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Portugal: 15º Festival Alto Astral

Chegámos à 15ª edição do nosso Festival! São 17 anos de trabalho e 15 anos de Alto Astral, contem com boas rodas, aulas, espectáculo de danças, jantar, palestras e mostras de vídeos, tudo no maior Alto Astral. Vamos fazer deste fim-de-semana, um momento especial e com muita e boa energia, juntamente com mestres e amigos que fazem já parte da história desse grupo.

. Aulas de Capoeira e palestras;
. Oficinas de percussão e instrumentos;
. Jantar com espectáculo;
. Festa Brasileira;
. Criação de espaços para associações e entidades convidadas;
. Aulas de danças;
. Mostra de vídeo permanente;
. Palestras e exposições;
. Loja e espaço de convívio.

Valores: 
50?* » Capoeiras de outros Grupos e CAA Alentejo, Madeira e Roménia (Aulas + actividades todos os dias).
35?* » Para um dia. 
75?* » Todos os alunos CAA Lisboa e arredores.
8?* PARA quem VAI aparecer na RODA de SEXTA-FEIRA
– Não Inclui Jantar de Sábado*

CONTATOS:

Mestre Marco António
+351 962 988 467
+351 915 808 623

marcoantoniocaa@hotmail.com

A Mercadorização da Capoeira

O crescimento da capoeira a nível mundial tem sido um fenômeno importantíssimo de divulgação e valorização dessa arte-luta que durante muito tempo sofreu uma perseguição implacável no Brasil. Porém essa “globalização” da capoeira traz também conseqüências negativas. O capitalismo sabe muito bem como se apropriar dos bens produzidos pela sociedade – sejam eles materiais ou imateriais – para adequá-los à sua lógica perversa. Percebemos assim, uma tendência que vem crescendo nos últimos anos, de transformação da capoeira em mais uma mercadoria na prateleira dos “shopping centers das culturas globalizadas”. Se por um lado, isso garante a divulgação dessa manifestação para um público cada vez maior, por outro faz com que ela perca muito dos seus traços identitários que a caracterizam como cultura tradicional de resistência.

Muito nos preocupa uma determinada visão sobre capoeira – que predomina atualmente numa parcela muito grande de mestres, professores e alunos – que enfatiza somente os aspectos mercadológicos dessa manifestação, priorizando modismos e uma estética “espetacularizada” e superficial da prática da capoeira, em detrimento de uma visão mais profunda, preocupada com a historicidade, a ancestralidade, os aspectos rituais, a filosofia e os valores implícitos nessa prática, que tornam o praticante de capoeira, um sujeito mais consciente sobre si mesmo, e sobre a sociedade da qual faz parte.

E em nossa opinião, é justamente aí que reside o valor educativo da capoeira. Ela só pode servir como instrumento de educação, se estiver voltada para esses valores mais profundos da existência humana, que a experiência africana no Brasil soube tão bem traduzir. Uma manifestação que foi capaz de resistir a séculos de violência e opressão e soube preservar as formas tradicionais de transmissão dos saberes através da oralidade, do respeito aos mais velhos e aos antepassados, da valorização dos rituais, do respeito ao outro (mesmo sendo ele adversário!), do sentido de solidariedade e da vida em comunidade. Esses valores constituem-se em saberes riquíssimos que estão presentes na capoeira e, que num processo educativo, têm muito a contribuir na formação de sujeitos mais humanizados e conscientes de seu papel na sociedade.

Por outro lado, se a capoeira for vista apenas como uma estratégia de marketing, como prática corporal de modismos feita por corpos musculosos e acrobáticos, dissociada de seus aspectos históricos e culturais, ou como mera mercadoria de consumo, voltada para grandes massas que se satisfazem com práticas superficiais e descompromissadas, ela então deixa de ter esse caráter de prática libertadora e contestadora da ordem social injusta – característica que sempre a acompanhou desde sua origem – para transformar-se em mais uma mera atração do parque de diversões da “feliz” e excludente sociedade de consumo capitalista.

Não podemos deixar que isso aconteça !!!

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Reflexão: Capoeira Angola: Uma idéia, não um estilo!

Entendo que a capoeira angola, finalmente, seja uma idéia, não um estillo!

Agrega valores que a define como um caminho, um ideal, uma causa, uma ação ligada diretamente para causas sociais, o sindicato dos excluidos, o grito dos humildes, a voz da plebe e de todos que necessitam de discernimento, independente de estilos, que já é próprio, inerente, sendo que expressamos em movimentos o que somos.

Precisamos mudar o conceito atual, que a capoeira angola é o estilo dos velhos, dos lentos, da capoeira sem combatividade, do jogo embaixo, somente, é tudo isso e muito mais.

É a idéia dos velhos sim, não o estilo.

Estamos herdando toda essa idéia dos velhos, e estamos deixando essa idéia se perder por falta de discernimento, responsabilidade, compromisso, atitude.

Temos que treinar, estudar, treinar, ler, treinar, vivenciar, treinar e treinar, para mudar esse conceito ridículo que está levando todos para outras vertentes.

Temos que fazer da capoeira angola realmente uma filosofia, compromisso para que possamos moralizá-la. Chega a ser desleal, sendo a capoeira angola a que embate ao sistema, somos naturalmente excluídos das mídias, tornando nossas idéias ainda mais ocultas.

Penso que seje essa a identidade da capoeira da Ilha, capoeira angola, agregada a todos esses valores, onde jogamos em baixo, em cima, no meio, voando, onde os berimbaus arrepiam os pêlos, onde a ladainha cala fundo em que ouve, onde o Mestre ainda tem autoridade sem ser autoritário, sem excluir as pessoas por não estarem de cintos ou sapatos, com malandragem, revide, educação, combatividade, resistência discernimento cultural, compromisso e muito treino para que possamos estar nas ruas com a nossa idéia moralizada, para que possamos dar visibiliade e atrair pessoas para compartilharem dessa idéia chamada angola.

Sinto que alunos e até alguns mais velhos não sentem orgulho da vertente, acabam por desistirem e desistimulam futuros angoleiros. Rodas ecléticas, cada qual com seu estilo dentro de uma idéia chamada angola, onde cada qual leva o que tem e trás o que precisa para sua vida.

Sem esteriotipar os sentimentos, os movimentos,os pensamentos.

Essa idéia que chamo de angola é a força é o meio, e não devemos distorcer nem permitir que deturpem, criando outro conceito que nada irá contribuir para o esclarecimento de toda essa estrutura escravista que está aí nos oprimindo.

Temos que ter orgulho do que somos, sou angoleiro, sim sinhô!!!

 

QUILOMBOLA CAPOEIRA ANGOLA

Mestre Pinoquio – mpinoqcap@hotmail.com

FECABA: Campanha Capoeira Solidária o Haiti é Aqui

A Federação de Capoeira da Bahia dar um salto e sai na ginga solidaria a favor do povo do Haiti.

Capoeira solidária o Haiti é Aqui!

A campanha capoeira solidária o Haiti é Aqui! desenvolvida pela Federação de Capoeira da Bahia – Fecaba, tem como objetivo ajudar os sobreviventes do terremoto no Haiti. Esta campanha será de âmbito internacional e conta com o apoio de todos os seguimentos, seja artísticos, capoeirísticos, empresarial, governamental ou militar. O importante é a nossa contribuição com recurso financeiro depositado numa conta corrente, alimentos e agasalhos para o povo haitiano.

A federação de Capoeira da Bahia É uma entidade civil de direito privado, representativa dos interesses e desenvolvimento do desporto e da cultura da capoeira afro-brasileira em todo território do Estado da Bahia, que tem como objetivo apoiar, desenvolver, organizar, representar a capoeira da Bahia e tendo como missão disseminar a capoeira como instrumento de contribuição e construção cultural na Bahia e no mundo. Tornando-a conhecida do grande publico como os capoeiristas e turistas nacionais e internacionais, admiradores, investidores, empresários, empresas, etc. Tendo como visão ser vista como uma entidade que preserva a capoeira com sinceridade, respeito e acima de tudo valorização cultural e histórica. E como princípios e valores, a deferência aos grandes mestres tendo como sustentáculo um bom procedimento, para garantir a salvaguarda das tradições: Angola e Regional.

Seja você também um solidário

Faça a sua doação.

 

PROGRAMAÇÃO

Abertura com grupo de dança afro

Apresentação da nova diretoria da FECABA

Apresentação dos objetivos, missão, metas, visão e valores da FECABA

Debate com a plenaria

Apresentação da campanha Capoeira Solidária o Haiti é Aqui!

Roda de capoeira (só mulheres) em homenagem ao dia internacional das mulheres

Roda de capoeira mista

Samba de roda

 

TONHO MATÉRIA

DIRETOR DE MARKETING

São Gonçalo: Aulas de Capoeira Gratuitas

Aulas gratuitas de capoeira em São Gonçalo

O Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) e a Associação de Capoeira Negrinhos de Sinhá VII vão oferecer, aulas gratuitas, de capoeira esse mês. Elas serão dedicadas às crianças a partir de 9 anos e adolescentes até 17 anos de ambos os sexos.

O objetivo desse trabalho é oferecer à população gonçalense mais uma alternativa para a busca da qualidade de vida. Além disso, o MMSG e a associação acreditam na formação de valores humanos éticos baseados no respeito, na socialização e na liberdade por meio das expressões artísticas.

As rodas vão acontecer toda quinta-feira, das 15h30 às 16h30

Fonte: São Gonçalo Online – http://www.osaogoncalo.com.br

(Foto: Divulgação)

Capoeira e Identidade Cultural

O assunto é: Capoeira e Cultura:
 
Roda de Capoeira em comemoração ao Dia da Cultura e da Ciência. Roda Realizada no Distrito Federal no Ministério da Culutra. O Ministro Gilberto Gil, toca berimbau, canta na roda e fala da Importância da capoeira como elemento de divulção da nossa cultura pelo mundo e também como elemento formador de nossa identidade cultural.
 
Nosso ativo parceiro Fábio Moreira de Araújo (Mestre Onça) nos envia uma matéria sobre o tema com uma abordagem bastante atual, dentro deste contexto remomendamos que assistam ao video e saboreiem o texto.
 
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Capoeira e Identidade Cultural

Para compreendermos um pouco mais a importância da capoeira como elemento formador das nossas raízes culturais, é necessário fazermos um retrospecto histórico para entendermos o contexto do seu surgimento e de outros elemento culturais como o carnaval e a música.  Em análise ao contexto histórico,  da situação do indígena brasileiro, observamos a sua importante contribuição na formação étnica do nosso povo. Notamos que no caso particular  dos indígenas, houve uma destruição dos seus valores  culturais que os identificavam como seres humanos.  Os europeus (portugueses), ao chegarem à América, encontraram esta terra habitada por seres humanos: milhões de índios. Por pensar que  estavam chegando as Índias, deram  a esses habitantes o nome de índios. Essa denominação permanece até hoje, mesmo depois de ter percebido o engano. Perguntas que muita gente faz até hoje é: Qual a sua origem? Como foi o seu contato com os brancos? “ A verdade consiste no seguinte: quando os portugueses chegaram já havia toda uma organização social dos indígenas, mesmo não sendo  grupos totalmente homogêneos. Os indígenas já dominavam conhecimentos nas áreas  de astronômia, ecologia, veneno de caça e pesca, tapiragem, borracha. Nas artes tinham conhecimento sobre a pintura corporal, plumagem, arte em pedra, madeira, cerâmica, desenho, música e dança”. (1)

“… Existiu todo um processo colonizador do qual os índios brasileiros foram vítimas. Primeiro foram cativados para o trabalho de exploração do Pau Brasil, em seguida a sua troca por objeto que exerciam fascínios e por último, veio a escravização e a tentativa de fazê-lo trabalhar na lavoura da cana-de-açucar…” ( Galleano apud, Piletti 1991. P. 20 ).  Dentro desse processo de aculturação, muitos índios que conseguiam sobreviver eram submetidos  a um processo de descaracterização  cultural  através da catequese e da própria convivência com o branco. Dessa forma, muitos foram perdendo a sua identidade cultural, substituindo seus valores, crenças e costumes pelos valores, crenças  e costumes do colonizador europeu.  Transformaram-se em seres marginalizados e explorados dentro da sociedade dos brancos.

(01)PILETTI, Nelson. História do Brasil. Ed. ÁTICA, 1991. Pp. 18/19.

Os índios dos Brasil perderam  a sua identidade, mas sempre-se rebelaram contra os colonos que tentavam escarvizá-los e muito desses grupos foram quase que totalmente exterminados. Em várias regiões mais rica do país, os senhores de engenho resolveram trazer escravos africanos para suas plantações.  Por volta de 1.550 teve início a presença negra no Brasil (chegaram da África os primeiros navios negreiros com escravos, aportando-se  em várias regiões do país). O tráfico tornou-se  uma atividade bastante lucrativa e milhares de negros foram trazidos para o  novo continente. Iniciou-se  um longo processo de formação da população étnica brasileira. “… A formação  da população brasileira originou-se  de três grupos  o indígena, o branco e o negro.  Do cruzamento entre esses diferentes grupos resultou o elemento étnico que genericamente chamamos de mestiço ( caboclo, mulato e cafuzo). O mestiço constitui-se  a origem do povo brasileiro. O caboclo é o resultado do cruzamento  do branco com o índio, o mulato é o cruzamento do branco com o negro e o cafuzo e o cruzamento do negro com o índio…”(2)

Dessa forma, o Brasil vai se  transformando num verdadeiro mosaico étnico cultural. Começam  a surgir as tradições  e lendas do nosso folclore.  A palavra folclore vem do inglês FOLK-LORE   “Pensamento popular”, criada pelo estudioso William Thomas. Folclore é a maneira de sentir, agir e pensar de um determinado povo. Entre  as principais brincadeiras e lendas ligadas ao nosso folclore temos: A brincadeira de vaqueiros, a vaquejada, o bumba meu boi, o carimbó, a caatira, caipora, curupira, mula sem cabeça, saci-pererê, lobisomem. “ Temos as festas populares na Bahia como o afoxé, que é o sagrado participando do profano. Essa é a única festa religiosa que os membros do candomblé (de origem jeje-nagô) terão que cumprir.


(02) COELHO, Marcos Amorim. Geografia do  Brasil. ED. Moderna, 1992. P. 101.

“ O afoxé é  um candomblé adequado ao carnaval. Temos também o candomblé que é um ritual ou culto africano, trazido pelos escravos negro durante o período colonial. Temos também na Bahia a festa de Iansã ou  Santa Bárbara, a festa da Conceição da praia no dia 08 de dezembro, a procissão de nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes, a festa da Ribeira, festa de Iemanjá, Pesca do  xaréu ( nas praias de amaralina e itapuã), lavagem do Bonfim, que é a Segunda maior festa popular da Bahia depois do carnaval e acontece na manhã  da terceira Quinta feira do mês de janeiro”. (3)

Roberto Mamata (1993), na sua obra intitulada “ Carnavais, Malandros e Heróis”,  faz uma análise sucinta e detalhada dos valores e atitude  das pessoas. Segundo o autor da obra existem dois tipos de pessoas que identificam a nossa brasilidade. O primeiro é a figura de  do malandro (estudada sobre a figura de pedro malassartes). Aqui o malandro é um ser deslocado de regras formais da estrutura social, fatalmente excluído do mercado de trabalho, aliás definido como totalmente individualizado e avesso ao trabalho. E o segundo é o renunsciador (Augusto Matraga, personagem de Guimarães Rosa). Este se fecha num mundo totalmente seu, deixando de lado prazeres e valores sociais.

Roberto Damata (1993) apud Reis (1996), A música popular é cheia de representações, são manifestações concretas, elabora, reflete, representa e dramatiza certos valores da sociedade brasileira, tornando-os importantes, e cheios de sentido e intencionalidade. A capoeira, o carnaval e a música são elementos importantes na formação  da nossa cultura. Nesse pequeno ensaio, não vamos fazer um estudo minuncioso e detalhado de todos os seus aspectos, buscaremos as relações e contribuições desses elementos na formação da nossa identidade cultural. A música popular brasileira tem participação importante enquanto elemento de expressão popular. Em análise ao dálogo existente nas cantigas dos negro Ortiz (1951) apud, Rego (1968), examinou seus vários aspectos mostrando sua importante contribuição como elemento formador das  nossas raízes culturais.

(3) AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos – Guias de ruas e Mistérios,  Ed. Record, 1986. Pp. 128-143.

“ O conceito de “cultura popular” se confunde, pois, com a idéia de conscientização.  Subverte-se dessa forma o antigo significado que assimilava a tradição à categoria de cultura popular.  “ Cultura Popular”, não é, pois, uma concepção de mundo das  classes subalternas, como e para Gramsci e para certos folcloristas que se interessam pela mentalidade do povo” (4)

Hermano Vianna (1995) apud Reis (1996), faz uma análise da história do samba como expressão  cultural e  identidade nacional brasileira.  A partir da década de 30, começa  um processo de reconhecimento de identidade  de povo “sambista”. Existia ainda uma tendência de transformar o samba em rítimo nacional do brasileiro. O samba passaria então de rítimo subversivo da ordem à música nacional e oficialmente aceita. As músicas cantadas nas rodas de capoeira tem valor historicamente consagrados para a vida social do brasileiro, seja do ponto de vista etnográfico, histórico e cultural. Essas cantigas falam da vida do negro (as senzalas,  a escravidão, os quilombos etc…). A capoeira surge dentro desse contexto como uma manifestação cultural brasileira. Essa  era a única arma que o negro  dispunha para livrar-se do sistema opressor, que lhe retirava toda essência como ser humano.

Segundo Ortiz (1995), existe na história da intelectualidade brasileira uma tradição em que diferentes momentos histórico procurou definir-se a identidade em termos de caráter  brasileiro. Sérgio B. Holanda buscou as raízes do brasileiro na “cordialidade”, Cassiano Ricardo na  “bondade” e Paulo Prado na “tristeza”, outros estudiosos procuram encontrar a brasilidade em eventos sociais ou ainda na índole malandra do ser nacional com fez Damatta.

(04) ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira & Identidade Cultural. Ed. Brasiliense, 1995. P. 72

“… Se por um lado a identidade cultural preservada se apresenta como uma questão de sobrevivência em oposicão a uma estrutura excludente, por outro lado surge o problema da possibilidade da preservação dessa identidade no contexto da modernização…” (5). Sabemos que a cultura é um processo dinâmico, influencia e sofre influências constantemente. A capoeira como parte importante de nossas manifestações culturais não pode ficar imune a essas transformações. Hoje a capoeira está sofrendo um processo de massificação aceleradíssimo , que pode estar levando-a a descaracterização enquanto arte-luta. Seria  possível, hoje, praticar aquela capoeira do passado com todos os seus rituais? Achamos que é importante analisarmos, entendermos e conhecermos a sua tradição cultural, ligada as suas raízes  para que possamos criar e recriar, inventar e reinventar, não deixando acontecer o mesmo que aconteceu com as sociedades indígenas. Preservando assim, as suas essências, sem descaracterizá-la como manifestação  autêntica da cultura do nosso povo.

(05) VIEIRA, Luiz Renato, Cultura Popular e Marginalidade, in  Revista de Educação e Filosofia –  Vol. 04 nº 08 jan/jun 90.

 
Um abração,
Mestre Onça
Beribazu-DF

BID seleciona projetos culturais de pequena escala

O Centro Cultural do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anuncia sua convocatória de propostas para concessões de ajuda financeira em 2009 a projetos de desenvolvimento cultural de pequena escala. As propostas devem ser enviadas antes de 31 de janeiro de 2009 para as Representações do BID nos 26 países da América Latina e do Caribe que são membros mutuários do Banco. As doações únicas, em valores que variam de US$ 3.000 a US$ 10.000, serão concedidas a propostas que satisfaçam uma necessidade local, contribuam para os valores culturais, estimulem a atividade econômica e social de forma inovadora e bem-sucedida, apóiem a excelência artística e contribuam para o desenvolvimento dos jovens e da comunidade.

O Programa de Desenvolvimento Cultural foi concebido para estimular o desenvolvimento de projetos inovadores, preservar e recuperar tradições e conservar o patrimônio cultural, entre outros objetivos. Os projetos são avaliados de acordo com sua viabilidade, alcance educativo, uso eficaz de recursos, capacidade de mobilizar recursos financeiros adicionais e impacto de longo prazo sobre a comunidade. O BID pode financiar até dois terços de um projeto. As organizações locais são responsáveis por proporcionar o resto dos recursos e apoiar o projeto de modo sustentável. Desde 1996, o Programa de Desenvolvimento Cultural tem demonstrado a eficácia de microinvestimentos em empresas culturais comunitárias para a geração de empregos e desenvolvimento de capacidade.

Fonte: http://www.comunicante.jor.br/

Letícia Núñez Almeida
Núcleo de Políticas Públicas para o Povo Negro
Coordenação de Direitos Humanos
SMDHSU- Prefeitura de Porto Alegre

Tels: 51 32897037, 32897049, 32897017

Raízes do Brasil realiza IX Batizado de Capoeira em Luzilândia.

Grupo de capoeira faz batizado e integra alunos ao projeto "Esporte para o Futuro"

O grupo Raízes do Brasil realizou no início da noite de sábado, o IX Batizado de Capoeira em Luzilândia, no Ginásio Dr. Vilarinho, envolvendo alunos dos projetos "Corpo Ativo", de São Bernardo (MA) e "Esporte para o Futuro". O batizado também fez parte da programação de aniversário de Luzilândia. A Associação Cultural de Capoeira do Piauí, Raízes do Brasil, realizou ontem, 8, no ginásio de esportes Dr. José Vilarinho, em Luzilândia, o IX Batizado de Capoeira, que teve a coordenação do professor Mucuim e do mestre Tucano.

O evento, que também fez parte da programação de aniversário da cidade, em seus 118 anos, reuniu, além das dezenas de alunos atendidos pelo projeto "Esporte para o Futuro", desenvolvido pela municipalidade, várias pessoas da sociedade. O Portal Luzilândia.com foi convidado para o evento que iniciou logo no início da noite, com a apresentação do projeto e dos resultados que a capoeira vem apresentando em Luzilândia, pelo professor Mucuim, acompanhado da palavra da prefeita Janaínna Marques.

A capoeira é e continuará sendo uma das ferramentas de inclusão e revolução cultural e esportivas de jovens e adultos, estejam em situação de risco ou na vulnerabilidade. Uma comitiva especial de Teresina veio para o batizado dos alunos luzilandenses.

O Grupo Raízes do Brasil tem como filosofia contribuir para a formação de valores humanos éticos, baseados no respeito, na socialização e na liberdade. Tentamos despertar em nossos capoeiristas uma visão ampla do universo em que a capoeira está inserida, priorizando a conscientização nos aspectos da defesa da natureza; valorização da cultura brasileira e integração social.

O maior objetivo de qualquer capoeirista, dentro de qualquer capoeirista, dentro de qualquer grupo de capoeira é chegar a ser um mestre de capoeira. No grupo Raízes do Brasil não é diferente. Toda graduação do grupo caminha para esse objetivo. Contudo, para ser um mestre de capoeira no Raízes do Brasil é preciso muito mais do que força, malícia, flexibilidade, gingado ou qualquer outro talento.

Tanto o grupo quanto o projeto "Esporte para o Futuro", da administração municipal, tem como grande objetivo a valorização do ser humano, do indivíduo, do aluno, desde iniciante até graduado, e a capoeira ajudará a atingir esse objetivo.

O desenvolvimento da arte da capoeira, por meio de profissionalização do capoeirista; elevação do nível técnico e teórico no ensino da capoeira, bem como sua utilização como recurso pedagógico, artístico e/ou cultural.

Consideramos a capoeira a expressão viva da liberdade de um povo, uma arte ancestral que deve ser praticada com reverência e merece respeito e atenção. Preservar seus valores é uma de nossas metas. Nosso trabalho aponta para a necessidade de valorizar o ser humano e o capoeirista.

 

Fonte. http://www.tvcanal13.com.br

Foto: Antonio Neto

Mostra “Cultura Afrô-brasileira Salvador – Florianópolis”

A Academia João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola / Rio Vermelho, convida a todos para a Mostra "Cultura Afrô-brasileira Salvador – Florianópolis" que irá se realizar no C.E.C.A. de Florianópolis / Canto da Lagoa de 9 a 11 de Novembro de 2007 (ver cartaz)

 

Clique para ampliar o cartaz…

 

Objetivos

  • Desenvolver a Capoeira Angola, numa dimensão global, divulgando-a como uma manifestação cultural afro-brasileira e oportunizando o aprendizado de seus diversos elementos estéticos através de vivências (Rodas de Capoeira Angola), aulas práticas e teóricas, públicas e privadas, na perspectiva de contribuir, entre outras coisas, para a construção de uma identidade cultural em seus participantes, da comunidade e associados;
  • Organizar e manter acervo da cultura afro-brasileira, em especial no que diz respeito à Capoeira Angola, preservando a técnica e estilo de Mestre João Pequeno de Pastinha, de forma a funcionar como um centro de formação e multiplicação de angoleiros;
  • Adotar políticas públicas e promover a educação complementar entre jovens adolescentes, enfocando a preservação das raízes culturais e a formação cidadã;
  • Proporcionar oportunidades de integração entre as famílias e a comunidade em que a mesma está inserida;
  • Proporcionar oportunidades de capacitação técnico-profissional para a comunidade e associados;
    Implementar oficina experimental para o fabrico e divulgação dos instrumentos referentes à Capoeira, utilizados nas aulas e demais rituais;
  • Estimular a prática da Capoeira Angola como forma de afirmação do caráter ético social e moral dos seus praticantes e associados, centrada nos valores da convivência pacífica entre os homens em detrimento da violência física, psíquica e moral;
  • Propiciar a incorporação dos valores dos direitos humanos e da cidadania.

www.ceca-riovermelho.org.br

O Elo Perdido – Parte 2

A capoeira e os capoeiristas até 1930, estavam nas favelas, nos guetos, nos cais, nos armazéns, nas festas populares, nas feiras, com sua natureza combativa, irreverente. Não havia estilo de capoeira e nem escolas. Aprendia-se no dia-a-dia, nas rodas, nas feiras. Era coisa de vagabundos, marginais, negros… Éramos assim rotulados.
Os capoeiristas eram todos de uma mesma classe, classe inferior. Cada qual com seu jeito próprio de expressar fisicamente suas amarguras ou alegrias, porém com os mesmos objetivos culturais,mesmo que inconscientes, que era ser e existir com dignidade.
 
Promoveram fortes conflitos com a polícia, desencadeando uma verdadeira guerra à sociedade da primeira classe. O que era considerado pelos poderosos, bagunça, desordem, carnificina, para os capoeiristas era nada mais do que reivindicação dos direitos básicos. Era o nosso sindicato. Por isso, tentaram aniquilar os capoeiristas com prisões, assassinatos, leis federais, deportações, aliciações, como fazem nos dias de hoje, com os que ousam liderar qualquer movimento contra os interesses dos poderosos, são assassinados, comprados ou desmoralizados.
 
Os capoeiristas estavam apavorando a sociedade branca por terem espírito combativo, resistente, não se intimidavam, nem se vergavam diante do sistema. E a capoeira continuou combatendo, reivindicando, revidando, porém dissimulada, com sua identidade avessa, marginal, temida, respeitada. Os poderosos, na tentativa de suprimir a capoeira e os capoeiristas, passaram a conhecer o poder combativo e resistente dos mesmos. Não tendo êxito com pancadas e assassinatos, gerando sempre mais revolta e revide, mudaram a tática de combate à capoeira. Infiltraram-se, nos adotaram, e com a falsidade de sempre, de que iriam nos incluir, nos respeitar, simplesmente nos amansaram, enfraquecendo os ideais da luta cultural e quase nos matam o espírito.
 
Essa adoção da capoeira pelo governo teve início na época em que Getúlio Vargas foi o ditador do Brasil, na década de 30. Sabemos que os políticos representam os poderosos e tudo que fazem é para simplesmente se manterem no poder e darem continuidade ao covarde projeto de seus antepassados: “comer sem trabalhar”. No momento em que nossos reais inimigos nos adotaram, o conflito que era declarado, entre as elites e os da classe inferior, que antes invadiam, pilhavam os candomblés, reprimiam os capoeiristas, na tentativa e suprimir toda cultura afro, ficou mascarado. Aparentemente não havia mais conflito, a capoeira passaria a ser esporte nacional, passando a ser consumida pela classe média, que eram os filhos dos opressores. Sendo a capoeira um embate à eles mesmos, jamais poderiam compreender a fundo o que representava a capoeira para os que estavam na miséria. Só compreende realmente, quem sofre na pele, o que não era o caso da classe média. Tanto é verdade que Jair Moura, escritor e capoeirista, um dos poucos que o Mestre Bimba graduou, diz que “a capoeira antes de Bimba era instrumento de ataque e defesa manejado principalmente (na Bahia) por desordeiros indisciplinados das camadas mais humildes da população e que a maior contribuição de Bimba foi transformar a capoeira num esporte que granjeou muitos adeptos, além da criação de uma verdadeira metodologia para o aprendizado da luta dos negros, tornando-a um verdadeiro curso de educação física”. Verdadeiro absurdo, Jair Moura desvaloriza toda capoeira antes da adoção pelo governo, não percebe a face de resistência cultural, julgando-os simplesmente desordeiros. Não foi Bimba quem tirou a capoeira da “margem” e sim o Governo, para sua conveniência. Não estou culpando-os, tinham outros valores, comiam, estudavam, viajavam, iam ao teatro, eram direcionados para leitura etc… Muitos, até acredito que se sensibilizavam com tamanha desigualdade, mas muito longe de compreenderem de fato tal contraste.
 
O que me entristece é saber que muitos da classe inferior, que conseguiram com muito esforço e sacrifício estudarem, quebrando a regra da ignorância, foram absorvidos totalmente pelo sistema. E hoje cheios de títulos, trabalham para distanciar cada vez mais a capoeira de seu objetivo, transformando-a em simples atividade esportiva. Deturparam o trabalho do Mestre Bimba, que foi o escolhido pela elite para servir de modelo referência para todo esse processo de descaracterização dos reais objetivos culturais da capoeira.
 
Mestre Bimba foi um grande lutador e quando foi chamado para ir ao Palácio do Governo da Bahia, não tinha dúvida de que iria ser preso. A capoeira até então era “coisa” de malandro (da perspectiva da elite) e uma ameaça aos bons costumes. Sendo o Mestre negro e capoeirista, não restavam dúvidas quanto à sua prisão. Mas foi surpreendido pelo Interventor Geral da República, convidando-o para exibir sua capoeira aos “ilustres convidados”. Em 1937 então, Mestre Bimba foi autorizado pelo Governo a ensinar a capoeira em recintos fechados, tirando-a da “marginalidade”. Não é de estranhar tanta flexibilização por parte do Governo? Com certeza fizeram exigências, resultando em uma nova tradição para capoeira, tradição essa que não a associasse ao caráter marginal da então capoeira que era jogada e ensinada inclusive pelo próprio Mestre Bimba, antes de toda essa falsa abertura pelo Governo.
 
Mestre Bimba foi e sempre será para nós um grande capoeirista, mas para as elites não passou de inocente útil aos seus interesses. A capoeira saiu dos guetos, não os capoeiristas, tanto é verdade que depois de usado, Mestre Bimba foi descartado pelos mesmos, vindo a morrer na miséria como todos os de sua classe.
 
A classe média passou a consumir a capoeira, enxertaram seus valores, que não eram os valores dos que estavam nas favelas e promoveram a capoeira na versão burguesa mundo afora. Esse é o modelo de capoeira que ganhou espaço na mídia, visibilidade e apoio, em detrimento da capoeira cultural dos resistentes velhos mestres. A capoeira adentrou a sociedade, porém sem espírito, totalmente desprovida de suas raízes, sem identidade, sem causa, sem ideais.
Essa abertura do Governo à capoeira, não foi conquista dos capoeiristas, se fosse realmente nossa conquista, a capoeira não precisaria ser remodelada para o consumo das classes abastadas, perdendo totalmente a identidade.
 
Precisamos resgatar urgentemente para nossa expressão física, o espírito, os ideais por melhores condições de vida, por equilíbrio social entre os que trabalham e os que mandam trabalhar. Esse é o elo perdido, esses são os objetivos. Caso contrário, continuaremos a reproduzir o sistema social escravista, dentro de uma arte libertária.
 
Não estamos incluídos no contexto social, uma guerra social mascarada, onde as armas são as canetas e nossa total desarticulação. Com isso estamos permitindo que usem o nosso sindicato contra nós mesmos. Se não resgatarmos esse elo, a capoeira não terá mais o objetivo que teve no passado, que era combater a desigualdade social.
 
Para que possamos entender a capoeira de hoje, temos que urgentemente nos informar, ler as histórias do passado, para nos situarmos no presente. Sei que para nós é muito difícil ler, não somos educados para leitura e sim para televisão, propositalmente. A televisão trabalha para os ricos, adentra nossos lares, maquiando a escravidão, incentivando o racismo, impondo valores, modas, hábitos, atitudes, padrões. Onde há uma televisão ligada não há diálogo, ficam todos consumindo novelas e outros programas que nada contribuem para nossa vidas. Estamos descendo rio abaixo sem sabermos dos fatos anteriores, das escolhas feitas no passado, quem as fez e em que circunstâncias foram feitas, das quais estamos sofrendo as consequências.
 
Continuaremos reclamando e transferindo para o outro, o que por ignorância reproduzimos. Portanto, temos que nos organizar, nos unir, independente de grupos, ou estatutos, que foi outra forma eficaz de nos dividir. Temos que mandar à merda todos esses títulos, esses valores não servem para a capoeira, esses são valores dos burgueses.
 
Temos que parar de reproduzir o racismo, doença que nos divide, promovida hereditariamente pelas elites, sendo hoje fortemente mascarada, mas que convive conosco dia-a-dia. O fato de minha pele ser mais clara, ou mais escura, não significa que eu seja totalmente branco, ou negro, ou índio. Mesmo que haja entre nós alguém “puro”, não deve ser motivo para divisão. Nossa luta deve ser por equilíbrio social, respeito à nossa cultura, e não por supremacia de raças, sendo que estamos todos na mesma condição social. Se não nos livrarmos dessa doença chamada racismo, vamos continuar comendo restos e carregando esses miseráveis com nosso trabalho. Não podemos permitir que nos façam esquecer a escravidão do índio e do negro, com falsas histórias, ou queimando documentos como fez Rui Barbosa. Mas não devemos com isso nos dividir, pois hoje somos todos escravos. Compreendo que o negro sofra duplamente, sendo a sociedade hipócrita e racista.
 
Como se não bastassem as Federações de capoeira, que nos manipulam, vigiam, nos ditando regras, agora já temos os CREF´S, que vão criar seus filhos com o suor de nossas gingas.
 
Temos que reassumir a capoeira, exercitando as duas faces. Resgatar verdadeiramente os nossos verdadeiros Mestres. Valorizá-los de
verdade, e não simplesmente usá-los, como acontece atualmente.
As nossas reivindicações devem ser por direitos básicos, uma vez que pagamos por esses benefícios, através de duros impostos, que são desviados para o prazer e luxúrias da elite. Queremos escolas públicas em condições dignas, onde nossos heróicos professores da rede pública possam realizar seus trabalhos e serem valorizados. Universidades gratuitas para todos e em boas condições. Que o plano de saúde pública, que pagamos, realmente atenda com agilidade e eficiência os “contribuintes”.
 
Somos usados para produzir e para consumir, portanto, quem depende de quem afinal? Temos que compreender como funciona o sistema e atuarmos em benefício comum da classe. Somos os responsáveis por toda riqueza, que vem lá de trás com a escravidão do negro e do índio com a permissão e presença da Igreja Católica, que recebia 5% de cada escravo vendido.
 
Apesar de sendo nós os que alavancamos as riquezas, assim mesmo nos desvalorizam, imaginem quando as máquinas nos substituírem de vez, quando não precisarem mais dos nossos braços, onde seremos somente consumidores. Então, estará perdida de vez nossa luta.
 
Seremos jogados ao vento, como fizeram com os escravos em 1888 com a promulgação da Lei Áurea. Que por interesses comerciais, substituíram a mão-de-obra escrava dos negros, pela dos europeus. E ainda se não bastasse, tornaram a Princesa Isabel, uma escravocrata, na redentora dos negros. Infelizmente, muitas pessoas, inclusive capoeiristas, acreditam nessa mentira, são os que só vêem os fatos por cima. As histórias que nos contam, estão todas armadilhadas. Antes de acreditarmos nesses desgraçados, temos que ponderar, analisar a fundo os fatos. Sem eira nem beira, os negros foram jogados para as ruas, não tiveram direito sequer a um pedaço de terra para continuarem a sobreviver, depois de séculos de serventia e maus-tratos. As histórias se repetem, portanto: mãos à obra.
 
Dizem que é destino ser pobre, que somos incapazes, burros, inferiores, mas isso não é verdade, temos as mesma capacidade e potencial, o que falta é igualdade de condições. É muito cômodo apontar o dedo para as pessoas, e rotulá-las de burras, vagabundas, faveladas, quando temos quem nos ajude a enxergar o caminho, ou quando estamos inseridos nas classes abastadas da madrasta sociedade. Quando avançarmos na sociedade e tivermos nossos direitos
assegurados, então faremos nós mesmos nossas próprias escolhas.
Poderemos optar por estudar ou não, irmos ao dentista ou não, enfim… Teremos opção de escolha, o que não temos hoje.
 
Porque o mundo ainda é uma grande senzalaPortanto, temos um sindicato, temos uma força que é a capoeira, precisamos conhecê-la a fundo. Buscarmos dentro de nós alguma centelha de nobreza e aplicarmos nesse ideal. É uma luta árdua, onde não deve haver espaço para vaidades pessoais ou benefícios isolados.
 
Uma luta que levará tempo e sacrifício, devemos começar por nós mesmos.
Temos que tornar nossos espaços, onde exercitamos o físico, também em espaço cultural, ensinando os alunos não somente a jogar, a cantar, mas também a pensar, ajudando-os a situarem-se na história, para que sejam mais do que jogadores de capoeira ou valentões, sejam pensadores conscientes, para que possam contribuir para causa, passando à frente a mensagem.
Temos que substituir as cordas (graduações) por uma causa. Tornar os encontros de capoeira, para além do jogo, do canto. Temos a obrigação moral de contribuir para a vida dos nossos alunos, e não reproduzirmos o sistema, aproveitando-se da ignorância para tê-los às nossas conveniências.
 
A escravidão está em todos os lugares, mascarada de muitas formas, sendo promovida por capitães-do-mato travestidos, muitos deles de mestres de capoeira…”abre o zóio siri di mangue”.
 
Em causa estão as atitudes, não as pessoas!!!
 
Salve a liberdade… Viva Zumbi!
 
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CENTRAL CATARINENSE DE CAPOEIRA
Fundada em 29 de julho de 1998
CAÁ-PUÊRA
EDIÇÃO ESPECIAL:
O ELO PERDIDO – PARTE 2
POR MESTRE PINÓQUIO
MAIO DE 2007
 
ASSOCIAÇÃO CULTURAL CAPOEIRA QUILOMBOLA
“Porque o mundo ainda é uma grande senzala”