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MESTRE com “M” Maiúsculo!

MESTRE com “M” Maiúsculo!

Pela primeira vez, Mestre Nô estará ao vivo no Facebook Live, dando uma entrevista sobre sua vida e obra!

Esta live será seguida de uma aula de berimbau!

Venha conhecer um dos maiores mestres da história, responsável por grande parte da expansão da Capoeira no Sul, no Nordeste e nos Estados Unidos!

IMPORTANTE: Faço um pedido pessoal para que todos os mestres, mestras, alunos, amantes, líderes e simpatizantes que virem este post o compartilhem!

 

As contribuições voluntárias serão feitas no Paypal do mestre: [email protected]

Vamos fortalecer os mestres em vida! Depois de morto, não adianta fazer ladainha homenageando.

 

Axé.
Ferradura

 

Coletivo Capoeiragem São Paulo

Coletivo Capoeiragem – São Paulo – Zona Oeste

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

MALUNGOS

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais…

 

Dinho Nascimento, Letícia Vidor, Milani, Peixe Crú, Lelo e Mestre Kenura juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem de São Paulo… Não percam!

 

Coletivo Capoeiragem Bahia Capoeira Portal Capoeira

 

Nesta Quinta-feira, 21/05 no canal do Portal Capoeira no Facebook:

https://facebook.com/portalcapoeira/videos

16:00hs Brasil – (Brasília)

21:00hs Alemanha-Itália-Espanha

22:00hs Russia- 20:00hs Portugal

#capoeira #capoeiragem #dinhonascimento #leticiavidor #lelo #peixecru #kenura #malungos #fontedogravata #milanicapoeira #portalcapoeira #coletivocapoeiragem #todosjuntos

São Paulo: Homenagem e Cidadania

São Paulo: Homenagem e Cidadania

Nosso grande amigo, Gugu Quilombola, propõe, em meio esta atribulada e complicada situação, uma importante ação solidária de entreajuda e apoio aqueles que mais estão sentindo os efeitos da pandemia que aflige e reflete em nossa comunidade capoeirística, impossibilitando uma grande parte de profissionais da cultura e capoeiragem de conseguirem, neste momento tão delicado, sobreviver…

Utilizando as ferramentas digitais, Gugu Quilombola, reuniu uma grande turma de amigos e camaradas para somar e difundir o conhecimento da nossa arte capoeira… Gugu estará realizando um evento online para homenagear dois grandes Mestres da Capoeira de São Paulo: Mestres Cavaco e Paulão.

O Objetivo desta empreitada digital é conseguir valorizar o saber, a mestria, a carga e toda a colaboração que estes dois, ao longo de suas caminhadas, ofereceram a toda a nossa comunidade…

Gugu também pretende, com esta ação, dinamizar o espaço/projeto da Bela Vista em São Paulo que neste momento se encontra completamente parado.

 

A pandemia silenciou a nossa casa cultural e Quilombo, um espaço sempre cheio de pessoas alegres e ativas , interações culturais e muito axé! As contas de água e luz continuam chegando , somando com Aluguéis e a impossibilidade de trabalho, aproximando o risco de fechamento da casa !

A contribuição arrecadada será investida em nossa casa e na homenagem aos Mestres Paulão e Cavaco, personalidades das quais não tenho palavras suficientes e significativas que permitam agradecer com justiça e devido merecimento tamanha gratidão aos exímios feitos para a minha geração e capoeiragem !

Gugu Quilombola

 

Nós, do Portal Capoeira, somos solidários a todo tipo de ação que visa de forma democrática e saudável colaborar com nossa cultura, nossa gente, nossa arte… e estaremos sempre ao lado, ajudando e divulgando todo e qualquer tipo de parceria positiva!!!

Parabéns meu mano pela corajosa atitude e por estar sempre a frente… com seu pensamento rápido e suas convicções… dando sempre espaço aqueles que são verdadeiros merecedores… é um prazer e um orgulho poder te chamar de irmão!

 

Luciano Milani

 

Ação e homenagem em prol dos nossos Mestres e espaços da Capoeira e Cultura!

Família da Capoeiragem !

Venho convida-los para mais uma ação e homenagem em prol dos nossos Mestres e espaços da Capoeira e Cultura !

Nos dias 23 e 24 de Maio, estaremos realizando um evento online para retribuir e homenagear nossos Mestres Cavaco e Paulão como também também auxiliar na resistência do meu espaço/Projeto no bairro da Bela Vista em São Paulo !

Aulas com capoeiristas de diferentes escolas, linhagens e segmentos da arte, condicionamento físico, mobilidade , instrumentação, musicalidade ,bananeira e Handstand, bate papo com Mestres e muito mais !

A pandemia silenciou a nossa casa cultural e Quilombo, um espaço sempre cheio de pessoas alegres e ativas , interações culturais e muito axé! As contas de água e luz continuam chegando , somando com Aluguéis e a impossibilidade de trabalho, aproximando o risco de fechamento da casa !

A contribuição arrecadada será investida em nossa casa e na homenagem aos Mestres Paulão e Cavaco, personalidades das quais não tenho palavras suficientes e significativas que permitam agradecer com justiça e devido merecimento tamanha gratidão aos exímios feitos para a minha geração e capoeiragem !

Para mais informações, estou a disposição !

Abração!
Gugu Quilombola!
+4917637256959

Grupo de whattsapp para as aulas do evento!
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https://chat.whatsapp.com/E5yxlnOCjpo8T6RDor6g2G

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

Há tempos, ou por toda a minha trajetória, tenho sido convidada para fazer falas em eventos. Já virei figura carimbada com rótulo de depoimentos que revelam a minha história de vida, e como, na condição feminina, consegui sobreviver a um processo formativo até a titulação de mestre de capoeira, na BAHIA. Sobre a natureza destes convites e o que está por trás deles, revelando o lugar (in)COMUM de tudo aquilo que uma mulher pode fazer na capoeira, que vamos tratar neste texto.

Peço, no entanto, que a força do feminino que habita em cada um de nós, da sedutora e intuitiva mãe Oxum, possa abençoar meus dedos a fazer uma escrita sensata, sensível e antenada com o mundo que acredito, um mundo de homens e mulheres vivendo juntos e em harmonia, demonstrando a sabedoria da equidade, do feminino e do masculino em ato e amor.

Então… quando penso nos convites que recebi e dei conta, revelam-se muitas dúvidas, outras tantas certezas que circundam o pensamento sobre a formação de mulheres em capoeira.

Nas dúvidas, acredito que perguntas como: Será que ela tem competências em capoeira? Como será que foi o percurso formativo desta mestra? Será que ela vive o mesmo universo que o meu? Será que de fato ela vive, com a mesma intensidade, as cobranças que são feitas aos homens diante dos elementos que fundamentam a capoeira? Será que não foi uma graduação de benevolência do seu mestre, que por vezes pode ser também seu esposo? Será que não “entrou pela janela”?

Nas certezas, seguem convicções como: Vou enxertar a programação com esta mestra para afastar o discurso de que sou machista e não dou vez a mulher!… Se ela for fraca, é mulher mesmo!… Vou pedir a ela pra contar sua trajetória de vida, pois, sabendo que mulheres são frágeis e incompetentes, ela preencherá o tempo destinado a esta concessão no evento “contando histórias” e o resto eu preencho com “capoeira de verdade”, protagonizado pelos companheiros que convidei! …

Entre dúvidas e certezas, sempre está a baixa expectativa do meu potencial enquanto capoeirista… Se há culpados? Com certeza! Mas prefiro crer que mais que encontrá-los/las posso anunciar saídas… Entre as dúvidas e certezas, que prefiro conceituar de certezas provisórias, mora a brecha da possibilidade de encontrar em mim mais do que uma contadora de história de vida.

Se ao invés das motivações descritas acima você me convidar para apresentar os saberes que me constituem enquanto mestra, poderá identificar a qualidade, ou não, de minha formação, cada passo que dei para conquistar este lugar de fala – o lugar de conhecedora da arte capoeira… Cada toque que fiz e refiz para alcançar o alto nível em meu tocar… Cada cantiga que entoei, de diferentes mestres antigos que escutei para dar vida ao meu canto… Cada aluno que toquei nas mãos para fazer nascer o brilho e encanto pela capoeira… Cada evento que produzi, para ver a capoeira se estabelecendo enquanto ferramenta de formação humana… Cada roda que experimentei pelo mundo afora, vivenciando a vida por dentro do jogo e o jogo por dentro da vida…

Em qualquer arte, ou campo do conhecimento, semelhante a capoeira, nós somos reconhecidos pelo que produzimos, por isso convido a todos/as a refletirem porque com relação a mulheres e capoeira seria diferente? Não precisamos de concessões, precisamos de um convite, precedido de investigação sobre nosso “fazer capoeira”, para que depois desta análise prévia, você se deixe encantar pelo que vamos apresentar aos seus alunos ou congressistas.

É claro que, neste caminho, encontrarás muitas mulheres que, tal como homens, se escondem em um discurso que nem sempre é acompanhado por uma prática que o sustente, uma berimbau que fale, uma cantiga que arrepie, nem um jogo bem jogado. Muitas vezes ao procurar sua palestrante ou oficineira, irás se deparar com mulheres que não experimentaram a capoeira com profundidade… que não sabem “nem pra onde vai, nem de onde vem” a capoeira… não conhecem seus antigos… suas manhas… nunca tocou, por exemplo, o toque de Iúna pra uma platéia de 100 pessoas, na charanga da regional, para dar vez ao jogo de formados com balões da cintura desprezada… ou não, nunca abriu uma roda de Capoeira Angola com uma ladainha bem entoada, contando a história de seus ancestrais… Isso é que separa o “jóio do trigo”, isso é o que queremos dizer quando falamos “não tem farinha no saco”, serve para mulheres e para homens…

Portanto capoeiras!… quando pensarem em uma mulher para compor o seu evento, pensem na capoeira que a preenche, pois assim estará assegurando a respeitabilidade por quem você convida, o berimbau bem tocado, a cantiga que arrepia e o jogo cadenciado, referenciado, agigantando a mulher na capoeira pela capoeira na mulher.

Axé!

 

* THE (UN)COMMON PLACE OF WOMEN IN CAPOEIRA *

By: Mestra Brisa

For some time, or throughout my career, I have been invited to speak at events. I have already become a figure stamped with testimonials label that reveals my life story, and how, as a female, I managed to survive a formative process until the title of capoeira master, in BAHIA. About the nature of these invitations and what is behind them, revealing the (in) COMMON place of everything that a woman can do in capoeira, which we will deal with within this text.

I ask, however, that the strength of the feminine that lives in each one of us, of the seductive and intuitive mother Oxum, can bless my fingers to do sensible, sensitive and attuned writing with the world I believe in, a world of men and women living together and in harmony, demonstrating the wisdom of equity, feminine and masculine in act and love.

So … when I think about the invitations I received and realized, there are many doubts, many other certainties that surround the thinking about the formation of women in capoeira.

When in doubt, I believe that questions such as: Does she have skills in capoeira? How was the training course for this teacher? Does she live the same universe as mine? Does it really live, with the same intensity, the demands made on men in the face of the elements that underpin capoeira? Was it not a degree of benevolence from your master, who can sometimes also be your husband? Did it not “come in through the window”?

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Certainly, they follow convictions such as I will engraft the programming with this master to rule out the discourse that I am a sexist and I don’t give the woman a chance! … If she is weak, she is a woman! … I will ask her to tell her life trajectory, because, knowing that women are fragile and incompetent, she will fill the time destined for this concession in the event “telling stories” and the rest I fill with “capoeira de truth”, led by the companions I invited! …

Among doubts and certainties, there is always a low expectation of my potential as a capoeirista … If there are culprits? For sure! But I prefer to believe that more than finding them, I can announce ways out … Among the doubts and certainties, which I prefer to conceptualize as provisional certainties, there is a gap in the possibility of finding in me more than a life storyteller.

If instead of the motivations described above, you invite me to present the knowledge that constitutes me as a teacher, you will be able to identify the quality, or not, of my training, every step I took to conquer this place of speech – the place of knowledge of capoeira art … Each touch that I made and remade to reach the highest level in my playing … Each song that I sang, from different ancient masters that I heard to give life to my singing … Each student that I touched my hands to make the brilliance and charm for capoeira … Each event I produced, to see capoeira establishing itself as a tool of human formation … Each roda that I experienced around the world, experiencing life inside the game and the game inside life. ..

In any art, or field of knowledge, similar to capoeira, we are recognized for what we produce, so I invite everyone to reflect on why it would be different from women and capoeira? We do not need concessions, we need an invitation, preceded by an investigation of our “making capoeira” so that after this previous analysis, you will be enchanted by what we are going to present to your students or congressmen.

Of course, on this path, you will find many women who, like men, hide in a speech that is not always accompanied by a practice that sustains them, a berimbau that speaks, a song that chills, or a game well played. Often when looking for your speaker or workshop, you will come across women who have not experienced capoeira in-depth … who do not know “neither where to go, nor where” capoeira comes from … they do not know their old ones … your morning … never touched, for example, Iúna’s touch for an audience of 100 people, in the charanga of the regional, to give time to the game of graduates with balloons from the despised waist … or not, never opened a circle of Capoeira Angola with a well-intoned ladainha, telling the story of its ancestors … This is what separates the “jewel from the wheat”, this is what we mean when we say “there is no flour in the bag”, it is for women and for men …

So capoeiras! … when you think of a woman to compose your event, think of the capoeira that fills it, as this will ensure respectability for those you invite, the berimbau well played, the song that chills and the cadenced game, referenced, looming the woman in capoeira by the capoeira in the woman.

Axe!

Coletivo Capoeiragem Bahia

Coletivo Capoeiragem – Bahia

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais…

 

 

Mestre Jean Pangolin, Mestra Brisa e Milani juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem… Não percam!

 

Coletivo Capoeiragem BA Capoeira Portal Capoeira

 

 

Nesta Sexta-feira, 15/05 no canal do Portal Capoeira no Facebook:

https://facebook.com/portalcapoeira/videos

16:00hs Brasil – (Brasília)

21:00hs Alemanha-Itália-Espanha

22:00hs Russia- 20:00hs Portugal

#capoeira #capoeiragem #mestrabrisa #jeanpangolin #milanicapoeira #portalcapoeira #coletivocapoeiragem #todosjuntos

Os Capoeiras e a lida com a intelectualidade predatória

OS CAPOEIRAS E A LIDA COM A INTELECTUALIDADE PREDATÓRIA

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

 A arte capoeira tem se transformado muito ao longo da historia, e atualmente é impossível negar seu crescimento no âmbito acadêmico, contudo, a partir de uma relativa fragilidade intelectual pela falta de acesso de muitos membros da comunidade a um processo educativo formal, vez ou outra, a nossa comunidade é atacada por pessoas que tentam manipular a “massa” por uma falsa sapiência em favor do próprio umbigo, constituindo o que tenho chamado de “intelectualidade predatória”.

Essas pessoas nocivas a arte se valem de uma linguagem rebuscada e de “ferramentas” teóricas para camuflar intenções em disputas por espaços de poder, fato que tem construído um “discurso” em torno da capoeira, que tenta substituir as “mãos no chão” por uma “verborréia” vazia e estéril para as culturas populares.

A capoeira se constitui a partir de um “fazer”, e este produz uma teoria fruto de uma “práxis capoeirana”, ou seja, as reflexões mais funcionais devem emergir do “chão da roda”, não cabendo na racionalidade funcional do cartesianismo acadêmico, pois este viola, muitas vezes, a subjetividade da arte e negligencia as historias de vida dos seus interlocutores e toda sua ancestralidade.

Diante deste quadro, quais os encaminhamentos possíveis? Como perceber a “intelectualidade predatória”?….. Bom, não existem formulas prontas e acabadas, mas, tenho usado uma estratégia bem particular e irei partilhá-la aqui com vocês. Neste sentido, para verificar se uma pessoa possui autoridade para tratar da capoeira com profundidade, eu observo se a mesma possui serviços prestados a cultura, cantando, tocando, jogando, conhecendo o ritual e afins, ou seja, se é alguém que efetivamente vive implicado com a capoeiragem, não sendo apenas mais “gigolô da arte”.

Para falar de capoeira é preciso vivê-la, é preciso beber da dor e da delícia de acordar e dormir pensando em como conduzi-la a instância do respeito social. Falar dela sem organicidade, sem mergulhar em suas tensões e belezas, é apropriar-se como um colonizador que sai a recolher terras alheias, ignorando seus povos originários e toda a trama daquele lugar.

Enfim, capoeira!!!!!… Assim como nossa arte nos pede atenção constante no ato do jogo, levemos isto para a vida, identificando quais são estas pessoas que, sob o poder das acadêmicas palavras, podem estar a invadir nossos espaços. Só assim poderemos nos proteger dos ataques que, invariavelmente, tem produzido tantos silêncios, justamente daqueles que mais desejamos ouvir….OS ANTIGOS MESTRES.

Axé.:

Coletivo Capoeiragem

Coletivo Capoeiragem

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais.

 

 

Mestre Pepeu, Capacete, Magrela, Milani e Gugu Quilombola, juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem… Não percam!

 

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Nesta Quinta feira no canal do Portal Capoeira no YouTube

https://youtube.com/c/portalcapoeira

15:00hs Brasil – (Brasília)

20:00hs Alemanha-Itália-Espanha

21:00hs Russia- 19:00hs Portugal

#capoeira #capoeiragem #magrela #capacete #capacete #guguquilombola #Pepeucapoeira #milanicapoeira #portalcapoeira #coletivocapoeiragem #todosjuntos

Ginga…

Ginga…

A palavra “ginga” possui uma origem desconhecida, contudo especula-se uma possível vinculação com o nome pelo qual ficou conhecida D. Ana de Sousa, rainha histórica dos reinos angolanos de Ndongo e Matamba. Neste sentido, mesmo não encontrando uma relação direta com a ancestralidade africana, acreditamos que possivelmente exista algum tipo de vinculação, considerando que o vocábulo em Portugal assume outra conotação diversa.

No Candomblé os termos “jika” ou “gicá” são associados a movimentos circulares executados com os ombros, em uma dança sensual, sinuosa e com muito molejo, perspectiva que nos aproxima de parte do sentido atribuído a palavra “ginga” no Brasil, em referencia a capacidade de mobilidade de um individuo, seu “meneio”, sua habilidade em desvensilhar-se de situações difíceis com a corporeidade.

Para alem da associação à mobilidade, a palavra “ginga” também assume a conotação de saber “se virar” em situações imprevistas, ou seja, a capacidade de contornar problemas no cotidiano. Assim, em capoeira, o sentido da ginga incorpora esta ambigüidade metafórica, ratificando que o referido movimento transita entre a capacidade de mobilidade corporal no jogo, mas também assume a subjetividade nos comportamentos para a superação dos conflitos em sociedade.

Tecnicamente, a biomecânica da ginga em capoeira possui uma função fluida, que mescla simultaneamente a capacidade de defesa, ataque e dissimulação de intenções, portanto, como em grande parte da cultura afro descendente, fica impossível definir um sentido único e monolítico a mobilidade no contexto cultural, pois, ao contrario da sociedade ocidental, em africanidades não separamos os diferentes momentos sociais, sendo freqüente a possibilidade de um mesmo “movimento” expressar aspectos religiosos, lúdicos, festivos e laborais, sem contudo, perder de vista o profundo respeito ritualístico a cada um destes aspectos da vida em sociedade.

E aí, vamos gingar mais?

 

Por: Mestre Jean Pangolin

Mestre Cobra Mansa: O outro lado da moeda…

O outro lado da moeda

Mestre Cobra Mansa, emitiu um comunicado oficial sobre a “denúncia de Dandara Baldez”. Após diversas conversas, aceitou nosso convite para o diálogo.

O Portal Capoeira, como um dos mais relevantes e democrático meio de comunicação especializado, pública em primeira mão o comunicado oficial, com o objetivo de entender a situação através dos olhos e dos sentimentos de “Cobrinha Mansa”.

Acreditamos que toda história deve ser contada e ouvida…

COMUNICADO OFICIAL MESTRE COBRA MANSA

Peço apenas que me ouçam (antes de me julgar)

Eu reconheço a luta das mulheres, pois tenho a convicção e conhecimento de que lutam por uma causa legítima, no sentido de impedir que atuem como coadjuvantes quando, em verdade, deveriam também ser protagonistas.

Isso não quer dizer que consegui me livrar totalmente dessa cultura machista na qual fui educado desde pequeno.


Gente, em relação ao assunto que diz respeito à Dandara, tudo não passou de um grande mal entendido. Foi um erro de julgamento meu, e só. O erro de julgamento veio do contexto no qual nos encontrávamos, que eu não quero tornar público para não expor mais pessoas e causar a estas pessoas o mesmo dano pelo qual venho sofrendo diante das conclusões e indagações completamente equivocadas.

Mestre Cobra Mansa

Nunca pensei que passaria por um “julgamento social” sem sequer ser ouvido; será que hoje sou eu quem precise lutar para comprovar minha idoneidade, que sou uma pessoa íntegra?! Pois bem, o contexto no qual se deu o mal entendido pode explicar a situação pela qual me julgam sem saber, mas admito, nunca adotei, nem insisti, em qualquer postura inapropriada que viesse a ferir a honra da Dandara.

É fato que nós homens precisamos escutar nossas irmãs e companheiras, e tento escutar. Como é que nós mudamos?  Como é que podemos juntos mudar essa cultura de masculinidade falsa? 

Eu não sei as respostas certas, mas eu sei que é o trabalho de todos nós, e como mestres e mestras, temos mais responsabilidades, inclusive para não disseminarmos a cultura do ódio e do banimento social sem que antes seja dada a oportunidade do diálogo, e não do monólogo.

Então não omito que houve um grande mal entendido com a Dandara, de modo que este mal entendido foi rapidamente corrigido, tanto assim que tivemos uma reunião com ela e três outras pessoas em 2017, na qual demos o assunto por encerrado, mas neste momento – quase 03 anos depois -, começou essa campanha contra mim, por razões que não me parecem idôneas. Estão me transformando num assediador sistemático. Até pessoas que não me conhecem estão me julgando e me massacrando.

Se coloquem no lugar do outro, usem a empatia; vocês gostariam desse tipo de julgamento sem ao menos serem ouvidas, sem que os fatos fossem apurados? Claro que não!

A pergunta que eu gostaria de colocar para quem me conhece: De todos os eventos que eu participei ao longo de muitos anos, de todos os mestres e mestras que organizaram esse eventos… tem alguma mestra ou mestre que pode reclamar do meu comportamento com suas alunas?

Peço que se manifestem para que as pessoas que estão me julgando possam ouvir outras vozes. Eu tenho plena consciência do que realmente aconteceu, e do que são acusações falsas.

Agradeço sua atenção e a possibilidade de falar a minha versão dos eventos.

Mestre cobra mansa

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

Os dilemas constantes da pós modernidade, considerando a grande inconstância da realidade, tornam cada vez mais difícil discernir/escolher entre a busca pelas “coisas da vida” e o cuidado com a “vida das coisas”, pois em um fração de segundos somos capazes de acusar, julgar, condenar e até executar a pena de uma pessoa que consideramos de conduta inapropriada, segundo nossa crenças e valores.

Vivemos em permanente estado de alerta, sempre ávidos a nos escudar pela denuncia do que esta no outro, pois é muito doloroso voltar o olha para nossas próprias imperfeições. Agredimos, gritamos, difamamos e odiamos pessoas, apenas por defenderem idéias diferentes, confundindo a crença alheia com a própria personalidade de quem a professa. Onde isso vai parar?

Não somos capazes de exercitar a tão falada alteridade, pois, em fluxo continuo temos nos tornado aquilo que mais criticamos, muitas vezes utilizando as mesmas armas do excludente de outrora, para excluir outros que nos desagradam. Neste sentido, como bem dito por Paulo Freire, repetimos o comportamento do “oprimido gestando o opressor”. Reivindicamos respeito ao direito de um dado coletivo, invariavelmente, atropelando o exercício deliberativo de outros. Exigimos a possibilidade de “falar”, mas silenciamos quem pensa diferente. Reclamamos da opressão, mas na primeira oportunidade que temos, oprimimos cruelmente e ainda argumentamos que foi merecido, pois os fins justificam os meios.

As relações se tornam frágeis e volúveis, mediadas por uma linha fininha que separa o bom senso e o rancor desmedido, considerando sempre alguma disputa de poder provisória, envolvendo algo que não se sustentará no tempo. Desta forma, na maioria das vezes, os embates não são verdadeiramente sobre e/ou em favor da capoeira, mas sim, entre pessoas, como descreve Foucault, em sua obra “Microfisica do Poder”.

As pessoas envolvidas na “cena social” da capoeira, muitas vezes desconsideram a “roda da vida”, não sendo capazes de aplicar os ensinamentos da arte no exercício cotidiano de lida com sua comunidade, esquecendo de jogar “com” e não “contra” o outro, negando que é no fluxo dialógico que validamos a substituição do “argumento da força” pela “força do argumento”. Por que é tão difícil ser capoeira na vida?

Queremos colher o que não plantamos e fugimos da colheita daquilo que já foi plantado por nós mesmos, pois não aceitamos “errar”, confundindo esse “erro” com algo negativo, e não como possibilidade de emancipação pelo aprendizado de quem tentou “acertar”, ratificando a crise pós moderna do mundo em que “somos livres e podemos TUDO”, mesmo que isso não exista na totalidade material da vida, pois a liberdade sempre pressupõe responsabilidade com as conseqüências do que fazemos.

Eu guardei minha “pedra”, e você, vai continuar jogando as suas, ou me ajudará a juntar todas que jogam em nós,  para JUNTOS, construirmos nosso “castelo”?

Com esperança em dias melhores, AXÉ.:

 

Por: Mestre Jean Pangolin