Blog

virtual

Vendo Artigos etiquetados em: virtual

Capoeira e informação ao longo da história

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira

Lembro-me quando Mestre Miguel Machado chegou em Piracicaba-SP com algumas poucas cópias do disco em vinil do Mestre Ezequiel. Em 5 minutos os que estavam em frente ao “escritório” (i.e. boteco da esquina) pegaram suas cópias. Lá estavam Mestre Valtão (Valter Farias), Mestre Boca (Oswaldo Negretti), Gabriel, eu e meu mano “Cabeludo”, Candinho que foi meu primeiro professor, diversos outros camaradas e, é  claro, nosso saudoso Mestre Cosmo. Tal disco influenciou muito nossa parte rítmica em cantada, pois desde então, diversos amigos “emprestaram” cópias em fita cassete. O jovem Mestre Vaguinho (Vagner Farias), discípulo de Mestre Valtão, até hoje ouve o disco. Tanto é que, Mestre Moreno (Almir José da Silva) [ou Morenias], chama Vaguinho de Ezequié Paulista.

Voltando ao assunto principal, para se conseguir um livro emprestado era um sacrifício. Lembro-me de quando Mestre Cosmo conseguiu um xerox do livro “Capoeira Angola – ensaio sócio-etnográfico” (1968) de Waldeloir Rego foi um deus nos acuda. Todos queriam ter cópia, mas faltava “cascaio”. Logo, “xerocávamos” apenas o capítulo introdutório, que já era um grande ganho. Tal livro, na época atual e hoje merecendo uma releitura, suscitou muitas discussões nas sucessivas reuniões “no escritório” da R. Voluntários.

A era das listas de discussões

Dando um salto cavalar na história sobre a busca por informações, por volta dos anos 2000, a moda era as Listas de Discussões. Ali se discutia de tudo sobre nossa arte: a) onde “nasceu” a capoeira; b) se um mestre era mestre mesmo ou não; c) se pertencia ou não a uma determinada linhagem; d) capoeira é esporte, cultura etc?;  e) se a capoeira iria ou não para as olimpíadas; f) qual a formação correta e quais os instrumentos da capoeira primitiva.. e la nave vá…

Duas grandes figuras neste processo foram os camaradas Mestre Jerônimo/Austrália e Alberto de Bauru (na época fazia parte da Confederação Brasileira de Capoeira-CBC). Jerônimo recarregava suas energias na Bondi Beach/Sydney, enquanto seu computador ficava 24h por dia recebendo mensagens. Chegava ele no computador e lá vinha algo para despachar. As vezes o repasse era tranqüilo, mas vez ou outra ele tinha que “matutar” se enviava ou não a mensagem. Ele mesmo dizia abertamente: Vocês fazem as besteiras com a capoeira ai no Brasa, e eu aqui na AUS que tenho que decidir se circulo ou não os assuntos? Bastava um clique e o ebó circulavam pelos sete mares por meses – tem mensagem que circula até hoje.

O Jornal do Capoeira e o Portal Capoeira

Em 2004 lancei o Jornal do Capoeira [1]. Foi uma experiência super gratificante, pois na ocasião estabelecemos uma rede de mais de 30 colaboradores espalhados pelo Brasil e pelos Brasis afora. André Lacé, Tonho Matéria, Benedito Bené, Vagner Astronauta, Luciano Milani, Leopoldo Gil Vaz, Sérgio Vieira (FICA), Mestre Squisito, Leticia Vidor, Marieta Borges Lins e Silva, Eurico Barreto Viana, Jose Luiz Cirqueira “Falcão”, e tantos outros.

Durante o processo o amigo Luciano Milani, que começou a capoeira em São Paulo nos idos dos 80, na época radicado em Mogadouro, Portugal, entra em contato e faz uma proposta. Ele, mestre nas artes internéticas, tinha um projeto audacioso: criar um portal multifuncional para documentar nossa arte. Foi uma grata surpresa, pois embora o Jornal do Capoeira funcionasse como um “semanário” da capoeira – sim, toda 2a feira uma nova “edição” virtual ia ao ar – ele estava limitado a textos e fotos. Foram meses de interação com o amigo Milani até que PortalCapoeira [2] “pegou”. E pegou para ficar! Em 2006, por motivos de estudo de doutorado, meu projeto Jornal do Capoeira [com suas mais de 1000 matérias, crônicas, notícias, clássicos da literatura etc] precisou ser paralisado.

E desde então, tanto as listas de discussões por emails, alimentadas pelos Mestres Jerônimo, quanto o PortalCapoeira.com são as fontes mais “sólidas” de informação acessível a todos “pelo mundo afora, camará..”.

Vez ou outra, quando surge alguma dúvida, é no Jornal do Capoeira, no PortalCapoeira ou nas Listas de Discussões (todas tem repositórios arquivados continuamente) que busco primeiro as informações.

Capoeira: estudar é preciso

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 1

Hoje pela manhã, enquanto revisava um artigo científico de um de meus alunos de doutorado sobre conservação do Mico Leão Dourado, recebo um questionamento do Prof. Verga (Ederson Renato), responsável pelo ensino de jovens capoeiras do projeto “Brincando de Gingar”, da entidade Legião Mirim/São Pedro-SP, sob coordenação de Waldir Campos:

“Miltinho, onde eu busco mais informações sobre a influência do samba de roda, samba de recôncavo e outras vertentes musicais sobre a musicalidade da/na capoeira?”

E complementa: “Estou aqui navegando entre o Jornal do Capoeira e PortalCapoeira com meus alunos, mas gostaríamos de adentrar mais no assunto”

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 2

Como ponto de partida sugeri adquirir o livro-CD-DVD “A cartilha do Samba Chula”, ouvirem as gravações “O Recôncavo Baiano: Samba em Roda” [3] e “Samba de Dona Dalva Damiana”. Claro, tem muita fonte riquíssima e que deve ser pesquisada. Mestre Raimundinho, um excelente cantador da Capoeira Angola no Estado de São Paulo, lembra que seu amor pela arte de cantar veio da infância, quando ele ainda criança se reunia na casa de amigos de seus pais para recitar contos vindo da literatura de cordel. Fica a dica!

Enquanto finalizo esta crônica sou interrompido pelo porteiro eletrônico. Por correio, recebo –em primeira mão um– um exemplar do livro “Capoeira: uma Arte Indígena do Brasil – Fundamentos e Tradições”, de autoria do Contramestre Pelicano (Douglas Tessuto), Grupo Muzenza de Santa Gertrudes. Claro, o assunto é bem provocativo, o que, certamente, vai suscitar inúmeras discussões nas próximas décadas. Voltarei ao assunto tão logo tenha lido o livro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 3

O livro é uma compilação de informações que Pelicano reuniu em mais de 20 de pesquisa, e tudo respaldado por entrevistas e documentos históricos. O lançamento oficial vai ocorrer em breve durante o Mundial Muzenza, em Fortaleza/CE.

Vai daí que, a leitura do livro, é um ótimo ponto de partida para todos os membros da Liga Rioclarense de Capoeira. Afinal, não é sempre que alguém “da região” publica algo que pode dar um “sacode” na historiografia de nossa arte.

 

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

 

Iê dá volta ao mundo. Iê dá volta ao mundo, camará…

 


  • [1] www.capoeira.jex.com.br
  • [2] http://portalcapoeira.com/
  • [3] https://www.youtube.com/watch?v=eeTeLqMhOdY
  • [4] https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0

 

UFPE disponibiliza histórico da cultura pernambucana em acervo virtual

No ano em que se celebra internacionalmente os Povos Afrodescendentes, o Laboratório de História Oral e da Imagem (Lahoi) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) publica resultados de dois projetos que têm por objetivo resgatar a memória cultural do estado. Um resgata a memória e traz um inventário sonoro dos maracatus. O outro torna acessível material histórico sobre as manifestações e lutas das décadas de 1970 a 1990.

Fruto do projeto Ritmos, Cores e Gestos da Negritude Pernambucana*, o Lahoi disponibiliza em seu acervo virtual – www.ufpe.br/negritude – levantamentos, documentos, fotografias e entrevistas que dão voz a importantes lideranças dos movimentos culturais e sociais negros pernambucanos. Com foco nesses movimentos, o projeto evidencia as relações construídas por seus militantes nas duas décadas.

O período foi escolhido por constituir um momento muito significativo na história do estado, marcado por intensas lutas sociais, onde maracatus, afoxés, capoeiras, escolas de samba e grupos de música e teatro foram fundamentais na integração do povo. De acordo com Isabel Guillen, coordenadora do projeto, o material ressalta importantes características dessas mobilizações e sua importância na afirmação de um orgulho pela identidade, pela negritude.

PERSPECTIVAS – No acervo virtual, Isabel vê uma oportunidade de colocar em circulação outro olhar sobre a cultura na grande Recife. “O desejo é de que muitos consultem o acervo. Tamanha diversidade e riqueza não podem permanecer invisíveis”, afirma. “Não adianta documentação trancada. Ela precisa circular, produzir novos saberes, causar inquietações, ser agente de transformação no mundo”, completa.

Para Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares (DPA/FCP), a UFPE apresenta para a sociedade brasileira um importante trabalho de valorização e promoção da diversidade cultural do nosso país. “O patrimônio cultural da comunidade afropernambucana é merecidamente agraciada com esta proposta”, ressalta.

MARACATUS-NAÇÃO – A outra pesquisa do Laboratório de História Oral e da Imagem (Lahoi) da UFPE tem por objetivo produzir conhecimento sobre a vida social dos maracatus-nação de Pernambuco. Nela, são abordados os aspectos relacionados diretamente à musicalidade sob a óptica de que embora inseridos em uma mesma categoria de manifestação cultural, os maracatus têm suas especificidades.

Os registros dos maracatus fazem com que a diversidade e riqueza das nações e suas identidades sejam divulgadas e igualmente valorizadas evitando que a exposição da sonoridade de uma única nação sirva de referência para a manifestação como um todo. O produto final da pesquisa será o Inventário Sonoro dos Maracatus-Nação Pernambucanos* e um CD coletivo com sonoridades de 19 maracatus.

Para conhecer o projeto sobre os maracatus acesse www.historiamaracatusnacao.com e http://inventariomaracatus.blogspot.com/.

* Ambos os projetos foram financiados pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Downloads da Capoeira

O Portal Capoeira provem uma enorme biblioteca virtual com os mais importantes documentos, manuscritos, músicas, livros, videos e biografias da capoeira. Uma importante e fundamental ferramenta de conhecimento!

Read More

Nota de Falecimento: Mestre Mão de Ouro de Sobradinho, cidade satélite de Brasília

Mestre Umoi, Grupo União na Capoeira, que se criou na capoeiragem em Sobradinho faz homenagem postuma a mestre Mão de Ouro, uma das referências da velha guarda da capoeiragem de Brasília.
 
Ele visitava muito meu primeiro mestre (mestre Cordeiro) no início dos meus caminhos na capoeira em 1974 e uma vez por semana nos dava formação de capoeira angola.
 
É uma das referências da capoeiragem antiga de Sobradinho e consequentemente de Brasília.
 
Elevo minhas orações ao Mestre Mão de Ouro, pedindo à capoeiragem da Roda Virtual, do Portal Capoeira e do mundo  que acredite em mim quando declaro aqui que um grande capoeira se foi e Sobradinho não esquecerá um dos seus ícones da capoeira.
 
Falo isso firmando um compromisso em honra e carinho ao mestre.
 
Que Deus o tenha e o coloque junto aos outros mestres que já se foram antes dele. Ele, certamente, merece…
 
Com profundo pesar e lamento,
Umoi

Gran Mestre – Mestre e outros títulos mais…

Esta manhã ao ler a reportagem em anexo, no Diário de Marília, via internet, uma questão logo me chamou a atenção… talvez por despreparo ou ignorância do reporter ou talvez por vaidade…  o Título da Matéria me pareceu bastante peculiar…
 
"Pereira atinge grau máximo da capoeira"
 
Voltamos a colocar na roda uma discussão que foi muito bombardeada nos meios de comunicação virtual, quer pelo grupo de discussões CAPOEIRA CBC, quer pela ROD@ VIRTUAL do Mestre Jeronimo:
 
Gran Mestre – Mestre e outros títulos mais…
 
O que realmente me chama atenção no texto é a Idade do Gran Mestre, 32 anos!!!
 
"Sou discípulo que apreende…  sou Mestre que dá lição…"
 
A primeira preocupação de um "Capoeirista educador responsável" deve ser a utilização da 
capoeira como meio de crescimento pessoal em todos os níveis, uma ferramenta de inclusão social e cidadania. É procurar compartilhar a sua experiência com seus alunos… é caminhar… e trabalhar em prol da capoeiragem…
 
Todos concordamos que a organização, a hierarquia, as graduações e títulos na capoeira são 
Assuntos delicados e complexos…  fica a reflexão…
Iêêê… vamos embora….

Pereira atinge grau máximo da capoeira
16-12-2005
Edvaldo Pereira dos Santos, o mestre Pereira, 32, acaba de atingir o grau máximo da capoeira, conhecido por Gran Mestre.
A avaliação foi feita durante o Open Capoeira Brasil, realizado de 9 a 11 de dezembro, no ginásio do Sesi, no bairro Boqueirão, em Curitiba, que reuniu cerca de 4.000 pessoas e 625 atletas receberam a graduação na capoeira.
 
Segundo mestre Pereira, do Grupo Marília-Brasil, a avaliação foi feita por uma bateria de mestres, com toque de instrumento (berimbau), canto e jogo (fundamento e tradição).
 
“Fiquei bastante feliz, pois consegui realizar meu sonho. Com esta graduação máxima, posso promover diversos eventos importantes de capoeira em Marília”, disse Pereira.
 
Ele está na capoeira desde os 14 anos de idade. “Tive apoio físico e psicológico do mestre Maurílio Borba, que é um dos grandes incentivadores da minha carreira. Agradeço a ele e as empresas que estão sempre me apoiando, como o Sindimmar, Casa do Norte, RT Mix, Baba Gril e Auto Peças Mirauto.
 
Read More

Reflexão: Capoeira Virtual, deixe a sua opnião…

Esta matéria foi inspirada no tópico criado no Orkut, para discutir a Capoeira Virtual, coloquei algumas opniões dos membros da comunidade, dando um maior enfoque a colocação do camarada Tulio.~
 
Participe colocando a sua opnião, utilizando os comentários, no final da matéria.


É inegavel a massificação da cultura virtual…
Qual é a sua opnião sobre a capoeira virtual: 
   
NUNO
Muito bom, confesso que aprendi mais sobre o que é capoeira no mundo virtual do que no real.Certos debates até se parecem com uma roda, algumas desavenças, brincadeiras, provocações mas sempre percebi muito respeito!
Vamos continuar e ampliar a nossa capoeira virtual!
Abraço a todos 
   
Tulio
Acredito que existem pessoas que realmente utilizam da Capoeira Virtual como uma fonte de aprendizado… pessoas dedicadas na difusão e crescimento da Capoeira… o conhecimento está sendo descentralizado… observavamos poucos entendedores do assunto anteriormente, fora a acessibilidade… como exemplos, Fred Abreu, Antônio Liberac, Dr. Decânio, Morais, Itapoan… entre outros… com aspectos acadêmicos, teóricos… a informação repassada "boca-a-boca"…. o acesso aos livros… um pouco complicado… os batizados eram feitos internamente, alguns amigos convidados… as opiniões centralizadas em um único indivíduo… o Mestre… A Capoeira Virtual… chegou com um perfil de dedicação… pessoas sérias… com responsabilidades de repassar um conhecimento… acesso aos historiadores, artigos, publicações, mestres de diversos lugares do Mundo… apresentando sua vivência… suas experiências… e atualmente… o Orkut… que promove um fórum de discussões mundiais… com pessoas que realmente buscam somar na Capoeira… viabilizando uma formação qualificada ao Capoeirista… uma diversidade de reflexões teóricas e técnicas… possibilitando maior entendimento da complexibilidade do Mundo da Capoeira… e mesmo com a distância entre os usuários… a demonstração de respeito e amizade… Capoeira… uma arte de fazer amigos!!!! um axé… continuemos em nossa busca rumo ao conhecimento… abraços!!!!