Blog

três

Vendo Artigos etiquetados em: três

Acre: Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Acreana que se destaca pela beleza é apaixonada pelo ringues e pela passarela. Conheça a musa do MMA acreano: Thayrine Mello, 19 anos

A atleta ressalta que no início teve dificuldades em ajustar os horários e o cansaço físico, mas os benefícios trazidos pelo esporte a fizeram superar os obstáculos. Para a acadêmica de direito, os três tipos de luta se complementam.

A beleza é o principal atributo, mas ela chama atenção mesmo é pela versatilidade no esporte. A acreana Thayrine Mello, de 19 anos, adiou suas competições no MMA, mas continua apaixonada por lutas. Agora, além do boxe, ela pratica capoeira e kung fu, em Rio Branco. O que começou por diversão virou vício. Sete meses após a estreia nos ringes, a bela jovem concilia os treinos das três modalidades, os estudos e a profissão de modelo.

VEJA ENSAIO FOTÓGRAFICO COM A MUSA DO MMA ACREANO!

– No começo foi difícil, mas com o tempo meu corpo se adaptou. Sou apaixonada pelo boxe, é meu preferido, ele me deu postura e defesa e isso ajudou nas outras modalidades. O kung fu me deu mais concentração. Surpreendeu-me. É uma arte aparentemente fácil, mas todos os movimentos são calculados e exigem muita força e resistência – explica.

Thayrine reconhece o valor da arte no esporte e define a importância da capoeira no seu dia a dia: uma mistura de todos os movimentos que pratica no boxe e no kung fu, com uma pitada a mais de ritmo e agilidade.

– A capoeira faz parte da cultura brasileira. Além de mesclar todas as artes é uma luta mais completa, mais artística, porque envolve um ritmo, uma dança, além de toda energia que existe nas rodas – frisa.

Pausa nos ringues

Thayrine estreou no MMA em abril deste ano contra a boliviana Miliane. Mas com apenas três meses de treino, a atleta perdeu o duelo. Apesar da derrota, ela destaca que a luta representa uma vitória pessoal.

– Lutei comigo mesma e contra o cansaço. Foi difícil, mas desci com a sensação de trabalho cumprido, com pouco tempo treinando, perdi por pontuação no ultimo Fight para alguém bem mais experiente.  Quando minha adversária me deu o primeiro knock down, logo no final do segundo Fight, meu corpo pedia para parar, mas não ia desistir, eu queria lutar até o fim – lembra.

A modelo afirma que a falta de tempo para treinar  para as competições adiou seu sonho de lutar profissionalmente. No entanto, a atleta  faz planos para voltar às disputas estaduais e destaca o aprendizado que obteve quando enfrentou a rival.

-No momento, não tenho condições de treinar para competir. Ano que vem talvez eu arrisque. Tirei uma grande lição da luta, adquiri mais disciplina e aprendi que derrotas também são necessárias. Foi um grande desafio absolver, mas teve grande importância no meu crescimento na arte – conclui.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Escravos, Capoeira, Capoeiragem…

 

Segundo o nosso querido e saudoso Mestre Decanio “Galera et Caterva… Um bom complemento para história da capoeira…”

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista.

o       A arte marcial (ainda) não era um crime.

§        Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruindo engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Ø      Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

o       Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras[1], historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

§        Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos.[2]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

§        Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio[3].

·        Esses estivadores[4] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias [5]para ver quem era o mais hábil.

§        O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa. [6]

o       Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.

Ø      “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

o       As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. [7]

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem”.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras, que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

o        Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

Ø      A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá[8].

o       Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias,  os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø       Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para manter a ordem[9].

o       Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

o       Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 

 

GUERRA NAS RUAS

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I, que acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos.

Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios.

Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos, que exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Ø      Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. [10]

A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o “imperador tirânico”, um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando “constituição” e “independência”. Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.  Os xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas.Capoeiras[11] distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

  • A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como “as noites das garrafadas”.[12]
    • A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

Ø      O apoio dado pelos capoeiras [13]à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio.

o       Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

§        Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores.

Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada “gente preta”. O temor acabou se traduzindo em repressão, mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos.

Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa; Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

Ø      “Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada”, afirma o historiador Soares.

o       “Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti.”

§        Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas.

·        Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos.

Ø      A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

 

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro.

Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto.

De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas.

Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime[14]

o       Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19.

A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Ø      Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer.

o       Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791.[15] Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar.

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Ø      Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

o       Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

§        Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

Ø      Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

o       Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial.

§        Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. [16]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

o       O nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores[17] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.[18]

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. [19]

As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade.

Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.[20]

“Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa.

Ø      Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

o       A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem.

Ø      Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem[21]“.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras.,que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

Ø       Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banida[22]s.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados[23], que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias, os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.[24]

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras.

Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos.

Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados.

Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø      Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, manter a ordem.

Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Ø      Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 


[1] Grifo AADF

[2] Idem

[3] Idem

[4] Observe-se que esta é uma atividade da população portuária. Grifo e observação de AADF.

[5] Idem

[6] Capoeira como sinônimo de capoeirista. Nota AADF

[7] Grifo AADF

[8] Idem

[9] Idem

[10] Grifo AADF

[11] Idem

[12] Idem

[13] Capoeirstas.Nota AADF

[14] Grifo AADF

[15] Idem

[16] Idem

[17] Idem

[18] Por metonímia. Nota AADF

[19] Idem

[20] Grifo AADF

[21] Idem

[22] Idem

[23] Idem

[24] Idem

 

Texto: Angelo Augusto Decanio Filho – 16/01/2007

Vem Capoeirar: Festival de Arte, Cultura e Capoeiragem

Associação Sociocultural de Capoeira Regional Bimbaê, realizará nos dias 29 a 31 de Agosto de 2013, o “Vem Capoeirar: Festival de Arte, Cultura e Capoeiragem”, no município de Camaçari/BA, conforme programação anexa.

Dentro do evento, realizaremos o nosso I Concurso de Quadras e Corridos da Capoeira Regional. Os três primeiros colocados receberão premiações em dinheiro (totalizando R$ 800,00).

 

Inscrições e maiores informações: capoeirabimbae@gmail.com

 

Você é nosso convidado!

Assista nosso vídeo convite:

{youtube}Xxvovzrvaes{/youtube}

Nestor capoeira: Encontros com grandes Mestres – Pastinha

Alo rapaziada… Neste mes de setembro vou falar de outro primeiro encontro marcante com os grandes mestres do passado: meu encontro com mestre Pastinha em 1969, em Salvador. Eu estava no Grupo Senzala (RJ), tinha 23 anos e acabara de receber minha “corda-vermelha” (a graduação mais alta da Senzala); e mestre Pastinha tinha 80 anos e ainda comandava a roda num sobrado no Largo do Pelourinho (Salvador). Espero que vocês curtam, Nestor.

Cheguei no Largo do Pelourinho, nº19, uns 15 minutos antes de começar a roda.

É óbvio que não botei minha corda-vermelha na cintura pois sabia do antagonismo entre capoeiristas baianos e cariocas, e de regionais versus angoleiros – e o Grupo Senzala, ao qual eu pertencia, e que começava rapidamente a tomar um lugar de destaque no cenário nacional depois de ser tri-campeão do Berimbau de Ouro (em 1967, 1968 e 1969), era carioca e inspirava-se na regional de mestre Bimba.

Além disto, eu estava numa posição super-delicada: o Ballet Brasileiro da Bahia, cujo corpo de baile era formado pelas dondoquinhas mais patricinhas e ricas de Salvador, tinha feito uma excursão se apresentando nos melhores tearos do Rio de Janeiro (Teatro Municipal), Vitória, Belo Horizonte, e agora finalizavam a turnê em sua cidade natal – Salvador. OBallet estava em contato com  a Dalal Ashcar, uma ricaça que morava no Rio e que amava e patrocinava a dança clássica, e tinham chamdo os três primeiros-bailarinos e as duas primeira-baliarinas do Teatro Municipal do  Rio de Janeiro para dar um lance profissional ao Ballet. O espetáculo tinha números de dança clássica, moderna, jazz, e também de “folclore” – samba, bumba-meu-boi, congada, maculelê e capoeira. Inusitadamente o Ballet da Bahia não chamou capoeiristas de Salvador para compor o elenco; chamaram três capoeiras do Grupo Senzala do Rio: Augusto “Baiano  Anzol” (que hoje é professor de Educação Física e Diretor do Departamento de Artes Marciais da UFRJ), o falecido Helinho, e eu (Nestor Capoeira).

 

Por todas essas, quando cheguei em  Salvador no fim da tournê pelo Brasil, eu fui em Pastinha sozinho e “disfarçado”: calça e camisa brancas, sapatos (regional joga descalço, mas angoleiro só joga de sapato), e dizia para todos que era mineiro – disfarçando, também, o “s” com o chiado de “x”.  Eu dizia que era mineiro, o que não era exatamente uma mentira – tinha nascido em Belo Horizonte mas fui criado no Rio desde os 2 anos de idade.

 

O sobrado onde mestre Pastinha dava aulas não era exclusivo da capoeira, Pastinha só podia utilizá-lo dois ou tres dias na semana por algumas horas; haviam outros lances que tambem funcionavam lá.

Eu cheguei cedo, pensando que a sala do sobrado ia estar lotado. Mas não tinha ninguém. O salão estava vazio. Só tinha um cara, que eu saquei que devia ser o zelador, comendo um “prato feito”, sentado perto de uma das janelas.

– Quem é que está aí?

– Sou um visitante de Minas Gerais.  Estava querendo saber se era possível assistir à roda do mestre Pastinha.

– Chegue mais, meu filho.  O pessoal deve começar a chegar daqui a pouco.  Aceita almoçar?

Declinei o convite e fiquei sentado, ao lado do corôa, trocando uma idéia e observando pela janela o movimento no Largo do Pelourinho, logo abaixo.  De repente, olhei com mais cuidado o rosto do velhinho e subitamente percebi que já o conhecia de fotografias ; não era zelador, nem varredor porra nenhuma, era o próprio mestre Pastinha.

Fiquei tão emocionado com a simplicidade e o acolhimento caloroso do venerando mestre – um dos meus ídolos – que meus olhos se encheram de lágrimas.

Mestre Pastinha já tinha 80 anos, naquela época.  Quase já não enxergava mais nada, apenas sombras e vultos.  É dessa época, outra conhecida frase sua:

“Capoeirista, menino da menina dos meus olhos”.

 

Em mestre Pastinha havia um real alto-astral.

Mas, de maneira geral, havia tanta desconfiança entre capoeiristas que, alguns dias mais tarde, tomando cachaça e fumando uns baseados com uns capoeiristas malandros, no antigo Mercado Modelo (que “pegou” fogo, quando o governo quis mudá-lo de lugar, e os barraqueiros não), tive até que mostrar a carteira de identidade quando um dos malandragens me imprensou:

–  Tu não é mineiro porra nenhuma.  Minas Gerais não tem capoeira.

– Qual é, meu irmão, pra que eu ia mentir?

– Além do mais, tem todo esse papo de “qual é, meu irmão” da malandragem carioca.  Tá achando que nós é otário?

Com essa, o resto da galera, que tinha estado na roda de rua da qual eu participara, se sentiu ofendido.

– Essa porra desse carioca tá achando que nós é otário!

Insistiu meu interlocutor, e o grupo foi lentamente se fechando em torno de mim.  A coisa não estava boa e eu tive que apelar.

– Já vi que você é esperto.  Tão esperto que é capaz de chamar um cara de mentiroso e advinhar onde ele nasceu.  Então vamos fazer o seguinte: vou mandar descer seis cervejas.  Vou pagar as seis.  Agora se eu provar que sou mineiro, aí eu só pago três, e você paga as outras três.

A malandragem gostou.  Aplausos e risadas.  As seis cervejas geladérrimas, já sendo abertas, em cima do balcão.

– Agora é que eu quero  ver!

– Tu foi mexer com o cara!  Não foge da raia não!

Aí, puxei o brabilaque do bolso e dei uma carteirada no malandro – “data de nascimento: 29/9/1946, naturalidade: Minas Gerais”.

Foi um escracho geral.  Todo mundo entornando as cervejas, sacaneando meu interlocutor e, eu, o queridinho da rapaziada.

Mas percebi que tinha feito um inimigo. E me lembrei de meu mestre, Leopoldina: “o bom  negócio tem de ser bom pra todo mundo”.

Ora, eu não posso dizer que sou malandro, mas tive escola.  Além disto, sempre tive sorte.  E otário com sorte é duas vezes malandro. Então, reverti a situação.  Me virei pro interlocutor e mandei.

– Mas é o seguinte.  Eu não estava mentindo, mas você também não está totalmente errado.  Eu tenho viajado bastante pro Rio, fazendo umas tranzações por lá.  E peguei muita coisa do jogo de lá.  Você, como capoeira experiente, sacou a influência carioca.  Por isso, em tua homenagem, um camarada que conhece a fundo a capoeira, vou mandar descer mais três lourinhas geladas, por minha conta.

Foi um sucesso da porra!

 

Alguns anos mais tarde, nos 1970s, mestre Pastinha teve sua academia tomada pelas autoridades – o IPAC -, sob o pretexto das reformas do Largo do Pelourinho. Ao final das obras o espaço foi dado ao SENAC, uma escola de cozinha baiana com seu restaurante. Mestre Pastinha perdeu tudo, os móveis, mais de uma dezena de bancos de jacarandá, os berimbaus, os registros e fotos e reportagens.

Jorge Amado arranjou que recebesse um salário mínimo mensal. Era muito pouco para Pastinha, sua mulher, Maria Romélia de Oliveira que vendia acarajé, e seus três filhos. Sem falar de mais de uma dezena de filhos adotivos, a maioria já adultos em 1970. De sua academia, guardou apenas um banco de madeira onde se sentavam os tocadores de berimbau.

Mestre Pastinha – velho, cego, abandonado -, viveu os anos seguintes num quartinho, na Ladeira do Pelourinho, na miséria.

Finalmente, em 1979, ajudado por Vivaldo da Costa Lima, conseguiu que a prefeitura lhe cedesse um espaço na Ladeira do  Ferrão. Seus alunos, como João Grande e João Pequeno, davam as aulas, mas Pastinha já estava cego e amargurado

 

A capoeira de nada precisa, quem precisa sou eu… Quero falar com o Dr. Antonio Carlos Magalhães (o governador), há muito  tempo venho dizendo isto, mas ninguém me atende (484)

 

Em 1979 foi internado num hospital público onde ficou um ano e, ao sair de lá, foi para o abrigo público para idosos, Abrigo D. Pedro II.

Faleceu aos 92 anos de idade, em 13 de novembro de 1981, e seu amigo, o pintor Carybé, teve de pagar seu enterro.

Dia dos Pais: Arte e Capoeira em Família

Bruno, Rodrigo e Felipe seguem os passos do pai, o ator e capoeirista Beto Simas

Rio – Todo pai se enche de orgulho ao ver um filho escolher a mesma profissão que ele. Beto Simas pode multiplicar essa felicidade por três. Sortudo, o ator e mestre de capoeira é a maior influência de seus três garotos: Bruno Gissoni, 25 anos, Rodrigo, 20, e Felipe Simas, 19. Todos eles praticam a luta e agora até o caçula Felipe, que atua em sua primeira peça de teatro profissional, decidiu se dedicar à atuação.

“Eu fico muito orgulhoso de ver meus filhos seguindo meus passos. Mas confesso que tinha medo que eles fossem pelo caminho da capoeira porque, para mim, foi bem difícil ser aceito no meio”, assume Beto, conhecido também como Mestre Boneco. “O apelido veio porque, quando comecei, em 74, era branquinho de cabelo escorrido, diferente da maioria dos praticantes da época”, explica.

Apesar de todos os meninos serem atores — Bruno está no ar como Iran, de ‘Avenida Brasil’, Rodrigo será Bruno, na nova temporada de ‘Malhação’, e Felipe está em cartaz com a peça ‘Contos de Verão’ — é a capoeira que, definitivamente, une Beto a seus três filhos. “A capoeira está no nosso sangue e não tem jeito. Meu pai nunca obrigou a gente a fazer. Mas acho que o gosto veio como herança”, analisa Rodrigo.

Os nomes de batismo do trio também são curiosos. Na roda, Felipe é conhecido como Flecha, por ser ágil; Rodrigo é Tora, pois era o mais pesado e tinha um chute forte. Já Bruno é Empenado. “É que ele tinha a perna um pouco arqueada”, justifica Felipe. “Ele não gostava desse nome e até pensou em trocar. Mas a partir do momento que é batizado, não troca”, dedura o irmão, implicando com o brother mais velho.

Em casa, assim como durante a sessão de fotos que fizeram para a ‘Já É!’ no Clube Ginástico Português, na Barra, o clima é sempre o mesmo: um agarrado ao outro, brincando o tempo inteiro. Nem mesmo Bruno, que na verdade é enteado de Beto, se livra das implicâncias e piadas de família.

“Desde molequinho ele me escolheu como filho. Eu o considero meu pai mesmo, pois me criou desde pequeno e não tem como ser diferente. Às vezes eu fico confuso porque todo mundo pergunta: ‘E seu pai?’. Na hora eu falo do Beto”, diz Bruno. Mas para não criar constrangimentos, ele vai logo alertando. “É melhor não colocar isso, não. O meu pai biológico pode ficar chateado”, sorri, meio sem graça.

“Ele não veio de mim, mas é meu filho tanto quanto os outros”, frisa Beto, que cria Bruno desde que ele tinha 1 ano de idade.

E quando alguém cita a palavra padrasto para ilustrar a relação dele com o mais velho, a resposta está na ponta da língua. “Padrasto? Não sei nem o que é isso”, brinca Beto, completando: “Eu troquei mais fralda do Bruno do que do Rodrigo e do Felipe. Sabe como é, né? Para o primeiro filho você dá mais atenção, você tem mais cuidado. Com o segundo é tudo mais ou menos e no terceiro você já está craque, é bem tranquilo. Digo que o Bruno foi uma espécie de estágio para os outros dois”.

Sobre a inspiração para se tornarem atores, Bruno, Rodrigo e Felipe têm a resposta decorada: “Beto foi a inspiração e é nosso apoio”. O pai-coruja retribuiu. “O maior orgulho de um pai é saber que o filho está se encaminhando na carreia”, retribui.

 

Galãs que enlouquecem a mulherada

Em uma família de capoeiristas e ex-jogadores de futebol — Bruno e Felipe jogaram no Nova Iguaçu, mas trocaram os campos pelos palcos — ser ator foi o que realmente emplacou. Com a fama, o assunto em comum entre os três irmãos é o assédio das fãs.

“Às vezes, vamos fazer umas presenças no interior do Rio e, quando não tem segurança, a mulherada pula a cerca e vem para cima. Já chegaram para mim e falaram: ‘Deixa eu ser sua Suelen’”, diz Bruno, que está solteiro.

Para Rodrigo, as meninas tomarem a iniciativa pode ser bom. “Gosto quando a mulher é um pouco ousada”, analisa o rapaz, que se diz solteiro, apesar dos comentários de que ele estaria namorando Raquel Guarini, sua parceira do quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’. Na coreografia do funk, eles deram até selinho.

Já Felipe, o romântico da família, está estranhando o assédio. “Outro dia, uma menina gritou meu nome e eu pensei: ‘Será que é comigo?’. É gostoso, mas minha namorada fica com ciúme”, denuncia.

Para manter a forma e continuar arrasando por aí, cada um tem uma receita. Felipe diz que seu corpo foi esculpido pelo futebol. Bruno corre, joga futevôlei e capoeira. Já Rodrigo apela para alimentação saudável. “Amo um doce, mas não é sacrifício algum trocar por fruta. Mas, independentemente do que eu faça, minha estrutura é herança do meu pai”, avalia. E Beto? Como faz para manter o corpão aos 50 anos? “Faço musculação, mas tenho crédito por já ter malhado demais na juventude”, brinca.

 

Pai destaca as qualidades dos três filhos

Quem pensa que criar três filhos foi difícil para Beto Simas está enganado. “Foi um prazer, pois eles sempre nos acompanharam e sempre gostaram de estar comigo e com a Ana (mulher de Beto e mãe dos três)”, diz o eterno galã. E pai que é pai conhece bem as características de cada filho. A pedido da ‘Já É!’, Beto traçou um breve perfil de cada um deles.

BRUNO

“É o mais tímido de todos e o mais avoado também. Ele não está nem aí, não gosta de tirar foto, tem preguiça, sabe? Às vezes, para atender todas as fãs, junta todo mundo para uma foto só. É bem desligado também. Pode chover canivete ou pegar fogo em tudo que ele está tranquilão. Mas considero isso uma qualidade”.

RODRIGO

“É o meu filho mais persistente. Na capoeira, por exemplo, quando os três começaram, ele era pesado, gordinho e, por isso, tinha mais dificuldade. Ficava louco quando não conseguia aprender um golpe. Mas depois de crescido, continuou treinando e hoje é quem melhor joga capoeira”.

FELIPE

“Felipe é superdeterminado e rápido. É impressionante como ele aprende tudo de forma ligeira, no esporte e em questões de raciocínio. Na infância, ele aprendia qualquer esporte e jogava de igual para igual com os meninos maiores”.

 

Fonte: http://odia.ig.com.br

Márcia Moura prestigia graduação de capoeira em Três Lagoas

A prefeita Márcia Moura (PMDB) participou na noite deste sábado (17) da graduação de diversas crianças, jovens e adultos que fazem parte da escola de capoeira “Filhos da Coral”. A iniciativa é de André Luiz Feitosa dos Santos, conhecido como: professor Mangueira.

Há cerca de 10 anos, André tinha o sonho de desenvolver uma atividade que englobasse crianças e jovens. Seu objetivo era tira-los das ruas e dos riscos aos quais estão expostos diariamente. “Este projeto nasceu da minha preocupação com o futuro das crianças. Quero levar conhecimento, que vai desde os cuidados com higiene até a orientação sobre uma conduta correta diante da sociedade”, comenta.

As aulas capoeira estão presente nos bairros Paranapungá, Vila Verde, São João e São Carlos, e atende 180 pessoas, com idade a partir dos 4 anos. Igor Henrique da Silva, de 19 anos afirma gostar de participar do grupo de capoeira. “Estando aqui, evito estar nas ruas. Este é um importante aprendizado para a minha vida”, complementa.

Matheus Alexandre dos Santos Dias, de 11 anos, diz que aproveita os ensinamentos passados. “O professor nos fala que não devemos ficar andando pelas ruas. Quando saio da capoeira vou direto para casa”, enfatiza.

O projeto não tem custa mensal para os alunos, e a iniciativa conta com o apoio de patrocínios. “O único gasto que se tem é anual para realizar este evento em que o graduando recebe sua corda, camiseta, certificado e o jantar para duas pessoas, no valor de R$ 50”.

Durante o discurso Márcia Moura comentou sobre como ações deste tipo colaboram no cotidiano de uma cidade como Três Lagoas. “Projetos como este valorizam a sociedade, afinal ajuda a forma cidadãos. Costumo dizer que tudo é importante, mas a auto-estima também é fator necessário e isso só se consegue com cidadania e todos estes conhecimentos que são passados por meio da capoeira. Sociedade e Poder Público têm o dever de trabalharem juntos para a melhora na qualidade de vida das pessoas”, diz.

 

PROGRAMAÇÃO

 

A cerimônia contou com apresentações de danças africanas, jogo de capoeira, exposição de objetos usados na época da escravidão e a graduação de alunos e professores. Dentro da hierarquia os alunos puderam ser graduados com cordões: verde, amarelo, azul, preto, vermelho, vermelho e preto – para instrutor, e preto e branco para professor.

 

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

 

PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS/MS

Nota de Falecimento: Mestre Decanio

TRÊS “ERRES” FUNDAMENTAIS

Capoeira é uma palavra estranha…
que se escreve com um “rê” suave…
e se pratica com três “erres”…
o primeiro é o RITMO… o segundo o RITUAL..
o terceiro é o RESPEITO…
sem os quais não se joga capoeira!

 

Em homenagem ao amigo, parceiro e principal inspirador do meu trabalho…

 

Portal Capoeira, seus colaboradores, parceiros e amigos prestam esta singela homenagem a este discípulo de mestre Bimba, a este grande cidadão da Bahia e do Mundo e um dos principais mentores deste Projeto.

Mais do que um aluno do grande mestre, Decanio, foi sem duvida um dos companheiros mais chegados de Manuel dos Reis Machado… 

Foi médico, amigo, conselheiro, filho, irmão e um dos principais responsáveis pela criação e documentação da “Luta Regional Baiana”.

Uma importante dica é a visita obrigatória ao site CAPOEIRA DA BAHIA, organizado pelo saudoso mestreDecanio

Mestre Decanio, a quem considero um grande amigo, um exemplo… e acima de tudo o Pai do Portal Capoeira!!!

 

Leia todos os artigos relacionados:

Uma homenagem ao Mestre.

Luciano Milani

 

{youtube}g0AVRbdhR3U{/youtube}

Visite o site de Mestre Decanio e conheça um dos mais importantes meios de difusão de cultura e cidadania


Capoeira da Bahia Uma Escola de Cidadania

Capa
Apresentação
O que é Capoeira?
Amenidades
Atletas Especiais
Bibliografia
Boletim Virtual
Cidadania
Cultura
Debates
Downloads
Ética
Foto-Análise
História
Manuscritos de Pastinha
Gravações históricas de Mestre Bimba
Imagens
Literatura
Louvação
Medicina
Música
Notícias
Panteão de Mestres
Perguntas/Respostas
Preconceito
Terceira Idade
Técnica
Transe Capoeirano
Violência

 

O ano de 2011 foi um ano difícil para a capoeira com a morte de mestres importantes como o mestre Artur Emídio em Maio de 2011  e de Mestre João Pequeno em Dezembro do mesmo ano. Com eles perdemos as memórias e as vivências de um passado glorioso e rico da capoeira que ainda está por resgatar.

Para além do aspecto da memória da capoeira atravês da história oral transmitidas pelos antigos mestres, devemos ter em conta a dignidade de pessoas que dedicaram uma vida por esta arte afro-brasileira, por sua preservação e continuidade, tal com foram ensinados por seus mestres. Mestre Decânio estava, na atualidade, para a capoeira Regional de Bimba tal como estava Mestre João Pequeno para a capoeira Angola criada por Mestre Pastinha. Foram eles guardiões de um legado valioso que marca a contemporaneidade da capoeira.

Após título de Diego Brandão, Brasil está perto de ter capoeirista no TUF

Marcus ‘Lelo’ Aurélio passou nos três testes exigidos e espera receber o chamado do Ultimate para tentar o segundo título seguido para a país

Mais de 2,1 milhões de pessoas já assistiram no Youtube ao impressionante nocaute de Marcus Aurélio sobre Keegan Marshall, em luta realizada em 2009. O brasileiro usou movimentos característicos da capoeira e levou seu adversário à lona com uma meia-lua de compasso. Agora, Lelo, como também é conhecido esse filho do Mestre Barrão, está perto de ter a chance de mostrar toda a sua arte para um público ainda maior: ele está na fase final da seleção para participar da 15ª edição do reality show do UFC, o “The Ultimate Fighter”, marcado para começar no dia 9 de março.

Em Las Vegas, Lelo, seu irmão, Marcus Vinícius, e mais de 350 lutadores, selecionados entre mais de mil inscritos, realizaram testes para a próxima edição do programa, que agora terá transmissão das lutas ao vivo e em TV aberta nos EUA. Na edição 14, encerrada no sábado, Diego Brandão faturou a disputa do peso-pena e serve de inspiração para o brasileiro.

– Foram três fases. A primeira é de jiu-jítsu (sim quimono). Tem que saber rolar (lutar no chão), e metade já é cortada aí. Consegui passar também na segunda parte, a da luta em pé. E cheguei até o fim, que é a entrevista. Tinha muita gente e só restaram uns 60. Mas não falaram nada para ninguém, ficaram de ligar em uns 15 dias – disse Lelo, por telefone, ao SPORTV.COM.

{youtube}e0KfQE2-ZqA{/youtube}

Essa não é a primeira vez que Lelo tenta uma oportunidade no TUF. Na outra vez, ele ficou fora porque tinha poucas lutas, apenas três. Depois da frustrada tentativa, já fez mais dois combates e venceu ambos. Agora, está pronto para entrar na casa do reality show. E já sabe o que tem para mostrar aos telespectadores e ao UFC.

– Estou achando que vai dar. O povo está muito interessado em ver capoeira, algo diferente. Os caras aqui são a mesma coisa, todos pintam o cabelo, são americanos, quadrados. Um brasileiro de capoeira ainda não participou. Se não der agora, preciso fazer mais umas duas lutas e acho que eles me colocam direto no UFC sem precisar passar pelo TUF – declarou Lelo, que tem cinco vitórias e uma derrota no MMA.

De Recife para o mundo

O irmão de Marcus Aurélio, Marcus Vinícius, ficou fora da seleção do TUF, mas, segundo Lelo, também tem chances de ir direto para o UFC se vencer mais algumas lutas em outras organizações. Ambos moram em Vancouver, no Canadá, e são fruto de um projeto elaborado pelo pai, Marcos da Silva, o Mestre Barrão. Na década de 90, convidado por canadenses que gostaram de uma apresentação sua, ele levou o próprio grupo, o Axé Capoeira, para apresentações na América do Norte. Ganhou fama com a turnê, deu entrevistas para emissoras dos EUA e do Japão e foi passar um mês na Itália.

Em 92, Mestre Barrão voltou para o Canadá e ficou. Em 1996, montou sua primeira academia, que era tanto voltada para apresentações quanto para lutas. Ele tinha um objetivo em mente.

– As pessoas não acreditavam na capoeira como luta, e eu quis mostrar que ela é eficiente. Quem faz capoeira tem agilidade, flexibilidade e, por ser uma arte mais nova introduzida nos ringues, ganha no aspecto surpresa, na malandragem. Os lutadores de outras modalidades são eficientes, mas não têm a malandragem da capoeira. Malandragem de rua, que é usada até para sobreviver – explicou.

Mestre Barrão voltou para o Brasil e hoje tem grande fama no meio da capoeira. Com produção independente, revela que vendeu mais de 200 mil cópias de três edições do DVD de suas instruções e mais de 160 mil com mais outras três.

Fora isso, deixou seu conhecimento espalhado pelo mundo. Além de Marcus Aurélio e Marcus Vinícius no Canadá, ele também tem uma filha, Márcia, morando em Toronto, e mais um filho, Marcus Matias, ensinando a capoeira em Praga, na República Tcheca. E assim vai disseminando a cultura brasileira pelo mundo, seja dentro ou fora dos ringues.

– Além de ser eficiente, a capoeira é uma das maiores divulgadoras da língua portuguesa. Pois para aprender a cantar, precisa saber o português – finalizou.

 

Fonte: http://sportv.globo.com

Cidade de Deus promove cidadania e inclusão de jovens com evento esportivo

A manhã deste sábado foi marcada pela abertura dos I Jogos Abertos da Cidade de Deus, organizado pela equipe de Territórios da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH). Cerca de 400 jovens, com idades entre 09 a 15 anos, participarão do torneio, que vai até 11 de dezembro.O objetivo dos jogos é promover a cidadania e a inclusão destes jovens, que disputam dez modalidades esportivas: futebol, futsal, quatro modalidades de atletismo e três de artes marciais. Estão competindo os alunos dos projetos: Acomunicom, Aliança Ariri Capoeira, Bem Viver, CEACC, Águia de Charlote, CDD em Forma, Fanáticos por Futebol, Monte Sião e Ginga Brasil, além do SESI e do Centro de Referência da Juventude (CRJ).As modalidades esportivas acontecem em toda Cidade de Deus promovendo um entrosamento entre as três UPPs presentes no local – Quadras, Karatê e Apartamentos. Na abertura do evento foi feita a execução do Hino Nacional, pelos soldados Torres, Lemuel, Jaderson e Daniel, da UPP, que há três meses trabalham no projeto Educarte, que leva a música para 40 jovens. Alguns deles se apresentaram junto com os soldados.

O Major Romeu, comandante da UPP das Quadras, trouxe estes soldados de várias unidades para a comunidade, mas afirmou que o trabalho social da PM não para por aí. Os policiais treinam Jiu-jitsu, futebol, capoeira e karatê, além de ajudarem no reforço escolar. As atividades contam com o apoio do CRJ e de uma igreja, que cederam seus espaços.

– Hoje as equipes de Jiu-jitsu e a de futebol, que têm ao todo 400 alunos, estão competindo a convite no aniversário da UPP do Morro dos Macacos”, concluiu.

Na abertura, o Mestre Darli da Silva Costa, do grupo Aliança Ariri Capoeira, fez um solo de berimbau e foi seguido pelo juramento olímpico, feito pelo aluno Mateus de Lima Costa.

Para Daniel Misse, superintendente de Territórios, o evento da SEASDH cumpre seu objetivo de aliar o esporte à saúde, à cidadania e à inclusão. – Ver quase 400 alunos inscritos é muito gratificante. E o mais legal é que cada um que participa é parte igual deste processo – afirmou.

O gestor social da Cidade de Deus, Bruno Machado, e a professora de capoeira Darlene Costa concordam.- Esse momento é histórico para a CDD, porque esse é um evento que não veio de fora, mas foi pensado com a comunidade – disse.

Lucas da Silva Andrade, de 12 anos, estava acompanhado da mãe, Maria Helena Carlos da Silva, e do professor de Jiu-jitsu no CRJ, Darci de Almeida.O professor se disse feliz em ver que a referência dos meninos mudou. – Antes eles se espelhavam nos traficantes, que tinham grana e poder. Hoje é interessante ver que conhecem todos os lutadores de MMA e sonham ser professores – diz.

Lucas fazia futebol, mas insistiu com a mãe para fazer jiu-jitsu também. – Eu disse a ele que teria que ir muito bem na escola. Ele já passou de ano sem recuperação e o comportamento melhorou na escola e em casa. Agora ele faz o futebol e o jiu-jitsu e eu sempre acompanho para apoiar – diz Maria Helena, orgulhosa.

Além dos jogos, a SEASDH levou ao evento uma tenda da Superintendência de Segurança Alimentar (SSA), com o objetivo de ajudar as crianças a escolher uma alimentação saudável, através de jogos lúdicos.

– Após uma pesquisa feita na Cidade de Deus, queremos aproveitar a oportunidade para aliar a prática de esportes ao consumo de alimentos saudáveis. Há muitos jovens com sobrepeso e obesos, consumindo muitos doces e produtos industrializados – disse Mirani Barros, da SSA.

 

A competição

Neste sábado, foram realizadas duas corridas de um quilômetro, para 12 e 13 anos e para 14 e 15 anos. Na primeira, os vencedores foram Luan Martins, Nicolas Santos e Marco Antonio Barbosa. Na segunda, venceram Eric de Oliveira, Pablo Gonçalves e Matheus dos Santos Pereira.No domingo haverá competições de Jiu-jitsu, no CIEP João Batista, e futebol, no campo do CSU. Os eventos começam às 9h. O encerramento dos jogos será no dia 11 de dezembro com a final do futebol.

 

Fonte: http://www.jb.com.br/

Convenção da Diversidade

Brasil é o único país Sul Americano a compor Comitê Executivo da Convenção da Diversidade

A Quarta Sessão Ordinária do Comitê Intergovernamental da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, no âmbito da Unesco, acontecerá em Paris, França, entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro. O Comitê, que é executivo, é um dos três órgãos da Convenção da Diversidade composto por 24 dos 115 países membros, eleitos a cada quatro anos e o Brasil – único país sul americano – cumpre o segundo mandato no órgão.

A delegação brasileira será composta por membros dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e chefiada pelo Secretário da SID, Américo Córdula.

A reunião discutirá as diretrizes operacionais dos artigos da Convenção – implementação e funcionamento; a aprovação de uma logo marca para a Convenção; a viabilidade da nomeação de personalidade pública para ser seu Embaixador e ainda questões ligadas ao Fundo Internacional para a Diversidade, como estratégias para dar visibilidade e formas de captação de recursos e avaliação dos primeiros projetos a serem financiados por ele. Atualmente o Fundo tem cerca de U$ 2,9 milhões oriundos de contribuições voluntárias dos países membros.

Os primeiros projetos a serem financiados com esses recursos foram avaliados por uma equipe de especialistas indicados pelos países membros escolhidos  na última reunião do Comitê, em dezembro do ano passado. O Brasil tem três projetos concorrendo, todos elaborados em cooperação com países africanos e latino americanos.

O Brasil leva para essa reunião uma proposta dos países integrantes do Mercosul Cultural (Brasil, Paraguai, Chile, Peru, Uruguai, Argentina e Bolívia), cuja proposta foi elaborada na última reunião de Ministros do MERCOSUL Cultural, dia 20 de novembro, no Rio de Janeiro.

Conheça a Convenção.

http://www.cultura.gov.br/