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Carnaval na Bahia: Mestre Tonho Matéria em dose dupla

Tonho Matéria em dose dupla na segunda-feira: Cantor sai às 12h30 no Campo Grande e à noite no Movimento Afropop Brasileiro, como convidado de Margareth Menezes

Após começar o Carnaval com o bloco da Capoeira, no circuito Osmar (Campo Grande), Tonho Matéria se prepara jornada dupla na segunda-feira. Depois de fazer um show em Correntina (BA) no sábado, primeiro o cantor vai puxar um trio independente no Campo Grande, ao meio dia e meia. Às 20h30 ele participa do Movimento Afropop Brasileiro, bloco sem cordas de Margareth Menezes no circuito Dodô (Barra-Ondina). “Vai ser ótimo sair num horário tão legal, num trio sem cordas. Vai ter muito samba-reggae, ijexá e músicas ligadas a capoeira!”, diz Tonho sobre o desfile no Campo Grande.

O Bloco da Capoeira saiu, em seu quarto ano, às 21h da quinta-feira (03), com o tema meio ambiente e com sete alas: água, fogo, terra, ar, fauna, flora e vida. Cerca de duas mil pessoas – entre capoeiristas, percussionistas , dançarinos e foliões – participaram do desfile, que serviu de base para captação de imagens para o DVD de Tonho Matéria, com previsão de lançamento esse ano. O figurino de Matéria e das alas foi todo feito com material reciclado, pelos alunos da associação cultural Capoeira Mangangá, que o artista mantém no bairro de sete de abril.

Tonho Matéria:

Foi vocalista do Ara Ketu, Olodum e, entre bandas e carreira solo, já lançou sete álbuns. Compositor, tem mais de 600 músicas registradas – várias gravadas por nomes como Daniela Mercury (Olha o Gandhy aíVulcão da Liberdade), Ivete Sangalo (Pra abalarTimbaleiro) e Chiclete com Banana (Se me chamar eu vouMenina me dá seu amor), Asa de Águia, Beth Carvalho, Margareth Menezes, Olodum e Banda Eva.

Mestre capoeirista, Tonho mantém, desde 2001, a Associação Cultural de Capoeira Mangangá, que proporciona gratuitamente a jovens de comunidades aulas de capoeira, percussão, dança afro e curso pré-vestibular. O nome Mangangá é homenagem ao mestre de capoeira Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá.

 

Victor Villarpando 
71 8867.6107 | 71 7813.8814

Tonho Matéria agitou a Casa Brasil na Copa

O cantor, (Mestre de Capoeira)* e compositor Tonho Matéria retornou da África do Sul, onde fez show na Casa Brasil – iniciativa do governo para divulgar o Brasil na Copa. Além de repertório e figurino especiais (uma Tapa, em reverência ao Muzenza e aos blocos afro, feita por Tânia Regina, que também veste Léo Santana/Parangolé e o Olodum), o artista, que é mestre de capoeira, convidou os alunos da filial moçambicana do seu projeto Capoeira Mangangá/Arte Viva. Os garotos fizeram apresentações de maculelê, capoeira show e danças afro. Um deles, inclusive, é celebridade local: Leonel Estevão (Pemba, na capoeira) é ex-Big Brother 4 de Moçambique.

A Casa Brasil é uma parceria entre os Ministérios do Esporte, do Turismo, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores, Apex, Finep, o Comitê Organizador Local da Copa Fifa de 2014 no Brasil e as cidades-sede brasileiras. Além de Tonho, a carioca Mart´nália também fez parte do projeto.

*Grifo Luciano Milani

Fonte: http://www.carnasite.com.br/

Capoeiristas participam de encontro em Belém do Pará

O grupo de Capoeira Angola Pai e Filho, juntamente com outros mestres e contramestres de capoeira de Salvador, irão participar do I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura. O evento será realizado entre os dias 14 e 21 do mês corrente, em Belém do Pará.

O I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste tem o objetivo de promover a troca de experiências entre os participantes. Durante o encontro serão realizadas oficinas de capoeira, batizados e palestras com grandes mestres de capoeira do Brasil.

Veja abaixo relação dos mestres que irão representar a Bahia:

Pelé da Bomba / Tonho Matéria
Baixinho / Angola
Santa Rosa / Carlinhos
Faísca / Máximo / Sasá
Pequeno Mestre / Já Morreu

Aconteceu: Encontro lança Bloco Afro Capoeira nesta sexta

Tonho Matéria é um exímio capoeirista, com mais de 30 anos dedicados à arte. E, como mestre, há muito tempo vem alimentando o sonho de criar o primeiro bloco sobre o tema do mundo.
Amanhã, esse desejo começa a se tornar realidade com o lançamento do Bloco Afro Capoeira, que abrirá o Carnaval baiano de 2008.
O evento será realizado no Forte da Capoeira (Largo de Santo Antônio Além do Carmo), a partir das 14h.

“Há quatro anos venho tentando colocar a capoeira como tema do Carnaval. Contei com a parceria do (jornalista e produtor cultural) Badá, de Clarindo Silva, e do mestre Boa Gente, que ajudaram muito a conquistar esse espaço”, revela Matéria, que idealiza um megadesfile. “Se juntarmos todos os capoeiristas, cada um com sua própria fantasia colorindo a avenida, teremos 500 mil pessoas nos acompanhando. Só em Salvador são 50 mil praticantes catalogados pela Federação de Capoeira da Bahia (Fecaba)”, conta.

 
Nesta sexta-feira, 7, será lançado o Bloco Afro Capoeira, que abrirá o Carnaval de 2008. O evento acontecerá em um coquetel dentro da programação do VI Encontro Cultural & Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá, no Forte da Capoeira (Largo de Santo Antonio Além do Carmo), a partir das 14h. O encontro não acontece apenas entre capoeiristas, ele é aberto ao público.
 
Farão parte da apresentação: o Afoxé Filhos de Gandhy, tocando clarins; o Coral da Unimed, executando músicas de capoeira, com o maestro Carlinhos; palestra sobre a importância do Forte da Capoeira; show da Orquestra Percussiva do Pelô com o mestre Bira Jackson; do Samba de Viola do Mestre Pelé da Bomba, com participação especial das Ganhadeiras de Itapuã; e de Tonho Matéria, que vai interpretar canções sobre a capoeira, como Paranaê, Ôsimsimsim e Vou dizer ao meu senhor que a manteiga derramou.
 
O jornalista paulista Mano Lima, colunista do Portal Capoeira e editor da revista Capoeira em Evidência, estará presente no coquetel, lançando o Dicionário de Capoeira (3a. edição revista e ampliada) e o livro infantil Eu, você e a capoeira. A equipe de Negra Jhô será responsável pelo receptivo do evento.
 
Ainda na sexta-feira, foi montada uma programação especial de capoeiristas. Dois ônibus só com mulheres praticantes da arte seguirão para a Costa do Sauípe às 17h, onde participaram de palestras, workshops, roda livre feminina e apresentação de Maculelê/Puxada de Rede com as Contra-Mestras Bia e Kaká.
 
No sábado, 8, o evento continua em Sauípe, com samba e aulão na Praia da Oca com os Mestres Val Boa Morte e Marcos Gytauna, às 11h. Pela tarde, a programação continua com o Workshop de Berimbau com Mestre Reginaldo (16h), palestra com o Mestre Máximo sobre Capoeira e os Zuavos (18h), Roda Livre com todos os Mestres, Contra-Mestres e professores organizada pelos Mestres Tonho Matéria e Boa Gente (19h) e show com a banda Olodum, às 21h30.

O encontro será encerrado no domingo, 9, às 9h, na Escola Linces (Jardim das Margaridas – Itinga), com o batizado e troca de cordas coordenados pela Associação de Capoeira Toques de Berimbaus (Mestre Reginaldo) e Associação Cultural de Capoeira Mangangá (Mestre Tonho Matéria), com roda de Mestres, Contra-Mestres, Professores e Formados, roda de alunos, apresentação de Maculelê, Puxada de Rede e capoeira-show.

 
Carnaval – Com o tema “Capoeira e suas Culturas Aparentadas” escolhido para o carnaval de 2008, o Bloco da Capoeira desfilará na quinta-feira, fazendo uma homenagem ao Bezouro Mangangá, ou Manoel Henrique Pereira, soldado do Exército nascido no século XIX, em Santo Amaro da Purificação, e capoeirista conhecido que, segundo a lenda, tinha poderes sobrenaturais. Para contar essa história e tantas outras, o Bloco da Capoeira trará diversas alas, dentre elas a das baianas, Zuavos, ciclistas (para lembrar daqueles que não têm dinheiro e vão para aula de bicicleta), Maculelê, Puxada de Rede, Caboclo e Orixás.
 
O Bloco da Capoeira não será comercializado. As inscrições começam no dia 7, com o lançamento do projeto, e poderão ser feitas através do site www.capoeiramanganga.com.br, ou do e-mail mmanganga@hotmail.com . Mais informações através dos telefones: 9919-7093 e 3256-9806.
 

Capoeira Mangangá realiza encontro internacional

Capoeira, samba e axé music movimentam a Bahia na Semana da Independência. Capoeiristas do Brasil, Argentina, Espanha, México, Estados Unidos e Austrália participam do VI Encontro Cultural e Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá. A programação acontece de 2 a 10 de setembro, em Salvador e outros municípios baianos, sob a coordenação do mestre Tonho Matéria. Aluno dos mestres King Kong e Macaco, Matéria é cantor, compositor e percussionista. Músico profissional, desenvolve projetos de inclusão social no bairro do Pau Miúdo, onde nasceu. Ex-vocalista dos blocos afro Ara Ketu, Ébano, Afreketê e Amantes do Reggae, compôs mais de 300 canções, gravadas por grandes intérpretes da música popular baiana e brasileira. Hoje, canta no Olodum, é diretor da Liga Baiana de Capoeira (LIBAC) e produtor de eventos.

Durante nove dias, cerca de 800 capoeiristas de três continentes participam desse intercâmbio cultural e esportivo, promovido pela Associação Cultural de Capoeira Mangangá –com o apoio do Forte da Capoeira, Terreiro de Jesus, Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA, Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Prefeitura de Salvador e Governo da Bahia. No intervalo das atividades de capoeira, ocorrem vídeo-conferências, mesas- redondas, circuito histórico-cultural, visitas a museus e passeios opcionais.

Paralelamente, acontece XIV Encontro ACTB, com batizado e comemoração do aniversário do Mestre Reginaldo. Rodas livres, oficinas, papoeira e palestras sobre educação, saúde e turismo afro completam a programação. Entre os convidados especiais estão os mestres Marcos Gytauna (Argentina), Amém (Estados Unidos), Val Boa Morte (Austrália), Magayver (México), Boa Gente (Brasil), Gilson (Austrália), Boi (Estados Unidos) e Catitu (São Paulo).
No tarde de cinco de setembro, a programação ficou por conta do Mestre Boa Gente, que realizou animada roda em sua academia, no Vale das Pedrinhas. À noite, o destaque foi o Curso de Capoeira Infantil, ministrado por mestre Raimundo Kilombolas.

No dia sete de setembro, à tarde, acontece um grande evento no Forte da Capoeira, quando serão lançados o bloco carnavalesco Afro Capoeira – dirigido por Tonho Matéria – e os meus livros “Dicionário de Capoeira” (3ª. Edição) e “Eu, você e a capoeira” (infantil). O Afoxé Filhos de Gandhy, o coral da Unimed e a Orquestra Percussiva do Pelô animam a festa.

Depois, os participantes do encontro, seguem para Sauípe, onde haverão rodas livres, apresentações de maculelê e puxada de rede e um show do Olodum. O evento termina no domingo, na Escola Linces, em Itinga, com a tradicional cerimônia de batizado e troca de cordas, coordenada pelos mestres Reginaldo e Tonho Matéria.

 
Confira a programação
 

DIA 5 – QUARTA-FEIRA
10:00h – Curso infantil de capoeira com Mestre Raimundo Kilombolas
Local: Rua Professor Soeiro 18 – Bairro Pau Miúdo
14:00h – Passeata Orquestra de Berimbaus
16:00h – Roda de Capoeira
Local: Vale das Pedrinhas
Organização: Mestre Boa Gente
19:00h – Palestra sobre GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
20:00h – Roda Livre de Capoeira
Local: Rua Professor Soeiro 18 – Bairro Pau Miúdo

DIA 06 – QUINTA-FEIRA
10:00h – Aulão Integração Social
Local: Ginásio de Esporte da Escola Parque Caixa D’água
14:00h – Manifestação contra a violência e drogas
Local: Saindo da Escola Parque até o Bairro do Pau Miúdo
18:00h – Palestra com Mestre Dedé
Tema: Vivencia do Mestre Dedé e o Grupo Kilombolas
19:00h – Palestra com a Vereadora Olívia Santana
Tema: Políticas Públicas para a Capoeira
20:00h – Roda Livre de Capoeira
Local: Conselho de Moradores – Quadra C Final de Linha (Bairro Sete de Abril) ao lado do posto médico
21:00h Recreação opcional: Ensaio do Olodum

DIA 07
14:00h – Coquetel de lançamento do Bloco Afro Mangangá (Carnaval 2008)
Recepção: Negra Jhô
Abertura: Afoxé Filhos de Gandhy tocando clarins
Apresentação do Coral (UNIMED) executando músicas de capoeira (Maestro
Carlinhos)
Palestra com Dr. Leal (falando sobre a importância do Forte da Capoeira)
Apresentação por Slide sobre o Bloco Afro Mangangá
Apresentação da Orquestra Percussiva do Pelô com o (Mestre Bira Jackson)
Apresentação do Samba de Viola do Mestre Pelé da Bomba
Lançamento dos livros "Dicionário de Capoeira (3a. edição revista e ampliada) e "Eu, você e a capoeira" (livro infantil) do jornalista Mano Lima, colunista do Portal Capoeira e editor da revista Capoeira em Evidência.
17:00h – Saída para Sauípe
19:00h – Roda Livre Feminina e Apresentação de Maculelê / puxada de rede com Contra Mestra Bia

 
Dia 8
09:00h – Café da Manhã
10:00h – Arrastão com Sambão nos Hotéis
11:00h – Aulão na Praia da Oca – com os Mestres Val Boa Morte – Marcos Gytauna
12:00h – Almoço
16:00h – Work Shop de Berimbau com Mestre Reginaldo
18:00h – Palestra com o Mestre Máximo (Tema: Capoeira e os Zuavos)
19:00h – Roda Livre com todos os mestres contra mestres e professores
21:30h – Show do Olodum
 
DIA 09
09:00h – Batizado, Troca de Corda –
Juntos: Associação de Capoeira Toques de Berimbaus (Mestre Reginaldo e Associação Cultural de Capoeira Mangangá (Mestre Tonho Matéria), Roda de Mestres, contra Mestres, Professores e Formados
Roda de Alunos, Apresentação de Maculelê, Puxada de Rede e capoeira show
Local: Escola Linces – (Jardim das Margaridas) Itinga
19:00h – Recreação Opcional: Ensaio do Afoxé Filhos de Gandhy
 

Informações: Tonho Matéria – (71) 8126 9333

 

Capoeira Mangangá - Encontro Cultural e Intercâmbio Internacional de CapoeiraMano Lima (*)

 

(*) Enviado especial do Portal Capoeira, o autor é jornalista e editor da revista Capoeira em Evidência

Mano Lima, jornalista

(61) 8407 7960 mano.lima@yahoo.com.br
www.manolima.portalcapoeira.com

Mestre Tonho Matéria lança novos CDs

Mestre Tonho Matéria lança novos CDs de Capoeira, sendo um deles em parceria com Mestre Dedé, Salvador, BA
 
            Já estão na praça mais dois novos CDs de Capoeira que contam com a participação e produção de Mestre Tonho Matéria (Antonio Carlos Gomes Conceição). O primeiro é produção própria, e recebeu o título de "SOU MANGANGÁ", nome de seu grupo, que por sua vez é uma homenagem ao lendário Besouro Mangangá. O CD "SOU MANGANGÁ" foi gravado em Salvador nos Studios WR Discos, e produzido pelo Mestre Tonho Matéria em parceria com Nestor Madrid. O lançamento ficou a cargo da POLYDISC (GAL GRAVAÇÕES ARTÍSTICAS LTDA), com fotos por Osmar Gama. É um Cd que resgata a totalidade da música e da capoeira na Bahia. Com letras que prestam homenagem a vários grupos de capoeira e a vários mestres inclusive ao mestre Boa Gente. Contatos: (71) 9919-7093 e (71) 3256-9806, ou então por email: tmmanganga@hotmail.com
 
 
            O segundo CD é o "KILOMBOLA MANGANGÁ", uma parceria entre o mestre Dedé (Grupo Kilombola) e Tonho Matéria (Associação Cultural de Capoeira Mangangá). Foi gravado em Salvador no Studios  BPM em 2004, com fotos por Osmar Gama.. É um Cd independente, podendo ser adquirido pelo telefone (71)  9919-7093 e  3256-9806 (mestre Tonho Matéria) ou  então com o Mestre Dedé: (71) 8822-1118 e (71) 3365-4108, ou ainda por email: capoeirakilombolas@ig.com.br
 
 

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

A saga do Negro Capoeira

Interlúdio de alguns capítulos para contar a saga do negro capoeira conhecido como King Kong
Crônica escrita por Mestre Tonho Matéria, onde o autor conta parte de sua própria história
 


Roberto? E quem disse que ele não era mole?
 
Um menino cheio de energia que fazia nas ruas do seu bairro um centro de vandalismo, uma espécie de membro da Nagoas que como um ser malta desequilibrava a esperança de paz dos seus vizinhos.
 
Carrasco lembra bem, certo dia quando encontrou pela primeira vez com ele na Praça da Sé sentado num dos bancos que ficava ali esperando alguém para o ócio, matutando algo que iria de uma forma não tão suntuosa, provocar um ato de alvoroço. Vestido com um macacão azul onde tinha o emblema do Liceu Arte e Ofício, que era o colégio onde estudava, isso era o que naquele momento demonstrava o nagoa. Sua mãe, dona Elza, uma negra descendente de africana legítima, ou seja, uma original filha de Luanda, não escondia o amor por ele, e nem conseguia dormir direito, porque seu quase primogênito não tinha horas para chegar a casa, vivia o tempo inteiro no meio das ruas, muitas vezes pongando em ônibus, o que chamamos de surfista de asfalto, desafiando a lei da sua própria gravidade.
 
Seu pai um quase Manuel Querino e sábio do seu povo onde, com gratidão, levava a vida inteira contando causos do tempo dos seus ancestrais. Ele era um homem de caráter forte e de sinceridade à flor da pele, conhecido como Mané do Burro, um mercador ambulante que vivia de calçadão em calçadão vendendo seus limões para levar pra dentro de casa o édulo que com muito esforço, e merecimento, era conseguido,  transformado-o em satisfação. Seus irmãos, dois descendentes também quase legítimos de Angolano, conhecidos como Barata e Negrura, eram os mais centrados de todos. Barata vivia falando consigo mesmo e não gostava muito de prosa. Já Negrura, por ser o mais velho dos três, tinha uma maneira diferente de se comportar com as pessoas. Ele andava jogando dama na porta do armazém de Branco, e assim levava sua calma vida de um rapaz que compreendia a vida que tinha.
 
Já seu irmão casula não, ele era um terror e não conseguia um minuto se quer deixar os vizinhos em paz. Muitas vezes foi preso pela guarda do bairro por estar fazendo baderna, e isso, simplesmente, por jogar pedra ao telhado do vizinho ou por procurar intrigas com quem passava quieto.
 
Ouve uma ocasião em que ele ficou de plantão na porta do mercadinho de Louro a espera de Panela, um garoto boxeador que morava na rua de baixo, conhecida como Rua das Pedreiras, por cisma. Só que teve um dia que ele se deu de mal com Panela, levando alguns cruzados no rosto, acompanhados de diretos e ganchos. E com isso levou-se anos e anos pra ser desmistificado esse rancor. Eles cresceram, se tornaram adultos, e não conseguiam se separar da infância. O menino era assim mesmo, um valente guerreiro que não sabia o que o destino estava protocolando para a sua vida.
 
Quando já trabalhando na Limpurb (Empresa de Limpeza Publica Urbana), continuava a cometer os mesmos atos de antes, era um erê com sua brasilerança de truculentos modos de agitar. Certa feita conseguiu escapulir da garupa do caminhão onde pegava os lixos que as donas de casa deixavam na porta, se ralando todo, tendo vários ferimentos em toda parte do corpo, e mesmo assim não aprendeu. A sorte dele foi que naquela época a empresa obrigava os seus funcionários a usarem um macacão cor de abóbora, com uma faixa em forma de um xis incandescente, para avisar aos motoristas que havia perigo, ou seja, homens trabalhando para limpar a cidade e ao mesmo tempo correndo risco de vida pendurado no que chamamos de "carro de lixo". Mas pra ele isso não importava muito e não tinha um valor se quer, não pensava muito em constituir família e nem tinha medo da morte tanto que fazia da sua vida um coquetel de riscos. Acredita-se que o mais importante disso tudo foi o que estava por vir, e nem ele mesmo teria noção disso.
 
O mais engraçado de tudo é a maneira como ele é, até hoje, conhecido e chamado no bairro por "Nenenquinha". E não perguntem qual a origem da palavra que ninguém saberá explicar. Talvez seja por conta de suas pelas travessuras, ou se, quando ainda era bebê, fosse a alcunha gerada por sua mãe por chamá-lo de Neném e os vizinhos de Quinha e daí surgiu Nenenquinha, uma junção de dois nomes carinhosos. Isso é uma hipótese! Na verdade o segredo do nome foi com dona Elza para o jardim dos espíritos de luz e lá ficou para sempre.
 
Voltando a falar de sua mãe, Elza foi uma verdadeira dona de casa que tinha em sua particularidade o segredo e sagrado dom de proteger. Proteção essa que virava noites e mais noites sentada na porta da casa esperando o último dos três filhos entrar e se deitar. Era uma pessoa maravilhosamente meiga e cheia de vigor. Não poupava uma bacia de roupa suja, ela lavava de ganho e mesmo aparentando seus 60 anos, que mais parecia uns 30 de tanta energia que esbanjava, não conseguia ser uma mãe descontente dos seus atos de ser sempre uma mãe exemplar. Brigava com qualquer um por causa dos seus bambinos, e não dispensava uma surra neles também. Na verdade todo povo de Ogum é assim mesmo, bastante guerreiro e imbatível.
 
Varias e varias vezes dona Edith ficava batendo papo até altas horas fazendo companhia a mãe Elza, como era chamada pelos meninos. Coitada, morreu cedo demais para uma mulher que era tão forte espiritualmente. Mais é isso mesmo, é o caminho de todos os negros que ainda vivem num quilombo sem ter certeza que a vida pode mudar a sorte de ser um doutor, o que na verdade aconteceu com seu tão protegido e amado filho.
 
Recordaremos um episodio que acontecera na Cidade Nova, quando um bloco de percussão passava arrastando o povão era uma zona danada, e ao mesmo tempo gostoso de ver o SPP passar tocando suas batucadas. Quando de repente, quem estava batendo nas pessoas? Ele, o próprio Roberto Nenenquinha, o temido pelas pessoas da área. O que tinha de bom era que ele nunca precisou usar armas para se defender, ele tinha já os punhos preparados para seus ataques sombrios. Mais com sempre terminava apanhando também ou indo preso.
 
Nenenquinha teve uma infância normal como qualquer criança do gueto tem. Foi vendedor de picolé e carregador de compra, e um dia tivera um sonho que iria modificar a sua vida. Aos pouco foi se descobrindo como negro e sabia que tinha uma razão mais profunda para se concretizar no universo, e ai conheceu uma dança que era uma mistura de luta que se espojava pelo chão e quem fosse de verdade o babalaô dessa dança não se sujava. Tomou gosto e mergulhou de vez e até hoje não conseguiu voltar do fundo do oceano dessa dança.
 
Que magia tem essa dança que não deixa ninguém viver sem falar nela? Principalmente quem a conhece e lhe tem como um guia protetor. Será que há magia e mistérios guardados com seus criadores que eles não conseguiram contar porque não tiveram tempo de achar um indivíduo capacitado de adquiri-la? Ou será que Deus colocou nas mãos do dona da estrada e mandou que ele se virasse sozinho por ai para sair emergindo de dentro de si essa dança num formato de dois corpos dentro de uma roda viva para dar significado ao mundo? Fica aqui essa interrogação.
 

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