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LIVRO BRASIL, NEGRO POR DECENDÊNCIA

Esta obra, visa levar ao conhecimento dos leitores, acontecimentos que marcaram nossa cultura, durante o período escravista e visa esclarecer o comportamento estabelecido pelos colonos portugueses, políticos, e ate mesmo pela igreja. Atos e conseqüências que levou a construção de projetos de leis, algumas aprovadas e cumpridas, outras vetadas. Leis estas contraditórias que gerou atos enlouquecentes para com a sociedade constituída por afro-descendentes.

Povo guerreiro, enviado ao Brasil como escravos, foram vendidos como mercadoria, procedentes de países como Angola, Benguela, Cabinda e Moçambique entre tantos outros. Ao chegar aqui, construíram historia, incrementaram a culinária brasileira, trouxeram alimentos como; a manga, o coco, o jerimum, a galinha d’angola, o azeite de dendê entre tantos outros que constitui necessários ao padrão de vida do consumidor brasileiro. Inovadores e criativos eles foram. Adaptaram aqui, formas de sobrevivências, como por exemplo: as vendas ambulantes, de verduras, peixes, roupas, calçados e artesanato. Costumes que ainda podem ser vistos pelas ruas do Brasil. Tudo isso se da devido à herança cultural deste povo.

Colaboradores da colonização do país, e com a miscigenação dos brasileiros, a constituição do mulato, cor em que o brasileiro é identificado quase em toda sua maioria. Introduziram palavras dos dialetos africanos na língua portuguesa, herdada da presença dos portugueses no Brasil em seu descobrimento no século XV.

Salve! Salve! Os índios, importantes edificadores de nosso país, grande influenciadores na culinária brasileira, com diversos alimentos como; a mandioca, o milho, a batata-doce, o cará, pinhão, cacau, amendoim, palmito, mamão e o caju, estas são parte das influências indígenas na alimentação brasileira.

Foram escravizados antes dos negros africanos, forçados ao trabalho escravo, no período do pau-brasil. Grandes contribuintes com nossa cultura brasileira, suas danças, lutas, costumes, culinária e até mesmo a língua, titulada “tupi-guarani”, que nomeou uma das maiores expressões culturais brasileira, hoje reconhecida internacionalmente, a caa-pu-eera (mato ralo) hoje introduzida como “a capoeira”.

Axé a todos os capoeiras, que bravamente escreveram sua historia no cenário brasileiro, em meio as dificuldades impostas pelo império, e mais tarde, pelo próprio governo, ainda sim sobreviveram e enrriqueceram a nossa cultura, hoje patrimônio do nosso Brasil, e de todos os que se orgulham de ser brasileiros.

Salve! A todos que lutaram bravamente em todas as guerras, como a do Paraguai, e em todas aquelas que passaram despercebida pela sociedade, e que nunca foram reconhecidas pelo poder público. Guerra essa travada entre si próprio, pelo fato de ser descendente de uma classe social menos favorecida, parabéns a todos os brasileiros, índios , africanos e descendentes, que moram nas favelas, nos morros, e que com unhas e dentes, sobrevivem a guerra do dia a dia e da descriminação.

 

Darcy Junior de Aguiar (Cascão)

Capoeira de Saia 2009

2ª REUNIAO DE LIDERANÇAS FEMININAS da capoeira da Bahia, dia 28/03, sabado, as 14h, na academia do M. Nenel (FUMEB, Pelourinho, em frente a ABCA e abaixo do Filhos de Gandhy).

Não percam! Estamos edificando a segunda ediçao do maior evento feminino de capacitação que a terrinha já viu, e o melhor? JUNTAS!

{youtube}PusD2-za9HA{/youtube}

A primeira edição já foi realizada no dia 17/05/2008, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo _ Forte da Capoeira, das 08 as 20 h,
reuniu 300 praticantes e inumeros convidados (Mestre Joao Pequeno de Pastinha aos 90 anos de idades foi um deles, alem de tantos outros).

Como parceiros teremos a prefeitura de Salvador, o Governo da Bahia e a iniciativa privada !!!

“Levanta a saia, la vem a maré”.
 
Um grande axé,
No aguardo,
Comissao Organizadora

Carolina Magalhães
Contramestre Brisa
brisacapoeira@msn.com
71.87935400

Feliz Aniversário: MESTRE VIRGÍLIO DA FAZENDA GRANDE

VIRGÍLIO MAXIMIANO FERREIRA (MESTRE VIRGÍLIO DA FAZENDA GRANDE)

Nasceu em 03.12.1944 em Salvador-Bahia e começou na capoeira angola em 1954 com o seu pai Mestre Espinho Remoso

O mestre Virgílio como seu pai, é um grande baluarte da capoeira e zelador da arte no bairro da Fazenda Grande do Retiro, onde ensina aos seus alunos na Academia de Capoeira Angola Primeiro de Maio, onde forma a mais de trinta anos uma roda de capoeira aos domingos.

Atualmente faz parte da Diretoria da ABCA

Fonte: CapoWiki

PERDÃO POR DIVULGAR TÃO EM CIMA DA HORA

Mas amanhã DOMINGO FINAL DA TARDE será comemorado os 64 aniversários de Mestre Virgilio; filho do famoso Espinho Remoso uma figurinha carimbada da capoeira da Bahia.

Em breve vamos mandar para todos um texto sobre a vida do mestre Virgilio na capoeira.

Em breve vamos comemorar também sua posse na PRESIDENCIA DA HISTÓRICA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CAPOEIRA ANGOLA QUE está sendo reconstruída com a elegância e equilibrio do mestre da Fazenda Grande e mais uma equipe de mestres fundamentais na capoeira angola da Bahia, como Mestre Nô, Mestre Augusto Januário, Boca Rica, Odilon, Pelé da Bomba e do Tonel; Angelo Romano; Zé do Lenço e tantos mestres que fazem parte da história da entidade como Moraes, Curió, Rene, Moa sem falar do primeiro presidente mestre João Pequeno.

ENDEREÇO RUA JOSÉ DANTAS DE OLIVEIRA Nº 05 – É UMA ESCOLA Fim de Linha de Fazenda Grande. referência: Rua proximo a EGBA – gráfica do Estado e a escola fica perto da padaria IRARÁ.

FONE DO MESTRE: 9133.1238

Lucia Correia Lima

Crônica: O MESTRE DE CAPOEIRA

"…a cobra não tem braços,
  não tem pernas, 
  não tem mãos e não tem pés,
  e como ela sobe e não subimos nós…." 1.     
Aquela era uma noite de festas  um tanto profano, um tanto religioso: a antepenúltima noite  das esmolas do Divino. Os presentes em tudo variado: das distâncias;  das idades; dos cabedais. Mestre Benicio buscava  conversas entremeadas de filosofia e misticismo  – para agradar, atrair e alegrar a  todos. Pediram-no para falar da última viagem, da Capoeira  em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro – dos feitos dos Mestres.
 
– “O Mestre de Capoeira antes não dependia das cidades, pós-libertação é necessariamente urbano-periférico. Analfabetos ou pouco letrados, assumem o domínio do povo – dos “capoeira” aos presentes, passando pelos da circunvizinhança. Quase todos vivem num ambiente limitado: numa visão missionária; há os que imprimem viagem mundo afora. Conforto restrito, quase de pobreza material absoluta; de tão absoluta a compensa no seu imaginário pela fama, também absoluta – adquirida num encanto intelectual não se sabe de que origem; mas encanta, cativa, prende os praticantes, como os presentes quaisquer que sejam”.
 
– “A Capoeira não tem fim,  não teve começo. Já mestre – é  a primeira distinção conferida a uma pessoa em reconhecimento
pelo  fazer, ensinar e disciplinar – do plantio  ao cultivo; da caça à pesca; da dança às crenças”. Mestre Benício, professor, cantador e “contador”, negro de família forra, alforriada pelos Castro Alves”, como gostava de dizer. Dizia para enfatizar os valores de ser livre, conversava em zigue-zague, assim atraia a atenção de todos, e a todos satisfazia.
 
Ainda noitinha, frio de maio cortando, vento soprando leve mas constante, fogueira já com labaredas altas ajudando o clarão da lua. O anfitrião despacha mais uma rodada de licores em doses e espécies variadas – jenipapo, caju, mangaba, até de “pau-ferro” – “iche Maria!”.
 
Aduziu mais algumas considerações a este perfil  e contou-nos da simbiose homem-arte-crença. – "Adquire  ele todo o orgulho do seu estado, da sua condição. Recebe  dos seguidores, dos freqüentadores,   uma marca de superioridade do seu meio; uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nem um outro ser humano  consegue.
 
Mestre Benício a nada definia a tudo comparava. Como todo bom “capoeira”, quer trazer todos para o centro da conversa, precisa provocar uma discussão, dá margem à participação, dar a si a vaidade da contenda:
 
– “Toda relação de obediência pressupõe uma troca que traga um ganho ou afaste um medo”. Muitos dos presentes aproveitaram para cada um dar uma pitada. Platéia variada, uns lidos e corridos, outros nem tanto, conversa solta…
 
– “Mesmo a nossa obediência para com Deus requer  troca. Troca pela vida eterna; a volta da saúde  meio abalada…” Chamando
mais para o centro da Roda, provocando bem ao feitio de quem melhor conhece a alma humana – “para com  o  f e i t i c e i r o”, falou pausado – “dono de forças situadas entre o divino e o temporal; entre o ético e o safado –  a obediência está na base de trocas de mesmo calibre  – à volta da mulher traidora, safada, porém gostosona;  o namoro com o filho do vizinho; a traição com o primo, paixão de meninice, com quem não se casou impedida pelos pais.” Certa inquietação. Agora sim, chegou a hora! –  “Quem mais recorre ao feiticeiro é a mulher, quem mais faz promessas a todos os santos – é a mulher, quem antes enjoa do cônjuge é a mulher…” – provocou, para completar – “O Mestre de Capoeira encerra em si  o nível de obediência mais sadio, a mais voluntária das  obediências entre pessoas, fora das relações estritamente familiares. Entre ele e os seus não há um apelo, uma oferta, uma promessa. Na maioria das vezes ele, o Mestre, é o mais pobre do seu meio”.
 
Diante do sorriso geral, um cuxixo e outro,   prosseguiu impassível, não diria sádico, mas sem um  gesto de dó:
 
– "Na sua grande maioria, como que errantes, e os são; esguios pelos exercícios estafantes e o mau passadio;  nutrem-se como agentes da consciência do prestígio; dos  valores da inteligência voraz, iletrada  – a construir  uma FAMA  que o alimenta – apoiados na reverência dominadora, de um lado; de outro na crença que só é possível em quem julga ser responsável por uma banda do Mundo". Depois de tecer explicações do caminho percorrido, completa – "No passado muitos eram sapateiros, estivadores e tantos ferreiros, com forjas ordinárias no quintal acanhado da casa rota; alguns alfaiates – Mestres de Capoeira são vaidosos, gostavam de ostentar “as mãos finas”;  hoje,  tantos são pedreiros, serventes, pequenos comerciantes, carpinteiros; tantos meros biscateiros. Os que têm (tinham) meios de vida, afora a Capoeira, a tudo abandonam, se um projeto lhe surge – viagens noutras paragens, no estrangeiro, nos navios, para "levar a tradição".
 
Depois   de longo silêncio, João Pequeno, garimpeiro não negro, deu uma pitada: "Homens contaminados pela magia poderosa da música; pela perspectiva a que a luta vencida nos conduz; pela vaidade da exibição física; pela nobreza com que nos afaga o poder intelectual.”. Pedindo desculpas devolve a palavra ao Mestre Benício, que vai falando, agora dos seus receios –”.
 
– “De quanto ganha, pouco se sabe. O que se vê – é  ser muito inferior ao valor do  trabalho efetivo  realizado. Sempre pronto a acudir em  cada biboca. De concreto é que tudo faz pela arte, os elogios, pela admiração do povo; após cada luta,  cada apresentação continua como antes. Eu nunca quis saber  como chega em casa, de mãos vazias, a cada dia. Como patrimônio ou consolo – sempre querido, cercado; trilhando soberbo e doce. Na morada, afora grande acervo de áudio,  vídeo e escritos variados – nada tem que passe de um mocambo. Muitos viveram assim; muitos vivem ainda assim”.
 
– Dona Vitória Gama, mulher negra, professora, garimpeira, cantadeira e rezadeira, sempre pronta a ajudar a Mestre Benício com as datas e os nomes dos autores de cada feito, mantinha-se calada e sentada. Em nada coubera uma data, um nome, conversa genérica. Temperou a guela e interveio:
 
– “A superioridade cria inimigos, este é o mais geral princípio da guerra”. Consentida a intervenção, com gentilezas e mesuras pelo Mestre e  interesse pelos presentes, vai explicando o que conhece bem, estudos variados – Guerra e Revolução.
 
– “Não pensem que as relações na Capoeira são mornas. Não. São estremecidas. Não raro ao extremo. Nos encontros entre
 
Mestres, os mimos não duram mais que poucos minutos e  já surgem as alfinetadas –  tão maliciosas, sutis, para atingir a fama do outro; quanto cuidadosas, para zelar da pessoa.  A fama é o objeto da contenda. Esta é das diferenças entre guerra e Revolução: a renúncia à  superioridade faz a Revolução; a luta pela superioridade, causa a guerra”. (2)
 
– “Embora toda cultura seja conservadora, sendo a capoeira extremamente conservadora, pelo seu caráter igualitário  eu diria ser a Capoeira a única ação revolucionária no Brasil. A que avança, embora lentamente, como soe ser”. E finalizou –  “ao “capoeira” para com seu Mestre – nada lhe é mais de ofício que  engrandecer-lhe;  que ouvir de outros referências elogiosas”. E alfinetando, para manter a tradição –  “Eu gosto é de elogios e não de crítica, por isto procuro fazer bem feito, proclama cada Mestre”, finalizou.
 
Foguetes no alto do Morro Azul, (absurdo) o mais vermelho dos lajedos –  estão chegando, as esmolas, a bandeira, o Divino…
 
O velho Mestre vai arrematando da última viagem – “felizmente vi, soube e até conversei, com alguns Mestres doutores, de anel no dedo e tudo,  e olhe que todos novos, 30 a 40 e poucos anos.  Não me lembra de ninguém já nos 50 anos. Tem tantos já escrevendo livro, quem diria?”. E tacou nas notícias que o empolgavam – “Mestre dando aula na Inglaterra – ensinando mesmo, especializações diversas, nas Universidades, para formar doutores também”. E completa – “soube também de muitos “capoeiras”, entrando nas universidades;  como vi, eu próprio, muitos das universidades entrando na Capoeira…", parou, voz impostada. Notava-se um fio de esperança naquele negro “de família forra”, como dizia –  “Meu Deus, cinco séculos de escravidão e descaso!!!
 
 
Nota do autor: Validando as últimas afirmações de Mestre Benício, neste semestre, julho/agosto, o meu Mestre João Coquinho, Mestre do Grupo Berimbau Brasil, 42 anos de idade,  e quase isto de Capoeira; de muita luta e igual quantum de dificuldades, botará anel no dedo, bacharelando-se em Ciências Contábeis, aqui em São. Em data ainda não acertada.
 
 1 Canção de domínio público, africana;
 2 “Os Jacobinos Negros”,  CLR James.

O Mestre de Capoeira

Há dous mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus ? …
(vozes da África, Castro Alves)


Na vida das Américas o Mestre de Capoeira –  negro ou não negro, mas imbuído dessa negritude própria da Capoeira – tem assumido o mister, diria ímpar de ajudar conduzi-lo, ao negro, a passar pelas dores das tantas feridas; aplacar às tantas  carências; vislumbrar um horizonte, não se sabe a que distância, mas capaz de não lhe deixar extinguir os vestígios de honradez e bondade; a capacidade de amar, tolerar e lutar. Dentre estas faculdades está a de cantar.
 
            O que é cultura? – Cultura, para Mestre Benício, "é a luta do homem para preservar o Mundo; e a tolerância do Mundo para conservar o homem". E explicava mais o diabo do sabido "africano":  "a primeira e mais permanente das manifestações culturais, é comer" e reafirmava redundante – "comer, comer de comida". E aduzia, olhar distante – "a segunda é cantar"; completava a sua lista, com a crença. "A crença é mais importante que a comida, – explicava – o homem tem na crença o último ato antes da morte: todos morrem agarrados na crença." Atravessando, João Pequeno clareava – "a crença! e não a fé. A fé é um aleijão! Fé é o único substantivo que não forma verbo" –  provava o "agnóstico".
 
           No meu lugar, região de criadouro de gado, as manifestações de África se juntaram às de mouros e cristãos; ciganos – de europeus em fim. A Capoeira ali deu lugar aos diversos tipos de samba, os chulou até o baião. Os vestígios de Capoeira eram "coisas" de meninos se exercitarem, sem nenhum conhecimento de importância; afora isto só histórias  – Histórias, curiosidades e desejos… Por que da zebra? …"a zebra é o animal tipo cavalo ou jumento que nunca  se amansa," assim ia até a "capoeira". A Capoeira não tem fim!…
 
            Mestre Benício se punha a falar dos  Mestres de Capoeira. Para tudo na África tinha seu mestre. O Mestre se confunde com a própria África e sua História. Hoje, o Mestre e o futuro do negro se confundem.. Citou muitos nomes, desde as lembranças de África:
 
–          "Analfabetos ou pouco-letrados, assumem o domínio do povo, de dentro e de fora da Roda. Os da Roda amam-lhes como a seus pais, os de fora passam a compreender-lhes; – se repetir a visita – passa a amá-los, quase sempre. Antes não dependiam das cidades, pós libertação são necessariamente urbanos-periféricos. Quase todos vivem num ambiente limitado; numa visão missionária, há os que imprimem viagem mundo afora. Conforto restrito, quase de pobreza material absoluta; de tão absoluta  suprem-na, no seu imaginário, com um encanto intelectual não se sabe de que origem; mas encanta, cativa, prende o interlocutor qualquer que seja. Aduziu mais algumas considerações a este perfil  e contou-nos da simbiose homem-arte-crença. – "Adquirem eles todo o orgulho do seu estado, da sua condição. Sabe, ou recebe dos seguidores, ser uma marca de superioridade do seu meio; uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nem um outro ser humano  consegue", e prosseguiu, impassível, não diria sádico, mas sem um gesto de dó – " na sua grande maioria, como que errantes, e os são, esguios pelos exercícios estafantes e o mau passadio; paupérrimos, ostentam, num diapasão de consciente prestígio, os valores da inteligência voraz, iletrada e bravia – senhora de si – apoiados na reverência dominadora, de um lado; de outro na crença que só é possível em quem julgar ser responsável por uma banda do Mundo". Depois de tecer explicações do caminho percorrido, ou a percorrer, cala-se um pouco e depois – "No passado muitos eram sapateiros, estivadores e tantos ferreiros, com forjas ordinárias no quintal acanhado da casa rota; alguns alfaiates – Mestres de Capoeira são vaidosos, gostavam de ostentar as mãos finas; hoje tantos são pedreiros, serventes, pequenos comerciantes, carpinteiros, tantos meros biscateiros. Os que têm (tinham) meios de vida, afora a Capoeira, a tudo abandonam, se um projeto lhe surge – viagens noutras paragens, no estrangeiro, nos navios, para "levar a tradição". Ao que,  depois de longo silêncio, João Pequeno, garimpeiro não negro, deu uma pitada: "Homens que não podem resistir à magia poderosa do canto, da luta, da exibição física e intelectual; para uns, eles (Mestres) vivem para encantar o público;  para eles mesmos – "quase uns visionários, …  não há alguém que mais acredite na sua atividade…", – pedindo desculpas devolve a palavra ao Mestre Benício, que vai falando, agora dos seus receios – "Das recompensas materiais, pouco se sabe, o que se vê é que são muito inferiores às alegrias que proporcionam; de visível é que tudo fazem pela fama, pelos comentários, os elogios, pela admiração do povo, de cada e após cada luta, cada apresentação continuam como antes, eu nunca quis saber  como chegam em casa, de mãos vazias, a cada dia; lhes contam  de seu – sempre queridos, cercados; trilhando soberbo e doce; na morada, afora grande acervo de áudio e vídeo – nada tem que passe de um mocambo, muitos vivem assim – "Eu gosto é de elogio e não de crítica" – diz cada um, com sinceridade absoluta.
 
            O medo – naquele ano Mestre Benício tinha viajado, foi queimar os minguados de alguns diamantes faiscados. Naquele lustro a bossa nova atingia o seu ciclo de vida, havia um burburim de sons e rítimos; a juventude a tudo contestava e os adultos – a nada davam importância, que não fosse estrangeiro. Dos transeuntes, corpos e roupas espalhafatosas – praça qualquer, de uma cidade qualquer. Para  a Roda, de rua: pessoas simples e seus instrumentos arcaicos em quantidade regular, prontos para a Roda, na espera dos Mestres, na rua é número incerto.  Ofertado, como a um ritual,  o momento de abertura ao Mestre mais velho, – solene e singelo – IÊ!…
 
            "Ninguém interrompe. Não há insulto, censura, pilhéria, desatenção. Há silêncio, silêncio não, as mãos batem palmas, obedecendo aos ditames do Mestre. Todos como se mamulengos fossem – atados nas mãos, nos olhares, nos gestos do Mestre. Ninguém na assistência  entende das canções quinhentistas, curtas, breves – só a música, a melodia imobilizando a todos. O primitivo berimbau imobilizando tantos jovens afeitos à instrumentação eletrônica. Vozes desencontradas, outras afônicas, mesmo porque raros são os Mestres que têm boa voz; dentre os da Roda poucos, ou ninguém conhece teoria de canto, ao contrário da assistência. Das vozes, desacordadas, de agradável sonoridade só o berimbau, o som de uma corda, encantado anulando o descompassar das vozes, coro piorado pelo participar dos visitantes." E prossegue o Mestre Benício falando do seu medo – "aquela juventude bem trajada uns, espalhafatosos tantos; homens e mulheres de roupas finas – um bando de incapazes se queixando da "ditadura" – pareceu-me estarem ali para vaiar, avacalhar, um frio na espinha… Que nada, enganei-me – todos ali, fazendo coro e batendo palmas… alguns até entraram na Roda só para cumprimentar o Mestre, de perto, abraçar, afagar, fotografarem-se. ALIVIO!, como se eu tivesse  algo a haver com aquilo." E arremata da última viagem – "felizmente vi, soube e até conversei, com alguns Mestres doutores, de anel no dedo, e olhe que todos novos, não me lembro de ninguém com mais de 50 anos, soube também de muitos nas universidades, como vi, eu próprio, muitos das universidades entrando na Capoeira…"
 
            Fogos na serra, ao longe, denunciava a chegada dos repentistas, Mestre Benício se apressa: – "Vocês já viram um vulcão? Mas sabem o que é, não sabem?!. "O vulcão não é o morrão, não é o buraco no centro dele, não é a lavareda de fogo que sai, não. O vulcão é tudo junto. É um dos equilíbrios da natureza. O vulcão não  se importa com quem está em baixo ou em cima, cumpre o seu papel. Sem ele pipocava fogo a qualquer hora, em qualquer lugar – no nosso quintal, na nossa casa…" e completou – "Assim é o Mestre de Capoeira é um dos elementos de equilíbrio das sociedades do Mundo. O negro é parte da sociedade, assim como a África é a parte mais importante do Mundo. Sem o negro e sem a África, viver-se-á assim, o fogo explodindo em todo lugar, a toda hora, ferindo, matando a qualquer um…. Até que o Mestre possa cumprir o seu papel" Assim falou Mestre Benício.
           
Andre Pessego, Berimbau Brasil, SP/SP

Projetozumbi@uol.com.br

 

Berimbau Brasil, SP/SP

Mestre João Coquinho

XI Congresso Nacional de Capoeira

Comunico a todos os associados e visitantes do Portal Capoeira, que estará acontecendo nos dias 12,13 e 14 de Maio o XI Congresso Nacional de Capoeira, promovido pela Associação Candeias, na cidade de Palmas/TO.rnEnfatizo, ainda a presença de grandes Mestres, Contramestres e Professores de Capoeira de todo o Brasil. Como: Mestre Suíno/Goiânia, Mestre Gilvan/Brasília, Contramestre Babuíno de Pernambuco dentre tantos outros nomes muito importantes no mundo da capoeira. rnDestaco também, que nesse evento ocorrerão vários cursos, apresentações e rodas com muito axé.rnSerá uma grande oportunidade de crescimento no âmbito cultural, físico e histórico para todos os que se fizerem presentes!!!

Mestra Cigana: “Feliz Natal de Luz a todos!”

Quero falar do real significado deste momento de amor, compaixão e paz.

Vou escolher meus presentes de maneira diferente.

Vou lembrar de todas as pessoas que um dia já passaram pela minha vida e mandarei a elas uma mensagem com meu profundo amor.

Lembrarei a todos do poder real que temos. Poder de escolher, de criar, de manifestar nossa divindade. O primeiro é de fazer parte de um enorme grupo e circundar o mundo num abraço de Luz, envolvendo a todos indistintamente numa energia vibrante, brilhante, que carregará afeto e alegria verdadeiras a todos nossos irmãos e irmãs, sobretudo aos que estiverem sozinhos, cansados e deprimidos.

Ninguém estará ou se sentirá sozinho se conseguir se conectar com esta Luz que irá emanar dos corações de tantos e tantos seres humanos despertos, abertos e cada vez mais conscientes da Unidade, do Amor Incondicional e da urgente necessidade de paz. Paz em todos os corações, a começar pelo nosso, que poderá estar mais capaz – dia após dia, de romper barreiras, de gerar tréguas cada vez mais longas e por todo lado, a começar pelo nosso núcleo familiar e de relacionamentos, se espalhando como semente poderosa por toda a Terra.

Este ano quero convidar a todos a fazerem este pensamento de amor. Mesmo que seja por apenas alguns minutos. Façam com intenção, lembrando sempre que o amor que mandamos aos outros, enche primeiro o nosso coração!

Que neste Natal nossos presentes sejam para a Alma.

Que se multipliquem ao infinito os abraços, os sorrisos, os perdões, os carinhos, os beijos, enfim, todos os gestos de boa vontade e que este abraço de Luz se torne a grande e verdadeira corrente do bem.

Que possamos lembrar de manter esta conexão de Luz a cada dia, com clareza e perseverança. Com ardor e humildade. Que façamos desta aliança na Luz nossa sintonia constante, para que o Natal se torne presente permanente em nós e à nossa volta, se manifestando em todos os corações todos os dias de nossa vida.

Feliz Natal de Luz a todos!

Mestra Cigana, iê!