Blog

tambor

Vendo Artigos etiquetados em: tambor

Onjó Angoma a Casa do Tambor

“A música me ama
ela me deixa fazê-la
a música é uma estrela
deitada em minha cama”
Paulo Cesar Pinheiro

Há muitos, mas não tantos anos, descobri o quanto a música me era importante. Especialmente a música popular, de raiz – aquela criada com caldo de sururu, mugunzá, canjiquinha e feijoada. Música da terra brasileira, da estância, do sertão, do banhado, do alagado, da mata, da serra, da caatinga, do quilombo e da praia.

Onjó Angoma nasceu do prazer, mas também da necessidade e da sorte. O prazer de ouvir o couro rufar, de sentir rolar o rolo, de chocalhar o ganzá, de sapatear na catira e gingar na capoeira. A necessidade de colocar o pão na mesa, rechear o bucho. E a sorte de conhecer o grande artesão que é Fernando Gupiara.

Fernando trabalha construindo instrumentos musicais há quase duas décadas. Atabaques, caixas de folia, pandeiros, berimbaus, xequerês, zabumbas, pandeiros, caxixis, cuícas – com todos eles se entende, a todos eles dá vida.

Onjó Angoma é um lugar para poetizar, e também uma loja. Cada produto exposto está à venda, a menos que explicitamente informado o contrário. Com umas poucas exceções, cada instrumento é feito artesanalmente, e por isso nunca haverá dois iguais.

Aceitamos encomendas de qualquer porte, e despachamos para qualquer lugar do mundo.

Agora deixe de cerimônia, e passeie um bocado. Seja bem-vindo para ver, ouvir e batucar !

Axé,
Teimosia

 

Onjó, s. f. Casa, rancho, cafua. Do umbundo “onjó”, casa. Angoma, s. f. (1) Nome genérico, no Brasil, dos tambores da área banta. (2) Do termo multilingüístico “ngoma”, tambor, através do quimbundo ou do quicongo.

Fala Tambor: Genuíno Samba de Roda em BH

O grupo Fala Tambor é o primeiro grupo de samba de roda da cidade de Belo Horizonte e do Estado de Minas Gerais. Está registrado como Associação Cultural Fala Tambor. Também foi o primeiro movimento cultural tombado como bem cultural imaterial afro brasileiro da cidade de Belo Horizonte, no Inventário Tradições Afro Brasileiras, realizado pela Fundação Municipal de Cultura. 

Criado em 2000, em Belo Horizonte , por Carlinhos de Oxossi, ogan, percussionista, cantor e compositor, o grupo Fala Tambor é formado por um corpo cênico-vocal, produz suas leituras, criações e recriações contemporâneas, a partir da influência da cultura de matriz africana. Todo trabalho desenvolvido foi feito a partir de pesquisas de ritmos e danças provenientes dessa matriz durante os sete anos de existência do Grupo. Atualmente possui um acervo de 80 composições próprias, nas expressões musicais de samba-de-roda, congo-frevo e afoxés. 

O Fala Tambor coloca em cena o genuíno samba de roda, de forma interativa e inovadora. Durante os espetáculos apresentamos, nossas cantigas e ritmos resgatam de forma peculiar a trajetória do povo africano e toda sua herança musical que influencia o Brasil. Ritmos variados, como o quebra-cabloco, cabula, monjolo, congo, arrebate, rebate e barra-vento integram o repertório musical do Grupo. 

Cantores, percussionistas e bailarinas desta trupe dão vida a esta musicalidade, estabelecendo com o público uma parceria lúdica e poética na interpretação de sua obra autoral, que reúne musica, canto e dança afro-brasileira. 

“Reverenciamos” o povo Bantu, com a musicalidade afro descendente, por meio da leitura corporal das bailarinas e sua interatividade com o jogo cênico e diversidade rítmica das canções musicadas para tambores, que retomam o diálogo com os batuques das senzalas e quilombos. Bate com a mão e sapateia com o pé, isto é Sambangolê”, explica o diretor musical Carlinhos de Oxossi. 

Além do trabalho de pesquisa musical, criação e apresentação de espetáculos musicais de Samba de Roda, o Fala Tambor também realiza um trabalho de formação, através de palestras, cursos e oficinas, contribuindo para a preservação e difusão do conhecimento sobre os bens e patrimônio cultural de matriz africana radicada no Brasil. 

Um exemplo é o projeto social voluntário feito junto a crianças e adolescentes da Escola Municipal São Rafael, na comunidade do São Rafael/Pompéia, viabilizando danças, oficinas de percussão e leitura rítmica do samba de roda. O grupo também possibilita a participação da comunidade e público interessado, através de ensaios abertos, que acontecem na Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário do bairro Pompéia, todo domingo na Escola Municipal São Rafael, e na Universidade da Luz, rua Ouro Branco, do Bairro Pompéia, toda Sexta-feira de 20:00 às 21:30. 

Atualmente, O Fala Tambor tem a seguinte formação: Carlinhos de Oxossi (cantor, compositor e diretor musical), Bruno Nigri, Aurélio Marques, Cristian Douglas , Wladimir Alves, Bomfim e Evandro Ramos (percussionistas), Cynthia Diniz, Izabela Miranda , Eli Rosane e Júnia Bertolino, (bailarinas e coro), Sandro Queiroz (agente cultural) e Telma Gomes (assistente de produção). 

Os Tambores de Minas Gerais, nunca calarão… 

Fala Tambor !


Aconteceu: FALA TAMBOR comemora seus 10 anos com show no FIT

O grupo o fará gravação AO VIVO de seu primeiro DVD “Bate com a mão e sapateia com o pé: isto é Sambagolê”, com o melhor do SAMBA de RODA de BH.

HOJE, segunda, dia 9 de agosto, às 23h30, o FALA TAMBOR, o primeiro grupo de SAMBA DE RODA DE BELO HORIZONTE E DE MG, Fará show especial no Espaço Cultural 104 (Praça Ruy Barbosa, em frente à Praça da Estação), dentro da programação “Mostra Movimentos Urbanos”, da 10ª edição do FIT (Festival Internacional de Teatro Palco e Rua). No show serão comemorados os 10 anos de (r)existência do FALA TAMBOR e acontecerá a gravação, ao vivo, do primeiro DVD do grupo, intitulado “Bate com a mão e sapateia com o pé: isto é Sambagolê”.Nesse show, composto por 10 músicas de autoria própria, os cantores, percussionistas e bailarinas da trupe darão vida ao genuíno SAMBA DE RODA, estabelecendo com o público uma parceria lúdica e poética na interpretação de sua obra autoral, que reúne música, canto e dança afro-brasileira.

O QUE é FALA TAMBOR: Criado em 2000 pelo músico, compositor, percussionista belohorizontino Carlinhos de Oxossi, o FALA TAMBOR é composto por um corpo cênico, vocal e percussivo de 12 pessoas, responsáveis por leituras, criações e recriações contemporâneas dos ritmos afro a partir da influência da cultura Bantu, de matriz africana. A “Reverencia” ao povo Bantu se dá na musicalidade afro descendente, por meio da leitura corporal do corpo de baile, sua interatividade com o jogo cênico e diversidade rítmica das canções musicadas exclusivamente para tambores, retomam o diálogo com os batuques das senzalas e quilombos. Ritmos variados, como o quebra-cabloco, cabula, monjolo, congo, arrebate, rebate e barra-vento integram o repertório musical do grupo. Através de cantigas e ritmos percussivos acontece um resgate cultural da trajetória do povo africano e toda sua herança musical que influencia o Brasil. Em seus 10 anos de atuação, o FALA TAMBOR criou um acervo de mais de 90 composições próprias, “recebidas” por Carlinhos de Oxossi – que é ogan de camdomblé (responsável pelos tambores dos rituais religiosos)- através de intuições espirituais. O grupo produz o mais genuíno SAMBA DE RODA DAS MINAS GERAIS, DE FORMA INTERATIVA E INOVADORA, POR ISSO, FORAM REGISTRADOS EM 2004, PELA FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA, COMO “BEM CULTURAL IMATERIAL AFRO-BRASILEIRO”. FORMAÇÃO: CARLINHOS DE OXOSSI (CANTOR, COMPOSITOR E DIRETOR MUSICAL), BETO ROCO, BRUNO NIGRI, BONFIM BAHIA, CÉLIO GIBI (PERCUSSIONISTAS), ÁGATHA FLORA, CIDADE, IZABELA MIRANDA E RITA SILVA (BAILARINAS E CORO) E TELMA GOMES (PRODUÇÃO).

GRAVAÇÃO DO DVD “BATE COM A MÃO E SAPATEIA COM O PÉ: ISTO É SAMBAGOLÊ”: A produção desse DVD está sendo realizada através de parceria cultural com as produtoras ATOS Central de Imagens e AFIRMA Criação Audiovisual. A proposta principal desse produto cultural é registrar, preservar valorizar e difundir a história do genuíno SAMBA DE RODA em MG, pois, apesar de fazer grande sucesso com seu público cativo, ainda é pouco conhecido/difundido pela grande mídia.

 

SERVIÇO: EVENTO: Show de 10 anos do grupo FALA TAMBOR /Gravação DVD – AO VIVO

programação FIT 2010 INFORMAÇÕES:http://www.fitbh.com.br/2010/movimento-detalhe.php?id=61

(31) 9862-0675/8826-0541 (Telma); falatambor@yahoo.com.br

Tambor de Crioula e Grupo Gualajo animam o aniversário da Palmares

Músicos do Maranhão e da Colômbia encontram-se para celebrar a FCP

Hoje, quarta-feira, 19/08, a partir das 18h, a apresentação de Tambor de Crioula, grupo vindo do Estado do Maranhão, e do Gualajo, da Colômbia, abrilhantam a festa dos 21 anos da Fundação Cultural Palmares.

Manifestação cultural de raiz africana, o Tambor de Crioula é uma das mais fortes expressões culturais afro no Brasil. Praticada principalmente no Maranhão desde a época da escravidão, a manifestação foi inscrita pelo IPHAN como patrimônio imaterial da cultura brasileira, em novembro de 2007. Salvaguardar o Tambor de Crioula faz parte do projeto do governo federal de reconhecimento das formas de expressão que compõem o amplo e diversificado legado das tradições culturais de matriz africana no país.

Considerada uma das mais belas expressões culturais da dança dos descendentes de escravos, o Tambor de Crioula envolve dança circular, canto e percussão de três tambores e tem como seu santo padroeiro São Benedito – protetor dos negros.

Os tocadores e cantadores são conduzidos pelo ritmo dos tambores e das toadas, acompanhados da punga (ou umbigada): movimento coreográfico no qual as dançarinas, num gesto entendido como saudação e convite, tocam o ventre umas das outras. Cada cântico se inicia com um solista que canta toadas de improviso ou conhecidas, repetidas ou respondidas pelo coro, composto por homens que se substituem nos toques e por mulheres dançantes. Os cânticos possuem temas líricos relacionados ao trabalho, devoção, apresentação, desafio, recordações amorosas e outros. Para saber mais, só vindo até a sede da Fundação Cultural Palmares e assistir de perto a tradição do Tambor de Crioula.

O Grupo Gualajo traz da Colômbia ritmos da marimba.A marimba é um instrumento musical criado há séculos por tribos africanas e é fonte de inspiração de instrumentos de teclado, como o piano, o acordeon e o vibrafone.

O maestro José Antônio Torres Gualajo dedica-se à marimba há mais de 50 anos, estudando os mais variados ritmos que o instrumento pode ecoar. Conta a lenda, que ao nascer, a parteira de José Gualajo colocou-o em cima de uma marimba para cortar o cordão umbilical. Assim, ao ouvir a ressonância do instrumento logo ao nascer, somado à herança musical que seus pais lhe proporcionaram, Gualajo predestinou-se a ser um guardião da preservação de Marimba e de todos os ritmos que ela pode ressoar, como: currulos, aguabajos; jugas; andareles. Além de tocar, o maestro tornou-se um mestre no ofício de construir cada um dos componentes que constituem a marimba.

A iniciativa de trazer o grupo colombiano ao Brasil foi do Programa Regional de Apoio às Populações Rurais de Ascendência Africana da América Latina – ACUA.


Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas
Marcus Bennett
Telefones: (61) 3424-0164/ 0165/ 0166
www.palmares.gov.br

Maranhão: Mestre Felipe morre aos 84 anos

Faleceu por volta das 20h30 de ontem, aos 84 anos de idade, Felipe Neres Figueiredo, o Mestre Felipe, um dos maiores mestres de tambor de crioulas do Maranhão. Ele estava internado no Hospital Universitário Presidente Dutra há duas semanas e ontem teve uma parada cardíaca, em decorrência de um efizema pulmonar e uma obstrução na uretra.

Mestre Felipe era natural de São Vicente Férrer e começou a tocar tambor aos três anos de idade. Atualmente ele comandava o Tambor de Crioula União de São Benedito – Mestre Felipe, com vários CDs gravados.

O corpo de Mestre Felipe deveria ser levado ainda na madrugada de hoje para a casa dele, na rua São Jorge, número 5, na Vila Conceição/Coroadinho, próximo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mas será trasladado para a sua terra natal, à tarde ou amanhã, para ser sepultado, pedido feito pelo mestre.

Fonte: Jornal Pequeno – http://www.jornalpequeno.com.br

Foto:G.FERREIRA

Tambor de Crioula do Maranhão é reconhecido como patrimônio imaterial

Maranhão: Um show de cultura…
 
Cultura são todos os traços, os costumes, as práticas, e também o folclore. A formação cultural do Maranhão está bem servida, pois tem influência das raças indígena, negra e branca (predominantemente portugueses).
 
O Maranhão conserva muitas tradições folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi e o Tambor-de-Crioula, mas não deixa de assimilar o moderno: São Luís é considerada a capital brasileira do reggae.
 
O Convento das Mercês,situado na Praia Grande, é uma grandiosa obra da arquitetura religiosa mercedária inaugurada em 1654 pelo Padre Antônio Vieira.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Maranhão abriga o primeiro teatro multimídia do país, equipado com aparelhos de som, iluminação e vídeo de última geração. Estamos falando do Teatro Arthur Azevedo, um dos maiores espetáculos de São Luís. Restaurado e todo reformado, sua fachada é digna do rico projeto arquitetônico clássico.
 
Este é o Maranhão, um Estado onde o passado se confunde com o presente e o progresso não apaga o brilho da tradição.

Manifestação popular é executada há mais de 300 anos por dezenas de grupos maranhenses
 

 

Brasília – O Maranhão está em festa, dia 18 de junho, o Tambor de Crioula, uma das manifestações culturais mais antigas, autênticas e originais do Estado e do País, passa a ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
"Será a realização do sonho de nossos antepassados", afirma Paulinho di Maré, presidente da Associação Cultural de Tambor de Crioula do Estado do Maranhão (Actasema), criada em janeiro deste ano.
 
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, participará da solenidade de entrega do registro aos grupos de Tambor de Crioula pelo Iphan. Também estarão presentes no evento, que acontece a partir das 15 horas na Casa das Minas: o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida; o governador do Maranhão, Jackson Lago; o prefeito de São Luís, Tadeu Palácio; e representantes de mais de 80 grupos da capital maranhense e do Estado.
 
Os mestres mais antigos de São Luís vão apresentar o Tambor de Crioula na solenidade. Na ocasião também será lançado pelos Correios um selo comemorativo ao reconhecimento.
 
Após a cerimônia, 62 grupos realizarão cortejo em homenagem a São Benedito – os tocadores e dançarinos são devotos desse santo – na Rua de São Pantaleão. O local será fechado e estará decorado com flores, chita e 50 painéis fotográficos com os principais mestres e integrantes dos grupos do Tambor de Crioula.
 
Em seguida, as autoridades vão visitar o Centro de Referência Azulejar e a Oficina-Escola São Luís, onde estudam jovens em situação de risco social, entre 18 a 25 anos. Ao longo de dois anos, esses jovens recebem bolsa mensal de R$ 300, formam-se no ensino médio e tornam-se profissionais de marcenaria, carpintaria, azulejaria e alvenaria. Depois de receber o certificado, começam a trabalhar na restauração do centro histórico da capital maranhense.
 
Raízes africanas – Fruto do sincretismo religioso, o Tambor de Crioula é uma louvação a São Benedito no Maranhão, praticada há mais de três séculos pelos descendentes dos negros, sob a forma de canto, toque de tambor e dança. Os ritmos e as danças têm identidade e estilo próprios. As variações rítmicas ocorrem entre os grupos, que são compostos por 'coreiros' – os tocadores de tambor e as dançarinas.
 
Costuma-se dizer que seus integrantes 'brincam', em vez de tocar, cantar e dançar. A data tradicional da homenagem a São Benedito é a segunda-feira de Aleluia, isto é, depois do domingo de Páscoa. Devido ao sucesso do Tambor de Crioula, os grupos têm sido contratados para apresentações a turistas e em eventos diversos.
 
Para alguns membros dos grupos, receber dinheiro é uma profanação. Foi preciso tempo para aceitarem pagamento pelas apresentações fora da época da festa de São Benedito. Muitos grupos surgiram como parte de promessa feita por seus fundadores ao santo.
 
Novos negócios e mais renda – O Sebrae no Maranhão apóia e trabalha para fortalecer os grupos de Tambor de Crioula.
 
Nos últimos três meses, eles foram mapeados pelos técnicos da Instituição. Estima-se que, somente em São Luís, existam 86 deles, integrados por 3,6 mil pessoas.
 
Inicialmente, o Projeto de Cultura do Sebrae/MA capacitará 28 grupos da ilha, composta pelos municípios de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. Grupos de Alcântara, localizado no continente, também serão apoiados.
 
A partir de julho, a Instituição vai levar oficinas sobre cultura, artesanato, turismo, história do Tambor de Crioula, empreendedorismo e gestão de negócios aos 'coreiros', tanto nas cidades como no meio rural.
 
"Nosso objetivo é apoiar os empreendimentos que vão surgir e gerar renda para as comunidades de Tambor de Crioula", explica Keila Pontes, gerente do escritório regional do Sebrae em São Luís. As apresentações da dança para turistas, a venda da indumentária (saias, blusas, turbantes) e do artesanato em cerâmica, feito nas comunidades, são alguns dos produtos a serem organizados e comercializados.
 
"O apoio do Sebrae é promissor. Acredito que novas fontes de renda vão surgir nas comunidades apoiadas", prevê o presidente da Actasema, Paulinho di Maré. Nas oficinas da Instituição, será possível formar novos produtores dos tambores de madeira. Atualmente os instrumentos são feitos apenas no interior do Estado.
 
A confecção das saias coloridas e blusas das 'coreiras' (dançarinas) para venda é outra atividade produtiva a ser desenvolvida nos grupos com a consultoria do Sebrae/MA. As saias são em chita florida. As blusas brancas, com seus babados e acabamentos em finas rendas de bilro e bordado richelieu, encantam as platéias. Os turbantes usados pelos integrantes dos grupos de Tambor de Crioula também são desejados pelos que conhecem a dança. Segundo Paulinho di Maré, esses produtos já são demandados, principalmente pelos turistas.
 
Mestre Felipe – Mestre Felipe será um dos que vão se apresentar na solenidade desta segunda-feira. Ele é o segundo mais velho dos mestres de São Luís. Com 83 anos, está muito feliz devido ao reconhecimento do Iphan à cultura negro-maranhense. Conta que 'brinca' de Tambor de Crioula desde os três anos. "Aprendi com minha avó, meu pai e minha mãe", revela.
 
Ele revela que foi carpinteiro e lavrador durante toda a vida. Criou sete filhas e um filho e nunca ganhou dinheiro com o Tambor de Crioula. Havia só nove grupos em São Luís até alguns anos atrás, lembra o mestre, que fica surpreso ao saber que, atualmente, existem mais de 80.
 
Hoje Mestre Felipe só canta, por causa da idade. "Não bato mais", comenta, explicando que não toca mais tambor. Em sua casa, no bairro Vila Conceição, se reúne o grupo União de São Benedito, um dos mais antigos da capital maranhense.
 
"Meu ritmo é de São Vicente de Ferro, da baixada maranhense", informa, referindo-se a sua cidade natal. Mestre Felipe ensinou sua arte para tanta gente, que perdeu as contas. Antigamente o Tambor de Crioula só podia ser tocado, cantado e dançado por afro-descendentes.
 
"Hoje é tudo misturado, branco e preto tocam. Tem branco que toca melhor do que preto", observa. O mestre fala que já ensinou o ritmo do seu grupo até para duas japonesas e uma suíça.

Segundo o mestre, outra diferença dos dias atuais é a participação feminina. Antes, os homens cantavam e tocavam tambores e as mulheres cantavam e dançavam. "Agora, tem umas mais salientes que batem tambor", conta, admirado. "As coreiras também eram mais graúdas", comenta. "Elas rodavam as saias coloridas com tanta força, que se a gente encostasse, era capaz de nos derrubar". "Hoje, as mulheres são miúdas", compara.
 
Iphan/MA – (98) 3231-1388 / 1295| Por: Vanessa Brito/Sebrae Nacional
 
Fonte: Revista Fator – Sao Paulo

Dia da Consciência Negra mobiliza Tocantins

Nos dias 18, 19 e 20 de novembro a cidade de Arraias (TO) comemora o Dia Nacional da Consciência Negra e da Afro-Brasilidade com muita capoeira. Durante a programação acontece o IX Encontro Estadual de Capoeira Sudeste do Tocantins. A iniciativa é da Associação Cultural Chapada dos Negros, dirigida pelo Mestre Fumaça e pela professora Sílvia Adriane. A entidade luta pela preservação e pelo tombamento da Chapada dos Negros, onde é forte a tradição quilombola.
 
Atendendo ao gentil convite dos organizadores, estarei na cidade fazendo o lançamento da 2ª. Edição do Dicionário de Capoeira. Um dos destaques da programação é a Oficina de Tambores com Mestre Tambor e a tradicional Berimbalada, a caminhada de capoeiristas no centro da cidade. Os mestres Pombo de Ouro e Cláudio Danadinho farão uma palestra sobre “Os Fundamentos da Capoeira Regional”. O encontro termina na segunda com uma trilha ecológica na belíssima Chapada dos Negros.
 
O evento tem o apoio da Universidade Federal do Tocantins (UFT); das prefeituras de Arraias, Novo Alegre e Lavandeira (TO) e de Monte Alegre (GO). A Associação Ladainha, os grupos Candeias e Terreiro, as academias Tambor Capoeira, Arte Folclórica e Pequeno Dragão, o Projeto Ginga Mulher e as comunidades quilombolas Lagoa da Pedra e Kalunga Mimoso também participam das atividades.
 
{jgxtimg src:=[http://www.portalcapoeira.com/images/stories/Capoeira/eventos/cartaz.jpg] width:=[220]}
Para ampliar o cartaz,
clique na imagem…
 
Veja a programação
 

Sábado –  18/11/2006
 
Roda de Abertura no Ginásio de Esportes de Arraias
Apresentações Artísticas (Sússia,  Maculelê, Dança do Fogo e Dança Popular)
Oficinas de Tambores (Mestre Tambor)
Homenagens, batizado e trocas de cordas
Berimbalada nas ruas da cidade (saída do Colégio Estadual Professora Batista Cordeiro)
 
Domingo – 19/11/2006
 
Papoeira e fundamentos da Capoeira Regional (mestres Pombo de Ouro e Cláudio Danadinho)
Roda de integração entre os grupos
 
Segunda – 20/11/2006
 
Dia Nacional da Consciência Negra
Trilha ecológica com os alunos da Escola Agrícola David Ayres França e da UFT

 

* Mano Lima é autor das obras “Dicionário de Capoeira” e “Eu, você e a capoeira”.
É repórter do programa de TV “Caderno Educação” e colunista dos sites www.portalcapoeira.com, www.jornalmuncapoeira.com, www.temnoticia.com.br e www.manolima.com

Palmas-TO: Oficina de Capoeira Angola com Mestre Jogo de Dentro

Mestre Jogo de Dentro vem construindo ao longo de sua caminhada, respeito e reconhecimento por todos os lugares que tem ministrado workshops e oficinas, transmitindo a Capoeira Angola a essa nova geração de capoeiras, Mestre Jogo de Dentro tem em sua bagagem o privilégio de aprender e se formar com o Mestre João Pequeno (João Pereira dos Santos) um dos mais antigos capoeiristas ainda vivo, discípulo do eterno M. Pastinha.
 
O Tocantins será presenteado com a presença do Mestre Jogo de Dentro que ministrará Oficinas de Capoeira Angola em Palmas-TO, no dia 9 de junho, no clube dos Oficiais da PM, as 18 horas e dia 10 em Fortaleza do Tabocão, qualificando e ensinando um pouco dos fundamentos desta que é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira aos capoeiristas da capital e interior do Tocantins.
 
Este evento contará com a presença de capoeiristas e mestres de todo o estado, dentre os quais: M. Fumaça (Arraias), M. Tambor(Palmas), M. Jean Surfista(Palmas), Mt. Geléia(Dianópolis), M. Zé Maria (Barreiras-BA), M. Bizorro(Palmas), Mt. Índio(Palmas) e M. Pombo de Ouro-DF (aluno do M. Bimba) que ministrará a PAPOEIRA, projeto idealizado por este, que tem como objetivo maior, alem de interagir os capoeiristas das mais diferentes linhagens, qualifica-los com palestras com profissionais das mais diferentes áreas (Juristas, fisioterapeutas etc) e atentar as novas gerações quanto a fundamentos da nossa capoeiragem que andam em desuso.
 
Informações : 63- 9982-9241 c/Bira ou 8407-1425 c/ Asa Delta
 
asadelta_to@hotmail.com

Instrumentos musicais e Capoeira

Artigo de Raphael Pereira Moreno onde o autor aborda a função dos instrumentos musicais na história da Capoeira.


 
MÚSICA: A história e a função dos instrumentos musicais na capoeira.

Seguindo as notas sobre a origem da capoeira no Brasil (Toques de Capoeira nº 1 e n° 2), chegamos à conclusão de que nos três focos iniciais, Rio, Bahia e Pernambuco, a capoeira se apresentou de formas diferentes, nem sempre sendo acompanhada por música e instrumentos. Portanto, ao falar de instrumentos musicais, estou me referindo à capoeira que foi encontrada inicialmente na Bahia e que hoje em dia se espalhou pelo mundo.

É muito difícil determinar com precisão a data de inserção de um determinado instrumento musical na capoeira. Além disso, em alguns livros e relatos, folcloristas, capoeiras e pesquisadores em geral descrevem as histórias dos instrumentos de forma definitiva, o que provavelmente corresponde à capoeira que vivenciaram, acabando por chegar em algumas conclusões contraditórias. Tentarei analisar os registros que tive acesso e citar as fontes que considero mais importantes.

O primeiro registro de um instrumento musical relacionado com o jogo da capoeira aparece no início do século XIX, em 1835. Nessa ocasião, o artista Johann Moritz Rugendas apresenta na gravura de nome “Dança da Guerra”, o jogo da capoeira sendo brincado ao som de uma espécie de tambor.

Esse registro é importantíssimo e clássico na capoeira, pois comprova a utilização do tambor durante uma vadiação ” ou seria treinamento para luta? – de capoeira do século XIX. Porém não significa que nesta época não existissem outros instrumentos musicais associados ao jogo. Aquela foi a forma retratada por Rugendas, não excluindo a possibilidade da presença de outros instrumentos. Como descrevi antes, essa pode ter sido a capoeira que Rugendas viu e viveu durante sua estadia no Brasil. Porém, o mais importante é o registro da capoeira como manifestação muito difundida no início do século XIX, e da importância dos instrumentos musicais no jogo.

Seguindo os registros históricos, podemos perceber que a introdução de alguns instrumentos musicais utilizados atualmente é recente. Tudo indica que instrumentos como o agogô e reco-reco foram associados ao jogo da capoeira no século XX. Muitos aparecem com a criação do Centro Esportivo de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, ou seguindo a criatividade dos capoeiras. Há relatos de outros instrumentos presentes também no ritual da Angola, ou na Capoeira primitiva da Bahia, como é o caso da palma-de-mão e até da Viola (vide depoimento de Mestre Pastinha). Pastinha se referia à Capoeira Santamarense, onde segundo o Etnomusicólogo Thiago de Oliveira Pinto a Capoeira, o Samba e o Candomblé sempre tiveram uma interação muito forte.

Na seqüência são apresentados os instrumentos musicais mais utilizados nas rodas atuais de capoeira.

O Berimbau

Caindo na classificação das cítaras, o berimbau que conhecemos hoje em dia pode ser descrito por um arco de madeira flexível, onde suas pontas são ligadas por um arame, tendo como caixa de ressonância uma cabaça que é presa em uma das pontas da madeira.

A origem desse instrumento ainda não é definida. Trata-se de um dos instrumentos musicais mais antigos, e segundo Kay Shaffe, já era conhecido por volta de 15.000 a.C. A entrada do berimbau no Brasil também não pode ser estabelecida com precisão, mas é provável a associação com os escravos. Desde os primeiros registros, o berimbau sempre apareceu sendo tocado por negros africanos e descendentes, além do fato dos arcos musicais africanos serem iguais aos brasileiros, em construção. Waldeloir Rego também cita que em Cuba, o berimbau, lá chamado de sambi entre outros nomes, aparece em cultos religiosos de origem afro-cubanas. Outra característica que reforça a introdução africana do berimbau no Brasil, é o fato de que antes da colonização, não existem registros de arcos musicais na cultura dos índios que aqui viviam.

Recentemente, circulou através de mensagem (e-mail) do capoeira Teimosia, se não me falha a memória, uma página de uma revista internacional de percussão contendo desenhos de arcos musicais de diversos lugares do mundo. Dentre os esboços, a maior parte composta de um arco contendo uma caixa de ressonância das mais variadas formas e presas nos mais variados lugares. O comentário vale para ressaltar que analisei os desenhos e o arco musical que mais se assemelha com o “nosso” berimbau estava classificado como instrumento musical da Tanzânia… ???? 

Um dos primeiros registros de um berimbau no Brasil foi realizado na alfândega do porto de Santos, em 1739. O instrumento também foi descrito por Debret em 1826. Em seu trabalho intitulado “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, o artista francês apresenta o desenho de um cego tocador de berimbau pedindo esmola, com uma breve descrição do instrumento e modo de tocar.

Uma vez no Brasil, ainda é muito difícil precisar a data da associação do berimbau com a capoeira. Atualmente, o instrumento é considerado indispensável na bateria de capoeira. Normalmente tocado por mestres ou capoeiras mais antigos, ele é utilizado para comandar as rodas, estabelecendo o ritmo das músicas e do jogo. O berimbau, junto com o canto do mestre, também dá a senha para o início e fim da brincadeira. Atualmente a arte de tocar o berimbau é utilizada inclusive para mostrar o conhecimento do capoeira, como tem sido muito discutido nesses dias.

Humbo, rucumbo, rucungo, rucumbo, urucungo, lucungo, gunga hungo, m”bolumbumba, marimba, gobo, bucumbunga, bucumbumba, uricungo, oricungo, orucungo, matungo, macungo, berimbau de barriga, violam e viola de arame são alguns dos nomes utilizados na literatura para descrever o berimbau. Hoje em dia, os nomes que sobreviveram, até devido à utilização nas cantigas são berimbau, gunga e viola. Dizem inclusive que o nome berimbau seria de origem portuguesa, enquanto gunga seria o nome africano, que na língua Yorubá significa Rei.

Nas rodas de capoeira, o instrumento tanto aparece sozinho, na maioria das vezes nas rodas da chamada Capoeira Regional, quanto em parceria com outros berimbaus. Porém, hoje em dia é comum vermos nas rodas de Capoeira Angola a bateria formada por três berimbaus. Um de som grave também chamado berra-boi ou gunga, um de som agudo chamado viola, e um último de som intermediário entre os dois primeiros, chamado médio. Durante o jogo de capoeira, cada berimbau possui sua função, e dessa forma, nas rodas de capoeira angola, cada um segue um toque, uma batida diferente. Uma ressalva se faz para lembrar dos mestres que montam sua charanga (bateria) conforme os modos da Luta Regional Baiana de mestre Bimba. Neste caso, mesmo que na bateria existam dois berimbaus, em geral ambos seguem o mesmo toque.

Como existem diversos toques de berimbau, ficando a cargo de cada mestre de capoeira a escolha “certa” ou que mais lhe agrada, sugiro para os interessados a leitura do livro “Monografias Folclóricas 2 ” O Berimbau-de-barriga e seus toques”, de Kay Shaffer. Nesse livro, o autor percorre a história do berimbau e analisa os toques mais utilizados pelos capoeiras mais famosos, inclusive descrevendo os mesmos através de partituras.

De som marcante, o berimbau se tornou um instrumento característico da capoeira. Tão característico que ao vermos um arco musical com esse formato, as pessoas, capoeiras ou não, já associam imediatamente a imagem ao jogo de capoeira. O mesmo não acontece com os outros instrumentos presentes na bateria de capoeira, como pandeiro, atabaque e outros, pois eles aparecem também em outras manifestações da cultura afro-brasileira como o samba, o jongo dentre muitas outras.

O assunto segue e num próximo TOQUE serão abordadas a história e a utilização de outros instrumentos também presentes no ritual do jogo de capoeira.

Pandeiro

Muito difundido e utilizado por diversos povos, o pandeiro é considerado um instrumento muito antigo, encontrado na Índia e até junto aos egípcios (1700 a.C.), com função de instrumento marcador de ritmo e acompanhamento. Da cultura árabe surge o adufe, que é um pandeiro quadrado sem platinelas.

A maior parte dos estudos aponta para chegada do pandeiro ao Brasil por via portuguesa. Inclusive existe registro que esse tambor já estaria presente na primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, a 13 de junho de 1549. Fato esse que reforça a hipótese da chegada do pandeiro em navegações portuguesas para o Brasil, uma vez que a mão de obra escrava utilizada em maior quantidade nessa época era indígena. Com o passar do tempo, o instrumento foi absorvido pelos negros que passaram a utilizá-lo em suas manifestações culturais no Brasil.

Na capoeira, o pandeiro trabalha na marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Na maioria das rodas de capoeira, o pandeiro utilizado possui pele de couro animal, tornando-se assim menos estridente. Inclusive, existem relatos de que Mestre Bimba retirava algumas platinelas do instrumento, tornando o som ainda mais grave, o que ele considerava o tambor da Regional. Em recente texto sobre instrumentos musicais, o amigo Miltinho Astronauta cita o cuidado que alguns capoeiras têm com seus instrumentos, como o saudoso Mestre Cosmo tinha com a afinação dos pandeiros. Segundo o mestre, os pandeiros deveriam ser afinados no tempo… no sereno, e tocados em pares, onde um marcava o passo e o outro se soltava no solo. 

Atabaque

Assim como o pandeiro, os tambores são instrumentos muito antigos. Difundido na África, o tambor também aparece em registros persas e árabes. Inclusive o termo atabaque é de origem árabe. Mesmo com essa ligação africana, acredita-se que o instrumento já tinha sido trazido por mãos portuguesas quando chegaram os escravos africanos.

Uma vez aqui no Brasil, o atabaque foi incorporado à cultura afro-brasileira de uma forma tão intensa que grande parte das manifestações culturais e religiões afro-brasileiras, se não todas, apresentam o tambor como instrumento musical marcante. O samba, o jongo, o maculelê, o batuque, a umbanda e principalmente o candomblé são exemplos.

Em documentário do diretor pernambucano Alexandre Fafe, apresentado recentemente pela TV Cultura, aparecem velhos e jovens participando de uma brincadeira que eles denominam Batuque de Inhanhum. Muito parecida com o Jongo, essa manifestação de origem negra se apresenta em uma roda, onde homens e mulheres se revezam no centro dançando em duplas, seguindo o som dos instrumentos tocados pelos mais experientes. No documentário, Inhanhum é mostrada como uma cidade muito simples, que através de seus moradores, tenta manter viva a cultura popular da região. Tão simples que o ritmo do Batuque é feito por tocadores de latas e pandeiros. Os instrumentistas que entoam as antigas cantigas utilizam latas usadas (de tinta ou óleo) para desenvolver o som. Ao assistir essa passagem, me veio a idéia do tambor como um instrumento rítmico totalmente intuitivo. Na verdade, o bater sincronizado das mãos nos mais diversos objetos (lembrando Sivuca e Hermeto Pascoal) faz ecoar sons, sendo os tambores construções evoluídas que otimizam assim o som emanado das batidas.

Porém, mais do que um instrumento musical, o atabaque é considerado por muitos um instrumento sagrado. No candomblé, os atabaques possuem participação especial, capazes de realizar, junto com os cantos, a ligação entre o mundo dos homens e dos orixás. Na capoeira, como não poderia deixar de ser, o atabaque se fez presente nos primórdios do jogo. Instrumento que, quando bem tocado, fornece uma beleza maior às baterias, aparece com freqüência nas rodas de capoeira como instrumento de marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Uma exceção surge nas vadiações dos capoeiras que seguem “à risca” os ensinamentos de mestre Bimba, dentre os quais a não utilização do atabaque.

Mesmo que alguns pesquisadores afirmem que a utilização do tambor na capoeira não teve uma continuidade histórica, e que o atabaque foi introduzido na capoeira recentemente, talvez por Mestre Canjiquinha, com todo o respeito, considero improvável tal fato. Mestre Bimba, retirando o atabaque da sua bateria antes da década de 30 do século passado, só poderia ter tomado tal decisão se o atabaque estivesse presente na capoeira. Além disso, não desmerecendo os recursos e a criatividade do mestre da alegria, Mestre Canjiquinha nasceu em 1925, o que nos leva a concluir, após uma análise de datas, que seria muito improvável que o mesmo tivesse sido o responsável pela inserção do atabaque na capoeira.

Reco-reco

Instrumento comumente feito de um gomo de bambu, ou até mesmo uma cabaça alongada, com sulcos e tocado com uma vareta. Também aparece em construção de metal contendo molas ao invés de sulcos, como pude assistir em roda de mestre Curió. Acredita-se na sua origem africana, uma vez que sempre esteve ligado às manifestações afro-brasileiras. Atualmente, se mostra presente principalmente no samba, mas também empresta seu ritmo à outros folguetos como o lundu e até mesmo o reggae.

O reco-reco históricamente parece ter sido introduzido na capoeria através do Centro Esportivo de Capoeira Angola de mestre Pastinha. Hoje em dia aparece em muitas rodas dando sua contribuição na marcação do ritmo do jogo. Segundo Miltinho Astronauta, Mestre Gato Preto, um dos organizadores da Capoeria Angola no Vale do Paraiba, introduziu uma forma diferente de se dar início à bateria. No caso, o reco-reco inicia tocando, para só então, depois da assistência perceber que o ritual está sendo iniciado, é que o Berimbau inicia o toque de Angola, seguido pelo São Bento Grande, Angolinha (no Viola) e demais acompanhamentos. Mas em outros trabalhos também orientados por Mestre Gato Preto isto não acontece, ou seja, quem começa tocando sempre são os três berimbaus, e o reco-reco entra com os instrumentos de apoio.

Agogô

Instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal, o agogô é outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Assim como no caso do reco-reco, sua aparição inicial nas baterias de capoeira ocorreu, possivelmente, através dos mestres Pastinha e Canjiquinha.

Presente em diversas danças e ritmos da cultura popular, sua maior participação é muito comum no samba e nos terreiros, nas cerimônias religiosas afro-brasileiras.

Considerações finais

Esse breve descritivo sobre os instrumentos nos permite navegar um pouco pela história da capoeira, tentando seguir sua evolução até se tornar o que conhecemos hoje. Nos faz perceber o valor da fusão das culturas na formação da capoeira mostrando mais uma vez seu caráter afro-brasileiro.

Read More