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Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu

 

“Berimbau, a arma da feminilidade das mulheres Bantu. Após uma terrível batalha, a deusa protectora transformou o arco do guerreiro no primeiro instrumento musical da tribo, para que a música e a paz substituíssem as armas e guerras para sempre.”

 

Existe um facto que goza de certa autoridade, sendo que, quando se pesquisa sobre o berimbau africano, seja ele de que nome, origem, ou tamanho for, é impossível ignorar que o gênero feminino desempenha um papel extremamente considerável em relação aos arcos musicais.

A popularidade do berimbau cresceu transversalmente da arte afro-brasileira mais conhecida por Capoeira. A Capoeira, até certo ponto, era de acesso restrito a um ambiente masculino. Significantemente, as portas foram abertas para o sexo oposto e já se conquistou bastante espaço por meios de dedicação e empenho.

Porém, as mulheres na esfera capoerística ainda se encontram vítimas de regras discriminatórias, consideradas pela comunidade como tradição. Regras essas que não as permite tocar o berimbau e, em certos momentos, não poder participar durante a roda.

A mulher africana, apesar de viver em constantes normas estritas e rigorosas entre elas, sendo as responsabilidades matriarcas, no último centenário foi a que mais fortificou a presença, e a popularização do berimbau africano na plateia continental e internacional.

Através do som melódico e hipnotizante do instrumento de uma corda só, orgulhosamente canta-se cantigas de centenas de anos atrás, transmitidas pelos seus antepassados.

Canções que contam estórias das glórias dos seus povos, sobre a felicidade, a tristeza, o amor, o ódio, a paixão, a traição, as desventuras de casamentos e cantigas infantis.

Não somente a mulher é tradicionalmente considerada a base da família, mas também compõe, canta e constrói os próprios instrumentos que toca.

Cito duas personalidades da música tradicional Bantu-Nguni e herdeiras da tradição de tocadoras de arcos musicais, como a Princesa Zulu Constance Magogo e a Dona Madosini Mpahleni, que hoje em dia goza de noventa anos de idade.

Com esta chamada, conto com mais reconhecimento e consideração para com as mulheres, não somente na capoeira mas também no berimbau e outros instrumentos musicais.

 

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*Aristóteles Kandimba, angolano, pesquisador, cronista, cineasta e professor de capoeira Angola.
kandimbafilms.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/Angola-Ministry-of-Culture-Pictures-Events/150849848265087?fref=ts
(Mitologia Bantu-Nguni, Zulu – Africa do Sul)

 

Matéria sugerida por Nélia Azevedo – (Portuguesa)

Capoeira unindo famílias e corações – Zum Zum Zum, Capoeira Acha um!

DURANTE RODA DE CAPOEIRA, MEMÓRIA DE MIGUEL(PACIENTE COM TRANSTORNO MENTAL) TEM INSIGHT INCRÍVEL

Interno estava sem contato com a família há 26 anos e não se lembrava de nada em relação a sua vida, mas na roda, teve a capacidade de expressar verdades escondidas.

Mais um caso envolvendo usuário do serviço de saúde de São Bernardo teveum final feliz. Desaparecido há 26 anos, Miguel Ribeiro, paciente da ResidênciaTerapêutica Masculina da cidade, finalmente reencontrou seus familiares. Curiosa foi a circunstância como se deu este reencontro. Miguel não trazia lembrança alguma em relação à história de sua vida e não verbalizava nenhuma informação que pudesse levar ao paradeiro de seus familiares, amigos ou algo que sinalizasse sobre sua trajetória.
E foi durante uma roda de capoeira comemorativa ao aniversário do Caps III para pacientes com transtornos mentais realizada pelos adolescentes que utilizam o serviço de saúde mental Caps ad Infanto Juvenil (tratamento em uso e abuso de álcool de outras drogas) realizado pelo Projeto Beija-Flor Capoeira com supervisão do Professor de Educação Física do Caps Infanto Juvenil da PMSBC, Ricardo. (Os Caps, são centros de atenção psicossocial que substituem os hospitais psiquiátricos e humanizam o tratamento dos usuários dos serviços em saúde mental)

O momento era de muita energia e contemplação, já que vários usuários da redeem saúde mental da PMSBC interagiam e entravam na roda de capoeira. Numdestes momentos, Miguel que hoje está com 49 anos batia palmas sentado na roda e sussurrava algumas cantigas que eram cantadas.
“Foi neste momento que percebi que o Miguel tinha no mínimo, alguma vivência com a arte capoeira já que ele se lembrava de alguns refrões de músicas específicas da roda” relata o Professor.

Miguel então foi convidado para jogar pelo professor e durante o jogo alémde continuar cantando as músicas ele começou a citar o nome de seu Mestre, oMestre Zulu.
“Por algumas vezes ele falava no Mestre Zulu, Salve Mestre! Salve Mestre Zulu!enquanto minimamente conseguia construir um ou outro movimento. Percebieste detalhe e assim a roda transcorreu e ao final dela, conversei com a equipe multiprofissional do Caps III da PMSBC e uma das funcionárias a enfermeira Tatiane Janaina Arrais localizou assim o Mestre Zulu, sua escola de capoeira e também onde Miguel havia cursado o supletivo quando jovem na Escola Estadual Ernestino Lopes da Silva, localizada na Zona Sul de São Paulo.

A equipe da Residência Terapêutica Masculina entrou então em contato coma instituição de ensino e localizou a vice-diretora Luci Billig Costa, que tinha sido professora do paciente e encontrou os familiares de Miguel, que residem em uma colônia alemã em São Paulo.

Miguel, que foi interno do Hospital Lacan durante 10 anos, possui mãe com 80 anos e mais 10 irmãos. Um deles, Benedito João Ribeiro, foi quem o visitou e trouxe alguns documentos, como a carteira profissional do paciente. Ele contaque o transtorno mental de Miguel iniciou entre os 15 e 17 anos, ainda quando trabalhava em uma oficina mecânica. Depois foi internado em um hospital psiquiátrico em Sorocaba e, no dia seguinte do Natal, no qual passou com afamília, desapareceu. Os familiares o procuraram em hospitais, delegacias eaté no IML (Instituto Médico Legal) e ainda hoje buscavam informações sobre o destino de Miguel.
Este fim de semana Miguel passou na casa da família e, nesta segunda-feira ,retornou à Residência Terapêutica Masculina. O CAPS III de São Bernardo irá ainda acompanhar Miguel durante o período de transição e entrará em contato com a Prefeitura de São Paulo a fim de localizar um serviço psiquiátrico próximo de sua nova residência para que continue o tratamento.

“Não sabemos ao certo qual mecanismo cerebral ativou a memória do Miguele como ele conseguiu relembrar algo ocorrido há 30 anos até em razão da sua condição psíquica que dificulta este processo. O certo é que o ritmo da capoeira traz muito da ancestralidade e instintos primitivos enraizados no ser humano.Talvez este mecanismos cerebral não tenha ocorrido na história de Miguel. Outalvez tenha em forma de insight, uma memória reativada” relata o Professor Ricardo. O certo é que Miguel pode agora abraçar seus irmãos e também a suamãe e eles agora possuem a certeza de que Miguel necessita da atenção e dos cuidados de sua família. Zum Zum Zum, Capoeira Acha um!!!!dois!!!três!!!!muitos!

Ricardo Costa (Beija-Flor)
http://projetobeijaflorcapoeira.webnode.com
e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com

Fundação Palmares inaugura sede em Alagoas

A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, inaugura nesta sexta-feira (26) a sede de sua representação em Alagoas. Ela será instalada em União do Palmares e ficará sob a coordenação de Severino Cláudio de Figueiredo Leite, o capoeirista mestre Cláudio. O presidente da Fundação Zulu Araújo participa da solenidade que começará às 19h.

O anúncio da inauguração da sede alagoana foi feito por Zulu Araújo na abertura do Projeto Parabólica, que aconteceu nos dias 18 e 19 em Maceió. “Quero trazer boas notícias”, disse Zulu no momento. “Depois de 21 anos, a Fundação terá um escritório aqui no Estado e escolhemos mestre Cláudio para assumir essa responsabilidade, porque é uma maneira concreta de reconhecer a importância que a capoeira tem para a cultura brasileira e para o mundo”. Para mestre Cláudio esse momento representa um sonho de muitos anos e que foi sonhado junto com muitos capoeiristas, não só em Alagoas, mas no Brasil.

A Fundação – A Fundação Cultural Palmares fará, em agosto de 2010, 22 anos de existência e o Ministério da Cultura, também em 2010, 25 anos. Fruto da demanda do movimento negro, o objetivo da Fundação é promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra visando à inclusão e ao desenvolvimento da população negra no Brasil.

A Fundação Cultural Palmares atualmente tem representações no Rio de Janeiro e na Bahia e um decreto de maio de 2009 (Decreto nº 6.853) autorizou a criação de mais cinco representações nos estados de Alagoas, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul.

Coordenação – Mestre Cláudio é servidor da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) e foi sedido pelo Governo de Alagoas para coordenar os trabalhos da Fundação no Estado. Trabalha com capoeira há mais de 42 anos, destes, 28 em Alagoas. Frequentador da Serra da Barriga – administrada pela Fundação Palmares – desde 1985, em 2006 iniciou trabalho de capoeira com as crianças da Serra. O projeto Caa-puêra na Terra de Zumbi lhe rendeu um prêmio no Projeto Capoeira Viva, do Ministério da Cultura.

Entre outras coisas, é diretor-técnico da Federação Alagoana de Capoeira, mestre de capoeira terapia do Núcleo de Terapia William Reich e coordena a orquestra de berimbaus dos mestres de capoeiras de Alagoas.

por Agência Alagoas – http://www.alemtemporeal.com.br/

Margareth sobe ao palco com Gilberto Gil, no AfroPop Brasileiro

A segunda etapa do Movimento AfroPop Brasileiro, patrocinado pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, começa nesta quinta-feira, dia 21. Margareth Menezes recebe no palco Gilberto Gil, o grupo afro Filhos de Gandhi, Gerônimo e Roberto Mendes, e ainda uma manifestação cultural com ‘As Ganhadeiras’. O show começa às 20h no Cais Dourado, em Salvador (BA). A temporada estreou na primeira quinta-feira de janeiro, dia , com casa cheia e presença de artistas e autoridades no camarote “Espaço Palmares”.

O projeto que além de música inclui ação social, traz, na sexta-feira, 22, o tema Sexualidade sem preconceito para o  Giro Cultural, que reunirá cerca 200 jovens e adolescentes na sede do Projeto Adolescente Aprendiz (IBCM). Além de Margareth e Zulu Araújo, da Palmares, os convidados para conversar com a garotada são Andréa Elia, atriz e diretora de teatro e Maria Paquelê, pedagoga e especialista em educação sexual. Andrea Elia fecha a atividade com uma dinâmica teatral. O encontro será na escola Municipal Marques de Maricá, em Pau Miúdo, na cidade de Salvador.

O Giro Cultural é uma ação de inclusão social e visa a troca de experiências entre os jovens e os convidados de Margareth sobre temas variados. No último encontro Zezé Motta, Vovô do Ilê e a vereadora de Salvador, Olívia Santana (PCdoB), além de Margareth e Zulu Araújo conversam com  jovens de 16 a 24 anos do bairro da Liberdade e da ONG Fábrica Cultural, mantida por Margareth Menezes.

“Sempre enfrentei os desafios, não me deixei intimidar, mas nunca tive ninguém para me dar incentivo, por isso criamos este espaço, o Giro Cultural, para que seja um momento de reflexão”, explicou Margareth.

Na Palmares, a iniciativa é coordenada pelo Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afrobrasileira, comandado por Elísio Lopes. 

Assessoria de Comunicação
Fundação Cultural Palmares
Ministério da Cultura
(61) 3424 0166 / 0162
www.palmares.gov.br

Palmares recupera símbolo da religiosidade africana e reinagura Praça dos Orixás

Fundação investe R$ 550 mil na recuperação das peças e atenta para a responsabilidade da manutenção do patrimônio público

A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, investiu R$ 730 mil reais na recuperação das estatuas dos Orixás do escultor baiano Tatti Moreno e no evento de reinauguração da Praça dos Orixás, em Brasília. O presidente da Fundação, Zulu Araújo, representará o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, no evento que começa a partir das 18h no dia 31 de dezembro. Antes da abertura religiosa com o cortejo a Yemanjá, terá apresentação dos grupos Filhos de Gandhy e Banda Ase Dudu.

As estátuas são réplicas das esculturas instaladas no Dique do Tororó, em Salvador, e foram decapitadas e queimadas em forte indicio de intolerância religiosa. A depredação começou ainda em 2005, mas em 2007, 12 das 16 estátuas foram destruídas.

“É um momento histórico para os adeptos das religiões de matriz áfrica, para os negros, para a Palmares, para o Ministério da Cultura e mais, é um momento histórico para o exercício da cidadania e da democracia em nosso País”, afirma Zulu Araújo.

Para Zulu a restauração das estatuas e a reinaguração da praça representa uma resposta ao ato de vandalismo de quem deveria manter a paz, a harmonia e o respeito ao próximo. “É uma clara manifestação de segmentos religiosos neopentecostais. “O direito ao culto religioso é uma garantia da Constituição Federal e destruir símbolos das religiões africanas não é um desrespeito apenas a fé das pessoas, mas sim a nossa Constituição”.

O processo demorou quase dois anos, explica Zulu. “Foi uma grande batalha a disponibilização de recursos para cumprir nosso papel de enfrentar a intolerância religiosa. Conseguimos o dinheiro, recuperamos os símbolos e agora é preciso que o Governo do Distrito Federal (GDF) cumpra também o seu papel, que é defender o patrimônio público e punir os atos de vandalismo como eles devem ser punidos. Queremos o mesmo tratamento que é dado aos outros espaços públicos, como a Igrejinha da asa Sul, por exemplo, quando ela pegou fogo o GDF deu um jeito de garantir sua recuperação e a praça dos Orixás deve ter o mesmo tratamento e ser qualificado urbanisticamente, com segurança, iluminação, limpeza”.

Além de Zulu Araújo, estarão presentes da solenidade de reinaugaração da Praça dos Orixás, o Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannchi e os presidente da FBEUC, mãe Marinalva, do Ilê Asé Ode, pai Ribamar e da Sociedade Religiosa Ilê Oxum Opó Afonjá Oni Xangô, pai Raimundo.

Local:

Ponte Costa e Silva (Prainha)

Programação:

18h – Solenidade de reinauguração da Praça

19h – Apresentação dos Filhos de Gandhy

20h – Apresentação cultural da Banda Ase Dudu

21h – Abertura religiosa – cortejo a Yemanjá

Valores:

Recuperação das peças – R$ 550 mil

Reinauguração da Praça dos Orixás – R$ 180 mil

Assessoria de Comunicação
Fundação Cultural Palmares
Ministério da Cultura
(61) 3424 0166 / 0162
(61) 9773 6006
www.palmares.gov.br

Centro Ideário promove “Roda das Rosas”

 

No dia 15 de março o Centro Ideário de Capoeira presta uma homenagem especial às capoeiristas. Realizado pelo Centro Ideário de Capoeira, sob a coordenação de Mestre Zulu, o evento “A Roda das Rosas” é uma atividade educativa, cultural e esportiva de valorização da Mulher.

Antes da Roda Aberta e das Roda das Rosas haverá um debate sobre o papel da mulher e apresentações artísticas. Confira a programação

Roda das Rosas

09:30h às 10:45h – Debate

 

Olhares sobre a mulher

“A mulher sob a perspectiva da Bíblia” – Pastor Cícero Fernandes Muniz

“A mulher sob a perspectiva de uma mulher” – Professora Elenice Dias de Sousa

“A mulher sob a perspectiva da cidadania” – Dr. Luiz Renato Vieira, sociólogo e mestre do grupo Beribazu

“A mulher sob a perspectiva da Biologia” – Fisioterapeuta Kelly Monteiro de Araújo

Número Musical com Rebeca Lemos Rosa Pinto

10:45h às 12:00 h – Roda Aberta de Capoeira e Roda das Rosas

Serviço: O evento será na quadra coberta da Igreja Cristã Evangélica, na Quadra 10 Área Especial 1, Sobradinho, Distrito Federal. Informações com Mestre Zulu, no e-mail zuluideario@brturbo.com.br.

 

Mano Lima – Redação Portal Capoeira

PALMARES 18 ANOS: Comemorações e Orquestra de Berimbaus – “Luta pela valorização da cultura afro”

Comemorações oficiais reforçam a luta pela valorização da cultura afro
 
Brasília, 7/11/06 – Com poesia, música e reflexões sobre as conquistas e dificuldades que enfrenta desde a sua criação, a Fundação Cultural Palmares começou, nesta segunda-feira, a comemoração de seus 18 anos. Funcionários, integrantes do movimento negro, políticos e autoridades religiosas compareceram à cerimônia de abertura da festa, chegando a quase 300 pessoas.
 
O diretor de promoção, estudos, pesquisa e divulgação da cultura Afro-brasileira da FCP, Zulu Araújo, foi o primeiro a discursar e ressaltou a importância de a Fundação Cultural Palmares chegar à maioridade, com a conquista de ter “saído das paredes burocráticas” e chegado à Mãe-África. “Apesar de tanto não e de tanta dor que nos invade, somos nós alegria da cidade”, terminou ele, com a poesia de Jorge Portugal Lazzo.
 
Integraram a mesa, representando o ministro Gilberto Gil, o presidente do IPHAN, Luis Fernando; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo; a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (SEPIR), Matilde Ribeiro; a embaixadora da África do Sul, Linduii Zulu; a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Neuza Maria Alves da Silva; o deputado federal do PT, Zezéu Ribeiro; e a presidente da Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, Marinalva dos Santos Moreira.
 
“Estamos em família, estamos felizes, porque nós viemos de uma grande vitória”, falou o professor Ubiratan em seu discurso, demonstrando a alegria pelo resultado das eleições. Dos 18 anos de existência da FCP, o professor ressaltou os últimos quatro anos, em que o Brasil teve uma política de solidariedade com a África.  A promulgação do decreto 4.887, que possibilitou o reconhecimento de quase 900 comunidades remanescentes de quilombos até hoje e da lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da história da África nas escolas brasileiras, foi o principal exemplo dado pelo professor.
 
As dificuldades de se trabalhar com um número reduzido de funcionários e de verba não deixaram de ser mencionadas. Mas, acima de tudo, ficou a alegria das conquistas e a certeza de ter mais responsabilidades. “Os 18 anos tem um caráter simbólico. É um momento que se atinge a maioridade e por isso, você passa a ser mais respeitado e mais exigido”, observou Zulu.
 
Depois de seu discurso, o professor Ubiratan entoou a canção “Sorriso Negro” de Dona Ivone Lara, também tocada pelo DVD que contou a história da FCP com fotos do acervo. A noite terminou com o som da orquestra de berimbaus do grupo Nzinga de Capoeira Angola e com o sabor da culinária afro-brasileira.
 
Orquestra de Berimbaus encanta público na abertura oficial
 
ACS/FCP/MinCA orquestra que abriria as comemorações dos 18 anos da Fundação Cultural Palmares só poderia ser a de berimbaus. Nada melhor do que o som que dá o gingado da capoeira para celebrar a cultura afro-brasileira no aniversário da FCP. Assim, após a cerimônia no auditório, todos os presentes puderam assistir à apresentação do grupo Nzinga de Capoeira Angola.
 
Eram 14 pessoas, tocando três tipos de berimbau. O grave, chamado de gunga, que tem a função de comandar a roda; o médio, que não tem nome específico; e o agudo, conhecido como viola ou violinha, que tem a liberdade para improvisar. Além dos berimbaus, compõem a orquestra outros instrumentos de percussão, como o atabaque, o agogô e o pandeiro. O grupo não apenas tocou berimbau, como jogou capoeira durante a apresentação, enchendo a Fundação Cultural Palmares de muito som e ginga.
 
Fundado em São Paulo, há 11 anos, o grupo Nzinga de Capoeira Angola começou apenas se dedicando à capoeira. Mas logo se tornou o Instituto Nzinga de Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil. O instituto está em Brasília há cinco anos e em Salvador há quatro. Também existem núcleos no México, na Alemanha e em Moçambique.
 
“O objetivo do instituto é de se engajar na luta contra o racismo, promover os direitos humanos e divulgar a cultura afro-brasileira, particularmente a cultura banto”, disse o treinel do grupo de Brasília, Haroldo Guimarães. Ele explica que quando o aluno já tem mais tempo no grupo e mais dedicação, ele se torna um professor, também chamado de treinel, e depois contra-mestre e mestre. “Isso pode ser um caminho de 20 a 30 anos”, disse.
 
Marília Matias de Oliveira, ACS/FCP/MinC – http://www.palmares.gov.br

Presidente Prudente: Semepp faz seletiva de capoeira

A Secretaria Municipal de Esportes de Presidente Prudente (Semepp) anuncia a realização de uma avaliação de capoeira, seguida de treinamento, a ser realizada no domingo, dia 30, na Academia Zulu, a partir das 10h.
 
A avaliação será comandada pelos mestres de capoeira, José Augusto dos Santos, conhecido como Lêla, e Antonio Adelipe, o Soneca. Ambos acertaram nesta semana, com a Semepp, o compromisso de comandar a equipe local visando a temporada que se inicia.
 
O evento deste domingo é a primeira ação dos novos treinadores da Semepp. Segundo a assessoria da secretaria, os treinos serão destinados a atletas maiores de 18 anos.
 
O objetivo da comissão técnica é selecionar pelo menos 16 atletas, sendo 08 no masculino e 08 no feminino. Os selecionados representarão a equipe da Semepp no próximo dia 20 de maio, no Torneio organizado pela Federação Paulista da modalidade, na cidade de São Bernardo do Campo.
 
O Secretário da pasta, Jackson de Barros, afirma que os dois professores ficarão responsáveis pela comissão técnica em todas as competições que a cidade participará nesta temporada na modalidade. "São dois profissionais altamente competentes. Temos que fortalecer ainda mais a capoeira e, com certeza, o Lêla e o Soneca tem o perfil que a secretaria necessita para voltar a brilhar nas
competições nesse ano".
 
Lêla adianta que sua intenção é montar uma equipe forte, que possa chegar às competições e conquistar os primeiros lugares. "É uma responsabilidade muito grande assumir a comissão técnica da capoeira, mas na vida temos que ter desafios e essa será uma oportunidade que estamos tendo para contribuir para o sucesso da capoeira em Presidente Prudente", comentou Soneca.
 
Serviço –
Avaliação de capoeira
Quando: domingo, dia 30
Onde:Academia Zulu – Avenida Washington Luiz, 956, Presidente Prudente
Objetivo: selecionar atletas para representar o município nesta modalidade
Público-alvo: capoeiristas de ambos os sexos

Capoeira na Educação Formal

Já não é de agora que o tema: Capoeira e Educação vem sendo debatido nas rodas e nos diversos meios de comunicação… Vários companheiros já tem um trabalho formal dentro deste apecto da nossa capoeira. É inegavél o caracter multifacetado da capoeira assim como é inegavel o seu valor cultural para a sociedade. É dentro desta riqueza de recursos e possibilidades da nossa arte que iremos abordar a matéria sugerida pelo editor do Jornal do Capoeira, apontando para a "Capoeira na Educação Formal".
Luciano Milani


Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 64 – de 12 a 18/Mar de 2006
 
Nota do Editor:
 
        Conheci Mestre Zulu durante do primeiro Seminário Nacional de Estudos da Capoeira (SENECA), em Campinas, maio de 2004, embora tenha acompanhado, a algum tempo, parte de seu trabalho à partir de sua produção científica sobre capoeira (livro, artigos, "papers", entrevistas em revista especializada etc). Seu livro "Idiopráxis de Capoeira" pode ser considerado um ponto de partida para quem está enveredando pela capoeira enquanto "Educação Formal". A obra, é claro, não busca esgotar o assunto, mas servir com referência para quem está iniciando-se na área.
        Tenho convidado boa parte dos mestres e doutores da "Academia" (Universidades, Faculdades de Educação Física etc), sempre argumentando que, infelizmente, a grande maioria dos capoeiras não tem acesso às dissertações de mestrado e teses doutorais produzidas nos cursos de Pós-Graduação em Antropologia, Sociologia, História e Educação Física espalhadas pelo Brasil. A triste realidade é que boa parte desta rica literatura acaba dormindo nas prateleiras das bibliotecas públicas e particulares, e não chega ao principal público que deveria ser atingido: os mestres e praticantes de nossa arte.
        Felizmente alguns mestres e doutores estão se sensibilizando da importância de se tornar mais acessível suas "produções científicas". Alguns disponibilizam por meio de revistas especializadas em capoeira, como é o caso do doutor em Sociologia e Mestre de Capoeira Luiz Renato. Outros estão, a algum tempo, contribuindo por meio deste nosso Jornal do Capoeira, com é o caso da Dr. Letícia Vidor (SP) e do Dr. Falcão (SC).
        Sabemos que ainda não é o ideal. O ideal seria mesmo que um Ministério da Educação publicasse e distribuísse, para toda a rede pública de ensino, e mesmo para as principais bibliotecas e institutos de pesquisa do Brasil e do Exterior, uma espécie de periódico, em forma de revista mensal, democratizando-se por completo a Literatura recente produzida sobre nossa Capoeira. Seria uma tacada de mestre se o próprio Ministério da Educação republicasse algumas obras raras da literatura clássica da capoeira. As obras de Plácido do Abreu, ODC, ZUMA e Inezil Pena Marinho seriam, sem dúvida alguma, as primeiras da lista.
        A seguir apresentamos a primeira de uma série de contribuições que MESTRE ZULU estará publicando em nosso Jornal do Capoeira. O artigo a seguir apresenta trechos da palestra "Capoeira na Educação Formal", proferida pelo Mestre Zulu, no VIII Fórum Nacional de Capoeira, realizado em Brasília no mês de dezembro de 2005, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na primeira foto estão Mestres Zulu e Falcão (Santa Catarina).
Miltinho Astronauta

Em 11 de agosto de 1972 iniciei o ensino de capoeira no Colégio Agrícola de Brasília como atividade extraclasse autorizada pela direção daquela unidade.
 
            Senti a necessidade de sistematizar os procedimentos de: ensino-aprendizagem; intercâmbios com outras unidades de capoeira; interação com a escola e com o meio acadêmico; convivência com as artes marciais, as lutas, a educação física e com a dança. À medida que eu acumulava experiências sentia também um desejo cada vez maior de criar, recriar, redimensionar, formular, selecionar, produzir, estudar, discutir, e também ouvir, e muito, os meus alunos.
 
            Inúmeras e variadas foram as minhas iniciativas na busca de alternativas para ampliar e sedimentar o projeto da capoeira na educação formal e mais especificamente nas escolas públicas do Distrito Federal.
 
            Apresentamos à Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal um projeto integrado de capoeira e ginástica brasileira. Durante o segundo semestre de 1981, fiz algumas alterações naquele projeto a fim de atender às exigências e às disponibilidades daquela Secretaria.
 
            No decorrer do mês de janeiro de 1982, após receber as modificações exigidas, o "Projeto Ginástica Brasileira e Capoeira" tramitou por algumas seções, da Fundação Educacional, obtendo parecer favorável, e definição de implantação experimental do referido projeto. Criou-se, a partir daí, um núcleo experimental de capoeira e ginástica brasileira que atenderia aos alunos a partir da 5ª série do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio.
 

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Escola municipal realiza projeto sobre cultura afro-brasileira

 A Escola Municipal Fernando de Souza Romanini, de Coronel Sapucaia, através da sua diretora Leila Gonzato, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação realizou na semana passada um projeto sobre a cultura afro-brasileira, que foi apresentado no pátio da escola.

O evento lembrou o Dia da Consciência Negra, que no Brasil é comemorado em 20 de novembro, data que foi instituída através de lei federal. Na oportunidade a assessora técnica da Secretaria de Educação, Gesira Lebero Lens, que representou o secretário municipal de Educação, Tito, ministrou palestra sobre aspectos da cultura negra no Brasil e no Mundo.

Falando dos costumes e tradições, Gesira também pediu ao público que esteve presente que valorizasse suas origens, defendendo seus direitos e ajudando a combater o racismo que, infelizmente, ainda é muito grande no país. “Afinal todos nós sabemos muito bem que perante Deus somos todos iguais”, afirmou Gecira.

A segunda palestra foi ministrada pelo professor de capoeira Edinilson Rodrigues, o “Zulu”, que falou sobre a origem da capoeira no país, além de fazer uma belíssima apresentação de alguns golpes e como usá-los de maneira sadia e que não venha a incentivar a violência.

Estiveram prestigiando a palestra vários professores, diretores e alunos, dentre outros a diretora da Escola Maurício Rodrigues de Paula, Maria Alves de França e seus alunos do período noturno, também os alunos da Escola Estadual Eneil Vargas e demais visitantes.