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Encontro de Capoeira para a Juventude

Ao som de cantoria e berimbau, jovens e crianças descobrem a alegria e o gingado

Muito à vontade, o estudante Felipe da Silva Santos, 9 anos, entrou na roda de capoeira com o mestre Jaiminho, para mostrar toda sua habilidade. “É mais ou menos difícil”, tenta explicar, ao lado do amigo Wendell da Silva, 9, também um iniciante bem interessado na atividade que mistura esporte e cultura. Juntos na quadra da Escola Municipal Avelino Leite de Camargo, no bairro Nova Esperança, os amigos e mais cerca de 400 jovens e crianças participam do Encontro de Capoeira para a Juventude.

O evento, que continua neste sábado, tem como destaque a participação especial de Vivaldo Rodrigues Conceição, o Mestre Boa Gente, que veio especialmente de Salvador (BA) para o evento de Sorocaba.

O ensino de capoeira faz parte da rede pública municipal de ensino. A prática também estimula os jovens, a partir de 12 anos, nas unidades do Território Jovem.

“A capoeira só traz benefícios. Muda a postura do jovens”, aponta o  coordenador do Território Jovem do Nova Esperança, Luiz Antonio de Lima. Além de estimular a prática de atividade física, a capoeira promove a socialização. Mesmo os mais tímidos são contagiados pelo som do berimbau e do pandeiro, e convidados a entrar na roda. “Foi muito legal participar”, diz Rafaela dos Santos, 10.

Todos os alunos das oficinas de capoeira, de 11 escolas da rede municipal, participaram do evento.

Mestre traz experiência de 51 anos
Mestre Boa Gente, 65 anos e 51 de capoeira, é um dos principais divulgadores da capoeira angolana. Sexta-feira (13), em Sorocaba, ele elogiou a participação das crianças. “Estamos repetindo aqui um trabalho que faço em Salvador. Vejo todas estas crianças aqui, participando, fora das ruas”, diz.

Segundo Mestre Boa Vida, Sorocaba é exemplo na organização do evento e também no estímulo à capoeira. “Aqui a gente não vem só para ensinar, mas também para aprender”.

Boa Gente, membro importante da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angolana), dedica-se à divulgar a arte para o resto do mundo, com apresentações nos Estados Unidos e em países da Europa.

Alegre e bem disposto, ele brinca ao falar dos benefícios da atividade que, segundo ele é praticada na Bahia por mestres com mais de 90 anos. “Eu tenho 65 anos e também jogo”, diz.

Neste sábado o dia é reservado para os atletas de capoeira de maior graduação. O curso vai das 10h às 12h e das 13h às 16h, no Território Jovem do Nova Esperança.

Terra, território e territorialidade

Livro do professor Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, Quilombos, geografia africana, cartografia étnica e territórios tradicionais, será lançado no próximo dia 30 de março, na Livraria Cultura, às 19h, em Brasília.

A Fundação Cultural Palmares convida a todos para o lançamento dessa importante obra de Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, professor do departamento de Geografia da Universidade de Brasília. Quilombos, geografia africana, cartografia étnica e territórios tradicionais é resultado de uma extensa pesquisa a que o autor se dedicou em seu pós-doutoramento no Musée Royale de l’Africa Centrale, Tervuren – Bélgica, e teve como principal referência a pesquisa historiográfica realizada em várias instituições no Brasil, na África e na Europa. O livro traz ainda registros fotográficos e uma extraordinária documentação cartográfica temática.

Segundo    o   autor,    “a    terra,   o   território   e   a territorialidade assumem grande importância dentro da temática da pluralidade cultural brasileira no seu processo de ensino, planejamento e gestão”.

Para ele, tratar da diversidade cultural do Brasil num contexto geográfico, cartográfico e fotográfico, visando reconhecer, valorizar e superar a discriminação aqui existente é ter uma atuação sobre um dos mecanismos estruturais da exclusão social. “São várias as questões estruturais relacionadas à cultura africana, à população afro-brasileira e aos territórios tradicionais no país que continuam merecendo investigação, conhecimento e intervenção. Dois pontos configuram-se como emergenciais. O primeiro deles está relacionado à desmistificação do continente africano, sobretudo nos seus aspectos geográficos e em suas relações com a formação do território brasileiro. O segundo, se refere a exclusão secular das matrizes africanas do sistema oficial brasileiro, particularmente, dos quilombos.”

O livro esta estruturado em três partes básicas. Na primeira, são feitas referências a alguns elementos fundamentais da historiografia da África, principalmente aspectos dos grandes tipos de ambientes; a espacialidade dos principais impérios e aspectos territoriais da diáspora africana. É feita uma representação preliminar da etnográfia africana no Brasil, dos registros dos quilombos antigos e dos ciclos econômicos coloniais.

A distribuição geográfica dos quilombos contemporâneos, assim como, as suas questões fundamentais, estão apontadas na segunda parte da obra. A última parte do livro está destinado ao mapeamento dos registros municipais das comunidades quilombolas por unidade política, organizadas em folhas articuladas que cobre todo o país, com o nome da comunidade e o município do Estado correspondente, assim como, as referências sobre os territórios reconhecidos institucionalmente e os já titulados.

Com este trabalho, o autor pretende contribuir para a ampliação da visibilidade junto a sociedade civil; nas ações conseqüentes do setor decisório e na inserção do continente africano na educação brasileira.

Contato: (61) 3307-2393
E-mail: quilombo@unb.br


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FSM aborda impactos e disputas no território quilombola

“A política para os negros no Brasil e no mundo e os impactos causados no território quilombola” foi o tema de uma palestra ontem (29), na Universidade Rural do Pará (UFRA). A atividade reuniu entidades negras de todo o país, como a Associação das comunidades negras rurais quilombolas do Maranhão (Aconeruc-MA) e o Quilombo de Jambuaçú, do município paraense de Mojú.

Durante o evento o professor Kabemgele Munanga, que nasceu na República Democrática do Congo e que há 35 anos vive no Brasil e ministra as disciplinas de Antropologia e Relações Raciais na Universidade de São Paulo falou sobre a demarcação do território quilombola e das leis que legitimam a posse dessas terras, ressaltando que a questão é polêmica.

“Entre a lei e o cumprimento existe um abismo, apesar de em alguns estados as famílias já terem a titulação. Mas, existem cerca de 2000 comunidades quilombolas no Brasil e menos de 10% tem o registro das terras. Ter o registro da terra não resolve muita coisa porque faltam escolas, saneamento básico, energia elétrica e muitos já foram expulsos por falsos donos e vivem sob ameaças de empresários”, conta.

De acordo com Benedito Cunha, coordenador da Aconeruc-MA, nos anos 80 o governo federal desapropriou do município de Alcântara terras de 300 famílias de 10 comunidades, para a implantação de um centro espacial. Atualmente, existem 22 mil habitantes distribuídos em 162 comunidades quilombolas nas imediações do centro, que lutam para receberem o título das terras, já que existe o projeto para a construção de uma base para lançamentos de foguetes no local.

Benedito Cunha, Coordenador da Aconeruc, falou sobre a luta pelas terras das comunidades quilombolas do Maranhão:

“Várias famílias foram deslocadas para propriedades menores e inférteis e sem terem emprego tiveram que ir para a capital morar em bairros periféricos. Interditamos as obras da base, tirando as máquinas e o Incra já fez o levantamento e nos deu a possa das terras, mas nosso medo é que tenhamos que sair por causa dos impactos, já que o centro fica praticamente nos nossos quintais”, esclarece.

Benedito Cunha ressalta ainda que “a empresa responsável pelas obras da base culpa as comunidades quilombolas, dizendo que elas atrasam o desenvolvimento do país”. “O Roberto Amaral, que é dono da empresa binacional ACS, que surgiu por causa de uma acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia tem espaço na mídia para dizer que somos culpados pelo atraso nas obras, mas queremos apenas nossos direitos”, destaca.
 
 
Texto e Fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL

Fonte:  www.cojira-al.blogspot.com

Pesquisadores pedem registro de reisado como patrimônio cultural

Uma área de 300 metros quadrados, coberta parcialmente com sapê, um mestre da cultura popular guiando com seus cânticos (ou toadas) o pequeno grupo que dança em reverência ao rei. Foi desta forma que terminou o primeiro dia de atividades do 4º Encontro Mestres do Mundo e o 3º Seminário Nacional de Culturas Populares, que vai até sábado (6), nos municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha (CE). Este é o cenário de um reisado, expressão da cultura popular que pode se tornar patrimônio cultural do Brasil.

O pesquisador Oswald Barroso, que participa do evento, defende o pedido de registro do reisado como patrimônio cultural como um dos encaminhamentos do seminário. Este ano, a capoeira e o processo artesanal de produção do pão de queijo foram assim reconhecidos.

“O reisado é um dos mais representativos. Está presente no conjunto do Brasil, incorporado na vida popular e, longe de desaparecer, há cidades no Ceará, por exemplo, que reúnem mais de 50 grupos de reisados de vários tipos. Além disso, tem uma complexidade que eu penso que outros folguedos não têm. Um apanhado dessas nuances seria fundamental não só para entender o Brasil, mas a alma humana”, defende o pesquisador.

No Cariri, região ao sul do Ceará que sedia o evento, a cultura do reisado é muito forte. Na verdade, é uma das expressões da cultura popular mais presentes no território brasileiro, que ganha formas e criações de acordo com o lugar. Há pelo menos quatro tipos de reisados: o de congo, o de caretas, as bandas cabaçais e as torés indígenas.

Pela tradição, o rei representa um dos reis magos – escolhidos por Deus para conhecer seu filho (Jesus) – e conduz seu povo. O que se observa nas apresentações é o caminho para chegar lá, onde o povo encontra criaturas, inimigos, e têm que combatê-los. A história se mistura à luta dos escravos nos quilombos, que tinham que batalhar pela vida e pelo território com índios e brancos. O reisado é considerado uma tradição do período natalino, ao contrário dos bois, que são do período junino.

Oswald, que é ator, jornalista e sociólogo, tem dois livros sobre a tradição e desenvolveu a teoria do “teatro como desencantamento”, com base em seus estudos de mais de duas décadas sobre o reisado.

“O reisado é a incorporação do arquétipo do rei, que, dentro de cada roceiro, cada carroceiro, cada biscateiro, há um rei dentro de si. Eles vivem desencantados nessa vida comum, e, na brincadeira, eles se encantam e entram em outra dimensão da realidade, do maravilhoso. Nessa dimensão, eles são reis, rainhas, embaixadores. Então eles vivem a dimensão do eterno, do paraíso, da utopia. Vivem a dimensão do sagrado”, sintetiza.

O pesquisador da Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro, Afonso Furtado, conta que o reisado já quase desapareceu da Baixada Fluminense pela falta de incentivos. Por isso, considera que oportuna a proposta de registro do folguedo.

“É uma idéia muito apropriada para o momento. E é um desafio para nós porque, à medida que o reisado vai do Amazonas ao Rio Grande do Sul apresentando diferenças claras, teremos que registrar tudo. É um desafio, mas não é impossível”, afirma.

Fonte: http://www.pernambuco.com/
Da Agência O Globo

Alemanha: Campeonato Alemão de Capoeira

Entre os dias 12 e 14 de Maio , será dado na cidade de Nuernberg um grande passo rumo a inclusao da Capoeira como esporte de demonstração na Olimpiadas de 2012.

 

Isso é o que pretende o Deutsch Verein für Capoeira , na pessoa do Presidente da entidade, Mestre Paulo Sorriso ”Estamos na luta a muito tempo aqui em territorio europeu no sentido de unir os grupos em busca de uma colocao da Capoeira como esporte olimpico e o primeiro passo para isso foi a fundação da Federeção Alemã de Capoeira e o evento que já conta com a participacao e o apoio de varios atletas e patrocionadores”

 

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CAIÇARA

Marcou época na história da capoeira… provocante, controvertido, alegre, atrevido, simpático… formou uma das equipes mais brilhantes de sua época… seus alunos primavam por exibir uma capoeira bonita de se ver e eficiente.
Nas palavras de Eduardo (A.. C. São Salomão/Recife/PE) foi : "Uma das lendas vivas da Capoeira; sua história mais parece tirada de livros de ficção…
Numa época em que o Pelourinho não tinha o glamour de hoje, Mestre Caiçara ditava as regras num território de prostitutas e cafetões; de traficantes e malandros. Todos tinham que pedir a sua benção. Gravou um dos principais discos da Capoeira Angola onde exemplifica os diversos toques de berimbau, além de cantar ladainhas e sambas de roda."

"Mestre Caiçara"
Antônio Carlos Moraes