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Maio 2006

Vendo Artigos de: Maio , 2006

Natal: SME realiza Festival de Capoeira

Prefeitura de Natal
Secretaria Municipal de Educação (SME) inicia no próximo sábado (27), com a realização de um Festival de Capoeira, os preparativos para os Jogos Escolares Municipais (JEM’s) 2006, previstos para o mês de setembro.
 
De acordo com o diretor do Setor de Cultura e Desporto, José Maxwell, as escolas têm até quinta-feira, 25, para confirmar a sua participação inscrevendo os atletas que deverão participar da referida competição.
 
O Festival de Capoeira, que envolve alunos do 1º e 2º ciclos e da 5ª a 9ª série do ensino fundamental, será realizado a partir das 8h, na quadra da Escola Municipal Professor Zuza, a rua Miguel Castro, s/n, bairro de Nazaré.
 
Outros festivais, como, por exemplo, de dança, xadrez e futsal, estão previstos para serem realizados pela SME como forma de preparar os atletas para os JEM’s. As novas datas deverão ser divulgadas nos próximos dias pelo Setor de Cultura e Desporto.

Revista Praticando Capoeira Edição Especial – CD Carolina Soares

A Revista Praticando Capoeira acaba de lançar uma edição especial com um CD da Cantora Carolina Soares. A revista pode ser encontrada nas principais bancas  de Jornais da grande São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Santos e Ribeirão Preto. Além do CD de pout-pourri de Capoeira, vocês vão curtir uma super Revista Pôster onde poderão conhecer um pouco mais sobre a história e o trabalho da Cantora Carolina Soares em uma entrevista exclusiva.
 
        Com uma voz afinadíssima e grande sensibilidade artística, Carolina Soares vem ganhando cada vez mais espaço no coração dos Brasileiros e estrangeiros.
 
        Maiores informações pelos sítios www.carolinasoares.com.br e www.editoradt.com.br
 
 
Miltinho Astronauta
Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br/
[email protected]

Santa Catarina: UNESC e Curso de Capoeira

Já restam poucas vagas para o curso de Capoeira, aberto em março, pela Universidade Estadual de Santa Catarina. A cada dia a presença da capoeira dentro das entidades formais de educação vem se estabelecendo de forma a consolidar, mesmo que "à conta gotas"… mesmo que na sua forma mais simples… mais o importante é continuar fortalecendo e conquistando esta MERECIDA posição de nossa multifacetada e tão rica ARTE. É certo que algumas das principais ferramentas de informação virtual, como o caso do Jornal do Capoeira, editado pelo camarada Miltinho Astronauta e o Portal Capoeira já virem chamando a atenção para este assunto há algum tempo e publicando diversas matérias sob a luz deste tema… Um ótimo exemplo é o importante evento, organizado pelo GECA – Grupo de Estudos da Capoeira, em Santa Catarina. Neste evento o tema principal será a Capoeira e a Política Pública. Cada dia mais a capoeira vem se embrenhando e crescendo dentro do cenário socio-político, o que se espera deste encontro é uma frutífera simbiose dentro do ambito da representabilidade e fortalecimento de políticas públicas e inclusão… suas realidades e possibilidades. Estarão presentes no evento importantes nomes dentro e fora da capoeiragem.

Luciano Milani


Interessados já podem procurar a Extensão…
 
Qualquer pessoa maior de seis anos  pode praticar o esporte, que não apresenta nenhum outro limitador de idade. A mensalidade custa R$ 25,00 para professores, funcionários e estudantes da Unesc e R$ 30,00 para a comunidade em geral.  Os interessados podem procurar a Diretoria de Extensão e Ação Comunitária da Unesc portando exame médico e documentos pessoais como carteira de identidade e CPF. Mais informações, ligar para (48) 3431.25.70 ou [email protected]
 
Na Unesc, a  capoeira terá aulas na sala de dança dois do Complexo Esportivo do campus, com turmas às segundas e quartas-feiras, das 17h30 às 18h50; terças e quintas-feiras, das 22h35 às 23h45; e aos sábados, das 14h30 às 16h30.   Toda sexta-feira tem aula de integração entre as turmas e os grupos externos à universidade, das 17h30 às 18h50, no hall dos blocos XXI A e B. 
 
O mesmo projeto está acontecendo às quintas-feiras, das 17 às 19 horas, no centro catequético da igrejinha do loteamento Anita Garibaldi, área de posse nas proximidades da avenida Santos Dumont.  Naquele comunidade, o projeto da Extensão garante aulas gratuitas aos participantes.  A partir deste ano, os monitores de capoeira da Unesc estão vinculados ao grupo Beribazu e ao mestre Falcão, da UFSC.
Jornalista Responsável: Janete Triches – [email protected]
Fonte: Assessoria de Imprensa Unesc – Fone: (48) 3431.25.47 – email: [email protected]

Cabello: De Piracicaba para o Mundo…

O piracicabano Eldio Basso Rolim Filho, ganhou o mundo quando tinha 23 anos. Foi para os Estados Unidos e lá ficou por mais de 20 anos. Conhecido internacionalmente como Cabello, se transformou em uma referência da cultura afro-brasileira por divulgar a capoeira, ser percussionista, artesão e integrar uma das maiores companhias de sapateado do mundo, a Urban Tap (“sapateado urbano”, aquele feito na rua e baseado na improvisação. De volta ao país e morando na Bahia, Cabello esteve em Piracicaba visitando seus pais. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, disse que vai continuar trabalhando no exterior, mas quer popularizar a cultura em terras tupiniquins.
 
O interesse pelas manifestações de origem africana começou em Piracicaba, quando Cabello conheceu a capoeira. “Comecei com o mestre Gil, do grupo Novo Engenho, depois tive contato com os mestres Suassuna, Cosme e Zequinha”, fala o capoeirista. “Dou aulas no mundo todo e sempre entre uma viagem e outra venho para Piracicaba. Acabei de chegar da Nova Zelândia. Cresci e vivi aqui, no Centro e na Paulista, pois meu pai era um comerciante famoso, dono das lojas O Cacau”, conta.
 
Foi depois de 1990 que a carreira de Cabello decolou. “Fui morar em uma comunidade de artistas, na Califórnia. Trocava as aulas de capoeira pela moradia. Depois mudei para Nova York, pois naquela época a dança e a música dominavam a cidade”, fala. Lá Cabello conheceu o mestre da capoeira de Angola, João Grande, e conseguiu entrar como performer no circuito de artes de Nova York.
URBAN TAP – Entre um show e outro, o capoerista conheceu Tamango, um mestre do sapateado que realizava shows em East Village – bairro de artistas dos anos 80. “Ele sempre me chamava para participar das jams (sessões de improvisação) com percussão e capoeira. Trabalho com a Urban Tap, ou seja com o Tamango, desde 1995, com shows marcados até 2007”, conta.
As apresentações da trupe são baseadas na improvisação. “Descobri que o sapateado e a capoeira são irmãos de origem, como o samba, o candomblé, o folclore, o jazz americano. Se não tivéssemos a influência africana, não existiria o que hoje chamamos de cultura brasileira”.
CAXIXI – E como todo bom capoeirista, Cabello não poderia deixar de fazer seus próprios instrumentos de percussão, como o caxixi – de origem africana, que se tornou popular no Brasil acompanhando o berimbau. “Ele é todo orgânico, feito com tiras de cipó trançadas e sementes. Consegui produzir um instrumento que tem um som particular e sobretudo brasileiro”, conta. “Quando viajo, todos querem os meus caxixis. Resolvi criar uma empresa e hoje vendo para o mundo”.
Segundo Cabello, os sapateadores e capoeiristas são embaixadores da cultura afro-brasileira no exterior e o país já é respeitado por isso. “As pessoas já reconhecem o Brasil por essa arte transmitida pela cultura oral. Agora estou morando em Ilhéus, na Bahia, onde criei a Fazenda Cultural Ouro Verde para promover cursos e workshops. Preciso respirar o ar brasileiro para poder disseminar nossa arte pelo mundo”, confessa o piracicabano.

Aconteceu: Primeiro Encontro Mato-Grossense de Capoeira

Aproximadamente dois mil capoeiristas de diversas regiões do Estado estiveram presentes no Primeiro Encontro Mato-Grossense de Capoeira realizado em Cuiabá nos últimos dias 12 e 13 de maio no ginásio da UFMT(Universidade Federal de Mato Grosso) e Univag (Universidade de Várzea Grande).
O objetivo do encontro, segundo o instrutor de capoeira Willian Campos foi integrar os capoeiristas  quanto o conhecimento e  aperfeiçoamento do esporte. O presidente da Confederação Brasileira de Capoeira, mestre Neguinho de Brasília esteve presente ministrando uma palestra aos professores, instrutores, mestres e contra-mestres, sobre a ética e o profissionalismo na capoeira. De acordo com o instrutor a capoeira no Estado cresceu em relação ao número de participantes mas não em qualidade, ”Ainda existem muitos picaretas que vem de outras cidades sem noção alguma de capoeira e aplica aulas aos alunos, o que é perigoso pois se acontecer de um aluno se machucar o instrutor não saberá o que fazer. Ele disse  que para ser professor tem que estar sempre se aperfeiçoando através de cursos e treinamentos, além de ter conhecimento sobre o corpo humano e luta.
O presidente da Federação Mato-Grossense de Capoeira, Marco Louveira Ferreira, estará organizando uma comissão técnica que fiscalizará os instrutores dos municípios para ver se estão dentro das normas, caso contrário não poderão estar dando aulas. Uma maneira de fazer com que se aplique uma capoeira de qualidade aos alunos.

Ribeirão Preto: Capoeira na escola

Conforme já havíamos publicado em matérias anteriores é cada vez mais notório o processo de institucionalização da capoeira dentro do ambito educacional "formal". Na matéria da Gazeta de Ribeirão (é tambem cada vez mais visível notícias e matérias sobre a capoeiragem nos meios de comunicação formais) podemos observar uma exaltação ao processo de inclusão da capoeira nos estabelecimentos de ensino e em contrapartida uma crítica pelas exigencias curriculares para os capoeiristas-educadores. O que vale ressaltar é que este movimento vem crecendo a cada dia e ganhando força…
Podemos até refletir sobre um "terceiro" momento dentro da história da capoeira, no que diz respeito a sua posição, localidade de sua pratica: Rua, praças e terreiros – Academias – Instituições de ensino formais.
 
Nós do Portal esperamos um dia poder ver a capoeira como matéria curricular do ensino Brasileiro.
 
* Na foto Alunos da Universidade de Lisboa, Portugal em Aula de Capoeira.
Luciano Milani


 

Luta marginal no passado, a capoeira invade escolas de Ribeirão Preto como modalidade esportiva
  
Uma das manifestações mais antigas da cultura brasileira, que chegou até a ser proibida no País no início do século 20, passa agora a ocupar salas e quadras de colégios particulares.
 
A capoeira, antes vista como uma luta marginal, se popularizou e ganhou espaço até fora do país. Hoje, considerada uma das melhores modalidades esportivas, a mistura de luta, dança e jogo ganha cada vez mais adeptos, principalmente entre as crianças.
 
Na semana em que a abolição dos escravos completa 118 anos, durante uma aula de capoeira em um colégio particular de Ribeirão, alunos de 9 e 10 anos comparavam as leis brasileiras de 1888 com as atuais.
 
"É muito importante trabalhar a questão cultural e folclórica que existe no universo da capoeira. Nas aulas, a cada movimento ensinado às crianças, procuro contar a história dessa manifestação", afirma o professor André Baccan.
 
De acordo com ele, que desenvolve o projeto de capoeira em pelo menos cinco escolas particulares de Ribeirão, a experiência tem resultados positivos. "Com certeza é uma forma de quebrar o preconceito que existia com a capoeira. Hoje ela é uma modalidade esportiva e está cada vez mais valorizada", explica Baccan.
 
Entre os pequenos capoeiristas, a admiração pelo esporte, pela cultura e pela manifestação histórica é unânime. No colégio, entre as atividades extracurriculares, eles optaram pela capoeira.
"Eu quis fazer a capoeira porque, além de mexer meu corpo, eu aprendo várias coisas", diz Isabella Tonetto Pessica, de 10 anos. Ao lado dela, Davi Moço Lima, também de 10 anos, diz que "a capoeira é uma luta que não machuca".
De olhos azuis e cabelos loiros, Fabrício Lima Fernandez, de 10 anos, se empolga com o gingado.
"Eu gosto como esporte, mas o que aprendo com a capoeira me ajuda muito nas aulas de história e de geografia", conta ele, entre um golpe e outro.
 
De acordo com Eduardo Gula Sobrinho, coordenador do colégio Einstein em Ribeirão, é importante incluir a capoeira dentro do contexto histórico da história nacional.
"Ela fez parte da nossa história, de todo o povo brasileiro, independente de raça, cor ou religião. Por isso deve ser valorizada e ensinada também nas escolas", afirma ele.
 
Para mestre Monteiro, popularizar a capoeira é uma forma de manter viva a cultura negra na sociedade. Segundo ele, nos últimos anos aumentou muito o número de mulheres que passou a praticar o esporte.
 
Aulas foram suspensas
 
Uma disputa cultural provocou a suspensão do processo seletivo para os professores de capoeira em escolas da rede municipal de ensino em Ribeirão Preto.
De acordo com Paulo César Pereira de Oliveira, do Centro Cultural Orunmilá, as exigências que foram feitas para os candidatos provocaram a exclusão de muita gente capaz de ministrar as aulas.
O edital exigia que os candidatos apresentassem segundo grau completo e ainda registro no Crefe (Conselho Regional de Educação Física). "A vivência da capoeira é ainda mais importante do que anos de formação acadêmica. O ensinamento é oral. Esse tipo de restrição faz com que a cultura negra perca mais uma vez o seu valor", afirma Oliveira. (Gazeta de Ribeirão)
 
Capoeira foi proibida
 
A história da capoeira começa no Brasil junto com a história do tráfico negreiro. No século XVI, mais de 2 milhões de negros foram trazidos da África pelos colonizadores portugueses para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar.
Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os três principais Estados que receberam os negros.
A convivência não foi pacífica entre fazendeiros e escravos. Os quilombos foram criados pelos negros fugitivos justamente para fugir dessa situação de exploração.
 
O maior deles se estabeleceu em Pernambuco, numa região conhecida como Palmares. No local, uma espécie de Estado africano foi formado e como chefe, a comunidade tinha Ganga-Zumbi.
Foi nesse local que surgiram as primeiras manifestações da capoeira.

Guarulhos: Ginásio João do Pulo terá seletiva de Judô e Capoeira

A Capoeira buscando em sua faceta "esporte" a institucionalização e a presença cada vez mais enraizada nos clubes, escolas e nos jogos esportivos.
 
Um bom exemplo da valorização da capoeira no ambito esportivo é a excelente aposta que o SÃO PAULO, no Morumbi, vem fazendo em prol da capoeira, disponibilizando espaço, infraestrutura e todas as condições para os seus sócios praticarem a capoeira. Para isto o São Paulo Futebol Clube buscou uma parceria com o pessoal da Berim Brasil, representados pelo Mestre Wellington, CMestre Wandola e Prof. Monise.
 
Nós do Portal Capoeira desejamos que outros Clubes abram o olho para o enorme potencial da capoeira como esporte e arma de inclusão, sendo sem dúvida uma maravilhosa ferramenta de ludicidade e parceria, que incorpora diversos elementos culturais e musicais, despertando a cidadania.
 
Para o pessoal de guarulhos que nos enviou esta matéria desejamos muito axé e sucesso nesta seletiva!!!
 
Luciano Milani
 

Visando à formação de equipes que irão representar Guarulhos nos Jogos Regionais, em Lorena – SP, em julho, será realizada neste sábado, 13, uma Seletiva de Judô e de Capoeira…
… pelo Instituto Gustavo Gomes e Secretaria municipal de Esportes.
 
Os atletas que forem classificados até oitavo lugar terão direito a receber bolsa-auxílio. A participação é permitida a todos os interessados, masculino ou feminino, com idade mínima de 16 anos (para Judô, da faixa verde para cima) e as disputas da Seletiva obedecerão a normas da Coordenadoria de Esportes do Estado de São Paulo, segundo informa o professor José Aparecido Gomes (Zeca).
 
Às 8h do sábado, haverá a pesagem dos atletas do Judô, para início da Seletiva às 8h30. Às 15h, haverá a pesagem dos atletas da Capoeira, com início da Seletiva às 16h. A tolerância de peso será de até 500g. Local: Ginásio João do Pulo, rua Maria Cerri, s/n, Jardim Divinolândia/Bela Vista.
 
Os interessados devem confirmar a participação até sexta-feira, dia 12, das 7 às 22h, pelo telefone 6440-6624, ou no horário comercial, pelo telefone 6406-3580.

Nova funcionalidade no Portal Capoeira

Uma nova ferramenta foi implementada no site www.portalcapoeira.com  para facilitar a consulta e a navegação de nossos leitores e visitantes.
 
Trata-se de um index alfabético onde o visitante pode ter acesso a todo conteúdo do site de forma simples e rápida, bastando selecionar o tipo de ordenação ou simplesmente clicar sobre a letra pretendida.
 
Para acessar o Indice Alfabético, basta passar o mouse sob o menu principal na guia "HOME" onde automaticamente será aberto o sub-menu: Index Alfabético
 

13 de Maio: diferença e repetição

Poucas datas comemorativas têm o poder de mexer com o consenso fabricado brasileiro. A do Descobrimento do Brasil – 21 de Abril -, salvo o engano, é uma delas. A comemoração dos 500 anos, em 2000, deixou claro que não existe discurso único em torno do tema, sendo a visão oficial apenas mais uma vertente interpretativa em meio a uma enxurrada delas no campo explicativo da historiografia brasileira. Contribuiu, na ocasião, para essa constatação, a prática discursiva das chamadas minorias étnicas, sexuais e sociais, para quem a visão eurocêntrica do Descobrimento apenas legitima a exclusão.
 
O 13 de Maio é outra. Ela, como a do Descobrimento, tem o poder de incendiar o debate público. É uma data que acende sobremaneira a polêmica sobre exclusão racial e social no Brasil. Até mesmo os movimentos negros – quero dizer: o  institucionalizado e o informal – adotam posições ambíguas e contraditórias em relação ao assunto. Comemorar ou rememorar; festejar ou protestar, afirmar ou negar; excluir ou incluir; incorporar ou não a data ao campo simbólico e da memória do povo negro brasileiro. 116 anos depois, as dicotomias, não apenas persistem, como se ampliam e se aprofundam.
 
Isso tem motivos históricos e sociais bem precisos. Afinal, o Brasil, ainda que pese a aparente atmosfera de democracia racial , nesse tempo todo não conseguiu  resolver o problema da degradação sistemática e institucionalizada da população negra, que, a despeito de compor 45% da população do país, está colocada compulsoriamente na marginalizada.
 
Mas de lá pra cá, algumas coisas aconteceram, trazendo ganhos políticos, democráticos e pedagógicos significativos para a sociedade brasileira. É desses acontecimentos que gostaria de falar agora. Isso menos para esfriar o debate em torno do 13 de Maio que para ampliar o leque de discussão, inserindo no seu interior novos elementos.
 
É certo que o 13 de Maio deixou o povo negro recém liberto no sereno. Não há dúvida. Por outro lado, permitiu-lhe também ampliar um pouco mais a estreita faixa de ação libertária que lançara mão desde a chegada no Brasil dos primeiros africanos escravizados. O negro soube, desde os capoeiras e quilombolas da Colônia e do Império, passando pelos malandros e tias ciatas da Primeira República até as escolas de samba da década de 1930, com muita competência e habilidade,  agenciar esse espaço, não só para o seu  benefício imediato, como para o amadurecimento de uma consciência de orientação racial e de africanidade do povo brasileiro.
 
Os resultados, hoje, são evidentes. Nunca a mídia e a tevê brasileira tiveram tantos profissionais negros atrás e na frente dos bastidores quanto agora. Claro que podemos discutir a qualidade dessa presença. Se é estereotipada ou mistificada, por exemplo. Mas uma coisa é certa: o aumento quantitativo já por si só levou a um deslocamento de olhar do público, que estava culturalmente acostumado a ver apenas atores, atrizes, diretores, apresentadores e produtores brancos.
 
Mas não pára por aí. Vejamos a articulação da juventude negra das periferias, que consegue conjugar cultura estético-musical – hip hop, soul music, samba rock e samba velha guarda – com máquinas de comunicação social  e aptidão empresarial. Quem conhece as experiências das micro-empresas da galeria 24 de maio (quase todas de propriedade de negros), assim como da Cooperifa (cooperativa de poesia e literatura da favela), em Taboão da Serra, ou ainda, da literatura marginal, dos selos de discos independentes, a exemplo do Cosa Nostras dos Racionais Mc´s,  entre outras, perceberá que essa juventude negra periférica tem voz própria. E bem ativa. O seu engajamento assemelha-se à luta de um Apolo contemporâneo contra as forças dionisíacas do mercado cultural.
 
Do ponto de vista governamental e institucional, algumas novidades também emergiram. Pena que muitas delas concentraram-se nas áreas da educação e do trabalho. Falo isso porque o setor da saúde ainda não foi contemplado a contento com políticas de ação afirmativa. Mas projetos tramitam nas casas legislativas de vários estados e municípios e logo teremos notícias deles.
 
No caso da educação, faço destaque à proliferação de cursinhos pré-vestibulares direcionados ao atendimento dos vestibulandos em desvantagem social e econômica – incluindo aí o índio e o ex-presidiário. Muitos desses cursinhos funcionam em parcerias com  prefeituras, universidades e empresas. Estes mantêm programas sociais que financiam bolsas de estudo para esses alunos.
 
Aqui não podemos deixar de falar da cotas nas universidades públicas, política que vem causando constrangimento em alguns setores da sociedade, mas que vem dando resultados positivos nos lugares que foram aplicadas. Constrangimento até compreensível historicamente, mas não tolerável moral e legalmente, pois das duas uma: ou a elite branca e educada não quer os seus filhos compartilhem os mesmos bancos escolares com os negros e periféricos ou, então, não quer ceder  para  este segmento social o  precioso filão do ensino brasileiro, que foi até então reservado quase exclusivamente para os seus herdeiros.
 
No primeiro caso, a situação se resolveria com a força da lei e do seu cumprimento, uma vez que a nossa Constituição não permite segregação de tipo algum. No segundo, penso que passou da hora do Brasil popularizar a universidade pública, ampliando o seu número e as suas vagas. Sem perder de vista a qualidade, claro.
 
Ainda na educação, vale a pena mencionar a Lei 10.639/03 que altera a LDB e institui a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Trata-se do ponta-pé inicial da construção de uma escola efetivamente multicultural e multirracial, uma vez que democratiza o currículo escolar, desde a sua prática cotidiana até os conteúdos e abordagens.
Também na esteira das propostas de afirmação da diversidade educacional, marca presença a faculdade Zumbi dos Palmares. Mantida pela Afrobrás, tem o mérito de ser a primeira faculdade de administração de empresas de São Paulo direcionada para comunidade negra. Pensar uma elite negra brasileira intelectualizada, a partir de experiências educacionais e pedagógicas diferenciadas, é hoje a ponta-de-lança do movimento negro contemporâneo do Brasil.
 
No setor do mercado de trabalho, o Governo Federal também avançou no resgate da dignidade da pessoa do negro, com a publicação do Decreto-Lei n° 4.228, 13 de maio de 2002, que institui, no âmbito da Administração Pública Federal, o Programa Nacional de Ações Afirmativas, que visa a reserva de cotas de empregos para afrodescendentes nas repartições públicas e nas empresas privadas que prestam serviços para o Governo Federal . De saída, tal iniciativa governamental criaria cerca de dezenas de milhares de vagas de emprego para trabalhadores afrodescendentes no setor público e privado.
 
Talvez, o decreto tenha motivado um pool de entidades da causa negra – Educafro (SP), Instituto Palmares de Direitos Humanos (RJ) e Olodum (BA) – a lançar a campanha “Ação Afirmativa, Atitude Positiva”, em novembro de 2003.  A campanha tem o objetivo de estimular empresas e instituições educacionais a adotarem políticas afirmativas para trabalhadores afrodescendentes no mercado de trabalho. Para tanto, a organização premia com o selo da camélia branca – historicamente símbolo dos abolicionistas – aqueles estabelecimentos que adotarem tal postura. O selo funciona como uma espécie de ISO ou certificado de qualidade de bens e serviços do trabalhador negro.
 
Claro que milhares de iniciativas e experiências de promoção do bem-estar da população negra e periférica brasileira poderiam ser abordadas. Mas acredito que as citadas e comentadas aqui são suficientes para alcançar o propósito do texto, qual seja:  mostrar que a força simbólica das datas está no sentido político que lhe emprestamos em decorrência da nossa prática política e cotidiana de luta.
 
Do ponto de vista do calendário, o 13 de Maio se repetirá infinitamente, sempre da mesma maneira. Agora, cabe aos sujeitos históricos fornece-lhe um conteúdo diferente a cada repetição, até o ponto em que a repetição, pelo jogo da afirmação da postura interessada diante da vida, produza novas e múltiplas diferenças.
 
Somente assim os 13 de Maio vindouros serão diferentes dos seus antecessores; e cada vez mais distantes do de 1888. Na História, tudo está em permanente mudança, tudo é transitório; e nem mesmo as datas conseguem cristalizar o seu sentido primeiro. Afinal, nada consegue escapar do poder transformador da palavra e da ação humana no tempo.
 
Lei Áurea
13 de maio de 1888: a Câmara aprova o decreto que extingue a escravidão no Brasil, último país ocidental a manter o trabalho servil.
 


Por JOSÉ APÓSTOLO NETTO
Historiador e doutorando em História (UNESP – Campus de Assis, SP)
 
 
Bibliografia
 
CAMPOS, Djalma Leite de. O selo da negritude. Raça Brasil, abril de 2004, n° 73, São Paulo.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
LEMOS, Rosália de Oliveira. Guia de direitos do brasileiro afro-descendente: O negro na educação e no livro didático: Como trabalhar alternativas. 2. ed. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, 2001.
ROMÃO, Jerusse. Guia de direitos do brasileiro afro-descendente: por uma educação que promova a auto estima da criança negra. 2. ed. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, 2001.
 
 

Programa Social da Capoterapia e Nova Praça de Taguatinga

Nova Praça de Taguatinga
 
PRAÇA DA CAPOTERAPIA
NOVO CARTÃO PORTAL DA CIDADE
 
A Administração Regional de Taguatinga, na gestão do Sr. José Humberto, em reconhecimento ao Programa Social da Capoterapia (capoeira adaptada para a 3ª idade) ministrada por Mestre Gilvan há 9 anos, presenteou-os com a construção de uma linda Praça na Avenida Hélio Prates/QNL 23 em Taguatinga Norte, onde também beneficiará toda a comunidade com: calçadão de 1.600m para caminhadas e coopers, playgroud, espaço para vivências de diversas atividades físicas. O espaço contará também com palco de forma redonda para práticas da capoeira, mesas e bancos ao redor, muitas árvores, uma calçada criada para homenagear nomes de Mestres já falecidos "in memorian", que contribuíram na história da arte contagiante da capoeira.
 
Iniciativas como a do Ex-Administrador José Humberto, sensível a necessidade de espaços culturais de nossa cidade, onde através da construção deste espaço, vem valorizar ainda mais a grandeza da cultura genuinamente brasileira, a CAPOEIRA.
 
Gostaríamos que todos compartilhassem com este grandioso feito, participando do 1º Aulão de Capoterapia no dia 03 de junho de 7 às 9h com distribuição de 5.000 bolas de sorvete.
 
Maiore Informações: 61 3475-2511/9962-2511