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Nota de Falecimento: Mestre Pelé do Tonel

Faleceu nesta quarta-feira, 10/11/2010, o Mestre Pelé do Tonel. Samuel Souza conheceu a capoeira aos 7 anos, nas rodas do Mestre Waldemar.

Foi aluno dos Mestres Zé Mário e Caiçara, e ganhou o apelido jogando capoeira com tonéis, em espetáculos folclóricos.

Desde 1996, faz parte do Conselho de Mestres da ABCA. Na nova diretoria era tesoureiro com auxilio de mestre Raimundo Dias.

“Mais do que riqueza cultural, o mestre deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos”

SAMUEL SOUZA – Mestre Pelé do Tonel

  • 05 de Junho de 1953
  • 10 de Novembro de 2010

Ele estava sempre alegre, nunca vi Pelé zangado, muito prestativo e educado, era membro da ABCA, a ligação dele com a capoeira era muito forte, mesmo trabalhando na Limpurbe, a capoeira era a vida dele, fazia shows, viajava bastante e era o garoto propagada da Limpurbe, sempre estava em todos eventos, porque todos tinham um carinho especial por ele.
Ele tinha um trabalho com crianças de reciclagem, ele ensinava os meninos a fazerem copos, jarros, enfeites de paredes, com lixo reciclado, era um artista perfeito.

Mestre BOA GENTE

 

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Mestre Pelé, o Gogó de ouro da Bahia

“Iêêêêêêêê!” O chamado de Natalício Neves da Silva, o mestre Pelé, aliado aos primeiros acordes do berimbau, é experiência que, quem viveu, não esquece. Sua voz expressiva é capaz de nos conduzir por 500 anos de história e de nos conscientizar do poder libertador que a roda de capoeira representa.

Mestre Pelé nasceu em 1934. É do tempo em que se jogava capoeira nos finais de feira e nos dias de festa. Também fez parte de uma geração dividida entre a marginalizada capoeira de rua à institucionalizada capoeira nas academias.

Primeira roda – Na infância, Pelé ajudou o pai na luta pela sobrevivência. Fazia carvão, colhia mandioca e tratava a terra. Depois, vendia as mercadorias na capital baiana. Foi assim que chegou à rampa do Mercado Modelo, próxima à igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, onde encontrou a nata da capoeira. “Conheci a capoeira aos 12 anos de idade, quando ia às feiras e às festas populares do recôncavo baiano. Eu ia com meu pai a Muritiba, São Félix e Cachoeira vender carvão. No final do dia, chegavam os ‘senhores’ de toda a região e começavam a brincar para se divertir. Era o povo que dava para o capoeirista o título de mestre, que disputava o título ali no jogo, jogo duro”, lembra. Foi numa dessas rodas que Pelé diz ter conhecido o lendário Besouro Mangangá. E confirma a lenda: “Ele sumia quando queria”.

Lendários – Para o mestre, era entre a Igreja da Conceição e a rampa do Mercado que rolavam as melhores rodas de capoeira da época. Em sua memória estão personagens como Valdemar da Liberdade, Caiçara, Zacarias, Traíra, Angolinha, Avani, Bel e Del (irmãos), Onça Preta, Sete Mola, Cabelo Bom e Bom Cabelo (gêmeos) e Bugalho, que o teria encantado com sua agilidade. “Tinha muita gente importante, naquela época, além de Bimba e Pastinha. Os alunos deles não jogavam muito na rua. Eles evitavam por causa das brigas, não queriam ficar difamados. O pau quebrava e a polícia na cavalaria vivia ‘escarreirando’ os capoeiras; acabando com as rodas. Os capoeiristas, por sua vez, quebravam a polícia no cacete. Bimba e Pastinha queriam evoluir, acabar com essa imagem do capoeira”.

Capoeira de Rua – O aprendizado da maioria dos capoeiristas dessa época era mesmo nas grandes rodas na rampa do Mercado Modelo e nas chamadas festas de largo, que começavam na festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia – coração da cidade baixa, próxima ao elevador Lacerda – no dia 1º de dezembro e se prolongavam até o dia 8 do mesmo mês. Depois, vinha a festa de Santa Luzia, freqüentada pelos estivadores (trabalhadores do cais do porto), muitos deles, capoeiristas. “Era o dia todo: banho de mar, samba de roda, samba de viola – que era uma tradição. Todos os ritmos vindos do recôncavo baiano. Nestas festas, reuniam-se os melhores mestres de capoeira e os melhores tocadores de berimbau. Foi num desses momentos que comecei a cantar e a tocar”, relembra.

Foi Bugalho, carregador de embarcações que, nas horas de descanso e nas noites de lua-cheia, ensinou o menino Natalício a gingar nas areia da Praia da Preguiça. “Segui a tradição do meu mestre, Bugalho, um grande tocador de berimbau. Ele era um dos melhores, tocava muito bem o São Bento Grande, principalmente quando era noite de lua. Sentávamos na areia da praia e, quando ele tocava, era possível ouvi-lo na cidade alta”.

Além das rodas da Liberdade nas tardes de domingo, em que o guarda civil Zacarias Boa Morte “tomava conta”, Pelé mostrava sua arte nas rodas de Valdemar da Liberdade, num galpão de palha de dendê, cercado de bambu. “Eu era ligeiro, tinha um sapateado que ajudava muito. Eles não me pagavam. E, quando eu chegava nas rodas da invasão do Corta Braço, no bairro de Pero Vaz, mestre Valdemar dizia: Lá vem Satanás!”

Experiência – Durante 25 anos Pelé deu aulas de capoeira  e, também, no V Batalhão da Polícia Militar. “Naquele tempo, era comum a polícia treinar capoeira”. Além dessas atividades, mestre Pelé participou, ao mesmo tempo, de importantes grupos folclóricos da Bahia como o Viva Bahia. Fez apresentações com o grupo de mestre Canjiquinha, no Belvedere da Praça da Sé, shows para turistas, onde mostrava a capoeira, o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda.

Sorrindo muito, Pelé explica que “na capoeira, tudo sai da ginga. A ginga, o molejo e a flexibilidade são importantes para o capoeirista, tanto para defesa quanto para o ataque. Capoeira é uma dança também: a chamada capoeira de compasso, que tem a meia-lua de compasso, um movimento baixo, diferente do rabo de arraia (mais alto e rápido); a ponteira, movimento com a ponta do pé, de baixo para cima, até o queixo; o martelo, atingindo o ombro; a ponta de costela, que é um martelo mais baixo; a benção, que atinge o peito; o giratório – o capoeirista cai para trás e sai girando; o parafuso: giro no solo com a cabeça; caminhada de caranguejo, movimento para frente e para trás, de papo para o ar e com as pernas abertas; canivete – com uma das mãos no chão, encolhe-se o corpo todo na direção das mãos; relógio, gira-se sobre a queda de rim; o coice de burro, que é cair com as duas mãos para frente, levantando os dois pés etc.”.

Retorno – Mestre Pelé ficou longe da capoeira por vinte anos. Foi trazido de volta às rodas pelo projeto de resgate e valorização de mestres antigos, criado pela Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA). Hoje, ele integra o Conselho de Mestres da associação e participa de eventos importantes. Recentemente, emocionou, com sua voz, quem esteve presente no enterro dos mestres Caiçara, Bom Cabrito e Zacarias Boa Morte, e na missa de sétimo dia de Caiçara.

Na ABCA, Pelé espera conseguir viabilizar o projeto de aposentadoria para mestres com mais de 65 anos de vida e 35 anos de capoeira. “O ministro da Previdência, Waldec Ornelas, já votou a aposentadoria das mães e pais de santo que, como os capoeiristas, também tiveram suas atividades proibidas e perseguidas. Além disso, também vamos conseguir provar que Capoeira Angola é cultura popular, e não arte marcial” finaliza o cantador.

 

Lucia Correia Lima – Jornalista e Diretora de Projetos e Comunicação Social da ABCA

 

Fonte: Revista Capoeira

Referências: http://abca.portalcapoeira.com/

Caruru e Capoeira na Fazenda Grande!

Evento de Mestre Virgílio comemorou seus 55 anos de capoeira angola

Uma grande festa marcou o aniversário de Mestre Virgílio, e a comemoração dos seus 55 anos de capoeira angola. Realizado no domingo, 20 de dezembro, na Fazenda Grande do Retiro, o evento contou também com o lançamento do CD “Capoeira Angola na Travessia do Mar”, gravado na Austrália em parceria com Mestre Roxinho.

Os trabalhos foram abertos com uma oficina de capoeira angola ministrada por Mestre Roxinho. Edielson da Silva Miranda, iniciado na capoeira angola em 1979 por Mestre Virgílio, é fundador e presidente da Ecamar – Escola de  Capoeira Angola Mato Rasteiro, e reside desde 2006 em Sydney, na Austrália, onde desenvolve o projeto Bantu com crianças e jovens refugiados africanos e aborígenes.

As atividades continuaram com um debate sobre “A Tradição da Capoeira Angola como Educação e Resgate Social”. Iniciada com uma exposição do Mestre Roxinho, a roda de conversa contou com a participação dos mestres Virgílio, Moraes, Jaime de Mar Grande e Gildo Alfinete. A necessidade de preservação das tradições ancestrais, com os sentidos de ritualidade, continuidade e hierarquia, foi ressaltada por todos, que lembraram seus tempos de criança, quando o respeito aos mais velhos era um valor fundamental instituído pela família. As dificuldades para ensinar jovens com famílias desestruturadas, que desrespeitam seus pais e familiares; a resistência que estas crianças e adolescentes têm em relação à disciplina e o papel do Mestre de capoeira angola no resgate e fortalecimento destes valores ancestrais foram consenso entre os mestres. A difícil relação com o Estado, que registrou a capoeira como patrimônio sem ouvir os seus guardiões (que no dia da festa não foram convidados para a mesa, reservada para acadêmicos) também foi apontada pelos presentes, cientes de que a histórica repressão aos capoeiristas continua de outras formas (mais sutis e disfarçadas).

A roda de capoeira angola foi animada e contou com a participação de mais convidados, dentre eles os mestres Pelé da Bomba, Caboré, Uildes, Faísca, Boa Gente, Nal e os contramestres Neguinho e Gutinho. Um delicioso caruru deu força aos presentes para continuar a festa com a participação de músicos convidados.

Virgílio Maximiano Ferreira foi iniciado na capoeira angola por seu pai, o célebre Mestre Espinho Remoso, na década de 50, na Jaqueira do Carneiro, atrás do Retiro. “Ele não tinha escola de capoeira, tinha um quiosque e dia de domingo todos os amigos dele iam lá jogar”, relata Mestre Virgílio. Tendo treinado brevemente com Mestre Caiçara, Virgílio recebeu o título de Mestre de Capoeira Angola das mãos do finado Mestre Paulo dos Anjos, discípulo de Mestre Canjiquinha. Após o falecimento de seu pai, ele começou a dar aulas de capoeira na comunidade da Fazenda Grande do Retiro, na Escola Profissional 1º de maio.

Atualmente, Mestre Virgílio é o presidente da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola), entidade fundada em 1987 que reúne os antigos mestres, guardiões desta tradição ancestral. Desde 1998 a ABCA promove anualmente sua Roda da Paz, com o objetivo de promover a união entre os praticantes desta arte-luta. A 12ª Roda da Paz da ABCA será realizada no dia 29 de dezembro de 2009, terça-feira. Após uma breve concentração a partir das 18:00 na sede da entidade (Rua Maciel de Baixo, em frente ao Teatro Miguel Santana) os capoeiristas sairão em cortejo até o Largo de São Francisco, onde será realizada a tradicional roda de capoeira angola. Tod@s estão convidados para esta grande festa. Axé!!!

Paulo A. Magalhães Fº

Jornalista, mestrando em Ciências Sociais
http://lattes.cnpq.br/9776286470259455

Reconhecimento da capoeira

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solenidade recente em Salvador, com as presenças do presidente da Senegal Abdoulaye Wade e do governador Jaques Wagner no Dia Mundial da África, passou uma significativa parte de seu discurso se referindo a importância da capoeira; seus atores e o saldo positivo que a arte-luta nascida nos canaviais do Recôncavo da Bahia, trás para a imagem da cultura do Brasil e, segundo ele hoje praticada “em mais de 170 países”, não vimos no palco, nem na platéia de um mil e quinhentos lugares do Teatro Castro Alves, nenhum dos tradicionais mestres baianos da arte citada pelo presidente. Estaria ele e seus assessores, na frente da Fundação Palmares, o “braço afro” do Ministério da Cultura e organizadora do evento?

Quantos mestres baianos e do Brasil, têm em seus passaportes dezenas de carimbos, para levar a capoeira ao mundo, mas, ao retornarem, vivem em condições precárias? Uma contradição com a dignidade e conforto com que são recebidos nas universidades internacionais onde lideram grupos e academias com estrutura dificilmente encontradas aqui! Respondendo a esta pergunta e corrigindo este erro cruel como a escravidão, de onde surge a capoeira, a Associação Brasileira de Capoeira Angola, ABCA – fundada em 1987 por mestres como João Pequeno de Pastinha, Paulo dos Anjos, Valdemar da Paixão, Boca Rica, Ferreirinha de Santo Amaro, Nô, René, Curió, Papo Amarelo, Calazans, – se organiza para lutar por uma lei que existe desde 2002,  já em vigor apenas em Pernambuco, Alagoas e Piauí. A Lei do Patrimônio Vivo. Organizam-se para dar uma contribuição no sentido de que equívocos como estes cometidos no evento de lançamento do Festival Mundial das Artes Negras, não mais aconteçam. Para que as palavras do presidente Lula não estejam à frente das ações locais e nacionais.

Em 1966, quando foi realizado o primeiro festival em Senegal, que hoje nos homenageia, o Itamaraty convidou Olga de Alaketu, Camafeu de Oxossi e Vicente Ferreira Pastinha com seus alunos, entre eles mestre João Grande, homenageado na Casa Branca e hoje a meu pedido, o único convidado oficial representando a capoeira, para o FESMAN 2009.  A ABCA, com apoio da prefeitura de São Francisco do Conde, um portal da cultura e das tradições do Recôncavo Baiano;  deputados e vereadores comprometidos com a cultura popular, abrem os caminhos para tirar o nefasto atraso do reconhecimento dos mestres dos saberes, com seus violeiros, repentistas, mestres de saveiros; da culinária; das danças; dos bumbas-meu-boi; mestres dos artesanatos; da capoeira. A capoeira substantivamente reconhecida pelo presidente Lula na Bahia. Preparam o Fórum que deverá redigir o texto da lei que será entregue ao governador, em solenidade com convidados que cultuam a beleza das manifestações populares.

Lucia Correia Lima – luciacorreialima@hotmail.com é jornalista, fotógrafa, roteirista e capoeirista.  Diretora de Projetos e Comunicação da ABCA

Associação Brasileira de Capoeira Angola articula pensão para antigos mestres de capoeira

Diretores da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola – serão recebidos nesta terça feira, dia 31, na Assembléia Legislativa da Bahia, pelo deputado estadual Yulo Oiticica, do PT, com uma longa trajetória de defesa da dignidade das classes populares. Será o início da luta pela pensão vitalícia dos antigos mestres de capoeira 

Guardiões da tradição desta cultura ancestral, muitos mestres são reverenciados mas têm dificuldades concretas de sobrevivência, depois de toda uma vida dedicada à cultura popular afro-brasileira. O Plano de Salvaguarda da Capoeira, elaborado pelo governo federal por ocasião do registro da capoeira como patrimônio imaterial brasileiro, prevê o reconhecimento do notório saber dos antigos mestres e a concessão de um plano de previdência especial para os mesmos. Entretanto, nada foi feito até então em âmbito federal. Pernambuco é o estado pioneiro com a criação da Lei do Registro do Patrimônio Vivo (Lei nº 12.196/02), seguido por Alagoas e Ceará.

Dentre os diretores da entidade, estarão presentes os mestres Virgilio, Nô, Boca Rica e Caboré, além dos capoeiristas e jornalistas Lucia Correia Lima e Paulo Magalhães. O principal objetivo da reunião é entregar ao deputado documentos com subsídios para a criação da Lei de Registro do Patrimônio Vivo na Bahia.

 

Casa de Tradição

A ABCA foi criada em 1987 por mestres como João Pequeno, Paulo dos Anjos, Nô, Ferrerinha, Renê e Curió, dentre outros, com o objetivo de contribuir para a preservação dos fundamentos da capoeira tradicional baiana. Hoje a entidade está vivenciando um profundo processo de renovação e preparando novos projetos. A capoeira angola está sendo praticada hoje em todos os continentes, criando um mercado de trabalho de difícil mensuração e levando ao mundo uma visão positiva do Brasil; vem ainda expandindo a língua portuguesa e trazendo ao país visitantes de todo o mundo, para o desenvolvimento do turismo cultural e étnico.

A ABCA estará focando seus esforços nesta busca de justiça e reconhecimento de todos os mestres da sabedoria popular, no berço da cultura que é a Bahia. “Angola: capoeira mãe”, repetem os mestres da associação, que se prepara para iniciar também em sua sede, na Rua Gregório de Matos, curso de inglês para capoeiristas e moradores do Pelourinho; a criação de uma escola superior de capoeira angola; sua transformação em um ponto de encontro nacional e internacional de capoeiristas, com reforma da loja, criação de biblioteca e videoteca, além de um arquivo de fotos e histórias dos mestres que compõem este patrimônio.

Lucia Correia Lima – DRT 1046

Paulo Magalhães – DRT 11.374

 

ABCA: ORGANIZA CURSO DE INGLÊS PARA CAPOEIRISTAS

ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola

O templo sagrado da capoeira angola. É assim que muitos capoeiristas definem a ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola. Fundada em 1987, em Salvador-BA, a entidade reúne os antigos mestres desta manifestação cultural afro-brasileira, e se tornou uma referência mundial em termos de preservação das tradições ancestrais desta arte-luta.

 

 

“ABCA é a casa que representa a capoeira angola. É um lugar onde o capoeirista tem que se sentir bem, onde podemos discutir, trocar idéias… Um lugar para aprender mais, porque ninguém sabe tudo” afirma Mestre Virgílio, presidente da entidade. Iniciado na capoeira angola na década de 50 por seu pai, o célebre Mestre Espinho Remoso, Virgílio Maximiano Pereira também foi aluno dos mestres Caiçara e Paulo dos Anjos. Viveu intensamente as rodas de rua de seu pai na Jaqueira do Carneiro e dá aulas de capoeira angola há mais de 30 anos na Fazenda Grande do Retiro. Com a humildade que lhe é característica, ele lidera um profundo processo de renovação da instituição, que está reformando seu estatuto social e organizando seu registro para a elaboração de projetos e parcerias de apoio e incentivo aos guardiões da tradição ancestral.

A falta de estrutura em sua sede não desanima seus guardiões, como afirma o tesoureiro, Mestre Pelé do Tonel: “A ABCA representa para nós um precioso conhecimento, uma grande nata de mestres que têm méritos e história pra contar, e para mim é uma riqueza. Depende de nós sabermos valorizar esta casa cheia de ouro que é a capoeira angola”. Iniciado na capoeira em 1960, Samuel Souza foi alunos dos mestres Zé Mário e Caiçara, e acompanhou este durante muitos anos, em seus shows folclóricos. Apresenta um espetáculo com uma técnica única, em que joga capoeira com tonéis, ganhando daí seu apelido.

A gestão atual da ABCA conta também com a participação dos mestres Augusto Januário (Vice-Presidente), Odilon (Diretor Jurídico) e Tonho Matéria (Diretor de Patrimônio e Marketing), além dos capoeiristas Lucia Correia Lima (Diretora de Projetos e Comunicação Social) e Paulo Magalhães (Secretário).

Duas décadas de ginga

Em 3 de julho de 1987, o jornal A Tarde trazia estampada a notícia: “ABCA terá que mostrar sua malícia”. A pequena matéria anunciava os resultados da primeira eleição da entidade, em que venceu a chapa “Evolução” e o Mestre João Pequeno foi eleito Presidente, Paulo dos Anjos Vice, Mário Bom Cabrito Tesoureiro, Nô Diretor Técnico e Renê Diretor Social. Mestre Canjiquinha, malandro, rouba a cena e aparece na foto, que deveria ser de João Pequeno. (Durante boa parte da década de 80, a coluna Capoeira trazia semanalmente anúncios de rodas e eventos, além de debater polêmicas da capoeiragem. Nos anos 2000, em que a capoeira é considerada patrimônio cultural, percebe-se um retrocesso em termos de divulgação cotidiana na imprensa local).

“Vivíamos um momento inédito, de discutir e organizar os capoeiristas angoleiros de forma legal, perante os órgãos públicos. Além disso, depois de cada reunião havia uma roda, momento único de troca em que podíamos beber da fonte de sabedoria que são os antigos mestres”, conta Mestre Renê. Nascido em Teodoro Sampaio, Renê Bittencourt foi iniciado na capoeiragem por Mestre Canjiquinha, e dirige atualmente a ACANNE – Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro.

Depois de Mestre João Pequeno, a ABCA teve os mestres Moraes, Barba Branca e Curió em sua presidência. Em 1996 foi criado o Conselho de Mestres, instância máxima da entidade, formado por mestres angoleiros com mais de 50 anos. Mestre Gildo Alfinete e Mestre Bola Sete foram presidentes do Conselho, cargo ocupado hoje por Mestre Nô.

As reuniões, na época da fundação, aconteciam no Forte Santo Antônio, no Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia de João Pequeno de Pastinha. Com o tempo, as reuniões passaram a ser no Instituto Mauá, funcionando depois em uma casa cedida na Rua do Passo. Com a ajuda do IPAC, a ABCA passou a utilizar um casarão na Rua Gregório de Matos nº 38, no coração do Pelourinho, em frente ao Teatro Miguel Santana (onde funciona o Balé Afro) e o Afoxé Filhos de Ghandy.

“Nossa casa é pobre de dinheiro, mas rica de sabedoria. É o templo sagrado da capoeira angola. Recebemos a Rainha da Dinamarca, o Príncipe de Gales e o Presidente de Guiné-Bissau, além de participar dos 500 anos do Brasil e criar a Roda da Paz. A ABCA hoje é reconhecida internacionalmente” comenta Mestre Gildo Alfinete, membro do Conselho de Mestres. Discípulo de Mestre Pastinha, com quem se iniciou na Capoeira Angola em 1959, Gildo Lemos Couto possui o maior acervo existente sobre Mestre Pastinha e o Centro Esportivo de Capoeira Angola.

Na loja da ABCA, capoeiristas do mundo inteiro podem encontrar berimbaus, pandeiros, atabaques, agogôs, camisas, livros, revistas e vídeos sobre capoeira. “A lojinha existe há muitos anos, passam dezenas de pessoas do mundo todo, todos os dias”, comenta Mestre Neco, responsável pelas vendas. Membro do Conselho Fiscal, Manoel Marcelo dos Santos foi iniciado na capoeira por Mestre Canjiquinha, em 1959, no Taboão, e dá aulas há 38 anos no Colégio Góes Calmon, em Brotas.

Todas as sextas-feiras, às 19:30, acontece a roda da ABCA, aberta a todos os capoeiristas que estejam abertos à sua forma tradicional, conduzida pelos antigos mestres com o rigor e respeito próprios desta manifestação ancestral.

Faculdade de Capoeira Angola

“Quando criamos a ABCA, meu objetivo era fazer com que esta entidade se transformasse em uma faculdade de capoeira angola, já que a Bahia é uma universidade cultural e esta casa reúne a nata da velha guarda dos angoleiros. Este objetivo ainda não foi cumprido e permanece de pé”, afirma Mestre Nô, Presidente do Conselho de Mestres. Iniciado na capoeiragem por seu avô Olegário, em 1949, na ilha de Itaparica, Norival Moreira de Oliveira foi alunos dos mestres Nilton, Pirrô e Zeca do Uruguai. Zeca, primo dos mestres Cobrinha Verde e Gato Preto, foi quem ensinou Mestre Canjiquinha a tocar berimbau.

Com a criação das leis 10.639/03 e 11.645, multiplicam-se os cursos de história e cultura afro-brasileira. Muitos temem, entretanto, que a transmissão destes saberes seja monopolizada por representantes autorizados das instituições acadêmicas, excluindo os legítimos guardiões da tradição oral.

Em 17 de julho de 1987, no texto “A questão da saúde na Capoeira Angola”, do jornal A Tarde, os angoleiros denunciavam: “Alguns ‘capoeiristas universitários’ de classe média branca, estão levantando a lebre sobre a ‘necessidade’ do mestre e do contramestre de Capoeira terem noções de Anatomia e Medicina para poderem dar aulas a iniciantes”. Uma semana antes, na mesma coluna que anunciava a criação da ABCA, uma denúncia: “qualquer exigência de diploma para ensino de capoeira é, antes de mais nada, uma atitude racista, e, como tal, tem que ser severamente combatida”.

Como se vê, este debate não é novo, e já preocupava os velhos mestres há vinte anos atrás. O projeto de lei que restringe o ensino de capoeira, yoga e danças folclóricas aos graduados em educação física ainda tramita no congresso, e a temática afro-brasileira está sendo dada em sala de aula por professores que conhecem superficialmente a cultura, por vezes reproduzindo preconceitos e perpetuando estereótipos. Mestre Nô protesta: “um professor de educação física jamais vai ter condições de ensinar a cultura popular da capoeira, ele pode ensinar uma coisa maquiada, mas jamais a capoeira em sua essência. Apenas os mestres e seus discípulos mais graduados têm esse conhecimento”.

Aposentadoria a passos de tartaruga

Uma questão diretamente relacionada à ocupação destes espaços profissionais e de poder é o projeto de aposentadoria para os antigos mestres. Muitos deles são reverenciados mas têm dificuldades concretas de sobrevivência no dia a dia, como Mestre Pastinha já alertava em 1980, seu penúltimo ano de vida: “A capoeira de nada precisa, quem precisa sou eu”. Ao receber uma homenagem na Câmara Municipal de Salvador, pelos seus 50 anos de capoeira, Mestre Virgílio desabafou: “Homenagens são boas, mas passam. Eu preciso hoje é de uma aposentadoria honesta pra levar o resto de minha vida”. Mestre Brandão, do Conselho de Mestres da ABCA, complementa: “Todo mundo tem que unir e procurar trazer um beneficio pros capoeiristas mais velhos, que depois de toda uma vida não podem mais jogar. Eu jogo capoeira há 58 anos”.

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a gratificar representantes da cultura popular e tradicional com uma pensão mensal vitalícia. A Lei do Registro do Patrimônio Vivo, de 2002, já contemplou cerca de 20 mestres e grupos culturais populares, com bolsas que variam entre R$750 e R$1.500. Estados como Alagoas e Ceará têm programas semelhantes, enquanto o Governo Federal concedeu apenas um número reduzido de Bolsas de Incentivo Griô, de R$380, por um tempo determinado. A ABCA está atuando na proposição de um projeto que crie lei semelhante na Bahia, a fim de amparar antigos mestres da capoeira e de outras manifestações culturais populares.

“Os grandes mestres, como Bimba, Pastinha, Valdemar, se acabaram na maior lástima. O que se vende da Bahia é a capoeira e o candomblé, mas cadê os poderes públicos que não apóiam, não ajudam? É um descaso com os mestres antigos”, protesta Mestre Boca Rica, Vice-Presidente do Conselho de Mestres. Nascido em Maragogipe, Manoel Silva veio pra Salvador aos 15 anos e ingressou na Academia de Mestre Pastinha, acompanhando-o até sua derradeira hora. Com vários CDs gravados, depois de percorrer diversos países, ele questiona:”O que é que eu tenho? Nome! Mas cadê a aposentadoria para os antigos mestres que diz que vai sair, vai sair e nunca sai?”.

Outro projeto que está sendo pautado pela ABCA é o que articula a assistência médica e reabilitação física para os antigos mestres, a fim de permitir que estes recuperem sua plena saúde para a prática regular da capoeiragem.

Fundamentos

Mestre Nô também destaca a perspectiva de abrir cursos para jovens mestres e capoeiristas de outros estados, uma espécie de “pós graduação” com a velha guarda da capoeira angola da Bahia. “Vejo com muita tristeza o comportamento de alguns capoeiristas de hoje, e tenho medo de que percamos a essência maior que são os fundamentos da capoeira angola”, desabafa.

Em relação ao atual momento da entidade, Mestre Pelé do Tonel comenta: “estamos precisando de uma união limpa de amigos, sem maldades, dar a mão um ao outro como uma corrente e jogar o barco pra frente”. Mestre Zé do Lenço, membro do Conselho Fiscal, complementa: “não adianta camarada ficar de fora e não vir pra roda, todos têm que se unir e vir prestigiar essa casa, que precisa do nosso apoio”. Nascido em Abaíra, José Alves foi iniciado na capoeiragem em 1962 pelo Mestre Espinho Remoso, na Jaqueira do Carneiro, e tem sua academia na Sete Portas.

Para as novas gerações, Mestre Boca Rica relembra: “Mestre Pastinha falava: Eu sei que vou morrer, mas quero ver a capoeira no lugar dela, no teatro, na televisão, no cinema, na escola, na universidade… Aí eu falava comigo: será que esse velho tá ficando maluco? E não deu outra, a capoeira veio crescendo, hoje tá em mais de 200 países pelo mundo afora. Nós já estamos descendo a ladeira e são vocês que têm que levar essa capoeira de angola pra frente, não deixar ela morrer, se acabar”.

Mestre Nô também deixa um recado: “Não tenham pressa em se formar, tenham pressa em se informar, porque a pressa é inimiga da perfeição. Muitos que chegam ao grau de ensinar abandonam os treinamentos da academia do mestre, achando que já sabem. Tenham humildade e procurem sempre aprender “.

 

Paulo Andrade Magalhães Filho é jornalista, membro da ACESA e Secretário da ABCA

Mestre Virgílio: Meio Século de Capoeira

Virgílio Maximiano Pereira, o popular Mestre Virgílio, recebeu nesta segunda-feira 15-09-08, na Câmara Municipal de Salvador, uma homenagem aos seus 50 anos de capoeira. A Sessão Especial será realizada a partir da 18:00 no auditório do Centro Cultural da Câmara e contará com a presença de diversos mestres antigos da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola). Fundada em 1989, a ABCA atua na defesa a promoção da capoeira tradicional baiana, e tem Mestre Virgílio como seu presidente.

Mestre Virgílio foi iniciado na capoeira angola por seu pai, o célebre Mestre Espinho Remoso, na década de 50, na Jaqueira do Carneiro, atrás do Retiro. ‘Ele não tinha escola de capoeira, tinha um quiosque e dia de domingo todos os amigos dele iam lá jogar’ relata Mestre Virgílio. Tendo treinado brevemente com Mestre Caiçara, Virgílio recebeu o título de Mestre de Capoeira Angola das mãos do finado Mestre Paulo dos Anjos, discípulo de Mestre Canjiquinha. Após o falecimento de seu pai, ele começou a dar aulas de capoeira na comunidade da Fazenda Grande do Retiro.

Há mais de 30 anos, desenvolve um trabalho social na Escola Profissional 1º de maio, na Fazenda Grande do Retiro. Em relação à homenagem, alegria e reservas: ‘Homenagens são boas, mas passam. Eu preciso hoje é de uma aposentadoria honesta pra levar o resto de minha vida’. A fala de Mestre Virgílio denuncia a sina dos antigos mestres de capoeira, reverenciados em seu auge e abandonados na velhice. Mestre Pastinha, em 1980, seu penúltimo ano de vida, cego, já denunciava: ‘A capoeira de nada precisa. Quem precisa sou eu!’. O registro da capoeira angola como patrimônio cultural brasileiro fortalece uma antiga bandeira de luta da ABCA, a aposentadoria especial para os antigos mestres, além do reconhecimento do seu notório saber para que possam dar aulas em escolas e universidades.

Quem quiser ver mestre Virgílio jogar a capoeira tradicional, que depois da criação por mestre Bimba da capoeira regional, em 1930, passou a ser chamada de capoeira angola, vá à sede da ABCA, na Rua Gregório de Mattos, 38, no coração do Pelourinho. Virgílio com seus velhos companheiros, como mestre Bigodinho, Nô, Boca Rica, Ângelo Romano, Pelé da Bomba, Augusto Januário, Pelé do Tonel, Raimundo Dias e tantos outros, mantém a tradição dos cantos e dos toques de berimbau, na formação da bateria e nos rituais da capoeira-mãe. Todas as SEXTAS FEIRAS ÀS 19 HS.

Paulo A. Magalhães Fº – DRT 11.374
Lucia Correia Lima – DRT 1046

Repercussão… I Ciclo de Palestras do Forte da Capoeira

De Portugal faço uma chamada para conversar com o Sr. Leal, administrador e responsável pelo Forte da Capoeira, aproveito para falar da importância deste evento e de como é fundamental para a comunidade capoeirística poder estar envolvida com  Mestres de renome, representando a velha guarda da capoeiragem.
No mesmo dia falo também com Mestre Decanio, figura ímpar, ser humano fantástico que irá participar do ciclo abordando a religiosidade dentro do contexto ca capoeira.
Para terminar ligo para mestre Bola Sete, Presidente da ABCA, Associação Brasileira de Capoeira Angola, local onde foi realizado o Ciclo de Palestras e deixo o meu axé e agradecimento pela colaboração e parceria da ABCA em conjunto com o Forte da Capoeira.
Eram tantas as expectativas sobre este encontro que de certa gostaria de ter me projetado e atravessado um oceano somente para poder estar com estes grandes Mestres e participado deste evento.
 
Espero que tanto o Forte da Capoeira, na figura do Sr. Leal, quanto a ABCA, representada pelo conselho de Mestres estreitem as relações e continuem trabalhando em prol da capoeira e da cidadania, levando cultura e conhecimento, multiplicando e somando através da capoeira.
 
Luciano Milani
Repercussão… I Ciclo de Palestras do Forte da Capoeira
 
O Centro de Cultura Física Regional da Bahia terá espaço no Forte da Capoeira. Quatro Apóstolos de Mestre Bimba, Cafuné, Boinha, Sariguê e Gavião, conduziram os trabalhos do I Ciclo de Palestras Forte da Capoeira, em 27/10/2006. Os capoeiristas presentes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais a doutrina da Capoeira Regional, criada pelo Dr. Manoel dos Reis Machado, o saudoso Mestre Bimba, em 1928.
 
Palavras de Cafuné:
“É maravilhosa essa parceria que, a Fundação Mestre Bimba e o Forte da Capoeira agora realizam. A FUMEB disponibilizando parte de seu acervo, principalmente a representação do CCFR com sua galeria de fotos, dados e história sobre os alunos do Bimba e o Forte da Capoeira cedendo o espaço físico adequado para instalarmos esse acervo e juntos disponibilizarmos para o grande publico. Com a estrutura não só física, mas principalmente logística do Forte, esse patrimônio da Regional irá cumprir o seu principal papel: O RECONHECIMENTO POR TODOS DO GRANDE TRABALHO DE NOSSO MESTRE.
Quando Mestre Bimba foi-se para Goiânia levou consigo a sua Academia denominada CENTRO DE CULTURA FISICA REGIONAL DA BAHIA e lá se instalou e ministrou aulas de Capoeira por um ano quando veio a falecer de derrame cerebral, encerrando assim um ciclo de aulas, pois seu Bimba nunca autorizou ninguém a dar continuidade a isso. Esse Patrimônio automaticamente passou para a sua família, seus parentes e descendentes.”
 
 
A comunidade do Vale das Pedrinhas mostrou o seu valor. O trabalho desenvolvido pelo cidadão Vivaldo Rodrigues Conceição, o querido Mestre Boa Gente, naquela comunidade, é um verdadeiro exemplo de vida. Os depoimentos verdadeiros de Rose e de Jéferson, demonstraram que a dedicação, o trabalho e a perseverança do Mestre Boa Gente, gerou sementes de Baobá, multiplicadoras operosas da esperança, da oportunidade e de melhores condições de vida para muitas crianças e adolescentes.
Outra boa notícia!
 
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A pesquisa “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”, iniciativa do Forte da Capoeira, em parceria com a UFBA/FAPEX/Faculdade de Educação da UFBA e o Grupo Mel, será concluída nos próximos dias. O professor Pedro Abib, coordenador da pesquisa, conversou com os capoeiristas presentes no Ciclo, enfatizando a importância do trabalho da pesquisa para a documentação do conhecimento e a preservação da memória dos Mestres e Famosos Capoeiras da Bahia.
Aguardem!!!
 
 
I Ciclo de Palestras do Forte da CapoeiraCapoeira Regional e a Capoeira Angola foram reverenciados na tarde de ontem, 25/10/2006, com palestras enriquecedoras proferidas pelos Mestres Gildo Alfinete, Bola Sete e Cesar Itapoan. Foi um momento singular para os capoeiristas presentes. A experiência vivencial de Gildo e Bola Sete com o Mestre Pastinha, foi externada com detalhes e curiosidades interessantes foram reveladas sobre a personalidade, os ensinamentos e a contribuição de Vicente Ferreira Pastinha para a preservação dos fundamentos filosóficos da Capoeira Angola. Mestre Pastinha deixou bons discípulos.
 
No segundo momento o Mestre Cesar Itapoan deu um passeio no tempo da Capoeira Regional enfatizando a concretização da profecia de Manoel dos Reis Machado: “Eu criei a Capoeira Regional para o Mundo.” A exposição da metodologia de ensino, dos fundamentos e da sistematização do conhecimento da Capoeira Regional, foi ponto o alto da palestra.
É bom ver Cesar Itapoan falar sobre o Mestre Bimba. É pura emoção, reconhecimento, gratidão e respeito ao cidadão Manoel dos Reis Machado, o criador da Capoeira Regional.
 
Realmente; Bimba é Bamba!
Pastinha é Bamba!
 
Leal – Forte da Capoeira – http://www.fortedacapoeira.org.br/

I Ciclo de Palestras do Forte da Capoeira

O Forte da Capoeira estará realizando um ciclo de palestras com diversos Ícones e assumidades da capoeira, uma ótima oportunidade para quem tiver interesse em aumentar sua bagagem capoeirística e estar frente a frente com grandes nomes da capoeiragem.
As palestras irão abordar diversos assuntos relevantes no contexto da capoeira e irão acontecer em um espaço mágico da Bahia, a ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola,  casa de tradição no Pelourinho, Salvador.
 
Luciano MIlani
Nos dias 23 a 27/10/2006 o Forte da Capoeira estará realizando seu I CICLO DE PALESTRAS.
 
Inscrições gratuítas e vagas limitadas.
 
Inscreva-se pelo tel: 71 3321-7587 ou pelo e-mail: portal@fortedacapoeira.org.br
 
(envie seu nome, RG e telefone para contato).
 
Programação:
 
Período: 23 a 27/10/2006
Local: ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola
Rua Gregório de Matos, nº38 – Pelourinho
 
23/10 (segunda – feira)
14:00h – Forte da Capoeira: Perspectivas de Educação, Cultura e Cidadania no Universo da Capoeira.
Palestrante: José Augusto de Azevedo Leal – Superintendente do Forte da Capoeira
 
24/10 (terça – feira)
14:00h – Influências da Religiosidade Africana na Capoeira.
Palestrante: Dr. Ângelo Augusto Decânio – Mestre Decânio
 
16:00h – Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico-Cultural.
Palestrante: Claudia Trindade
 
25/10 (quarta – feira)
14:00h – A Saga do Mestre Pastinha.
Palestrantes: Mestre Gildo Alfinete e Mestre Bola Sete
 
16:00h – A Herança de Mestre Bimba – Panorama da Capoeira Regional no Brasil e no Mundo..
Palestrante: Mestre Itapoan
 
26/10 (quinta – feira)
14:00h – A Importância do Estudo e da Pesquisa para a preservação da Capoeira.
Palestrante: Prof. Dr. Pedro Abib
 
16:00h – A Capoeira como Instrumento de Combate à Violência e a Intolerância. Experiência na Comunidade do Vale das Pedrinhas.
Palestrante: Mestre Boa Gente
 
27/10 (sexta – feira)
14:00h – A Recriação do Centro de Cultura Física Regional.
Palestrantes: Manoel Nascimento Machado – Mestre Nenel e a Turma de Bimba
 
16:00h – Projeto Quilombo N’Ganga – Ilha de Maré.
Palestrante: Omo Ogum Keji Asipá – Mestre Moraes
 
Forte da Capoeira

Gingando: Algumas das repercussões da viagem ao Brasil

Em Abril estive no Brasil, onde  em merecidas férias aproveitei o tempo livre para pesquisar capoeira “na fonte”… mantive uma extensa agenda na qual constavam encontros com mestres como o Mestre Decânio, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Pinatti, Mestre Jaime de Mar Grande, Mestre Cavaco, Mestre Boca Rica, Mestre Neco, Mestre Jean Pangolin, Mestre Wellington, Mestra Janja, Mestre Gagé, Mestre Bola Sete dentre outras personalidades da capoeira. Agendadas também estavam visitas à instituições como a Associação Brasileira de Capoeira Angola e academias como a Fundação Mestre Bimba.
 
Dentro das várias visitas e conversas com renomados mestres e camaradas da capoeira em Salvador, tivemos gratas surpresas e tres ótimas possibilidades de parcerias e projetos futuros em prol da capoeiragem… uma das mais valiosas parcerias firmadas foi sem dúvida nenhuma a "formalização de um site" dentro do Portal Capoeira, para a Associação Brasileira de Capoeira Angola – ABCA.
 
Esta necessidade foi verificada durante uma conversa que tive com Mestre Boca Rica no Terreiro de Jesus, onde o carismático mestre ficou fascinado com a ideia de poder ter um site próprio na internet… "Milani, poço lhe pedir um favor… faça um site pra mim…" assim disse Mestre Boca Rica…  e nesta hora uma luzinha acendeu e a idealização da construção do site da ABCA e de uma página para cada mestre do concelho… começou a aflorar… Depois foi Mestre Gajé que também gostou da ideia, Mestre Pelé da Bomba e por Último a conversa com Mestre Bola Sete, presidente da ABCA, onde ficou decidido a implementação do Projeto de construção do web site da associação e a presença dos mestres do concelho na internet, através do site da ABCA em Parceria com o Portal Capoeira.
 
Para iniciarmos este projeto estamos contando com a fundamental ajuda da ABCA. Com a participação de Mestre Bola Sete e de seu aluno Eulálio Cohin, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Boca Rica e Mestre Gajé e os demais mestres do concelho.
 
Mestre Bola Sete, Gajé, Boca Rica e El Torito
 
Esperamos que o site da ABCA seja um grande sucesso, e que sirva para esta associação alargar suas fronteiras e propagar seus conhecimentos… e informações. Servindo também como canal de ligação e contato com os mestres do concelho onde cada visitante poderá conhecer um pouco mais sobre cada mestre e entrar em contato diretamente com eles…

* Em breve estaremos publicando alguns trechos de entrevistas gravados com os mestres da ABCA.
Luciano Milani