00 às 17:00h – roda, batizado e troca de cordões

Mestre Brasilia

Antônio Cardoso Andrade, Mestre Brasília, nascido em 29-05-1942, é também um dos pioneiros da Capoeira paulista. Aprendeu com mestre Canjiquinha, de quem foi discípulo e amigo dedicado.

Veio para São Paulo, gostou, acabou ficando. Praticava capoeira na antiga CMTC, com mestre Melo, e na academia do mestre Zé de Freitas, no Brás. Conheceu então mestre Suassuna, e juntos fundaram uma academia, a “Cordão de Ouro”, que viria a se tornar no pólo principal da Capoeira paulista.

 

Joga com extrema elegância e habilidade.

 

Local

Local: Escola Vera Cruz
Endereço: Rua Baumann, 73 – Vila Leopoldina
Data: 20/12/2009 – Domingo
Telefone: 9395-3907.

Investimento

Valor: R$ 30,00 para depósito até dia 15/12
banco Itaú – Ag: 0185 – c/corrente:14193-4 – Antonio Cardoso Andrade
R$ 50,00 no dia 20/12.

Mestre Brasília, um dos precursores da capoeira em São Paulo, lança CD e DVD e faz batizado

Mestre Brasília, um dos precursores da capoeira em São Paulo, lança CD e DVD e faz batizado e troca de cordas

Mestre Brasília, ao lado de pouco mais de uma dúzia de mestres de capoeira, é um dos precursores dessa manifestação cultural na capital paulistana. O jogo/dança/luta ganhou força em São Paulo no início dos anos 70 quando Mestre Bimba, o pai da capoeira regional, veio da Bahia especialmente para entregar um certificado de reconhecimento ao trabalho de nove mestres. No sábado, 20, Mestre Brasília reúne nomes importantes da capoeira de São Paulo para lançamento do CD e DVD Vivências e Fundamentos de um Mestre de Capoeira e também para troca de cordas e batizado do seu grupo, o Ginga Brasília. O evento acontece das 14h às 18h na Escola Vera Cruz, na Vila Leopoldina.

O CD, produzido por Mestre Brasília, sob direção de Mestre Tiê, é uma coletânea de oito músicas de domínio público, exceto pela primeira faixa 3 Mestres, composta por Paulo dos Anjos. São clássicos das rodas de capoeira cantadas na voz de Mestre Brasília que toca também berimbau e pandeiro. Mestre Tié responde pela tumbadora, caxixi e agogô e Clóvis Venâncio faz o violão em uma homenagem do capoeirista Pedro Calasso, na faixa 4, aos mestres do Grupo dos 9 – Aílton Onça, Brasília, Joel, Limão, Gilvan, Pinatti, Silvestre, Suassuna e Zé de Freitas – e a Mestre Ananias, outra figura importante do início da capoeira na cidade de São Paulo.

O DVD, além de trazer uma rápida biografia de Mestre Brasília, baiano, nascido em Alagoinhas e discípulo de Mestre Canjiquinha, traz algumas apresentações como samba de roda e maculelê feitas pelo Mestre e seu grupo nos anos 80 em teatros da cidade de São Paulo. O DVD apresenta momentos de grande beleza como o que Mestre Brasília ensina a japoneses os fundamentos das Chamadas de Angola ou ainda em que, em um batizado nos Estados Unidos, faz um jogo memorável com Mestre Cobrinha Mansa.

Aulas, participações em batizados e apresentações pelo mundo – entre elas uma apresentação pelas ruas do Japão -, além de fundamentos da capoeira angola e também da regional, também dão um recheio saboroso ao DVD.

No sábado, além da troca de cordas e batizado do Grupo Ginga Brasília, estão previstas apresentações de maracutu, maculelê, samba e miudinho, este último um jogo de capoeira desenvolvido por Mestre Suassuna, de quem Mestre Brasília foi sócio em 1966, quando juntos abriram a Academia Cordão de Ouro. No ano seguinte, ele deixou a sociedade para abrir sua própria academia.

Serviço:

Lançamento de CD e DVD Vivências & Fundamentos de um Mestre de Capoeira – Mestre Brasília; batizado e troca de cordas e apresentações de maculelê, maracatu, samba de roda e miudinho de Mestre Suassuna

  • Local: Escola Vera Cruz
  • Rua Bauman, 73 – Vila Leopoldina´
  • Data: sábado, 20 de dezembro
  • Horário: 14h às 18h
  • Preço do kit com CD e DVD: R$ 35,00 (CD: 15,00 e DVD: 20,00)
  • Maiores Informações: (11) 9395-3907

Entrevista Mestre Gato

Mestre Gato em entrevista exclusiva ao Portal Capoeira realizada em Lisboa durante o 10º Festival Internacional de Capoeira do Grupo Alto Astral (Contra-mestre Marco Antonio).

Mestre Gato

Fernando Campelo Cavalcanti de Albuquerque, Mestre Gato, nasceu em 14/06/47, Recife, Pernambuco, Brasil. Em 1952 mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, onde começou a se envolver com capoeira em 1963. Seu aprendizado iniciou-se com Paulo Flores Viana, um jovem baiano que morava no Rio, começara a interessar-se por capoeira, realizara algum treinamento no Rio e havia passado as férias escolares em Salvador, treinando na academia de Mestre Bimba, o criador da capoeira Regional. Paulo e seu irmão Rafael organizavam treinos informais de capoeira com um pequeno grupo de adolescentes, no terraço de seu prédio, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, desde 1963.

Em 1964, representa, junto com Paulo Flores, a academia Santana, dirigida por Valdo Santana, no Berimbau de Prata, no Rio de Janeiro, conseguindo o terceiro lugar. Em 1965 participa de algumas das rodas dominicais da academia do Mestre Artur Emídio, em Bonsucesso. Realiza treinamentos com Mestre Acordeon, aluno formado de Mestre Bimba, quando de suas visitas ao Rio de Janeiro.

Após participar da formação do Grupo Senzala em 1966, Fernando, que havia adquirido o apelido de Gato, representou o Grupo Senzala no torneio Berimbau de Ouro em 1967 e 1968, ajudando o Grupo a conquistar o troféu Berimbau de Ouro em 1969. Juntamente com os demais participantes do grupo Senzala, desenvolve metodologias de treinamento e didática, utilizando o método da Regional, o jogo de chão da Angola, o estilo apresentado pela Capoeira de Sinhô e pela capoeira baiana existente no Rio de Janeiro da década de 60, adaptando sequências de movimentos de capoeira e ginástica baseada nas posições e passos de capoeira. Participa de demonstrações, shows e palestras culturais de Capoeira, em colégios, teatros associações comunitárias e universidades do Rio de Janeiro, ajudando a divulgar o trabalho do Grupo Senzala que vem a se tornar uma referência como qualidade técnica, método de ensino e de organização.

Visita a academia de Mestre Bimba, em Salvador, em 1968, e aulas e rodas dos mestres Eziquiel, Saci e Mestre Popó de Santo Amaro da Purificação. Em 1968, visita em São Paulo, a academia do Mestre Suassuna., estabelecendo relações com os capoeiristas daquela cidade. Em 1969, participou do Seminário de Capoeira em Campos dos Afonsos, Rio de Janeiro, com a presença da velha guarda da Capoeira, como os mestres Bimba, Canjiquinha, Caiçaras, Artur Emídio, Gato Preto, Leopoldina e os então mais jovens, Acordeon, Airton, Suassuna, Joel, Itapoan, Bom Cabrito, Paulo Gomes, além dos principais capoeiristas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Começou a ensinar capoeira em 1967, nas duas principais universidades daquela época, a UFRJ, onde era aluno da Engenharia Civil, e a PUC, tornando-se um dos mestres do Grupo Senzala.

Em 1972, participou das discussões da regulamentação da capoeira. Nos anos de 87 a 89, participou como árbitro de Capoeira e palestrante nos Jogos Estudantis Brasileiros – JEBS, discutindo seu regulamento e o Projeto Capoeira – MEC. Atuou como mediador e relator no Encontro Nacional de Arte Capoeira, Circo Voador, Rio de Janeiro, 1984. Foi palestrante no Encontro Nacional de Capoeira em Ouro Preto, 1988. Em 1991, organiza o festival 25 Anos do Grupo Senzala com participação dos cordas-vermelhas do grupo e capoeiristas de todo o Brasil, no campus da UERJ.
Em 1990, após morar um ano na Inglaterra como estudante de pós-graduação de engenharia de Recursos Hídricos, criou o Group Senzala of Great Britain – GSGB. Participou do festival de artes marciais Budosai, em Durham, Inglaterra, em 1991, ao lado de alguns dos melhores mestres de Karate e Aikido do mundo. Visita anualmente o Reino Unido para realização de seminários práticos e teóricos sobre a capoeira e organização de batizados de capoeira. A partir de 2000, essas viagens tornam-se semestrais, participando de eventos de capoeira na Inglaterra, Escócia, Espanha, Portugal, Holanda, Alemanha França, Dinamarca, Hungria, Itália e Estados Unidos.

Em 2000, seu filho Pedro se muda para Edimburgo, na Escócia, onde passa a ensinar capoeira naquele país e apoiar o trabalho do Grupo Senzala no Reino Unido. Mestre Gato prossegue a coordenação do ensino de capoeira de instrutores e professores formados por ele nas cidades britânicas de Harlow, Cambridge, Norwich, Leicester, Londres, Newcastle upon Tyne, Peterlee, Edimburgo e Glasgow. Promove o intercâmbio de alunos britânicos no Brasil, organizando programas de cursos e atividades de capoeira no Brasil. Em 2005 e 2006 participa dos batizados do Grupo Senzala Seattle, que seu aluno Marcos Risco organiza, após dois anos de ensino naquela cidade. Ensina capoeira regularmente no Rio de Janeiro, organiza anualmente seminários de capoeira nesta cidade e ministra cursos e palestras de capoeira em diversos estados do Brasil, tendo organizado em 1994, o Capoeirando em Ubatuba, juntamente com Mestre Suassuna.

Em 1999 até 2002, também com Mestre Suassuna, organiza o Capoeirando no Sul da Bahia, em Ilhéus, sempre em Janeiro, Esses eventos têm a participação de capoeiristas de todo o Brasil e estrangeiros. A partir de 2004, o Capoeirando de Janeiro passa a ocorrer em Ilhéus e Arraial do Cabo, em semanas subseqüentes e com organizações independentes, o de Arraial do Cabo sob a organização dos mestres Gato e Peixinho. A partir de 2003, organiza, juntamente com os demais cordas-vermelhas do Grupo Senzala, o encontro Vadiação Senzala, onde os mestres do Grupo Senzala coordenam seminários de capoeira para alunos iniciantes, intermediários e avançados/instrutores/professores do Grupo Senzala e de outras associações e grupos de capoeira.

 

Mestre Gato e Pimpa – Lisboa 10º Festival Internacional de Capoeira Grupo Alto Astral

Seu endereço para correspondência é:
Rua Ocidental, 215 Santa Teresa Rio de Janeiro, RJ, 20240-100, Brasil. Tel/Fax 55 21 507 5935

gatosenzala@hotmail.com

Fonte da Biografia: http://www.gruposenzala.com

* Agradecimento especial ao Mestre Gato e sua Esposa (alma gemea) que durante o Festival de Capoeira em Lisboa, nos mostraram a beleza e a harmonia de um verdadeiro Casal de Capoeiras apaixonados.

Obrigado mestre Gato pela disponibilidade, atenção e prontidão.

Luciano Milani

Lançamento do Livro: HISTÓRIA DA CAPOEIRA EM SOROCABA

Livro importantíssimo para capoeiristas, pesquisadores, folcloristas e historiadores, pois além de apresentar farta documentação (mais de 150 ilustrações) sobre capoeira e seu início em Sorocaba, traz 62 depoimentos, entre eles, de mestres consagrados da capoeira. Por exemplo, do internacional mestre Suassuna (um dos introdutores da capoeira em São Paulo), Comendador mestre Valdenor (presidente de Federação Paulista de Capoeira), mestre Damião (aluno de mestre Bimba), mestre Celso Bujão (formado da 1ª turma do Grupo “Cordão de Ouro”), mestre Jorge Melchiades (o pioneiro da capoeira em Sorocaba, aluno dos saudosos mestres Valdemar Angoleiro, Paulo Limão, Silvestre e posteriormente formado do mestre Suassuna).
 
Apresenta fatos curiosos da capoeira, como a abertura da primeira filial do Grupo “Cordão de Ouro” no interior paulista; a apresentação de capoeira no programa “Cidade contra Cidade”, de Sílvio Santos, em maio de 1970, na antiga TV Tupi, canal 4, com os mestres Suassuna, Limão, Jorge Melchiades, Anande (Almir) das Areias, entre outros; a passagem de mestre Bimba e seus alunos por São Paulo e Rio de Janeiro, em 1949, etc.
 
O livro traz também o depoimento de pessoas ilustres ligadas ao esporte, à educação, à política, ao jornalismo, à rádio, à dança, etc., que de uma maneira ou outra tiveram contato com a capoeira, como é o caso da conhecida bailarina Janice Vieira, que conheceu mestre Pastinha em sua academia na Bahia; de José Desidério, jornalista esportivo; de Cármine Graziozi, editor do jornal “Desportos” em 1949; de Clodoaldo Rodrigues Nunes, cientista político, que teve atuação marcante no movimento de esquerda na época da ditadura; de Iara Bernardi, Deputada Federal; de Hamilton Pereira, Deputado Estadual; e de briguentos da década de cinqüenta, como Humberto Del Cistia, Maurício Gagliardi, José Carlos Alves (Pixe), Antonio Galdino e Joorge Melchiades.
 

O livro discorre sobre a história da capoeira em Sorocaba desde o aparecimento de sua prática na cidade até a atualidade, com enfoque especial e prioritário aos fatos de seu início e ao pioneiro, com o fim de esclarecer entendimentos equivocados sobre a época.
 

contato: cmwellington@terra.com.br

Canal Brasil – Video Documentário: Papete, Berimbau e Suassuna

Matéria especial em homenagem ao Dia do Capoeirista

Através do camarada João Catira, conhecido na capoeiragem como Contramestre Catira, integrante do Associação de Capoeira Cordão de Ouro, que atualmente está desenvolvendo seu trabalho na região de Coimbra – Portugal, recebemos uma verdadeira pérola, uma raridade…

Trata-se de um Video Documentário do Canal Brasil, apresentado por Papete, um percussionista de grande renome, que tem o Berimbau, seus toques, origen e curiosidades como pano de fundo do documentário, além de falar do "instrumento maior da capoeira", o video também mostra o jogo da CAPOEIRA, representado por um dos principais expoentes da capoeira, Mestre Suassuna e sua turma na academia Cordão de Ouro em São Paulo. (o video é do final dos anos 70 / início dos anos 80)

De quebra ainda estamos publicando uma das fotos mais antigas da Associação de Capoeira Cordão de Ouro, datada de 1971, também nos oferecida pelo Contramestre João Catira. (Na Foto: Mestre Suassuna, João Catira, Malvina, Jurema, Laércio, Tarzam, Freguesia, Suassuninha, Japones, Rodolfo entre outros…)


Clique aqui para ver a foto no tamanho real.


Vale salientar a importância do documentário em seu mais amplo sentido… Saber entender a época e o contexto da narativa.

É preciso perceber que o apresentador (Papete) é um fantástico percussionista e não um capoeirista.

* abaixo segue maiores informações sobre Papete:

Grupo Cordão de Ouro - 1971Papete (José de Ribamar Viana) nasceu em 8/11/1947 na cidade de Bacabal no estado do Maranhão. é cantor e compositor e percussionista.

Papete trabalhou como produtor e arranjador. Foi eleito um dos três melhores percussionistas do mundo quando participou do Festival de Jazz de Montreux na Suiça em 82, 84 e 87.

Iniciou sua carreira artística aos 13 anos de idade, atuando como cantor na Rádio Gurupi em São Luis (MA). Apresentou-se na emissora até 1967 quando compôs sua primeira música, "O bonde".
 
Em 1969 Wanderley Cardoso gravou a música "Eu morro se perder você", foi a primeira vez que Papete teve registrado seu trabalho de compositor. Nessa época, já atuava como percussionista e violonista.
 
Atuou em shows e gravações com Rosinha de Valença, Marília Medalha, Hermeto Pascoal, Osvaldinho da Cuíca, Toquinho e Vinicius, Benito de Paula, Inezita Barroso, Diana Pequeno, Renato Teixeira, Almir Sater, César Camargo Mariano, Rita Lee, Sadao Watanabe, Ornella Vanone e Alex Acuña, entre outros.
 
Obteve notoriedade internacional por sua técnica no berimbau, segundo ele, seu instrumento preferido.
 

Alguns Álbuns do Músico:

PAPETE – BERIMBAU E PERCUSSÃO – 1975
PAPETE – PROMESSA DE PESCADOR – 1980

PAPETE – ÁGUA DE COCO – 1980

Assista ao Vídeo Documentário do Canal Brasil:

Nota da Redação:

Esperamos que outros capoeiristas abram os seus baús… e mostrem ao mundo documentos, fotos, filmes e artigos de grande valor histórico…

Como diria um grande Mestre, aluno de Bimba: "Boa informação é aquela que é compartilhada…"

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Crônica: Capoeira “Arma dos Oprimidos”

CAPOEIRA: "ARMA DOS OPRIMIDOS"

 

Década de 70, época em que a Ditatura Militar procura controlar as manifestações populares, onde o falso nacionalismo e  o tecnicismo robotizava os esportes e a capoeira. Para quebrar este paradigma surge em São Paulo o Grupo de Capoeira Capitães da areia, contestando a colocação da capoeira, essencialmente, como sinônimo de esporte e competição. Fundado por Almir das Areias, hoje Anande das areias, reunindo os mestres Demir, Waldir, Baiano, Carioca e Pessoa, que não aceitaram esta descaracterização imposta a capoeiragem, alegando que esta capoeira-esporte deixava de lado todos os outros conjuntos de expressões que ela consequentemente representa.
 
Mestre Anande começa a aprender a capoeira em sua terra natal, Itabuna, com o mestre Luiz Medicina, aluno do mestre Suassuna. Contam que mestre Anande era um verdadeiro encrenqueiro e desordeiro em sua cidade, sendo conhecido popularmente como Cabelo Doido. Sem perspectivas na sua região, Mestre Anande já um aluno intermediário em capoeira, resolve migrar para São Paulo em busca de melhores condições, aqui chegando procura a academia de mestre Suassuna, já estabelecida no bairro da Santa Cecília. Assim Mestre Anande, passa a treinar, se formando com mestre Suassuna.
 
Ao descordar de mestre Suassuna em muitos aspectos, Mestre Anande inaugura o seu próprio trabalho, localizado no bairro operário do Braz, porém, outras sedes foram abertas, uma na rua figueira e outra na rua Vitório Camilo. Seu trabalho foi fundamentado através de pesquisas teóricas e práticas além de investigações históricas da capoeira e de um aprimoramento técnico da luta.
Mestre Anande, teve a percepção que a capoeira precisava de um aprimoramento técnico, este insite ocorreu quando jogava em uma roda e esquivou para o lado contrário ao que vinha o movimento, tendo o seu braço quebrado ao ser  atingido por uma meia lua de compasso certeira. Assim, criou o seu método, baseado nas defesas, priorizando a esquiva para o lado que vai o golpe e exigindo a proximidade dos jogadores.
 
O Mestre, consegue materializar de forma eficaz a criação da sua técnica e idéias, em um de seus discípulos, o seu irmão de sangue: Mestre Demir.
A exigência com Mestre Demir foi enorme, pois Mestre Anande tinha que afirmar a sua capacidade como Mestre, revelando para a comunidade capoeirística de São Paulo a sua “criação”. Mestre Demir, tornou-se a mais pura tradução da técnica Capitães da Areia e um dos capoeristas mais temidos e técnicos da sua época. Logo após, surgem outros formados do Mestre, também exímios capoeiristas, mestre Waldir, Mestre Baiano, Mestre Carioca e Mestre Pessoa.
Em decorrência das pesquisas históricas foi elaborado um sistema próprio de graduação, baseado nas transformações sociais sofridas pelo negro durante a escravidão. Éram usados como forma de graduação correntes, cordas e o lenço de seda, procurando representar a graduação com símbolos da opressão branca e da resistência negra.
 
Desta forma os Capitães contestavam o sistema adotado pela Federação Paulista de Capoeira, que utilizava de forma ingênua as cores da bandeira nacional para identificar as graduações, esta onda de civismo era imposta não somente a capoeira mas em toda a sociedade, assim os militares usavam este sentimento patriótico do povo para justificar o seu autoritarismo.
 
Para fundamentar ainda mais a sua proposta, o grupo tem a colaboração de alguns intelectuais e professores universitários que colaboraram na empreitada política, intelectual e técnica do grupo. Estes profissionais atuaram como consultores, estruturando em conjunto o curso de capoeira da academia. Dentre os consultores estavam presentes: Miroel Silveira; Professor de Teatro Brasileiro na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, jornalista, escritor, dramaturgo, ator, diretor, professor, programador, redator, consultor literário, correspondente e crítico teatral, membro de comissões julgadoras, pesquisador, teatrólogo, diretor, tradutor, adaptador de romances, roteirista e autor de musicais. Nabuo Sato; atuou como técnico esportivo estruturando o treinamento físico do curso, a coreógrafaYolanda Amadei, o antropólogo Roberto Foggeti de Almeida e  o médico Luís Carlos Batarello. Mais tarde Mestre Anande,  manteve contato com sociólogo Clóves Moura, autor do livro Rebelião nas Senzalas, com os dançarinos Klauss Viana e Rainer Viana e com somaterapeuta Roberto Freire criador da terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich, buscando o desbloqueio da criatividade, os conceitos de organização vital da gestalterapia e estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a Capoeira.
 
Podemos dizer, que o Grupo Capitães da Areia, faz jus ao nome adotado, já que no romance homônimo de Jorge Amado, os Capitães da Areia” eram compostos por um conjunto de crianças abandonadas e desfavorecidas. Assim, Mestre Anande, fundamenta sua proposta representando a sua capoeira como “arma dos oprimidos” e luta do fraco contra o forte, simbolicamente representando um “exercito popular” composto por trabalhadores, estudantes, mulheres,  e artistas populares, se opondo e combatendo os capoeiristas que  atuavam na Federação Paulista de Capoeira e se identificavam com os opressores.
 
Quero ressaltar que, os Capitães d’ Areia, também acreditavam e encaravam a capoeira como esporte genuinamente brasileiro, mas não deixava de lado os outros aspectos importantes da nossa arte.
 
O que diferencia jogo de esporte, é que no jogo as regras são flexíveis e adaptáveis as situações e aos componentes da roda, para ser considerada apenas esporte tem que ocorrer a  instiucionalização de regras para a prática, definindo diâmetro da roda, tempo para o jogo, pontuação etc…. tudo isso é válido desde que não seja deixado de lado outros facetas essenciais  que fundamentam e dão significado a prática da capoeira.
 
Hoje em dia vejo vários capoeiristas falando e se vangloriando de praticarem o “estilo” Capitães da Areia, e não conhecem o seu fundamento. A “técnica” Capitães da Areia, como prefiro chamar, foi apenas a materialização física de uma necessidade natural de liberdade e autonomia do capoeirista, gerando um desenvolvimento e um aperfeiçoamento técnico, visando a sobrevivência e afirmação dos verdadeiros valores da cultura popular, em um ambiente político de massificação e opressão.
                                     
 
* Renato Bendazzoli é Professor de CAPOEIRA do Grupo Mar de Itapuã, iniciou nos mistérios dessa arte, em 1994, com MESTRE PEQUENO, vindo a se formar, em 1998. Em 1999 começou a lecionar, em 2003 se formou em Educação física. Durante todos esses anos de dedicação a capoeira, à atividade física e ao esporte, atendeu a muitos alunos, colocando em prática meu método de ensino, que utiliza o corpo como ferramenta para o desenvolvimento físico, intelectual e emocional. Assim, procura implementar o potencial de cada pessoa que passa por suas mãos. Atualmente, é professor efetivo da rede estadual,  leciona capoeira em colégios, academias e treinamento individual. Contato: renato.prof@uol.com.br