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Ricky Martín lança clipe com Capoeira, Samba e Futebol

Ricky Martín lança clipe para bombar na Copa

O clipe adotou um cenário brasileiro e mostrou algumas tradições daqui, como o samba, a “capoeira” e o futebol

Há poucos dias da copa, o cantor porto-riquenho Ricky Martín lançou o videoclipe de sua nova canção, “Vida”. A produção, gravada no Rio de Janeiro, pretende aproveitar o clima de festa da competição mundial para se destacar como mais uma ‘música da copa’. 

Além do cenário brasileiro, o vídeo mostra jovens jogando futebol, sambando e jogando capoeira ao redor do cantor. 
“Aqui está #VIDA minha gente!” – escreveu Martin no Twitter. 

“Me diverti muito viajando e gravando no Brasil. Estou emocionado de finalmente poder interpretar ‘Vida’ e compartilhar esta canção tão especial com o mundo”, afirmou Martin recentemente. 

Vale lembrar que em 1998, o cantor teve destaque na copa com a canção “A Copa da Vida”. (Com informações UOL)

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“Fica a chamada de atenção para o Momento oportuno do lançamento do Video… O Tempero vem repleto de malandragem… quem pode dizer que o Cantor também não é capoeira…”
O Editor

A Literatura de Cordel e a Música na Capoeira

 

Pensando em tudo isso, fui buscar a origem de algumas cantigas que mais gostava e cheguei até a poesia de cordel. A história do Valente Vilela e o ensinamento contado na vida de Pedro Cem, ambos personagens presentes na literatura de cordel, foram os meus iniciais. Assim como ainda acontece hoje em dia, principalmente no Nordeste do país, acredito que os folhetos de cordel sempre foram muito divulgados e, devido ao preço de centavos, muito acessíveis. Conta-se inclusive, que antes da chegada da Televisão, o nordestino do interior aguardava a chegada do Poeta de Cordel para saber em versos, os acontecimentos do mundo, sempre numa linguagem oral, popular.

Alguns anos atrás, ouvindo CD de mestre Waldemar, me perguntei: Será que a poesia da capoeira foi um privilégio dos nossos avós de capoeira? Talvez não. Mas e a malícia em organizar as idéias de um modo “não tão direto”, aquela mandinga nas palavras, que mestre Jerônimo lá da Austrália sabe tão bem desenvolver?
O assunto é interessante, e por vezes já foi citado e comentado por diversas pessoas. Na verdade, pessoas com muito mais bagagem e conhecimento no assunto. Mas o que me faz escrever algumas linhas sobre a relação entre a literatura de cordel e as canções na capoeira, é justamente a necessidade que sinto de uma melhora nas músicas que são compostas e cantadas hoje em dia. É verdade que ainda hoje, em diversas rodas pelo Brasil e mundo afora, reinam canções de mais de um século de idade, numa mostra de resistência da cultura da capoeira. Mas são algumas canções “modernas” que preocupam. Canções pobres de conteúdo, vazias.

 

Vida de Pedro Cem

Vou narrar agora um fato

Que há cinco séculos se deu,

De um grande capitalista

Do continente europeu,

Fortuna que como aquela,

Ainda não apareceu.

(…) Diz a história onde li

O todo desse passado

Que Pedro Cem nunca deu

Uma esmola a um desgraçado

Não olhava para um pobre

Nem falava com criado

(…) A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem,

Encontrou uma mochila

E dentro dela um vintém

E um letreiro que dizia:

Ontem teve e hoje não tem.

* Rafael Augusto de Souza

 

 

Pedro Cem

Lá no céu vai quem merece

Na terra vale quem tem

A soberba combatida

Foi quem matou Pedro Cem

(…) Ele dizia nas portas

Uma esmola a Pedro Cem

Quem já teve hoje não tem

A quem eu neguei esmola

Hoje me nega também

(…)A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem

Encontrou uma muchila

Dentro dela um vintêm

E um letreiro que dizia

Já teve, hoje não tem

* Mestre Waldemar

 

O cordel tem origem na península ibérica, em Portugal e Espanha, no século XVI, onde as estórias se apresentavam em versos e prosas. Até hoje não se sabe bem quando os folhetos entraram no Brasil, mas muito provavelmente vieram com os colonizadores. Outra característica interessante, é que aqui no Brasil, a literatura de cordel sempre esteve ligada à cultura oral e popular, e escrita em versos.

E de onde vem a ligação com a capoeira? De maneira clara e intuitiva esse é mais um dos argumentos para a interpretação da capoeira como cultura popular. Na verdade não há algo que as ligue, e sim ambas fazem parte da tão rica cultura popular brasileira. E a cumplicidade não é só com o cordel, mas também com o samba de roda e todos os demais ritmos populares, quase todos de origem africana. Assim como os cantadores e repentistas, o capoeira deve estar atento ao que acontece ao seu redor. Deve ser um responsável pela divulgação de informações e opiniões.

Como escutei do amigo Miltinho Astronauta certa vez… “Todo capoeira é, ou deveria ser, um poeta, um cronista social e um sócio-crítico dioturno…”. Pensando dessa forma, embolando as idéias entre o passado e o presente, passando por críticas e homenagens, aproveitando o que foi criado e dando liberdade à nossa criatividade, devemos também mandar nosso recado, prestando atenção para essa característica tão marcante, interessante e importante da capoeira.

Sagu – raphaelmoreno@yahoo.com.br

São Carlos – Maio/2006

Fontes consultadas:

1. Jangada Brasil. www.jangadabrasil.com.br

2. ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel. www.ablc.com.br

Boas Festas: Mestre Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

Queridos amigos Mestres, Contra-Mestres, Professores, alunos e demais entusiastas da nossa CAPOEIRA,

“Desejamos a todos, um findar de ano, onde possamos, de olhos cerrados, olhar para dentro e, fazer um retrospecto de tudo que nos foi oferecido de bom e necessário para o nosso crescimento físico, espiritual e material e, do muito, que pudemos externar aos nossos companheiros desta jornada terrena. Tomara que, na contabilidade divina, não tenhamos débito nos nossos cartões de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Caridade. E, se assim for, tenhamos em 2014, mais um ano repleto de LUZ DIVINA, onde o DEUS de cada um, nos mostrará sempre, que, não existe pobre tão pobre, que não tenha nada para DOAR e, rico tão rico, que não tenha nada para PEDIR. Portanto, que nos seja dada a possibilidade de olhar ao nosso entorno e, podermos CREDITAR a todos os nossos Irmãos, as benesses iluminadas, que sempre estão ao nosso dispor e, as vezes não conseguimos enxergar. Digo no mais alto brado: Tudo que precisamos enxergar, para a realização do especificado, está no contexto de uma RODA DE CAPOEIRA, onde o ditar do ritmo de nosso Mestre Maior, sempre nos mostram o que é: PAZ, AMOR, CARIDADE, DIGNIDADE, AFETO, RESPEITO, HONESTIDADE, HARMONIA, COMPREENSÃO e, outros quesitos mais, que nos ajudarão a melhorar a Qualidade de Vida do Universo como um todo. ACREDITEMOS.”

Um Feliz Ano Novo, extensivo a todos os seus Familiares,

Grande Abraço e Beijos a todos,

Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

 

* Dica do editor:

Visite: http://projeteliberdadecapoeira.com.br/

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki, diz ator que faz vilão de Thor

Ao G1, Tom Hiddleston cita vilões favoritos e justifica fama de ‘showman’. – Inglês interpreta personagem pela 3ª vez em ‘Thor: o mundo sombrio’.

Tom Hiddleston surgiu como o invejoso e traidor Loki em “Thor” (2011), mas se tornou uma das maiores estrelas dos filmes da Marvel após enfrentar todos os super-heróis de “Os vingadores” (2012), filme dono da terceira maior bilheteria da história. E esse sucesso, que o ator garante ter sido “algo totalmente além e acima” de suas expectativas, deve aumentar ainda mais a partir de sexta (1º), quando ele poderá ser visto pela terceira vez no papel do “deus da trapaça” e elemento chave no roteiro de “Thor: o mundo sombrio”. Em entrevista por telefone ao G1, concedida enquanto estava na Alemanha divulgando o filme, o inglês de 32 anos não só declarou seu amor pelo personagem, mas também explicou como suas aulas de capoeira e sua experiência com Shakespeare ajudaram a compor sua versão de Loki. “Pensei em como a capoeira é tão elegante… e se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento”, justificou, logo depois de citar as características dos vilões shakespearianos que o influenciaram.

Shakespeare, aliás, é uma das figuras mais importantes na carreira do ator, que já foi premiado por sua atuação em peças do dramaturgo, interpretou Henrique V em uma série da BBC no ano passado e se prepara para voltar aos palcos como protagonista de “Coriolanus”. E, indiretamente, foi também Shakespeare que o levou aos filmes da Marvel, já que o também shakespeariano Kenneth Branagh, diretor de “Thor”, foi quem fez questão de tê-lo no elenco.

Mas, além de falar sobre Loki e sua versátil carreira, que inclui papéis como F. Scott Fitzgerald em “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen, um capitão em “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg, e um vampiro no ainda inédito “Only lovers left alive”, de Jim Jarmusch, o ator justificou ainda porque se tornou um dos novos favoritos também da imprensa.

Extremamente atencioso e gentil, explicou que não se incomoda nem um pouco ao atender todos os pedidos para que cante, dance ou faça alguma de suas já famosas imitações durante entrevistas. Além disso, ensaiou algumas palavras em português e se revelou nitidamente sem graça ao falar sobre ter sido o segundo colocado na lista de “100 astros de cinema mais sexy” da revista “Empire”.

G1 – “Thor” precisava apresentar ao público o universo de Asgard e mesmo seus atores, já que você e Chris Hemsworth ainda não eram tão famosos. E em “Thor: o mundo sombrio”, qual foi o maior desafio?
Tom Hiddleston –
Acho que o maior desafio foi trazer algo novo e empolgante. Pessoalmente, foi o ponto no qual mais me esforcei. Queria ter certeza que apresentaríamos algo que soasse inovador, diferente e cativante, algo que o público ainda não tivesse visto.

G1 – E a familiaridade do público com os personagens facilita ou faz com que exista mais pressão?
Tom Hiddleston –
Em certo nível fica mais fácil, porque tenho mais confiança no personagem, ele já está estabelecido, todo mundo sabe quem ele é. Então posso me divertir com isso, porque posso fazer certas coisas mais afiadas e com cores mais brilhantes, mas também posso mudar e surpreender as pessoas, tentar descobrir todas as características que ainda não mostrei. E acho que isso é uma das coisas mais empolgantes deste filme. Loki é o mesmo cara de “Os vingadores”, mas ele está um pouco diferente, ele é perigoso de uma forma diferente, engraçado de uma forma diferente. Eu amo interpreta-lo, espero que as pessoas consigam perceber o quanto me divirto.

“Pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor'”

G1 – A cada vez que vemos Loki ele parece mais confiante. Agora que, tentando não revelar spoilers, podemos dizer que ele consegue algo que desejava, como você imagina que será seu futuro? O que ainda podemos esperar de Loki?
Tom Hiddleston –
Acho que é interessante perguntar o que acontece quando você ganha um jogo, porque acredito que Loki é um personagem que se satisfaz mais em jogar do que em ganhar ou perder. Estou interessado em saber o que vai acontecer a seguir e tenho algumas ideias malucas para ele… mas, em geral, acho que existe uma frase chave neste filme, que é quando ele diz “satisfação não faz parte da minha natureza”. Satisfação não o fará feliz. Ele nunca fica parado. Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana. E ele é um encrenqueiro nato.

G1 – Ao aceitar o papel, você imaginava que Loki seria tão querido pelo público? E por que você acha que isso acontece?

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Tom Hiddleston –
Eu não fazia ideia. Foi algo totalmente além e acima das minhas expectativas e tem sido extraordinário. Sempre que você assume um personagem espera que ele vá estabelecer uma conexão com o público, mas nunca tive nada parecido antes. As pessoas costumam me perguntar sobre isso, e nunca tenho muita certeza sobre qual a resposta. Acho que talvez seja porque existe tanta diversão inerente ao personagem. Thor é o deus do trovão, Loki é o deus da trapaça, e se você procurar a palavra “mischief” no dicionário vai ver que está escrito algo como “inclinação para travessuras, brincadeiras”. Então é minha tarefa surgir e me divertir. E ele é muito charmoso, é um rebelde. Loki gosta de provocar o caos, mas, ao mesmo tempo, é também muito vulnerável e motivado por fraquezas humanas. Ele é furioso e solitário e triste, disfarça sua mágoa e seu coração partido. Espero que, mesmo que o público não tenha uma simpatia profunda por ele, ao menos entenda porque ele é quem é.

G1 – Loki pertence a uma classe de vilões queridos pelo público. Quais são seus vilões favoritos do cinema? E quais vilões te influenciaram?
Tom Hiddleston –
Amo os dois Coringas, Jack Nicholson e Heath Ledger são extraordinários interpretando o mesmo personagem de formas diferentes, eles estão certamente no topo da lista (veja no quadro acima os outros vilões favoritos do ator). Mas, acho que minha inspiração veio, em sua maior parte, de vilões shakespearianos. Loki tem muito de minha experiência acumulada com Shakespeare. Ele é obsessivo pela ambição, o que é bem “Macbeth”. É manipulador e dissimulado, como Iago em “Otelo”. É um filho que tem inveja de seu irmão mais velho, como Edmund em “Rei Lear”. E tem muito de Cassius em “Julio Cesar”, com seu olhar faminto. Acho todas essas coisas muito inspiradoras, elas foram uma espécie de ponto de partida. Mas Loki tem seu próprio repertório de truques.

Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor’

G1 – É verdade que você treinava capoeira e usou isso quando estava se preparando para o papel? Como foi?
Tom Hiddleston –
Sim, eu treinei, foi maravilhoso. Acho que é uma arte marcial extraordinária. Eu pratiquei pela primeira vez quando estava na escola de teatro, quando tinha vinte e poucos anos. Tinha um amigo que adorava capoeira e íamos treinar em uma academia em Londres para manter a forma. Então, quando comecei a imaginar o estilo de luta de Loki, pensei nisso. Chris Hemsworth estava treinando boxe com pesos-pesados, você pode ver que Thor gira seu martelo como um boxeador, um peso-pesado, ele tem um estilo de luta muito atlético, forte, firme, e eu queria ser diametralmente oposto a isso. E pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor. Então sim, eu quis usar um pouco de capoeira.

G1 – E você é bom nisso?
Tom Hiddleston –
Er…não (risos). Eu era apenas ok. Mas, de qualquer forma, quando tive que vestir o figurino percebi que “hmm… é, acho que não vou conseguir mais jogar capoeira” (risos).

G1 – Embora Loki seja um personagem tão popular, você conseguiu não ficar marcado apenas por ele, fazendo filmes de vários gêneros e com diretores como Woody Allen e Steven Spielberg. Qual seu critério na hora de escolher seus trabalhos?
Tom Hiddleston –
Bem, eu sempre tento buscar uma experiência nova, todas as vezes. E acho que isso é bastante útil, já que significa que estou sempre procurando, sempre sendo curioso e aprendendo. Então tento escolher coisas que sejam completamente diferentes, porque, na verdade, não há nada que eu adore mais do que aprender algo novo, estudar uma nova pessoa, uma nova história. E, no final, é sempre uma coisa instintiva. Leio um roteiro e simplesmente sei que quero ou não explorar aquela possibilidade. Em meu próximo trabalho eu vou voltar aos palcos, serei Coriolanus (mais um personagem de Shakespeare) no teatro, em Londres. Depois, vou trabalhar com Guillermo del Toro em um romance gótico (“Crimson peak”), uma história muito, muito sofisticada sobre uma casa assombrada.

G1 – Em “Crimson peak” você vai fazer um papel que inicialmente seria de Benedict Cumberbatch, um dos atores mais requisitados atualmente por Hollywood. E, assim como você, ele tem esse perfil tão tipicamente britânico. Você acha que este é especificamente um momento de “alta” para os ingleses?
Tom Hiddleston –
(risos) Talvez. Mas acho que sempre há atores britânicos por aí, não penso que seja algo específico em relação a mim e Benedict, que, aliás, é meu amigo desde que fizemos “Cavalo de guerra” juntos. No próprio “Thor: o mundo sombrio” temos Anthony Hopkins e ele é brilhante e tem sido há tanto tempo. E eu já trabalhei também com Jeremy Irons e Kenneth Branagh, e temos ainda pessoas como Alan Rickman, Hugh Laurie, Andrew Lincoln, Tom Hardy e Michael Fassbender (nascido na Alemanha, mas criado na Irlanda). Então acho que sempre há atores ingleses fazendo trabalhos brilhantes. Mas, se é que este é realmente um momento especial, fico feliz por fazer parte dele, juntamente com Benedict. Não sei o que estão colocando na água, mas está funcionando (risos).

G1 – Mas são você e ele os dois primeiros colocados na lista “100 astros de cinema mais sexy” da  “Empire”.
Tom Hiddleston –
(risos) Sim, eu sei, isso é muito embaraçoso (risos). Vai servir como combustível para incendiar a zombaria das minhas irmãs para o resto da minha vida.

G1 – Bem, há alguns leitores contestando a escolha de Benedict, mas não me lembro de ver ninguém reclamando sobre você.
Tom Hiddleston –
(risos) Sério? Não sei o que dizer sobre isso (risos).

G1 – Suas imitações tem feito sucesso na internet, e existem vídeos com você cantando, dançando e falando outros idiomas em entrevistas e, aparentemente, se divertindo em todos eles. Mas, agora que isso se tornou uma espécie de tradição, não se cansa do fato de as pessoas sempre te pedirem alguma “gracinha”?
Tom Hiddleston –
Bem, aí é que está. O que eu mais amo em relação a atuar é criar uma conexão. Talvez eu acredite na velha escola do entretenimento, adoro entreter as pessoas. Então acho que não, não me incomoda. Tudo que você pode desejar como ator é se conectar com as pessoas e parte da diversão proporcionada pelas turnês de divulgação é que você tem a chance de conhecer o público. E eu tenho mesmo essa coisa de tentar aprender o idioma das pessoas com quem estou falando. Então é por isso que falo em francês e espanhol nesses vídeos (risos). Mas meu português não é assim tão bom, sabe… sei dizer “obrigado” (risos). Lembro-me de que meus avós moravam em Portugal e eles costumavam dizer “dois mais” (ele fala com o sotaque de um português de Portugal) quando queriam mais dois copos de vinho ou algo assim. Mas, sabe, amo aprender idiomas, é realmente uma grande curiosidade que eu tenho. E a razão pela qual adoro fazer imitações é que sou interessado em gente, me interesso pelo modo como as pessoas se sentam, caminham e falam, e isso é parte da razão pela qual amo ser um ator.

Fabiana de CarvalhoDo G1, em São Paulo

Fonte: http://g1.globo.com

A capoeira e os apelidos

Tenho acompanhado há a alguns meses algumas discussões sobre o uso de apelidos na capoeira. Acho a discussão válida, mas há alguns pontos que gostaria de comentar:

 

1) apelidos não são obrigatoriedade. Não é todo mundo que tem – o que para mim, indica que a coisa não é tão universal assim.

2) eu acredito no apelido que surge espontaneamente, decorrendo de uma situação específica. O que me incomoda é o apelido forçado. No dia do batizado, chega o mestre e diz “agora você é o Blablabla”. Aí falta contexto mesmo – é a imposição que vai de encontro à liberdade pregada pela capoeira. O apelido é Blablabla “porquê o meu mestre falou que é” é uma baita escrotice, se me perguntarem…

3) a questão do que é que denigre – não é todo apelido que rebaixa, independente da raça. Creio que todo capoeirista conhece casos de apelidos “bacanas” e “ruins”, aplicados a negros, amarelos e brancos.

Nem todo apelido é Macaco, Gambá, Minhoca, Magrelo, Cheiroso ou Urubu. Tem Velocidade, tem Coração, tem nomes de bairros, cidades natais, etc. E ainda assim, nem todo Macaco é negro, nem todo Gambá é mal-cheiroso. A variação de motivações é tão grande quanto, ou maior que a variação de nomes…

O bullying preocupa sim, especialmente nos apelidos que surgem naturalmente do grupo (e não do mestre): será que o Tripa Seca está mesmo feliz com o apelido dado pelos colegas de treino ? Isso precisa ser avaliado com cuidado pelo responsável, mas não necessariamente inibido – afinal de contas, vivemos em grupo, e o grupo age sobre nós assim como nós sobre ele.

A pessoa em cheque pelo apelido pode ter sofrimento sim, mas também pode usar disso para sair mais forte – é uma questão de maturidade (e por isso o olho do responsável é tão importante). Chamar um menino gordinho, de 12 anos, de “Baleia Encalhada” é uma coisa se ele sabe lidar com isso, e outra coisa muito diferente, se ele não sabe. A palavra-chave para mim, nesse caso, é “atenção”.

Ser mestre não é só ensinar a se posicionar na roda, mas também a se posicionar no mundo. Ele deve intervir quando perceber ser necessário, ou quando os envolvidos solicitarem. E principalmente, ele deve ter autocrítica – para não se tornar ele mesmo o causador do sofrimento.

Resumindo, não acho que a questão de ser contra os apelidos é “muito barulho por nada”, como muita gente grita por aí. Mas também não é o absurdo que tem sido pintado.

 

Tem muitos casos no mundo, e cada um deles é um.

 

Axé,

Teimosia (feliz com o apelido)

 

Fonte: http://campodemandinga.blogspot.com

A capoeira é o que a boca come, o olho vê, a mão pega, o pé pisa, o coração sente.

Capoeira, qual é a sua, Angola, Regional ou contemporânea?

Certamente o leitor atento as questões da capoeira terá feito a si próprio ou aos outros o tipo de pergunta que compõe o título dessa crónica. A resposta, se bem pensada, poderá ser por vezes dúbia, impõe particularidades existenciais e requer alguma reflexão.

Como sabemos o que convencionou-se chamar de capoeira Angola e Regional formou-se na década de 30 durante o Governo de Getúlio Vargas a partir das figuras eminentes dos Mestres Pastinha e Bimba. Estas fórmulas marcaram uma divisão clara na maneira de ver e praticar a capoeira até por que nasceram em oposição a outra. Se as divergências e as diferenças tendiam a ser mais óbvias no passado, bem menos são no presente se observarmos os processos de hibridação e novas formatações que ocorreram com a capoeira produzida pelos dois mestres.

Alguns autores chamam a atenção que para além de Bimba e Pastinha, destaca-se também a figura de um terceiro mestre no panteão dos importantes fundadores da capoeira que hoje jogamos. Trata-se de Washington Bruno da Silva, o Mestre Canjiquinha. Apesar de nunca ter criado um estilo propriamente, recordamos que o mestre criou dois toques, Samango e Muzenza e foi um importante divulgador da capoeira no sul do Brasil. A relevância do seu trabalho reside sobretudo na capacidade de síntese que realizou com o legado dos mestres Bimba e Pastinha, estabelecendo assim uma terceira posição que é hoje a postura da maioria dos grupos. Para além dos seus shows e excursões para o sul do Brasil o mestre participou de dois filmes importantes na década de sessenta como O pagador de Promessas e Barravento de Glauber Rocha, que ajudaram a popularizar a capoeira.

Destacamos a importância de alguns grupos na produção de uma nova atitude que envolve as duas formas basilares de fazer a capoeira, entre eles certamente o grupo Cordão de Ouro em São Paulo cuja simbiose de diferentes jogos produziu o miudinho. Contudo, arriscaria dizer que foi com o grupo Senzala que estas colagens ganharam maior proeminência e popularidade. O uso corrente do São Bento Grande de Angola e a mesma bateria utilizada na Capoeira Angola, contrasta com o jogo rápido, quase sempre em cima, a utilização de uma distinção hierárquica, as cordas, e uma atitude que em grande parte se aproxima da capoeira Regional. Mas afinal que formato é esse, é Angola ou Regional? A parte da resposta polémica, a verdade é que essa maneira de fazer capoeira, que alguns chamam simplesmente de Capoeira, nem Angola nem Regional, generalizou-se a partir da influência do Grupo Senzala principalmente. As fusões podem ainda se tornar mais complexas quando alguns grupos podem fazer uso da bateria da Capoeira Angola, tocar São Bento Grande de Bimba, numa atitude que de alguma forma mais se aproxima da Regional, contendo algo da Angola, ainda que de maneira discreta.

Na ausência de um termo mais adequada, convencionamos chamar de “capoeira contemporânea” toda prática da capoeira que de alguma maneira não se enquadra nem na Regional, tão pouco na Angola. Mestre Nestor Capoeira, a respeito da capoeira feita pelo grupo Senzala, batizou-a de estilo regional-senzala, nome que nunca chegou a propagar-se nos jargões correntes dos capoeiristas, penso que por força da sua pouca consistência. Embora o termo “capoeira contemporânea” tenha-se generalizado, tão pouco tornou-se consensual, pois alega-se, em argumento válido, que contemporânea pode ser também toda e qualquer capoeira que se pratica em nosso tempo, seja ela qual for. O argumento tem pertinência, mas não resolve o problema de uma nomenclatura clara que nos permita situar as diversas formas de fazer e ver a capoeira hoje. Apesar das respostas estéreis e inconclusivas a esse debate, tenho de admitir que classificar faz parte da liturgia das nossas sociedades e os nossos atores sociais, os capoeiras, também fazem-no, como forma de categorizar a capoeira que praticam ou atribuir autenticidade e legitimidade aos coletivos em que se encontram.

De volta ao termo “capoeira contemporânea”, constatamos que formalmente esse “estilo”, se assim o podemos chamar, nunca foi criado ou instituído por nenhum mestre ou grupo, nem tão pouco exista um toque ou uma liturgia do jogo que o singularize. É do meu entendimento, sem grande margens para dúvidas, que em grande parte o Grupo Abada capoeira, quer goste-se ou não, na figura do mestre Camisa, também ele herdeiro de um certo legado do Grupo Senzala, popularizou uma estética que muitos caracterizam como contemporânea. Infelizmente, talvez por força das ferramentas do mercado e da indústria cultural com o qual o grupo Abada soube sempre trabalhar bem, está estética tornou-se uma imposição na qual muitos praticantes embarcaram de forma acrítica. Tudo que estava fora desse formato dominante passou a ser qualificado de coicero, saroba, e outros tantos adjetivos de tom pejorativo. Sabemos entretanto que a “capoeira contemporânea” jogada pelo grupo Abada nada tem de inovador, e nada mais é do que uma estetização uniformizada da capoeira no seu formato corporal e musical com base na capoeira de Bimba e Pastinha.

Se por um lado as práticas habituais da capoeira Angola e Regional foram formalmente instituídas e legalmente sancionadas pelo estado com a abertura das suas academias, “outras capoeiras” podem ser também criadas e inventadas pela pujança da sua vivência, pelo cariz de sua ideologia, pela força da sua estética ou pela forma generalizada da sua prática e é, a meu ver, o que ocorre com a “capoeira contemporânea” que singulariza o grupo Abada capoeira. Nada impede que, após o falecimento do Mestre Camisa – a quem espero que viva por muitos anos – que ele possa ser visto como criador da capoeira contemporânea, muito embora nunca a tenha instituído formalmente. Não podemos subestimar a força dos atores sociais e a sua capacidade de apropriarem-se, inventarem ou recriarem as coisas que os rodeiam.

No que toca a Capoeira Regional sabemos que poucos reivindicam essa ascendência, e os que fazem andam envoltos em polémicas, por não tomarem parte direta dos grupos que descendem dos discípulos de Bimba ou por não estarem ligados ao mestre Bimba por laços familiares e consanguíneos. Apesar da figura imponente do criador da Regional a verdade é que a Regional, no formato estrito concebido pelo mestre, nunca vingou, mesmo entre alguns dos seus mais conhecidos discípulos. Raros são os grupos em que se usa um berimbau e dois pandeiros, as sequencias, os balões e quase tudo que o mestre instituiu.

O mesmo não se passa com a capoeira Angola, cujo crescimento conheceu maior impulso com a sua internacionalização, como quase tudo no Brasil que só ganha visibilidade ao cruzar as fronteiras nacionais. Constata-se que há entre os praticantes da capoeira Angola um senso de pertença mais apurado que os caracteriza, muito embora, não se possa dizer que a capoeira Angola que hoje se pratica seja verdadeiramente unânime nas suas características e mesmo precisas na realização dos rituais tal como Mestre Pastinha os concebeu. Os uniformes são de cores diversas, existem diferenças nos alinhamentos das baterias, nos rituais de compra do jogo, na nomenclatura dos golpes e até o uso de cordas, que não é comum, serve de complemento aos paramentos utilizados em alguns coletivos para diferenciar as graduações. Vendida como a “capoeira mãe”, a verdadeira e autêntica, o que é certamente uma boa estratégia de mercado, a capoeira Angola é tão crioula e híbrida quantas as outras, carente de legitimidade e autenticidade que se busca nos discursos de pureza e originalidade.

A verdade é que a diferentes bricolagens e experimentações feitas com a capoeira permitem nos dizer que há muito mais o que nos une, capoeiristas, do que o que nos separa, ainda que muitos prefiram dividir e categorizar. E se dúvidas restarem sobre as classificações de que falamos, resta ainda perguntar: qual é mesmo a capoeira que praticas ?

 

* Ricardo Nascimento

Geógrafo
Mestre em Sociologia da Cultura
Doutorando em Antropologia
Professor de Capoeira

A Evolução da Capoeira no Mundo

A Evolução da Capoeira no Mundo: Caminhos de “esterilização” da arte para “fertilização” do negocio

O reconhecimento da capoeira na atualidade se depara com seu mais difícil paradigma, pois a mesma precisa conviver com um processo de transformação que, na maioria das vezes, só justifica-se por parâmetros que negligenciam princípios de ancestralidade, oralidade, aprender fazendo, dentre outros, que são encarados por seus praticantes como ultrapassados e/ou utilizados unicamente nos discursos eloqüentes dos “tiranos comandantes“ disfarçados de mestres. Neste sentido, nos propomos a refletir sobre algumas questões que tentarão nos aproximar de alternativas para dialogarmos com a tão famigerada “evolução“ da capoeira, apelidada em nosso tempo equivocadamente de Capoeira Contemporânea.

Inicialmente quero tratar especificamente da terminologia, que já de inicio apresenta-se erroneamente, pois faz referencia, considerando a grande maioria de capoeiras de senso comum, a um estilo que se distanciaria da Angola e da Regional, propondo uma mescla dos dois estilos anteriores, mesmo convivendo no mesmo período histórico, ou seja, representando uma pretensa evolução técnica e etc. Assim, se desta forma for encarada, seu nome correto talvez devesse ser Capoeira Futuro, Avançada, Espacial…..  Sei la….  E não Contemporânea, pois isso representa algo que convive em mesmo período.

Um outro ponto contraditório apresenta-se quando definimos esta nova capoeira “moderna“ como algo inusitado, futurístico, pois sua própria origem esteve sempre atrelada no discurso de que a mesma foi forjada a luz da Angola e da Regional baiana e sendo assim, o correto seria dizer que a mesma simplesmente tentou juntar o que vivia separado, fato que representaria uma grande incoerência, pois sabemos que quando investigamos a capoeiragem mais detalhadamente e criticamente, percebemos que o trabalho capitaneado por Bimba e por Pastinha possuíam muito mais semelhanças do que diferenças, pois os mesmos foram fruto da historia de um determinado local em um tempo especifico.

Sobre a técnica desta capoeira evoluída, o que temos visto são conseqüências desastrosas, considerando o grande numero de lesões, a violência com pouca belicosidade e ainda as atrocidades com relação à biomecânica dos movimentos, pois estes alem de não respeitarem os limites articulares e fisiológicos, ainda propõem uma pratica completamente distanciada da estética ancestral da capoeira, visto que os capoeiras deste estilo “evoluído“ mais se aproximam de ginastas ou acrobatas de circo com pretensões de luta, transformando o jogo em um espetáculo grotesco, pois não conseguem fazer bem nem a ginástica nem tão pouco a luta.

A musicalidade na capoeira tem papel fundamental, pois dela se desencadeia boa parte do processo “ritualístico”, ou seja, é a partir da musicalidade que os movimentos são executados, os instrumentos são tocados e as cantigas entoadas, contudo atualmente nos grupos intitulados de Capoeira Contemporânea, observamos uma linearidade melódica que não contempla as variantes ancestrais africanas, com letras ceifadas de seu conteúdo para reflexão, que já não cumprem tão bem o papel da oralidade e sua documentação da historia humana por contos e cantigas. Assim temos percebido que os instrumentos e as cantigas pouco a pouco tem perdido sua função ritual na roda, pois os praticantes alem de não valorizarem e desenvolverem esta parte do aprendizado, não conseguem decodificar a influencia da musicalidade na pratica, negligenciando o papel fundamental desta no desenvolvimento da roda.

A ladainha não arrepia mais, o cantador não se emociona, as cantigas não tratam do universo simbólico da capoeiragem e ainda a forma de cantar tem sido “plastificada“ e embalada para vender, criando um exercito de cantadores “copias de alguém famoso“, e se não bastasse isso, as pessoas ainda não conseguem perceber que o mesmo acontece por toda parte no modo de produção capitalista, pois todos querem parecer com os modelos vendidos pela mídia, idiotizados pela propaganda e aumentando o lucro dos “grupos produto“, como um grande Big Mac vendido na esquina de qualquer grande centro.

Em relação aos aspectos filosóficos, temos nosso maior abismo, basta observar os bonecos de vídeo game que representam os capoeiras, sempre musculosos, com movimentos robóticos, com uma negritude estereotipada, e ainda com golpes previsíveis e não característicos, negando os fundamentos difundidos pelos antigos mestres da Bahia.

Soma-se também a este conflito simbólico uma serie de situações organizacionais nos grupos de capoeira, aproximando-os administrativamente de empresas e distanciando cada vez mais das praticas humanas e necessidades da capoeiragem em sua trajetória, pois os mestres se transformaram em patrões, as rodas em shows, o conhecimento em produto de venda, as pessoas em números de matricula e sua filosofia em trabalhos acadêmicos de pessoas que nunca sujaram as mãos fazendo Au…..

Lamentável, mas esta tem sido a realidade que tenho encontrado em muitas partes do mundo em nossas viagens com a capoeira, e para piorar, se não bastasse tudo isso, tenho percebido, com o passar dos anos, que os poucos cabelos que ainda me restam estão ficando brancos e que a grande parte dos capoeiras acreditam que nossa arte esta em seu curso natural, como se alguma força alienígena controlasse estas mudanças, não sendo necessário refletir sobre as mesmas e só segui-las.

Quero propor com estas palavras, que não são verdades absolutas e sim um desabafo ingênuo de um capoeira da Bahia, que existem sim alternativas e estas estão ao alcance de todos aqueles que investigarem a matriz ancestral da capoeira e seus representantes mais antigos, observando a forma como jogam, sua fala, como lidam com os instrumentos, seus códigos filosóficos e acima de tudo como vivem, mesmo não fazendo parte do espetáculo futurístico da Capoeira Contemporânea.

Sugiro uma busca na década de trinta e seus princípios metodológicos para trato com a Educação Física, pois la encontraremos as bases desta dita capoeira evoluída, comprovando que a mesma não possui nada de moderno e sim uma adaptação mal feita para na atualidade atender as demandas do capital, considerando a dicotomia corpo/mente e o processo de adestramento pelas seqüências de ensino idiotizantes, atrofiando o senso critico e favorecendo o negocio dos mega grupos e seus mestrões.

Despeço-me pedindo força ao Grande Arquiteto do Universo e perdão pela possibilidade de minhas palavras ofenderem camaradas ainda não despertos para as armadilhas desta capoeira mercadorizada, espetacularizada e muito distante das necessidades de aprendizado para evolução da humanidade.

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”
Nemo Nox

Jean Adriano Barros da Silva
www.guetocapoeira.org.br
Tel: 55 71 8109 2550 / 3363 4568 / 3366 4214
75 9168 7534 / 75 3634 2653
Bahia – Brasil

Museu Carlos Costa Pinto: Exposições e Palestras

“As Exposições Provinciais do Império: a Bahia e as Exposições Universais (1866-1888)”

Palestrante: Profa. Ms. Cínthia da Silva Cunha, Mestre em História Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.
Dia 29 de abril, das 17 às 18:30 horas | Auditório do Museu
ENTRADA FRANCA – Será fornecido certificado

Exposição

A Bahia tem … Nádia Taquary

Nascida em Salvador, atlântica, criou-se em Valença, beira de mar e rio. É de Peixes. Um ser de águas recôncavas. Seu pai, professor de educação física e ginástica olímpica de formação, também lidava com jóias. Era um fazedor de coisas, guardador e restaurador de objetos que saiam perfeitos de seu galpãooficina no fundo da casa. Nádia, a índia Taquary, de olho, pescando tudo.

Cursou letras, mas apaixonou-se pelas artes. Estudando, encontrou-se nos textos sobre cultura africana e descobriu as ‘joias de crioulas baianas’ no livro ‘Círculo das Contas’, do Museu Carlos Costa Pinto. A cada página abria-se um mundo de encantamentos, memóriasda infância, das peças dadas por seu pai, da identidade com aquela estética tão familiar.

A Bahia tem… é uma louvação à Bahia negra, misturada e rica, às águas como caminho que embalou o rico legado de nossa história. É o resultado de um encontro entre África, Europa e o novo mundo, onde a opulência e o requinte das ‘joias de crioula’ recriadas por Nádia Taquary nesta versão contemporânea, pretende aguçar sua lembrança de um belo tão intensamente nosso.

Período: 31/03 a 28/05/2011

Visitação: Segunda à Sábado, exceto terça-feira, das 14:30 às 19:00 horas.

 

O Museu Carlos Costa Pinto:

É uma instituição cultural particular, mantida através de convênio com o Governo do Estado da Bahia. Foi inaugurado em 05 de novembro de 1969. O acervo foi doado pela viúva Margarida de Carvalho Costa Pinto, para a concretização do sonho de seu marido. Criado para “conservar aspectos da antiga residência de Carlos Costa Pinto com objetos de arte colecionados por ele no século XX”, tem cada vez mais consolidado e expandido a sua função como casa de cultura, tornando-se ponto obrigatório de visitação. O acervo de arte decorativa do Museu é de coleção fechada, apresentando 3.175 peças divididas em 12 coleções: Cristal, Desenho, Diversos, Escultura, Gravura, Imaginária, Mobiliário, Ordens Honoríficas, Ourivesaria, Pintura, Porcelana e Prataria. São exemplares de várias partes do mundo, dos séculos XVII ao XX, que retratam o estilo de vida da sociedade baiana colonial, imperial e republicana. Av. Sete de Setembro, 2490 – Corredor da Vitória – Salvador – Bahia – Brasil Tel.: (71) 3336-6081 museuccp@gmail.com www.museucostapinto.com.br

Ceará: Capoeira é usada para a inclusão social

Um projeto utiliza a capoeira para melhorar a coordenação motora e a inclusão social de portadores de necessidades especiais

Uma roda de capoeira muito especial. Crianças, adolescentes, jovens e adultos não perdem um lance. Acompanham, muito atentos, os movimentos dos braços e pernas de quem está no jogo. Cantam, batem palmas, sorriem. A prática do esporte é um momento de socialização, de integração de autista, portadores de Síndrome de Down, de deficiência visual, com paralisia e deficiências múltiplas. Essa turma tão familiarizada com o esporte, mora em Guaiúba e é assistida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Há um ano, a Apae enviou um projeto solicitando o apoio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). E conseguiu implantar o Projeto de Capoeira Inclusiva com a orientação de Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que há 12 anos desenvolve o projeto no Brasil, e do professor Edy Oliveira, mestre em capoeira que está se especializando em educação inclusiva.

O resultado está sendo tão positivo que, segundo o professor Edy, o aluno Josivan, 23, que tem dificuldades de aprendizagem, está quase pronto para ser mestre da capoeira e dar continuidade à prática aos 35 alunos da Apae. Edy Oliveira, 24, também dá aulas para crianças e adolescentes, em Guaiúba, através de projeto desenvolvido com a Secretaria da Cultura. “São mais de 200 alunos”, diz e acrescenta que a capoeira está sendo iniciado em Redenção.

“A inclusão é um processo sem volta”, diz Edy Oliveira e com ele concorda o sergipano Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que já implantou o projeto em outros estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Maranhão e Pará. “A inclusão é uma grande arma para diminuir o preconceito e as barreiras sociais. Amplia os horizontes das pessoas portadores de necessidades especiais, além dar mais equilíbrio ao corpo e elevar a sua autoestima”, diz o mestre Beija-Flor.

Os resultados da capoeira inclusiva para os que são atendidos pela Apae de Guaiúba também são ressaltados pela conselheira Fátima Maria Leitão Araújo. Ela cita o exemplo de um paciente de 30 anos que não conseguia andar direito e, com a prática da capoeira, adquiriu confiança, melhorou sua expressão corporal e coordenação motora.

“Já houve até apresentação da turma de capoeiristas na cidade de Pacoti. É um projeto que contribui muito para a inclusão social”, constata Fátima Leitão. O mestre Beija-Flor também pretende levar o projeto para Portugal e países da América Latina.

Haiti em uma palavra? Esperança

Os tremores hoje são como acontecimentos quase que naturais. Agora há pouco foram dois; o primeiro aparentemente forte. Estava em minha mesa imprimindo alguns documentos, e por um momento pensei que fosse a impressora. Mas, ao olhar para a mesa ao lado e ver um monitor balançando, compreendi que não era a impressora e sai rapidamente. Por fim, não sei se a terra realmente está tremendo ou se o meu corpo é que não parou de tremer desde o primeiro.

No momento do tremor, a sensação é de que o cérebro automaticamente acessa as informações do primeiro, as lembranças chegam em uma fração de segundo. E com elas, o medo de que este seja tão forte quanto o primeiro, que alcançou 7.2 graus na escala Richter. E a diferença de força entre um e outro é bem grande; o de 7.2 chega a ser 22 vezes mais forte. Aparentemente, teremos de conviver por algum tempo com os tremores. Espero em Deus que não sejam tão fortes quanto o primeiro, pois isso iria ampliar os problemas para um grau que não podemos prever, como ainda não podemos prever a extensão das consequência do primeiro.

Aos poucos, notamos que algumas pessoas estão deixando a capital, indo para as províncias, para as áreas rurais. O que abre precedente para tornar a ajuda mais rápida. Talvez seja possível, ao invéis de centralizar toda ajuda em Porto-Principe, criar campos de apoio nestas cidades, com toda estrutura possível, e remover as famílas que hoje ocupam as praças. Isso ampliaria também o campo de trabalho para a remoção dos escombros e resgate das vítimas, bem como diminuiria as possibilidades de uma epidemia, um risco grande aqui.

Quanto a nós, seguimos com o trabalho, dentro das nossas limitações. Com o risco eminente, continuamos dormindo no quintal da casa; brasileiros, haitianos, noruegueses. Onde temos uma visão fantástica do céu, das estrelas. O sentimento em mim é de que não estamos sozinhos, nem desprotegidos. E parece que ouço uma voz dizer que tudo ficará bem…

Haiti, 21 de janeiro, 11:30 am

Aos poucos, a situação parece apresentar sinais de melhoria, apesar de muitos escombros estarem ainda por serem removidos. O volume de trabalho é grande, bem maior do que a infra-estrutura disponível no momento. Mas, já podemos ver que a situação é bem diferente de alguns dias atrás. Não tenho dúvida de que as equipes de resgate estão empenhando ao máximo as suas forças para tornar o trabalho mais ágil, e minimizar ao máximo o sofrimento dos que ainda ainda esperam por ajuda sob os escombros.

E ainda que existam aqueles que se valem da necessidade e da fome para promover a violência e o desespero, ferindo ainda mais a sua própria gente.

Ainda que existam aqueles que poderiam ajudar (fazer a diferença), mas que preferem assistir tudo de longe, entre as quatro paredes da sua sala refrigerada, cujo a proximidade maior do problema não vai além do alcance do seu controle remoto ou do cursor do seu computador.

Ainda que existam aqueles cruéis o bastante para de dizer que a raça ou o credo é o causador de tanto sofrimento…

Existem aqueles que movem todos os seus recursos e esforços para garantir o mínimo de segurança e dignidade para aqueles que sobreviveram, para minimizar o sofrimento das pessoas e cuidar de suas feridas.

Existem aqueles que deixaram seu país, o conforto e a segurança do seu lar, o carinho da família para estar ao lado de pessoas que sequer conheciam.

Existem aqueles que são humanizados o suficiente para exergar no próximo o laço incontestável da família terrena.

Existem aqueles “loucos” que acreditam, seguem em frente, e com a sua loucura contagiante arrebanha multidões para o bem.

E é por esses e outros que a confiança aumenta a cada dia, que a nossa força cresce. É através de exemplos como esses que seguimos acreditando que a  vida é ainda mais forte do que qualquer coisa e que a esperança sobrevive às piores provações.

Fonte: http://flaviosaudade.files.wordpress.com

 

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

O GINGANDO PELA PAZ nasceu de atividades realizadas ao longo de quatro anos em diversas comunidades do Rio de Janeiro que tinham como foco a mobilização popular para temas de interesse público. A inspiração surgiu com a participação do Contramestre Saudade, à época com 21 anos de idade e professor em capoeira, no Serviço Civil Voluntário, projeto oferecido pelo Viva Rio que objetivava ser uma alternativa ao Serviço Militar obrigatório, e estava direcionado para jovens em situação de risco social que ainda não tinham concluído o ensino fundamental. O contato com disciplinas como Direitos Humanos e Cidadania, a participação em ações voluntárias em comunidades como as Campanhas contra a Dengue e de Paz no Trânsito, somada a experiências internacionais em países como Zimbabwe, África do Sul, Alemanha e Espanha, levou-o a idealizar um projeto que objetivasse fortalecer a atuação da capoeira para o desenvolvimento social.