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O FENÔMENO CAPOEIRA: A Sua Exportação do Brasil Para o Mundo

Prof. Acúrsio Esteves, autor do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento, fará uma abordagem histórica original sobre a exportação do Brasil para o mundo do “fenômeno capoeira”.

Estabelecendo um paralelo entre as “ondas do desenvolvimento humano” – que Alvin Toffler nos coloca em seu Best-seller A Terceira Onda e as “quatro ondas de projeção” internacional da capoeira que lhe serve de argumento, Esteves traça o caminho da capoeiragem das senzalas às universidades, dividindo este trajeto em quatro etapas, chamadas “ondas”, cronologicamente encadeadas, a saber

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!?! Liberdade – Abolição – Escravidão ?!? – 13 de Maio – Uma data para refletir…

No próximo dia 13 de maio o Brasil completa 119 anos de Abolição.
 
Para não deixarmos esta data passar em "branco" e para fomentarmos uma reflexão em torno deste assunto, o Portal Capoeira sugere: 

!?! Liberdade – Abolição – Escravidão ?!?
 
Como tema deste mês.

 
Separamos especialmente para os leitores e visitantes do Portal uma série de textos que abordam a Abolição, a Consciência, a Liberdade e a Escravidão…
 
Fica aqui a dica de boa e proveitosa leitura!!!
 

A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo, Acrobacia e Espetáculo Para Turista “LER”

O Livro: A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo, Acrobacia e Espetáculo Para Turista Ver, escrito por Acúrsio Esteves, colaborador do Portal Capoeira, professor universitário, pesquisador e escritor, será traduzido para o Ingles por Alisa Clements, aluna de Mestre Deraldo e assim por um destes caprichos o Livro A “CAPOEIRA” DA INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO – Corpo, Acrobacia e Espetáculo Para Turista Ver agora também será para TURISTA “LER”…

Alisa Clements é Licenciada em Letras e Filosofia – Paris, França pelo Lycée Fénelon, é Bacharel em Artes – Harvard University, Massachusetts, E. U. A. e tem Mestrado (Meios de Comunicação Interrelacionados) – pelo Massachusetts College of Art, Massachusetts E.U.A. Na capoeira foi iniciada pelo Mestre Deraldo do grupo Capoeira Camará em Boston, com quem treinou durante uns 6 ou 7 anos.  Durante um ano foi aluna do Mestre Beck; Nas suas temporadas em Salvador treinou com Mestre Lua de Bobó e na Casa de Capoeira Mutações.  Neste momento está treinando com o grupo Capoeira Camará Angola em Boston. Antes de empreender este trabalho com o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento, ela já havia participado de outras experiências de cunho cultural com a capoeira como a construção do site http://br.geocities.com/pcamaleao/ e a gravação de um CD em 1998, com os mestres Deraldo, João Grande, João Pequeno, Lua de Bobó e Pelé da Bomba dentre outros, intitulado Roots of Bahia. Neste momento está treinando com o Contramestre Manhoso do grupo Capoeira Camará Angola em Boston.

Sobre o trabalho e a importância de traduzir para o idioma inglês o livro do Prof. Acúrsio nos conta Alisa:
“Quando li o livro de Acúrsio, me veio de imediato a vontade de compartilhá-lo com vários amigos e conhecidos.  Infelizmente, nenhuma dessas pessoas têm conhecimento suficientemente bom da língua portuguesa para poder lê-lo. Sabia que o livro tinha saido recentemente, então tive a idéia de perguntar ao Acúrsio se já existia tradução, e, caso contrário, se ele me permitiria fazê-la. Fiquei muito contente quando respondeu afirmativamente, me confiando este trabalho importante; A tradução tem sido uma colaboração mútua, pois, muitas vezes preciso pedir a ele pra elucidar algum ponto – e assim tenho aprendido ainda mais sobre a matéria.  Acho este um livro necessário, pois é importante todo capoeirista ter uma visão do contexto mais amplo dentro do qual está agindo, e do papel que está desempenhando, conscientemente ou não, dentro deste contexto. 

Este livro é muito importante para o capoeirista estrangeiro, que muitas vezes vem mergulhar numa cultura até então desconhecida com boa vontade, mas também, freqüentemente, com muita ingenuidade.“

Matérias Relacionadas com o livro de Acúrsio Esteves – Para ler clique nos links:

O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNEB/UNIBAHIA e é professor da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento.

Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743
e-mail: acursio@oi.com.br


The book The Entertainment Industry’s “Capoeira“ – Body, Acrobacy and Spectacle for Tourists to See, written by Acúrsio Esteves, one of Portal Capoeira’s collaborators as well as a university professor, researcher and author, will be translated into English by Alisa Clements, a student of Mestre Deraldo’s; and thus the book THE ENTERTAINMENT INDUSTRY’S CAPOEIRA – BODY, ACROBACY AND SPECTACLE FOR TOURISTS TO SEE will also be FOR TOURISTS TO READ.

Alisa Clements graduated from the Lycée Fénelon in Paris France with a degree in Literature and Philosophy, and earned a B.A. from Harvard University and a M.F.A. in Interrelated Media from the Massachusetts College of Art.  She studied capoeira with Mestre Deraldo of the group Capoeira Camará in Boston for six or seven years; she also studied for a year with Mestre Beck.  During her stays in Salvador she has trained with Mestre Lua de Bobó and with the Casa de Capoeira Mutações.  At this time she is taking classes with Contramestre Manhoso of the group Capoeira Camará Angola in Boston.

Before taking up the translation of this book, she had participated in other experiences of cultural import tied to capoeira, such as the construction of the site http://br.geocities.com/pcamaleao/ and the recording of a CD called Roots of Bahia in 1998, featuring mestres Deraldo, João Grande, João Pequeno, Lua de Bobó and Pelé da Bomba, among others.

On the subject of the work and importance of translating Professor Acúrsio’s book, Alisa says: “When I read Acúrsio’s book, I immediately wanted to share it with various friends and acquaintances.  Unfortunately, none of these people have a good enough knowledge of Portuguese to be able to read it.  I knew the book had come out recently, so I decided to ask Acúrsio whether a translation already existed and, in case it did not, whether he would allow me to do it.  The translation has been collaborative, since I have often had to ask him to elucidate some point or other – and in this way I’ve learned even more about the topic.

I believe this is an important book, as it is vital for every capoeirista to have an understanding of the larger context within which s/he is acting, and of the role s/he is playing, consciously or not, within this context.  This book is also very important for the foreign capoeirista, who may plunge into an unknown culture with great goodwill but also, frequently, with considerable naivety.”

Materials related to Acúrsio Esteves’s book – click on the links below:

http://www.portalcapoeira.com/index.php?option=com_content&task=view&id=792&Itemid=301

http://www.portalcapoeira.com/index.php?option=com_content&task=view&id=936&Itemid=301

Professor and researcher Acúrsio Esteves has a degree in Physical Education from UCSal, with a Master’s Degree in the Administration of Organizations from UNEB; he is also a professor attached to the Municipal Ministry of Education and Culture of Salvador.  In addition, he is a lecturer in the colleges Jorge Amado and the FACDELTA in the disciplines of Physical Education and Tourism, respectively.  He is the author of The Pedagogy of Play and The Entertainment Industry’s “Capoeira”.

Roda na Sala de Aula

Cada vez mais se faz presente a nossa arte, dentro e fora das "rodas", no ambiente comum, no ambiente academico, nas ruas, praças palcos, academias e salas de aula, enfim nos 4 cantos do mundo…

Existem vários Mestres e Mestras que tem se aprofundado e se especializado nesta faceta capoeirística academica, como por exemplo mestre Luiz Renato, Mestre Falcão, Mestre Zulu, Mestre Jean Pangolin, Mestra Janja e tantos outros… Existem ainda aqueles "Mestres" que não são capoeiristas, mais que trabalham em prol da capoeiragem e mesmo sem dar um AÚ, mesmo sem soltar um rabo de arraia, estes "Mestres" tem gingado dentro da verdadeira escencia da capoeira, utilizando desta poderosa arma de inclusão, beneficiando e tocando vários cidadãos que frequentam as universidades e salas de aula pelo mundo afora…

Tive a oportunidade de visitar um destes "Mestres" em abril passado e pude participar em uma de suas aulas na Faculdade Jorge Amado, como era de se prever todo capoeirista sempre tem uma carta guardada na manga… e Acúrsio, soteropolitano "malandro" que é, aprontou das suas e me colocou de "saia justa" ou melhor de "calça curta" quando me convidou para participar de um debate em sala de aula com os alunos de seu curso e de uma palestra onde também participaram como convidados de honra, Angelo Augusto Decanio Filho, o Mestre Decanio e Jean Adriano, o Mestre Pangolin. O Tema para esta intervenção foi como é lógico a capoeira, a sua crescente abrangência na internet, as possibilidades e reflexões dentro do contexto da roda virtual e suas possíveis aplicações e responsabilidades, temo como exemplo o Projeto PORTAL CAPOEIRA.

Fiquei muito satisfeito e ao mesmo tempo surpreso pelo convite e pela forma carinhosa que o corpo docente e os alunos da universidade nos receberam e vivenciaram este evento. Outro fato que marcou esta experiência foi a presença dentre os alunos de um elevado número de capoeiristas, de varias faixas etárias. Na primeira palestra – debate, encontrei dentre os alunos um mestre de capoeira que para minha alegria participou de forma exemplar e interessada, cativando minha atenção e ao mesmo tempo servindo de ponte e exemplo aos alunos mais novos. Outra grata surpresa foi ter conhecido uma aluna da faculdade, cria do projeto CAMARADINHA, sob a responsabilidade de mestre Jean Pangolin, que tem como principal objetivo a inclusão social e saber que através deste projeto ela e muitos outros "camaradinhas puderam ter acesso a escola e a educação.

Para terminar gostaria de agradecer o apoio e da oportunidade de todo o corpo docente e dos alunos da Faculdade Jorge Amado, em Salvador, Bahia, pelo carinho, atenção e ao respeito pela capoeira e todas as manifestações agregadas a ela, direta ou indiretamente.

Abaixo deixo a leitura de um texto enviado pelo Professor Acúrsio, que fala mais um pouco desta vasta experiência que carinhosamente estamos apelidando de "RODA NA SALA DE AULA".

Luciano Milani

Mestre Decanio, Mestre Jean Pangolim, Professor Acúrsio Esteves, Milani e Alunos da Faculdade No último dia 31 de julho pela manhã, foi ministrada pelo prof. Acúrsio Esteves uma palestra sobre os aspectos históricos, sociais, educativos e inclusivos da capoeira, nas dependências das Faculdades Integradadas da Bahia – FIB, Salvador. Os alunos foram 15 professoras e professores do ensino médio que lecionam a disciplina Estudos Sociais no estado de Geórgia – EUA. Eles participam de um programa de capacitação sobre o Brasil, estão tendo aulas de português desde janeiro e tiveram um mês de seminário sobre a nossa história.

A organização do evento é do Comitê Pernambuco-Georgia, coordenado pelo prof. Tibério Monteiro do corpo docente da Faculdade de Olinda – FOCCA, Pernambuco. Este intercâmbio é uma iniciativa da Universidade de Pittsburgh, Departamento de Estudos Latino-Americanos, que visa contribuir para o treinamento de professores que querem se familiarizar com a cultura e a história do nordeste brasileiro.

Mestre Decanio, Mestre Jean Pangolim, Professor Acúrsio Esteves, Milani e Alunos da FaculdadeAqui em Salvador, além da manhã de capoeira eles também tiveram a oportunidade de conhecer alguns aspectos da obra de Jorge Amado, que não raro tem a nossa capoeira e outros temas populares como tema. Segundo o prof. Esteves, o grupo apresentou um alto grau de interesse sobre o tema discorrido, que se traduziu em diversas perguntas durante a aula e a aquisição de material bibliográfico específico.

Durante a tarde, acompanhado do capoeira Passarinho, filho do prof. Acúrsio, o grupo foi ao Pelourinho conhecer o Projeto Axé que acolhe crianças em risco social e lhes oferece várias atividades educativas inclusive a arte de Bimba e Pastinha.
 

Acúrsio Esteves: Sobre a “Semana Decanio”

O Mestre Decânio na verdade significa um grande elo entre o passado e o presente da capoeira. Como representante do passado é um dos mestres mais antigos que desfrutou e muito da companhia do Mestre Bimba e é, conforme o depoimento apresentado por Luciano Milani "um dos principais responsáveis pela criação e documentação da Luta Regional Bahiana".

Como representante da atualidade é uma das personalidades da capoeira que tem contribuído de forma significativa e abundante com excelentes publicações sobre diversos aspectos da capoeira, se configurando assim como um dos mestres mais antigos e atuantes do Brasil e do mundo. E o melhor de tudo isso, é que tenho o privilégio de gozar da sua companhia, oportunidade em que partilha comigo os seus vastos conhecimentos sem reservas nem pulo-do-gato.

Na foto estamos Decânio e eu, em momento de "papoeiragem". Este comentário refere-se à "Semana Decânio: Uma Homenagem ao Mestre"


O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu.
Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743 – acursio@oi.com.br, acursio1@terra.com.br

Capoeira X CREF/CONFEF : Um jogo perigoso fora da roda

Neste artigo, o professor Acúrsio Esteves, autor do livro A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, faz uma análise crítica da questão Cref/Confef versus Capoeira.
 
Jornal do Capoeira –
www.capoeira.jex.com.br
Edição AUGUSTO MÁRIO FERREIRA – Mestre GUGA (n.49)
de 13 a 19 de Novembro  de 2005


 
Profº Acúrsio Esteves *
Salvador, BA
 
Uma situação preocupante parte das ações do sistema CREF/CONFEF. Este está exigindo que mestres e professores de capoeira, que já há algum tempo ministram aulas de capoeira em suas academias ou outras instituições, sejam seus afiliados, para que tenham direito a continuar seus trabalhos. Tal procela gerou um impasse, pois os profissionais da capoeira fundamentados na tradição, não querem aceitar este domínio alienígena sobre a sua arte. Pessoalmente, concordando com os capoeiras, acho que a ela deva continuar seu caminho independente de controle ou registro externo. Seria, em minha opinião, o mesmo que os Conselhos de Medicina exigir que as parteiras, para continuarem a exercer suas atividades, tivessem que se filiar a estas entidades.
 
Submetê-la a controle externo, principalmente dentro do contexto que se propõe é esvaziá-la do seu significado simbólico/cultural, é equipará-la a qualquer atividade meramente física como corrida, musculação, ginástica, é roubar-lhe a pujança e a representatividade que possuem os saberes populares. É transformá-la em mero movimento corporal com intenções de condicionamento físico.
Como professor de Educação Física, reconheço a importância de um órgão para regulamentar a profissão, porém, entendo que esta posição tomada pelo CREF/CONFEF é uma ação corporativa perpetrada contra a capoeira e representa espúrias pretensões comerciais de reserva de mercado. Paralelamente, reflete e tenta repetir a dominação secular das classes dominantes sobre o povo, se apropriando dos seus saberes construídos coletivamente expressos sob forma de cultura popular, folclore, religião, gastronomia ou de qualquer outra natureza interferindo nelas forma ostensiva, negativa, deflagrando o início do seu processo de enfraquecimento,  quiçá aniquilamento.
 
De forma subjacente, esta atitude corporativa contempla uma ação que de forma indevida expõe todos os profissionais de Educação Física às duras críticas dos setores acadêmicos e culturais comprometidos com as raízes da cultura popular. A pretensão de se criar uma reserva de mercado se apropriando de uma clientela formada com muito trabalho, perseverança e sacrifício por outras categorias de trabalhadores é antiética, imoral e configura uma apropriação indébita sob o beneplácito da lei.     
Quanto aos profissionais da capoeira, afirmo que a categoria deve estar permanentemente mobilizada para garantir a sua autonomia antes que ela se transforme em um simples apêndice da Educação Física. A sua principal frente de luta deverá ser a de preservar não só a autonomia dos profissionais que tem atuado historicamente, como principalmente, os que agora estão iniciando e os que virão. Entendemos que esta atitude pretendida pelos "senhores do movimento" pretende criar privilégios para uma determinada categoria profissional sobre um patrimônio cultural que pertence ao povo.
 
Esta autonomia foi conseguida após muito sacrifício durante séculos por parte de mestre, alunos, simpatizantes e intelectuais que travaram árduas batalhas para fugir às perseguições policiais, políticas e preconceituosas por parte de setores conservadores da sociedade. Estes mesmos setores agora querem de novo dominá-la através de dispositivos legais, por intermédio de parlamentares que representam a elite e o grande capital. Entendemos que a cultura e o trabalhador devam ser protegidos pelo estado e não por ele perseguidos e controlados, aliás, é o que determina a lei.
 
 

* O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, de onde foi retirado este fragmento de capítulo.
 
**  Ilustração: www.correiodabahia.com.br
 
Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743 – acursio@oi.com.br