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Capoeira também ajuda na melhoria das notas

Esporte, aliado à escola, tem transformado o aprendizado das crianças e adolescentes em Itaitinga


A capoeira e a educação estão unidas em um projeto social que visa a transformação de vidas de crianças de quatro a 15 anos em Caracanga, distrito de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Todos os sábados, um grupo de 40 meninos e meninas se reúne no pátio ao lado do Bar do Lula ou na sombra de um cajueiro em terreno vizinho para o treino com os instrutores do projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”.

O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto

Além de aprender os golpes que mais gosta – uau e meia lua de frente com armadura -, Marcos Levi Vieira Cavalcante, 12, melhorou as notas na escola. A mãe dele, Leila Maria Pires Cavalcante, conta que Marcos e seu irmão, João Marcos, 5, estão mais atentos e responsáveis e são incentivados a obedecer em casa e na escola pelo tio da capoeira, Franco Costa e Silva.

“A capoeira mudou a minha vida. Aprendi a jogar. Aumentou o meu físico e me ensinou a sorrir mais”, afirma Marcos Levi. A mãe dele diz que o filho gosta do tio Franco, que lhe ensina a ter zelo pela escola, a fazer as tarefas, a se comportar bem nas aulas e ainda empresta o berimbau para tocar em casa. “Tudo nesse mundo gira em torno da união”, disse ela com relação à integração do projeto social com a escola. “A gente só tem de agradecer por esse projeto, porque antes não tinha nada de lazer para as crianças. A violência, roubo e drogas estão até no interior”, lembra.

O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto. O Cecab mantem no bairro Serrinha, em Fortaleza, outro projeto com capoeira, educação e crianças, que gerou a tecnologia social transposta para a realidade rural de Itaitinga.

O trabalho em Caracanga desenvolveu a confiança da comunidade no projeto. “Os adultos foram cativados pelas crianças” conta Sérvulo Pimentel, que coordena a iniciativa e deu a ideia para a criação da Associação de Moradores de Caracanga com objetivo de ter mais força na defesa dos interesses comuns. A presidente da Associação, Valéria Oliveira Gomes Sousa, afirma que o projeto não é só capoeira, mas a educação das crianças, com aulas de flauta e ensino de caligrafia. Os instrutores acompanham o comportamento das crianças e querem saber do boletim escolar, ela destaca.

Frequentar a escola é condição para participar da capoeira. O projeto trouxe também cursos de artesanato para as mães, informa a presidente da Associação. Segundo Valéria Sousa, o próximo passo é concluir a cobertura da sede da Associação em janeiro, que já tem as telhas e espera conseguir a madeira com o resultado de bingo que vai sortear uma cama-box, fruto de doação. O projeto social tem o apoio da diretora da escola local e do núcleo Flor Divina do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), do qual o benefício à comunidade do entorno da unidade se originou, informa.

Um exemplo da integração acontece em março na realização do Dia do Bem pela UDV com atividades beneficentes realizadas na Escola de Ensino Fundamental Manuel Rodrigues de Paiva, conta Iris Cleide Lopes, a diretora da unidade na Caracanga. “A parceria com o projeto da capoeira é muito importante para a escola. Trabalhamos comportamento e respeito, e o tio Franco cobra dos meninos os mesmos valores”, ela afirma.

“Respeito ao próximo, a pai e mãe, isso se perdeu no meio do caminho”, lamenta a diretora. Segundo Iris Lopes, a escola hoje está fazendo o papel da família porque a maioria dos pais está se omitindo.

Edjane Damasceno de Lima, mãe de outro aluno da capoeira, Caio Damasceno de Sousa, 9, observa que a participação do filho no projeto influenciou no comportamento, no sentido de ficar mais atento na escola e melhorou as notas. O menino arranjou mais amizades, tornando-se mais responsável pelas atividades de casa, da escola e da capoeira. Agora, quando recebe alguma coisa, o filho agradece, ela diz, como exemplo.

Luciano Júnior Cavalcante, 11, resume em uma frase a sua opinião sobre o projeto social de que participa: “amo a capoeira”. A mãe dele, Aparecida de Souza Lima, assinala que os instrutores da capoeira demonstram compromisso porque vem todo sábado para os treinos, sem cobrar nada, com toda boa vontade. “Eles ajudam na educação, conversam muito sobre a escola e acompanham as notas e ensinam muitas coisas de uma maneira complementar ao que é ensinado na escola”.

No Dia da Criança, Elenira Oliveira do Carmo, mãe de Carlos Henrique do Carmo, 15, prestigiou a troca de corda do filho, agora branca e laranja, um grau a mais no aprendizado da capoeira. Filmou o momento com o celular. O filho mostrou habilidade na roda de capoeira. A solenidade incluiu batizado das crianças pequenas. “Aprendi a me comunicar, arranjar amizades boas e a tocar flauta. Não fico mais andando na rua”, disse.

Carlos Henrique disse que quer chegar a contramestre ou mestre na capoeira. A participação na arte marcial criada pelos negros escravos no Brasil, segundo ele, ajudou a melhorar as suas notas na escola e influi na sua educação como pessoa, testemunha. Circe Shara, 10, que também recebeu a corda branca e laranja, diz que estar na capoeira é muito melhor do que ficar no meio da rua brincando, com risco de acidente.

“Minha letra era horrível, agora está tão bonita”, declara Circe Shara sobre o resultado da prática de caligrafia. A aluna conta que aprendeu a tocar flauta e quer ser veterinária. Segundo ela, a capoeira incentiva para o estudo, ao qual dedica duas horas em casa, todo dia. Participar do projeto ajudou a tirar 10 na prova de história e geografia com o que aprendeu sobre a capoeira e a escravidão no Brasil. A atividade ajuda ainda na sociabilidade. “Conheci muitas amigas. Pessoas que via, mas não falava, por vergonha”, ela relata.

Encantamento

“Acreditamos na pedagogia do encantamento defendida por Paulo Freire que afirma ser necessário sentir para aprender”, diz o mestre Ratto ao explicar o projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”. Segundo ele, a implantação do trabalho em Caracanga vem propor a utilização da capoeira como instrumento de sensibilização para a educação infanto-juvenil, despertando os jovens para a importância da escola e do estudo na formação do cidadão.

No Dia da Criança, antes do batizado e troca de faixas, Ratto reuniu as mães dos alunos para conversar sobre a importância da atividade que os filhos desenvolvem aos sábados. No encontro, propôs alguns exercícios corporais acompanhados pelas mães. Ao final, convidou quem queria participar de uma aula numa turma de mães.

É possível apresentar aos jovens os conhecimentos da arte da capoeira e também introduzir novos conceitos e ideia, sensibilizando-os para outras áreas do saber, sobretudo o conteúdo escolar, explicou o mestre Ratto.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com

 

APAE: Capoeira promove a inclusão social

Há 12 anos o professor Josimar percorre escolas e instituições de alunos especiais para ensinar a técnica da capoeira. “Eu queria fazer algo novo e me ofereci como voluntário na Apae. Eu nem tinha formação na época”, conta.

O trabalho voluntário o encorajou a procurar especialização na prática. “Eu me encantei com a resposta, dedicação e alegria dos alunos. Decidi investir toda minha vida nisso”, relata o professor, que hoje tem formação como neuropsicopedagogo. “Você precisa de várias ferramentas para fundamentar o atendimento”.

O próximo projeto de Josimar é lançar um livro sobre a fundamentação da capoeira inclusiva, a partir de todas as suas experiências ao longo dos anos. “Não basta oferecer capoeira, é preciso ter percepção profissional para entender onde está a necessidade de cada aluno, e qual o remédio da capoeira”, afirma.

 

PROGRAMAÇÃO


O Festival Arte Capoeira e Capoeira Inclusiva é aberto a toda comunidade e não é necessário fazer inscrição. “É só chegar. Estudantes, acadêmicos, a sociedade civil, familiares, amigos. Quanto mais gente, melhor”, brinca Josimar.

O evento também irá atender os alunos especiais de instituições como a Sociedade Educacional Juliano Fernandes Varela e a Escola Clínica Raios de Luz.

O professor Josimar destaca a participação de professores de capoeira de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, às 18h15min, haverá o Festival de Cantigas “Essa Capoeira é Pra Quem Vê”. “Os alunos cegos transcreveram músicas para o braile, irão discutir o conteúdo das letras e depois cantar”, explica Josimar.

Às 19h, o professor irá fazer a Entrega de Graduação para as crianças, adolescentes e adultos especiais. “É o momento mais importante”, afirma. “Eles irão receber a primeira gradução por mérito de todo o trabalho que fizeram e de tudo o que aprenderam”.

 

http://www.correiodoestado.com.br

Professor divulga revista Educação em Debate e seu trabalho sobre capoeira

O professor José Geraldo Vasconcelos, conhecido nas rodas de capoeira como “Bob”, visitou a redação do Portal AZ na manhã desta quarta-feira (13) para divulgar a coletânea “Educação em Debate”, que se trava na verdade de uma revista do programa de pós-graduação em educação brasileira.

O lançamento da Revista Educação em Debate integra a programação do II Congresso Internacional de História e Patrimônio Cultural na Universidade Federal do Piauí (UFPI). E contará com a presença dos autores piauienses, e acontece hoje (13/10) de outubro de 2010 a partir das 18h no Espaço de Convivência do Congresso que será montado no CCHL da UFPI

decisivamente no processo de formação de forma positiva bem como amplia a capacidade crítica dos alunos. “A compreensão sobre a educação ampliou, hoje não é somente resumido às escolas, como a capacitação de professores. Hoje a educação é mais ampla, multicultural, multidimensional. Nesta revista a gente vê trabalhos sobre poesias, mulher, sexualidade, política, estudos culturais, movimentos sociais e também sobre o nosso tema, que é a capoeira. Este foi um projeto de tese que eu fiz. Sou mestre de capoeira e sempre me interessou em fazer a articulação da capoeira como fenômeno sócio cultural”, relata.

Bob afirma ainda que começou a estudar a capoeira como uma cultura e a fazer um apanhado de como ela aparecia nos livros de história. “Isso tudo dá uma visibilidade sócio-cultural à capoeira. Estudei a sua contribuição para a educação. As primeiras impressões são de que ela aproxima o aluno da escola, estimula, ajuda no aprendizado, e dá uma visão diferenciada sobre a história do Brasil. A mente da criança se abre muito mais, e ajuda a pensar de crítica. A capoeira dentro da escola ajuda a dar outra visão de mundo”, complementa.

O professor Bob disse que a “Revista Educação em Debate” teve avaliação 4 pela CAPS.
A Revista Educação em Debate surgiu há 35 anos na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará com o objetivo de divulgar a produção de alunos e professores dos cursos de Mestrado e Doutorado daquela faculdade, mas com o passar dos anos assumiu tal importância no meio acadêmico que adquiriu também a função de publicar textos que retratam o cotidiano e experiências educacionais de outros estados brasileiros.

O último número da Revista traz cinco artigos de professores piauienses: Shara Jane Costa Adad (UFPI), Cassandra Franco (ICF), Vivian de Aquino Brandim (SEDUC-PI) e Cleto Sandys (FAP-Parnaíba).

A professora Cassandra Franco afirma que “foi uma oportunidade inigualável ter seu texto selecionado para publicação, até porque a sua escrita contemplou uma das inovações do currículo do curso de Serviço Social piauiense que é a inclusão de disciplinas de Gerontologia Social, em geral, restritas a cursos de especialização. E que esta inovação faz o diferencial dos nossos futuros assistentes sociais que saem da faculdade já sabendo como agir diante das demandas apresentadas pelos idosos que é o grupo que mais cresce dentro da população brasileira nos últimos anos.”

E, finalizando, a professora Vivian de Aquino Brandim afirma que “em seu texto busca mostrar como a lei que introduziu o ensino de história e cultura afro-brasileiras no cotidiano da educação básica gerou transformações no ensino e que, por isto professores de todas as áreas de conhecimento, mas especialmente da disciplina História, têm de procurar se integrar a nova realidade educacional através da formação continuada autônoma e, também, por meio dos cursos oferecidos pelas órgãos gestores da educação.”

Jundiaí: História de vida em roda de capoeira

Um dos capoeiristas mais respeitados da cidade, que fez história nos EUA, mestre Rã demonstra paixão e envolvimento com o esporte

A correria da rua do Retiro esconde um recanto de paz e espiritualidade. O ritmo agitado de pessoas pela rua é bem marcado pelo berimbau e pandeiro da Academia de Capoeira do Mestre Rã, um dos maiores nomes do esporte na cidade.

O jundiaiense  é referência na capoeira nacional e internacional, sendo professor nos Estados Unidos.

A história de Cássio Martinho, o nome de batismo do mestre, com a capoeira começou logo cedo. Aos 14 anos, quando ele e mais dois amigos, um deles capoeirista, resolveram fugir de casa.

“O objetivo era ir para o Acre para virar índio. Nós éramos contra o sistema”, conta o mestre, que não chegou ao estado do Norte – o seu máximo foi morar na Bahia.

A ‘loucura’ durou poucos meses, depois voltou para Jundiaí, mas o amor pela capoeira já tinha tomado conta do jovem. “Gostava muito de assistir as rodas de capoeira.”

De volta à terrinha jundiaiense, mestre Rã conheceu o seu mentor e um dos ícones do esporte na cidade, o mestre Galo, fundador da primeira academia de capoeira de Jundiaí.

“Ele me atraiu pelas suas atitudes”, afirma.

Entretanto, mestre Rã não apreciava a prática da capoeria dentro das academias. “Eu achava que era coisa de homens frouxos”, lembra.

Com o passar dos anos, mestre Rã foi crescendo no esporte e foi dar aulas junto com o seu mentor. “Ele era um cara das ruas, como eu. Me ensinou várias coisas”, recorda.

APELIDO/ Se falarmos Cássio Martinho, pouca gente deve conhecer, no entanto mestre Rã tem muita história para contar. Esse apelido ele ganhou de mestre Galo no dia em foi batizado em uma cerimônia no Grêmio. Ele lembra que naquela noite estava muito nervoso e ansioso para sua luta.

“Minha estreia foi bem marcante. Eu entrei na roda pulando e dando piruetas. E o pessoal na hora começou a tirar sarro falando que eu parecia uma rã. Aí o apelido pegou”, brinca.

Saltando de lá para cá, Mestre Rã chegou até aos Estados Unidos, onde coordena cursos e participa de eventos de batismo de outros capoeiristas. A princípio ele iria ficar só três semanas no exterior, mas fez seu nome em 17 anos lá fora.

Quem é e o que faz:
Nome_ Cássio Martinho
Idade_ 51 anos
Profissão_ mestre de capoeira
Clubes_ Academia de Capoeira do Mestre Rã

Capoeira toma conta  dos Estados Unidos
A vida do mestre Rã começou a tomar rumos diferentes em 1988, quando o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro o chamou para ministrar um curso sobre o esporte nos Estados Unidos.

A princípio, Mestre Rã iria ficar fora do país somente por três semanas. “Esse era o meu pensamento. Dar as aulas e voltar”, lembra.

Mas não foi bem assim que aconteceu. “No final fiquei mais de 17 anos.”

Nos Estados Unidos, Mestre Rã – antes de se tornar um famoso capoeirista -, fez de tudo um pouco. Trabalhou em diversos setores muito diferentes do esporte. “Fiz trabalhos de turista mesmo”, lembra.

Como em uma roda de capoeira em que se cai e levanta, mestre Rã conheceu um outro capoeirista, o mestre Arcodeon, com quem fez grande parceria e difundiu o esporte em solo americano.

“Nós fazíamos um espetáculo legal, com danças tipicamente brasileiras”, diz.

E nos arcordes do berimbau a capoeira se espalhava pelos Estados Unidos e mestre Rã, acostumado a formar professores, estava jogando a capoeira com um pouco mais de sotaque, mas sem perder a ginga de um bom brasileiro.

“Os americanos têm ginga, isso é mito. Só falta um pouco da malandragem”, afirma.

O sucesso do esporte africano foi enorme. Mestre Rã ajudou a fundar várias academias de capoeira pelo país, em diversos estados e  cidades importantes.

“Eu vou umas cinco vezes por ano para os Estados Unidos, para os batizados”, diz o mestre que já tem passagem comprada para dezembro deste ano.

“Vou ver o pessoal de Miami, eles têm uma academia linda”, diz o professor, que também promoveu o intercâmbio entre as culturas. “Uma vez eu trouxe para cá 78 capoeiristas americanos”, conta.

 

Projeto Social

De volta ao Brasil em 2005, mestre Rã também usa a sua academia na rua do Retiro para promover ações sociais com crianças carentes de Jundiaí.

“Eu uso a capoeira como formação do caráter da pessoa. Esse é um dos objetivos do esporte”, afirma.

Ao todo, ele auxilia mais de 60 crianças de vários bairros da periferia  e percebe o desenvolvimento dos jovens.

“Dá para ver que a criança se esforça e consegue fazer os movimentos. Isso é muito legal”, afirma. Para o trabalho, o mestre conta com a ajuda de voluntários.

Mestre Rã aproveita também para cobrar uma ajuda da prefeitura nesse projeto social. “A prefeitura poderia ao menos dar o transporte. Isso já ajudaria muito”, afirma.

Mestre Rã está dividido entre os seus alunos e sua filha Joana Idalina, de seis meses. Segundo ele, a filha já tem a capoeira no sangue. “Trago ela em todas as aulas, ela gosta muito do clima”, afirma. A pequena Joana, desde cedo, está se acostumando com os instrumentos típicos da capoeira, como o berimbau e o pandeiro.

“Quando o berimbau para de tocar ela chora”, comemora o pai.

Capoeirista curitibano é convocado para mundial na Coréia do Sul

O capoeirista João Otávio Xavier, de Curitiba, vai integrar a delegação brasileira no Mundial de Artes Marciais e Culturais, na Coréia do Sul, em dezembro. João Otávio, 18 anos, treina capoeira graças a um projeto da Fundação de Ação Social (FAS), no Cajuru.

“Sempre tive vontade de fazer capoeira, mas minha família não tinha condições de pagar a mensalidade”, diz João Otávio. “Minha oportunidade surgiu quando a FAS levou o projeto para o meu bairro. Agora vou representar o Brasil no outro lado do mundo”

João Otávio garantiu sua vaga no mundial ao ganhar medalha de ouro no 12.º Campeonato Brasileiro de Capoeira, que foi disputado no início de setembro, em Goiânia. Ele foi campeão na categoria aspirante juvenil.

De origem humilde, o adolescente precisou superar dificuldades além das competições de capoeira para garantir sua vaga. Após sete anos de muita dedicação a jovem revelação começa a colher os frutos de seus esforços.

A capoeira não representou apenas uma oportunidade esportiva para João, mas uma nova forma de enxergar o mundo. “Ter acesso às aulas mudaram minha vida pra melhor. Antes eu era bastante encrenqueiro, mas com a capoeira, a gente muda e passa a contemplar uma nova filosofia, a de exercícios e disciplina”, afirma.

Oito jovens atendidos pela FAS disputaram o Brasileiro de Capoeira e por muito pouco João não ganhou a companhia de alguns de seus amigos na viagem à Coréia.

Poliana Gonçalves Leite e Daniele Gonçalves Garcia, de 15 anos, terminaram na segunda posição em suas categorias. Jéferson Juarez da Silva, de 17 anos, e Priscila Jeanine Gonçalves Leite, de 16 anos, terminaram na terceira colocação, contribuindo para que o Paraná alcançasse o terceiro lugar no quadro geral de medalhas.

“João e os outros conseguiram bons resultados graças a sua própria determinação. Eles realmente entraram no espírito das aulas e do programa, desenvolvendo suas habilidades e percebendo a importância da dedicação e da disciplina”, afirma o instrutor Saulo Fábio Gomes, que ensina capoeira no Centro da Juventude Iniciativa Jovem do CRAS Iguaçu, unidade da FAS na Vila São Domingos, no Cajuru.

“Estes jovens encontraram na capoeira a possibilidade de crescimento pessoal, que envolve uma melhora significativa no contexto social e familiar”, afirma a presidente da FAS,Fernanda Richa.

Jéferson Juarez da Silva, que desde 2005 participa de atividades socioeducativas promovidas, pela FAS, tem opinião semelhante. “Antes eu vivia na rua, não me dava bem com minha família e não frequentava a escola”, diz. “Depois que comecei a fazer as atividades, eu percebi o que estava fazendo de errado e que aquela vida de rebeldia não ia me levar a lugar nenhum”.

Fonte: http://www.parana-online.com.br

Capoeira de luto pelo Mestre Negrito

Morreu no último sábado, 04 de julho, em acidente na estrada que liga Sete Lagoas a Fortuna de Minas, Márcio Antônio Fernandes, 47 anos, mais conhecido como Negrito. Deixou um legado que nem mesmo a morte pode apagar. Sua história de vida se tornou um grande exemplo a todos aqueles que conviveram com o capoeirista e tiveram o privilégio de conhecê-lo bem. Durante quase trinta anos, Mestre Negrito vivenciou a capoeira como poucos e transmitiu a verdadeira essência da arte àqueles que encontravam-se ao seu redor.

Segundo a terminologia, Mestre é todo o indivíduo que adquire um conhecimento especializado sobre determinada área do conhecimento humano. Apesar do título, poucas pessoas conseguem extrapolar o real sentido do termo. Dentre os raros exemplos, podemos citar o caso de Márcio Antônio Fernandes, 47 anos, mais conhecido como Mestre Negrito. Falecido no último sábado, 04 de julho, em um acidente na estrada que liga Sete Lagoas à Fortuna de Minas, Negrito deixou um legado que nem mesmo a morte pode apagar. Sua história de vida se tornou um grande exemplo a todos aqueles que conviveram com o capoeirista e tiveram o privilégio de conhecê-lo bem. Durante quase trinta anos, Mestre Negrito vivenciou a capoeira como poucos e transmitiu a verdadeira essência da arte àqueles que encontravam-se ao seu redor.

A capoeira entrou em sua vida no início dos anos 80, quando Negrito começou a aprender a arte na Escola Berimbau de Ouro, época em que a academia foi fundada pelo Mestre Marreta. Em 1989, o dedicado aluno se formou, recebendo o título de professor. De lá para cá, Negrito começou a ministrar aulas em diversas entidades locais. Vários jovens aprenderam mais do que passos da capoeira com Mestre Negrito, aprenderam, acima de tudo, exemplos de conduta e formação ética. E não foram poucas as pessoas que participaram de suas aulas. Alunos dos Colégios Caetano, Dom Silvério, Cenecista e SERPAF (Serviço de Proteção ao Menor e à Família), além de jovens do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), SESI (Serviço Social da Indústria) e de diversos outros núcleos, como os das cidades de Papagaio, Pompéu, Três Marias, Fortuna de Minas, Cachoeira da Prata, dentre outras, também cresceram ouvindo as lições de Negrito.

Em 1996, Mestre Negrito estabeleceu uma parceria com o SESC (Serviço Social do Comércio) e iniciou suas aulas no local. Nessa época, Negrito fundou a Escola de Capoeira Grupo Ogum. Claudete Simone Guimarães, diretora da entidade, lembra que Negrito ajudou a divulgar e desmistificar a arte da capoeira na cidade. Para ela, antes de qualquer coisa, Negrito era um legítimo educador, que deixou lições de humildade e coragem. “O Negrito tinha um laço de amizade muito forte com seus alunos. Meus três filhos tiveram aulas de capoeira com ele e aprenderam muito no período. A preocupação com os jovens também continuava após o período de aula. Além disso, sua coragem é um grande exemplo a todos. Ele enfrentou todas as dificuldades por amor à capoeira e nos deixou uma lição a ser seguida. Hoje, há uma lacuna, pois, além de ótimo profissional, Negrito era um grande amigo de todas as horas”, afirma Simone.

Negrito sempre dizia: “Capoeira não é somente jogar as pernas para o ar. Para ser um grande capoeirista é preciso conhecer a abrangência de representações que o termo envolve, como a arte, a dança, casos do maculelê e samba de roda, o folclore e seus personagens e a união entre povos que a arte da capoeira causou”. Mestre Negrito também era contra qualquer forma de violência, fosse ela verbal, física ou comportamental. “A luta está presente na capoeira e fez parte do processo de libertação dos negros, entretanto, o respeito pelo outro é importante e sempre deve prevalecer à violência”, afirmava o Mestre. Suas lições atraíam pessoas de todas as idades, credos e classes sociais. O conhecimento de Mestre Negrito era transmitido a gerações diferentes de muitas famílias. Os pais, ex-alunos do professor, levavam os filhos para as aulas de capoeira com o Mestre. Negrito também gostava de pagode, samba de roda, maculelê e dos aulões e rodas de capoeira que participava. Ele, inclusive, era conhecido por alguns como Negritinho do repilique, por ser um dos exímios tocadores do instrumento. Negrito também tinha grande facilidade de tocar atabaque, pandeiro e berimbau. O conhecimento foi passado aos alunos.

Durante toda a sua vida, o professor foi conhecido por sua educação, paciência e tranqüilidade. Ele valorizava muito a família e fazia questão de ajudar a todos. Negrito sempre foi um grande exemplo para os familiares. Para ele, a família ia muito além dos laços de sangue. “O que mais chamava a atenção dos alunos era a forma como ele conduzia seu trabalho. Ele dizia que nós éramos uma família. Sempre que chegava um novo aluno, Negrito dizia: ‘você está entrando para uma família de capoeiristas’. Em suas aulas, Mestre Negrito trabalhava com a verdadeira essência da capoeira, enquanto arte, folclore, dança, luta, jogo, terapia, união, força. Seu objetivo maior era formar cidadãos”, afirma Luís Carlos da Costa, conhecido como Sombra, ex-aluno e amigo de Negrito.

Para André Luís Gomes da Silva, o Cascudo, ex-aluno de Mestre Negrito, a convivência com Negrito ajudou a superar uma fase conturbada da vida. “Ele me ajudou muito durante a adolescência, sempre ensinando o que era correto. Mestre Negrito era como um segundo pai para mim. Além do respeito que tínhamos por ele como professor, como mestre, também tínhamos o respeito pelo amigo, porque éramos muito unidos”, afirma Cascudo. Segundo alunos, durante as aulas do Mestre Negrito a seriedade e disciplina devia prevalecer. Porém, ao fim dos encontros, Negrito era um homem expansivo e brincalhão. Seu grande carisma contagiava a todos. Para Luciano Fernandes Pereira, o Lobo, Mestre Negrito deu um verdadeiro exemplo de amor à profissão. “Negrito era um educador através da capoeira. Ele dizia que não devíamos levar a vida para a capoeira, mas a capoeira para a nossa vida. Ele sempre fez questão de desenvolver um trabalho bem feito, tanto que dedicou sua vida à capoeira. Ele viveu da arte e abriu mão de desempenhar funções em outros segmentos. Tudo para realizar um serviço de boa qualidade”, afirma o amigo e ex-aluno.

As lições do professor ultrapassaram fronteiras e foram transmitidas a pessoas de diversos países, como França, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, dentre outros. “O Mestre Negrito deixou uma legião de fãs, não só em Sete Lagoas , mas em diversas regiões do estado e em outros países. Ele foi uma pessoa que vivenciou a capoeira de uma maneira diferente. Talvez, Negrito seja o único capoeirista da cidade que teve amizade e influência nos mais variados grupos de Sete Lagoas, desde a época da capoeira de rua até hoje (época das academias). Ele é um dos poucos que passou por essas etapas sendo respeitado por todos, desde os mais velhos até os mais novos”, afirma o amigo Sombra.

Apesar do fim prematuro, Mestre Negrito deixa uma vasta herança cultural. Negrito foi um agente que transmitiu e divulgou como poucos as diversas formas de representação dos afro descendentes no país. Talvez, sua história esteja associada ao orixá que deu nome ao grupo de capoeira fundado por ele. Ogum, o orixá ferreiro na mitologia yorubá, forjava suas próprias ferramentas e foi considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu) para o Aiye (a Terra). Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa “afundar na terra e não morrer”. No caso do Mestre Negrito não foi diferente. Ele forjou suas armas para lutar pelos excluídos e por aquilo que mais amava, a capoeira, e deixou um legado cravado no coração dos que viveram à sua volta, como uma chama que jamais há de se apagar. Quem sabe, por um capricho, Olorun, o Deus supremo, estivesse procurando um guerreiro de verdade em Aiye (Terra), para compensar a falta que Ogum fazia em seu Orun (céu). Neste caso, Olorun escolheu o homem certo.

Paulo Henrique de Souza
Paulinho do Boi

Falar do Mestre Negrito é fácil devido sua fantástica obra, difícil é explicar sua partida prematura. Ao longo de nossa convivência vimos que o exercício de seu professorado, na arte da capoeira, trazia para os alunos um estreitamento de sabedoria paterna aliado à convivência respeitosa colocada pela sutileza de seus exemplos. Assim, a condução de suas ações o fazia mestre em todos os sentidos. As atitudes em prol do outro edificava e ainda edifica, em nossa alma, uma obra inesquecível e inimaginável a serviço do bem. Só quem experimentou esse espaço pequeno da vida do Mestre Negrito, sabe que o exercício do amor exigente foi a condução de sua filosofia de vida. Para nós, colegas de causa, colegas de trabalho, amigos de ações, alunos e professores fica a responsabilidade de continuar sua obra nos corações de todos que pudermos contagiar com a filosofia que ele plantou em nossos espíritos. A grande obra do Mestre Negrito foi, sem dúvida, a obra que ele construiu em nossas mentes. Sete Lagoas perdeu um heroi que agia em silêncio em prol de uma justiça social perfeita.

Missa de 7º Dia
Dia: Sexta-feira, 10 de julho
Local: Igreja de Santa Luzia e Igreja de Nossa Senhora das Graças
Horário: 19h

Dante Xavier
Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Sete Lagoas

Mongaguá: Inscrições para capoeira gratuita estão abertas

Moradores de Mongaguá que têm interesse em aprender a arte da capoeira podem se inscrever no ginásio de esportes Jacozão, à Avenida São Paulo, 1.800, no Centro.

As aulas, ministradas pelo capoeirista Aloísio Leonel, com mais de vinte anos de experiência, terão início em 13 de junho e acontecerão todos os sábados, das 16h30 às 19 horas, no ginásio.

Podem se matricular crianças a partir de cinco anos de idade. “Também teremos espaço para a terceira idade”, afirma Leonel, conhecido no Município como Capoeira.

Brasilia: Capoterapia ajuda no equilíbrio

O som do berimbau é o sinal de que a aula vai começar. As palmas dos alunos revelam a motivação para o que vem a seguir. Em pouco tempo, todos já estão de pé, prontos para formar um círculo e fazer, durante cerca de 40 minutos, os exercícios da capoterapia. Criada por Gilvan Alves, subsecretário de Cultura de Taguatinga, a terapia adapta movimentos da capoeira para os alunos do curso, todos deficientes visuais.
Há cerca de dois meses, a aula é realizada às quintas-feiras, na Biblioteca Braile de Taguatinga, próxima à Praça do Relógio. Alongamento, música e canto fazem parte das atividades propostas pelo Mestre Gilvan, como é chamado pelos alunos. Todos os exercícios remetem a atividades corriqueiras, como lavar roupas e estender as peças no varal. “A terapia não exige tecnicamente os movimentos da capoeira”, afirma o criador da modalidade. Mas são suficientes para alegrar os alunos que participam da dança.
“A dificuldade do deficiente visual para fazer atividade física é muito grande”, afirma Rosilene Caires, aluna de capoterapia. Ela conta que os exercícios que aprendeu ajudaram a dar mais equilíbrio ao corpo. Desde que as aulas começaram, Rosilene não perdeu uma sequer. A animação da aluna pode ser percebida em poucos minutos: após o alongamento inicial, ela já coloca os sapatos de lado e se concentra nos exercícios seguintes.
 
“Além de melhorar o desempenho físico, é uma família que a gente ganha”, afirma Nelci Maria Mota, integrante do grupo da terceira idade que também tem aulas de capoterapia. No final da aula, o mestre recita um pequeno texto sobre a importância do abraço: “Abraçar rejuvenesce, não tem efeitos colaterais indesejáveis e é um remédio milagroso”. A aula de termina com um longo abraço entre os alunos.
 
 
Fonte: Tribuna do Brasil – http://www.tribunadobrasil.com.br
Data: 27 de abril de 2007

DF – Mestre Gilvan & Censo Cultural 2007

TAGUATINGA FAZ O CENSO CULTURAL
 
A Divisão Regional de Cultura de Taguatinga (DRC/RAIII), inicia apartir do dia 12/02 a primeira fase do Censo Cultural de 2007, que tem como objetivo fazer um mapeamento de quem trabalha com a cultura no Distrito Federal e entorno, nesta fase estarão sendo cadastrados artistas plásticos, atores, dançarinos, músicos, compositores, poetas, escritores, artesãos, designer, cartunistas, artistas gráficos e quem trabalham com vídeos.
 
Após a primeira fase, mais duas etapas estão previstas, estas com o objetivo de mapear 1º – “Quais as instituições e empresas que incentivam a cultura no DF”, 2º- “Quais são os fornecedores de insumos para o mercado Cultural”, ainda sem data prevista e 3º – A volta da implantação dos Projetos: “Empresa Amiga da Cultura” e “Despertar da Arte”.
 
A DRC de Taguatinga quer saber quem trabalha com cultura no DF, quem incentiva e quem oferece produtos e serviços a esses artistas afirma o novo Diretor de Cultura Gilvan Alves de Andrade – Mestre Gilvan, as informações do Censo Cultural assim como outras informações farão parte de um grande banco de informações culturais que ficará a disposição do público em geral.
 
Para fazerem parte do Censo Cultural os artistas devem procurar a DRC, Área Especial Central, Praça do Relógio de Taguatinga.
Telefone: 3451-2571/99622511
 
“Cultura é um bom negócio”

Ribeirão Preto: Capoeira na escola

Conforme já havíamos publicado em matérias anteriores é cada vez mais notório o processo de institucionalização da capoeira dentro do ambito educacional "formal". Na matéria da Gazeta de Ribeirão (é tambem cada vez mais visível notícias e matérias sobre a capoeiragem nos meios de comunicação formais) podemos observar uma exaltação ao processo de inclusão da capoeira nos estabelecimentos de ensino e em contrapartida uma crítica pelas exigencias curriculares para os capoeiristas-educadores. O que vale ressaltar é que este movimento vem crecendo a cada dia e ganhando força…
Podemos até refletir sobre um "terceiro" momento dentro da história da capoeira, no que diz respeito a sua posição, localidade de sua pratica: Rua, praças e terreiros – Academias – Instituições de ensino formais.
 
Nós do Portal esperamos um dia poder ver a capoeira como matéria curricular do ensino Brasileiro.
 
* Na foto Alunos da Universidade de Lisboa, Portugal em Aula de Capoeira.
Luciano Milani


 
Luta marginal no passado, a capoeira invade escolas de Ribeirão Preto como modalidade esportiva
  
Uma das manifestações mais antigas da cultura brasileira, que chegou até a ser proibida no País no início do século 20, passa agora a ocupar salas e quadras de colégios particulares.
 
A capoeira, antes vista como uma luta marginal, se popularizou e ganhou espaço até fora do país. Hoje, considerada uma das melhores modalidades esportivas, a mistura de luta, dança e jogo ganha cada vez mais adeptos, principalmente entre as crianças.
 
Na semana em que a abolição dos escravos completa 118 anos, durante uma aula de capoeira em um colégio particular de Ribeirão, alunos de 9 e 10 anos comparavam as leis brasileiras de 1888 com as atuais.
 
"É muito importante trabalhar a questão cultural e folclórica que existe no universo da capoeira. Nas aulas, a cada movimento ensinado às crianças, procuro contar a história dessa manifestação", afirma o professor André Baccan.
 
De acordo com ele, que desenvolve o projeto de capoeira em pelo menos cinco escolas particulares de Ribeirão, a experiência tem resultados positivos. "Com certeza é uma forma de quebrar o preconceito que existia com a capoeira. Hoje ela é uma modalidade esportiva e está cada vez mais valorizada", explica Baccan.
 
Entre os pequenos capoeiristas, a admiração pelo esporte, pela cultura e pela manifestação histórica é unânime. No colégio, entre as atividades extracurriculares, eles optaram pela capoeira.
"Eu quis fazer a capoeira porque, além de mexer meu corpo, eu aprendo várias coisas", diz Isabella Tonetto Pessica, de 10 anos. Ao lado dela, Davi Moço Lima, também de 10 anos, diz que "a capoeira é uma luta que não machuca".
De olhos azuis e cabelos loiros, Fabrício Lima Fernandez, de 10 anos, se empolga com o gingado.
"Eu gosto como esporte, mas o que aprendo com a capoeira me ajuda muito nas aulas de história e de geografia", conta ele, entre um golpe e outro.
 
De acordo com Eduardo Gula Sobrinho, coordenador do colégio Einstein em Ribeirão, é importante incluir a capoeira dentro do contexto histórico da história nacional.
"Ela fez parte da nossa história, de todo o povo brasileiro, independente de raça, cor ou religião. Por isso deve ser valorizada e ensinada também nas escolas", afirma ele.
 
Para mestre Monteiro, popularizar a capoeira é uma forma de manter viva a cultura negra na sociedade. Segundo ele, nos últimos anos aumentou muito o número de mulheres que passou a praticar o esporte.
 
Aulas foram suspensas
 
Uma disputa cultural provocou a suspensão do processo seletivo para os professores de capoeira em escolas da rede municipal de ensino em Ribeirão Preto.
De acordo com Paulo César Pereira de Oliveira, do Centro Cultural Orunmilá, as exigências que foram feitas para os candidatos provocaram a exclusão de muita gente capaz de ministrar as aulas.
O edital exigia que os candidatos apresentassem segundo grau completo e ainda registro no Crefe (Conselho Regional de Educação Física). "A vivência da capoeira é ainda mais importante do que anos de formação acadêmica. O ensinamento é oral. Esse tipo de restrição faz com que a cultura negra perca mais uma vez o seu valor", afirma Oliveira. (Gazeta de Ribeirão)
 
Capoeira foi proibida
 
A história da capoeira começa no Brasil junto com a história do tráfico negreiro. No século XVI, mais de 2 milhões de negros foram trazidos da África pelos colonizadores portugueses para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar.
Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os três principais Estados que receberam os negros.
A convivência não foi pacífica entre fazendeiros e escravos. Os quilombos foram criados pelos negros fugitivos justamente para fugir dessa situação de exploração.
 
O maior deles se estabeleceu em Pernambuco, numa região conhecida como Palmares. No local, uma espécie de Estado africano foi formado e como chefe, a comunidade tinha Ganga-Zumbi.
Foi nesse local que surgiram as primeiras manifestações da capoeira.