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Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

O que dizer da batucada no Havaí? São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos.

Bem vindos a Waikiki! Conhecida no mundo todo, a praia de Honolulu é também a mais moderna, elegante e cosmopolita do Havaí.

Com mar calmo, hotéis de luxo e inúmeras lojas de grife, Waikiki é sonho de consumo para turistas do mundo todo.

Especialmente os japoneses que estão quase à mesma distância do arquipélago que os americanos do continente.

O que é a bandeira do Brasil está fazendo na areia da praia? A canga foi comprada no Brasil, mas os amigos Maitê e Enos são espanhóis.

E o que dizer, então, da batucada? Agora sim estamos falando português. Mas, entre tantos brasileiros, tem americano no samba.

São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos. Todo fim de semana, chova ou faça sol, o grupo se reúne para treinar.

Edward, o periquito, começou a fazer capoeira a convite de um amigo. Shalina buscava uma atividade para aliviar o estresse das provas da faculdade. Os dois se apaixonaram. E não foi só pela capoeira. Durante os treinos, o casal se reveza para cuidar do filhinho de 11 meses.

Hoje, Leonardo está casado com Patrícia, que nasceu nas Filipinas. E quem vê não imagina. Uma das maiores dificuldades que ela teve na capoeira foi vencer a timidez.

Para Leonardo, mais do que deixar os alunos em forma, a capoeira serve para ensinar um novo estilo de vida.

Uma vez por semana, a rádio estatal do Havaí abre espaço para a música popular brasileira.

Apesar do jeitão e do português perfeito, Sandy não é brasileira. É havaiana. A paixão pelo Brasil começou na infância quando ela ouviu pela primeira vez a música garota de Ipanema.

Depois da faculdade, Sandy foi adiante. Morou três anos no Brasil, quando se casou com o ritmista Carlinhos Pandeiro de Ouro e chegou a cantar nas noites do Rio de Janeiro.

Sandy retornou aos Estados Unidos e não voltou mais a pisar em solo brasileiro. Mas nunca mais perdeu os laços com o Brasil e a paixão pela nossa cultura.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Teresina – PI: Berimbau de Renda

BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas.

O evento se lança como o 1º festival brasileiro de músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira.

BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado.

BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral , o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro.

BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas as capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira.

Missão:

BERIMBAU DE RENDA tem como objetivo valorizar a voz feminina nas rodas de Capoeira.

 

Festival de Canto e Encontro de Mulheres Capoeiristas
22, 23 e 24>>agosto>>2014
teresina>>piauí>>brasil
berimbauderenda@gmail.com

Évora: o Nosso Reencontro 2013

Nosso Reencontro

Évora 2013

Oficina Internacional de Capoeira
Local: Piscinas Municipais de Évora
Data: 12, 13, 14 e 15 de Setembro de 2013

 

 

 

Nosso Reencontro – Carta de Apresentação

Caros companheiros, mestres, contramestres, professores, alunos,
em 2009 fechamos um ciclo de dez anos do Nosso Encontro na linda cidade portuguesa de Évora.
Durante 2010 e 2011 a equipe organizadora esteve fazendo uma reflexão de como poderíamos manter o Nosso Encontro face as duras realidades patrocinadas pela crise econômica mundial.

Bom, em 2012 chegamos a conclusão de que poderíamos voltar a realizar o Nosso Encontro se adaptássemos um pouco certos detalhes importantes para a organização… O Nosso Reencontro foi mais uma vez um sucesso!!!

Então, com um “cheiro” de desafio no ar, convidamos a todos os participantes que estiveram conosco durante onze anos, a nos reencontrar, mais uma vez, em Évora numa edição especial do Nosso Reencontro 2013.

O evento vem de encontro ao desejo de muitos capoeiras que, independente da escola, estilo ou “bandeiras”, fizeram das oficinas internacionais de capoeira em Évora um local onde se praticou a boa capoeiragem, norteada por uma camaradagem flagrante e onde muitos começaram adolescentes e concluíram os onze anos como adultos.

Muitos que iam como alunos participantes foram nos últimos encontros, já portando suas graduações e estatutos de professores. Muitos se encontraram durante o evento e constituíram família e hoje já tem filhos, os quais, também convidamos para estar presentes.

Nos onze anos do nosso encontro, se praticou, acima de tudo, o resgate da capoeiragem antiga que não necessitava de rótulos e logótipos. Se produziu momentos que nos transportaram a tempos remotos onde o bom capoeira se apresentava através da sua expressão de jogo e através da sua interação com a própria roda, demonstrando sua competência pela ação e não pela fantasia de um uniforme.

A organização, sempre incógnita pela ausência dos seus nomes em cartazes e camisetas, chama mais uma vez todos vocês que, efetivamente, produziram o Nosso Encontro para realizar, em Setembro próximo, o Nosso Reencontro de Évora.

As informações pertinentes ao evento poderão ser encontradas nos seguintes sites:

http://portalcapoeira.com
http://nossoreencontro.portalcapoeira.com
http://www.facebook.com/groups/441609419187571/

Vamos fazer desse Reencontro um momento de exautação a nossa arte capoeira.
Nos vemos por la,
Forte axé pra todos,

Mestre Umoi.

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Depoimentos

“Encontros como esse, permitem um interessante diálogo e uma rica convivência entre os participantes, e mais do que isso, permite uma conscientização cada vez maior sobre a importância de se conhecer a capoeira com mais profundidade, de se respeitar sua diversidade, de compreender e valorizar as tradições dessa arte, sem ignorar as transformações pelas quais a capoeira também passa, pois capoeira é cultura e como tudo que é cultura, é dinâmico e se transforma constantemente. Por isso vale aqui lembrar novamente as sábias palavras de Saramago: “…defender o lugar do passado, sem negar o presente“.”

(Pedro Abib)


“A meu ver este encontro foi direcionado àqueles que realmente sempre acreditaram neste evento, que em 4 dias vê-se a União entre grupos como nunca se vê… e àqueles que se tornam curiosos de tanto ouvirem bem do “Nosso Encontro”. Este evento foi realmente mágico porque se viu bons capoeiras, com sorrisos e abraços, bons jogos, muito conhecimento e…Não há encontro como este. Palavras para quê? Posso dizer isto de boca cheia porque sou a aluna que nunca faltou a um evento de Évora desde 2000.”

(Iara Tiago)

“A cidade de Évora, cercada por uma beleza medieval e ao mesmo tempo contemporânea, é um lugar convidativo e hospitaleiro, de clima agradavel que se transformava durante os tres dias do “Nosso Encontro” na CASA DA CAPOEIRA.

“uma experiência fantástica e uma grande honra poder estar com pessoas que tem trabalhado com afinco e com o coração pela nossa arte capoeira e acima de tudo uma grande satisfação ter reencontrado grandes irmãos e conquistado novos amigos…”
Um encontro de PAZ e UNIÃO e muita capoeira!!! É assim que defino o “NOSSO ENCONTRO””

(Luciano Milani)

Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Capoeira de Rua e Capoeira na Rua

Com o processo de expansão da capoeira pelo mundo que estamos assistindo hoje em dia, cada vez mais os espaços públicos têm sido ocupados por essa manifestação. Vemos a capoeira atualmente em parques, praças, jardins, praias, na rua e em todos os tipos de evento ao ar livre, em quase todas as partes do planeta.

É interessante observarmos que a origem da capoeira foi justamente essa: a rua. Pelo menos a capoeira como conhecemos hoje, que é aquela forma que essa manifestação adquiriu definitivamente no final do século XIX e início do século XX, a partir das chamadas “festas de largo” ocorridas na Bahia. Foi no espaço das ruas, durante essas festas populares da cidade de Salvador, que esse modelo de roda de capoeira que conhecemos hoje se estabeleceu e se difundiu pelo resto do mundo.

Porém, com o desenvolvimento dos métodos de ensino da capoeira, essa manifestação pouco a pouco foi migrando para os espaços fechados. Foi a época em que começaram a se difundir as academias de capoeira, e começaram a ficar cada vez mais raras as chamadas “rodas de rua”, com raras exceções.

Atualmente vemos um movimento muito forte de capoeira acontecendo nesses espaços públicos que tem a “rua” como palco. Isso é muito importante, pois dá visibilidade à essa manifestação e podemos dizer que essas apresentações públicas tem sido um dos fatores determinantes para que a capoeira vá ganhando mais adeptos a cada dia.

Contudo, vale fazer aqui uma diferenciação daquilo que compreendemos com os termos “capoeira na rua” e “capoeira de rua”. A maioria dessas apresentações de capoeira que assistimos nesses espaços públicos, podemos definir como “capoeira na rua”, pois tratam-se de grupos organizados que tem suas sedes, realizam treinos e rodas nesses espaços fechados e vez por outra, por ocasião de algum evento ou data especial, saem às ruas para fazer uma roda ou uma exibição.

O outro caso, menos comum, é a “capoeira de rua” que se caracteriza por grupos que se encontram exclusivamente nesses espaços para a prática da sua capoeiragem, não possuindo uma sede fixa, ou um espaço fechado onde se realizam treinos e rodas. Poucos grupos têm essa característica, mas é muito importante a permanência dessa forma de manifestação da capoeiragem, pois remete às tradições mais antigas dessa arte-luta.

Uma das rodas de rua mais famosas de Salvador é a do Mestre Lua Rasta. A roda acontece às noites de sexta-feira no Terreiro de Jesus, no centro histórico de Salvador. Se você está pensando em visitar o Brasil e participar dessa roda de capoeira, procure por hotéis em Salvador próximos ao centro histórico e faça uma visita ao Mestre Lua Rasta que você não irá se arrepender. Uma roda muito interessante, precedida pelo cortejo do “Bando Anunciador” de mestre Lua que percorre as ruas do Pelourinho anunciando que a roda vai se iniciar. Todo tipo de capoeirista frequenta passa por ali, muitos mestres também. mestre Lua aproveita e sempre dá algum recado recheado de ironia e crítica social. As vezes rola até um ensaio de Mouringue – luta muito parecida com a capoeira, original das Ilhas Reunion, ex-colônia francesa localizada na África. Quem não conhece essa roda, vale a pena conhecer !

O Modismo da UFC e a Capoeira

Hoje em dia só se fala em UFC (Ultimate Fighting Championship). Essa luta oriunda do Jiu-Jitsu e outras formas de luta-livre foi criada pelo brasileiro Rorion Gracie nos Estados Unidos e por lá se desenvolveu. Atualmente vemos UFC em todos os lugares: horário nobre da televisão, jornais, telenovelas, capas de revista, transmissões ao vivo, comerciais de TV, outdoors espalhados por todo o país. Até um filme para o cinema foi produzido e tem estréia marcada para breve.

Todo mundo já conhece e sabe o nome dos golpes, as finalizações, o mata-leão, a gravata, os socos e pontapés. Já temos os nossos heróis – Minotauro, Anderson Silva e outros “brucutus” – que espancam os seus adversários sem dó nem piedade num espetáculo tão dantesco de brutalidade, que chega a respingar sangue das telas de LCD que assistimos confortavelmente de nossos sofás.

É incrível a capacidade que a mídia possui nas chamadas “sociedades da informação”, de criar modismos, heróis, gostos e preferências. Até há pouco tempo essa luta era apenas mais uma atração esportiva perdida entre milhares de outras nos canais fechados de televisão a cabo e, de repente, de uma hora para outra, passa a ser a nova “paixão nacional”. Alguém – certamente muito poderoso – decide de seu gabinete de gerência de alguma grande rede de televisão que o UFC é a bola da vez e pronto !

Todo um esquema é montado para que essa luta apareça em tudo quanto é programa, novela e comercial de TV. E como o nosso pobre país é totalmente influenciado por tudo que a telinha resolve mostrar (vide a mediocridade do Big Brother Brasil – um insulto à inteligência e à dignidade nacionais), rapidamente o UFC é incorporado ao nosso cotidiano, às conversas de bar e de salão de beleza, ao noticiário, aos sonhos infantis de futuros campeões da modalidade.

Aí chegamos naquela pergunta que não quer calar: por que não a capoeira ? Por que essa esquizofrenia de exaltar uma luta que apesar de ter sido criada por um brasileiro, tem toda a sua formatação e organização influenciada pela cultura norte-americana do show business ? E por que ao invés disso, não se criam os mesmos espaços na mídia e mecanismos de divulgação para a capoeira, que é uma das expressões mais legítimas da nossa cultura ?

Será que os responsáveis pela televisão e pela mídia em geral do nosso país ainda possuem aquela velha mentalidade colonizada, que procura supervalorizar expressões culturais que vem de fora (leia-se Estados Unidos da América) em detrimento daquilo que vem das tradições da nossa cultura e do nosso povo ? Ou será que trata-se de uma atitude deliberada de alienar cada vez mais o nosso pobre e sofrido povo brasileiro, afastando-nos a possibilidade de valorizarmos e conhecermos melhor nossa própria cultura, nossas tradições, nossos verdadeiros heróis ? Ou será que é tudo isso junto, somado ao desejo desenfreado pelo lucro fácil ?

Recentemente perdemos um dos grandes baluartes da capoeira aos 94 anos de idade – o Mestre João Pequeno de Pastinha que faleceu em dezembro último, e qual a repercussão desse fato na mídia ? Nos jornais locais da Bahia houve uma pequena cobertura e nada mais. A grandeza desse homem, o seu significado para a cultura brasileira que se espalhou pelo mundo através da sua capoeira angola, sequer tiveram um mínimo espaço de divulgação no noticiário nacional.

Boa parte dos cidadãos comuns, brasileiros de todas as idades e classes sociais, hoje em dia sabem o que é o UFC e quem são Minotauro ou Anderson Silva. Mas quantos desses sabem que foi o mestre João Pequeno ? Quantos sabem quem foi Pastinha ou Bimba ? Quantos conhecem a história da capoeira ? Quantos sabem dizer as diferenças entre a capoeira angola e a regional ? Ou quem foi Besouro Mangangá ? Ou ainda Zumbi dos Palmares ? Ou o mestre Salustiano da Rabeca ? Ou Cartola ? Ou Batatinha ? Ou Chico Mendes ? Ou Clementina de Jesus ? assim como tantos e tantos outros personagens da nossa cultura popular, heróis que deram dignidade à história desse pais.

Urgente se faz recuperar nossa auto-estima, exigir que nossa dignidade, nossa memória, nossas histórias, nossos verdadeiros heróis sejam valorizados e respeitados. Nada contra o UFC, nem seus lutadores, eles que tenham o seu espaço e seu público ávido por violência. O que precisamos exigir é que nossa cultura seja tratada pela mídia, com a mesma dignidade e valorização com a qual são tratados esses modismos que vez por outra invadem nossas casas, através da imposição sem critérios de uma programação medíocre e indecente que nos empurram goela abaixo.

Precisamos dispor de alternativas para elegermos aquilo do que gostamos e que valorizamos. Se só nos apresentam um tipo de música, de filme ou de programa de TV, é só disso que podemos gostar. Ninguém pode gostar daquilo a que não tem acesso, que não conhece. A gente quer ver a nossa cara na TV, ouvir música boa, assistir a filmes que nos façam pensar. A gente quer jogar e entender de capoeira. A gente não quer só comida !

SP: Virada Cultural Afro

A cantora Margareth Menezes levará o seu Movimento AfroPop Brasileiro para o encerramento da Virada Cultural Afro, que acontece em São Paulo, no próximo 20 de novembro.

O show é gratuito e acontece, a partir das 20 horas, no Vale do Anhangabaú. “Estou muito feliz em participar deste ato expressivo de reconhecimento pela contribuição do povo afrobrasileiro. Lembrar da luta pelo fim da escravidão é reviver os motivos que temos para cantar a igualdade”, comentou a artista.

Esta será a primeira vez que as programações especiais pelo Dia da Consciência Negra, na capital paulista, ocorrem de forma ininterrupta, desde o dia anterior, 19 de novembro, em vários pontos da metrópole.

 

Maria Ísis


IMPRENSA – Margareth Menezes
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Expressões Africanas: espelho da história e cultura brasileiras

Teve início na tarde da última quinta-feira (13), a exposição Expressões Africanas realizada pela Fundação Cultural Palmares, que segue até 20 de outubro, no Salão Branco do Congresso Nacional. A iniciativa faz parte das ações da instituição no Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, intitulado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A mostra conta com 70 peças de 15 embaixadas africanas no Brasil.

Durante a cerimônia de lançamento Eloi Ferreira, presidente da Fundação Palmares, afirmou que com o ano comemorativo, a ONU impõe a compreensão sobre a importância da África na formação de povos em diversos países, especialmente no Brasil, onde se encontra a segunda maior população negra do mundo. Para ele, a exposição significa uma forma de valorização da cultura africana, uma das maiores heranças brasileiras. “Trata-se de uma troca que nos fortalece, há séculos, por meio dos valores culturais”, disse.

Paulo Cordeiro, subsecretário geral do Ministério das Relações Exteriores, alertou que o esforço tem papel ainda maior: ensinar aos visitantes a não enxergar africanos como um grupo negro, mas a distinguir as regiões e identidade de cada um dos 54 países que compõem a África. Cordeiro ressaltou ainda que cada peça exposta é uma janela para a diversidade de cada país e representa a maneira de ser de cada nascido no Brasil.

A África brasileira – O Brasil tem oficialmente 51% de sua população autodeclarada afrodescendente. Mãe Neuza de Oyá é presidente da Casa Afrocultural Tenda de Oxalá, localizada em Planaltina. Em visita à exposição, reforçou a importância de se fortalecer a africanidade na identidade brasileira. “Tudo o que desmistifica a matriz africana é válido. Precisamos fugir da imagem de uma áfrica sempre associada a diferença, a fome e a miséria e termos orgulho de nossa origem tão rica”, alerta.

Apesar de um passado onde Brasil e África eram ligados pela escravidão, existe atualmente um envolvimento de união entre os países. Segundo Isidore Benjamin Amédé Monsi, embaixador do Benin, o Brasil é hoje um país admirado, especialmente pela África com quem tem fortes ligações, mas dessa vez o foco está no desenvolvimento. Vitor Ortiz, secretário executivo do Ministério da Cultura (Minc), acrescentou dizendo que a exposição Expressões Africanas é uma demonstração de unidade entre esses países. “É símbolo de compromisso entre povos que têm tanto em comum. Por isso queremos acolher a África cada vez mais em nossas ações”, afirmou.

De acordo com Anhamona Brito, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a montagem da mostra no Salão Branco do Congresso Nacional foi muito oportuna. Para ela o espaço é mais que um centro de tomada de decisões, é local de passagem de representações de todos os níveis da sociedade. “Nele, a exposição espelha nossa história, nossa cultura e a semelhança que existe entre nossos cotidianos, onde podemos ver o quanto de África está emaranhada em nossa brasilidade”, conclui.

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Ivinhema realiza XVII Encontro de Capoeira

Prefeito Renato Câmara destaca projeto social que atende gratuitamente 450 alunos (entre crianças e idosos) no Município

Muito gingado embalado pelo som de berimbau marcou o XVII Encontro de Capoeira em Ivinhema. O evento foi realizado na semana passada pela Prefeitura de Ivinhema, através da SASTH – Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação e do Trabalho em parceria com o grupo Memória e o Instituto Nova Geração. A apresentação reuniu vários mestres desse esporte dos estados do Paraná, São Paulo e de outras cidades do Mato Grosso do Sul.

A evolução dessa arte veio com a implantação da capoeira nos projetos municipais, inclusive com idosos. Este é um esporte que aumenta a cada dia na cidade e este crescimento acontece graças ao apoio da prefeitura de Ivinhema.

O projeto de capoeira está inserido nas ações da Secretaria de Assistência Social, do Cras e Projovem, onde atende mais de 450 alunos, incluindo o distrito de Amandina. “Os trabalhos aqui em nossa cidade têm sido muito intensivos. Em nossa administração temos atuado no sentido de fazer parcerias e incentivar cada vez mais ações sadias como esta”, disse o prefeito Renato Câmara.

Para o coordenador municipal de Proteção Social Especial, Sebastião Messias de Souza, incluir os idosos e jovens em ações como esta é fundamental. “Em Ivinhema há uma grande procura por essa prática esportiva, inclusive por parte das pessoas que frequentam a melhor idade e eles têm demonstrado muito interesse. Tanto que fazem aulas uma vez na semana de capoeira adaptada”, falou Messias.

Da mesma forma pensa o mestre de capoeira Noir Aranha, conhecido como ‘Mestre Aranha’. “Esse é o 17º encontro que participamos em Ivinhema e cada vez nos surpreende ainda mais. A prática da capoeira desenvolve habilidades. Os exercícios dessas atividades têm ajudado na recuperação de massa muscular que uma pessoa a partir de certa idade começa a perder. Com a capoeira ajuda muito neste aspecto e até a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”. 

Capoterapia – É uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais da clientela. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.

Capoterapia

É uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais da clientela. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.

Fonte: http://www.ivinhemaonline.com.br

Mestre Camisa recebe título de Doutor Honoris Causa

A Universidade Federal de Uberlândia entregou , em 5 de maio de 2011, o diploma de DOUTOR HONORIS CAUSA a José Tadeu Carneiro Cardoso, o Mestre Camisa.

Para homenagear meu mestre e registrar seu reconhecimento como DOUTOR também pelos poetas populares da LITERATURA DE CORDEL, escrevi este pequeno poema intitulado “NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR”

 

NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)

Nesse mundo em que vivemos
É difícil imaginar
Por mais que nos esforcemos
É impossível vislumbrar
As surpresas que Deus guarda
Pro futuro revelar

Na década de 50
No interior da Bahia
O povo de Jacobina
Jamais imaginaria
O destino de mais uma
Criança que ali nascia

Dona Edésia sua mãe
Também não imaginava
O futuro de seu filho
Que no ventre carregava
E os caminhos que o destino
Para ele reservava

Nem tampouco seu Lindolfo
Seu pai podia prever
As estradas que seu filho
Viria a percorrer
E a bela história de vida
Que ele iria escrever

Nem Mari-inha a parteira
Não tinha a real noção
Da responsabilidade
E da divina missão
Que ajudava a vir ao mundo
Tão importante varão

Igualmente não sabia
E jamais faria tino
O próprio José Tadeu
Qual seria o seu destino
Pois brincar era a única
Preocupação do menino

Mas brincar é coisa séria
Foi assim na brincadeira
Que o menino Tadeu
Conheceu a capoeira
Dando seus primeiros passos
Pra uma caminhada inteira

Seu irmão Camisa Roxa
Que muito lhe ensinou
Duvido que àquele tempo
Sequer ele imaginou
Que o seu irmão mais novo
Chegaria onde chegou

E nem mesmo o Doutor Bimba
Como todo o seu reinado
Não acredito que ao menos
Houvesse desconfiado
Que aquele aluno menino
Herdasse seu doutorado

Mas a capoeira foi
Uma espécie de semente
Plantada no coração
De uma criança inocente
Encontrando solo fértil
E brotando lentamente

O menino foi crescendo
O tempo ia passando
Junto dele também ia
Sempre lhe acompanhando
O amor a capoeira
Cada vez mais aumentando

Todo tempo que podia
Estava em treinamento
A arte da capoeira
Carregava em sentimento
Pra onde quer que ele fosse
A levava em pensamento

Na fazenda, na escola
E nas horas de lazer
Quanto mais ele aprendia
Mais queria aprender
E os mestres desta arte
Gostava de conhecer

Deus então o colocou
Nas mãos de um professor
Muito mais que especial
Mais que mestre, um doutor
Manoel dos Reis Machado
Seu guia orientador

E a semente capoeira
Plantada no coração
Daquele jovem baiano
Recebeu a proteção
Regada por Mestre Bimba
Junto a sua plantação

Com sol quente ou chuva forte
Brisa mansa ou ventania
Tudo é vontade divina
Como o vento que um dia
Levou o mestre e o menino
Para longe da Bahia
No vestibular da vida

Passou com pouca idade
Agora o mundo seria
Sua universidade
Calouro inexperiente
Novato na faculdade
Estudante dedicado

Muito atento as lições
No trote do preconceito
Passou por humilhações
Sempre de cabeça erguida
Buscou suas soluções

Convivendo entre estudantes
De áreas convencionais
Medicina, arquitetura
E ciências sociais
Entre outras respeitadas
Carreiras profissionais

Foi cercado por pessoas
Com curso superior
Estudava a capoeira
Por ela tinha amor
E decidiu: – Nesta arte
Um dia vou ser doutor!

E em todas as matérias
Gostava de estudar
A história da capoeira
Muitas formas de treinar
Sua musicalidade
Compor, tocar e cantar

Aprendeu a ensinar
E criou seu próprio jeito
Convivendo entre os bambas
Foi tratado com respeito
Procurando agir certo
E fazer tudo bem feito

E o aluno se tornou
Um professor dedicado
Continuou estudando
Sem ficar acomodado
Tornando-se um grande mestre
Cada vez mais respeitado

E o Mestre Camisa hoje
É uma árvore sagrada
Com sua raiz bem forte
Por toda a Terra espalhada
Sua madeira é de lei
Sua sombra abençoada

Que tem galhos muito fortes
E dá frutos aos milhões
Suas folhas se renovam
Por diversas gerações
Suas flores mais bonitas
Se eternizam em canções

Semente que Deus criou
Ele eternizará
O Jardineiro Sagrado
Da árvore cuidará
Na história da capoeira
Meu mestre é um baobá

Em mais de quarenta anos
Estudando sem parar
Todo tempo a enfrentar
Os preconceitos tiranos
Sofrendo com desenganos
Resistindo com vigor
Com fé, trabalho e amor
À cultura brasileira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Viajando o mundo inteiro
Divulgando a nossa arte
Ensinando em toda parte
Do Brasil e do estrangeiro
É um orgulho brasileiro
Exaltando o valor
Desse povo sofredor
Honrando a nossa bandeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Muitos mestres e doutores
De várias modalidades
Grandes universidades
Solicitam-lhe favores
Enaltecem seus valores
Tratando lhe com louvor
Elogiam seu labor
Por nossa Terra inteira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Luiz Gonzaga no baião
No choro foi Pixinguinha
No Candomblé Menininha
No cangaço Lampião
Zumbi contra a escravidão
Pelé como jogador
Tiradentes foi senhor
Da inconfidência mineira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Gandhi na sabedoria
Garrincha foi no driblar
Jesus Cristo em perdoar
Castro Alves na poesia
Freud em psicologia
Deus é como o Criador
Grande Otelo como ator
Cartola foi da Mangueira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

As forças da natureza
Doutoras em perfeição
O mar em imensidão
As florestas em beleza
O céu doutor em grandeza
Em sutileza é a flor
Sol e fogo em calor
Em água é a cachoeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Rio de Janeiro, 05 de maio de 2011
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)