Blog

algo

Vendo Artigos etiquetados em: algo

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki, diz ator que faz vilão de Thor

Ao G1, Tom Hiddleston cita vilões favoritos e justifica fama de ‘showman’. – Inglês interpreta personagem pela 3ª vez em ‘Thor: o mundo sombrio’.

Tom Hiddleston surgiu como o invejoso e traidor Loki em “Thor” (2011), mas se tornou uma das maiores estrelas dos filmes da Marvel após enfrentar todos os super-heróis de “Os vingadores” (2012), filme dono da terceira maior bilheteria da história. E esse sucesso, que o ator garante ter sido “algo totalmente além e acima” de suas expectativas, deve aumentar ainda mais a partir de sexta (1º), quando ele poderá ser visto pela terceira vez no papel do “deus da trapaça” e elemento chave no roteiro de “Thor: o mundo sombrio”. Em entrevista por telefone ao G1, concedida enquanto estava na Alemanha divulgando o filme, o inglês de 32 anos não só declarou seu amor pelo personagem, mas também explicou como suas aulas de capoeira e sua experiência com Shakespeare ajudaram a compor sua versão de Loki. “Pensei em como a capoeira é tão elegante… e se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento”, justificou, logo depois de citar as características dos vilões shakespearianos que o influenciaram.

Shakespeare, aliás, é uma das figuras mais importantes na carreira do ator, que já foi premiado por sua atuação em peças do dramaturgo, interpretou Henrique V em uma série da BBC no ano passado e se prepara para voltar aos palcos como protagonista de “Coriolanus”. E, indiretamente, foi também Shakespeare que o levou aos filmes da Marvel, já que o também shakespeariano Kenneth Branagh, diretor de “Thor”, foi quem fez questão de tê-lo no elenco.

Mas, além de falar sobre Loki e sua versátil carreira, que inclui papéis como F. Scott Fitzgerald em “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen, um capitão em “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg, e um vampiro no ainda inédito “Only lovers left alive”, de Jim Jarmusch, o ator justificou ainda porque se tornou um dos novos favoritos também da imprensa.

Extremamente atencioso e gentil, explicou que não se incomoda nem um pouco ao atender todos os pedidos para que cante, dance ou faça alguma de suas já famosas imitações durante entrevistas. Além disso, ensaiou algumas palavras em português e se revelou nitidamente sem graça ao falar sobre ter sido o segundo colocado na lista de “100 astros de cinema mais sexy” da revista “Empire”.

G1 – “Thor” precisava apresentar ao público o universo de Asgard e mesmo seus atores, já que você e Chris Hemsworth ainda não eram tão famosos. E em “Thor: o mundo sombrio”, qual foi o maior desafio?
Tom Hiddleston –
Acho que o maior desafio foi trazer algo novo e empolgante. Pessoalmente, foi o ponto no qual mais me esforcei. Queria ter certeza que apresentaríamos algo que soasse inovador, diferente e cativante, algo que o público ainda não tivesse visto.

G1 – E a familiaridade do público com os personagens facilita ou faz com que exista mais pressão?
Tom Hiddleston –
Em certo nível fica mais fácil, porque tenho mais confiança no personagem, ele já está estabelecido, todo mundo sabe quem ele é. Então posso me divertir com isso, porque posso fazer certas coisas mais afiadas e com cores mais brilhantes, mas também posso mudar e surpreender as pessoas, tentar descobrir todas as características que ainda não mostrei. E acho que isso é uma das coisas mais empolgantes deste filme. Loki é o mesmo cara de “Os vingadores”, mas ele está um pouco diferente, ele é perigoso de uma forma diferente, engraçado de uma forma diferente. Eu amo interpreta-lo, espero que as pessoas consigam perceber o quanto me divirto.

“Pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor'”

G1 – A cada vez que vemos Loki ele parece mais confiante. Agora que, tentando não revelar spoilers, podemos dizer que ele consegue algo que desejava, como você imagina que será seu futuro? O que ainda podemos esperar de Loki?
Tom Hiddleston –
Acho que é interessante perguntar o que acontece quando você ganha um jogo, porque acredito que Loki é um personagem que se satisfaz mais em jogar do que em ganhar ou perder. Estou interessado em saber o que vai acontecer a seguir e tenho algumas ideias malucas para ele… mas, em geral, acho que existe uma frase chave neste filme, que é quando ele diz “satisfação não faz parte da minha natureza”. Satisfação não o fará feliz. Ele nunca fica parado. Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana. E ele é um encrenqueiro nato.

G1 – Ao aceitar o papel, você imaginava que Loki seria tão querido pelo público? E por que você acha que isso acontece?

{youtube}toPstPIcGnI{/youtube}


Tom Hiddleston –
Eu não fazia ideia. Foi algo totalmente além e acima das minhas expectativas e tem sido extraordinário. Sempre que você assume um personagem espera que ele vá estabelecer uma conexão com o público, mas nunca tive nada parecido antes. As pessoas costumam me perguntar sobre isso, e nunca tenho muita certeza sobre qual a resposta. Acho que talvez seja porque existe tanta diversão inerente ao personagem. Thor é o deus do trovão, Loki é o deus da trapaça, e se você procurar a palavra “mischief” no dicionário vai ver que está escrito algo como “inclinação para travessuras, brincadeiras”. Então é minha tarefa surgir e me divertir. E ele é muito charmoso, é um rebelde. Loki gosta de provocar o caos, mas, ao mesmo tempo, é também muito vulnerável e motivado por fraquezas humanas. Ele é furioso e solitário e triste, disfarça sua mágoa e seu coração partido. Espero que, mesmo que o público não tenha uma simpatia profunda por ele, ao menos entenda porque ele é quem é.

G1 – Loki pertence a uma classe de vilões queridos pelo público. Quais são seus vilões favoritos do cinema? E quais vilões te influenciaram?
Tom Hiddleston –
Amo os dois Coringas, Jack Nicholson e Heath Ledger são extraordinários interpretando o mesmo personagem de formas diferentes, eles estão certamente no topo da lista (veja no quadro acima os outros vilões favoritos do ator). Mas, acho que minha inspiração veio, em sua maior parte, de vilões shakespearianos. Loki tem muito de minha experiência acumulada com Shakespeare. Ele é obsessivo pela ambição, o que é bem “Macbeth”. É manipulador e dissimulado, como Iago em “Otelo”. É um filho que tem inveja de seu irmão mais velho, como Edmund em “Rei Lear”. E tem muito de Cassius em “Julio Cesar”, com seu olhar faminto. Acho todas essas coisas muito inspiradoras, elas foram uma espécie de ponto de partida. Mas Loki tem seu próprio repertório de truques.

Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor’

G1 – É verdade que você treinava capoeira e usou isso quando estava se preparando para o papel? Como foi?
Tom Hiddleston –
Sim, eu treinei, foi maravilhoso. Acho que é uma arte marcial extraordinária. Eu pratiquei pela primeira vez quando estava na escola de teatro, quando tinha vinte e poucos anos. Tinha um amigo que adorava capoeira e íamos treinar em uma academia em Londres para manter a forma. Então, quando comecei a imaginar o estilo de luta de Loki, pensei nisso. Chris Hemsworth estava treinando boxe com pesos-pesados, você pode ver que Thor gira seu martelo como um boxeador, um peso-pesado, ele tem um estilo de luta muito atlético, forte, firme, e eu queria ser diametralmente oposto a isso. E pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor. Então sim, eu quis usar um pouco de capoeira.

G1 – E você é bom nisso?
Tom Hiddleston –
Er…não (risos). Eu era apenas ok. Mas, de qualquer forma, quando tive que vestir o figurino percebi que “hmm… é, acho que não vou conseguir mais jogar capoeira” (risos).

G1 – Embora Loki seja um personagem tão popular, você conseguiu não ficar marcado apenas por ele, fazendo filmes de vários gêneros e com diretores como Woody Allen e Steven Spielberg. Qual seu critério na hora de escolher seus trabalhos?
Tom Hiddleston –
Bem, eu sempre tento buscar uma experiência nova, todas as vezes. E acho que isso é bastante útil, já que significa que estou sempre procurando, sempre sendo curioso e aprendendo. Então tento escolher coisas que sejam completamente diferentes, porque, na verdade, não há nada que eu adore mais do que aprender algo novo, estudar uma nova pessoa, uma nova história. E, no final, é sempre uma coisa instintiva. Leio um roteiro e simplesmente sei que quero ou não explorar aquela possibilidade. Em meu próximo trabalho eu vou voltar aos palcos, serei Coriolanus (mais um personagem de Shakespeare) no teatro, em Londres. Depois, vou trabalhar com Guillermo del Toro em um romance gótico (“Crimson peak”), uma história muito, muito sofisticada sobre uma casa assombrada.

G1 – Em “Crimson peak” você vai fazer um papel que inicialmente seria de Benedict Cumberbatch, um dos atores mais requisitados atualmente por Hollywood. E, assim como você, ele tem esse perfil tão tipicamente britânico. Você acha que este é especificamente um momento de “alta” para os ingleses?
Tom Hiddleston –
(risos) Talvez. Mas acho que sempre há atores britânicos por aí, não penso que seja algo específico em relação a mim e Benedict, que, aliás, é meu amigo desde que fizemos “Cavalo de guerra” juntos. No próprio “Thor: o mundo sombrio” temos Anthony Hopkins e ele é brilhante e tem sido há tanto tempo. E eu já trabalhei também com Jeremy Irons e Kenneth Branagh, e temos ainda pessoas como Alan Rickman, Hugh Laurie, Andrew Lincoln, Tom Hardy e Michael Fassbender (nascido na Alemanha, mas criado na Irlanda). Então acho que sempre há atores ingleses fazendo trabalhos brilhantes. Mas, se é que este é realmente um momento especial, fico feliz por fazer parte dele, juntamente com Benedict. Não sei o que estão colocando na água, mas está funcionando (risos).

G1 – Mas são você e ele os dois primeiros colocados na lista “100 astros de cinema mais sexy” da  “Empire”.
Tom Hiddleston –
(risos) Sim, eu sei, isso é muito embaraçoso (risos). Vai servir como combustível para incendiar a zombaria das minhas irmãs para o resto da minha vida.

G1 – Bem, há alguns leitores contestando a escolha de Benedict, mas não me lembro de ver ninguém reclamando sobre você.
Tom Hiddleston –
(risos) Sério? Não sei o que dizer sobre isso (risos).

G1 – Suas imitações tem feito sucesso na internet, e existem vídeos com você cantando, dançando e falando outros idiomas em entrevistas e, aparentemente, se divertindo em todos eles. Mas, agora que isso se tornou uma espécie de tradição, não se cansa do fato de as pessoas sempre te pedirem alguma “gracinha”?
Tom Hiddleston –
Bem, aí é que está. O que eu mais amo em relação a atuar é criar uma conexão. Talvez eu acredite na velha escola do entretenimento, adoro entreter as pessoas. Então acho que não, não me incomoda. Tudo que você pode desejar como ator é se conectar com as pessoas e parte da diversão proporcionada pelas turnês de divulgação é que você tem a chance de conhecer o público. E eu tenho mesmo essa coisa de tentar aprender o idioma das pessoas com quem estou falando. Então é por isso que falo em francês e espanhol nesses vídeos (risos). Mas meu português não é assim tão bom, sabe… sei dizer “obrigado” (risos). Lembro-me de que meus avós moravam em Portugal e eles costumavam dizer “dois mais” (ele fala com o sotaque de um português de Portugal) quando queriam mais dois copos de vinho ou algo assim. Mas, sabe, amo aprender idiomas, é realmente uma grande curiosidade que eu tenho. E a razão pela qual adoro fazer imitações é que sou interessado em gente, me interesso pelo modo como as pessoas se sentam, caminham e falam, e isso é parte da razão pela qual amo ser um ator.

Fabiana de CarvalhoDo G1, em São Paulo

Fonte: http://g1.globo.com

A capoeira, o poder público e o fantasma dos maus capoeiras…

A cada nova experiência que vivenciamos em nossas tratativas de interface com o poder público, vemos sempre a capoeira ser testada em sua mais emotiva visão: a de se fazer representar perante tais poderes e não buscar evidenciar suas limitações, reais ou imaginárias, enquanto comunidade organizada que é um pressuposto nesse tipo de relação.

Essas inúmeras vezes em que vimos esse diálogo acontecer, ficou patente que temos sempre um problema que vagueia o subconsciente coletivo dos capoeiristas, que é a existência constante de uma referência e da busca da punição, controle ou simples extirpação desse contexto dos maus capoeiristas…

Esses personagens consomem uma energia incrível de nossos esforços na busca de dialogar com os órgãos públicos e representam o nosso mais inevitável e lamentável subconsciente coletivo, que é para onde sempre enviamos ou resgatamos esse personagem, produto principalmente de nossas limitações enquanto organização ou instituição capoeiristica.

É óbvio que em qualquer grupo humano existem os bons e os maus profissionais.

Não se trata de negar isso.

O que temos que perceber é o quanto nos custa essa luta constante com eles, aliás, sempre ausentes nesses debates… por razões óbvias também sabemos porque eles estão sempre ausentes:

  • primeiramente porque, caso estejam presentes irão, obviamente, se identificar como parte dos que são do bem
  • também por ser muito difícil fazer uma acusação frontal, do tipo: você é do grupo dos maus capoeiras… obviamente se isso acontecer iremos ter um outro tipo complicado de situação, que será de um desequilibrado bate-boca entre os participantes de qualquer reunião;
  • devemos e precisamos perceber que enquanto não houver um esclarecimento público a respeito da ética capoeiristica, ficará sempre muito difícil decidir quais serão os bons e os maus… por exemplo, os capoeiristas mais tradicionais e conseqüentemente menos violentos ou agressivos em seus estilos de jogo e didática, são hoje taxados de sarobeiros, que na verdade é algo de significado impreciso, provavelmente servindo antes para discriminar estilos e condutas menos performáticas;
  • se detivéssemos a clareza suficiente para identificar quais seriam os maus capoeiras, estaríamos aí diante de um outro dilema: quais os elementos para se fazer um julgamento deles…? ou seja, se estiverem incorrendo em alguma forma de crime, como assédio sexual, exploração sexual de menores, lesões corporais, etc., eles

estarão devidamente enquadrados como criminosos, passivos de punição pela legislação penal… a comunidade da capoeira não tem que substituir esses códigos e essas leis para resolver esses problemas, obviamente isso seria uma inocente tentativa de fazer justiça com as próprias mãos;

  • supondo que se chegue a conclusão de que se trata, enfim, de um mau capoeirista, segundo critérios mais clássicos de se avaliar as condutas tradicionais da capoeira, como questões de auto-graduação; sistemas de treinamento; tratamento agressivo com alunos ou capoeiristas de outros grupos (diversas formas de incentivo à xenofobia relativamente comum dentro dos grupos de capoeira). formas presunçosas de se auto proclamar detentor deste ou daquele mérito; uso indevido de conhecimentos e patentes de movimentos, toques, músicas, técnicas, etc.; ou mesmo o incitamento de alunos ao estilo de jogo mais agressivo ou violento… quem, na representatividade da capoeira irá julgar esses casos?? Segundo que critérios?? Quem pode se dizer detentor dessa verdade e dessa norma??
  • Em caso de admitirmos que não podemos julgar esses eventos dentro da capoeira, por que levar esses dilemas para um foro envolvendo terceiros? no caso o poder público nada pode fazer quando nós mesmos temos dúvidas sobre o que é legitimo e o que não é.
  • Há um outro aspecto que fica muito patente nessas discussões que é quanto ao desgaste que as reuniões sofrem por causa desse tema… é incrível como os capoeiristas deixam que esses fantasmas roubem nossa energia quando estamos diante de uma oportunidade inédita (como nos fóruns do pró-capoeira, nos congressos realizados pelo Ministério do Esporte, entre outros). Vale nesse caso a sabedoria de grandes mestres que sempre disseram: não fale do diabo porque ele aparece… em outras palavras nós os valorizamos quando permitimos que ocupem nosso tempo dentro de tão raras oportunidades.

Fica claro para nossos interlocutores do poder público que a capoeira tem um grande problema por causa de seus maus representantes e, no entanto, sabemos que isso representa uma minoria que sequer deveria ser tão considerada, senão vejamos:

  • Sabemos que a estatística de problemas graves envolvendo a capoeira é muito menor do que muitos outros esportes;
  • Sabemos que mesmo os ditos maus são tantas vezes responsáveis por grandes projetos dentro da capoeira e tantas vezes produzem grandes atletas, os quais acabam por perceber que estão no lugar errado e buscam outros espaços para seu aprendizado e crescimento, ou mudam de atitude por seus próprios critérios;
  • Sabemos ainda que estamos hoje diante de uma série de estímulos do mercado de lutas, que levam muitos mestres e professores a buscarem a marcialidade da capoeira como seu principal interesse… muitas vezes exclusivamente por uma questão de sobrevivência econômica e financeira… quem pode, de sã consciência, punir por isso ou condená-los? Temos que ter em conta a liberdade de escolha de estilo e de prioridade de foco de cada um;
  • Quanto aos sistemas de graduação que possam parecer a alguns sem mérito ou sem sentido, não cabe a nenhum de nós questionar, a menos que seja dentro de fóruns íntimos da própria capoeira, onde esse assunto possa ser discutido, de preferência dentro da mesma entidade a que pertençam os atores da discussão, sempre lembrando que isso é uma das mais históricas polêmicas dentro da capoeira e que ninguém pode se considerar o detentor da verdade ou da razão inquestionável, pois se trata de um tema delicado e impreciso, já conhecido de todos nós, cuja solução é, além de muito difícil, um eterno pomo da discórdia entre pessoas que muitas vezes partilham visões e interesses comuns, imagine num sentido mais amplo como cheguei a ver durante uma reunião do Pró-Capoeira do Ministério da Cultura, um dos grupos temáticos incluiu que o governo devia “implantar um sistema de graduação unificado”… será que estamos pedindo ao governo para nos impor algo assim?
  • Vale lembrar que não faz diferença praticamente nenhuma para uma questão cultural que envolva a capoeira a  questão da “graduação”, esse conceito foi introduzido pelo Mestre Bimba em um determinado contexto histórico e isso nos foi legado por ele como uma recurso de organização de nossa instituição capoeirista, seja por razões administrativa, econômica ou mesmo hierárquica, isso jamais deveria ter se tornado um cavalo de batalha onde tanta energia já se perdeu, a livre manifestação cultural da capoeira é uma de suas premissas, e direitos;
  • Vista sob a ótica desportivizante, a graduação tampouco é uma exigência de nenhum comitê olímpico ou marcial, onde são considerados, apenas, categorias compostas de idade e peso… no máximo estilos…  ou seja, mais uma vez sabemos que essa discussão é estéril e desnecessária… a não ser, claro, para grupos que partilhem de uma mesma organização, seja uma associação, federação, liga, escola, etc…
  • Muitos poderão entender que estejamos defendendo o caos na capoeira, perdoe-me os que assim pensam, mas estou apenas defendendo a razão no lugar de uma emoção infantil e estéril que a nada serve, mormente em locais e na presença de representantes do governo, muitas vezes interessados apenas em entender como podem ajudar a capoeira.

 

Fato é que temos que amadurecer nossa capacidade de dialogar com o poder público, seja porque temos antes de mais nada um direito de fato relacionado com essa relação entre a capoeira e ele (o poder público), seja porque muitas vezes as pessoas que estão participando de uma reunião conosco – a maioria das vezes técnicos-burocratas do governo, não possuem a mínima condição seja de resolver nossas questões históricas e muito menos de encontrar para nós os nossos fantasmas do mau…

Se não tivermos essa consciência e essa maturidade, qualquer diálogo será muito difícil e as nossas expectativas de participação no bolo do orçamento público será algo que teremos que esperar muito mais tempo até que possam se materializar como algo sólido para nós, os capoeiristas, os mestres, os professores, os estudiosos do assunto, os produtores, os patrocinadores, os alunos, os parceiros, os interessados em nosso trabalho dentro de escolas e outros espaços públicos.

Enfim a nossa maturidade profissional é um requisito para uma negociação mais racional e menos emocional com qualquer instituição ou poder público.

 

Mestre Skisyto (skisyto@gmail.com)

Umuarama celebra a igualdade racial

Mesa de discussões, apresentações culturais e palestras sobre racismo marcaram as discussões sobre a consciência negra em Umuarama

Umuarama e toda a Nação brasileira comemoram hoje o Dia da Consciência Negra, que é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Diversas atividades alusivas ao dia foram e estão sendo realizadas no município, entre mesa de discussões, apresentações culturais, palestras e outras. As atividades serão encerradas na quarta-feira com a eleição da Miss Beleza Negra.

Hoje, em comemoração ao O Dia da Consciência Negra será realizada apresentação de escolas de samba e capoeira na Praça Miguel Rossafa, além de comemorar o dia da consciência a data marca a morte de Zumbi dos Palmares, falecido há 312 anos.

Porém, o dia dos grandes debates foi ontem, com uma palestra sobre o racismo na sociedade e no espaço escolar. A palestra foi ministrada por Luiz Carlos Paixão da Rocha, secretário de Políticas Sociais da APP Sindicato e coordenador do coletivo da Igualdade Racial. Após a palestra os presentes realizaram um debate sobre o racismo.

Segundo a professora Maria Madalena Lopes de Lima, o racismo é algo que está embutido na consciência das pessoas e ainda vai precisar de muito tempo para isso mudar. “Quando estamos lecionando observamos formas de racismo vindo dos alunos, mas não é culpa deles. Como uma piadinha sobre negros, que os pais fazem em casa e isso vai se transformando em algo normal para as crianças”, disse Madalena.

A professora ressaltou que quando fala que trabalha em uma escola, logo a pessoa pergunta se é zeladora ou cozinheira. “Não estou desmerecendo a classe das zeladoras ou cozinheira, que fazem grande trabalho nas escolas, mas porque uma mulher negra não pode ser uma professora?”, indagou Madalena.

No período, às 13h30, o presidente do Conselho Estadual de Educação, Romeu Gomes de Miranda, explanou sobre a Lei 10.639-03 e sobre a Deliberação 04/06, que tratam sobre o ensino da cultura negra na formação da História do Brasil. E às 19h, apresentações artistas músicas, danças e capoeira finalizaram o dia de debates.

As comemorações serão finalizadas no dia 21, com a escolha da mulher negra mais bela, com o concurso Miss Beleza Negra, no Centro Cultural Schubert, às 20h. Estão participando do concurso 12 lindas mulheres que no final apenas uma irá representa a beleza da raça negra de Umuarama e região.

Fonte: Umuarama Ilustrado – http://www.ilustrado.com.br/

Melhor Idade na Capoeira

Capoeira Recreativa para Terceira Idade movimenta Centro Cultural
 
Projeto financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura é voltado para os idosos
Quem disse que capoeira tem idade? Manifestações culturais atravessam também gerações e ganham elementos que as adequam de acordo com os praticantes. Com o projeto “Capoeira Recreativa Para Terceira Idade”, a manifestação foi adaptada para ser oferecida ao grupo da terceira idade que freqüenta o Centro Cultural Lydia Hammes.
 
O projeto é financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, gerenciada pela Fundação Garibaldi Brasil, e acontece há três meses, com previsão para finalizar em dezembro. “A intenção é levar lazer para a terceira idade e tornar constante esta prática”, afirma Mestre Moreno, quem ministra as aulas. O capoeirista desenvolve trabalhos na área há mais de 17 anos, e nos últimos quatro, vem trabalhando com a melhor idade.
 
Segundo ele, a idéia do projeto surgiu no ano passado, quando visitou o centro cultural e se informou sobre as atividades desenvolvidas no espaço e o público que costuma participar. “O Centro Cultural Lydia Hammes recebe grande número de idosos, então, elaborei esse projeto para oferecer uma atividade que eles ainda não tinham. Trabalhar com a terceira idade é como trabalhar com crianças, é gratificante, eles têm uma grande energia positiva”, conta.
 
Vovó Capoeira – A turma é formada por aproximadamente 50 alunos, a maioria mulheres de 40 a 70 anos. Na opinião de Iracema Silva, 66, a capoeira deixou de ser algo só para jovens. “Nunca imaginei que iria praticar. Conhecia a atividade vendo a meninada brincar. Mas agora, vejo que é muito boa para nós também, fazemos exercícios e nos divertimos”, diz. Francisca Jasci, 58, ganhou um motivo a mais para interagir com os familiares. “É a primeira vez que pratico capoeira, os meus netos praticam, às vezes brincamos no quintal de casa”, conta. Maria Freira, 64, pratica atividade física há 24 anos, e achou a capoeira algo inovador. “Se soubesse que era tão bom, teria procurado antes”, afirma. Mais informações pelo telefone: 32251707.
 
Fonte: Rio Branco-AC – Página 20 – http://www2.uol.com.br/pagina20

Lobisomem: Capoeira e Cordel

Histórias populares, no mundo inteiro, são sempre maniqueístas, variações de lutas entre um bem e um mal, moralidades rígidas por um lado mas suficientemente elásticas por outro para incluir mau-caratismos e espertezas várias quando se trata de um “fraco” vencer um “forte”.

E aí vem o Brasil, a capoeira e a literatura de cordel, e o bem e o mal começam a negociar.

No cordel de apresentação de seu personagem, Lobisomem, o capoerista e cordelista Victor Alvim Itahim Garcia, do grupo Abadá Capoeira, diz a respeito de si mesmo: ninguém lá é perfeito. Ele lê este verso e começa a jogar sua capoeira dançada, uma negociação entre investidas e defesas. Mais (ou menos) do que uma luta, uma longa conversa de pernas e pés com seu oponente-parceiro.

Dele também, os versos de abertura do cordel Zumbi & Bimba:

É claro que não podemos
Nunca generalizar
A minha intenção não é
De querer polemizar
Pois todos têm liberdade
Pra sua versão contar

Ou, no cordel em que ele homenageia Mestre Camisa, fundador do grupo:

Como todo ser humano
Muitos defeitos tem
Como ninguém é perfeito
Ele erra muito também
Mas a sua intenção
É sempre fazer o bem

É uma distância grande em relação a, por exemplo, os contos de fada originados na Europa, onde um desfile de fracos-bons e fortes-ruins têm, depois de várias crueldades de parte a parte, seu destino modificado graças à intervenção sobrenatural. Ou aos contos hollywoodianos contemporâneos, que seguem o mesmo molde.

Lobisomem: Victor Alvim Itahim Garcia, do grupo Abadá Capoeira

Relatos populares têm finalidades precisas. São ensinamentos de sobrevivência e resistência para situações limites e, dentro dessa estratégia, são também instrumentos de integração universalistas. Neles, personagens locais se ligam a arquétipos universais e o indivíduo, eivado de estereótipos psicológicos e sociais – heróis, cenários específicos como encruzilhadas ou estradas, e um tempo colocado em um passado distante ou, no caso hollywoodiano um futuro igualmente distante – se transforma em um ator que exerce sua subjetividade como em um teatro. O problema é que tal linguagem anuncia a crítica e ao mesmo tempo a cancela. Ao se tornar uma encenação que se repete, mesmo se variando detalhes do rito, o relato mostrará uma crítica não mais sobre o poder que oprime o grupo social naquele momento, mas a partir de um poder, o do mito.

O que o sotaque brasileiro traz de interessante é que, ao tornar falível o bem e palatável o mal, não abre espaço para o conceito de que haja algo perfeito de antemão, algo que nós, humanos, devemos nos esforçar para alcançar e uma vez lá, não mais modificar. Sem perfeição à mão, entra obrigatoriamente a negociação.

Viva nóis.

 
Elvira Vigna é escritora e crítica de arte, com formação em letras e arte, e mestrado em teoria da significação pela UFRJ. Último livro publicado: "Deixei ele lá e vim", 2006, Companhia das Letras

Fonte: Aguarrás – http://aguarras.com.br/

Nova coluna: Capoeira sem fronteiras…

Estamos inaugurando uma nova coluna no Portal Capoeira: Capoeira sem fronteiras: A Capoeira para Portadores de Deficiência.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas portadoras de necessidades especiais (PPNEs) já são + de 23 milhões de brasileiros (as).
 
O número de capoeiristas envolvidos com este belo processo tem aumentado a cada dia… o trabalho tem se especializado… passando da esfera das experiências… para algo comprovado… É a nossa capoeira como arma de INCLUSÃO, como uma magia… como algo sem fronteiras e barreiras… é o ser humano… é a prática da cidadania!!!

Livro : Pedro Abib

Lançamentos e informações sobre o livro "Capoeira Angola – cultura popular e o jogo dos saberes na roda", de autoria do Dr. Pedro Abib, estudioso de nossa arte

Jornal do Capoeira
www.capoeira.jex.com.br

Por Miltinho Astronauta

Piracicaba-SP, 30.10.2005

Para quem é da Bahia, no dia 01 de Novembro será realizado lançamento do livro pela Edufba, sendo que o mesmo acontecerá no Centro de Estudos Afro Asiáticos (CEAO), Praça Inocêncio Galvão 42, Largo Dois de Julho. No lançamento será realizado também o debate "Os Saberes da Capoeira Angola" com a presença do Mestre João Pequeno de Pastinha, do pesquisador Frede Abreu e do autor do livro em tela.

 
Neste trabalho o autor sugere ao leitor algo além de uma simples e boa etnografia. Sugere mesmo algo mais do que a tomada de algum ângulo novo, pouco explorado entre autores antecedentes. O trabalho revela dimensões da experiência da criatividade e do aprendizado humano. Resulta de pesquisa de vários anos e também da vivência pessoal do autor no universo da cultura popular, sobretudo no
âmbito da capoeira Angola não apenas na condição de pesquisador como também como praticante.

 

 

Para Ler Mais

Read More

Help Desk da Capoeira

O site www.capoeirista.com.br – esta inalgurando mais uma ferramenta de extrema importancia para a comunidade capoeirística!
Luciano Milani – 25/06/05

 
Estamos saindo para o jogo… O Help Desk da Capoeira, onde suas perguntas serão respondidas por um grande Mestre, já esta funcionando!!!
 
Esta ferramenta será de fundamental importancia para os capoeiristas, que poderão esclarecer as suas principais dúvidas e questões referentes a capoeira e todo o universo que a cerca!!!
 
O mais importante é que estas perguntas serão respondidas sempre por Mestres conceituados.
Cada mestre ficará responsavel pelo serviço por um determinado tempo, ainda a ser definido, mais que provavelmente será algo em torno de 45 ou 60 dias.
 
Nosso primeiro convidado para esclarecer todas as questões dos capoeiristas será: Mestre Jaime de Mar Grande.
 

Livro sobre Capoeira Angola

Release do livro recém-lançado, versando sobre Capoeira Angola & Cultura Popular, de autoria de Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno de Pastinha).
 
 Capoeira Angola: cultura popular e o jogo dos saberes na roda
Neste trabalho o autor sugere ao leitor algo além de uma simples e boa etnografia. Sugere mesmo algo mais do que a tomada de algum ângulo novo, pouco explorado entre autores antecedentes. O trabalho revela dimensões da experiência da criatividade e do aprendizado humano. Resulta de pesquisa de vários anos e também da vivência pessoal do autor no universo da cultura popular, sobretudo no âmbito da capoeira Angola não apenas na condição de pesquisador como também como praticante.
Informações: pedrabib@ufba.br