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O Berimbau

A Lenda do Berimbau

Uma menina saiu a passeio. Ao atravessar um córrego abaixou-se e tomou a água no côncavo das mãos. No momento em que, sofregamente, saciava a sede, um homem deu-lhe uma forte pancada na nuca. Ao morrer, transformou-se imediatamente num arco musical: seu corpo se converteu no madeiro, seus membros na corda, sua cabeça na caixa de ressonância e seu espírito na música dolene e sentimental.

(Conto existente no leste e no norte africano)
(Texto retirado da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia) nº 80 de 1956.

Origem:

A introdução deste instrumento no Brasil foi feita com a chegada dos negros Bantos, mais precisamente pelos Angolanos, cuja a cultura é uma das mais antigas de África.

No entanto, vale a pena salientar que, apesar do Arco Musical ter chegado ao Brasil por intermédio dos negros africanos, isto não implica que tenha sido criado por estes.

Emília Biancardi, na obra Raízes Musicais da Bahia, diz acreditar-se que o arco musical já estava em uso há 15.000 anos antes de Cristo, porquanto aparece em pinturas rupestres da época, como a que foi encontrada na caverna Les Trois Frèmes, no sudeste da França. Albano Marinho de Oliveira, em pesquisa publicada na revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia de 1956, diz que, de entre os instrumentos de corda conhecidos no mundo, os mais antigos são a harpa, o Alaúde e a Cítara.

Estes Instrumentos existem há cerca de 4.000 anos antes de Cristo e foram encontradas gravuras em pinturas e relevos do antigo Egipto. Todos estes três instrumentos retratados, tiveram a sua origem num arco musical, que tinha como característica, uma corda fixada nas suas extremidades e tendo como amplificador de som, uma caixa de ressonância, podendo até mesmo ser um buraco no chão.

O arco musical foi, com toda a certeza, o ponto de origem da Harpa, opinião dominante entre os musicólogos. Hugo Riemann, na sua obra História La Música – 1930, diz acreditar que o som produzido pelo arco de caçador ao disparar a flecha foi, sem dúvida, segundo a lenda, a causa da invenção do arco musical. Teoria esta, contestada por Curt Sachs, na obra História Universal de Los Instrumentos Musicales.
De qualquer forma, torna-se impossível fixar o ponto e época exacta do seu aparecimento, pois a extensão geográfica da sua expansão dificulta certezas. Curt Sachs, anota a sua existência no México, na Califórnia, na Rodésia, no Norte e no Este Africanos, na ilha de Pentecostes, e na Índia; Carlos Vega, entre Índios da parte mais meridional da América do Sul e Ortiz, na ilha de Cuba.

Albano de Oliveira resume que:
“dos instrumentos de corda primitivos, a harpa provém de um arco, semelhante ao de caçador. E como referências antigas dão como a arpa originária do Egito, lítcito é se adimitir que o arco musical dalí partiu, espalhando-se a princípio pelo Oriente Próximo, Sul da Índia, onde Curt Sachs acredita existir a forma mais primitiva do arco musical, Indostão, Oceania, Continente Africano e somente nos tempos modernos, Europa e América.”

O Nome:

Hoje em dia não nos é possível definir com exactidão a origem do vocábulo Berimbau, nem tão pouco sabermos quando este arco musical perdeu o nome de origem e herdou o termo conhecido actualmente.

A ideia mais aceite, é a de que o nome Berimbau venha do termo vindo do quibundo m`birimbau, existem ainda os que defendam sua origem vinda do termo Balimbano, de origem mandinga, ambos os termos estão registados no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. De outra forma, acredita-se que seja um termo vindo da palavra de origem Ibérica Birimbau, que, no Dicionário da Real Academia Espanhola, é definido como sendo um pequeno instrumento, composto de arame ou madeira, com uma lâmina fina fixa ao meio.
Segundo Albano de Oliveira, em pesquisa na obra “Viagem Pitoresca e Histórica do Brasil” de Jean Baptiste Debret, artista Francês que morou no Brasil de 1816 até 1831, o nome de origem do nosso conhecido arco musical, o berimbau, era Urucungo, termo angolano, comprovando assim a origem angolana do instrumento.

De outra forma, encontramos vários outros termos que definem o berimbau de barriga, são estes Uricundo, Urucungo (este último também registrado por Edson Carneiro, como já referido, sendo de origem Angolana), Orucungo, Oricungo, Lucungo, Gobo, Rucungo (registrados por Arthur Ramos), Bucumba, Macungo, Matungo e Rucumbo, bem como outros termos ainda não conhecidos.

O emprego do Arco Musical:

Segundo a ordem cronológica da história dos instrumentos, os de percussão surgiram primeiro, sendo utilizados pelos povos guerreiros, seguidos dos de cordas e posteriormente, os de sopro.

O arco musical teria nascido no Egipto, ou segundo Curt Sachs, no sul da Índia, em épocas muito remotas, e atravessou tempo e fronteiras, sendo conhecido em todos os continentes. O seu uso deveria ser apenas para a satisfação humana nas horas de lazer, ou ainda para manifestações religiosas, pois segundo consta, toda a história da música, está retratada em registros e documentos religiosos, como as gravuras tumulares egípcias, onde os instrumentos aparecem como forma de reverência aos Deuses, ao que o arco musical não seria excepção.

Provando isso, Curt Sachs, em pesquisa sobre o arco musical, encontrou povos em ainda estágios primitivos de civilização, no qual o arco musical está ligado a religião, misticismo ou lenda, como, por exemplo, a dos povos do Norte e Este Africano, que narram a história da menina que bebia água num córrego, retratada no início desta pesquisa. Povos do México, como os Covas, utilizam um arco musical com uma caixa de ressonância separada. Esta caixa é na verdade o símbolo da deusa da Lua e da Terra, e entre algumas tribos deste mesmo povo, só as mulheres podem tocá-lo. Na Rodésia, o arco musical é tocado na iniciação das meninas. Já os Washam Balás, do Leste Africano, acreditam que o homem não poderá casar se, quando estiver fabricando o instrumento, se partir a corda, pois trata-se de um instrumento sagrado.

O emprego do arco musical com característica religiosa, tende a diminuir entre os povos com níveis diferentes de cultura, é o que acredita Albano de Oliveira. No Tongo, o arco musical é tocado pelos velhos anciãos nativos apenas como forma de recordarem os tempos áureos da juventude. É o que faziam, segundo relato de Alfredo Brandão, quando os negros de alagoas, tocados pelos sentimentos de saudade e tristeza, aproveitavam a calada da noite nas senzalas para tocarem o berimbau.

No Brasil, o berimbau não esteve, nem está ligado, a religiosidade, no entanto, sabemos do emprego do mesmo em missas, ou momentos que relembrem velhos mestres, sendo esta uma prática particular dos capoeiristas. Na bahia, durante as festas de largos em dias santificados, era costume aparecerem tocadores de berimbaus.

Retratado ainda pelos viajantes Rugendas e Debret como instrumento utilizado para atrair fregueses, ou mesmo, como forma de um cego pedir auxílio, o berimbau exercia várias funções.

Hoje em dia, no Brasil, o berimbau é encontrado especialmente nos grupos de capoeira, onde exerce um papel importantíssimo na manutenção do jogo. É ainda usado por músicos e grupos de danças como instrumento de percussão.

A introdução na Capoeira:

Como sempre, esbarrando na carência de documentos que comprovem com exactidão o uso do berimbau na capoeira, pesquisadores e historiadores, baseiam-se em gravuras, desenhos, pinturas, crónicas, anotações e narrativas da época, sendo estas as únicas fontes existentes para a pesquisa, que por si só, não nos garantem certezas.

Sabendo que a capoeira nasceu primeiramente como luta, podemos deduzir que o berimbau não tenha tido, nesta época, relação com a mesma, cabendo este papel aos batuques e atabaques, que possuem uma identificação maior com as lutas e rituais afros, é o que prova a gravura intitulada “Kriegsspiel” (Brincadeira de Guerra), registrada na obra “Viagem Pitoresca Através do Brasil”, livro lançado em 1763, de Jean Maurice Rugendas. Nesta gravura, não se verificou a presença do berimbau, e sim de um pequeno atabaque, e em volta dos lutadores, pessoas animando e a baterem palmas, num local, que, segundo Albano de Oliveira, é provavelmente o trecho onde é hoje Monte Serrate, na Bahia. Outra obra publicada entre 1834 e 1839, do francês Jean Baptiste Debrete, intitulada “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, retrata um arco musical nas mãos de um cego. Temos ainda a ilustração de Joachim C. Guillobel (1787 – 1859), que registra a presença de um berimbau a ser tocado por um vendedor ambulante, como forma de atrair os fregueses, não vinculando assim o instrumento com a capoeira.

Sabemos ainda que as maltas de capoeiras no Rio de Janeiro foram perseguidas, sendo, desta forma, extinta a capoeiragem na antiga capital, e que, no Rio, se desconhecia a presença deste arco musical. Na Bahia, segundo Emília Biancarde, na segunda metade do século XIX, o berimbau foi introduzido na arte, pois a capoeira só se perpetuou graças ao seu uso, e ao dos demais instrumentos, pois, quando alguém estranho ao grupo se aproximava, era fácil transformar o jogo em dança, como por exemplo, o samba de roda. Com o passar do tempo, o berimbau passou a comandar a roda, sendo até hoje indispensável o seu uso. Emília Biancardi diz ainda que, segundo Mestre Pastinha, na década de 40, se costumava ver a presença de uma viola de doze cordas nas rodas, e que a presença do berimbau já se fazia sentir.

Existem, no entanto, aqueles que acreditam que o Berimbau já era usado na arte capoeira desde a época colonial, dentro das senzalas, segundo alguns relatos, como o que Rosangela Peta descreve na matéria sobre capoeira, na revista Super Interesante, lançada no mês de Maio de 96. Henry Koster (Inglês que se radicou em Pernambuco, virou senhor de engenho e passou a ser chamado Henrique Costa), escreveu nas suas anotações de 1816 que, de vez em quando, os escravos pediam licença para dançar em frente as senzalas, e divertiam-se ao som de objectos rudes. Um deles era o atabaque, outro “um grande arco com uma corda, tendo uma meia quenga de coco no meio ou uma pequena cabaça amarrada”, trazendo assim, a utilização do berimbau nos momentos em que os escravos, supostamente, estariam treinando a capoeiragem, em meio a festa.

Os tipos de Berimbaus na capoeira:

Na capoeira, são conhecidos três tipos de berimbaus, que possuem individualmente funções diferentes na bateria, que têm de ser bem executadas de forma a criar uma perfeita harmonia na roda. Na Bateria da capoeira angola usam-se três berimbaus, na charanga da regional, apenas um, sendo este acompanhado pela marcação dos pandeiros.

O Gunga:

É o berimbau que possui o som mais grave, tem como característica possuir uma cabaça (caixa de ressonância) grande. Alguns autores acreditam que o seu vocábulo venha da palavra angolana hungu. É também conhecido por muitos como berra boi. Este tipo de berimbau é mais utilizado no estilo de capoeira angola, onde é normalmente tocado pelo mestre ou capoeirista responsável em manter o ritmo da roda, pois é o gunga quem comanda a base do ritmo, ditando o toque e a cadência a serem executados.

O Médio:

Como o próprio nome refere, é o que possui uma cabaça com tamanho intermediário aos outros dois, tendo no som a mesma característica, tem como função acompanhar a base do toque do berimbau gunga, podendo no entanto, pontualmente, executar algumas variações. É o tipo de berimbau mais utilizado na formação dos instrumentos da Capoeira Regional, porém, é também parte integrante da bateria da Capoeira Angola.

O Viola:

Conhecido também como violinha, é responsável pelo improviso, dando o chamado “molho” ao ritmo. Quando um bom tocador está a manuseá-lo, seu som agudo, é de uma vibração inigualável, fazendo com que a assistência escute o lamento ou mesmo uma saudação alegre e feliz, através de sua música. É dos três tipos o que possui a menor das cabaças.

A constituição do Berimbau:

Um instrumento monocórdio, constituído por uma verga arqueada, um arame estendido, uma cabaça, que tem o papel de caixa de ressonância, uma baqueta de percussão, um dobrão ou seixo, e ainda é acompanhado pelo uso do caxixi.

A Verga:

A madeira que deve ser usada para a confecção do berimbau tem de ser flexível e resistente, a mais usada e conhecida é a Biriba, que deve ser cortada no mato, na lua quarto minguante. Em viagem pela Bahia, perguntei ao Mestre Marinheiro, residente em Feira de Santana, artesão e vendedor de berimbau e caxixi, que se encontrava na capital baiana, se, com tanta extracção de Biriba, ela não correria o risco de se extinguir, ao que ele respondeu que, normalmente quando extraída da mata, passados dois a três anos ela renasce do mesmo ramo cortado.
Alguns artesãos cozinham a biriba, como forma de torná-la mais resistente. O Berimbau ainda pode ser feito com outros tipos de madeiras, tais como o cunduru, o pau d´darco, o pau pombo, a tapioca, o bambu e outras. Em Portugal, como forma de suprir a carência de espécies encontradas somente na Mata Atlântica, usa-se o eucalipto, ou o pau de lodo, sendo este último utilizado no tradicional Jogo do Pau Português. No caso do eucalipto, este deve ser tirado quando ainda está pequeno e verde, e antes de o cortar, deve-se primeiro vergá-lo a fim de não proceder a um corte desnecessário, ficando a verga inutilizável e sem uso. Depois de verificada a resistência e feito o corte, deve-se retirar a casca, quando esta ainda se encontra verde e húmida, logo depois deixa-se secar à sombra durante cerca de uma semana e meia, e só depois se poderá proceder ao trabalho de acabamento.

A Corda:

Em tempos remotos, eram usados como fio para este instrumento, sipó ou vísceras de animais, só muito tempo depois se introduziu o uso do arame comum (recozido), para só depois então, com a chegada dos primeiros automóveis importados a Salvador, segundo mestre Pastinha em relato a Emília Biancarde, os tocadores, que na sua maioria trabalhavam como estivadores nas docas de salvador, descobrirem que o arame temperado existente nos pneus dos carros produziam um som melhor que o sipó-timbó ou arame comum, e passaram a utilizá-lo.

A Cabaça:

(Cucurbita Lagenaria, Lineu) É uma planta rampante. De uso múltiplo e secular entre os utensílios domésticos, herdados da indiaria. Deve ser utilizada quando bem seca, cortada no caule, lixada por dentro a fim de limpá-la das sementes e vestígios de fibras encontrados no seu interior, para depois serem feitos dois furos, onde passará um cordão a fim de fixá-la na verga, esta terá a função de ampliar o som do arame percutido. Mestre João Pequeno, quando do término de sua roda na academia João Pequeno de Pastinha, localizada no Forte Santo António, utiliza-se da cabaça como forma de ampliar a sua voz, para proferir a sua palavras aos capoeiristas e público presente na sua academia.

O Dobrão:

Segundo relato de Mestre Pastinha, nos primitivos berimbaus, os músicos utilizavam as unhas do dedo polegar, como forma de obter efeito sonoro, colocando-a próxima ou distante da corda. O nome dobrão, tão caro ao Mestre Noronha, é tomado da moeda de 40 reis, sendo essa uma peça de cobre com cerca de 5 centímetros. No entanto, muitos capoeiras preferem o uso dos seixos como forma de modular as notas e, segundo Dr. Decânio, os africanos costumam utilizar-se desta mesma pedra. Em Portugal os seixos são encontrados em abundância, nas margens das suas praias com características rochosas, moldados pelo mar, tomando uma forma cilíndrica quase que perfeita, óptima para o manuseio.

A Baqueta:

medindo cerca de 40 centímetros, é utilizada para percutir no arame montado na verga e, dependendo do gosto do tocador, ela pode ser leve ou pesada, tem de ser feita com material resistente, como ticum, lasca de bambu, ou até mesmo eucalipto.

As partes do Berimbau:

Em visita a Associação de capoeira Mestre Bimba, presidida e orientada pelo Mestre Bamba, tive o prazer de conversar com o já citado Mestre Marinheiro, que definiu os nomes das partes do berimbau como sendo:

Birro:

acabamento na parte inferior da verga, onde o arame é fixado, alguns capoeiristas chamam-no de “casa”. Existem diferenças na forma como são encontrados os Birros, na Capoeira Regional, pode ser pontiagudo, e na angola, feito com uma saliência.

Argola:

Extremidade da parte inferior do arame, onde será fixo no birro.

Presilha:

É na verdade, o cordão que serve para prender a cabaça na verga e no arame.

Couraça de protecção ou couro:

É um pequeno disco de cabedal grosso, fixo na extremidade superior da verga, como forma de evitar que o arame penetre na verga inutilizando-a.

Ponteira:

extremidade superior da corda (arame), onde este se encontra moldado como uma argola, e onde é preso um cordão de algodão ou sisal, que irá tencionar o fio de arame, e fixá-lo na verga.

Outras partes do Berimbau:

Verga, cabaça, baqueta, dobrão ou seixo, arame de aço, e ainda como complemento o caxixi.

 

Fonte: Blog Capoeira Alto astral

Buriti dos Montes: Profeesor de Capoeira realiza Palestra Sobre Drogas

O Professor de Capoeira Décio, realizou Neste último dia 07/11 uma palestra não só com os alunos da capoeira, como também alguns alunos das unidades de ensino do município, houve explicações sobre o uso indevido das drogas, suas conseqüências ao usar e seus efeitos com o uso excessivo de tais substancias. Assim mostrando para cada criança e adolescente os perigos dessa epidemia que tanto esta acabando com nossa juventude. “Esse trabalho foi simples mais muito gratificante, pois o conhecimento desde cedo sobre tal assunto é proveitoso para um futuro próximo, e nisso nossos jovens possam saber e jamais ingressar neste mundo sombrio.” Disse o professor.

 

Fonte: http://180graus.com

Bahia: Mestre condenado a 11 anos de prisão

Capoeirista que matou primo é condenado a 11 anos de prisão

O capoeirista José Venceslau, o mestre Marrom, 53 anos, conceituado professor de capoeira Angola, foi condenado nesta terça-feira, 21, a 11 anos de prisão em regime fechado, por ter matado a facadas o primo dele, Mário da Silva Brito, presidente da Associação de Moradores Unidos do Acupe, em março de 2006. O julgamento aconteceu na 1ª Vara Crime do Fórum Ruy Barbosa e foi presidido pelo juiz Moacy Pitta Lima Júnior.

A viúva do líder comunitário, Maria José Faustina da Silva, disse não estar satisfeita com a pena, porque acredita que “quem mata deveria ficar preso para sempre”. Mas, declarou que ela e as duas filhas pelo menos estão mais aliviadas, depois de quatro anos de sofrimento desde o assassinato de Mário Brito, morto quando tinha 48 anos.

Segundo as testemunhas ouvidas no processo, o crime aconteceu no dia 8 de março de 2006, depois de uma discussão entre os dois primos, motivada por um carrinho de mão, quando a vítima impediu que o capoeirista jogasse entulho na rua, no Acupe de Brotas.

Os envolvidos já haviam travado várias discussões, segundo a viúva, devido a um campo de futebol situado na área, onde também ficavam a a associação e o Grupo Cultural de Capoeira Angola do Acupe, dirigido por mestre Marrom. Mário Brito tinha o hábito de ceder o campo para o uso de outras pessoas e de outras entidades, mas o primo exigia que fosse cobrado um aluguel pelo uso.

 

Fonte: http://www.atarde.com.br

Indignação e Desrespeito: A Pirataria na Capoeira

A pirataria de CD´s e DVD´s tem sido discutida há muito tempo e é um grande desafio para a nossa comunidade visto que diversos profissionais da Capoeira produzem trabalhos (Gravações de CD´s e DVD´s de forma independente) que as vezes levam anos a ficarem concluídos e disponíveis no mercado. Estes profissionais investem suas economias e sonhos neste processo que na maioria das vezes já nasce prejudicado devido ao desrespeito e falta de ética de alguns capoeiristas.

Não é de hoje, que infelizmente, nós capoeiristas estamos nos afundando em uma névoa de falta de ética e caráter… Vale salientar que a “clonagem” e a distribuição de cópias ilegais de material direcionado a capoeiragem não é de forma alguma um “pecado” apenas dos capoeiristas mais também da Industria da Pirataria, que vê na Capoeira um NICHO de Mercado. É certo que esta máfia entende que a cultura e a arte da capoeira valem o investimento…

O Brasil está entre os dez países com maior incidência de pirataria musical, segundo relatório deste ano da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês).

Segundo entendem os especialistas, o simples ato de emprestar um CD ou DVd a um amigo não se enquadra como crime. Porém, o que seu amigo irá fazer com o disco pode ou não ser enquadrado como infração. Mas não há unamidade mesmo entre os advogados e juízes, pois o Direito não é algo objetivo e sua interpretação pode variar de acordo com os tribunais em que for analisado cada caso, daí haver tantas dúvidas recorrentes em decisões relativamente similares da Justiça brasileira.

A lei de 1998 não classifica como infração a “cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto”. Quer dizer: pela lei, o CD que você comprou pode ser copiado uma única vez para uso pessoal, “sem fins lucrativos”. E aí está o problema: a definição de “fins lucrativos” é extensa uma novela jurídica… A unica arma que podemos nos valer é a sensibilização e o respeito pelo trabalho arduo de nossos Mestres, respeitar o sonho e a luta destes guerreiros que as vezes investem tudo na produção deste material. É preciso dar um basta e trabalharmos juntos para diminuir e porque não acabar com a Pirataria dentro da Capoeira.

Existem sites especializados em CAPO-PIRATARIA, onde é possível encontrar uma vasta coleção de CD´s, DVD´s e Livros de Capoeira, um verdadeiro desrespeito a ética, a moral e a cidadania.

Uma poderosa arma contra esta prática é a imaginação e a inovação, é assim  que um dos grandes cantadores da capoeira pretrende driblar a “pirataria”, Mestre Alexandre Batata, está com tudo preparado para a gravação de seu novo CD. A novidade neste projeto é forma inteligente e interativa que o capoeirista concebeu para viabilizar a produção e a gravação ao vivo de seu CD que será realizado em Matosinhos, Portugal com participação efetiva da plateia. Cada espectador irá pagar 10,00€ para assistir e participar da gravação e terá direito a uma cópia do CD que será enviada diretamente para a sua residência ou retirada em pontos a serem definidos pela organização. Vale a pena conferir e até investir nesta ótima idéia!!!

Cabe a nós, profissionais e formadores de opinião, levantar esta bandeira e dar o exemplo… Já palestrei diversas vezes sobre este tema o qual defendo de forma emocionada e até com certa paixão o “Não a Pirataria” e uso o Portal Capoeira como exemplo de postura e respeito ao trabalho da comunidade capoeirística.

Fica a reflexão para que cada um de nós, capoeirista ou não contribua para minimizar e sensibilizar que nesta “Jogo, nesta Roda” quem perde sempre somos nós.

 

Carta Protesto/Denuncia escrita pelo Mestre Toni Vargas:

Rio de Janeiro, 12 de abril de 2010.

Queridos Amigos,

Venho aqui registrar a minha indignação pelo desrespeito e falta de sensibilidade das pessoas que insistem em piratear produtos de capoeiras tais como CD, DVD, etc….

É preciso que todos nós tenhamos consciência que ao reproduzir, vender ou adquirir um produto pirateado não estamos apenas prejudicando o autor ou produtor mas também incentivando uma prática que vem prejudicando a própria capoeira. Em geral quando um capoeirista se dispões a produzir um material sério e oferecê-lo ao publico não está só agindo como um comerciante são pessoas que vivem de capoeira e que percebem a sua responsabilidade com a nossa arte, por isso realizam seus projetos com muito sacrifício. Ao contrário muitas das pessoas que pirateiam e comercializam um produto não são verdadeiros capoeiristas, não passam de aproveitadores que visam o lucro rápido e não se importam com a qualidade ou a importância da obra para o universo da capoeira. Creio que a única forma de inibirmos esse tipo de coisa é nos unirmos em uma grande campanha pela ética, do contrário os capoeiristas de verdade acabarão por se verem impossibilitados de continuar produzindo.

Capa Pirata: Desrespeito e DesconhecimentoVejam esse exemplo , meu CD mais novo “Quadras & Corridos” é resultado de 5 anos de trabalho e foi feito de forma independente. De repente recebo pela internet essa “perola” (imagem em anexo). Essa cópia tão mal feita só mostra o completo desconhecimento de quem fez, certamente uma pessoa oportunista que não conhece a capoeira e, portanto não pode respeitá-la. Cabe ressaltar que quando uma coisa como essa é reproduzida e comprada não sou só eu o prejudicado, a nossa arte está sendo violentada e sucateada.

Atenciosamente,

Mestre Toni Vargas

O projeto Quadras e Corridos tem como objetivo fundamental homenagear o grande MESTRE BIMBAA CAPOEIRA REGIONAL. A partir da produção de um CD, da organização de um work shop  pretendemos mostrar aos jovens capoeiristas de forma sensível e bem fundamentada um pouco da “energia” de Seu Bimba – O GIGANTE NEGRO DA CAPOEIRA REGIONAL e sua criação e enorme contribuição para a história da Capoeira

 

Mais Informações:

Mestre Toni Vargas: http://www.mestretonivargas.com

Mestre Alexandre Batata: 916828588 – mestrebatata@gmail.com

Gravação ao vivo do CD

No Centro de treinamento da Capoeirarte, disco Mantra em Matosinhos Sábado, 24 de Abril 2010 – Início 22hs

BLOCO DA CAPOEIRA: CARNAVAL 2010 – A CAPOEIRA E O CANGAÇO

Prezado (a) foliões,

O Bloco Afro Mangangá Capoeira, no seu terceiro ano, homenageará a Capoeira e o Cangaço.

O DESFILE:

O desfile acontecerá no dia 11/02/2010 na quinta-feira de carnaval no circuito Campo Grande a partir das 19h, sendo dividido em diversas alas e você desfilando, estará aceitando as normas e condições gerais para participar do bloco.

Alguns itens importantes para o desfile acontecer de acordo o contrato com os órgãos que fiscalizam a festa.

– O inicio do desfile dependerá da liberação da coordenação do carnaval, ficando cientificado que é comum por parte da organização do carnaval, haver atrasos;

– Não será permitida a permanência de folião que não estiver trajando a fantasia das alas ou abadas de capoeira;

É PERMITIDO:

– A utilização de adereços que remetam ao tema;

– Uso de abadá ou farda dos grupos de capoeira;

– Uso de estandartes dos grupos de capoeira e/ou culturais;

– Uso de instrumentos de capoeira;

– recomendamos às mulheres que venham com roupas típicas ao cangaço e a capoeira e que usem um legging por baixo da saio ou vestido;

ABAIXO ALGUMAS ORIENTAÇÕES MUITO IMPORTANTES PARA VOCÊ BRINCAR SEU CARNAVAL COM BASTANTE SEGURANÇA:

– Os foliões ficam cientes e autorizam previamente o Bloco da Capoeira ou a Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá a exibir, por qualquer meio de comunicação ou em locais públicos, as imagens e/ou fotografias do (s) bloco e/ou Associação, inclusive a (s) suas em qualquer época mesmo não sendo no período do carnaval;

– Leve pouco dinheiro e documentos de identidade (cópia autenticada);

– Vá de calçado confortável, principalmente um que combine com o tema do Bloco;

– Evite sair do Bloco durante o percurso;

– Cuidado com os alimentos, beba bastante água, suco e de isotônicos;

– Não abuse das bebidas alcoólicas;

– Não use drogas;

– Não brigue, carnaval não combina com violência. Portanto, se alguém pisar no seu pé, se esbarrar, desconsidere e siga em frente;

– Namore e beije muito… Mais não deixe de usar a camisinha.

Bloco da Capoeira – 32569806 – 33517333 – 81269333

tmmanganga@hotmail.com – blocoafromanganga@hotmail.com

São Caetano – SP: Sesc oferece aulas gratuitas de capoeira

O Sesc São Caetano ministrará aulas gratuitas de capoeira nos próximos três sábados do mês de agosto (11, 18 e 25), sempre das 13h às 14h. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas. Para participar é preciso ter mais de 7 anos.
 
As aulas incluem as duas modalidades da capoeira: a Angola, que se caracteriza pelo estilo mais próximo de como os escravos jogavam, e a Regional, a mais recente, que apresenta elementos de artes marciais e um jogo rápido, com quedas, rasteiras e cabeçadas. Os alunos vão conhecer as regras e as músicas relacionadas à luta, além de aprender a tocar berimbau.
 
Inventada pelos escravos, vindos da África no século XVI, a capoeira nasceu como forma de resistência à opressão. Praticado em segredo, o esporte transmitia a cultura dos praticantes. Com o passar do tempo, a capoeira se espalhou pelo País, ganhou adeptos e ficou caracterizada pelos movimentos ágeis e pelo uso da música.
 
Ginástica Postural
Até o dia 27 deste mês, a unidade oferece no programa Corpo e Expressão aulas gratuitas de Ginástica Postural, que visa o alinhamento postural e a melhoria da força e da flexibilidade muscular por meio de posturas e exercícios de alongamentos. As aulas são realizadas todas as quartas e sextas-feiras, às 11h.
 
O Sesc São Caetano fica na rua Piauí, 554, bairro Santa Paula. Mais informações pelo telefone 4233-8800.

Fonte: http://www.reporterdiario.com.br

Exemplo da Mulher-Capoeira!

Decidi divulgar esta matéria, publicada originalmente no Jornal do Capoeira,  por considera-la de grande importancia e desta forma também homenagear o lindo trabalho deste grupo de guerreiras!
Luciano Milani

Nesta crônica, homenageamos o trabalho extraordinário realizado pelas professoras Bebezonas do Ginga dos Ventos – Capital Paulista.
CAPOEIRA GINGA DOS VENTOS
Uma família de guerreiras
Preliminares:
Essa arte fascinante que é a capoeira é algo realmente singular em sua pluralidade. Explico! Ao mesmo tempo que, quando questionados, muitos mestres respondem "não sou A nem B, sou Capoeira", ao colocarmos em prática as formas de expressar nossa Capoeira é possível observar um amplo espectro de diversidade.
 
Quando dei início à série "Coletânea da Capoeira em São Paulo" – sonho idealizado por Mestre André Lacé, e que aos poucos vai ganhando adeptos – tratei de elencar os mestres, grupos e capoeiras que representariam a Capoeira em nosso Estado. Considerando-se, é claro, as diversas formas da prática e época.
 
Em se tratando da "coletânea", o time começa a receber reforço, ou seja, alguns volumes de Coletâneas da Capoeira em alguns estados já estão em andamento. Na Paraíba, João Pessoa, Benedito dos Santos (Bené) é quem coordena os trabalhos. No Rio Grande do Sul é a vez do Tairone Sant´anna (Gigante). Em São Luis do Maranhão o Prof. Leopoldo Vaz encontra-se com a tarefa de casa bem adiantada.
 
Em São Paulo estamos, a bem da verdade, em uma força-tarefa: Raphael Moreno em São Carlos; Carlos Cavalheiro em Sorocaba e eu na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte. E tem mais gente chegando!
 
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Água: Direito Humano Inalienável

Antonio Carlos de Mendes Thame1
24/03/2005
Acessado em 27/3/2005 09:54
Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

O alerta tem sido repetido, cada vez com mais intensidade, no mundo inteiro:
 
Ø      a escassez de água é um dos maiores desafios do nosso século.
o        Parece mentira, já que ¾ do planeta são ocupados por água.
o        Só que é quase toda (97%) salgada e 2% formam as geleiras, inacessíveis.
§         Pior ainda: a exploração irracional da água doce dos rios, lagos e lençóis subterrâneos está ameaçando a magra fatia de 1% da água que pode ser usada pelo homem.
 
Hoje, mais de 70% da água doce utilizada no mundo vai para a agropecuária, ou seja para a produção de alimentos.
Em diversos países, depois de se chegar ao limite máximo de utilização da água superficial disponível, vem-se procurando usar a água subterrânea, através da perfuração de poços. O bombeamento é tamanho, que a água não se renova.
Como não se consegue regenerar toda a água retirada, os aqüíferos vêm sofrendo depleção e gerando rebaixamento do solo em muitas regiões. Somente na Índia, no norte da África , Arábia Saudita, Paquistão, Iêmen e México, retiram-se e não se renovam quase 200 bilhões de toneladas de água por ano.
 
É a água necessária para se produzir 200 milhões de toneladas de grãos, suficientes para alimentar aproximadamente 600 milhões de pessoas por um ano. Ou seja, mais de meio bilhão de pessoas consomem alimentos produzidos com água retirada do solo de forma insustentável, predatória.2
Como essa água não está sendo reposta, deixa de ser um bem natural renovável, infinito. Passa a ser um bem finito, cada vez mais escasso.3
Não é somente a água necessária para produzir alimentos que está no limite da exaustão. Falta água para beber.
 
O Projeto do Milênio, plano de ação para combater, a pobreza, a fome e doenças opressivas que afetam milhões de pessoas, lançado em 2002 pelas Nações Unidas, divulgou em janeiro passado seu último relatório, em que acusa a existência de mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à água potável e 2,6 bilhões (mais de 40% da população mundial ) sem coleta ou tratamento de esgoto, ou seja, sem saneamento básico.
 
E justamente esta ausência de saneamento é responsável não somente por mais de 80% da mortalidade infantil, como também pela ocupação de mais de 50% dos leitos dos hospitais brasileiros por pessoas acometidas de doenças de veiculação hídrica, ou seja, de enfermidades transmitidas pela água.
Na realidade, este imenso desastre, ao mesmo tempo ambiental e de saúde pública,  é fruto não somente do crescimento e adensamento populacional, mas também  do despejo indiscriminado de esgotos domésticos e industriais, dos lixões, do entulho jogado nas margens dos cursos d’água, da ocupação e impermeabilização das margens dos rios , do desmatamento irresponsável, deixando as águas inservíveis para consumo humano.
 
O item 42 do documento "ÁGUA, FONTE DE VIDA", da CAMPANHA DA FRATERNIDADE-2004, destaca:
 
Ø      "Se existe uma escassez progressiva, ela é fruto da depredação causada pela mão humana. O problema da água é mais uma questão de gerenciamento que de escassez".
No Brasil, as preocupações de cientistas e ambientalistas nem sempre são levadas a sério. Afinal, temos mais de 12% da água potável do globo.
Uma riqueza, porém, extremamente mal distribuída: cerca de 80% estão na região amazônica; os 20% restantes se distribuem desigualmente pelo país, atendendo a mais de 90% da população.
 
Ø      Em 9 regiões metropolitanas, a situação é crítica: os sistemas de abastecimento de água ficam contando com o beneplácito do clima ( torcendo por chuva), para fugir do desabastecimento. Nem sempre conseguem, e a saída, onerosa e tremendamente desgastante, é apelar para o racionamento, tentando evitar o rodízio.
 
Revertendo a situação
 
Há décadas, países que já vinham sentindo a escassez de água instituíram instrumentos de gestão para assegurar a integridade dos ecossistemas, com base em três diretrizes:
 
a) utilizar o caráter indutor da legislação ambiental;
b) alocar recursos dos orçamentos públicos, considerando a água como um valor coletivo; e c) instituir a gestão compartilhada da água.
Ø      Primeiro: atualizaram a legislação, adotando não apenas leis de comando e controle, como a Lei dos Crimes Ambientais, e leis de prevenção, mas também leis que inibam comportamentos indesejáveis e incentivem procedimentos ambientalmente corretos, como é o caso da LEI DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA.
 
        Pela LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS, quem polui, despejando nos cursos d’água resíduos ou efluentes com níveis de toxidez que extrapolem os índices máximos permitidos por lei, comete crime e pode ser preso ou ter a empresa fechada.
        Pela LEI DE COBRANÇA, quem polui, mas dentro dos limites fixados por lei, passa a pagar pelos danos causados. Ou seja, o custo de reverter os estragos causados deixam de ser arcados pela sociedade e passam a ser assumidos por quem os gera, dentro da clara aplicação do princípio poluidor-pagador.
 
§         É preciso, porém, destacar o caráter direcionador da LEI DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA:não é um simples instrumento arrecadatório. É um instrumento de gestão. Melhor do que ter os recursos cobrados de quem polui, para investir na reversão da degradação por ele causada, é induzir quem polui a deixar de fazê-lo. Por isso, o mais importante é forçar os poluidores a tratar seu esgoto, para ficarem livres do pagamento da cobrança pelo uso da água. Para tanto, é preciso "internalizar" os custos para os geradores de poluição, cobrando um alto preço pela poluição da água, a fim de que se torne economicamente compensador tratar os esgotos e resíduos, deixando de poluir4. Este ponto é chave: se o valor a ser cobrado dos poluidores for menor do que o custo de instalar suas próprias unidades de tratamento, estes agentes degradador não mudarão seu comportamento e vão preferir pagar e continuar poluindo.
 
§         O item 51 do documento "Água, fonte de vida", da Campanha da Fraternidade-2004, ressalta que se os valores forem baixos, acabam se tornando um direito de "pagar para poluir".  Por outro lado, os itens 48 a 50 do mesmo documento destacam que a cobrança pelo uso da água deve levar em conta o conceito de "vazão insignificante", com preços diferenciados (por volume e por destinação), para facilitar o acesso dos pequenos usuários. Caso contrário, a cobrança estaria provocando o surgimento dos "excluídos da água", o que seria eticamente inaceitável.
 
Ø      Segundo: a destinação e aplicação de recursos dos orçamentos públicos é indispensável para acelerar as intervenções que possibilitem reverter a degradação das águas.5 Não é possível realizar todas as obras necessárias somente com recursos advindos da tarifa. Para que isso fosse viável, a água precisaria ficar extremamente cara e seria inacessível aos mais pobres. Água tratada interessa a todos, é uma questão de saúde pública, por isso tem valor coletivo, o que justifica a destinação de recursos públicos, através de empréstimos ou mesmo a fundo perdido.
Ø      Terceiro: garantir a participação dos envolvidos nas decisões, através dos comitês de bacia, instituindo a gestão (e a responsabilidade) compartilhada da água. Os comitês, estruturas partidárias com participação dos representantes da União, dos Estados, dos Municípios e da sociedade civil organizada, têm poder de decisão: determinam quais obras serão prioritariamente realizadas na bacia hidrográfica. Dessa forma, estimulam a descentralização, a participação e a conscientização ambiental.
A aplicação conjunta destas três diretrizes significa mais do que oferecer aos cidadãos condições de participar do gerenciamento da água. Implica adequar um valor que reflita os custos de sua provisão, mas que não deixe de levar em conta, eqüitativamente, as necessidades dos mais pobres e vulneráveis. Significa considerar a água como bem público, incluindo-a no universo de interesse da gestão governamental, não ficando sujeita estritamente às leis de mercado.
 
O Fórum Alternativo Mundial da Água
 
Para os Deputados e representantes das ONGs. participantes do 2° Fórum Alternativo Mundial da Água, que acaba de realizar-se  na Suíça, em Genebra, de 17 a 20 de março, é preciso fazer mais.
Ø      Não basta que se considere a água como um direito humano universal inalienável, é preciso que a lei:
 
o        a) determine, dentre os usos múltiplos da água,a prioridade para o abastecimento da população;
o        b) possibilite de fato a universalização do acesso à água, explicitando subsídios ou mesmo a gratuidade dos primeiros 50 litros consumidos por pessoa/dia.
 
Ø      Não basta que a legislação consagre a água como um bem público, é necessário tomar medidas efetivas para restringir sua mercantilização, sua caracterização como "commodity", começando por proibir a comercialização dos direitos de uso advindos de outorgas.
 
Ø      Não basta criticar as privatizações , é preciso mais:
o        a) que a lei proíba expressamente as concessões onerosas , em que o concessionário fica com o direito de fixar as tarifas;
o        b) que se imponham limites à elasticidade das regras das parcerias público-privadas, que privilegiam a proteção dos interesses do setor privado e não a defesa dos usuários-consumidores;
o        c) que se proteste veementemente contra as exigências do Banco Mundial e de bancos regionais, que condicionam a concessão de financiamentos à privatização de sistemas públicos de abastecimento de água.
 
Ø      Não basta defender os imprescindíveis direitos à educação ambiental e à informação, urge que se institucionalize a adoção de mecanismos permanentes de participação popular, com poder de decisão, segundo a concepção bem sucedida dos comitês e das agências de bacias hidrográficas.
 
Ø      Por último, não é suficiente que estas medidas propostas sejam facultativamente implantadas pelos países, a seu critério.
o        É indispensável, haja vista a gravidade, relevância e urgência da matéria, que:
§         a) seja votada e implantada uma COVENÇÃO DAS PARTES, atualizada e eficaz, contemplando estes direitos, a qual, aprovada pelos países signatários da ONU, seja transformada em lei internacional;
§         b) seja criado um fundo para alavancar ou suplementar inversões nos países com menor ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO_ IDH;
§         c) seja criada uma autoridade internacional, no mesmo nível da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TRABALHO_OIT ou do ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA OS DIREITOS HUMANOS_ UCDH, para cuidar especificamente das questões atinentes à prevenção e resolução de conflitos relativos ao acesso à água.
 
Sem dúvida, estas propostas, aprovadas no FÓRUM DA ÁGUA, constituem um conjunto ambicioso de medidas, todas na mesma direção: antecipar a solução definitiva de uma carência social de conseqüências fatais, já que negar o direito de acesso à água é negar o direito à vida.
Por outro lado, cabe uma ressalva: o direito universal de acesso à água, com o qual todos concordamos, não pode se transformar em alvará para atropelar o direito de cada nação soberanamente decidir sobre suas reservas e sobre a gestão de seus recursos naturais.
 
De toda forma, as conclusões do 2° FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA demonstram uma crescente percepção e conscientização com relação a este vital problema. Conscientização que é essencial para induzir à organização e à mobilização, capazes de gerar pressão popular suficiente para fazer surgir a "vontade política" (que não nasce por geração espontânea6), que fará com que temas ambientais, como é o caso da escassez de água, passem a fazer parte da agenda dos Parlamentos e dos Governos.7

1 -Deputado Federal (PSDB/ SP). Foi Secretário Estadual de Recursos Hídricos (gestões Covas e Alckmin) e 1° presidente do 1° comitê de bacias hidrográficas (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) implantado no Estado de São Paulo.
2 -Grifo AADF
3 -Idem
4 -Grifo AADF
5 -Idem
6 -E sim por pressão popular… Addendum de AADF
7 -Grifo AADF

O CORDÃO DE SÃO FRANCISCO E A CAPOEIRA ANGOLA ?

São Francisco ?
Cordão dos Angoleiros?

A pergunta de Carlos Henrique Pereira, Rondonópolis/MT:
 
"Caros amigos, antes de mais nada venho parabenizá-los pela home-page sobre capoeira que é uma arte que merece ser exposta ao mundo já que é a cara do brasil. venho através desta procurar ajuda de vossa parte para solucionar uma dúvida oriunda de um encontro de grupos de capoeira que se deu na cidade de rondonópolis-mt, a pouco. comentou-se que houve certa vez, pelos primeiros praticantes de capoeira angola, uma graduação por eles criada, e que se era utilizada cordas franciscanas para representá-la. aguardo ansioso resposta de vossa parte para podermos elucidar de vez esse assunto. agradecendo desde já a atenção recebida, subscrevo-me.
Carlos Henrique Pereira carloshp@zaz.com"
A resposta:
O estilo de capoeira conhecido como "angola" nasceu em 23 de fevereiro de 1941 com a fundação pelo Mestre Pastinha do "Centro Esportivo de Capoeira Angola" como podemos verificar no manuscrito abaixo reproduzido de autoria do próprio Mestre Pastinha.
 

A. A. Decanio Filho (Organizador) – Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA (pg 3b)

Seus fundadores foram:
 


A. A. Decanio Filho (Organizador) – Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA (pg 4a)
 


A. A. Decanio Filho – A herança de Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA

Os primeiros capoeiristas se diziam jogadore de capoeira, sem mais pretenções de categorias.
Os que aprendiam, como Totonho de Maré, apreciando as ‘brincadeiras", "vadiação" ou "jogo" praticado pelos mais destros reunidos em em torno dum mais velho ou mais respeitado pela técnica, musicalidade, sabedoria ou idade, se diziam discípulos do "dono" da roda ou "mestre" (aquele que dirige, governa ou coordena o grupo de trabalho ou de diversão, em nosso linguajar popular).
Aqueles que aprendiam particularmente com alguém, mesmo que este não dirigisse um grupo ou roda, se diziam discípulo do mesmo e o chamavam de "mestre".
Só existem, portanto, três categorias de praticantes: aprendizes ou alunos, jogadores ou capoeiristas e mestres.
Como o grupamento social era pequeno, todos se conheciam e eram chamados pelo nome ou apelido, sendo desnecesários uso de insígnias ou simbolos.
A capoeira era jogada como diversão em reuniões festivas, de modo semelhante aos sambas e batuques, com as vestimentas de trabalho ou de gala, com a preocupação de não sujar ou estraga-las.
Jamais, a partir do meu despertar para a capoeira, aos 7 anos de idade ou em 1930, ouvi falar em, nem vi, uso de cordões entre os capoeiristas antigos, mesmo depois da criação do estilo angola pelo Mestre Pastinha.
Pelo contrário, os seguidores de Mestre Pastinha, conhecidos como "angoleiros", abjuram o uso de cordões e insígnias semelhantes.
O uso de fitas para expressar graduação foi proposto pelo Mestre Senna, aluno dissidente do Mestre Bimba, criador da capoeira "estilizada" (cujo verdadeiro significado até hoje desconheço) e de raizes no estilo "regional" de Mestre Bimba, hoje adotado pela maioria dos praticantes de "regional" moderna. Alegava Senna, que os escravos amarravam as calças com cordeis, sustituídos, na capoeira estilizada, pelas fitas de cores da bandeira brasileira, em paralelo ao sistema das artes marciais, às quais pretendeu incorretamente filiar a nossa capoeira da Bahia. Mestre Itapoan (Dr. Raimundo Cesar Alves de Almeida) adotou o cordão em substituição à fita de Senna.
Mestre Bimba, por sugestão nossa, adotou o uso de lenços coloridos para diferenciar as várias categorias de atletas e instrutores instituidas pelo anteprojeto de nossa autoria encaminhando à Confederação Brasileira de Pugilismo para regulamentação da capoeira como desporto na década de sessenta.

Angelo Augusto Decanio Filho, Salvador/BA, 24/12/98