Blog

ver

Vendo Artigos etiquetados em: ver

Portugal: 4º Aniversário Academia Ginga Camará

O Grupo de Capoeira Ginga Camará comemora, em 2013, o 4º Aniversário da sua Academia.

Inaugurada em 2009, em Gândara – Leiria, este espaço conta com o trabalho de excelentes profissionais de Capoeira, Jiu-Jitsu, Muay-Thai e Ginástica Localizada.

Para comemorar esta data tão importante, contaremos com a presença de convidados de renome, entre eles Mestre Robson Bocão (Centro Cultural Alabê – Hambrugo, Alemanha) e Mestre Perna Longa (Grupo de Capoeira Arte Nossa – Porto, Portugal).

Os workshops realizar-se-ão nos dias 21 e 22 de Dezembro e terão um investimento de 25€, com tudo incluído (ver cartaz em anexo).


Évora: o Nosso Reencontro 2012

O Mestre Umoi foi um dos primeiros capoeiristas brasileiros a aportar em terras lusas para ensinar a capoeira. Nos tempos idos dos finais da década de oitenta a capoeira estava ainda em fase de implantação no continente europeu e em Portugal em plena gestação. Trabalhar com capoeira não era tarefa fácil, quase sempre o nome capoeira, em Portugal, era confundido com criação de galinhas e pouco ou nada se sabia sobre a nossa arte afro-brasileira.

Em finais da década de noventa surge um dos maiores e mais importantes encontros de capoeira de Portugal e da Europa, O nosso Encontro. Idealizado pelo mestre Umoi, o encontro era resultado da sua vivência fora do Brasi, e da ideia que lhe havia sido dada pelo Mestre Beija-Flor, um dos seus primeiros parceiros feitos nas incursões pela Europa. Foi assim que no ano 2000 surgiu O Nosso Encontro, num momento de grande eclosão da capoeira em toda Europa e em particular em Portugal, onde o grupo União na Capoeira, liderado pelo mestre Umoi, possuía sua principal inserção.

O encontro de Évora, como ficou carinhosamente denominado por muitos dos que ali passaram, preenchia uma importante lacuna na capoeira de Portugal que vinha crescendo em número de grupos e praticantes e se inseria num calendário europeu de eventos ao mais elevado nível. Por sua importância, o encontro de Évora começou a fazer parte do calendário europeu com eventos tais como O Encontro de Páscoa organizado na Holanda pelo Mestre Samara e o Summermeeting organizado na Alemanha pelo mestre Paulo Sequeira, bem mais antigos que o Nosso Encontro.

Para ser ter uma ideia da sua importância, em Portugal, era comum nos meses de verão nas conversas entre os capoeiristas, perguntar-se: E então pá!  Esse ano vais a Évora? Qualquer praticante em Portugal sabia que Évora era um momento mágico, especial, que se podia jogar com qualquer um independente da graduação ou grupo, tendo a certeza de que seria respeitado, que iria divertir-se com a capoeira, fazer amigos e restabelecer as energias para o ano seguinte. Poderia mesmo acontecer que, grupos que eventualmente possuíssem rivalidades, deixassem de lado as suas desavenças e de ambas as barricadas se fizessem alianças de amizade, e até de amor, uma vez que muitos casais ali se formaram.

O encontro, que teve em início no ano 2000, durou até o ano de 2009 e esteve parado durante dois anos. A parada, segundo os seus organizadores, deveu-se ao contexto de declínio no número de alunos, aos elevados custos que comportavam a presença de um corpo crescente de mestres, Contra Mestres e professores, mas também ao grau de dedicação intensa e voluntária que envolvia um grande esforço pessoal.

Por ocasião da sua décima edição, Pedro Abib, músico, capoerista, cineasta e professor universitário que esteve presente no ano de 2009, dedicou no site Portal Capoeira uma bela crónica onde ressaltou aspetos valiosos do Nosso Encontro tais como a diversidade, o respeito as tradições e a acomodação as mudanças que concernem a qualquer prática cultural.

 

Mesmo no contexto de crise e dificuldades Mestre Umoi e seus colaboradores lançaram mãos a reorganização do Encontro de Évora que correu entre os dias 13 e 16 de Setembro de 2012. Iara Tiago, aluno do Mestre e também uma das integrantes da organização, conta-nos com entusiasmo que participou em todas as edições do encontro :

A meu ver este encontro foi direcionado àqueles que realmente sempre acreditaram neste evento, que em 4 dias vê-se a União entre grupos como nunca se vê… e àqueles que se tornam curiosos de tanto ouvirem bem do “Nosso Encontro”. Este evento foi realmente mágico porque se viu bons capoeiras, com sorrisos e abraços, bons jogos, muito conhecimento e…Não há encontro como este. Palavras para quê? Posso dizer isto de boca cheia porque sou a aluna que nunca faltou a um evento de Évora desde 2000.” (Iara Tiago)

Quando lhe perguntei qual tinha sido para ela o melhor encontro, ela respondeu-me que o primeiro, por toda novidade que ele representava, mas também o último deste ano e que não havia como os separar. Perguntei lhe também sobre algum momento especial do evento, Iara Tiago destacou o jogo entre o Mestre Gêge e o professor Careca:

“Porque se vê dois tipos de capoeira completamente diferentes, e se notou realmente a mandinga nesse jogo. É bom ver que – nunca se esquecendo da corda que se traz na cintura – um professor mostrar, na sua pura manha e com todo o respeito, o jogo que tem a oferecer ao mestre. O mestre aceitando e percebendo o respeito, responde em “igual moeda” e assim se desenvolveu um jogo fechado mas lindo aos olhos de quem via. Os sorrisos e os avisos de quem vacilou seguidos de mais sorrisos num jogo de mestre com professor, é raro de se ver. Foi um bom jogo” (Iara Tiago).

 

No Reencontro de 2012 consta–se que participaram cerca de 76 praticantes e inúmeros grupos, entre os quais: Grupo União na Capoeira, Capoeira União, Grupo Internacional Raiz, Muzenza, Lagoa da Saudade, Gingarte, Arte Pura, Berimbau de Ouro, Centro Cultural Capoeira Baiana (Professor Careca), Nossa Filosofia, Reliquia Espinho Reimoso (prof. Fantasma), Grupo Amazonas da croácia, Arte Nossa Capoeira, Arte Polular, Porto da Barra e Grupo Terreiro.

Esperamos que sempre seja possível reedita-lo ao longo do tempo e ver gerações de capoeiristas cresceram no Nosso Encontro.

Salve o Mestre Umoi, Salve O Nosso Encontro, até para o ano.

 

Homepage


ENCERRAMENTO DAS OLIMPÍADAS: QUE CAPOEIRA É ESSA?

Assisti ao final das Olimpíadas em Londres. O Brasil, como sempre, apesar de não ter conquistado grandes medalhas, fez bonito. O encerramento em Londres, como de costume, foi cheio de pompas e fogos de artifício. O Brasil, país que vai sediar as próximas Olimpíadas em 2016, fez sua apresentação cultural. O samba foi destaque, com o gari Sorriso apresentando o Brasil de uma forma simples e bonita. Mas fiquei chocado quando, logo no início, depois da batucada, vi uma apresentação das mulatas brasileiras, com perucas e máscaras negras. Uma caricatura grotesca dos anos anos 50 em que era comum brancos com o rosto pintado de negro (os black faces) e até mesmo negros representarem um papel estereotipado, em que pulavam e imitavam macacos e animais para uma plateia branca, que esperava deles exatamente esse tipo de comportamento e estereótipo. Naquela época, em que o negro precisava de um espaço na TV e no teatro, era comum esse tipo de comportamento e até compreensível. Agora que estamos em 2012, depois de tantas lutas do movimento negro no Brasil e no mundo em prol de uma melhor imagem de nós negros, fiquei pasmado em ter que assistir tudo isso de novo!

Apesar do desconforto, continuei assistindo o encerramento quando tive uma decepção ainda maior: a apresentação da capoeira para o mundo! Começou com um grupo de acrobatas mal treinados, com o corpo todo cheio de óleo e um abadá branco, fazendo piruetas. Sem berimbau, sem canto, sem ginga, sem nada! Fiquei refletindo: que capoeira é essa que estamos apresentando para o mundo?! Aquilo mais parecia um circo com acrobacia para envergonhar qualquer atleta de ginástica olímpica. Acredito que os mesmos deveriam estar rindo ou chorando de vergonha. O que vimos foi um grupo de acrobatas mal treinados. Senti falta do nosso berimbau, o grande símbolo da capoeira. Na verdade, senti falta da capoeira! Não tiveram jogos de capoeira, somente acrobacias individuais. Será que a capoeira se tornou isso, uma apresentação acrobática sem ginga e sem berimbau? Foi triste, diante do preço tão alto que pagamos para conseguir chegar até lá. Valeu a pena ou aquilo foi só uma coisa “para inglês ver”? Acredito que para algumas pessoas talvez tenha sido a realização de um sonho se apresentar em uma final de Olimpíadas. Mas aonde está a nossa capoeira, essência, existência e alma? Como seria a capoeira nas Olimpíadas no Brasil? Estamos perdendo a nossa identidade, nossas raízes, tratando a capoeira como um produto rotulado, embalado e coreografado, “para inglês ver”. Nesse caminho, não importa mais sua historia ou trajetória, a capoeira está perdendo a sua alma dentro da trajetória esportiva. Fico apreensivo pelo futuro da capoeira nas Olimpíadas de 2016!

 

Mestre Cobra Mansa – cobramansa@hotmail.com


Mestre de Capoeira Marajoara fala sobre cultura afro-brasileira no japão

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia (Pará), e jogou capoeira com os japoneses

O jogo começa cadenciado com um canto que quase sempre fala da escravidão. Assim é o estilo de Angola, muito próximo de como os negros escravos jogavam a capoeira. Além de história, hoje ela carrega projetos sociais. “A gente não trabalha só a movimentação do corpo, que dá a estética na visão externa. OS elementos que existem na capoeira fazem a gente estudar um pouco da história, de onde a gente veio, onde estamos e para onde vamos”, explica o mestre Bira Marajó.

Através da capoeira de Angola, ele ajuda as comunidades quilombolas, formadas por descendentes de escravos, que no passado fugiram dos engenhos para formar pequenos vilarejos.

A oficina de capoeira é uma parte do trabalho. “Eu acredito muito na capoeira, no trabalho que a gente vem fazendo, na socialização, lição de vida, espírito, respeito e meio-ambiente também”, conta. As crianças aprendem a fabricar seus próprios instrumentos e recebem lições de preservação do meio ambiente e respeito aos mais velhos.

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia, e jogou capoeira com os japoneses. “Quando a gente vê eles praticando, a gente não consegue ver uma diferença, a gente consegue ver uma integração só. Eu quando estou aqui, na prática da capoeira, é como se estivesse no Brasil”, finaliza. Ele também deve participar de uma oficina para crianças brasileiras neste domingo, dia 17. Começa 12h30 no prédio Lounge de Tsurumi, em Yokohama, Kanagawa.

http://www.ipcdigital.com


Nestor Capoeira & Lançamento de seu Novo Livro

Lançamento de livro: CAPOEIRA A CONSTRUÇÃO DA MALÍCIA E A FILOSOFIA DA MALANDRAGEM – 1800 – 2010 de Nestor Capoeira

Alo rapaziada, em alguns meses lanço um novo livro.

É um livro de responsa, com 560 páginas, muitas ilustrações, papos com Velhos Mestres já falecidos, as melhores partes de meu doutorado (mas em linguagem do dia-a-dia), e ampla bibliografia (autores de 1886 para cá e, em especial, as últimas pesquisas).

O novo livro enfoca em profundidade a malícia; e também, como sempre, uma parte prática de treinamentos para o iniciante, o médio, e o aluno formado.

Se no passado, há 10 ou 20 ou 30 anos atrás, algum dos meus livros te deu uma nova visão do que realmente é o Jogo de Capoeira; então prepare-se: este novo livro vai fazer tua cabeça, é um passo além.

Estamos criando “grupos de estudo”. Já existem alguns na Europa e agora vamos ampliar para o Brasil e outros países.

Eu envio um capítulo, você lê, reune-se com seus amigos do “grupo de estudo” umas 2 ou 3 vezes para discutir o assunto; concordar ou discordar; bolar outras idéias. Então entram no blog do livro com suas dúvidas e intervenções, para discutirmos e “trocar figurinha”.

Paralelo a isso, você vai ver os outros grupos de outras cidades que também estarão entrando no blog com suas contribuições.

Um mês depois, eu envio novo capítulo e repetimos o lance.

 

Como criar um “grupo de estudo”?

Basta você ler o texto que está no arquivo anexo, e envia-lo para amigos que também curtam o lance.

Você e seus amigos (1, 2, 5 ou 20 amigos) é que vão criar o seu “grupo de estudo”; resolver quando vão se reunir; e depois mandar as suas idéias, dúvidas, e contribuições para o blog.

É totalmente gratuito. Não tem nada a ver com seu “grupo de capoeira”, sua academia, ou o seu estilo.

No entanto, há uma regra: no blog só discutimos o capítulo que está sendo estudado. Não discutimos outros aspectos da capoeira, ou dos capoeiristas.

 

Você pode participar sozinho?

Claro que sim.

Mas lembre-se que para jogar capoeira é preciso uma dupla, e mais outro para tocar berimbau. Aqui é a mesma coisa; a troca num “grupo de estudo” é mais rica do que a cabeça de uma só pessoa.

 

Então aí vai, no arquivo anexo, os 2 primeiros capítulos.

 

Breve você vai receber o endereço do blog.

Tudo de bom, muito axé,

Nestor Capoeira.


Lançamento da 2ª edição do livro A Capoeira da Indústria do Entretenimento – Corpo Acrobacia e Espetáculo para Turista Ver

Na Bahia, a ginga é item de série das pessoas. Ritmado de nascença e calejado pela vida, o baiano carrega em si os atributos para jogar capoeira. Os que se dedicam a esta arte, jogam em todo canto. Joga-se capoeira na praia, em ponto de ônibus, becos escuros, lajes ao sol, praças famosas e, não duvidem, joga-se capoeira em ladeira.

Mas, como tudo que nos cerca, a capoeira não está imune aos processos de transformação da sociedade. Assim, a arte criada pelos escravos, cultivada e difundida na Bahia por mestres como Pastinha, Bimba e seu Valdemar agora se apresenta, muitas vezes, como mero souvenir turístico.

É disso que trata o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo, acrobacia e espetáculo para turista ver, do educador e pesquisador Acúrsio Esteves, patrocinado na sua 2ª edição pela FAPESB – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, que terá sua noite de lançamento no dia 15 de setembro no auditório da Faculdade UNIME – Paralela.

Além de contar com o relançamento da obra, o evento será um espaço de discussão sobre alguns aspectos da capoeira e suas possíveis formas de inserção na sociedade, principalmente na aproximação da arte afro-brasileira com a educação.

Confira a programação:

Lançamento da 2ª edição do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo Acrobacia e Espetáculo para Turista Ver.

  • Autor – Prof. MsC Acúrsio Esteves
  • Data – 15/09/2011
  • Local – Auditório UNIME Paralela (atrás da antiga sede do Correio da Bahia)
  • Horário – 19h

Mesa Redonda

Mediador: Prof. Esp. Dayton Starley Moita de Carvalho (Mestre Piauí) UNIME

Palestrantes:

  • Profª. Esp. Ivone Maria Portela: A Implantação da Capoeira nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Salvador – SECULT
  • Prof. MsC Jean Adriano Barros da Silva (Mestre Jean Pangolin): A Capoeira nos Cursos de Educação Física: Avanços e Necessidades – UFRB
  • Profª. Drª. Patrícia Campos Luce: A Aprendizagem na/da Capoeira Angola – UFBA

Encerramento do evento com roda de capoeira dos alunos do curso de Licenciatura em Educação Física da UNIME Paralela com o Prof. Esp. Jefferson Matos.

 

Com a Palavra o Autor:

 

Amigos(as) e colegas

No ano de 2010 tivemos a satisfação de ver o nosso livro escolhido, para ser patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia por seleção pública realizada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB através do edital número APR0161/2010. Participaram desta seleção mais de uma centena de trabalhos relevantes de colegas de diversas instituições de ensino superior baianas.

No dia 15/09 realizaremos o lançamento da obra em evento que terá uma mesa redonda e roda aberta aos presentes e esperamos contar com a presença de todos vocês que fizeram o sucesso desse nosso trabalho nos seis anos que nos separa do lançamento da sua 1ª edição.

Por força contratual devemos disponibilizar uma oferta de 20% da obra editada para bibliotecas de instituições que tenham interesse no tema, limitada às primeiras solicitações recebidas que satisfaçam as condições abaixo citadas. Neste sentido, avaliaremos os pedidos para o recebimento de doação encaminhados por vocês, impreterivelmente até o dia 06/09/2011.

As instituições contempladas serão avisadas até o dia 12/09 por email ou telefone, devendo estar presentes para receber a obra no dia, horário e local do lançamento em anexo, através de representante abaixo qualificado e devidamente identificado. Caso a solicitante não compareça ao evento, os livros a ela destinados serão encaminhados para outra que tenha efetuado a solicitação dentro do prazo supra estabelecido e satisfeito os critérios de escolha.

 

Para efeito de seleção, as instituições solicitantes deverão fornecer os seguintes dados:

  • Nome –
  • Endereço completo –
  • Pessoa para contato –
  • Representante(s) para recebimento da obra, caso contemplada –
  • Email –
  • Telefone do setor responsável –
  • Público alvo –
  • Número aproximado de atendimentos mensais da biblioteca –
  • Natureza – (se pública, fundação ou privada)

 

Caso seja selecionada, a instituição receberá por email um modelo de recibo que deverá ser levado pelo seu representante ao lançamento, em duas vias originais sem rasuras, papel timbrado, carimbadas e assinadas pelo responsável em envelope e papel A4. Estas são condições indispensáveis para o recebimento dos livros. A quantidade de volumes a ser doada será discriminada no modelo de recibo enviado e a escolha das contempladas, bem como a quantidade de volumes a receber, ficará exclusivamente ao nosso critério.

Todos os estabelecimentos, independente de serem ou não contemplados, receberão a informação da sua condição relativa ao pedido de doação. Caso desejem adquirir a obra, gozarão de um preço diferenciado em relação ao comercializado nas livrarias em quantidades a partir de 05 ou 10 exemplares. Quantidades inferiores a 05 exemplares serão vendidas a preço de lançamento. Também serão contemplados com preço especial estudantes devidamente identificados.

 

Cordialmente,

Acúrsio Esteves


Capoeira contra a violência na UPP Calabar

Quando conheci o Mestre Malvina, as crianças do projeto de Capoeira estavam participando do evento de inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro Calabar, em Salvador. E não fizeram feio, jogaram ao vivo, para alegria do governador baiano Jacques Wagner. Confesso que esperava ver essa cena. Já tinha ido a Salvador e também ouvia falar muito sobre a paixão do povo da Bahia pela capoeira. Mas a alegria daqueles meninos e meninas me chamou a atenção. Foi quando decidir saber um pouco mais sobre eles.

Tive que esperar toda a cerimônia de inauguração para conversar com calma com o mestre. As crianças estavam muito animadas e não deixavam o professor em paz. A entrevista aconteceu na salinha reservada para o pessoal da capoeira, que fica dentro do prédio da unidade pacificadora. Malvina me explicou que as aulas acontecem dentro da escola da comunidade e na associação de moradores, sempre de segunda a sexta-feira.

Mas qual a importância da capoeira para essas crianças? Foi o que eu tentei entender conversando com o professor. Muito animado e com esperança de dias ainda melhores, ele me disse que o esporte é importante porque ajuda na educação das crianças. E revelou ainda que a maior vitória para um mestre é quando seus alunos conseguem seguir uma carreira, trabalhar e ganhar o próprio dinheiro.

– O trabalho que a gente faz ajuda a tirar as crianças das ruas. A gente tenta ocupar a mente desses meninos e meninas. Todos os professores usam na camisa o slogan: não seja bobo, não use drogas. A capoeira ajuda na escola, na educação – contou Malvina, brincando com a faixa etária da turma:

– As aulas são para crianças de 3 até 100 anos. Capoeira não tem idade. Vários jovens que passaram pelas nossas mãos mudaram de vida e acho isso ótimo. É gratificante ver os nossos alunos trabalhando em grande empresas – finalizou.

Quando conversamos, a comunidade do Calabar ainda estava se acostumando com o modelo de policiamento comunitário. O próprio Malvina evitou falar sobre as expectativas que tinha, mas pediu ajuda.

– Acho que o novo policiamento deveria apoiar as aulas de capoeira, espero que eles tenham chegado para somar. Temos que acreditar neles, acho que vai dar tudo certo para a comunidade – encerrou.

Malvina foi um dos caras legais que conheci na minha passagem por Salvador. Aos poucos vou contando um pouco da história de cada um aqui no blog. Não deixe de acompanhar…

 

Fonte: http://www.blogdapacificacao.com.br/


Aula de capoeira resgata a cidadania

Mais de 150 crianças de diversas comunidades da Ilha, como Colônia Z-10, Guarabu, Dendê e Querosene, participam do projeto social do Grupo de Capoeira Rainha do Mar em uma pequena vila na Rua Pereira Alves, no Cocotá. Dentro da roda, ao som do berimbau e do batuque do atabaque, os pequenos aprendem valores como união, respeito, disciplina e amizade.

Mestre Ruben do Nascimento criou a oficina de capoeira há 13 anos. “Esta é a nossa maior riqueza. Ganho sorrisos em troca do meu trabalho”, frisou Mestre Ruben, que é baiano, mas mora há quase 15 anos na região. E a alegria e empolgação das crianças contagiam as famílias. Ao levar seus filhos para os treinos, as mães acabam se encantando pela arte marcial de raízes africanas. “A capoeira não tem preconceito. Acho que o ritmo e a dança mexem muito com as pessoas. Afinal, quem não gosta de uma batucada?”, indagou Mestre Ruben.

Mas ele garante que os pais dos alunos confiam em seu trabalho porque os professores cobram dedicação e aplicação na escola. “Não basta apenas se esforçar em quadra. Eles precisam ter boas notas no colégio”, destacou. Crianças a partir de cinco anos estão convidadas a participar do projeto.
Márcio Ramos, que acompanha o Mestre Ruben há 12 anos, disse que o maior presente em trabalhar com crianças carentes é ver todas brincando. Fábio Ferreira, contramestre, acrescenta: “A capoeira é um ótimo exercício para a mente. Às vezes eles estão com problemas dentro de casa e ao lutar esquecem de tudo. Capoeira é paz”.

Quando ainda morava na Bahia, Mestre Ruben foi criado sem pai e sua mãe nunca estava em casa. Com 12 anos, ele resolveu morar na rua. Por isso, ele acredita conhecer as dificuldades enfrentadas pelos pequenos e faz questão de ajudar sempre que pode. “Eu conheço a história de cada criança e sei pelo o que elas estão passando. É muito bonito ver todos deixando a energia fluir dentro da roda”, contou.
Apesar da paixão do Mestre Ruben pelo projeto, o Grupo Capoeira Rainha do Mar está com dificuldades financeiras. Muitas crianças ainda precisam de blusas e calças para brincar em quadra. Os interessados em ajudar podem ligar para Ruben no 8387-8861.

Mesmo sem dinheiro, Mestre Ruben ainda faz festa do aniversariante do mês. “Compro refrigerante, bolo e algumas balinhas para agradar as crianças. Tudo com a ajuda dos próprios integrantes do grupo”, disse. Neste sábado (26), a turma vai se apresentar a partir das 19h, no Festival de Acarajé do quiosque da baiana Rose, próximo ao Assaí.

 

Fonte: http://www.ilhanoticias.com.br/


Capoeira que vence a deficiência

Morador do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Sebastião Silva Gabriel, de 30 anos, conhecido por todos como Tião, acaba de entrar para o elenco oficial do Unicirco Marcos Frota, que se apresenta até dezembro na Quinta da Boa Vista. O artista, que tem paralisia cerebral e cadeirante, faz parte do grupo de capoeiristas acrobáticos do circo.

O convite veio após Marcos Frota ver Tião jogando capoeira. O próprio ator e empresário o chamou. Vencer as limitações impostas pela deficiência é a especialidade de Tião. Ele estudou em escola comum, terminou o ensino médio e chegou a prestar vestibular. Como não passou, está fazendo curso para tentar a prova novamente:

— Quero cursar Serviço Social, mas não sei como ficam as coisas agora que integro a equipe do circo. Tenho que ver minha agenda.

Ciente de que é um exemplo de vitória e inclusão social da pessoa com deficiência, Tião explica de maneira simples como conseguiu vencer na vida.

— O segredo é não pensar, só viver. Se pensar na dificuldade, a pessoa não consegue nada — afirma.

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/


Haiti: Berimbau já fez chamada, já é hora de lutar

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Domingo, 17 de janeiro, 18:30

Hoje a alegria voltou a fazer morada no meu coração. Hoje, graças a Deus, pude ver o sorriso dos meu alunos, das minhas crianças. Pude abraça-las, beijá-las, olhá-las nos olhos. Após dias de ansiedade, fui até Kay-nou. E que felicidade foi reencontrá-las, ver aqueles olhinhos brilhando de felicidade.

Ao passar pelas ruas de Bel-Air já ouvi o chamado de um deles: Iê capoeira!”. Era o Canário, que acenava, feliz, em meio a multidão. E mal cheguei a Kay-nou, logo fui rodeado de crianças. Elas surgiam em meio às tendas, inúmeras delas. Vinham gritando o meu nome, perguntando pelos outros, pela Aíla, Linheiro, Beija-Flor, Paollo (Nó Cego). Eufóricas seguravam em minhas mãos, abraçavam-me, beijavam-me o rosto. Por mais que escrevesse aqui, por mais que virasse a noite esmerando-me em frente ao computador, não conseguiria descrever o meu sentimento naquela hora. E nem tenho essa pretenção.

Caminhamos para ver como estavam as coisas, para ver as pessoas. Eles acompanhavam-me, agarrando minhas mãos, meus braços. Enquanto caminhávamos mais apareciam e juntavam-se ao grupo. Quando percebi éramos uma pequena malta caminhando entre as barracas. Mães e pais vinham falar conosco, nos abraçar, saber dos outros. E chegavam mais e mais. E meu coração desejando que mais chegassem…

Nos dirigimos ao espaço da capoeira. Paredes no chão e boa parte do telhado caído. Até pouco tempo aquele espaço estava colorido, florido de pessoas… Uma grande festa para o nosso primeiro batizado e entrega de cordas e para comemorar o nosso primeiro aniverário. Um ano juntos, de muita luta e suor. Porém, o sentimento foi de esperança, apesar dos inúmeros tijolos pelo chão. E apesar das paredes caídas, pude ver um grande horizonte pela frente. E isso me encheu de força e esperança. Esperança que se fortaleceu com as palavras de um Rubem emocionado: vamos construir um espaço ainda melhor! E eu tenho certeza que sim.

Reunimos as crianças em uma roda. Bem, tentamos, pois haviam muitas crianças que não faziam [não faziam] parte do projeto. Conversamos bastante, elas muito atentas e cobrando atenção dos mais novos. Logo eles perguntaram se podiam vestir seus uniformes. E bastou ouvir um sim e saíram correndo para as barracas. Voltaram com uniforme. Claro, aqueles cuja a casa não havia desmoronado…

Nos reunimos sob uma árvore. O berimbau rompeu o silêncio. A Inúna pediu licença e chorou as vítimas, aquelas que deixaram o jogo desta existência para habitar uma nova morada. Pediu luz para os que se foram, proteção e força para os que aqui ficaram. E em cântico celebramos o ontem, o hoje e o amanhã. Celebramos a dádiva de estarmos vivos e saudáveis. Naquele momento, éramos um. A dor de um era a dor de todos, assim como a alegria, a esperança e a fé. Cantamos, enquanto eles desejam jogar o jogo, dar pernada e ficar de pernas para o ar. Faltou-nos espaço, mas não para o nosso cantar, que percorreu todo espaço. Faltou-nos comida, mas não a força para as nossas palmas. Cantamos, jogamos bola, conversamos…


Read More