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Janeiro 2020

Vendo Artigos de: Janeiro , 2020

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

O século XXI nos imprime uma serie de releituras sobre alguns papeis sociais, dentre estes, destacamos a figura do facilitador em capoeira, considerando que este constantemente está sendo resinificado pelas demandas da conjuntura atual.

A mestria, em tese, deveria ser um ato sublime, pois pressupõe a possibilidade de difusão do conhecimento e consequente continuidade de uma arte ancestral, contudo, nem sempre tem sido assim, pois a figura do mediador em capoeira parece corroída pelas contradições da exploração do homem pelo homem. Assim, temos visto em muitos lugares uma relativa confusão sobre as reais implicações formativas de um processo de ensino aprendizagem capitaneado por alguém que não se coloca a serviço dos interesses da capoeira e sua comunidade.

Hoje, são frequentes as reuniões de pessoas que buscam, mediante objetivos comuns, a criação de espaços de poder que funcionam como uma espécie de “escudo das incompetências”, ou seja, são encontros sectáristas de um dado segmento do segmentos, que excluem a possibilidade de diálogo com a diversidade que compõe a comunidade, em favor do argumento de empoderamento dos membros reunidos e afins. Neste sentido, se este processo fosse apenas uma estratégia de fluxo provisório, mesmo estando em desencontro com a lógica inclusiva da capoeira, seria menos mal, mas o que estamos observando é uma avalanche de eventos propondo discussões fragmentadas, que enfraquecem a força coletiva de uma comunidade que clama por dias melhores.

Na formação em capoeira cabe ao mestre a responsabilidade de guiar os mais novos no processo educativo, mas muitas vezes, estes preferem ficar à margem dos espaços decisórios, ampliando o espaço para os “grupinhos”, que habilmente sabem usar o discurso para criar uma falsa ideia de que estão ali para defender os interesses do coletivo, contudo, sabemos que na realidade só estão preocupados com seu próprio “umbigo”.

Obviamente todos os temas emergentes na sociedade podem e devem ser abordados como estratégia formativa, mas daí a submeter a comunidade a dita “polêmica do minuto” apenas como forma de aparecer, denota um procedimento egoísta e pouco producente para a arte.

Os eventos, aglutinações, grupos, dentre outros, deveriam sempre estar focados nos interesses da comunidade e sua melhoria, mas as disputas de poder ofuscam o bom senso e levam pessoas esclarecidas ao equívoco de confundir a leitura da “parte” como resposta para os desafios do “todo”.

Vamos refletir sobre o que desejamos e como agimos para atingir os objetivos, pois muitas vezes falamos uma coisa e executamos ações contrarias a intenção daquilo que expressamos.

 

Por: Mestre Jean pangolin

Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Catorze reeducandos do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb), no Complexo do Curado, receberam graduações em capoeira, na manhã desta quarta (15). Durante o evento foram entregues certificados pela corda verde (para iniciantes) até a amarela e branca, destinadas aos professores do Projeto Liberdade da Ginga.
O projeto existe há seis anos e conta com 21 inscritos. Mais de 100 detentos do Pjallb já participaram do grupo desde a sua criação. O mestre Ubiraci Lima, 43 anos, recebeu o título dentro da unidade prisional e durante o evento desta quarta graduou dois professores. Conhecido como Timaia, Ubiraci ganhou a liberdade em novembro de 2019 e deseja ver todos darem continuidade ao Liberdade da Ginga.
“É muito gratificante ver tudo isso porque foi onde eu encontrei pessoas de boa índole, onde fiz amizades e abri minha mente”, contou.
Gestor do Pjallb há mais de cinco anos, José Sidney Souza, 58, considera a capoeira uma arte disciplinadora e afirma que quase 100% dos que participam não se envolvem em problemas. “Por ser um evento coletivo, baixa a tensão e o ócio criando uma irmandade. Mostra outro mundo, outras possibilidades”, destacou.
Durante a cerimônia, Sidnei recebeu do grupo um certificado de agradecimento. “Sou um cara durão e gosto das coisas certas. Nem sempre conseguimos tudo o que queremos, mas é preciso tentar. Procuro disseminar companheirismo, respeito, disciplina e principalmente crença na ressocialização”, disse. Foi homenageada também a equipe do setor Psicossocial, sob supervisão do policial penal Helder Leite.
O professor de capoeira, Williams Oliveira, 32, cumpriu pena de um ano e seis meses e ganhou a liberdade em 2016. “Eu era instrutor de capoeira quando fui convidado para dar aula. No início, eu era mais parado, ficava com raiva quando chegava a hora da aula, mas depois isso se tornou meu passatempo. Os alunos me fortaleceram”, afirmou. Do batizado, àquele momento em que o iniciante recebe a sua primeira corda, participou Amaro José, 37 anos, há dois anos e oito meses.
Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira Capoeira Portal Capoeira

A prática é desenvolvida há seis anos no Presídio Juiz Antonio Luiz Lins de Barros (Pjallb) e contempla 21 detentos. (Foto: Divulgação/Seres.)

Bahia: Festival Internacional de Capoeiragem

Bahia: Festival Internacional de Capoeiragem

Festival Internacional de Capoeiragem está com inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para 8ª Edição do Festival Internacional de Capoeiragem, que acontece de 29 de janeiro a 2 de fevereiro, no Forte da Capoeira, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador.

O evento é promovido pelo Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem, liderado pelo Mestre Balão, e vai oferecer ao público diversas rodas de capoeira, apresentações, oficinas, vivências, palestra, um tour capoeirístico pelo Centro Histórico de Salvador, entre outros.

 

RODA ABERTURA 7° FESTIVAL INTERNACIONAL CTE CAPOEIRAGEM Capoeira

 

Segundo os organizadores, está prevista a participação de capoeiristas, mestres, pesquisadores de mais de 20 países.

As inscrições podem ser feitas pelo Sympla.

Pelotas & a Abolição da escravatura Brasileira

Pelotas & a Abolição da escravatura Brasileira

Primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão foi o Ceará em 1860 bem antes da abolição acontecer em 1888.

O segundo estado a abolir a escravidão antes de 1888 foi o Rio Grande do Sul, em específico na cidade de “PELOTAS”.

Quando foi anunciado o decreto de abolir a escravidão nesta cidade o resto do estado chamaram de “froxo e covardes”, derivando o que era na época, uma ofensa grande, chamar alguém de “GAY”, colocando em causa a sexualidade de alguém no qual foi um ato totalmente ao contrário, foi um ato destemido de valentia por ter dado a liberdade aos escravos.

Historicamente daí vem todo o pejorativo sobre a masculinidade do povo da cidade de Pelotas que até hoje se extende em forma de “piadas” por todo o  território Brasileiro.

Quando se fazem piadas sobre gays referindo a cidade de Pelotas é um ato que remete a história de umas das cidades pioneiras no processo de Abolição da Escravatura no Brasil.

 

Pesquisa: Professor Magrela – Grupo Muzenza Capoeira

Fonte: Professor, Filósofo e Doutor em Educação Mario Sérgio Cortela – “As estruturas educacional rascista – 2004”.

 


Os redutos de escravos na cidade de Pelotas no século XIX

*Professor Joaquim Dias*

Abolição da escravatura Brasileira Capoeira Portal Capoeira

Os redutos de escravos na cidade de Pelotas no século XIX – Professor Joaquim Dias

“Os escravos estavam, em muitos lugares do centro urbano da cidade, tentando desenvolver suas formas de sobrevivência dentro dos limites da lei e, por vezes, fora destes limites.
 
Alguns locais já eram conhecidos pela população como redutos de negros folgados, como as margens do arroio Santa Bárbara, como se referia, em 1863, Domingos José de Almeida, ao dar seu parecer sobre o local da construção da Praça das Carretas, hoje Praça Vinte de Setembro:
 
…servindo este pequeno terreno de foco de imoralidades, fundição de crioulos e entretenimento de escravos da cidade fora do alcance de policiais…
Ao investigarmos a documentação, verificamos que diversos locais da cidade poderiam ser lugares de sociabilidades de escravos, entre eles as tavernas, bodegas ou bares que serviam como locais de socialização, seja para beber aguardente, seja para carteado, seja para a venda de produtos roubados pelos escravos, com o conluio dos donos de botecos.
 
Muitas vezes podiam ser encontrados nos bares, embora fossem proibidas suas presenças.
 
Havia grande interesse dos donos de botecos em comprar produtos roubados por escravos, pois poderiam obter bons lucros na revenda dos mesmos. Já por parte dos escravos, a venda para bodegueiros representava uma enorme facilidade na revenda insuspeita de produtos roubados.
 
(…)
 
A região da várzea, onde se localizava o Porto da cidade, também aparece como um dos locais de socialização de escravos e libertos; esta região era conhecida por ajuntamentos de escravos e suas arruaças.
 
Tal fato pode ser explicado por dois motivos. Um deles é que embarcações com gêneros alimentícios chegados à cidade deveriam vender produtos, a miúdo, para a população em geral, por até dois dias após sua chegada no Porto, o que naturalmente atraía para essa região uma quantidade razoável de escravos e livres pobres.
 
Outro motivo poderia ser a grande concentração de bares e botecos na região, como podemos observar na seguinte reclamação publicada no jornal Correio Mercantil de 1883:
 
…À noite, é esta parte da cidade teatro de cenas escandalosas que as mais vezes terminam, em grosas pancadarias (…). Provém isto dos ajuntamentos de marinheiros dos navios surtos no porto, escravos de charqueadas e mulheres de má vida; ajuntamentos que tem lugar em algumas tabernas e botequins aqui existentes, apesar das contínuas visitas que lhe faz a polícia.
No documento acima mencionado vemos que a taverna é descrita como pólo irradiador da desordem, confluindo escravos, marinheiros e prostitutas; no entanto, podemos deduzir que estas pessoas foram classificadas como escandalosas e violentas por não se enquadrarem nos parâmetros sociais pensados para elas pela elite local.
 
Esta desordem denunciada pelo jornal poderia ser a ordem das ruas, com suas regras próprias, seus códigos de honra e valores específicos.”
 
Fonte: SANTOS, Leovegildo Silva dos. O cotidiano de escravos e livres pobres no espaço urbano da cidade de Pelotas no século XIX. In: Ágora Revista Eletrônica, Ano IX, no. 17, dez. 2013, p. 19-20