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Os Velhos Mestres da Vadiação Baiana

VIEIRA, Luiz Renato. Os velhos mestres da vadiação baiana. Revista Capoeira, n. 7, 1999

Neste texto, pretendemos abordar alguns aspectos da capoeiragem baiana do início do século passado — principalmente dos anos 30 aos anos 50 — , a partir de informações obtidas junto aos chamados “velhos mestres”, alguns dos quais já falecidos, como os mestres Caiçara, Canjiquinha, Bobó, Ferreirinha, Paulo dos Anjos e Waldemar da Liberdade, também conhecido como Waldemar do Pero Vaz. Na realidade, para falar da capoeira baiana do início do século passado, seria necessário destacar a participação de figuras como Samuel Querido de Deus, Nagé, Aberrê, Juvenal, Barbosa, Onça-Preta, Amorzinho, Zacarias, Cabelo Bom e outros. Mas não é nossa proposta detalhar a vida e os feitos desses grandes capoeiras, neste momento. Daremos maior ênfase a alguns dos que fizeram a ligação da antiga capoeiragem baiana com a realidade que vivemos, hoje em dia.

Os “velhos mestres” da capoeira da Bahia são considerados os guardiões das tradições da capoeira. É preciso notar que, em outros estados brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, também encontramos velhos mestres, defendendo as tradições da nossa arte-luta, mas aqui nos referiremos somente a alguns dos mestres baianos. Quando falamos de velhos mestres, estamos tratando, na verdade, de pessoas que, ao longo dos anos, acumularam imensa experiência nas rodas de capoeira e na vida, tornando-se importantíssimas referências para os capoeiras das gerações mais novas. Esses personagens da história da capoeira vêm sendo redescobertos e valorizados. Muitos ainda vivem em grandes dificuldades e alguns outros chegaram a morrer na pobreza, como mestre Pastinha. Esperamos que, com o grande crescimento que a capoeira vem apresentando, esses verdadeiros mestres tenham seu lugar reconhecido na história da cultura popular brasileira.

A maioria dos velhos mestres baianos representa a escola da capoeira Angola (embora alguns se recusem a aceitar a dicotomia Angola/Regional) e entre eles podemos citar: Bobó, Caiçara, Canjiquinha, Ferreirinha, Paulo dos Anjos, Waldemar do Pero Vaz, João Pequeno, Gigante, João Grande e Curió. Dessa lista, infelizmente, apenas os quatro últimos ainda estão vivos.

É muito difícil estabelecer, rigorosamente, “linhas de filiação”, quando falamos dos velhos mestres, uma vez que no tempo em que a maior parte desses grandes capoeiras iniciou-se na luta, a prática era informal e, em alguns casos, realizada nas ruas de Salvador, aos domingos ou nas festas de largo. No entanto, mestre Pastinha aparece como a mais importante figura nas tradições da Angola e referem-se a ele como “o mestre que me ensinou”, entre outros, os mestres: Curió, João Pequeno e João Grande. Na realidade, além de ter sido um respeitado mestre, Pastinha se destaca como o principal articulador da capoeira Angola junto aos poderes públicos de sua época, obtendo apoio dos órgãos de turismo e outras instituições estaduais e municipais. Alguns dos velhos mestres ressaltam seu papel como “presidente da capoeira”, principalmente em virtude de sua atuação na fundação do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, com o objetivo de reunir alguns dos melhores capoeiristas da Bahia. Além de mestre Caiçara, contribuíram para a organização do Centro Esportivo de Capoeira Angola, Pastinha, Traíra, Pivô, Waldemar da Liberdade e outros capoeiras da época.

Os mestres Canjiquinha e Caiçara foram discípulos de Aberrê, que Caiçara descreve como “um filho de escravos trazidos da África”. Bobó e Ferreirinha afirmavam ter aprendido capoeira com mestres de Santo Amaro da Purificação, respectivamente Benedito de Santo Amaro e Antônio Asa Branca. Mestre Gigante, também conhecido como Bigodinho, aprendeu a arte com um dos capoeiristas mais famosos de seu tempo, o Cobrinha Verde, tendo depois praticado no Centro Esportivo de mestre Pastinha. Freqüentou por muito tempo, também, a academia de Capoeira Regional de mestre Bimba que, segundo fomos informados, o considerava “o melhor tocador de berimbau da Bahia”. Mestre Paulo dos Anjos, recentemente falecido e um capoeirista mais jovem entre os velhos mestres, foi aluno de mestre Canjiquinha. Mestre Waldemar do Pero Vaz, tendo iniciado a prática da capoeira em 1936, já com 20 anos de idade, foi aluno de capoeiras que figuram como verdadeiros mitos na nossa memória: Canário Pardo, Piripiri, Talavi e Siri-de-Mangue. Mestre Waldemar tem um papel particularmente importante na história da capoeiragem baiana porque, antes de Pastinha se destacar como o principal organizador dos angoleiros, já figurava como liderança que unia os “bambas” da capoeira tradicional, não vinculados à escola de mestre Bimba.

Naquela época, o aprendizado ocorria de maneira vivencial; na maioria dos casos, na própria roda de capoeira. Assim, o iniciante aprendia com os jogadores mais experimentados, informalmente. Embora, já em 1932, tenha sido fundada por mestre Bimba a primeira academia, o aprendizado informal da capoeira, nas ruas de Salvador, predominou até meados da década de 50. De acordo com mestre Gigante, “Naquela época não havia academia. Somente no dia de domingo é que tinha a vadiagem na rua” .

Mestre Waldemar, por exemplo, como já afirmamos, organizou por muitos anos a roda mais famosa de Salvador, no Corta-Braço, na Estrada da Liberdade. Comparando o aprendizado informal de sua época com os treinamentos de capoeira nas academias atuais, observou: “A roda na Liberdade era ao ar livre, perto do arvoredo. Eu fazia o ringue na sombra e botava a rapaziada pra jogar. Depois eu fiz um barracão de palha grande, e vinha tudo quanto era capoeirista da Bahia”.

Assim, o jogo da capoeira aparecia integrado ao cotidiano do povo, como a “pelada”. Embora existissem os “cobras”, não havia uma rigorosa exigência do domínio da técnica do jogo, mas apenas o conhecimento do ritual da roda e o respeito ao mestre e aos mais antigos. Mesmo havendo os pontos tradicionais de reunião dos capoeiras, principalmente nos domingos à tarde, qualquer ocasião em que se encontrassem era propícia à realização de rodas. Portanto, os bares, as praças, os mercados e as feiras, freqüentemente, eram palco de rodas inesperadas. Eram também comuns as rodas realizadas com o objetivo de recolher dinheiro dos assistentes para ser distribuído entre os capoeiristas. Em alguns locais, estes recolhiam com a boca as cédulas lançadas ao chão da roda, executando complexos movimentos de destreza e equilíbrio sobre as mãos ou, simplesmente, “passando o chapéu” entre os assistentes.

Sendo uma prática comum no cotidiano da época, a capoeira não exigia nenhuma indumentária especial: o praticante participava calçado e com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos, alguns dos capoeiristas mais destacados faziam questão de se apresentar, trajando refinados ternos de linho branco, como era comum até meados deste século. Vejamos o que disse mestre Paulo dos Anjos sobre o assunto: “Seu Waldemar ia pra roda de capoeira vestido de linho diagonal, uma fazenda que não era qualquer um que vestia não. Chapéu Rameson 3x e sapato da Clark. Você que fosse jogar com ele e, por desacerto, sem querer, você encostasse seu pé sujo no linho diagonal de Waldemar. Não era nem louco!”.

São muito comuns, na literatura e nos depoimentos, as referências ao traje branco dos capoeiristas do passado, o que se relaciona com a tradição de que capoeira que é bom não cai, nem permite que o outro lhe encoste o pé. No entanto, esse traje não chegou a caracterizar uma vestimenta específica para o jogo. Apenas mais tarde, no final da década de 50, as academias de capoeira passaram a adotar uniformes diferenciados pelas cores das camisetas e das calças, embora mestre Pastinha já adotasse o uniforme amarelo e preto, desde os anos 40.

Os ambientes freqüentados pela maioria dos capoeiristas e o contexto em que aconteciam as rodas, eram fatores que colaboravam para os diversos choques com a polícia, embora o último período de ferrenha perseguição aos capoeiras baianos tenha sido a década de 20, quando foi chefe de polícia, Pedro de Azevedo Gordilho, conhecido como Pedrito. Então, a partir da década de 30, foi deixando de existir uma atitude repressiva, especificamente contra os capoeiristas, mas a polícia continuou criando problemas para muitos. Entre os mestres mais idosos da Bahia, há os que se referem, orgulhosamente, aos conflitos de que participaram, inclusive com a polícia, ilustrando o discurso com suas cicatrizes de facadas e tiros, como mestre Caiçara. Mas Canjiquinha também ressalta a perseguição de que foi vítima: “A gente jogava capoeira nos dias de domingo. Não tinha academia e quando aparecia a polícia a gente tinha que sair correndo”.

Por outro lado, há casos em que a própria polícia ajudava a “manter a ordem” nas rodas, o que nos mostra como sempre foi complexa a relação da capoeira com as instituições e o poder no Brasil. Vejamos, por exemplo, o que afirmou mestre Waldemar, sobre a roda que organizava na década de 40: “Uma vez, eu fui na delegacia da Liberdade pedir ao delegado que mandasse polícia para olhar a roda que eu fazia. Tinha muito capoeirista aparecendo lá e criando confusão. Ele disse que não precisava não: ‘mande seus alunos dar uma cipoada neles e trazer aqui’”.

Os mestres eram figuras altamente respeitadas, destacando-se dos demais pela habilidade no jogo, nos toques do berimbau e nas cantigas. Alguns dos mais famosos que mantinham rodas de capoeira eram mestre Bimba, que fazia roda aos domingos no Alto de Amaralina; mestre Waldemar do Pero Vaz, com sua roda na Estrada da Liberdade; mestre Pastinha, que reunia os capoeiristas no Largo do Pelourinho e mestre Cobrinha Verde, com sua roda no Chame-Chame. Os mestres ocupavam lugar especial nas rodas de capoeira. Era sempre o mestre que iniciava e encerrava a roda, fazia recomendações nos cânticos e podia comprar qualquer jogo que estivesse acontecendo, escolhendo qualquer capoeirista para jogar. Além disso, não se permitia comprar jogo de mestre: apenas outro capoeirista, na mesma condição, poderia fazê-lo. Os mais antigos ressaltam, insistentemente, o fato de que nas rodas, hoje em dia, os mestres não são tratados com a distinção dos outros tempos. Nas palavras de mestre Curió: “Tem alunos que chegam na roda e tomam o berimbau do mestre, tomam o berimbau de minha mão. No meu tempo não tinha isso não. O mestre dava se quisesse. E quando o mestre estava jogando, o aluno não podia entrar”.

É importante ressaltar que, embora questionem algumas atitudes dos capoeiras da atualidade — como, por exemplo, o desrespeito aos rituais tradicionais —, os velhos mestres, em geral, demonstram grande admiração pelo crescimento e reconhecimento que a capoeira vem alcançando. De uma certa forma, podemos dizer que é a concretização de seus sonhos, embora ainda haja muita coisa a fazer e a resgatar do passado.

Temos, realmente, muito a aprender com esses mestres. Entendemos que a história não é a ciência do passado, mas a chave para que possamos, conhecendo o passado, construir um futuro melhor. Há fundamentos essenciais que podemos aprender ouvindo, observando e conhecendo as histórias e estórias desses importantes personagens da nossa história e da nossa cultura.

 

As entrevistas citadas foram realizadas entre 1988 e 1989, e constam do livro:

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil. 2a ed., Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 1998.

 

Mestre Luiz Renato

Mestre de Capoeira do Grupo Beribazu, formado pelo Mestre Zulu. Sociólogo, mestre em sociologia (UnB) e doutor em sociologia da cultura (UnB/Univ. de Paris I – Sorbonne). Especialista em políticas públicas e gestão governamental (ENAP-MPOG). Ensina a capoeira desde 1981. Coordenador do Projeto Capoeira Atividade Comunitária – Centro de Capoeira da UnB desde 1990. Autor de livros e diversos artigos sobre a capoeira e outros temas relacionados à educação e à cultura popular publicados em revistas científicas nas áreas de políticas públicas, ciências sociais e educação física. Professor universitário e Consultor Legislativo do Senado Federal na área de cultura. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2001134054398981

 

Fonte:

Grupo de Estudos de História da Capoeira

Blog do Grupo de Estudos de História da Capoeira, vinculado ao Projeto Comunitário Capoeira – Centro de Capoeira da UnB

http://estudoscapoeira.blogspot.com/

Bahia: Mestre Bigodinho e Ação Solidária

Mestre Bigodinho está se recuperando de uma fratura na perna e está impedido de se locomover e, consequentemente, de trabalhar.
Por isso, queremos formar uma corrente pra poder ajudá-lo nesse momento.
Se cada um que entende o valor do Mestre fizer um pouquinho, acho que poderemos ‘amaciar’ este momento que ele vive. 

As seguintes ações podem gerar bons frutos:

– Promover em seu grupo/espaço algum evento (roda, oficina, sessão de filme, festa, feijoada) que possa arrecadar algum dinheiro para reverter ao Mestre;
– Comprar o cd (unidade ou caixa) de Mestre Waldemar que tem como responsável o Teimosia que propõe doar a renda das vendas para o Mestre.


E-mail para pedidos de cds : cdmestrewaldemar@gmail.com
– Comprar o dvd “Tributo ao Mestre Bigodinho” atravês do Atelier de Mestre Lua Rasta. A renda das vendas também é revertida para o Mestre.
E-mail para pedidos de dvds : atelierlua@hotmail.com

– Fazer visitas ao Mestre, pois se sentir sozinho em um momento como este é muito ruim.

O contato do Mestre é feito atravês de sua filha Joanice no telefone : (71) 3257 98 05 ou 8854 56 80

O CD “MESTRE WALDEMAR, EU CANTEI A CAPOEIRA” contém gravações do grande mestre da Pero Vaz e alunos, no ano de 1951.
À época, foram realizadas pelo pesquisador americano Anthony Leeds e descobertas na Universidade de Indiana, EUA. 
Contém ainda gravações e depoimentos do mestre, oriundas de uma roda na casa do Mestre Itapoan em comemoraçãoao aniversário de Mestre Paulo dos Anjos (1989).

O DVD “TRIBUTO A MESTRE BIGODINHO” intercala trechos dos depoimentos de M.Bigodinho com imagens da rica cultura de Acupe no Recôncavo baiano : o Bando
Anunciador, Burrinha, Negôs fugidos, Samba de roda, Maculêlê e Capoeira se unem em homenagem ao velho Mestre. Com inumeras intervenções, o calderão cultural encanta 
as ruas de Acupe.


É, mais uma vez, preocupante o que acontece com os mestres de capoeira no Brasil. Enquanto mil processos, onde rios de dinheiro são gastos para contratação de profissionais que, muitas vezes, nem capoeiristas são para “decidir” o destino da capoeira como patrimônio histórico, nossos verdadeiros patrimônios (os guardiões da cultura como os intelectuais mesmo gostam de chamar) estão aí sem apoio, sem qualquer suporte do poder público em momentos como este, e que acontecem a todo instante. 
Cabe aos capoeiristas, a galera que sente e sabe o que é o caminho de um mestre de capoeira tomar atitudes que possam, pelo menos, amenizar o sofrimento de alguém que foi capoeirista a vida toda e que agora, tem dificuldades para comprar os remédios caríssimos que lhe são receitados, manter as contas da casa em dia e até mesmo poder ser cuidado e alimentado dignamente.
Por essas e por outras, pedimos o seu apoio. E não dá pra demorar. É hora é hora. 

Entrem em contato, quem puder ajudar!


Obrigado”

Mestre Lua Rasta

Mestre Waldemar – Eu cantei a capoeira: Um projeto que deu certo!

Olá, camaradas !

 

Hoje é um dia feliz para o projeto “Mestre Waldemar – Eu cantei a capoeira” !

Encerramos oficialmente a 1a fornada, e fizemos o envio do dinheiro para o Mestre Bigodinho, através de um depósito bancário para o Mestre Lua Rasta.

No total, foram:

  • R$750,00 em mercadorias (50 CDs enviados sem custo, para o Mestre Bigodinho dispor como melhor entender)

  • R$1018,00 em dinheiro

Os demonstrativos financeiros do projeto podem ser encontrados diretamente no site: http://campodemandinga.googlepages.com/mestrewaldemarE como jacaré parado vira bolsa, iniciamos oficialmente hoje a 2a fornada !

São mais 200 CDs (pagos com parte do lucro da 1a fornada) à venda, para quem quiser ajudar e ao mesmo tempo ouvir um pouco da história da capoeira – na voz do Mestre Waldemar.

Axé, Teimosia

 

O CD “Mestre Waldemar – Eu Cantei a Capoeira” contém gravações do grande mestre da Pero Vaz e alunos, no ano de 1951. À época, foram realizadas pelo pesquisador americano Anthony Leeds e descobertas na Universidade de Indiana, EUA.

Contém ainda gravações e depoimentos do mestre,  oriundas de uma roda na casa do Mestre Itapoan em comemoração ao aniversário de Mestre Paulo dos Anjos (1989).

Agradecimentos à Comunidade Mestre Pastinha pelo apoio e esforço, e ao Mestre Burguês, por ter dado acesso às gravações de 1989.

01 – Valente Vilela (1951) – Canta M. Zacarias 02 – Todo mundo quer ser bom (1989) – Canta M. Waldemar
03 – Eu ja vivo enjoado (1989) – Canta M. Waldemar
04 – Era eu, era meu mano (1951) – Cantam M. Waldemar e M. Traíra
05 – Valente Vilela (1989) – Canta M. Waldemar
06 – Eu vim de onde não vai (1989) – Canta M. Waldemar
07 – Eu já canto há muitos anos (1989) – Cantam M. Waldemar e M. Paulo dos Anjos
08 – Toques de berimbau (1951)
09 – Igreja do bonfim (1989) – Cantam M. Waldemar e M. Paulo dos Anjos
10 – Depoimento do M. Waldemar (1989)

O CD “Mestre Waldemar – Eu Cantei a Capoeira” contém gravações do grande mestre da Pero Vaz e alunos, no ano de 1951. À época, foram realizadas pelo pesquisador americano Anthony Leeds e descobertas na Universidade de Indiana, EUA.

Contém ainda gravações e depoimentos do mestre, oriundas de uma roda na casa do Mestre Itapoan em comemoração ao aniversário de Mestre Paulo dos Anjos (1989).

O CD foi produzido a partir da iniciativa de membros da comunidade “Mestre Pastinha” (Orkut), e tem como intuito de ajudar o Mestre Bigodinho, discípulo do Mestre Waldemar.

Todo o lucro da venda será destinado ao Mestre Bigodinho.

Custo: R$15,00 + frete

Para adquirir o álbum, entre em contato com cdmestrewaldemar@gmail.com


Agradecimentos à Comunidade Mestre Pastinha pelo apoio e esforço, e ao Mestre Burguês, por ter dado acesso às gravações de 1989.

Gravações Históricas do Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão

Mestre Waldemar – Eu cantei a Capoeira

O CD “Mestre Waldemar – Eu Cantei a Capoeira” contém gravações do grande mestre da Pero Vaz e alunos, no ano de 1951. À época, foram realizadas pelo pesquisador americano Anthony Leeds e descobertas na Universidade de Indiana, EUA. 

Contém ainda gravações e depoimentos do mestre,  oriundas de uma roda na casa do Mestre Itapoan em comemoração ao aniversário de Mestre Paulo dos Anjos (1989).

Agradecimentos à Comunidade Mestre Pastinha pelo apoio e esforço, e ao Mestre Burguês, por ter dado acesso às gravações de 1989.

 

Para adquirir o álbum, entre em contato com: cdmestrewaldemar@gmail.com

http://campodemandinga.googlepages.com/mestrewaldemar

Olá, camaradas

Há poucos dias foi feito o lançamento do CD “Mestre Waldemar – Eu cantei a Capoeira”. O álbum, composto por 10 faixas, contém gravações feitas em 1951 pelo pesquisador americano Anthony Leeds, e gravações de 1989, durante uma roda na casa do Mestre Itapoan.

Nas faixas de 1951, cantam os Mestres Waldemar, Zacarias e Traíra. Nas de 1989, cantam os Mestres Waldemar e Paulo dos Anjos.

01 – Valente Vilela (1951) – Canta M. Zacarias
02 – Todo mundo quer ser bom (1989) – Canta M. Waldemar
03 – Eu ja vivo enjoado (1989) – Canta M. Waldemar
04 – Era eu, era meu mano (1951) – Cantam M. Waldemar e M. Traíra
05 – Valente Vilela (1989) – Canta M. Waldemar
06 – Eu vim de onde não vai (1989) – Canta M. Waldemar
07 – Eu já canto há muitos anos (1989) – Cantam M. Waldemar e M. Paulo dos Anjos
08 – Toques de berimbau (1951)
09 – Igreja do bonfim (1989) – Cantam M. Waldemar e M. Paulo dos Anjos
10 – Depoimento do M. Waldemar (1989)

O trabalho foi originado de uma discussão na comunidade “Mestre Pastinha” (do Orkut), e custeado com dinheiro próprio. A tiragem inicial é de 200 cópias, e todo o lucro será repassado para o Mestre Bigodinho, discípulo do Mestre Waldemar. O preço do CD é R$15,00, mais o frete (envio feito via PAC).

Agradecimentos à comunidade Mestre Pastinha pelo apoio e esforço, e ao Mestre Burguês que deu acesso às gravações de 1989.

Aos que se interessarem em ouvir o Mestre Waldemar, e ajudar o Mestre Bigodinho, fica a dica:

  • http://campodemandinga.googlepages.com/mestrewaldemar

Axé,
Teimosia

 

 Para ouvir a faixa 03 – Eu ja vivo enjoado (1989), clique aqui.

 Para baixar a faixa  06 – Eu vim de onde não vai (1989), clique aqui.

 Para comprar o CD de mestre Waldemar, clique aqui.

SC: Projeto Capoeira ganha continuidade em Forquilhinha

A Prefeitura de Forquilhinha através da Secretaria Municipal de Educação apresentou na noite desta quarta-feira, dia 19, o Projeto “Capoeira – Aprendizado para a Vida” na EEB Waldemar Casagrande no bairro Ouro Negro.

A capoeira teve início em 2007 e mais de 200 crianças já passaram pelo projeto. As aulas são oferecidas para alunos da rede municipal de ensino e comunidade em geral. Este ano, além da Escola Waldemar Casagrande, o projeto continua no Loteamento Califórnia no bairro Santa Cruz.

Cerca de cem jovens e adolescentes já se inscreveram para as aulas de capoeira, que começam na segunda-feira, dia 24 de março.

Fonte: Rádio Difusora AM910 – http://www.difusora910.com.br

Entrevista Especial: Mestre Ananias

O Portal Capoeira, através do camarada Minhoca, Uirapuru Assessoria Cultural e a Associação Cultural Cachuera , tem o enorme prazer de trazer esta entrevista especial com o Mestre Ananias, e convida-lo para a gravação de seu CD vol II com seu grupo de Samba de Roda "Garoa do Recôncavo". A gravação será realizada ao vivo, em duas apresentações e com venda de ingressos limitados, uma vez que se trata de um registro. Pretende-se manter a autenticidade do samba de roda portanto a participação da comunidade é fundamental. Todos são convidados especiais para esse momento importante da cultura afro-baiana na capital paulistana.

Para maiores detalhes sobre o Projeto Documental de Mestre Ananias, clique aqui.

Mestre Ananias é um dos icones da Capoeira em São Paulo, com seus 81 anos, Mestre Ananias é a síntese da herança africana do povo brasileiro. Vive a Capoeira, o Samba e o Candomblé sem dissociá-los, esclarecendo no seu comportamento questões sobre a ancestralidade do nosso povo. Nascido no ano de 1924, em São Félix, região do Recôncavo Baiano cuja fertilidade cultural merece estudo aprofundado. Absorve o contexto no qual está imerso e na metade do século XX vem para São Paulo a convite de produtores do teatro paulistano. Trabalha com Plínio Marcos, Solano Trindade e outras personalidades, em todos os teatros da cidade. Em 1953, ano de sua chegada, Mestre Ananias funda a roda de capoeira mais tradicional de São Paulo, a Roda da Praça da República. Essa ganha força com a chegada de seus conterrâneos e nesse ínterim a capoeira exerce de fato um dos seus principais fundamentos, integrar à sociedade, classes desfavorecidas frente às imposições e preconceitos raciais e sociais.

 
Nome (completo): Ananias Ferreira
Data de nascimento: 01/12/1924
– O que é capoeira, mestre?
 
Capoeira pra mim é saúde, um esporte pra home, no modo de fala!! tem que ter coragem, se comportar, aceitá um beliscão, não é só bate, porque hoje é assim… Nós temos saúde de ferro, tem nego que fala que é dança, pra mim é a dança da morte, a capoeira mata sorrindo, um cumprimento é gorpe, rapaz!!! É tudo na minha vida, se não fosse a capoeira eu não estava com a idade que estou.
 
– Como o senhor começou (e quando) com capoeira (sua história)?

Desde os 14 anos, é a idade pra sentir a capoeira na pele, antes disso não tem noção de nada, não entende “patavida”, essa é a idade que dá pra começar contar história, que comecei a ficar esperto. To no meio disso desde pequenininho, sou de São Félix / Cachoeira
 
– O que o senhor pode dizer sobre quem que te ensinou?

Juvêncio estivador, ele era o mestre, fazia capoeira na beira do cais de São Félix, no Varre Estrada, nas festas da Igreja de São Deus Menino e Senhor São Félix. A roda era formada com João de Zazá, os irmãos Toy e Roxinho, Alvelino e Santos dois irmãos também de Muritiba, Caial, Estevão capoeira perversa, esse era vigia da fábrica de charuto (“Letialvi”) e tanta gente que… Traíra e Café de Cachoeira… Ninguém ensinava, mas o mestre mesmo era o Juvêncio, todo mundo se reunia e pronto, não tinha esse negócio de procurar um mestre. Depois, quando fui pra Salvador, lá sim, cheguei na roda do Pastinha em 1940 mais ou menos. Eu morava na Liberdade, na rua XIII e nos domingos ia assistir a roda do Mestre Waldemar e comecei a freqüentar. Nas 4ª feiras tinha treino e domingo era a roda para apresentar para o povo, os americanos que iam lá ver nosso trabalho. Formava com o Dorival (irmão do Mestre Waldemar) Maré, Caiçara, Zacaria, Bom Cabelo, Nagé, Onça Preta, Bugalho e Mucunge tocador de berimbau. Na capital comecei melhorar meu berimbau e jogo com o falecido Waldemar, com o tempo recebi o posto de Contra Mestre do Waldemar, um teste rigoroso com os mestres.
Canjica foi grande capoeirista, sambista, cantador, ritmista, o home era completo, fiz show com ele aqui em São Paulo, conheci ele na Bahia e depois aqui, joguei capoeira junto dele sempre fora, fazendo show, não na academia não, e peguei meu diploma com ele, na época antiga não tinha esse negócio de diploma não.
 
– Quem eram seus exemplos quando o senhor começou praticar capoeira?

Nagé e Onça Preta era bonito, jogo bailado, dando risada, fazendo macaquice, muito bonito… já os outros era mais duro. Maré e Traíra também tinha jogo muito bonito, Bom Cabelo e Zacarias, agora o Waldemar era o Mestre né, bom demais, era bom em tudo. Caiçara, Caiçara era endiabrado e Dorival, quando se encontravam, hum!! Eram inimigos dentro da roda, o jogo era brabo, já fora não sei…
 
– O que o senhor acha mais importante para ser um bom capoeirista?

Tem que se dedicar para saber de tudo na capoeira, dos instrumentos ao jogo e sabe ensina também, tem muita coisa pra frente, não é só também bate um instrumento não, tem muita coisa…
 
– O que e o diferença entre o capoeira antigamente e a capoeira agora?

Muita diferença… quer comparar a capoeira da antiga com a descarada de hoje em dia…hum! Hoje nessa vagareza, vamu por um pouco mais de lenha, sentando no chão… por isso desclassificam a capoeira de angola, tem que ser em cima e em baixo, jogo vivo. E mais viu… Tão inventando moda, a capoeira é do mundo, ela é do mundo não tem dono não, querem ganhar dinheiro em cima dos trouxas. O ritmo era vivo, as notas explicadinhas, hoje em dia é uma tristeza, não dá pra entende viu.
 
– E o samba Mestre, com quem o senhor aprendeu!?

Lá com os velhos na Bahia, nos candomblés, nas rodas de samba, fazia a capoeira e depois o samba particularmente. Meu pai principalmente, fazia qualquer negócio, era o home do samba junto dos seus cumpadres violeiros, com pandeiro junto, e eu tava no meio aí aprendi.
 
– E o grupo “Garoa do Recôncavo”, onde surgiu!?

Ta muito bom, formei entre eu e meus alunos, primeiro veio a capoeira, depois juntei com os meninos aí pegou no breu, todo mundo ta aplaudindo e daqui pra melhor, tem que melhorar né e agente chega lá. Esse samba que agente faz é antigo, eu era menino quando aprendi, é o samba duro lá do Recôncavo… E o Cd, com as graças de Deus vai ser bom, ta ficando bom

 
– O que o senhor quer ensinar aos seus discípulos?

Tudo o que está dentro de mim, para ensinar aos meus alunos, depende da boa vontade deles né, mas ninguém quer nada com nada e eu quero meu cantinho de volta, é a casa de todos nós, onde todo mundo vem e gosta, mas até agora… tá todo mundo cobrando nosso espaço de volta
 
– Onde estará a capoeira em 20 anos?

Depende dos mestres né, por que do jeito que vai, essa anarquia, principalmente em praça pública, só pensam em valentia, vamu pensar melhor, ó o futuro aí…
 
– O senhor tem uma cantiga da Capoeira que o senhor prefere ou gosto muito de cantar?

Todas elas, são iguais, todas boas

 
– O que o senhor gosta de fazer fora da capoeira?

Candomblé, como ogâ das entidades, so pintado, raspado e catulado, à disposição dos orixás, mas… também ta tudo modificado, até as entidades estão modificadas, os cantos…
 
-Talvez o senhor possa nos contar mais sobre o seu grupo

Nosso grupo tá ótimo, o que falta é um espaço né, mas dependo de vocês, uma andorinha só não faz verão, vamos se junta, muita ciumera em cima de mim, um diz isso, outro aquilo, é um “disse-me disse miseravi”.

Mais informações no fone 11 5072 65 79

 

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Foto extraida do filme "Vadiação",
de Alexandre Robatto Filho
produzido em 1954,
Participação: Traíra, Curió, Nagé, Bimba, Waldemar, Caiçara, Crispim, Bugalho… entre outros

Mestre Traira

Mestre Traira
José Ramos Do Nascimento, Capoeira de fama na Bahia, marcou época e ganhou notabilidade ímpar na arte das Rasteiras e Cabeçadas. Nodisco fonográfico, produzido pela Editora Xauã, intitulado "Capoeira" – hoje uma das raridades mais preciosas para os estudiosos e adeptos desta Arte – tem presença marcante envolvendo a todos os ouvites. Sobre a beleza e periculosidade do seu jogo, assim se referiu Jorge Amado: "Traíra, um cabloco seco e de pouco falar, feito de músculos, grande mestre de capoeira. Vê-lo brincar é um verdadeiro prazer estético. Parece bailarino e só mesmo Pastinha pode competir com ele na beleza dos movimentos, na agilidade, na rigidez dos golpes. Quando Traíra não se encontrana Escola de Waldemar, está ali por perto, na Escola de Sete Molas, também na Liberdade". Mestre Traíra também teve importante participação no filme "Vadiação", de Alexandre Robatto Filho, produzido em 1954, junto aos outros grandes capoeiristas baianos como Curió, Nagé, Bimba, Waldemar, Caiçara, Crispim e outros."
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